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Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Rádio Ratones - Mariza (a maravilhosa cantante portuguesa)

Rádio Ratones - Mais Diana Navarro

VEGGIES TAMBÉM TEM COLESTEROL



Muitas pessoas comem vegetais verdes para diminuir seus níveis de colesterol, mas ao contrário da crença comum, a maioria das plantas não são livres de colesterol. Conforme relatado recentemente em Nature Plants, pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciências agora decifraram as reações bioquímicas responsáveis pela produção de colesterol das plantas. Estes achados podem tornar possível a engenharia de espécies de plantas de modo a obter compostos bioquímicos que são derivados do colesterol. A gordura do sangue tem um mau papel na doença cardíaca, mas os seres humanos não podem viver sem colesterol, e é o princípio químico para milhares de compostos - incluindo drogas e substâncias importantes para a saúde humana. O colesterol é essencial para o funcionamento adequado das células cerebrais e uma série de outras funções celulares vitais no corpo humano. Em plantas, "Os níveis de colesterol nas plantas estão em uma escala diferente daquelas em, digamos, camarão - na verdade, são centenas ou mesmo milhares de vezes menores do que nos animais - mas não são insignificantes", diz o Prof. Asaph Aharoni, do Instituto Weizmann, que trabalha no Departamento de Ciência Vegetal e Ambiental da Ciência. Manteiga, por exemplo, contém dois a cinco gramas de colesterol por quilograma, e gema de ovo - cerca de 15 gramas por quilograma. No óleo de soja, os níveis de colesterol são 29 miligramas por quilograma - relativamente alto para um produto vegetal, mas ainda milhares de vezes menor do que na manteiga; No óleo de coco, eles somam apenas 14 miligramas por quilograma.

Rádio Ratones - Música espanhola (maravilhosa)

TRF4 nega pedido de reintegração de área ocupada no Morro do Osso em Porto Alegre



08/05/2017 14:32:39




O TRF4 negou, no final de abril, o pedido de reintegração de posse de um corretor de imóveis sobre um terreno ocupado por índios da etnia Kaingang, localizado no bairro Tristeza de Porto Alegre (RS). A 3ª Turma manteve a decisão de primeiro grau por unanimidade.


O corretor alegou que adquiriu a propriedade, que está localizada próximo da entrada do parque natural Morro do Osso, em 1992. Ele defendeu que na condição de proprietário possuiria os direitos inerentes à propriedade, destacando que pagou o preço do imóvel e que pagava IPTU.


Para a desembargadora federal Marga Inge Barth Tessler, relatora do processo, não foram preenchidos os requisitos para a reintegração de posse. “Analisando as provas não há como reconhecer que o autor estivesse na posse do imóvel que alega ter sido expropriado por ocasião da ocupação. Na ação de reintegração de posse não se discute domínio, mas sim a posse”.


Área em disputa


O Parque Natural do Morro do Osso é uma área de antiga disputa judicial. Em abril de 2004, cerca de setenta famílias Kaingangues ocuparam o lugar, e desde então buscam a posse da terra alegando que seu sustento do artesanato é feito da vegetação nativa do parque, e, além disso, que existe na região cemitério de seus ancestrais. Por outro lado, o município de Porto Alegre alega que o parque é uma área de preservação remanescente de Mata Atlântica e por isso ingressou com ação de reintegração de posse. O litígio aguarda decisão no Supremo Tribunal Federal (STF).

quarta-feira, 3 de maio de 2017

CFM conclama médicos a participarem da política brasileira

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital, participou, nesta quinta-feira (28), de um simpósio sobre "Ação nacional em defesa da Medicina e da saúde no Brasil", durante o IV Congresso Brasiliense de Medicina do Trabalho, em Brasília (DF). Também participaram dessa sessão o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS); o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso; e o vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, Carlos Fernando da Silva.

O tema predominante foi a importância da atividade política como meio para a categoria ser ouvida e conseguir proteger a Medicina e a sociedade. Mandetta falou sobre como formatar o corpo de presença política dentro do Congresso Nacional com esta finalidade e apresentou ao público os trabalhos da Frente Parlamentar da Medicina, formada por deputados e senadores e aprovada em agosto de 2016. Para o parlamentar, a Frente será um instrumento "para a categoria se organizar de forma objetiva e consistente".

O presidente do CFM, Carlos Vital, fez uma retrospectiva das conquistas políticas na área da saúde desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, que recepcionou o anseio da população por saúde ao declarar que "a saúde é direito de todos e dever do Estado".

O presidente da autarquia também comentou sobre a importância da atuação política da classe médica, ressaltando que as autarquias não podem ter posição político-partidária, mas que têm o dever de estimular os médicos a participarem do cenário político-social do País. Ele ressaltou, no entanto, que "a defesa dos interesses da classe médica jamais poderá colidir com os interesses do cidadão, do paciente. Não há que se falar em benefício da classe médica em detrimento da sociedade. É um binômio indissociável e é nesse sentido que a Frente vai reivindicar os legítimos direitos dos médicos brasileiros".

Homenagem – Na abertura oficial do congresso, Carlos Vital, que é Médico do Trabalho, recebeu uma homenagem por sua atuação de elevado padrão ético e pela defesa da Medicina e da saúde dos trabalhadores.

Para a conselheira Rosylane Rocha, que também é Médica do Trabalho e integra a comissão organizadora do evento, esse congresso é muito importante para a especialidade pois trouxe ao debate os principais temas da prática clínica diária. Ainda ressalta que "o Médico do Trabalho é, na maioria das vezes, o único acesso à assistência para os quase 60 milhões de trabalhadores; o que faz desse profissional um importante ator nas políticas de prevenção e promoção à saúde".

O IV Congresso Brasiliense de Medicina do Trabalho acontece de 27 a 29 de abril de 2017 na Associação Médica de Brasília (AMBr). Saiba mais em: http://www.abramt.org.br/

Veja a programação em: https://goo.gl/3xBSqQ

A política mineral do governo Temer

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Não está em discussão o melhor ou pior momento para o desenvolvimento do país, não são estes os termos / Midia NINJA
Mudança na CFEM e entrega da RENCA são ataques previstos pelo governo 
No dia 17 de abril de 2017 completou-se um ano que a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, processo que consolidou o golpe parlamentar, jurídico e midiático no Brasil. Desde as primeiras movimentações do novo governo, sinalizava-se que o golpe de Temer aceleraria o saque mineral, com projeção de maior abertura do território nacional para a exploração desenfreada dos nossos bens minerais. Mas, apenas no início deste ano é que começam a se desenhar de forma mais explícita os eixos sobre os quais o governo decidiu investir os esforços neste momento: novo código da mineração, mineração em faixa de fronteira e aberturas de reservas do Estado.
Código da mineração
As mais recentes declarações do Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Bezerra Filho, indicam que a proposta de um novo código da mineração não será considerada na sua integralidade, mas será fatiada por temas específicos. Existe ainda a forte possibilidade de que não serão projetos de lei com tramitação regular no Congresso Nacional, mas sim Medidas Provisórias. Dois assuntos têm sido fundamentais na discussão do governo: o primeiro trata da transformação do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) em Agência Nacional de Mineração, com a justificativa de que traria maior regulação, tecnicidade e transparência ao órgão público. Não estão sendo considerados neste debate questões fundamentais que afetam negativamente o cumprimento das funções do órgão, como a defasagem de funcionários para cumprir as funções de fiscalização e controle dos pedidos, e o sucateamento da estrutura das regionais em todo o Brasil. O DNPM tem funcionado como um grande cartório, em que os requerimentos de pesquisa ou lavra são protocolados. O departamento, no entanto, não tem qualquer controle sobre as áreas concedidas. A estrutura disponibilizada para o insuficiente número de funcionários parece ser propositalmente pensada para estes fins: garantir a falta de fiscalização e controle, com um ambiente mais livre para a atividade mineral.
O segundo assunto em discussão é a nova alíquota da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, a CFEM. Este é o principal tópico de interesse de todos os prefeitos das cidades mineradas, que buscam aumentar a arrecadação dos municípios. A atual CFEM é distribuída da seguinte maneira: 65% para os municípios que possuem as cavas (minas), 23% para os estados e 12% para a União. Desde que o código começou a tramitar na Câmara dos Deputados, prefeituras de municípios que não possuem minas, mas são impactados pela infraestrutura (plantas de beneficiamento, barragens de rejeitos) ou pelos modais de escoamento da produção (rodovias, minerodutos e ferrovias), passaram a pressionar para que fosse incluída uma participação da CFEM para estas cidades também. Outra questão nevrálgica da discussão é a proposta que a CFEM passe a ser incidida no faturamento bruto e não líquido, como é hoje. Nesse caso, o valor variaria de acordo com o tipo de minério. E a discussão sobre a CFEM parece encerrar o principal do código, como se tudo se tratasse de uma arrecadação fiscal que precisa ser corrigida e melhorada em prol dos municípios. Não há uma linha de reflexão, da parte do governo, sobre os royalties da mineração no Brasil (mesmo que se incluam essas mudanças) serem um dos mais baixos do mundo. Ou, ainda, sobre que tipo de controle a população tem sobre o uso efetivo deste recurso. Por que há em Minas Gerais índices tão baixos do índice de desenvolvimento humano, com alta desigualdade social na população em quase todas as cidades com maior arrecadação de CFEM? E por que a população das cidades que recebem a CFEM sofre com problemas estruturais nos serviços de saúde e educação? Por que os maiores bolsões de pobreza do sudeste do Pará se encontram na região de Parauapebas, cidade onde se localiza o maior complexo de minas de ferro do mundo, o Projeto Grande Carajás? São reflexões importantes para sairmos do automatismo de imaginar que a arrecadação da CFEM resolve, em si, todos os problemas causados pelo atual modelo mineral.
Mineração em faixa de fronteira
Durante a ditadura militar, em 1979, estabeleceu-se uma lei que impunha uma série de proibições de atividades nas zonas de fronteiras, que são faixas de 150 km de largura. A justificativa era que essas áreas eram de segurança nacional, e deveriam ser reguladas mais rigidamente pelo Estado Brasileiro. São proibidas pesquisas e exploração dos bens minerais nestas áreas, entre outras atividades, salvo exceções que precisam passar previamente pelo Conselho de Segurança Nacional. Sobre as atividades de mineração recaem hoje restrições adicionais: empresas mineradoras que eventualmente consigam autorização para atuar nesses territórios precisariam ter, no mínimo, 51% do capital nacional e pelo menos dois terços de mão de obra composta por trabalhadores brasileiros. A proposta do governo Temer é abrir as faixas de fronteira para qualquer projeto de mineração, de forma irrestrita.
As faixas de fronteira atravessam 11 estados brasileiros, mas a concentração principal para a exploração mineral está na Amazônia. Algumas das áreas de maior interesse minerário são explicitamente citadas, como é o caso da região chamada de Cabeça de Cachorro, no estado do Amazonas, divisa com Colômbia e Venezuela. A região é marcada pela existência de diversos povos indígenas, de distintas famílias linguísticas, com centenas de aldeias e comunidades tradicionais. Mas esta não é a única região com declarado interesse mineral; todos os estados da região Amazônica possuem terras indígenas em conflito latente com possíveis projetos de mineração. Para além do debate necessário sobre a segurança nacional, a possível permissão irrestrita da mineração em zonas de fronteiras impactará, sobretudo, os povos indígenas e populações tradicionais da Amazônia.
CPRM e RENCA
O atual presidente do CPRM (Serviço Geológico do Brasil, na antiga sigla), Eduardo Ledsham, foi funcionário de carreira da empresa Vale S.A. por 29 anos, e há nove meses assumiu a presidência de um dos órgãos fundamentais da estrutura da política mineral do Estado brasileiro, responsável pelo mapeamento de pesquisas geológicas do subsolo brasileiro. O CPRM é vinculado ao Ministério de Minas e Energia e possui as mais vastas e detalhadas informações sobre a riqueza mineral do Brasil. Um conhecimento estratégico que deveria estar a serviço do Estado brasileiro, mas que tem sido usado como atrativo para investimentos. Em entrevista no dia 16 de fevereiro de 2017, Ledsham se preocupa em dialogar com as mineradoras, afirmando “que já encarregou de iniciar pesquisas para municiar as empresas interessadas em investir nas áreas”. O órgão estatal, historicamente dirigido pelo setor mineral, está se esmerando no governo Temer em ser ainda mais eficiente no serviço às empresas mineradoras.
Um primeiro anúncio foi de que algumas reservas minerais do Estado, que são hoje fechadas para a exploração, seriam então disponibilizadas para a iniciativa privada. A primeira a ser anunciada foi a Reserva Nacional do Cobre e Associados (RENCA), criada em 1984, que possui uma enorme diversidade de minerais já mapeados: cobre, nióbio, ferro, platina, fosfato, tântalo, bauxita, paládio e grandes jazidas de ouro. Uma portaria de 30 de março de 2017, publicada em seguida no Diário Oficial da União, foi o primeiro passo administrativo para garantir que a área – cujo tamanho se aproxima de todo o território da Bélgica - seja então colocada à disponibilização do mercado do setor mineral. A reserva se localiza entre os estados do Pará e Amapá, possui cerca de 46.000 quilômetros quadrados, em uma região que possui baixa densidade populacional, grandes áreas de floresta amazônica e aldeias indígenas no entorno. A alegação para a extinção da RENCA foi a tradicional justificativa de que “é necessário atrair investimentos para a região”. É uma área muito visada porque tem potencial de exploração de diferentes tipos de minerais, e em altas quantidades.
A mineração funciona historicamente em ciclos de altas e baixas, de valorização e desvalorização dos minerais, sempre existe uma melhor ou pior época para colocar as reservas à disposição, nos termos do próprio setor. Pensando através desta ótica, este é o pior momento para se colocar as gigantescas reservas da RENCA à disposição. O pretexto de “incentivar a indústria mineral” é colocado como se ela estivesse em crise; mas o ponto fundamental é que a indústria mineral que atua no Brasil só quer continuar lucrando nos patamares que tem lucrado.
Não está em discussão o melhor ou pior momento para o desenvolvimento do país, não são estes os termos. O processo de reabertura da RENCA é uma confirmação do ritmo mais agressivo de exploração que pode vir neste novo governo, aprofundando a subordinação da soberania mineral brasileira às grandes empresas mineradoras.
Mas a RENCA não é a única área sob o controle de pesquisa do CPRM. Além dela, outros territórios hoje fechados para o processo de concessão minerário já são nomeados para serem abertos e licitados a partir deste ano. Já estão na lista áreas em Pernambuco (fosfato), Tocantins (cobre, zinco, chumbo, cádmio e prata), Rio Grande do Sul (carvão) e Goiás (cobre). Estas áreas foram anunciadas no final de 2016 dentro do pacote do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal. Com o início da abertura da RENCA, a mais cobiçada, a tendência é que haja mais áreas abertas ao longo de 2017. Mais reservas estratégicas do Estado Brasileiro sendo colocadas para licitação do setor privado.
O governo Temer não se diferencia da lógica de outros governos em relação à política mineral de gestões anteriores, nas quais também prevaleceu uma lógica produtivista da exploração mineral, com aparelhamento dos órgãos responsáveis por representantes das empresas, com insuficiente fiscalização e controle das atividades, e pouca governança do Estado. Mas o governo golpista demonstra um viés ainda mais acelerado e subordinado ao capital mineral. E com ainda menor abertura ao diálogo com o setor organizado da sociedade brasileira, seja movimentos ou sindicatos.
Se o código for levado adiante de maneira fatiada, focado em questões fiscais e sem pensar o todo, o Brasil vai perder uma oportunidade de pensar as novas regulações necessárias da política mineral. O desastre causado pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), já ensinou o quão necessário é repensar o modelo mineral brasileiro. E mais além: se as medidas de abertura para a exploração mineral nas faixas de fronteira e nas reservas estratégicas do Estado se concretizam, viveremos no próximo período uma aceleração sem freios deste mesmo modelo destrutivo, passando por cima do meio ambiente, das populações e da nossa soberania.
*Maria Júlia Gomes Andrade é antropóloga e compõe a coordenação do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).
Fonte: Brasil de Fato

VETO DOS EUA A VISTO PARA JUCÁ HUMILHA O GOVERNO TEMER

O suicídio anunciado da elite branca



Poeta, psicanalista

2 de Maio de 2017




O golpe patronal em curso está isolando definitivamente a elite branca brasileira do País e da Nação e em breve a apartará também do Estado.

A Greve Geral (28/04/17) aprofundou este isolamento e demarcou um ponto de não-retorno, ou seja, por mais malabarismos econômico-políticos, jurídicos, policiais e midiáticos que venha ainda a fazer, a elite branca brasileira mergulhou desde então em um rápido processo de suicídio político...

Estúpida e cegamente, ela ainda supõe que levará adiante o golpe patronal – materializado nas ditas 'reforma trabalhista' e 'reforma da previdência' – e que tal golpe terá necessariamente continuidade ou com a vitória de um de seus representantes nas eleições presidenciais de Outubro/2018 ou com o 'golpe 2.0' (golpe interno ao golpe, sem eleições presidenciais diretas e com a entronização de um marionete qualquer em substituição a Michê).

Ora, a elite branca brasileira não consegue ler – e, pois, não consegue ver – que essas 'reformas' (somadas a vários outros 'ajustes') são as pás mortuárias pelas quais ela aprofunda o fosso com o País e a Nação e no qual está por assim dizer auto-lançando-se, destruindo a si mesma enquanto classe social econômica e politicamente dominante.

Por que ela não consegue ler e/ou ver que está suicidando-se?

Porque sua leitura do País e da Nação brasileiros atrasou-se, encarquilhou-se, engessou-se, perdeu o bonde da história...

Noutros termos, a elite branca brasileira rigorosamente não conseguiu modernizar-se e adentrar no Século XXI já tendo feito o acerto de contas – atenção: acerto discursivo-político e discursivo-cultural – com seu passado pesada e longamente colonial, patriarcal, patrimonialista e escravista.

Assim, no Brasil o Capital – a lógica de reprodução e expansão econômicas do Capital – ainda não pode desvencilhar-se do dispositivo político, cultural e ideológico encapsulado na fórmula 'Casa-Grande e Senzala', tudo se passando portanto como se o País, a Nação e o Estado fossem obrigados sempiternamente a prestar vassalagem às botas dos 'fazendeiros', 'senhores', 'coronéis', etc.

De fato (felizmente, cada vez menos de direito), a elite branca brasileira trata o País, a Nação e o Estado nacionais como se tais constructos históricos lhes pertencessem 'por natureza e destinação divinas', devendo restarem passiva e obedientemente situados nas pontas de seus chicotes e de suas butucas...

Neste contexto, é perene o mal-estar tropeçante dos 'braselites' (permitam-me cognominar a tralha desse modo) quando um de seus membros e/ou representantes vem a público para expressar-se sobre 'democracia', 'cidadania', 'direitos civis', 'diversidade', 'modernidade', etc, enredando-se em evasivas e meias-palavras que testemunham o quão esses vocábulos civilizatórios definitivamente não fazem parte de seu repertório linguístico-discursivo, e, pois, são alheios ao modus vivendi enfurnado nos bolores protofascistas da Casa-Grande.

Pois bem, como então ajustar os relógios de cordas e de correntes de ouro ciosamente guardados nos bolsos dos fraques de Michê e Boçalnato com o 'tempus' ultradigital do Capital?

Não dá. O atual estado de coisas no País e Nação brasileiros mostra que esse ajuste (valho-me de uma expressão muito cara a Lacan) 'forcluíu-se', não se inscreveu, passou da hora...

Para dizê-lo de uma vez: por veredas tortuosas e fendas inesperadas (admitamos ou não, a história de trinta anos e a governança por mais de uma década do PT ajudaram nisso) o País e a Nação brasileiros perceberam que podem desconstruir e ultrapassar o Estado Casa-Grande e Senzala, desmontar inteligentemente suas peças e endereçá-las não à 'lata de lixo da História' (somos civilizados!) mas sim aos nossos respeitáveis museus (as gerações mais jovens devem aprender o porquê de termos alocado essas peças nesses pedagógicos lugares).

Ora, o gritante atraso sócio-histórico, político e cultural da elite branca brasileira expressa-se sobretudo na maneira predatória pela qual ela lida com os dispositivos econômicos estruturados, agenciados e gerenciados pelo Capital, seja empobrecendo ao fim e ao cabo a força de trabalho assalariada (impedindo-se assim a construção e a sustentabilidade de uma 'classe média histórica') seja operando a curtíssimo prazo a extração maximizada da 'mais-valia' (através de juros bancários estabelecidos para além de qualquer razoabilidade e de um ataque frontal, bárbaro e destrutivo aos recursos naturais e/ou energéticos à disposição).

Assim, a mentalidade casagrandense lê o País e a Nação brasileiros como se ambos não tivessem seus próprios estatutos – historicamente consolidados e juridicamente operativos –, tratando-os ao modo brutal de uma 'colônia de exploração', subtraindo-lhes direitos, negando-lhes espaços, calando-lhes as vozes, rasgando-lhes os discursos...

Em realidade, ao erigir e ainda ocupar o Estado Casa-Grande e Senzala, a elite branca brasileira parasita – no limite, paralisa – o País e a Nação, suga-lhes as energias, debilita-lhes as forças e empuxa-os de joelhos dobrados à geopolítica do 'Império G 4'.

É preciso pois atualizar urgentemente o Estado Brasileiro com o País, com a Nação e com – gostemos ou não, posto ser um dado de realidade – o 'tempus' digitalizado/globalizado do Capital (atenção: atualização com o 'tempus' do dispositivo tecno-capitalista para, no horizonte, conquistar sua superação econômica, política e cultural).

Entretanto, tal atualização exige necessariamente a retomada do Estado Democrático de Direito soerguido a partir da Constituição Federal/1988, o qual foi golpeado de maneira perversa pelos 'braselites' (permitam-me outra vez a utilização do neologismo para caricaturar a excrecência parasitária), mas que, todavia, sobrevive valentemente nas ruas esclarecidas, democráticas e cosmopolitas do País e da Nação brasileiros.

Certo, a Greve Geral (28/04/17) instala pois um ponto de não-retorno: os casagrandenses não o sabem, mas o golpe patronal ('reforma trabalhista', 'reforma da previdência', 'reforma da educação', etc) mete-lhes doravante a corda no pescoço e manipulação alguma do PIG (Partido da Imprensa Golpista, Globo à frente) fará o País e a Nação retrocederem no ato de empurrar o pequeno banco sob as botas deles.

Fonte: Brasil 247

segunda-feira, 1 de maio de 2017

E no Judiciário, não vai nada?

'Na Bahia, todo mundo sabia que ninguém ganhava nenhuma causa contra a Odebrecht nos tribunais'. 

A ex-corregedora nacional de Justiça jurista Eliana Calmon sempre foi crítica da corrupção e dos desvios no Poder Judiciário e comprou muita briga quando afirmou que havia "bandidos de toga" e não apenas membros dos outros poderes da República.

Em entrevista ao El País, Eliana Calmon elogia a Lava Jato mas critica o fato de que apenas corrupção no Executivo e no Legislativo tenha vindo à tona.

O que eu acho é o seguinte: a Odebrecht passou mais de 30 anos ganhando praticamente todas as licitações que disputou. Enfrentou diversas empresas concorrentes, muitas com uma expertise semelhante, e derrotou todas. Será que no Judiciário ninguém viu nada? Nenhuma licitação equivocada, um contrato mal feito, que ludibriasse e lesasse a nação? Ninguém viu nada? Por isso eu digo que algo está faltando chegar até este poder. Refiro-me ao Judiciário como um todo, nas três instâncias. Na minha terra, na Bahia, todo mundo sabia que ninguém ganhava nenhuma causa contra a Odebrecht nos tribunais. O que eu questiono é que em todas estas décadas em que a empreiteira atuou como organização criminosa nenhum juiz ou desembargador parece ter visto nada... E até agora nenhum delator mencionou magistrados. 
Pois é... Será que só no Judiciário não há corruptos, só deuses?

Fonte: Blog do Mello