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domingo, 5 de fevereiro de 2012

PT, MEMBROS DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO E DO EXECUTIVO BAIANO ESCANCARAM LIGAÇÕES COM OS JUDEUS


Dilma Rousseff prega tolerância no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

Fonte: CONIB

“Há uma questão extremamente grave no Holocausto: a teoria de que uma parte da humanidade é melhor que a outra. Não podemos jamais esquecer que, um dia, houve uma política de extermínio como essa”, afirmou a presidente Dilma, no domingo, dia 29 de janeiro, no Fórum Rui Barbosa, em Salvador, na solenidade promovida pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), em parceria com a Sociedade Israelita da Bahia (SIB), que marcou o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

A presidenta Dilma parabenizou a CONIB pela escolha de Salvador para sediar o evento, uma cidade que rejeita a discriminação e respeita a diversidade. “Lembrar na capital baiana as vítimas do Holocausto é lembrar que negros e judeus têm em comum também a diáspora. É ainda o momento de não silenciarmos contra crimes de intolerância e de construirmos mecanismos para evitar sua repetição”, disse a presidenta.
(Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante a cerimônia alusiva ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto: http://www2.planalto.gov.br/imprensa/discursos?b_start:int=10 )
Emocionada, Dilma reconheceu que ainda há no mundo vítimas da barbárie, cuja condição humana foi questionada pelos nazistas. “Para todos nós, sempre é um momento muito forte quando se olham as fotos dos campos de extermínio, sobretudo pelos olhares torturados”, e por isso pregou que esse episódio nunca pode ser negado ou esquecido.

O ato no Brasil, realizado pela CONIB, sempre tem contado com a presença do presidente da República e de importantes autoridades, em diferentes cidades do país. “Fazemos questão, todos os anos, de homenagear aqueles que foram igualmente alvo da vilania nazista. Lembramos os perseguidos políticos, os homossexuais, as Testemunhas de Jeová, os ciganos, e tantos outros grupos que enfrentaram o ódio, que enfrentaram o genocídio num período tão recente, ocorrido há apenas sete décadas”, disse Claudio Lottenberg, presidente da CONIB.
Lottenberg falou também da importância de lutar contra aqueles que negam este triste episódio, mas também lembrou aqueles que resistiram e ajudaram na luta contra os nazistas, como “a brasileira Aracy Guimarães Rosa, que ignorando a circular secreta do governo Vargas, que restringia a entrada de judeus no Brasil, emitia vistos no consulado de Hamburgo. Ou então do embaixador brasileiro Souza Dantas, que por agir na defesa dos direitos humano,s sacrificou sua própria carreira. Portanto, neste triste momento temos algo a comemorar, que é a constante necessidade de superarmos obstáculos”.
O embaixador de Israel no Brasil, Rafael Eldad, ressaltou que, mais do que resgatar a memória daqueles que pereceram no Holocausto, esse é um momento importante para reflexão sobre as lições de um período macabro da humanidade. “Não é uma tarefa exclusiva dos sobreviventes, mas de todos os seres humanos agir e trabalhar para evitar qualquer tipo de discriminação”.
Estiveram presentes na solenidade o embaixador da França no Brasil, Yves Saint-Geours; o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, José Elito Carvalho Siqueira; a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros; a ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário; a presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargadora Thelma Brito; os senadores João Durval, Lídice da Mata e Walter Pinheiro; o cardeal Dom Geraldo Agnelo; o prefeito em exercício de Salvador, Edvaldo Brito; o presidente do Congresso Judaico Latino-Americano, Jack Terpins, além de juízes e desembargadores, representantes da comunidade judaica de diversos Estados do país, da comunidade negra, de ONGs, rabinos, deputados, prefeitos e vereadores, com ampla cobertura da mídia.
No Rio de Janeiro a FIERJ organizou evento na Sinagoga de Copacabana, que teve como orador de honra o acadêmico Arnaldo Niskier.
O Dia Internacional em memória das vítimas do Holocausto também foi celebrado, no dia 26 de janeiro, numa iniciativa da FIERJ na Sinagoga Kehilat Yaacov. O Coral Kol Haneshmá sob a regência do Chazan David Alhadeff encerrou a celebração com uma belíssima e emocionante apresentação.
Em São Paulo a FISESP e UNIBES celebraram a data na Sinagoga da CIP.

Fonte: NOTICIAS DA RUA JUDAICA


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Bahia (Judaica) de Todos os Santos



por Israel Blajberg – Em ato de grande significado, a Presidente Dilma honrou a comunidade judaica brasileira com sua presença na cerimônia principal do Dia Internacional em Memória das Vitimas do Holocausto.
Procedente de Brasília, de onde partiu as 15h do domingo 29 jan 2012, dirigiu-se diretamente ao Fórum Ruy Barbosa de Salvador, maior cidade negra fora da África, onde permaneceu por 2 horas, encantando o publico com a sua presença marcante e serena, seja cumprimentando a cada orador que se manifestava, seja irradiando uma intensa simpatia que expressava em seus gestos. No dia seguinte segue para Havana, o que demonstra como fez questão de estar presente, inclusive tendo de antecipar de um dia a sua participação, com os convites já impressos e expedidos.

O capital simbólico da presença judaica na Bahia, e ademais em todo o Brasil, foi justamente mencionado pela Presidenta em seu discurso de 20 minutos, varias vezes entrecortado pelas palmas da platéia, no grande auditório do Fórum, totalmente tomado por mais de 600 convidados. Fórum em cujo sub-solo se situa a cripta do ilustre bahiano Ruy Barbosa, abolicionista, o Águia de Haia. Salvador, para onde aportaram milhões de escravos, que ajudaram a fazer deste pais uma grande nação. Bahia, onde em 1500 aportaram as caravelas, dentre cujos marinheiros quantos não teriam pronunciado uma suplica a Virgem Santíssima, ao partir?

Possivelmente não poucos murmuraram discretamente na pequena capela as margens do Tejo, o Shema Israel… sem que nenhum outro escutasse… Como mencionou a própria Presidenta em suas tocantes palavras, uma parte dos portugueses que aqui chegaram era de cristãos-novos, e o Brasil também foi fruto destes, assim como de judeus que escaparam dos horrores da Europa. 

Certamente, se hoje falamos português, muito devemos aos judeus que ajudaram a criar a Escola de Sagres, desenvolveram o astrolábio, e desenharam as primeiras cartas náuticas, designadas por uma palavra hebraica – mapah, viabilizando as navegações.

Não muito distante do Fórum, na encosta da orla situa-se o antigo Cemitério dos Ingleses, onde boa parte das sepulturas que pontilha a encosta diante das águas da Bahia e’ de judeus, que ali tiveram o seu ultimo repouso ate que mais recentemente um cemitério próprio foi construído na Quinta dos Lázaros. 

Mais um pouco a frente, próximo ao Farol da Barra, uma casa ostenta um candelabro a entrada. Nada menos que o Beit Chabad, onde um jovem rabino vindo de Israel divulga a mensagem do Rebe de Lubavitch na Bahia, terra das Orixás. Terra que já teve um prefeito judeu em Salvador, e o atual governador já em seu segundo mandato.

Na terra do Olodum e do Carnaval, magnífico coral cantou para a Presidenta o Hino dos Partisans e uma canção africana, irmanando dois povos que sofreram juntos, seja nos navios-negreiros, seja nos trens do holocausto, e que hoje continuam lado a lado nesta terra abençoada trabalhando pelo desenvolvimento do Brasil.

Nada mais significativo do que a comunhão de idéias, o Babalaô, o Cardeal Primaz e o Rabino juntos, ouvindo o Yizkor e o El Maleh Rahamin, seguido pelo lamento pungente do shofar, em elegia a bendita memória dos que tombaram, seguindo-se o acendimento em coletivo das 6 velas, por um grupo de sobreviventes, seguindo-se os Ministros, General Jose Elito, Luiza Bairros, da Igualdade Racial e Maria do Rosário, da SEPPIR, outro grupo formado pelo ativista dos direitos homossexuais Luiz Mott, a OAB e os Bahai, mais uma vela acesa pela Desembargadora Presidente do Tribunal, outra pelo representante da ONU, e mais outra pelo Presidente da CONIB, que convida Dilma para acompanhá-lo.

O Professor Luis Edmundo da UFRRJ relata o destino de 20 mil negros alemães, também eles vitimas do holocausto, alguns cujos pais eram soldados coloniais casados com alemãs, e foram das primeiras vitimas.

Como bem descreveu a Presidenta Dilma, somos uma nação pluralista e de princípios, e devemos manter acesa a chama desta memória, ajudando assim a construir um mundo melhor, sem discriminação e com mais tolerância. 
A Presidenta referiu-se positivamente ao novo centro cultural que a Sociedade Israelita da Bahia vem construindo, que será um local de estudos, dentro da idéia de que a diversidade cultural estimula e aproxima os diversos componentes da sociedade.
Este evento foi verdadeiramente um marco grandioso nas relações entre as diferentes comunidades componentes da nossa sociedade verde-e-amarela. As vésperas do 2 de fevereiro – Dia de Iemanjá’, sob as bênçãos da Rainha do Mar a Bahia segue seu caminho, o mesmo dos judeus brasileiros, e de tantas comunidades, sejam elas negra, bahai, católica, evangélica, espírita, do candomblé, enfim, também aqui os ensinamentos da Tora’ nos acompanham e orientam.


Shalom! Axé!



De Salvador em 29 janeiro de 2012


Fonte: http://www.pletz.com

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