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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Berlim – O obscurantismo das religiões


Neste blog, eu postei uma matéria sobre o livro, com  o seguinte comentário, já em 27 de agosto de 2010:

O livro, escrito pelo célebre revolucionário francês, de forma muito corajosa para a sua época, busca mostrar o ambiente em conventos de freiras, os conflitos internos da Igreja, o lado bom e o lado ruim da instituição, as verdadeiras vocações e o ingresso forçado nos conventos (por decisões familiares), a dificuldade para largar o hábito, a sexualidade mal resolvida dentro das instituições, as relações entre o "altar" e o "trono", etc...



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Por Rui Martins, de Berlim



Filme francês, baseado numa novela de Diderot, mostra o obscurantismo das religiões

O cineasta francês Guillaume Nicloux é objetivo – com seu filme A Religiosa.  Seu objetivo, ao adaptar a novela de Diderot, foi o de fazer uma obra lírica em louvor da liberdade, dando-lhe uma visão atemporal e universal e não apenas celebrando a resistência da noviça Suzanne Simonin.

Isso porque, embora o catolicismo continue demonstrando sua intolerância e obscurantismo, ele não está só nos dias de hoje, e deve-se falar, por isso, em religiões intolerantes. Seu filme, embora o cineasta não mencione explicitamente, é também um sinal de apoio a todas as mulheres vítimas das religiões.

Desde a adolescência, contou o realizador aos jornalistas, teve vontade de fazer um filme sobre esse romance de Diderot, pela força anticlerical transmitida por esse livro. Respondendo a uma pergunta sobre se haveria atualidade em se mostrar num filme a vida nos conventos no fim do século XVIII, Guillaume Nicloux, recorreu à resposta de sua filha de 15 anos, à qual submeteu o livro de Diderot e perguntou se seria válido nos dias de hoje.

"Eu acho que as coisas não evoluiram, disse ela. As mulheres ainda não gozam de liberdade numa grande parte do mundo".   Nicloux citou também o caso noticiado pela imprensa de uma mulher ter sido amputada das orelhas e do nariz, por não querer dormir com o marido.

Diderot, disse o cineasta, se opunha ao fanatismo religioso. E Nicloux aproveitou para fazer publicamente sua profisão de não ter fé. «Sou ateu, não acredito na existência de um Deus. No máximo, eu poderia aceitar uma visão panteista pela qual Deus seria a própria natureza, mas me revolto quando vejo as pessoas crendo em coisas que não se vêem e querendo forçar os outros a lhes seguirem».

Depois de uma jornalista iraniana exilada na Europa ter falado das exigências e intolerâncias dos muçulmanos xiitas com relação às mulheres no Irã, Guillaume Nicloux citou que no seu próprio país, a França, existem os que condenam o preservativo, a pílula anticoncepcional, com os homens fazendo a lei religiosa, ao mesmo tempo que, hipocritamente, falam em paridade entre homem e mulher. «Basta se ouvir os líderes religiosos franceses para saber que mantêm visões retrógradas e reacionárias como em outros países com outras religiões».

O filme A Religiosa conta as torturas e sofrimentos infringidos no convento à noviça e depois irmã de voto confirmado, Suzanne Simonin, obrigada a seguir a vida religiosa pela família. A novela de Diderot inspirou diversos filmes, entre eles o de Jacques Rivette, em 1966, que acabou tendo proibida a exibição nos cinemas por intervenção da Igreja católica. O filme de Guillaume Nicloux tem proibição certa nos países muçulmanos. Dele também participa a atriz Isabelle Huppert


Rui Martins, de Berlim, convidado pelo Festival.
Fonte: JORNAL CORREIO DO BRASIL

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