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Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

Mensagem aos leitores

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quarta-feira, 12 de abril de 2017

O OUTRO LADO DA MOEDA


Estará a Justiça, de modo tão irresponsável, fazendo insinuações, ou tirando ilações desprovidas de qualquer fundamento, contra os catarinenses que constam da famosa lista de políticos corruptos?
Se isso estiver acontecendo, com eles ou com qualquer outro, precisam reagir de forma enfática, contundente e urgente, pois seus nomes, ao simples anúncio de envolvimento, já restaram bastante enxovalhados.
De qualquer sorte, contam com o benefício da dúvida.
Tenho pensado muito que essa onda sobre corrupção generalizada pode ter um vetor importante por detrás. 
Quem tem interesse maior em conter a sangria da corrupção? 
Aqueles que ganham de maneira abusiva, em cima do dinheiro público, ou seja, os banqueiros. 
Se políticos continuarem a roubar, como se proclama, sobrará bem menos para eles, os financistas, porque a carga tributária já está pra lá de insuportável e o povo não recebe retorno digno em matéria de educação, saúde, segurança, dentre outros direitos fundamentais. 
O mais importante, todavia, é que, enquanto se malha os políticos, a Justiça, a Polícia, os machistas, os outros, enfim, os bancos se mantêm fora da berlinda. O foco da insatisfação pública não se volta contra eles.
Que existe corrupção - e muita - não se pode duvidar. Mas que essa repentina e escandalosa preocupação tem algo mais forte do que o interesse coletivo à sua retaguarda, também é coisa passível de cogitação séria. 
Lembra da charge de uma montanha de dinheiro, de cujo topo um capitalista aponta para o trabalhador, que vindica seus parcos direitos e o acusa de estar prejudicando a economia? 
Pois a mesma charge - "mutatis mutandi" (guardadas as devidas proporções) - vale para os políticos corruptos, se colocados no lugar do trabalhador.
No caso da relação de trabalho, o judas são os obreiros, os Sindicatos e a Justiça do Trabalho e, no caso da alegada corrupção, o judas a ser malhado é o político, ou até o povo, acusado de os haver escolhido irresponsavelmente. 
Os banqueiros querem a pecha de ladrões bem longe deles. Que os outros apareçam como grandes culpados, para os financistas é bem mais interessante. A mídia corporativa, sempre ao lado deles, até por afinidade étnica, faz o seu papel, aumentando o estardalhaço.
O combate à corrupção é inadiável e bem-vindo, mas a revisão da dívida do Estado (gênero) com o sistema financeiro é ainda mais urgente.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Associação Médica Sueca Diz que “White Helmets” Assassinaram Crianças Para Fazer Vídeos do Falso Ataque com Gás


10.04.2017 - Gordon Duff, Veterans Today


Conforme uma fonte do Congresso, Trump e McMaster deram ordens ao Comando Cibernético do Exército para “derrubar os servidores de VT” a fim de impedir que você lesse este artigo.



tradução de btpsilveira






O presidente Trump agora está ameaçando levar os Estados Unidos à guerra contra a Síria, Irã e mesmo a Rússia, uma guerra que ele justifica pelas “evidências” que alega ter recebido dos “White Helmets” sírios. Provaremos além de qualquer dúvida que esta organização está a serviço do Estado Profundo, uma fusão entre a CIA, a Al Qaeda e os serviços de inteligência da Inglaterra. Temos provas irrefutáveis de que Trump e sua mídia recheada de notícias falsas estão e sempre estiveram em sintonia, enganando a nós todos.



O ator George Clooney sabia que a organização Doutores Suecos pelos Direitos Humanos (SWEDHR) já havia mencionado que os “White Helmets” são assassinos de crianças quando produziu o vídeo de propaganda política que acabou ganhando o Oscar, o que pode muito bem ter possibilitado esta última rodada de assassinatos ultrajantes. A organização SWEDHR é real, seu trabalho é efetivo e suas acusações contra os “White Helmets” eram bem conhecidas por Clooney e pela NetFlix. Mesmo assim eles resolveram ir em frente com o documentário propagandístico. Por que?
Além disso, até o Google está envolvido, em guerra com este grupo e outros, eliminando-os de seus motores de busca. A informação que vocês terão será novidade para os (norte)americanos.
Perceba que em tempo algum a Casa Branca ou qualquer membro da imprensa ocidental reconheceu a controvérsia quanto aos “White Helmets”, que afirmamos fazer parte das operações de propaganda da Al Qaeda. Também nunca são mencionados as dezenas de ataques com gás comprovadamente feitos por FSA, Estado Islâmico e Al Nusra, os quais foram subitamente “esquecidos”, como por artes de magia.
Os “White Helmets”, que deveriam ser uma organização independente, receberam até $100 milhões de dólares da CIA e do Ministério de Relações Exteriores do Reino Unido, financiadores de “projetos ocultos”. Assassinar crianças está em seu currículo e é sua moeda de troca, como provaremos. Compartilhando quartéis generais com a inteligência turca em Gaziantep, Turquia, essa organização está mais para “esquadrão da morte” que para defesa civil. Por favor, assista os vídeos disponibilizados neste artigo. (ATENÇÃO!! Os vídeos deste artigo contém cenas chocantes. Pessoas sensíveis devem assistir com cuidado - NT)

Matando crianças para fazer vídeos de propaganda
Os médicos da swedhr.org analisaram vídeos disponibilizados de um resgato alegadamente realizado depois de um ataque químico pelas forças do governo sírio. Descobriram que os vídeos foram fraudados, e era possível até mesmo ouvir o diretor de palco falando em árabe, e que o suposto “regate” na realidade é um assassinato. Na primeira análise, parecia que os médicos que assistiam a criança admitiam que ele já estava morto.
No entanto, depois de uma investigação mais ampla e cuidadosa, a equipe concluiu que a criança estava inconsciente por causa de uma overdose de opiáceos. O vídeo mostra a criança recebendo injeções em seu peito, talvez na área do coração e que eventualmente foi morta com a administração de uma injeção claramente falsa de adrenalina.
A criança foi assassinada.
Os doutores asseveram em sua análise:
• O vídeo supostamente mostraria medidas para a preservação da vida depois de um ataque químico com gás clorídrico (agora se afirma que seria gás sarin – impossível), entre as quais uma injeção de adrenalina via seringa com uma longa agulha dentro do coração da criança. De maneira alguma estes tratamentos seriam os adequados para o tratamento contra qualquer agente químico.
• O manejo e tratamento da criança é feito de forma descuidada, perigosa e provavelmente causaria danos graves.
• Os detalhes mais reveladores são as falsas e repetidas aplicações de adrenalina, supostamente no coração da criança. Os médicos do vídeo, e nesta altura já podemos assumir que se tratam de atores, falharam na hora de empurrar o êmbolo da seringa. Assim, o conteúdo da seringa jamais foi injetado, como se vê claramente no vídeo.
• O diagnóstico possível, por uma equipe de médicos especialistas reais, com base no que se observa no vídeo, indica que a criança está sofrendo por causa de uma injeção maciça de opiáceos e que provavelmente está morrendo de overdose. Não há qualquer evidência de outro agente, químico ou não.
• Nenhuma das crianças nos vídeos apresenta qualquer sinal de terem sido vítimas de um ataque químico. Veja um vídeo anterior dos “White Helmets”:
• Fica claro que a injeção falsa com uma longa agulha administrada através de seu corpo matou a criança neste vídeo. Foi um homicídio praticado propositadamente, teatralizado para parecer com um tratamento médico.
• Por trás da tradução falsa, o árabe real que aparece nos vídeos mostra as ordens do diretor para posicionar a criança para as câmaras, não para tratamento médico.
• Os vídeos estavam gravados no canal dos “White Helmets” – “Defesa civil da Síria na Província de Idlib”. Foram produzidos pela organização, junto com outro grupo denominado “coordenação sarmin”, cujo logo é uma bandeira jihadista preta (Al Qaeda). No vídeo estão alguns capacetes brancos para serem vistos.
O presidente da associação sueca, Professor Marcello Ferrada de Noli, publicou no início de março de 2017, um artigo inicial, com uma análise do caso: “Doutores Suecos pelos Direitos Humanos: Vídeo dos “White Helmets”, uma manipulação macabra de uma criança morta e encenação de ataque com armas químicas para justificar uma ‘zona de exclusão aérea’ na Síria”.
Isto teve sequência com a descoberta de fatos ainda mais macabros nos vídeos não vistos inicialmente no artigo – Filme do White Helmets: Mais Evidências Descobertas por Doutores Suecos Confirmam que as Práticas Fraudulentas de Assistência Médica Machuca Crianças.
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As constatações coletivas dos doutores suecos (swedhr) com relação à propaganda e falsidades perpetradas pela Al Qaeda (Al Nusra) na Síria são alinhadas a outras conclusões reveladas pelos Cientistas Alemães e Internacionais para a Guerra Síria.
As constatações coletivas dos doutores suecos (swedhr) com relação à propaganda e falsidades perpetradas pela Al Qaeda (Al Nusra) na Síria são alinhadas a outras conclusões reveladas pelos Cientistas Alemães e Internacionais para a Guerra Síria.
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Ferrada de Noli é fundador e presidente da organização Swedish Doctors for Human Rights (SWEDHR), uma organização não governamental de pesquisa integrada por um grupo de professores e doutores operando nas áreas relacionadas à saúde e que pretende pesquisar e divulgar os efeitos das atrocidades da guerra nas populações civis, tortura de prisioneiros e transgressões dos direitos humanos.
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Os esforços da organização dirigem-se às seguintes áreas: o cenário nos países onde a população civil é atingida por crimes e guerra, transgressões dos direitos humanos por parte de governos e a exposição das pessoas a crimes de guerra, casos particulares de doutores sujeitos a violações dos direitos humanos e pesquisa sobre os efeitos da tortura em prisioneiros. Você pode encontrar mais detalhes no Manifesto da Organização.
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O primeiro quadro administrativo da SWEDHR foi composto por Leif Elinder, Marcello Ferrada de Noli (presidente), Martin Gelin, Alberto Gutierrez, Ove B. Johansson, Lena Oske, Armando Popa, Anders Romelsjö (vice presidente), Marita Troye-Blomberg e Luz Varela. Em 2015 Ferrada de Noli fundou com um grupo de acadêmicos e editores europeus a revista online The Indicter elegendo-se como o primeiro editor chefe.
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Doutores Suecos pelos Direitos Humanos (SWEDHR) é uma organização não governamental, não partidária, independente e sem fins lucrativos empenhada na pesquisa e divulgação dos efeitos de crimes de guerra, tortura e transgressões dos direitos humanos contra populações civis ou contra indivíduos.
Em acréscimo, eles se opõem aos ataques governamentais contra os direitos humanos de pessoas que tenham denunciado crimes de Guerra ou exposto sérias infrações contra as liberdades civis da população. Ao contrário de outras organizações suecas de direitos humanos, a SWEDHR não é financiada total ou parcialmente pelo governo ou por instituições suecas.
A SWEDHR é uma equipe formada com a participação de certo numero de professores, detentores de doutorado, médicos e pesquisadores universitários em ciências médicas e disciplinas relacionadas com a saúde. Sua participação é totalmente voluntária e privada.
As manifestações da SWEDHR representam apenas seus membros, não todos os doutores suecos ou qualquer outra instituição profissional ou acadêmica com a qual a SWEDHR esteja associada. A organização segue a doutrina das Nacções Unidas sobre os Direitos Humanos e normatização ética em acordo com a Declaração Ética da Associação Médica Mundial de Elsinque. Você pode encontrar os objetivos buscados pela organização e a base de sua fundação no Manifesto Da SWEDHR.
Agindo de forma diferente de outras organizações desse tipo na Suécia, a SWEDHR a) não administra fundos de qualquer tipo; b) não administra fundos nem pede subsídios governamentais, corporativos ou privados; c) não coleta doações de seus apoiadores; d) não faz campanhas financeiras ou econômicas relacionadas às questões associadas aos Direitos Humanos. Nós também acreditamos que a renúncia da já mencionada possibilidade de contribuições externas é uma ótima maneira de manter credibilidade e independência absoluta no que tenha a ver com divulgação de assuntos relacionados aos Direitos Humanos.

A SWEDHR receberá prazerosamente a contribuição altruísta de qualquer doutor interessado em compartilhar pesquisas relacionadas com as acima mencionadas. Formulários para a associação (membros plenos ou membros associados) estão à disposição em nossos estatutos. Para qualquer pergunta, comentários ou se você deseja contribuir com nossas publicações online, acesse: info@swedhr.org

EUA tentaram persuadir governo Lula a se posicionar contra a Venezuela




Governo brasileiro, à época, se recusou a apoiar manobras de Washington para desestabilizar o governo de Hugo Chávez

Eduardo Vasco, Pravda.Ru

O jornalista, escritor e pesquisador norueguês Eirik Vold apresentou no último dia 31 de março em Caracas parte dos resultados de sua investigação sobre os documentos desclassificados e publicados pelo Wikileaks entre 2004 e 2010, que revelam as tramas dos EUA para derrubar o governo do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez.

Uma delas foi a tentativa de convencer o governo brasileiro a apoiar as ações de Washington na América do Sul contra a Venezuela.

Um relatório enviado em março de 2005 aos EUA pelo então embaixador do país em Brasília, John Danilovich, descreve uma conversa deste com o chanceler brasileiro na época, Celso Amorim.

O chefe do Itamaraty, ao ser assediado pelo embaixador, afirmou que "Chávez havia sido eleito democraticamente e depois reafirmado em um referendo, que disfrutava de apoio doméstico substancial".

Amorim também argumentou que o presidente venezuelano "era uma figura popular na esquerda internacional e líder de uma potência principal no continente", segundo os documentos apresentados por Vold, que é especialista em geopolítica internacional e estudioso da relação entre os EUA e os governos progressistas da América Latina.

No final da mensagem, Danilovich expressou seu desapontamento sobre a posição do governo brasileiro.

Entretanto, os EUA não deixaram de planejar alianças contra a Venezuela. Um relatório de 2007 coloca Argentina, Brasil, Chile, Uruguai e Paraguai como possíveis aliados da Casa Branca para abalar o governo bolivariano.

Segundo Vold, em sua explanação por videoconferência durante o evento Venezuela Digital 2017, os EUA tentaram por diversas formas "derrubar o governo eleito com a ajuda de ONGs e de financiamento externo", além de apoiar partidos de oposição.

Um telegrama de novembro de 2006 descreve que, em 2004, o embaixador estadunidense na Venezuela relatava uma estratégia de cinco pontos que guiariam os esforços dos EUA naquele país no período 2004-2006.

"1º: fortalecer instituições democráticas; 2º: penetrar a base política de Chávez; 3º: dividir o chavismo; 4º: proteger os interesses econômicos dos EUA; 5º: isolar Chávez internacionalmente", citou o pesquisador.

Ainda segundo suas investigações, tanto a embaixada estadunidense em Caracas como outras sedes diplomáticas em toda a América Latina foram utilizadas pelos Estados Unidos para desestabilizar o governo venezuelano.

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Mito da Doutrinação: Serás um Pateta nas Mãos da Abin e da Oligarquia Tupiniquim?



Mito da Doutrinação: Serás um Pateta nas Mãos da Abin e da Oligarquia Tupiniquim?

Em agosto de 2016, o jornalista e economista norte-americano Paul Craig Roberts, secretário-adjunto do Tesouro para a Política Econômica dos Estados Unidos na administração do presidente Ronald Reagan em 1981, escreveu em Serás um Pateta nas Mãos da CIA?

Edu Montesanti

"A expressão 'teoria da conspiração' foi inventada e posta a circular no discurso público pela CIA, em 1964, a fim de desacreditar os muitos cépticos que contestavam a conclusão da Comissão Warren de que o presidente John F. Kennedy fora assassinado por um pistoleiro solitário chamado Lee Harvey Oswald, o qual por sua vez foi assassinado enquanto sob a custódia da polícia antes que pudesse ser interrogado. A CIA utilizou seus amigos nos media para lançar uma campanha a fim de tornar suspeições do relatório da Comissão Warren alvo de ridículo e hostilidade. Esta campanha foi "uma das iniciativas de propaganda de maior êxito de todos os tempos".

Atualizada nos Estados Unidos, o rótulo de conspiracionista vale hoje também a todos aqueles que questionam a insustentável versão oficial envolvendo os atentatos terroristas de 11 de setembro de 2001.

No Brasil, a estratégia de se rotular ameaças ao poder estabelecido se dá contra defensores de políticas sociais, rotulados agressivamente de doutrinadores" ou "ideólogos". E milhões de cidadãos desavisados embarcam nesta mediocridade que tem polarizado cada vez mais a historicamente rachada sociedade brasileira, enquanto políticos oportunistas aplicam suas ideologias corruptas e anti-sociais indiscriminadamente.

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi criada em 1999 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, é uma reedição do Serviço Nacional de Informações (SNI) criado pela ditadura militar brasileira sob supervisão da CIA em 1964, para vigiar e controlar a sociedade brasileira, especialmente movimentos sociais e trabalhadores grevistas. E esta prática tem crescido assustadoramente nos últimos anos, mesmo nos do PT no governo federal.

Dentro do contexto atual de vigilância doméstica, de caça às bruxas contra setores progressistas brasileiros, e da forte influência da própria CIA à Polícia federal, à própria Abin já que esta é uma extensão de seu antecessor, o SNI, e aos assuntos políticos, econômicos e sociais do Brasil, tudo leva a crer que essa onda de ataques sistemáticos a ideias progressistas trata-se de mais uma produção dos laboratórios da Abin, bem ao estilo norte-americano que exporta seus métodos de controle social, como exemplifica a Escola das Américas.

As lista de evidências da fragilidade, ou da estupidez de se rotular os defensores de políticas sociais de "ideólogos" é tão vasta, que fica difícil optar por apenas algumas delas. Pois o mais recente exemplo vem do político com capacidade marqueteira de poucos atualmente, o prefeito paulistano João Dória que, apoiando-se na despolitização por que seu setor reacionário tanto preza para dominar e gozar dos privilégios do poder sobre uma massa alienada, tem retirado os poucos direitos sociais na maior cidade da América latina, sem que a sociedade se de conta, distraída com aquele que se intitula "gestor" e não político. 

Chama a atenção que os mesmos que achincalham programas como o Bolsa Família de Lula (que Aécio Neves afirmou, na campanha presidencial de 2014, manter, na verdade criada por Fernando Henrique Cardoso com o nome de Bola Escola), regozijam-se com o assistencialismo de Dória, que tem doado o salário a instituições de caridade; pois o mais contraditório é que, ao mesmo tempo que faz isso, o "gestor alegadamente "sem ideologias" corta indiscriminadamente verbas da saúde, educação e privatiza até parques municipais. Mas é claro: o "apartidário" de turno, que reza perfeitamente a cartilha de seus padrinhos do PSDB e arranca suspiros dos eleitores de São Paulo, é paulistano e oriundo das classes dominantes, não um nordestino da roça.

Enfim, o último exemplo do quanto a sociedade brasileira em geral tem se prestado a fazer o papel de pateta da Abin, que representa os interesses das oligarquias nacionais, é que em nome da "neutralidade" Dória pretende disseminar nas escolas da cidade de São Paulo livros de economia do Instituto Mises Brasil, que promovam os princípios de livre mercado.

Ludwig von Mises (1881-1973) foi um dos fundadores da Escola Austríaca de Economia, e defendeu o combate à intervenção estatal. "Aprender economia é essencial na vida das pessoas", disse recentemente o prefeito paulistano, ao mesmo tempo que condenou aquilo que chama de "doutrinação" nas escolas. Pois... a que nível chegou o "debate" tupiniquim: os materiais de Mises não contêm uma linha ideológica, bem clara?

O que se está fazendo é, como nos piores anos da Guerra Fria, criminalizar visões progressistas e até a política ao negá-la (com fins ditatoriais, de aniquilação do pouco que há de Estado de direito) sob auto-rótulo de "gestor" ou coisa que o valha. 

Na era da Internet, é grave que milhões de indivíduos caiam tão facilmente neste engodo; a sociedade é, cada vez mais, responsável pelas informações que consome, e pelo destino do país. Cada vez menos, pode ser considerada "vítima" da imposição da ignorância pelos donos do poder.

Porém os agressivos fundamentalistas da ideologia que prega políticas elitistas, travestidos de "apolíticos" sem criatividade que nunca renovam suas artimanhas de dominação, de exploração e da roubalheira indiscriminada, tem obtido sucesso, inversamente proporcional ao nível desta paupérrima "engenharia intelectual" de "combate à ideologia", em promover a alienação de indivíduos que, por comodidade, por medo ou por uma combinação de ambos, preferem se manter despolitizados, sem posição clara e indiferentes, seguindo a corrente predominante que não é nem nunca foi pautada pelos interesses da maioria da sociedade, senão do 1% dominante (ao qual o enodo Dória pertence). 

Por que Jair Bolsonaro pode defender que cada cidadão tenha uma pistola em casa, sendo considerado livre de ideologias, ao passo que quem defende o desarmamento deve ser tachado de "ideólogo"? Por que um professor pode (e com Dória deve) ensinar as leis do livre mercado (neoliberalismo), enquanto um professor que questiona este sistema deve ser criminalizado e responder na Justiça pelo crime"? Por que Dória pode cortar um orçamento já pequeno da Prefeitura para a cultura, na ordem de 0,8% do total da gestão anterior (quando a UNESCO recomenda um mínimo de 1%), agora sofrendo corte de 45% que praticamente zera os recursos para programas e projetos culturais, enquanto quem se opõe a isso defendendo fortes investimentos em educação e cultura, é considerado "doutrinador"? Por que novamente ele, Bolsonaro pode alegar que negro quilombola e índio "não serve nem para procriar", enquanto um professor que defende justiça social e igualdade de direitos deve ser ameaçado e até chegar a apanhar de pais de alunos, além de ser fortemente discriminado pelo terrorista Estado brasileiro? 

Por que este autor merece ser, aos gritos, ameaçado de agressão física por, "comunista comedor de criancinhas", defender os direitos dos refugiados haitianos, agredidos e assassinados no Sul branco do País, enquanto os mesmos que ameaçam este autor são considerados a nata intelectual e moral brasileira, "livres de ideologias? Quando a sociedade brasileira vai despertar para o que anda ocorrendo?

Até onde vai este papel de pateta nas mãos das oligarquias nacionais que grande parte da sociedade brasileira tem se prestado a fazer? Outro exemplo claro de que não há nada de apartidário nem de democrático neste pobre conteúdo reacionário, que só engana os mais ignorantes, é o próprio caráter profundamente agressivo que cerceia a discussão de ideias e a liberdade de expressão que permeia todos os setores da sociedade, muitas vezes valendo-se de agressões físicas pelos mais banais motivos.

Nunca, após 1964, a democracia brasileira correu tanto risco nas mãos de subprodutos de um Estado autoritário, como João Dória, Jair Bolsonaro, e outros elementos deste tipo, de péssimo gosto moral e intelectual.




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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Rádio Ratones - Música judaica

A MATZÁ E A HUMILDADE


Por Daniela Kresch
Jornalista
direto de Israel

TEL AVIV – Para o rabino Zev Slavin, diretor do orfanato modelo Ohr Simcha, em Kfar Chabad, a alguns quilômetros de Tel Aviv, Pessach é um momento de humildade. E a matzá é o símbolo dessa modéstia.
“Uma vez por ano, nós somos quem somos, sem máscaras, sem o ego que nos faz pretensiosos. A matzá é o pão humilde, que não fermentou. E nós, em Pessach, temos que ser nós mesmos, sem pretensões. Temos que aprender humildade”, diz o rabino.
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O rabino Zev Slavin no orfanato Ohr Simcha
(Crédito Daniela Kresch)
Escutei essas palavras do rabino Slavin – ao visitar o orfanato – como se fosse a primeira vez que ouvia falar no pão ázimo que se come na Páscoa judaica, o feriado que simboliza a liberdade, a busca pelo lar e pela união de um povo (e dos povos, em geral).
Tudo fez sentido: a matzá achatada e quadrada (ou redonda, como se faz em Kfar Chabad) é um pão destituído de glamour, de cor, de condimentos, de glúten... É um pão simples, assim como deve ser a alma de quem acaba de deixar a escravidão e recomeça a vida.
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As matzot redondas da fábrica de Kfar Chabad
(Crédito Daniela Kresch)
Mas, depois do orfanato de Kfar Chabad, fui visitar o fábrica de matzot (plural de matzá) da cidade. Lá, vi como dezenas de chabadnikim (muitos voluntários e muitas crianças) frenéticos correm contra o tempo para produzir a aparente simplicidade que é uma matzá.
Para que a matzá passe pelo crivo religioso, ela tem que ser assada em menos de 18 minutos. Se passar disso, a massa do pão ázimo começa a fermentar. A correria na fábrica de matzot de Kfar Chabad é de enlouquecer. No momento em que a massa do pão ázimo entra em contato com a água, há uma corrida contra o tempo para trabalhar a massa, cortá-la e levá-la ao forno.
O corre corre em busca da matzá perfeita, singelamente achatada, que não fermenta nem um pouquinho, me pareceu dicotômico. Por um lado, a matzá é o “pão humilde”, simples, sem egos (fermento). Por outro, no entanto, a matzá tem que ser “perfeita” em sua aparente “simplicidade”. Se passar de 18 minutos, não vale mais.
C:\Users\danie\AppData\Local\Microsoft\Windows\INetCache\Content.Word\O corre corre na fábrida de matzot de Kfar Chabad (Crédito Daniela Kresch).jpg 
O corre corre na fábrida de matzot de Kfar Chabad (Crédito Daniela Kresch)
Esse yin-yang, esse dualismo, me fez pensar no embate dos últimos dias, no Rio, entre membros da comunidade judaica carioca, divididos, segmentados, fraccionados por causa da palestra de um político detestável na Hebraica. Os que convidaram dizem buscar o pluralismo. Os que protestaram dizem renegar o fascismo. O embate interno (que, infelizmente, vazou para fora da comunidade) é tipicamente judaico. Assim como a matzá, que é, ao mesmo tempo, simples e complicada.
Tudo no judaísmo é repleto de nuances. Como é que se diz? “Para cada dois judeus, há três opiniões”. Mas, acima de tudo isso, deveria pairar o espírito de Pessach – o evento mais emblemático da Torá. O espírito da busca pela liberdade e pela união do povo. Quem presta atenção na Hagadá de Pessach percebe como há discussões acaloradas entre sábios, como os quatro filhos pensam tão diferente uns dos outros. Como as pragas do Egito são, ao mesmo tempo, geniais e cruéis. Mas a moral da história é que o povo, unido, não foi vencido.
Estou longe de ser especialista na Torá ou nos sentidos e ensinamentos da Hagadá. Mas pego emprestado o que disse o rabino Slavin, de Kfar Chabad, um pequeno vilarejo de 6 mil pessoas criado em 1949 pelo rabino Yosef Yitzhak Schneersohn, querido por muitos por sua sabedoria, caridade e ajuda humanitária. Pessach deve ser um momento de humildade, de falta de ego e de arrogância. Pessoalmente, eu preferia que o tal político não tivesse entrado na Hebraica. Mas deixo minha posição pessoal de lado na busca por um Pessach de consenso e paz. Chag Sameach.

Rádio Ratones - Música deliciosa

III Guerra Mundial como Estratégia Imperialista


10.04.2017
 
III Guerra Mundial como Estratégia Imperialista. 26348.jpeg
Prenunciam-se novas tragédias no Oriente Médio, mais golpes na América Latina e escalada da tensão nas relações EUA-Rússia. Antigo plano de Washington é invadir sete países: Iraque, Síria, Somália, Líbia, Sudão, Irã e Iêmen. Nada muda com Trump, como sempre esteve claro que ocorreria. Nada mudou com os maiores lobistas da política norte-americana: os sionistas que felicitam Tio Sam agora, por mais um crime de guerra contra a Síria. A III Guerra Mundial está na agenda do dia, e não eclodirá por mero acidente
Edu Montesanti
Donald Trump não se importa com o fato de que a comunidade internacional tenha condenado os ataques norte-americanos com 59 mísseis à base aérea síria da cidade de Homs que, na última sexta-feira (7), deixaram como saldo nove mortos, incluindo quatro crianças: a ofensiva foi unilaterais, isto é, não recebeu prévia autorização da ONU nem do Congresso dos Estados Unidos. O presidente norte-americano tampouco dá a mínima importância ao fato de que não haja nenhuma prova de que os ataques com armas químicas no último dia 4, ali mesmo, tenham partido do governo sírio conforme acusação irredutível da Casa Branca. 
Pois a administração de Trump vai além do ataque inconstitucional e contra as leis internacionais: um dia dia depois dos ataques, anunciou embargo econômico à Síria. Eis que o filme iraquiano de invenção de armazenamento de armas químicas e de unilateral embargo repete-se, tragicamente. Repete-se tragicamente na Síria hoje, com o ataque de dezenas de mísseis à base aérea na cidade de Homs, as mesmas manipulações envolvendo o "combate ao terror" no Afeganistão, na Líbia e, especialmente, no Iraque quando, em 2003, os Estados Unidos contrariaram a ONU e todas as evidências (até afirmações de Saddam Hussein quem, em determinados momentos, colaborou com inspetores da ONU) e invadiram o país sob pretexto de que o governo local armazenava armas químicas e biológicas. O Império mais terrorista da história, irregenerável e sem limites.
Assim como George Bush, que se denominava "o presidente da guerra", Trump aumentou em 54 bilhões de dólares os gastos militares para este ano fiscal, que alcançará 658 bilhões de dólares no final de 2017, enquanto corta drástica e raivosamente investimentos sociais como nas áreas de saúde, educação e assistência social.

Pouco depois do anúncio do aumento em defesa, em 4 de abril o novo inquilino da Casa Branca cortou o financiamento dos Estados Unidos junto ao Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), em favor da redução das desigualdades sociais em todo o mundo, especialmente dos setores mais vulneráveis como mulheres e crianças.
Palhaço Assassino na Casa Branca

Procurada em uma conversa particular com este autor logo que Trump vencera as eleições presidenciais em novembro do ano passado, a líder da Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão (RAWA, na sigla em inglês) que se identifica apenas como Friba para sua segurança, já que a RAWA atua na clandestinidade, demonstrava desconfiança total em relação ao presidente eleito nos EUA pois, segundo a ativista afegã pelos direitos humanos, "o presidente dos Estados Unidos tem pouco ou nenhum efeito sobre a política externa do país, especialmente nos países que ocupa hoje. A administração Obama não era diferente de George Bush, e Trump não será diferente de ambos os presidentes".

Friba, quem garante que a Operação Liberdade Duradoura dos Estados Unidos no Afeganistão "causa um 11 de Setembro todos os dias" em seu país, ressaltou diversas vezes na conversa particular que Trump seria, assim como todos os inquilinos da Casa Branca, mero instrumento de um sistema imperialista. "Nenhum presidente dos Estados Unidos tem autoridade real, mas todas as políticas são estabelecidas pelas grandes corporações, pela CIA, pelo Pentágono e pelos chefes do Exército. O presidente é apenas um boneco em suas mãos. Não é uma questão de escolha de Trump nem de qualquer outro presidente dos Estados Unidos suspender a guerra".

À época Friba não apenas previa que Trump aumentaria a intensidade da guerra em seu pais, como também na própria Síria, no Iraque e na Líbia. "O Afeganistão não verá nenhuma mudança positiva, e o sírios, iraquianos e líbios sofrerão ainda mais". Pois não tardou sequer uma semana para que a voz afegã, conhecedora como poucas das "intervenções humanitárias" dos Estados Unidos, se mostrasse, desgraçadamente, certeira.

Desde que chegou à Casa Branca, aquele que se apresentava, entre profundas contradições nos ditos e feitos, como futuro dialogador internacional, em três meses de governo já apresenta média de ataques por drones e contra civis no Oriente Médio que supera as de George W. Bush e Barack Obama.

Logo em seu primeiro final de semana, Trump mostrou a que veio através de dois ataques com drones no Iêmen, que matou dez pessoas: um atingiu três pessoas em uma moto, e o outro atingiu sete pessoas que se moviam dentro de um carro. Uma semana depois da posse, Trump lamentou a morte de um Seal da Marinha dos Estados Unidos em um ataque ordenado pessoalmente por ele no sul do Iêmen. Trump não mencionou as 30 pessoas, incluindo ao menos dez mulheres e crianças, mortas pelos bombardeiros de seu Exército. O ataque causou graves danos a um centro de saúde, a uma escola e a uma mesquita.

Uma semana após a posse, Trump lamentou a morte de um Seal da Marinha dos Estados Unidos em uma invasão ordenada por ele no sul do Iêmen. Trump não mencionou as 30 pessoas, incluindo pelo menos 10 mulheres e crianças mortas pelos bombardeiros dos EUA. O ataque causou estragos graves um centro de saúde, em uma escola e em uma mesquita.

"Quase mil mortes de não combatentes já foram registradas devido a ações da coalizão em todo o Iraque e na Síria em março - um registro recorde", de acordo com aAirwars, organização não-governamental que monitora vítimas civis de ataques aéreos no Oriente Médio.

Apenas na segunda quinzena de março contabilizaram-se nada menos que 300 mortes de civis no Oriente Médio, vítimas dos bombardeios norte-americanos. Na Síria foram 100: ao menos 47 pessoas morreram em uma mesquita em Aleppo; 20 mortes vítimas de bombardeios sobre casas, uma escola e um hospital em Tabqah; e pelo menos 33 mortos em uma escola que abrigava 50 famílias deslocadas pelos combates, perto de Raqqa. Em Mosul, foram 200 "baixas civis" (eufemismo para assassinato), vítimas do "efeito colateral" (crime de guerra) das "bombas inteligentes" (enriquecedoras da indústria bélica em nome dos interesses econômicos e estratégicos) dos Estados Unidos.

Segundo relatório da Anistia Internacional, as forças da coalizão têm se utilizado de fósforo branco em Mosul, arma química que rasga o corpo do individuo vivo, e queima até os ossos. A revista norte-americana relatou recentemente que o próprio Comando Central dos EUA confirmou o uso de urânio empobrecido contra o Estado Islamita no Iraque, "indiscutivelmente crime de guerra" segundo a renomada jurista estadunidense, Marjorie Cohn.

Abu Ayman, residente em Mosul, disse à Reuters que viu várias casas demolidas e os corpos de seus moradores cortados, espalhados. "Corri para a casa do meu vizinho e, com outros cidadãos, conseguimos resgatar três pessoas, mas pelo menos outras 27 na mesma casa foram mortas incluindo mulheres e crianças de parentes que haviam fugido de outros distritos", disse ele. "Nós tiramos alguns do meio dos escombros usando martelos e pás para remover detritos. Não podíamos fazer nada para ajudar os outros, pois estavam completamente enterrados sob o telhado desmoronado". Um outro morador de Mosul disse: "Agora, parece que a coalizão está matando mais pessoas do que o Estado Islamita".
'Combate ao Terror': Diálogo de Surdos

Friba foi procurada novamente após os ataques dos EUA à base aérea síria no último dia 7. "Sem guerra, a superpotência não pode durar muito tempo nem superar a crise financeira doméstica. É a guerra que gira as rodas do seu sistema econômico", afirmou indignada a líder da RAWA. "Quem se senta na Casa Branca serve o 1% dos poderes corporativos, o que significa espalhar a guerra por todo o mundo para pilhar petróleo e matérias-primas de nações pobres, mantendo a hegemonia dos Estados Unidos e derrotando seus rivais".

Marjorie Cohn também foi contactada por esta reportagem, a fim de comentar se violam ou não a Constituição dos Estados Unidos os últimos ataques com mísseis por parte dos "policiais do mundo", como disse igualmente indignado o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no mesmo dia dos bombardeios à Síria. A Constituição norte-americana proíbe as guerras preventivas, ou seja, sem que os Estados Unidos tenham sido anteriormente atacados por algum Estado. Segundo Marjorie, a Constituição prevê o uso da força militar apenas no caso de "emergência nacional criada por ataque aos Estados Unidos, aos seus territórios ou a suas posses, ou a suas Forças Armadas", o que ela aponta que não ocorreu neste caso.

Porém, a legista afirma que existe, legalmente, a possibilidade de que os Estados Unidos ataquem outro Estado sem ter sido previamente atingido através da Resolução de Poderes de Guerra (War Powers Resolution), que pode ser aplicada apenas nas seguintes situações: "Primeiro, após o Congresso ter declarado guerra, o que não aconteceu neste caso. Segundo, quando há 'autorização estatutária específica' através de uma Autorização para o Uso da Força Militar (Authorization for the Use of Military Force, AUMF) o que, novamente, não ocorreu". Pois o presidente Trump justificou os ataques com mísseis à Síria, exatamente, sobre a AUMF.

Outra renomada jurista ouvida por esta reportagem, Azadeh Shahshahani, ativista pelos direitos humanos e diretora do Projeto de Segurança Nacional pelos Direitos dos Imigrantes da União Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), lembra que "houve aplicação de AUMF no caso da guerra contra o Afeganistão, e uma resolução do Congresso no caso da guerra contra o Iraque. Continua sendo debatida a questão em relação a onde essas bases eram suficientes para se declarar guerra". Azadeh diz concordar com Marjorie, em que "não existem justificativas para o ataque à Síria, e que Trump excedeu a autoridade".

Quanto às leis internacionais, o presidente Trump passou por cima da Carta das Nações Unidas, tratado ratificado pelos próprios Estados Unidos que requer duas justificativas para uso da força militar contra um Estado soberano, sem o prévio consentimento deste, ou seja, uma declaração de guerra: que o país atacante, alegando autodefesa, tenha sido atacado antes em seu território, ou que tenha sido autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU. Como no caso das leis norte-americanas, nenhum destes elementos estiveram em vigor nos ataques perpetrados pelas forças norte-americanas à base aérea síria do último dia 7, já que a ONU não autorizou o ataque e o impedimento do suposto uso de armas químicas, alegação da administração de Trump, não configura auto-defesa.

As questões legais são apenas uma introdução ao diálogo de surdos imposto pelos poucos tomadores de decisão de Washington, quando o assunto é "Guerra ao Terror". Conforme abordado em Pravda Brasil na reportagem Relações Rússia-EUA: Escalada das Tensões sob Risco de Guerra Nuclear , é fato comprovado que o Estado Islamita (EI, ou Daesh ou ainda ISIS) e a Al-Nusra, filiada à Al-Qaeda no Iraque, têm atacado com armas químicas fornecidas por Washington.

Quem tem confirmado essa informação, entre diversos meios de comunicação como o New York Times, são inspetores da ONU e o próprio Departamento de Estado dos Estados Unidos, quem reconhece que não existem "rebeldes moderados" na Síria. No que diz respeito ao governo sírio, jamais foi provada nenhuma acusação de Washington e seus aliados ao longo dos anos, nem neste caso específico da semana passada que Bashar al-Assad utilizou-se de armas químicas. "Não ataco com armas químicas sequer os terroristas, muito menos faria isso contra civis", tem afirmado o presidente sírio.

O EI, assim como a Al-Qaeda e suas franquias, nada mais é que um dos tantos subproduto das invasões dos Estados Unidos no Oriente Médio, inconstitucionais e contrárias às leis internacionais: passou a existir no Iraque pós-invasão norte-americana em 2003, por jovens radicalizados pela invasão ocidental que acabaram se espalhando pela região.

Contudo, um breve histórico da ocupação norte-americana no Oriente Médio (ocultada por Washington e por seus porta-vozes da grande mídia internacional) traz a compreensão de que a denominada Guerra ao Terror foi arquitetada bem antes dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 (cuja versão oficial é insustentável), para ser infinita e servir como pretexto para a permanência das bases militares norte-americanas na região mais rica em petróleo do mundo. E como consequência, por que este diálogo supostamente em prol do combate ao terrorismo internacional, do jeito que está imposto pelas grandes potências e pela mídia, não leva a lugar nenhum enquanto apoiado na desinformação, na total inversão de papeis.

A versão oficial diz que a União Soviética invadiu primeiro o Afeganistão em 1980, e que posteriormente os Estados Unidos saíram em defesa do país centro-asiático. Porém, ao contrário do que dizem até hoje os livros de História e a narrativa da própria mídia predominante, a invasão da CIA ao Afeganistão precedeu à soviética. Nas palavras de Zbigniew Brzezinski, conselheiro de Segurança Nacional do então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter (1977-81), a intenção da Casa Branca era "dar à União Soviética o seu Vietnã, e atolá-la no Afeganistão" (vídeo de Brzezinski incentivando afegãos a combater inimigos em nome de Alá, em 1979).

"De acordo com a versão oficial, o apoio da CIA aos mujahideen (combatentes) começou em 1980, ou seja, depois da invasão do Afeganistão pelo exército soviético em 24 de dezembro de 1979. Mas a realidade, mantida em segredo até hoje, é completamente diferente: foi em 1979 quando o presidente Carter assinou a primeira diretriz para o apoio secreto da oposição contra o regime pró-soviético, em Cabul. E no mesmo dia eu escrevi uma nota, na qual expliquei ao presidente que esse apoio levaria, na minha opinião, a uma intervenção militar dos soviéticos", afirmou Brzezinski em 1997 ao jornal francês Le Nouvel Observateur (entrevista reproduzida dias depois pela rede de notícias norte-americana CNN, para nunca mais se tocar no assunto).

A partir daquele momento, a USAID, conhecida ONG de fachada da CIA, passou a estabelecer as madrassas (escolas de guerra religiosa, ou a nova jihad, versão norte-americana) em solo afegão e paquistanês com livros didáticos made in Nebraska, ensinando a jihad violenta aos meninos, jovens e adultos locais.

Procurada para comentar também sobre as madrassas, Friba confirma as informações oficiais dos Estados Unidos, ao afirmar que "muitas dessas escolas e universidades operam abertamente e propagam o extremismo religioso ainda hoje, e recebem grandes fundos dos políticos. Tudo isso é aceito pelo establishment paquistanês". O ISI (Inter-Services Intelligence), inteligência paquistanesa, opera em estreita parceria com a CIA desde a década de 1970. "O complexo de inteligência militar do Paquistão controla o nascimento e a nutrição dessas escolas islamitas para promover seus planos odiosos, tanto no Paquistão como no Afeganistão. O Paquistão tem promovido seus interesses no Afeganistão por décadas, através de fundamentalistas treinados e educados em suas madrassas; os talibans são, puramente, subprodutos dessasmadrassas", acrescenta Friba.

O próprio sítio Council on Foreign Relations, famoso think tank dos "falcões (hawks) norte-americanos tais como o senador republicano John McCain (político norte-americano que mais recebe verbas do lobby armamentista), publicou em 2009:

"O relatório da Comissão do 11 de Setembro, divulgado em 2004, afirmou que algumas das escolas religiosas do Paquistão, ou madrassas, serviram como "incubadoras de extremismo violento. (...) Novas madrassas brotaram, financiadas e apoiadas pela Arábia Saudita e pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA, onde os estudantes foram encorajados a se juntar à resistência afegã. O Taliban foi formado no início da década de 1990 por uma facção afegã de mujahideen, combatentes islamitas que tinham resistido à ocupação soviética do Afeganistão (1979-1988) com o apoio secreto da Agência Central de Inteligência dos EUA e sua contraparte paquistanesa, a Inteligência Inter-Serviços (ISI). Eles foram acompanhados por tribos pashto mais jovens que estudaram em madrassas paquistanesas, ou seminários; Taliban, no idioma pashto, significa 'estudante'."

O documento intitulado USAID REPORT 1994 - Missão no Paquistão e Afeganistão, Projeto de Apoio à Educação, de 1994, afirma que, através de mais esta "ajuda humanitária" dos norte-americanos, criou-se os materiais didáticos que ensinam uma guerra religiosa que, hoje, Washington tanto condena. Como parte do "apoio à educação", na realidade à resistência afegã à invasão soviética inculcando o fundamentalismo religioso, a USAID gastou 50 milhões milhões de dólares em um projeto de "alfabetização jihad (guerra religiosa)" entre 1986 e 1992.

Em 2002, o jornal norte-americano The Washington Post informou: "Até mesmo os talibans usaram os livros produzidos nos Estados Unidos". Mais tarde, em julho de 2014, o mesmo Post lembrou: "Impresso em pashto e em dari, as duas principais línguas do Afeganistão, livros como O Alfabeto para a Alfabetização Jihad foram produzidos sob os auspícios da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), pela Universidade de Nebraska, e contrabandeados para o Afeganistão através de redes construídas pela CIA e a agência de inteligência militar do Paquistão, o ISI. (...) De acordo com pelo menos um estudioso norte-americano, esses antigos textos anti-soviéticos ainda estão em circulação. (...) A versão em pashto inclui ilustrações para crianças, tais como 'T' para 'topak', ou arma em pashto. Como você usa a palavra? 'Meu tio tem uma arma', diz a ilustração. 'Ele faz jihad com a arma''.

Outras lições ensinam que Cabul pode ser governada apenas por muçulmanos, e que todos os russos e invasores são descrentes. 'Nossa religião é o Islã. Muhammad é nosso líder. Todos os russos e infiéis são nossos inimigos', relatou a Al-Jazeera em dezembro de 2014 sobre os livros didáticos jihadistas patrocinados pelos EUA. "Cabul é a capital do nosso querido país", diz a ilustração da letra 'K'. 'Ninguém pode invadir nosso país. Só os afegãos muçulmanos podem governar este país'".

De acordo com Dana Burde, autora e professora de Educação Internacional na Universidade de Nova Iorque em entrevista a WYSO.org em dezembro de 2014, um livro didático nos EUA para ensinar a guerra religiosa a alunos de primeiro grau em pashto, inclui: "Letra 'M' (M maiúsculo e pequeno m): (Mujahid): 'Meu irmão é Mujahid [combatente]. afegão. Os muçulmanos são Mujahideen. Eu faço jihad com eles. Fazer jihad contra os infiéis é nosso dever'".

Ainda segundo Burde, o governo dos EUA pagou e aprovou materiais curriculares para crianças pequenas que enfatizavam a guerra religiosa. Os livros foram reimpressos e permaneceram em larga circulação até meados dos anos 2000, quando o governo afegão pós-invasão introduziu versões revisadas. Mas Dana Burde comprou o livro que contém a passagem acima em um mercado em Peshawar, Paquistão, em fevereiro de 2013.

Desta maneira, foi o Império mais terrorista da história quem financiou, armou e treinou os jihadistas (prática nova na região, onde judeus e islamitas viveram secularmente em paz, muito mais que em relação aos próprios cristãos), entre eles Osama bin Laden e Saddam Hussein a fim de defender os interesses econômicos e estratégicos dos Estados Unidos na região. Os combatentes afegãos, senhores da guerra chamados de mujahideen, foram recebidos na Casa Branca por ele, ele mesmo!, Ronald Reagan em 1985, quem então comparou os belicistas islamitas com os "pais fundadores dos Estados Unidos por seu comprometimento com a liberdade e com a paz" (imagem do sacrossanto encontro de Reagan com os senhores da guerra afegãos, em Reagan Archives; vídeo, aqui).

O capítulo V do Project for the New American Century, denominado Rebuilding America's Defenses: Strategy, Forces and Resources for a New Century Rebuilding America's Defenses e elaborado no final dos anos de 1990 pelos que comporiam a equipe de governo de George W. Bush (filho), previa que apenas um novo Pearl Harbor seria capaz de servir como justificativa para se concluir a empreitada norte-americana no Iraque, de derrubar Saddam Hussein, e reafirmar o domínio militar dos Estados Unidos na região. Para isso, o 11 de Setembro serviu perfeitamente. Como parte da criminosa "Guerra ao Terror", vieram Afeganistão de novo, Iraque novamente, além de Líbia e Síria na lista imperialista de "intervenções humanitárias".

Apenas de 1991 para cá, as "intervenções humanitárias" dos Estados Unidos ao Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria custaram dezenas de trilhões de dólares aos contribuintes norte-americanos e mais de cinco milhões de vítimas dos bombardeios, e também do embargo econômico imposto ao Iraque na década de 1990 que, apenas este, levou mais de 200 mil mulheres, crianças e idosos à morte, por fome e doenças facilmente tratáveis. 

O que ocorre e os meios de comunicação de imbecilização das massas não permitem que seja compreendido, é que não há "conflito" no Oriente Médio. Há, sim, rivalidades, títeres, líderes sanguinários e organizações terroristas artificialmente produzidas pelas grandes potências com o fim de se expandir bases militares, e dominar a região mais rica em petróleo do planeta. E de quebra, em nome de um inexistente choque de civilizações e de valores, eliminar a religião que representa maior ameaça ao sistema capitalista: o Islã (o Evangelho de Jesus, tal como é, deveria ser parte desta ameaça se as respectivas confrarias religiosas não estivessem dominadas pelos escusos interesses e pelas garantias dos privilégios do poder, além de fortemente influenciadas pelos porões do poder que avançam secretamente em direção ao domínio global).

Em 2007, o General Wesley Clark afirmou na rede norte-americana de notícias Democracy Now! que o plano de Washington, logo após a queda das Torres Gêmeas, era invadir sete países em cinco anos: Iraque, Síria, Somália, Líbia, Sudão, Irã e Iêmen. Nada mudou com Trump. E sempre esteve claro que não mudaria.

Friba tem uma explicação bastante clara e simples para o diálogo de surdos entre matança indiscriminada: "Quem se senta na Casa Branca, seja quem for, serve à guerra em favor do 1% das classes dominantes em todo o mundo, a fim de manter a supremacia dos Estados Unidos". Por isso, segundo a ativista afegã, as grandes potências ocidentais não têm o interesse de combater grupos terroristas do Oriente Médio, pelo contrário: "Criaram e deram as mãos a eles. Em nome da 'Guerra ao Terror', os Estados Unidos na verdade apoiam terroristas e usam o terrorismo como arma para derrotar seus rivais, tais como Rússia e China".

III Guerra Mundial Iminente

Bem ao estilo baby Bush "estão ao nosso lado ou contra nós", o mandatário norte-americano conclamou as "nações civilizadas" a se unir no ataque à Síria. Como nem poderia ser diferente, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu foi um dos primeiros a se pronunciar, entusiasmado, com a empreitada belicista de seu maior aliado: "O presidente Trump enviou hoje uma mensagem forte e clara de que o uso e a proliferação de armas químicas não será tolerada", disse Netanyahu deixando passar desapercebido que o Estado de Israel constantemente, portador de bombas nucleares, constante e indiscriminadamente, ataca civis palestinos com fósforo branco e outras armas químicas.

Em defesa do ataque de Trump têm saído também o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, o presidente da França, François Hollande, a primeira-ministra britânica Theresa May, e os chefes de governo de Austrália e Turquia, Malcolm Turnbull e Recep Tayyip Erdoğan, respectivamente.

O presidente russo Vladimir Putin considerou o ataque "uma agressão contra um país soberano", que atenta "contra as normas internacionais com uma desculpa fictícia", declarou seu portavoz Dmitri Peskov. 

"Por causa do ataque à base aérea da Síria, a interação da Rússia com os Estados Unidos pode ser interrompida.Acreditamos que este é um ato de agressão, não podemos olhá-la de outra forma. 59 bombas foram despejadas no aeroporto de Shayrat. Tudo o que Donald Trump disse sobre a Síria, perdeu o significado. O ato está feito, e eu não entendo mesmo qual a jogada ali.Mas vamos responder a isso", disse Viktor Ozerov, presidente da Comissão de Defesa e Segurança do Conselho da Federação Russa, a Pravda.Ru nesta sexta-feira (7).

"A Rússia terá de mostrar alguma reação a isso, de alguma forma. O nível da escalada é extremamente elevada.Tendo lançado o ataque de mísseis sobre a Síria à noite, Trump mostrou que é um político irresponsável, que não tem experiência política nem cultura política. Isso pode levar a um agravamento muito sério das relações entre nossos dois países, às conseqüências mais imprevisíveis". Opinião do especialista de Alexander Bedritsky, diretor do Tauride Information and Analytical Centre, a Pravda.Ru no mesmo dia.

O Irã também considerou que "estas medidas apenas fortalecem os terroristas na Síria e que, consequentemente, complica a situação no país na región" do Oriente Médio.

A Bolívia solicitou, junto da Rússia uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU imediatamente após o lançamento dos 59 mísseis norte-americanos contra a base de Shayrat. Na sessão extraordinária desta sexta-feira, o representante permanente da Bolívia no Conselho de Segurança das Nações Unidas, Sacha Llorenti, afirmou que o ataque à Siria por parte dos Estados Unidos representa uma violação "escandalosa" da carta da organização, e "uma ameaça à paz e á segurança" internacional.

Representando uma guinada no "quintal" dos Estados Unidos, o governo boliviano tem sido seguido pelo da Venezuela - sem dúvida, seria seguido também pelos presidentes Fernando Lugo, Manuel Zelaya, Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, o que é altamente improvável que ocorra com os fantoches de Tio Sam: Horacio Cartes, Juan Orlando Hernández Alvarado, Michel Temer e Mauricio Macri. Tais posturas explicam perfeitamente os golpes à democracia travestidos de Primaveras sociais e limpeza ética por sistemas judiciários mal disfarçados, em uma região de suma importância às relações internacionais e cujos governos progressistas das últimas décadas têm (ou tinham) prezado pela soberania.

Al-Assad não atende aos interesses hegemônicos dos Estados Unidos, além de grande aliado de Rússia e Irã, o que explica o antigo desejo de neutralizá-lo enquanto fazem vistas grossas a, por exemplo, Arábia Saudita, regime entre os maiores violadores dos direitos humanos em todo o mundo - aliada histórica dos interesses de Washington na região. China Rússia e em si já são consideradas entraves para os almejos imperialistas de Tio Sam, de maneira que guerras a distância, ou proxy wars como se tem dito pelo mundo em inglês, são na concepção dos estrategistas de guerra norte-americanos uma maneira de desgastar China e Rússia, evitando o confronto direto com as temidas nações: no caso da segunda, possui as bombas mais sofisticadas do planeta e território geograficamente mais favorável no caso de uma invasão. Pois exatamente a Rússia tem, nos últimos anos, modificado as relações internacionais fazendo com que os EUA recuem em muitos casos, como no da própria Síria nos últimos anos, quando o regime de Obama esteve na iminência de intervir militarmente, e derrubar Assad. O Irã, desafeto regional dos EUA e de Israel, também é aliado sírio. 

Trump não descarta o uso de armas nucleares, enquanto prossegue sua "Guerra contra o Terror". Em entrevista á rede de notícias norte-americana MSNBC, ele se questionou: "Alguém nos atinge, de dentro do Estado Islamita: você não iria revidar o ataque com uma arma nuclear?". Não sem razão, na virada do ano o Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos) dos EUA divulgou, em seu anual Doomsday Clock (Cronômetro do Dia do Juízo), o pior índice em 70 anos em relação aos riscos de ataques nucleares exatamente pela ocasião da eleição de Donald Trump , situação ainda mais dramática que os mais sombrios dias da Guerra Fria.

Provocar uma guerra generalizada é do interesse dos poucos tomadores de decisão global, também pela situação econômica mundial e porque veem seu poder diminuindo gradativamente: as relações internacionais são cada vez mais multipolares. As sociedades globais se fortalecem na era da revolução da informação, através de uma Internet cada vez mais vigiada. Para cercear fortemente as liberdades civis, qual a mais apropriada justificativa para os poderosos que o conflito permanente, e o medo constante?

Quando, há um ano e dois meses este autor estreava em Pravda Brasil afirmando que não apenas o mundo caminhava a passos assustadoramente largos rumo a uma III Guerra Mundial, mas que esta era a estratégia dos porões do poder imperialista globais identificados como a casta sionista e suas marionetes de Washington, um mar de leitores apontando histericamente o profundo exagero e muitos até indignados com a "blasfêmia" do autor, não poupado de xingamentos e acusações, foi testemunhado na publicação Israel Provoca Brasil com Vistas à III Guerra Mundial.

Logo que Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos prometendo cooperação internacional, especialmente com a Rússia, este autor repetia constantemente o engodo de Donald Trump em relação à cooperação internacional. Na realidade, estas observações se davam desde a circense campanha presidencial da melhor democracia que o dinheiro pode comprar (e cuja maior lobista é exatamente a AIPAC). Na reportagem intitulada Relações EUA-Rússia: Escalada das Tensões sob Risco de Ataques Nucleares, lê-se: 

Embora seja muito elogiado pelas promessas de campanha de se aproximar da Rússia e reverter este sombrio cenário global, o presidente norte-americano recentemente eleito, Donald Trump, traz em seu histórico, no contexto de seus discursos, na equipe de governo que tem montado e na própria realidade politicamente histórica de seu país, sérias dúvidas se realmente seguirá por esse caminho.

A Guerra Civil síria é muito mais perigosa que qualquer momento da Guerra Fria, incluindo a famosa Crise de Mísseis de Cuba de 1962. Hoje, o potencial de conflito nas relações russo-americanas é maior do que na segunda metade do século passado.

A mencionada reportagem foi finalizada desta maneira: "Nada indica que Trump, por inaptidão ou falta de vontade política, mudará este cenário de III Guerra Mundial sob sério risco de ataques nucleares".

A agenda imperialista é uma só: dividir para conquistar, jogar cidadão contra cidadão, nação contra nação, aterrorizar, cercear liberdades civis, aplicar golpes e políticas de linha-dura, exterminar indivíduos e dizimar povos que estejam em seu caminho (como os palestinos, os iraquianos, os sírios, os índios mapuche no Chile, únicos povos originários a resistir à metrópole em toda a história, sem serem jamais vencidos) e, desta maneira, ampliar seu domínio global.

Diante disso tudo, está claro que o maior erro do Kremlin ultimamente, em sua exitosa empreitada contra os terroristas na Síria em conjunto com o governo local, foi ter depositado confiança na administração de Trump desde a campanha presidencial. O presidente russo Vladimir Putin deveria ter se lembrado que a sobrevivência do sistema norte-americano depende da indústria armamentista, que o terrorismo internacional é peça-chave no tabuleiro imperialista a fim de fazer avançar sua agenda enquanto justificativa para suas política coercitivo-expansionista, e das sábias palavras de Che Guevara: "Não se pode confiar no Império, nem um tantinho assim".

Talvez seja tarde demais para se tentar salvar a humanidade de mais uma catástrofe made in USA: o cenário de III Guerra Mundial já está há muito montado e um confronto direto entre as grandes potências parece, agora, irreversível; é tudo o que o agonizante establishment norte-americano-sionista precisa para tentar paralisar o avanço de um mundo multipolar, e salvar a combalida economia capitalista do norte econômico
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