Mineiro, nasceu com muitos problemas físicos e uma tremenda dificuldade de falar.
Aos dois anos, disse-me, foi abandonado pelo pai.
Seu sonho sempre foi ter uma cadeira e trabalhar.
Conseguiu (não lhe perguntei como) e está a um ano em Florianópolis.
Vende "amendoim japonês" na região situada entre o Mercado Público e o TICEN.
O grito que anuncia o produto ("amendoim"!) é dado com uma dificuldade visível, ante a careta que o esforço induz.
Parei para conversar com ele, num dia chuvoso, que não o impediu de sair de casa para ganhar o sustento.
Diante das circunstâncias, indaguei: você considera que a vida é madrasta?
Aí tive uma agradável surpresa, com a resposta que me deu:
"O corpo é só um instrumento. A cabeça é quem manda e minha cabeça é boa".
E arrematou: A VIDA É DURA PARA QUEM É MOLE!"
Aquela frase, vinda de onde veio, me tocou profundamente e juro que tive vontade de chorar, só não o fazendo para não passar por um dos "moles" que aquele aleijado do corpo, mas de uma higidez mental invejável, parece rejeitar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário