Dilma Rousseff prega tolerância no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

Fonte: CONIB
“Há uma questão
extremamente grave no Holocausto: a teoria de que uma parte da
humanidade é melhor que a outra. Não podemos jamais esquecer que, um
dia, houve uma política de extermínio como essa”, afirmou a presidente
Dilma, no domingo, dia 29 de janeiro, no Fórum Rui Barbosa, em Salvador,
na solenidade promovida pela Confederação Israelita do Brasil (Conib),
em parceria com a Sociedade Israelita da Bahia (SIB), que marcou o Dia
Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

A presidenta Dilma
parabenizou a CONIB pela escolha de Salvador para sediar o evento, uma
cidade que rejeita a discriminação e respeita a diversidade. “Lembrar na
capital baiana as vítimas do Holocausto é lembrar que negros e judeus
têm em comum também a diáspora. É ainda o momento de não silenciarmos
contra crimes de intolerância e de construirmos mecanismos para evitar
sua repetição”, disse a presidenta.
(Discurso
da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante a cerimônia alusiva
ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto: http://www2.planalto.gov.br/imprensa/discursos?b_start:int=10 )
Emocionada, Dilma
reconheceu que ainda há no mundo vítimas da barbárie, cuja condição
humana foi questionada pelos nazistas. “Para todos nós, sempre é um
momento muito forte quando se olham as fotos dos campos de extermínio,
sobretudo pelos olhares torturados”, e por isso pregou que esse episódio
nunca pode ser negado ou esquecido.

O ato no Brasil,
realizado pela CONIB, sempre tem contado com a presença do presidente da
República e de importantes autoridades, em diferentes cidades do país.
“Fazemos questão, todos os anos, de homenagear aqueles que foram
igualmente alvo da vilania nazista. Lembramos os perseguidos políticos,
os homossexuais, as Testemunhas de Jeová, os ciganos, e tantos outros
grupos que enfrentaram o ódio, que enfrentaram o genocídio num período
tão recente, ocorrido há apenas sete décadas”, disse Claudio Lottenberg,
presidente da CONIB.
Lottenberg falou também
da importância de lutar contra aqueles que negam este triste episódio,
mas também lembrou aqueles que resistiram e ajudaram na luta contra os
nazistas, como “a brasileira Aracy Guimarães Rosa, que ignorando a
circular secreta do governo Vargas, que restringia a entrada de judeus
no Brasil, emitia vistos no consulado de Hamburgo. Ou então do
embaixador brasileiro Souza Dantas, que por agir na defesa dos direitos
humano,s sacrificou sua própria carreira. Portanto, neste triste momento
temos algo a comemorar, que é a constante necessidade de superarmos
obstáculos”.
O embaixador de Israel
no Brasil, Rafael Eldad, ressaltou que, mais do que resgatar a memória
daqueles que pereceram no Holocausto, esse é um momento importante para
reflexão sobre as lições de um período macabro da humanidade. “Não é uma
tarefa exclusiva dos sobreviventes, mas de todos os seres humanos agir e
trabalhar para evitar qualquer tipo de discriminação”.

Estiveram presentes na
solenidade o embaixador da França no Brasil, Yves Saint-Geours; o
ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, José Elito
Carvalho Siqueira; a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial, Luiza Bairros; a ministra da Secretaria Especial de
Direitos Humanos, Maria do Rosário; a presidente do Tribunal de Justiça
da Bahia, desembargadora Thelma Brito; os senadores João Durval, Lídice
da Mata e Walter Pinheiro; o cardeal Dom Geraldo Agnelo; o prefeito em
exercício de Salvador, Edvaldo Brito; o presidente do Congresso Judaico
Latino-Americano, Jack Terpins, além de juízes e desembargadores,
representantes da comunidade judaica de diversos Estados do país, da
comunidade negra, de ONGs, rabinos, deputados, prefeitos e vereadores,
com ampla cobertura da mídia.
No Rio de Janeiro a
FIERJ organizou evento na Sinagoga de Copacabana, que teve como orador
de honra o acadêmico Arnaldo Niskier.

O Dia Internacional em
memória das vítimas do Holocausto também foi celebrado, no dia 26 de
janeiro, numa iniciativa da FIERJ na Sinagoga Kehilat Yaacov. O Coral
Kol Haneshmá sob a regência do Chazan David Alhadeff encerrou a
celebração com uma belíssima e emocionante apresentação.
Em São Paulo a FISESP e UNIBES celebraram a data na Sinagoga da CIP.

Fonte: NOTICIAS DA RUA JUDAICA
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Fonte: http://www.pletz.com
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Bahia (Judaica) de Todos os Santos
Israel Blajberg
por Israel Blajberg – Em ato de grande significado, a Presidente
Dilma honrou a comunidade judaica brasileira com sua presença na
cerimônia principal do Dia Internacional em Memória das Vitimas do
Holocausto.
Procedente de Brasília, de onde partiu as 15h do domingo 29 jan 2012,
dirigiu-se diretamente ao Fórum Ruy Barbosa de Salvador, maior cidade
negra fora da África, onde permaneceu por 2 horas, encantando o publico
com a sua presença marcante e serena, seja cumprimentando a cada orador
que se manifestava, seja irradiando uma intensa simpatia que expressava
em seus gestos. No dia seguinte segue para Havana, o que demonstra como
fez questão de estar presente, inclusive tendo de antecipar de um dia a
sua participação, com os convites já impressos e expedidos.
O capital simbólico da presença judaica na Bahia, e ademais em todo o
Brasil, foi justamente mencionado pela Presidenta em seu discurso de 20
minutos, varias vezes entrecortado pelas palmas da platéia, no grande
auditório do Fórum, totalmente tomado por mais de 600 convidados. Fórum
em cujo sub-solo se situa a cripta do ilustre bahiano Ruy Barbosa,
abolicionista, o Águia de Haia. Salvador, para onde aportaram milhões de
escravos, que ajudaram a fazer deste pais uma grande nação. Bahia, onde
em 1500 aportaram as caravelas, dentre cujos marinheiros quantos não
teriam pronunciado uma suplica a Virgem Santíssima, ao partir?
Possivelmente não poucos murmuraram discretamente na pequena capela
as margens do Tejo, o Shema Israel… sem que nenhum outro escutasse… Como
mencionou a própria Presidenta em suas tocantes palavras, uma parte dos
portugueses que aqui chegaram era de cristãos-novos, e o Brasil também
foi fruto destes, assim como de judeus que escaparam dos horrores da
Europa.
Certamente, se hoje falamos português, muito devemos aos judeus
que ajudaram a criar a Escola de Sagres, desenvolveram o astrolábio, e
desenharam as primeiras cartas náuticas, designadas por uma palavra
hebraica – mapah, viabilizando as navegações.
Não muito distante do Fórum, na encosta da orla situa-se o antigo
Cemitério dos Ingleses, onde boa parte das sepulturas que pontilha a
encosta diante das águas da Bahia e’ de judeus, que ali tiveram o seu
ultimo repouso ate que mais recentemente um cemitério próprio foi
construído na Quinta dos Lázaros.
Mais um pouco a frente, próximo ao
Farol da Barra, uma casa ostenta um candelabro a entrada. Nada menos que
o Beit Chabad, onde um jovem rabino vindo de Israel divulga a mensagem
do Rebe de Lubavitch na Bahia, terra das Orixás. Terra que já teve um
prefeito judeu em Salvador, e o atual governador já em seu segundo
mandato.
Na terra do Olodum e do Carnaval, magnífico coral cantou para a
Presidenta o Hino dos Partisans e uma canção africana, irmanando dois
povos que sofreram juntos, seja nos navios-negreiros, seja nos trens do
holocausto, e que hoje continuam lado a lado nesta terra abençoada
trabalhando pelo desenvolvimento do Brasil.
Nada mais significativo do que a comunhão de idéias, o Babalaô, o
Cardeal Primaz e o Rabino juntos, ouvindo o Yizkor e o El Maleh Rahamin,
seguido pelo lamento pungente do shofar, em elegia a bendita memória
dos que tombaram, seguindo-se o acendimento em coletivo das 6 velas, por
um grupo de sobreviventes, seguindo-se os Ministros, General Jose
Elito, Luiza Bairros, da Igualdade Racial e Maria do Rosário, da SEPPIR,
outro grupo formado pelo ativista dos direitos homossexuais Luiz Mott, a
OAB e os Bahai, mais uma vela acesa pela Desembargadora Presidente do
Tribunal, outra pelo representante da ONU, e mais outra pelo Presidente
da CONIB, que convida Dilma para acompanhá-lo.
O Professor Luis Edmundo da UFRRJ relata o destino de 20 mil negros
alemães, também eles vitimas do holocausto, alguns cujos pais eram
soldados coloniais casados com alemãs, e foram das primeiras vitimas.
Como bem descreveu a Presidenta Dilma, somos uma nação pluralista e
de princípios, e devemos manter acesa a chama desta memória, ajudando
assim a construir um mundo melhor, sem discriminação e com mais
tolerância.
A Presidenta referiu-se positivamente ao novo centro
cultural que a Sociedade Israelita da Bahia vem construindo, que será um
local de estudos, dentro da idéia de que a diversidade cultural
estimula e aproxima os diversos componentes da sociedade.
Este evento foi verdadeiramente um marco grandioso nas relações entre
as diferentes comunidades componentes da nossa sociedade
verde-e-amarela. As vésperas do 2 de fevereiro – Dia de Iemanjá’, sob
as bênçãos da Rainha do Mar a Bahia segue seu caminho, o mesmo dos
judeus brasileiros, e de tantas comunidades, sejam elas negra, bahai,
católica, evangélica, espírita, do candomblé, enfim, também aqui os
ensinamentos da Tora’ nos acompanham e orientam.
Shalom! Axé!
De Salvador em 29 janeiro de 2012
Fonte: http://www.pletz.com
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