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Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Notícias históricas sobre os bugres, colhidas das Fallas dos Presidentes da Província de Santa Catharina, enviadas à Assembleia Legislativa

Fantasiaram viajantes e historiadores, ou mentiram os Presidentes da Província à Assembleia?
É comum dizer-se que os carijós eram um povo manso, cordato, não dado à violência.
Mas não é isto que os relatórios de três Presidentes diferentes demonstram.
Ou será que não se referem aos carijós?

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Signatário: Feliciano Nunes Pires
Data: 01/03/1835
Pág. 6
Conteúdo: "Enquanto á cathequesi, conhecida como e a índole feroz das tribos indígenas que temos no continente da Provincia, pouca ou nenhuma esperança se pode nutrir de reduzi-los à civilização por meio delas todas as tentativas neste sentido tem sido frustradas, se exceptuarmos o caso de hum ou outro cahido em nosso poder em menoridade.
Talvez sejam disso cauza ressentimentos antigos passados de pais a filhos: mas o que hora se observa he que elles , sem serem de forma alguma provocados, acometem com horrível ferocidade nossos lavradores, mesmo a pequenas distancias dos povoados; há apenas um ano que isto aconteceu em Cambirela e Pissarras. Mais que nosso pais he contra estes acontecimentos, que se necessita  tomar (?) medida; e a que se tem apresentado como de alguma eficácia he o estabelecimento de Pedestres, que não so sejam encarregados de repeli-los, mas também de sair de quando em quando aos sertões para os afugentar (...)" 

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Signatário: José Mariano de Albuquerque Cavalcanti
Data: 05/04/1836
Capítulo da “Colonisação e Catthequese”
Pág.:  11
Conteúdo: “(...) por ocasião de terem aparecido Bugres no districto de Itajahi, foi ordenado ao mencionado cidadão Agostinho Alves Ramos Major da Guarda Nacional de Porto Bello que fizesse correr os matos, e empregasse os meios convenientes para obstar ás malfeitorias destes gentios ferozes (...)”

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Signatário: José Joaquim Machado de Oliveira
Capítulo “Colonisação, cathequese , e exploração de rios”
Págs.: 13 e 14
Conteúdo: “A colonização do Itajahi, que está a cargo do Cidão (sic) Agostinho Alves Ramos pouco tem-se adiantado (...) dando elle por causal disso a irrupção do gentio feroz, que houve há pouco naquele território, como já vos comuniquei (...) He por isso que insto pela consignação da quantia que deve ser applicada para a manutenção dos Pedestres, que foram criados pela Resolução nº 28 (...)”

“Nada se tem feito quanto á Cathequese; e nada se pode humanamente esperar do gentio que habita as matas da Serra-Geral pela sua índole ferocíssima, e vida errante. Já em outubro do anno passado fizeram os Bugres uma incursão no território de Cambriu (sic), matando sem provocação alguma três moradores dali (....)” 

Fonte: http://www-apps.crl.edu/brazil/provincial/santa_catarina 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

ENTERRANDO AS DORES NA AREIA












A areia quente do deserto parece o último lugar onde alguém quer estar, especialmente no calor intenso do verão. Mas, para alguns, estar enterrado até o pescoço na areia do Oásis de Siwa, perto das montanhas de Dakrour, no oeste do Egito, é sua última esperança de cura. Os "banhos de areia" não são uma moda nova: trata-se de um tratamento tradicional. Os moradores locais dizem que banhar-se na areia seca pode curar problemas de saúde como reumatismo, dores nas articulações, infertilidade ou impotência. A temperatura do ar no local chegou a 46ºC durante uma onda de calor que também atingiu o Cairo recentemente. Os pacientes tiram suas roupas por volta das 13h ou 14h, logo antes de um funcionário ajudar a enterrá-los na areia. Eles ficam por ali de 10 a 15 minutos. Depois, eles seguem para tendas que foram expostas ao calor do sol, por isso funcionam como saunas. Lá, eles bebem chás quentes de erva com sementes. Os pacientes podem ficar nas tendas por quanto tempo quiserem.

MORREU AOS 114 ANOS A MAIS IDOSA JUDIA


Description: http://www.jpost.com/HttpHandlers/ShowImage.ashx?ID=296269


Dois meses antes de seu 115º aniversário, a mais velha mulher judia do mundo, Goldie Steinberg, morreu esta semana em Long Beach, Nova Iorque. Ela nasceu em 30 de outubro de 1900, na cidade de Chisinau (Kishinev), do Império Russo. Steinberg não foi apenas a mais velha mulher judia do mundo, ela também foi a pessoa mais velha que nasceu no Império Russo e a pessoa mais idosa dos Estados Unidos, deixando quatro netos e sete bisnetos. Chazkel e Dvora Garfunkel tiveram oito filhos, incluindo Steinberg. Com a idade de cinco anos, ela já tinha sido salva da morte por duas vezes: em 1903, ocorreu o terrível pogrom em Kishinev e, dois anos mais tarde, quando um outro massacre ocorreu na mesma cidade. Goldie foi, de fato, a última sobrevivente destes dois massacres.
 
www.ruajudaica.com

A vida em um vilarejo nazista


Em Jamel, no norte alemão, os sinais de que há algo estranho estão por várias partes: uma placa para cidade natal de Hitler, slogans nazistas e, sobretudo, um clima de medo. Mas um casal de moradores resiste bravamente.

As coisas não têm sido como normalmente são no vilarejo de Jamel, na Alemanha. Uma barreira bloqueia a única entrada. E qualquer um que queira cruzá-la está sujeito a questionamentos da polícia, que direcionam os motoristas a um estacionamento improvisado em um gramado.

Jamel fica numa região bucólica, em um bosque, entre milharais e pomares, perto do Mar Báltico. Mas, neste fim de semana em questão, no mês de agosto, o vilarejo recebia o festival Forstrock, que atrai pessoas de todos os tipos: jovens, idosos, executivos, punks e políticos.

Todos dispostos a se divertir por dois dias seguidos e alertar contra os radicais de extrema-direita e atos racistas. A polícia, por sinal, não veio para proteger os poucos moradores do vilarejo contra a multidão de visitantes, mas para proteger os visitantes dos moradores.

Bem-vindo ao vilarejo nazista de Jamel.

Viagem no tempo

Logo quando chegam, os visitantes fazem uma visita a Horst e Birgit Lohnmeyer, o casal que organiza o Forstrock em seu terreno, no meio da cidade. Os Lohnmeyers chegaram a Jamel em 2004. Agora, eles têm a proteção da polícia. Logo antes do festival de 2015, o celeiro do casal pegou fogo. Investigadores da polícia encontram substâncias combustíveis e confirmaram ter se tratado de um ato criminoso.
Horst e Birgit Lohnmeyer são os únicos que se contrapõem ao extremismo do vilarejo

Os Lohnmeyers também não tinham dúvidas. Há anos, eles vinham sofrendo ameaças de radicais de extrema direita que moram em Jamel e querem transformar a cidade em um "vilarejo nazista modelo". Para isso, compram terrenos e os alugam a simpatizantes. Os Lohnmeyers querem impedir isso, mas são os únicos no vilarejo que se posicionam abertamente contra os extremistas.

"Vamos dar uma volta no vilarejo!", grita um jovem aos amigos. Passeios por Jamel são um dos pontos altos do festival. A maioria só tem coragem de fazer isso por causa da presença da polícia durante o fim de semana do Forstrock. O tour é como uma viagem no tempo, uma incursão a uma Alemanha que a maioria acredita ter acabado.

Símbolos do regime nazista

Um mural com a pintura de um homem loiro com sua esposa e filhos aparece imponente no meio do vilarejo. Abaixo dele, aparece a legenda "Comunidade de Jamel", seguida do slogan nazista: "frei - sozial - national" ("livre - social - nacional").
Uma das placas aponta para a cidade onde nasceu Hitler

À noite, o mural fica iluminado. A alguns metros dali, uma placa escrita em fonte gótica aponta para Viena, na "Ostmark", a alcunha nazista para a Áustria. Outra placa aponta para Braunau am Inn, cidade natal de Adolf Hitler, a 855 quilômetros dali.

Também há um playground para as inúmeras crianças da cidade, com um tronco de árvore onde foi gravada a chamada "runa da vida" – sinal adotado por Heinrich Himmler, comandante da SS, para simbolizar a tentativa dos nazistas de aumentar a taxa de natalidade da "raça ariana".

Nas ruas do vilarejo, uma idosa em um avental para de modo que as crianças loiras de Jamel alisem o pelo do cachorro dela. Sobre os Lohnmeyers, ela parece não ter muito a dizer.

"Eles moram lá em cima, e eu moro aqui", ela responde no dialeto típico da região. A opinião sobre as pinturas nazistas também é parecida. "Não me incomodam", diz. Quase monossilábica, ela não dá muito seguimento aos questionamentos da reportagem. "Não fiquei sabendo de nada disso", responde, quando a pergunta é sobre o incêndio na casa dos Lohnmeyers.

Outra senhora ali perto ficou, sim, sabendo do que houve. "Mas não tenho tempo agora", responde, em frente à cerca de madeira do seu jardim, e sai para passear com o cachorro dela.

No fim do vilarejo, as famílias neonazis montaram um castelo inflável para as crianças, que também festejam no mesmo fim de semana do Forstrock, o último antes do fim das férias. Para a festa, também vieram visitantes de fora de Jamel. Muitos deles decoraram os carros com bandeiras da guerra imperial, símbolo utilizado pelos simpatizantes da extrema direita.

As famílias estão sentadas em bancos e cadeiras, rindo e olhando por binóculos quem a polícia deixa entrar do outro lado do vilarejo.
Acredita-se que o incêndio que acometeu o celeiro dos Lohnmeyer tenha sido obra de neonazistas

Vez ou outra, os homens fazem passeios pelo vilarejo, passando pelos visitantes bem protegidos pela polícia. Com as cabeças raspadas e as tatuagens, eles não escondem o prazer em virar o centro das atenções. Eles estão cientes de que cada um dos visitantes que vieram para o Forstrock sabe muito bem quantas vezes os oponentes dos nazistas tiveram que lidar com incêndios no vilarejo. E que, na casa do líder deles, Sven Krüger, que mora no fim do vilarejo, foi encontrada uma metralhadora com 200 munições. E que, 363 dias por ano, aqueles homens são maioria por aqui – menos neste fim de semana.

Rebelião contra a intolerância

Durante os dois dias do Forstrock, os visitantes são a maioria na pequena Jamel, o que acontece todo ano, no mês de agosto. Depois do incêndio no celeiro, a solidariedade aos Lohnmeyers ficou maior do que nunca. Todos os que os suportam dizem não saber como o casal continua morando no vilarejo e confrontando os neonazis.

Neste ano, os visitantes vieram de todo o país. Num momento que a Alemanha tem sido assolada por incêndios criminosos em alojamentos de refugiados e por protestos violentos, eles dizem que é ainda mais importante demonstrar solidariedade aos Lohnmeyers. A mensagem deles é clara: nós, que somos a favor da democracia, constituímos a maioria neste país.
Centenas de pessoas vêm todo ano ao Forstrock para dar apoio ao casal

A solidariedade comove o casal. "Esse é um símbolo muito forte aqui", diz Horst Lohnmeyer. Os corajosos Lohnmeyers precisam de apoio para continuar enfrentando o dia a dia no vilarejo. Durante o fim de semana, eles são constantemente ovacionados do palco. O chefe do sindicato de construtores civis entrega aos dois um cheque no valor de mais de 10 mil euros. As pessoas, ele diz, precisam se rebelar contra a "estupidez nazista". Os Lohnmeyers, ele continua, fizeram os extremistas de Jamel serem conhecidos publicamente. "Ninguém pode negar o que está acontecendo por aqui."

Na edição de 2015, diversos famosos deram as caras no Forstrock. O governador do estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental enalteceu a coragem cívica, e a ministra federal da Família dançou, à noite, durante o show surpresa da famosa banda Die Toten Hosen. O vocalista Campino se curvou para venerar o casal. Com o gesto, Birgit e Horst foram às lágrimas.

Depois do fim de semana, os Lohnmeyers voltaram a ficar isolados no vilarejo. Ao lado deles, apenas a polícia. Por enquanto, um guarda continuará vigiando a casa deles todas as noites.

Fonte: DEUTSCHE WELLE BR

"Passei um ano sem me olhar no espelho", diz ativista

Filha de operário, Moara Correa Sabóia relata as dificuldades pelas quais passou para entrar no curso de Engenharia Civil da UFMG e se tornar a primeira mulher negra a chegar à vice-presidência da UNE desde a ditadura.


Quando Moara era menina, fugia do próprio reflexo. Enquanto as amigas se revezavam frente aos espelhos no banheiro da escola, Moara lavava as mãos de cabeça baixa. "Aquela arrumadinha no cabelo não fazia sentido para mim. Achava que não ia ficar bonita nunca. Passei um ano sem me olhar no espelho", conta.

Com muito esforço, os tempos de cabeça baixa passaram. Moara Correa Sabóia, de 25 anos, é a primeira mulher negra a chegar à vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) desde a ditadura. É também aluna cotista e uma das poucas negras no curso de Engenharia Civil da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Para chegar até lá, Moara teve primeiro que fortalecer a sua identidade dentro dos movimentos feministas, negros e operários, onde milita desde os 15 anos.

"Essa coisa de se valorizar, se sentir bonita, foi um processo muito importante e libertador. Parece fútil, mas não é. Mudou a minha relação com o mundo. Se você não se sente bem consigo mesma, não consegue andar de cabeça erguida", afirma.

Apesar de ser filha de militantes – seus pais faziam parte de movimentos operários católicos e de bairro – Moara passou a maior parte da vida alisando o cabelo. O pai, eletricista envolvido com a luta negra, achava um absurdo. A mãe, inspetora escolar, também era contra. Mas não adiantava: Moara recorria a químicas para "abaixar" as madeixas.

"Meu cabelo precisou cair muito até eu decidir me assumir e mantê-lo natural", diz. Foi um dos primeiros passos na recuperação da autoestima, abalada pela consciência precoce das desigualdades sociais e raciais.

"Como meus pais eram ativistas, desde os seis anos eu sabia que o racismo existia e que eu era diferente", conta.

Engenheira, filha de peão

Moradora de Contagem, cidade na região metropolitana de Belo Horizonte, Moara sempre estudou em escolas públicas. No ensino médio, já de olho na faculdade, fez um processo de seleção e conseguiu bolsa em um cursinho.

Pouco antes de entrar para a universidade, entretanto, seus pais ficaram desempregados. "Foi muito perrengue. Teve um impacto grande na minha vida, até mesmo na decisão do curso. Achei que a Engenharia Civil me daria mais garantias."

A influência do pai, que trabalhava na construção, também contribuiu para a escolha. Os dois irmãos de Moara seguiram o mesmo caminho. "Meus pais não fizeram universidade. Para o meu pai, que era peão, ver os filhos virarem engenheiros é muito simbólico."

"Chorava de cansaço"

Estudante bolsista do Programa Universidade para Todos (Prouni) e cotista, Moara disse que teve dificuldade em se adaptar ao ambiente universitário. Segundo ela, que estudou primeiro na PUC até passar para a UFMG, sua realidade era muito distante da dos outros alunos.

"Tive muita dificuldade de interação e de me reconhecer naquele espaço. Eu estava lá porque tinha uma bolsa, enquanto as outras pessoas pagavam. Depois, na federal, o ambiente era ainda mais elitista e machista."

Para se sustentar durante a faculdade, Moara foi professora de percussão em um projeto social em Contagem. Saia às sete da manhã e só voltava para casa perto da meia noite. Trabalhava de segunda a sábado e, no domingo, tinha que preparar as aulas de música da semana seguinte.

"No começo, eu chorava de cansaço. Eu só queria dormir, mais nada. Enchia a cara de guaraná em pó nas semanas de prova. Aí você começa a se comparar com os outros. Por que é tudo tão difícil na minha vida?", lembra.

Fazer um estágio também não foi fácil. Segundo Moara, mesmo com o mercado da construção civil aquecido, ela era uma das únicas da turma que não conseguia uma vaga. "Eu passava na fase do currículo, mas não ia além das entrevistas."

Reconhecimento

Na universidade, Moara se aproximou dos movimentos estudantis, que antes via com reservas. Para ela, eram espaços de disputa de poder entre alunos da classe média branca. "Eu tinha preconceito. Mas, com as cotas e a popularização das universidades, a UNE também mudou."

Com uma rápida ascensão no movimento estudantil, Moara foi eleita vice-presidente em apenas dois anos. Mas foi só após a eleição que percebeu o significado da sua vitória.

"Eu ocupar esse espaço na mesa diretora não foi natural, foi fruto de muita conquista", diz ela, reafirmando o papel dos movimentos sociais. "Se eu estou na universidade, não é só por ter sido estudiosa. Lógico que eu batalhei, mas alguém antes de mim lutou para haver cotas e bolsas, para que eu tivesse essa oportunidade. É uma construção coletiva, e saber disso me dá forças."

Ao ser eleita e receber os abraços chorosos dos estudantes e militantes negros, teve consciência também da importância daquela representatividade alcançada. "Como você vai achar que pode ser engenheiro se não conhece um engenheiro negro? Isso tem um impacto grande na identidade das pessoas."

Para ela, ocupar um lugar de liderança significa também assumir uma responsabilidade com as próximas gerações: "Tenho que lutar para que a vida deles não seja tão difícil quanto a minha."

Fonte: http://www.dw.com/

Igreja Universal convenceu fiel a deixar tratamento contra Aids



Justiça condenou a 
Iurd a pagar
indenização

A Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) foi condenada a pagar R$ 300 mil de indenização por danos morais a um portador do vírus da AIDS que abandonou o tratamento médico em nome da cura pela fé. Ainda como prova de convicção na intervenção divina, o homem teria sido levado a manter relações com a esposa, sem o uso de preservativos, o que ocasionou a transmissão do vírus.

Ao majorar a reparação – fixada em R$ 35 mil em 1º grau –, a 9ª câmara Cível do TJ/RS registrou que a responsabilidade da igreja decorre de “ter se aproveitado da extrema fragilidade e vulnerabilidade em que se encontrava o autor, para não só obter dele vantagens materiais, mas também abusar da confiança que ele, em tal estado, depositava nos ‘mensageiros’ da ré”.

O colegiado também levou em conta o estado crítico de saúde a que o autor chegou por deixar de tomar a medicação, em setembro de 2009. Poucos meses depois, com a queda da defesa imunológica, uma broncopneumonia obrigou-o a ficar hospitalizado por 77 dias, sendo 40 deles sob coma induzido. Ele ainda chegou a perder 50% do peso.

Para o relator do recurso no TJ, desembargador Eugênio Facchini Neto, os laudos médicos e o depoimento de psicóloga são provas de que o abandono do tratamento pelo paciente se deu a partir do início das visitas aos cultos. Esse fato, aliado a outras provas, como testemunhos e matérias jornalísticas, convenceram o magistrado sobre a atuação decisiva da Igreja no sentido de direcionar a escolha.

As provas citadas incluíam: declaração em redes sociais sobre falsas curas da AIDS propaladas por um bispo da IURD; gravação de reportagem de jornal de âmbito nacional com investigação sobre coação moral praticada durante os cultos; e testemunho de ex-bispo que admitiu ter doado tudo o que tinha para obter a cura da filha.

“Assim, apesar de inexistir prova explícita acerca da orientação recebida pelo autor no sentido de abandonar sua medicação e confiar apenas na intervenção divina, tenho que o contexto probatório nos autos é suficiente para convencer da absoluta verossimilhança da versão do autor.”

Fonte: http://www.paulopes.com.br/

PARA QUEM PENSA QUE FARDA É SINÔNIMO DE INCORRUPTIBILIDADE

A matéria do jornal EL PAIS, sabidamente conservador, sonega a informação de que o tal corrupto é General do Exército que se encontra fora da caserna.
Sugiro a leitura da obra de Gert Schinke, intitulada O GOLPE DA REFORMA AGRÁRIA,  na qual são expostas diversas maracutaias dos militares, na chamada Ditadura de 1964. O autor não passa a mão na cabeça de ninguém, é bom que saibam, sendo ilusória a sensação de que os corruptos do PT e de outras agremiações sejam por ele incensados. 


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Presidente da Guatemala renuncia após escândalo de corrupção

Congresso do país havia aprovado na terça a perda de imunidade de Otto Pérez Molina




REUTERS


O presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, apresentou seu pedido de renúncia, adiantou a France Press. O mandatário, envolvido em um escândalo de corrupção alfandegária, deixará o cargo após ser alvo de um mandado de prisão. O Congresso do país centro-americano já havia suspendido na terça-feira a imunidade do presidente. A Guatemala vive uma grande crise política, às vésperas das eleições legislativas de domingo.

Segundo a procuradora-geral Thelma Aldana, o Ministério Público solicitou a ordem de prisão à Segunda Vara de Processos de Alto Risco, encarregada do caso conhecido como La Línea, uma rede de fraude alfandegária que, de acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público e a Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (CICIG), era liderada pelo presidente. O tribunal confirmou a expedição do mandado solicitado pelos procuradores, que acusam o ex-general de formação de quadrilha, suborno e fraude alfandegária.


Pérez Molina renuncia um dia depois de o Congresso (unicameral) privá-lo da imunidade inerente ao cargo. A defesa do ainda presidente informou que ele se apresentará espontaneamente ao juiz às 8h desta quinta-feira (11h em Brasília).

Numa entrevista ao Canal Antigua, Aldana observou que caberá ao juiz executar ou não a ordem de prisão. A outra possibilidade é que ele seja ouvido em audiência e permaneça em liberdade.

“Deve-se respeitar o princípio universal de presunção de inocência”, disse Aldana, reiterando, no entanto, que é preocupante haver processos contra o presidente e a seu ex-vice, Roxana Baldetti, que foi transferida na quarta-feira da guarnição militar onde permanecia detida, com toda comodidade, para a prisão feminina de Santa Teresa, onde ficará na companhia de presas comuns.

Fonte: http://brasil.elpais.com/

O que há de real por trás do mito dos Illuminati?


Jaime González - Da BBC Mundo em Los Angeles

Image copyrightThinkStockImage captionO famoso 'olho que tudo vê' está na nota de dólar e já foi vinculado aos Illuminati

O homem realmente chegou à Lua? Quem assassinou o presidente americano John F. Kennedy? Como começou a pandemia global de HIV? O verdadeiro poder mundial está nas mãos de uma sociedade secreta fundada no século 18?

Alguns acreditam que as respostas para estas perguntas não estão nos livros de história e dão crédito a teorias conspiratórias que surgiram nas últimas décadas ligadas a estes e outros eventos importantes.

Com a entrada do novo século e a popularização da internet, uma destas teorias ganhou muita popularidade: a suposta existência da Ordem dos Illuminati, cuja origem remonta a uma sociedade secreta de mesmo nome criada na Alemanha no fim do século 18 e que estaria integrada aos poderes políticos e econômicos, cujo objetivo final seria estabelecer uma nova ordem mundial através de um governo global.

Em fóruns de discussão na web é comum ver internautas citarem os Illuminati para explicar muitos dos problemas atuais do planeta.

Políticos como George W. Bush ou Barack Obama, ou magnatas como George Soros, foram acusados de fazer parte desta organização. Até o papa Francisco e a rainha Elizabeth 2ª já foram apontados como membros da ordem.

Outros acreditam ser possível ver a simbologia ligada aos Illuminati em vídeos de artistas como Beyoncé, Jay-Z, Lady Gaga e Katy Perry: pentagramas, pirâmides e o famoso "olho que tudo vê" que aparece nas cédulas de dólar.


Mas, de onde veio este mito dos Illuminati e por que ainda existem pessoas que acreditam na existência de um grupo que desapareceu há mais de dois séculos?
A ordem real

A Ordem dos Illuminati foi fundada em 1776 na Baviera, Alemanha, pelo jurista Adam Weishaupt.Image captionA Ordem dos Illuminati foi fundada em 1776 na Baviera, Alemanha, pelo jurista Adam Weishaupt

O objetivo desta sociedade secreta inspirada nos ideais do iluminismo e na estrutura da maçonaria, era acabar com o obscurantismo e com a forte influência que, na época, a igreja exercia sobre a esfera política.

Depois que o príncipe Karl Theodor chegou ao poder, a Ordem dos Iluminati, assim como outras sociedades secretas, foi declarada ilegal e dissolvida, em 1785.

Mas, alguns acreditam que ela continua operando na clandestinidade.

Autores como o francês Agustín Barruel (1741-1820), a britânica Nesta Helen Webster (1876-1960) ou o canadense William Guy Carr (1895-1959) vincularam a ordem com eventos como a Revolução Francesa de 1789, as Revoluções em vários países europeus de 1848, a Primeira Guerra Mundial ou a Revolução Bolchevique, de 1917.

Há até quem diga que os fundadores dos Estados Unidos eram membros da ordem e que o Federal Reserve, o banco central americano, foi criado para ajudar a cumprir os objetivos de dominação global da organização.

Nas últimas décadas, apareceram referências aos Illuminati em obras como a trilogia satírica de ficção científica The Illuminatus (1975), de Robert Shea e Robert Anton Wilson, ou Anjos e Demônios (2000), de Dan Brown, assim como nas letras de alguns artistas da cena hip hop.


Tudo isso fez com que os Illuminati se transformassem em protagonistas de várias teorias conspiratórias que se alastraram pela internet, onde é possível encontrar milhares de páginas dedicadas à ordem.
'Loucura'

"É uma loucura que hoje em dia existam pessoas que acreditem na existências dos Illuminati", disse o escritor e historiador americano Mitch Horowitz.Image copyrightBBC World ServiceImage captionAlguns associam os Illuminati com o grupo Bilderberg

"Os cidadãos têm preocupações legítimas sobre como funcionam os poderes políticos e econômicos, mas, em vez de canalizar estas preocupações de forma eficaz para que haja mais transparência, alguns preferem acreditar em histórias de fantasia sobre uma organização que deixou de existir há mais de 200 anos", disse ele à BBC Mundo.

De acordo com Horowitz, "há escritores e jornalistas que contribuem com a paranoia em torno dos Illuminati e as pessoas se deixam convencer porque é interessante pensar que existe um grupo secreto que domina o mundo".

"Se estudarem o que realmente eram os Illuminati, perceberiam que se tratava de uma organização política cujos ideais estavam baseados em uma sociedade mais justa e que gostavam da iconografia relacionada com o mundo do oculto", afirmou.

Para Horowitz, devido ao mistério que tem para o público, muitos artistas gostam de usar um pouco desta iconografia em seus clipes.


"Os músicos entendem a atração e usam símbolos como o pentagrama, o obelisco ou o olho que tudo vê, mas isto não os converte em membros de uma sociedade secreta."
'Sociedades interconectadas'

Entre os que acreditam na existência dos Illuminati está o escritor americano Mark Dice, autor de um livro sobre a suposta ordem.

"Com certeza os Illuminati estão cercados de fantasias, mas quando se separa a realidade da ficção, acredito que há provas que demonstram que é um grupo real que continua existindo hoje em dia", disse o escritor à BBC Mundo.

Dice disse que, depois da dissolução em 1785, "os Illuminati continuaram operando através de várias sociedades secretas interconectadas como o Grupo de Bilderberg (conferência anual privada que reúne cerca de cem líderes políticos dos EUA e Europa) ou o Conselho de Relações Exteriores (centro de estudos baseado nos Estados Unidos)".Image copyrightGettyImage captionOs Illuminati são associados com uma iconografia parecida com a dos maçons

"Estas organizações compartilham os objetivos dos Illuminati, seus métodos de funcionamento, seus símbolos e terminologia", afirmou.

Segundo Dice eles não precisam usar o nome Illuminati pois "eles sabem quem são e o que estão fazendo".

"Nos últimos anos, o Grupo de Bilderberg foi exposto, já que com a internet não é fácil ser um grupo secreto."

Para Dice, os meios de comunicação podem ser culpados por este segredo ter ficado tanto tempo escondido.

"Como não é de interesse público que a cada ano cem das pessoas mais poderosas do planeta se reúnam em um hotel, cercados de guardas armados, para conversar sem microfones sobre como querem influir no futuro do planeta?"

O escritor garante que os Illuminati querem "criar um governo global de inspiração socialista" e "usam artistas de fama global para promover sua causa".


Dice tem centenas de milhares de seguidores no Facebook e YouTube.
Culpa da internet?

Jesse Walker, autor do livro The United States of Paranoia ("Os Estados Unidos da Paranoia", em tradução livre), afirma que a "internet foi fundamental para potencializar e propagar o fenômeno dos Illuminati".Image copyrightGettyImage captionO rapper Jay-Z é apontado como um artista que já fez pequenas referências aos Illuminati em aparições em público

"Hoje são vinculados com todo tipo de teorias, tanto por grupos de extrema-direita como de extrema-esquerda, que os usam segundo a própria conveniência", explicou Walker em entrevista à BBC Mundo.

O escritor disse ainda que, nos últimos anos, alguns artistas como o rapper Jay-Z incluíram pequenas referências aos Illuminati em suas aparições públicas para se divertir, alimentando ainda mais as teorias de conspiração que vinculam a ordem também à industria do entretenimento.

"Teorias de conspiração são uma parte intrínseca da psique humana. Somos criaturas que buscam padrões para dar um sentido ao mundo que nos cerca. Se há lacunas em uma história, temos que buscar explicações."

Walker lembra que há "motivos reais para medo ou ansiedade, já que, algumas vezes, algumas teorias conspiratórias se mostram certas, como no caso do escândalo das escutas da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), ou quando é revelado que algum político está recebendo subornos".

"Mas quando se combina o medo com a busca de padrões, surgem teorias como a dos Illuminati".

Mas, para o escritor, o problema é que "muitos não têm conhecimento suficiente para diferenciar o que é real do que não é".

Fonte: BBC 

'Freiras abusaram de mim em orfanato católico'

Uma irlandesa que sofreu abuso físico e sexual por freiras em um orfanato católico descreveu o que passou como uma "crueldade inacreditável".

"Irene Kelly" (nome fictício) ─ autora do livro Sins of a Mother("Pecados de uma Mãe", em tradução livre) ─ diz ter sido vítima de abusos constantes no local quando tinha entre seis e 11 anos de idade.
Os episódios teriam ocorrido na década de 1960.
Ela afirma que até hoje não recebeu um pedido de desculpas da Igreja Católica.
Irene relatou à BBC como os abusos começaram e o impacto deles em sua vida pessoal.
"Logo no primeiro dia em que chegamos (ao orfanato), era de manhã. Fomos obrigadas a tomar banho. Fomos despidas."
"Nossos cabelos foram conferidos. Havia uma freira com um balde enorme cheio de material branco e um grande pincel. Ela nos pintou da cabeça aos pés. Viemos a descobrir depois que se tratava de loção de calamina para o caso de termos sarna ou coisa parecida".
Ela relata ter também sofrido abusos sexuais no orfanato.
"Foi tão ruim (o abuso) que chegou um momento em que não consegui mais suportar. Enfiei meus dedos numa tomada", acrescentou ela.
O episódio relatado por Irene soma-se às milhares de denúncias de violência física e sexual contra membros da Igreja Católica, muitas das quais ainda não tornadas públicas.
Na última quinta-feira, o ex-arcebispo Josef Wesolowski, que seria o primeiro membro do clero a ser julgado pelo Vaticano por abuso de menores e posse de material pornográfico, morreu devido a problemas de saúde.
Há duas semanas, a Igreja Católica da Escócia pediu "profundas desculpas" às vítimas de abusos sexuais, após a publicação de um relatório independente que critica a forma como a entidade administrou as denúncias recebidas.
Em junho deste ano, o papa Francisco criou um tribunal inédito no Vaticano para para julgar bispos "envolvendo crimes de abuso de cargo quando relacionado ao abuso de menores".
Fonte http://www.bbc.com/

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

EMPRESA BANDIDA - Odebrecht é condenada a pagar R$ 50 milhões por trabalho escravo em Angola


O grupo Odebrecht foi condenado ao pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 50 milhões por escravidão de trabalhadores mediante aliciamento e tráfico internacional de pessoas nas obras de construção de uma usina de cana-de-açúcar em Angola. A decisão representa a maior condenação por trabalho escravo da história da Justiça brasileira. O autor e os réus podem recorrer da sentença ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região.

Segundo as provas integrantes do processo movido pelo Ministério Público do Trabalho, a Odebrecht atuou premeditadamente para que os trabalhadores brasileiros não tivessem o visto adequado para trabalhar no país africano, uma forma de coação para que não saíssem do canteiro de obras.

A sentença proferida pelo juiz Carlos Alberto Frigieri, da 2ª Vara do Trabalho de Araraquara (SP), determina que o grupo deixe de “realizar, promover, estimular ou contribuir à submissão de trabalhadores à condição análoga a de escravo”, sob pena de multa diária de R$ 200 mil.

O juiz também fixou que a empresa não utilize em seus empreendimentos no exterior mão de obra contratada no Brasil, “enviada ao país estrangeiro sem o visto de trabalho já concedido pelo governo local”, sob pena de multa diária de R$ 120 mil. Além disso, estabelece que a companhia não realize intermediação de mão de obra com o envolvimento de aliciadores sob pena de multa de R$ 100 mil.

Condições indignas
O inquérito contra o grupo Odebrecht foi instaurado pelo procurador Rafael de Araújo Gomes a partir da publicação de uma série de reportagens veiculadas pela BBC Brasil, mencionando a existência de inúmeras condenações proferidas pela Justiça do Trabalho, reconhecendo a submissão de trabalhadores brasileiros, contratados na cidade de Américo Brasiliense (SP), a condições degradantes de trabalho após terem sido enviados para trabalhar em Angola. 

As obras pertenciam, alegadamente, à Biocom/Companhia de Bioenergia de Angola Ltda., empresa angolana da qual são sócios a Odebrecht Angola, empresa do grupo multinacional brasileiro Odebrecht, a Sonangol Holdings Ltda., vinculada à estatal petrolífera de Angola, e a Damer Industria S.A. (empresa privada da qual são sócios dois generais e o vice-presidente de Angola). Atualmente, a Damer foi substituída pela Cochan S.A., pertencente a apenas um desses generais.

As provas produzidas nas dezenas de reclamações trabalhistas movidas contra a Odebrecht e a Pirâmide Assistência Técnica Ltda. (formalmente, uma prestadora de serviços da Biocom) revelam que os trabalhadores envolvidos em montagens industriais eram submetidos a condições indignas de trabalho, particularmente no que se refere a instalações sanitárias, áreas de vivência, alimentação e água para beber. Vários trabalhadores adoeceram em razão das condições a que foram submetidos.

Constam no processo movido pelo Ministério Público do Trabalho depoimentos de trabalhadores que explicitam as condições degradantes às quais eles foram expostos. Os operários dizem que nas refeições era servida uma carne vermelha que se imaginava ser bovina. No entanto, a partir de informações que obtiveram do próprio cozinheiro, descobriram que se tratava de carne de jiboia. Na cozinha do refeitório, era comum a presença de baratas e ratos — um roedor foi visto morto entre os pratos. 

Em depoimentos prestados à Justiça, os trabalhadores relataram que os ambientes na obra eram muito sujos e que os banheiros, distantes do local de trabalho, permaneciam sempre cheios e entupidos, obrigando os operários a evacuar no mato. A água consumida era salobra, e a comida, estragada. Na obra, havia, em média, 400 trabalhadores registrados em Américo Brasiliense pela Pirâmide.

Tráfico de pessoas
Além da submissão a condições degradantes de trabalho, descobriu-se que os trabalhadores recrutados foram submetidos ao aliciamento, primeiramente em território nacional e a seguir no exterior, tratando-se de hipótese típica de tráfico de seres humanos. As contratações aconteceram entre 2010 e 2014. 

Segundo o inquérito, de forma planejada, a Odebrecht, com a colaboração de representantes da Pirâmide, da W. Líder e de uma terceira subcontratada chamada Planusi, predeterminou o ingresso de todos os trabalhadores enviados a Angola na condição de estrangeiros ilegais no país, sujeitos a sanções previstas na legislação angolana, inclusive prisão, por não estarem autorizados a trabalhar no país.

Todos os trabalhadores, depois de contratados no Brasil, eram enviados ao exterior com apenas o visto ordinário aposto nos seus passaportes, o que é considerado crime em Angola. Como resultado, os trabalhadores que foram apanhados na cidade de Cacuso pela polícia angolana foram presos, sendo que a maioria preferiu, depois disso, não sair dos alojamentos na própria obra. 

A prova reunida pelo MPT demonstra que os trabalhadores brasileiros foram também submetidos ao cerceamento de sua liberdade, inclusive mediante a apropriação de documentos com o propósito de serem mantidos confinados no canteiro de obras. 

Além disso, não era disponibilizado pelos empregadores qualquer transporte para sair, ainda que aos finais de semana e nas folgas, do canteiro de obras, distante vários quilômetros da cidade mais próxima. A Odebrecht mantinha na entrada do canteiro guardas armados, que eram instruídos a não deixar os trabalhadores saírem. 

Responsabilidade apontada
Na ação civil pública, o MPT credita toda a responsabilidade pelo aliciamento, tráfico internacional de seres humanos e submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão ao grupo Odebrecht. A estratégia de defesa utilizada pela empreiteira para se eximir de qualquer responsabilidade com relação aos fatos é a de que a Biocom é uma empresa estrangeira independente: embora integre o grupo Odebrecht, a construtora jamais teve qualquer relação com ela ou com as obras de construção da usina. A tentativa é de alegar a incompetência da Justiça brasileira utilizando este argumento.

Na decisão, o magistrado afirma: “Contrariando essa alegação defensiva e revelando a verdade real, está o depoimento do sócio proprietário da CML - Caldeiraria, Mecânica e Locação Ltda., Enoque Pedro de Alcântara ao Ministério Público do Trabalho, afirmando que a Construtora Norberto Odebrecht foi responsável por todas as obras de construção civil na Usina (de Angola)”.

Financiamento do BNDES
Um dos pedidos do MPT que não foram apreciados pelo juízo, que concluiu pela incompetência da Justiça do Trabalho para isso, foi a condenação das empresas do grupo Odebrecht ao não recebimento de incentivos e empréstimos concedidos por qualquer órgão público ou instituição financeira pública, inclusive o BNDES. Segundo contratos e recibos de pagamento relacionados à obra, esta teria sido financiada com dinheiro do BNDES, mas não há qualquer registro público da concessão do financiamento: publicamente, ele não existe.

“O sigilo com relação a financiamentos para Angola pode ocultar, na verdade, o segredo de que a real beneficiária do financiamento pelo BNDES não é a Biocom ou o governo angolano, mas a Odebrecht. Mas essa não seria toda a história, pois não é crível que os parceiros angolanos concordassem com isso sem uma compensação à altura. E se estamos a falar em “parceiros angolanos”, estamos falando, muito claramente, do círculo íntimo do presidente da república, José Eduardo dos Santos, há 34 anos seguidos no poder”, diz o procurador Rafael de Araújo Gomes.

Dessa forma, o dinheiro utilizado para remunerar as contratadas da Biocom pode ter vindo, diretamente, da brasileira Construtora Norberto Odebrecht ou da Odebrecht Agroindustrial. Nesse caso, não haveria a condição, exigida pela legislação tributária (leis 10.637 e 10.833), para a não incidência de PIS e COFINS, dado que não se verificaria o “ingresso de divisas” vindas do exterior. A lei 11.371/2006 permite que o exportador mantenha aplicadas no exterior as divisas recebidas, sem o pagamento desses impostos, mas os exportadores são as contratadas da Biocom, empresas brasileiras como a Pirâmide, que receberam no Brasil o seu pagamento, com depósito em conta pela Olex. Com informações da Assessoria de Imprensa do MPT.

Leia a nota do Grupo Odebrecht sobre o caso: 
As Rés obtiveram informações, pela imprensa, de que teria sido prolatada sentença nos autos da ação civil pública e que tão logo tenham acesso à íntegra da decisão, irão se manifestar.

Não obstante, conforme comprovado de forma ampla nos autos testemunhalmente e documentalmente, as Rés reforçam que: as acusações constantes da ação referem-se exclusivamente à obra da Biocom, empresa angolana da qual uma das Rés detém, indiretamente, participação minoritária; a usina da Biocom não foi construída pelas Rés, mas sim por empresas especializadas e contratadas pela Biocom; as condições de trabalho nas obras da Biocom sempre foram adequadas e aderentes às normas trabalhistas e de saúde e segurança vigentes em Angola e no Brasil, incluindo quanto às condições de alojamento, transporte, sanitárias e de alimentação (três refeições diárias, produzidas em cozinha industrial e com supervisão de nutricionista, além do fornecimento de água potável), e saúde, incluindo presença de serviço médico local e ambulatório;

Nunca existiu qualquer cerceamento de liberdade de qualquer trabalhador nas obras de Biocom. Os trabalhadores tinham ampla liberdade de locomoção dentro de Angola e para retornar ao país a qualquer momento, incluindo em datas festivas nas quais diversos trabalhadores voltaram ao Brasil e depois retornaram para Angola, bem como os trabalhadores tinham acesso gratuito à internet (das quais efetivamente fizeram uso com diversas postagens em redes sociais que foram juntadas aos autos e que demonstram tal liberdade de ir e vir), telefone, inclusive para chamadas internacionais, televisão e áreas de lazer.

A expatriação de trabalhadores sempre foi realizada observando a legislação brasileira e angolana. A decisão não é definitiva. As Rés apresentarão o competente recurso.

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Revista Consultor Jurídico, 1 de setembro de 2015, 21h41