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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

UMA POLÊMICA ABSOLUTAMENTE IRRELEVANTE


Como pensava THOMAS HOBBES (Leviatã),  copiar é honrar, pois equivale a uma veemente aprovação.

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O uso de turbantes por pessoas brancas é apropriação cultural?

por Tory Oliveira — publicado 18/02/2017 04h00, última modificação 17/02/2017 17h14

Uso sem reflexão de objetos e símbolos identificados com a cultura negra reacende o debate sobre o que significa a apropriação cultural

Marcello Casal Jr/Agência Brasil



Manifestante na Marcha das Mulheres Negras, em Brasília, em 2015


Um turbante tornou-se o epicentro de um acalorado debate sobre apropriação cultural e racismo, viralizado pelas redes sociais nos últimos dias. 

Identificado como um símbolo da população negra e da ancestralidad africana no Brasil, o adereço ganhou, nos últimos anos, destaque em editoriais de moda e passou a ser encontrado com facilidade em lojas, multiplicando seu uso por pessoas de diversas origens.

A produção em massa do objeto e o uso motivado apenas por interesses estéticos, inspira, porém, críticas e ressalvas feitas pela população negra, que aponta problemas com essa prática, se feita sem reflexão, como a invisibilização de quem produziu aquela cultura. 

Por aqui, a discussão atingiu o ponto de ebulição no início de fevereiro, quando uma estudante de Curitiba escreveu em seu perfil no Facebook que teria sido criticada por mulheres negras por usar um turbante.

O post original foi compartilhado por 38 mil pessoas, um alcance galvanizado pelo fato de a autora justificar o uso do adereço por conta do tratamento que faz para leucemia e pelo uso da hashtag #VaiTerBrancaDeTurbanteSim.

O caso foi alvo de reportagens em diversos veículos e, seus desdobramentos, foco de vários comentários nas redes sociais. 

Não é a primeira vez que o assunto ganha os holofotes. Em 2015, uma das estrelas do reality-show Keeping Up With the Kardashians, Kylie Jenner, foi criticada por uma foto em que aparecia com os cabelos trançados. No Brasil, a marca Farm também recebeu seu quinhão ao publicar um editorial em que apresentava uma modelo branca com um turbante e uma representação também pálida da entidade de matriz africana Iemanjá. 


A marca Farm recebeu críticas por optar por modelos brancas para utilizar turbantes e representar Iemanjá

O debate sobre a apropriação cultural, porém, ultrapassa as fronteiras de uma discussão individual sobre se pessoas brancas podem ou não usar adereços como turbante, cabelos trançados ou dreads.

Trata-se, principalmente, de uma discussão sobre racismo, etnocentrismo, capitalismo e sobre o uso que instituições como a indústria da moda fazem de produções de grupos minorizados. Pesquisadora na área de representação do negro na mídia, a bacharel em História e educadora Suzane Jardim explica como se dá o processo de apropriação cultural.

O fenômeno acontece quando um estrato social historicamente dominante marginaliza uma etnia, religião ou cultura, tornando seus símbolos e práticas abomináveis aos olhos da sociedade. Com isso, o grupo marginalizado abandona tais práticas, como uma forma de se adequar, na tentativa de sofrer menos preconceito.

“Com esse processo concluído, o mesmo grupo responsável pela marginalização passa, então, a ressignificar essas práticas e símbolos antes condenados, tentando torná-los atrativos para a maioria da população e visando o lucro”, explica. “Nesse processo, toda a essência simbólica dos elementos é perdida. Eles passam a ser apenas objetos de desejo, cada vez mais caros e inacessíveis para os que foram primeiramente hostilizados”.

A filósofa Djamila Ribeiro, colunista de CartaCapital, dá o exemplo do axé music, nascido no Carnaval de Salvador, a cidade com a população mais negra fora da África. “O axé foi criado por pessoas negras, que hoje pulam o Carnaval segregadas, do outro lado da corda. As cantoras de axé que mais fazem sucesso hoje são brancas e loiras”, diz.

Além disso, o fato de cabelos trançados estarem na moda ou turbantes disponíveis em lojas de departamento e estampados em capas de revistas não se traduz em direitos e respeito aos negros e negras no Brasil. “Eu, quando uso turbante na rua, as pessoas me apontam e me discriminam. Ao mesmo tempo, uma pessoa branca com o mesmo acessório é vista como moderna”, conta Ribeiro.

"A mulher branca que não faz parte de religiões de matriz africana usa o turbante, as tranças ou os dreads porque viu em revistas de moda que aquilo a deixa bela, porque encontrou locais onde poderia comprar tudo aquilo e sabe que receberá elogios com o uso", afirma Suzane Jardim. Segundo ela, em geral esses elementos são vistos apenas como adereços estéticos.

Assim, explica ela, existe um aval sistêmico para o uso desses objetos, reforçado pela mídia e pela publicidade. Por outro lado, pondera, o mesmo não ocorre com uma mulher negra que toma as mesmas decisões. "É essa diferença de tratamento e de percepção na sociedade que causa o choque". 

Para Rosane Borges, há um apagamento perverso e histórico das contribuições feitas pelas culturas negras e africanas.

"O Brasil é um país absolutamente apartado do ponto de vista das estruturas, mas que toma a cultura como um símbolo da ausência do racismo, porque somos todos juntos, todo mundo gosta de samba e de futebol", afirma a colunista de CartaCapital, lembrando que, por outro lado, as verbas destinadas à manutenção das casas de religiões de matriz africana não têm o mesmo vulto das destinadas às igrejas católicas, por exemplo. 

Doutora em Antropologia pela USP, Marina Pereira de Almeida Mello reafirma que a apropriação cultural é um conceito que existe nas Ciências Sociais e Humanas. Ele, no entanto, refere-se muito mais às apropriações feitas pelas indústrias e pelo capitalismo em si do que a ações individuais. 

"Essa proliferação do uso do turbante tem sido estimulada pela indústria, pelas confecções, pela indústria da moda, que tem investido em uma ideia de étnico totalmente descontextualizada", afirma a professora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). 

Marcha das Mulheres Negras em Brasília, em 2015

Ela lamenta que o debate sobre um tema importante esteja sendo feito, de forma geral, de maneira tão polarizada e sem aprofundamento. "Para você respeitar, conhecer e reverenciar, é preciso um conhecimento. Como vivemos num mundo racista, isso acaba passando ao largo de todas as discussões"

As especialistas também apontam para a diferença que existe entre uma pessoa branca e uma negra ostentando turbante ou o cabelo trançado.

"Quando eu, mulher negra, afirmo no meu corpo elementos que são socialmente desprestigiados, o peso é diferente. No meu caso, estou resistindo a um movimento que pede a todo momento que eu alise meu cabelo e 'embranqueça'. Quando uma pessoa branca usa esses símbolos, ela não vai representar resistência ou ser excluída de nenhum espaço" , critica Mello. 

Repórter especial de Estilo e Beleza na revista Azmina, Juliana Luna lembra que, há 10 anos, ostentar cabelos afro sendo negra era uma forma de resistência, que afrontava a sociedade. "As pessoas mandavam eu lavar o cabelo, me pentear, me chamavam de 'nega do cabelo duro'", conta.

Hoje, ela ministra oficinas de amarração de turbantes em que aceita também pessoas brancas. Segundo ela, é uma forma de construir pontes e de "furar a bolha" por meio do diálogo. 

"A apropriação cultural não surgiu do nada, porque uma pessoa branca saiu na rua e colocou um turbante", afirma. "A repercussão aconteceu porque as pessoas se cansaram de ver certos elementos e símbolos culturais sendo utilizados dessa maneira, sem cuidado, sem nenhum interesse. É como se você pegasse uma coisa, utilizasse aquilo e jogasse no chão quando ficasse cansada. Não é assim, que a nossa cultura e a nossa sabedoria, as coisas consideradas dentro da cultura negra como sagradas, belas e importantes devem ser utilizadas", diz. "É como a questão do colonizador, de achar que aquilo lhe pertence, usar sem pedir licença e ainda invisibilizar o contexto histórico, social e cultural".

Fonte: 
http://www.cartacapital.com.br

Pau grande, mas subjugado: vai ter preto humilhado sim

por Djamila Ribeiro — publicado 22/02/2017 00h04, última modificação 21/02/2017 15h53

Do estereótipo do "bem dotado" à marginalização, o Brasil mostra ser o país do escárnio e da violência
Fernando Frazão / Agência Brasil
Movimento negro
Ato contra a violência contra os negros: a desumanização está na raiz do problema
Escrevi diversas vezes sobre o modo pelo qual a população negra é desumanizada. Desde representações que a colocam como inferior, violenta e objetificada até a violência que extermina um jovem negro a cada 23 minutos. Julgo importante discutir representação, pois a imposição dessas imagens justifica inclusive a morte. Não à toa homens negros são os principais suspeitos e alvos da polícia. Debater racismo é mais amplo do que se pode imaginar, pois as violências se dão das mais variadas formas.

Vamos analisar casos recentes. A produtora Padrão Carvalheira, do Recife, realiza um concurso de fantasias todos os anos. A “fantasia” vencedora foi a de homens brancos fazendo blackface e com pênis enormes, personificando o estereótipo racista de que homens negros são "bem dotados", ou melhor, reduzindo seres humanos a seus órgãos genitais. Além de ser ofensivo por ser blackface, desumaniza o homem negro o animalizando.

Pessoas brancas nunca são representadas em grupo. Uma pessoa se fantasia de Hugh Jackman ou Luciano Huck, por exemplo. Os indivíduos são representados. No caso das pessoas negras, julgam que podem reduzir todo um grupo a somente um tipo de representação como se a diversidade fosse monopólio da branquitude.

Assim como pessoas brancas, somos altos, baixos, gordos, magros, pessoas com pênis de variados tamanhos. Mas esse é um dos cernes da desumanização: homogeneizar. Lembrando que homens negros eram utilizados como reprodutores no período colonial para “fornecer” mão de obra escravizada e manter lucrativa a exploração. Um absurdo que pessoas ainda se sintam autorizadas a cometer esse tipo de violência.

Os responsáveis pela produtora vão se esquivar dizendo que os vencedores foram eleitos pelo público, mas eles sequer deveriam ter autorizado a entrada na competição porque trata-se de um caso de racismo. Não há justificativa possível, pois além de autorizar, premiaram com uma viagem a Fernando de Noronha e postaram a foto em um blog recifense.

Todos os negros são iguais? (Reprodução / Instagram)

Utilizam pessoas negras como escárnio, para serem ridicularizadas, ao mesmo tempo em que legitimam violência.

Um outro caso recente. No Twitter, um homem que se intitula produtor cultural enaltece o modo pelo qual policiais abordaram, segundo ele, um rapaz suspeito de roubar um aparelho celular. O rapaz foi algemado e colocado deitado de costas, evidenciando a truculência da ação. Mesmo que fosse suspeito, justifica ser tratado dessa forma?

A violência contra os negros é referendada (Reprodução / Twitter)

Esse ímpeto sanguinário em relação a homens negros é o que faz com que muitos sejam amarrados em postes e espancados enquanto que em relação a homens brancos que cometem crimes o tratamento é outro. Só há sede de vingança quando é para o sangue negro ser derramado. A naturalização da violência é algo chocante.

Na semana passada, um outro caso me comoveu absurdamente. Uma mulher negra é agredida por seguranças de um supermercado por ser suspeita de roubar comida. Os homens se esbaldam em humilhá-la e agredi-la. Num dos países mais desiguais do mundo, uma mulher é punida por roubar para se alimentar. E, o pior, por pessoas que também são exploradas.

Aqueles homens não conseguiram perceber que estão a serviço de uma mesma lógica que também os violenta. O vídeo é extremamente triste, o modo pelo qual uma mulher é desumanizada duplamente: por viver a fome e por ser agredida por viver a fome.

O Brasil é o país da violência e do escárnio. No carnaval, humilham se “fantasiando” de negro e no resto do ano contribuem para a marginalização. Pau grande, mas de cabeça baixa, de preferência no chão. É assim que nos querem. Mas o que comove alguns portais é mulher branca dizer que não pode usar turbante. A hashtag desse país é: vai ter preto humilhado sim.

Fonte: CARTACAPITAL

SOB O COMANDO DE LOBÃO, CCJ APROVA MORAES


Dida Sampaio/Estadão

Por 19 votos a 7, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), presidida pelo senador Edison Lobão (PMDB-MA), que é investigado por propinas na Lava Jato e acaba de ser alvo da Operação Leviatã, da Polícia Federal, aprovou a indicação de Alexandre de Moraes para o cargo de ministro do STF; a votação se deu após 12h de sabatina; confirmação no plenário do Senado ocorrerá nesta quarta-feira às 11h; fotógrafo Dida Sampaio, do Estado de S. Paulo, registrou a imagem que simboliza o momento atual do Brasil; ministro licenciado de Michel Temer, citado 43 vezes na primeira delação da Odebrecht, Moraes piscou para o investigado Lobão; plano para estancar a sangria avança a passos largos.

Fonte: http://www.brasil247.com

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ah esse STF!!!



SEX, 17/02/2017 - 17:15


Sobre os Cagnazzos e Graffiacanes que vomitam injustiças no STF

por Fábio de Oliveira Ribeiro

A acusação de plágio que pesa sobre Alexandre de Moraes é grave. Mais grave, porém, é o silencio obsequioso dos 10 membros do STF que sentarão ao lado dele caso o Senado aprove a indicação de Michel Temer.


Os senadores encarregados de entrevistar Alexandre de Moraes são ou serão réus em processos a cargo do STF. Infelizmente, a regra do jogo permite a eles escolher e empossar os membros daquele Tribunal. Não é segredo guardado na Venezuela ou em Cuba, que o STF ora obedece as regras ora as contorna, sempre para prejudicar petistas ou para beneficiar tucanos e peemedebistas.

No Mensalão do PT todos os réus foram julgados pelo STF, inclusive aqueles que renunciaram e originalmente não tinham foro privilegiado. No Mensalão do PSDB a regra foi outra: quem renunciou ao cargo ganhou o inexplicável privilégio de ser julgado na primeira instância de seu próprio Estado. 

Lula foi impedido de assumir um Ministério apesar de não ser delatado na Lava Jato. O Angorá, que as vezes também atende pelo nome de Moreira Franco, foi autorizado pelo STF a ser Ministro justamente porque recebeu propinas (como vários deputados, senadores, governadores e até membros do Judiciário).

Dilma Rousseff não foi julgada de acordo com as regras. A fraude do Impedimento é evidente por dois motivos singelos: quando assumiu interinamente a presidência durante viagens de Dilma ao exterior o vice-decorativo Michel Temer também assinou pedaladas fiscais; após a presidenta eleita pelos brasileiros ser deposta, o vice-golpista foi autorizado a pedalar e tem feito isto constantemente para felicidade geral dos banqueiros. A petista Dilma Rousseff não pode escolher os membros do tribunal que cassaram seu mandado. Os inimigos políticos dela poderão garantir seus próprios mandatos com ajuda de Alexandre de Moraes e de outros ministros do STF.

A economia brasileira afunda, mas a imprensa defende com garras e dentes o usurpador que distribui largamente verbas publicitárias enquanto reduz os direitos sociais da população carente. Mais propaganda e menos educação e saúde. É fácil sumarizar o sucesso midiático do (des)governo Michel Temer. Mas ele não teria chegado onde chegou sem a ajuda providencial do STF, pois o tribunal se recusou a mandar Eduardo Cunha para a prisão antes dele iniciar o Impedimento mediante fraude. E depois garantiu o tramite daquela excrescência jurídica rejeitando todas as medidas judiciais interpostas pela vítima.

Tudo bem pesado, o plágio cometido por Alexandre de Moraes é apenas um pecadilho sem maior importância se comparado ao assassinato da soberania popular e à destruição do regime constitucional promovido por deputados, senadores e ministros do STF com ajuda da imprensa. De fato e de direito o candidato indicado pelo usurpador Michel Temer para a vaga deixada por Teori Zavacki será apenas mais um Cagnazzo ou Graffiacane na infernal Divina Comédia que segue sendo, por maioria de votos, julgada procedente nas catacumbas do STF.

Em algum momento, porém, a população brasileira perderá a paciência. E então todos, inclusive os supremíssimos cidadãos-bandidos eternamente acima das Leis, serão obrigados a descer à terra ou a ser devorados pelos vermes embaixo dela. Toda revolução é produto de um déficit de justiça. E no Brasil, país em que milhares de juízes, promotores e procuradores ganham acima do teto, a própria justiça já está provocando déficits fiscais.

O deputado mais rico do Brasil faliu 27 empresas, é do PSDB e responde a mais de cinco mil ações na justiça



By: Francisco Castro on 18:45


Alfredo Kaefer (PSDB), o deputado mais rico do Brasil que faliu 27 empresas (reprodução)

A justiça decretou a falência da Diplomata S/A, “holding”, que controla 26 empresas e pertence ao deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB). A sentença seguiu recomendação do Ministério Público, já que um parecer do promotor de Justiça Carlos Bachinski apontou fortes evidências de fraudes processuais e confusão patrimonial, além de descumprimento do programa de recuperação judicial.
A decisão que decretou a falência do grupo descreve que as empresas não colaboraram com o processo de recuperação judicial e sonegaram informações solicitadas, como a entrega de documentos contábeis.
O grupo empresarial tentou, segundo a sentença, escolher os fatos a serem apresentados para afastar a responsabilidade dos controladores.

Mais rico do Brasil
O tucano Alfredo Kaefer é o deputado mais rico do Brasil, com patrimônio declarado de R$ 108,6 milhões em 2014.
Kaefer era dono de várias empresas, incluindo o Aeroporto do Oeste do Paraná, shopping center e até administradora de cartões de crédito.
O grupo Diplomata, de Alfredo Kaefer, responde a mais de 5 mil ações judiciais, grande parte delas na área trabalhista.
Paradoxalmente, Kaefer apareceu em uma decisão judicial no ano passado onde se declarava pobre para não pagar custas processuais de R$ 910 em uma ação que figura como réu.

Do Pragmatismo Político e 
http://www.blogdefranciscocastro.com.br

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

“A Operação Lava Jato precisa chegar ao poder Judiciário”


ELIANA CALMON | MINISTRA APOSENTADA DO STJ

Para a jurista Eliana Calmon, escândalo de corrupção que já respingou no Executivo e no Legislativo precisa alcançar todos os poderes



Não é de hoje que a jurista Eliana Calmon, de 72 anos, polemiza com seus pares da magistratura. Em 2011, quando ocupava o cargo de corregedora nacional de Justiça, ela afirmou que “bandidos de toga” estavam infiltrados no Judiciário. A declaração a colocou em rota de colisão com associações de juízes e magistrados, e posteriormente ela disse ter sido mal interpretada: "Eu sei que é uma minoria. A grande maioria da magistratura brasileira é de juiz correto". Seis anos depois, com o país mergulhado no escândalo de corrupção da Petrobras, que mobiliza juízes de diversas instâncias com processos da Operação Lava Jato, Calmon volta à carga, e afirma que é preciso apurar a responsabilidade do Judiciário no caso.

A jurista Eliana Calmon. ANDRESSA ANHOLETE


Baiana de Salvador – terra natal da empreiteira Odebrecht, bastante criticada pela jurista-, ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo de ministra do Superior Tribunal de Justiça. Em 2014, filiada ao PSB, tentou sem sucesso uma vaga no Senado Federal, e posteriormente anunciou apoio ao candidato tucano Aécio Neves, que disputou e perdeu a presidência naquele ano. Veja a entrevista concedida por Calmon ao EL PAÍS por telefone.

Pergunta. Como você avalia a Lava Jato até o momento?

Resposta. A Lava Jato foi um divisor de águas para o país. A partir dela vieram à tona as entranhas do poder brasileiro, e sua relação com a corrupção em todos os níveis de Governo. Mas para que tudo isso fique muito claro, seja passado a limpo de fato, precisa se estender para todos os poderes. Muitos fatos envolvendo o Executivo e o Legislativo vieram à tona, mas o Judiciário ficou na sombra, é o único poder que se safou até agora.

P. Você acha que membros do Judiciário também tiveram um papel no escândalo de corrupção?

R. O que eu acho é o seguinte: a Odebrecht passou mais de 30 anos ganhando praticamente todas as licitações que disputou. Enfrentou diversas empresas concorrentes, muitas com uma expertise semelhante, e derrotou todas. Será que no Judiciário ninguém viu nada? Nenhuma licitação equivocada, um contrato mal feito, que ludibriasse e lesasse a nação? Ninguém viu nada? Por isso eu digo que algo está faltando chegar até este poder. Refiro-me ao Judiciário como um todo, nas três instâncias. Na minha terra, na Bahia, todo mundo sabia que ninguém ganhava nenhuma causa contra a Odebrecht nos tribunais. O que eu questiono é que em todas estas décadas em que a empreiteira atuou como organização criminosa nenhum juiz ou desembargador parece ter visto nada... E até agora nenhum delator mencionou magistrados.

P. Mas não existe um corporativismo no Judiciário que dificultaria processos contra os magistrados?

R. Os juízes exercem atividade jurisdicional para serem isentos. Ponto. É o seguinte: o juiz de primeiro grau é processado perante o próprio tribunal. O de segundo grau é processado pelo Superior Tribunal de Justiça, e os ministros pela Suprema Corte.

P. Como vê a indicação do senador Edison Lobão (PMDB-PA), investigado pela Lava Jato, para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado?

R. Um presidente que está com seu ibope tão baixo quanto está o Michel Temerdeveria ser mais cauteloso. Do ponto de vista jurídico nada impede que ele articulasse com a bancada do PMDB no Senado para colocar o Lobão na presidência. Mas em razão do envolvimento dele no processo da Lava Jato melhor seria que ele ficasse de fora. Por outro lado, a decisão era da bancada do partido, que é majoritária, então isso é normal. Se não fosse o Lobão ia botar quem? Está todo mundo comprometido. Você fecha o olho e pega um parlamentar... Pegou um corrupto! Pegou outro, corrupto!
Eliana Calmon em sua residência. ANDRESSA ANHOLETE


P. O que achou da indicação do ministro da Justiça licenciado, Alexandre de Moraes, para a vaga de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal?

R. Eu gostei da indicação. Aí todo mundo me pergunta “ah, mas o Moraes é político!”. Olha, eu gostei porque conheço ele e conheço os outros que foram cotados para assumir a vaga... E aí você conclui o que quiser. Esta história dele ser político, ora, eu conhecia os outros candidatos e não tinha ninguém bobo. Todos no STF têm inclinações políticas. Não é por amizade que apoio o nome dele. O que acontece é que ele é jovem e muito talentoso, tem livros maravilhosos sobre direito. É brilhante como intelectual e como militante na advocacia. Agora, se ele vai vender a alma ao diabo ou não, aí temos que ver...

P. Enquanto os processos da Lava Jato na primeira instância avançam com rapidez, no STF o ritmo é diferente. O que provoca essa lentidão na Corte Suprema?

R. O processamento das ações nos tribunais anda a passos de cágado. Não é só o Teori Zavascki ou o Edson Fachin [ex-relator e atual relator da Lava Jato no STF] que são responsáveis por isso. A tramitação do processo é muito lenta, e é óbvio que aqueles que detêm foro especial não têm interesse em fazer com que o processo, com que essas ações penais andem rápido. A legislação é cruel, há uma dificuldade de fazer andar esses processos. Veja na primeira instância, por exemplo: o Sérgio Moro recebe uma denúncia, e ele faz um juízo de valor, acolhendo ou não. Se acolheu, o denunciado já se torna réu. Agora no foro especial, quando o relator recebe a denúncia, ele nem inicia a ação penal. Ele abre uma intimação para que o indiciado na denúncia venha se defender. Só depois dessa defesa é que ele leva para a corte. Isso estende muito o processo, é muito demorado. E só depois disso começa o processamento.

O processamento das ações nos tribunais anda a passos de cágado

P. Temer foi muito criticado por ter nomeado Moreira Franco, citado dezenas de vezes na Lava Jato, para um ministério. Acha correta a nomeação?

R. Eu acho que se o Ministério Público com base em fatos incontroversos faz uma reclamação formal contra um ministro, eu entendo que não deveria ser nomeado. Ele [Temer] deu aquela desculpa meio esfarrapada [que afastaria quem fosse denunciado] mas a nação teve que engolir. No final de contas é a mesma situação que ocorreu com o Lula, mas dessa vez em decisão monocrática o ministro Celso de Mello avaliou que ele poderia tomar posse.

P. O juiz Sérgio Moro tem sido muito criticado desde o início da Lava Jato pelo que alguns consideram como sendo um abuso nas prisões preventivas. Como você vê essa questão?

R. O Moro é muito dinâmico, conhece muito este processo específico, uma vez que ele acompanha o caso e seus desdobramentos desde o início. Isso dá celeridade ao processo, e acho que isso é algo que deve ser aplaudido. Quanto às críticas envolvendo prisões preventivas, a culpa é do STF que não julga os pedidos de liberdade feitos pela defesa. Em última instância, os pedidos de habeas corpus cabem ao Supremo.

Fonte: http://brasil.elpais.com

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