No centro da nossa Ilha
De magia decantada
Há uma terra sem praias
Mas de verde ornamentada
Do morro desce o rio
Que o vale corta e banha
Um manguezal que enfeita
Com brilho que nada arranha
Um vale de gente boa
Com a fala "agalegada"
Esta é a nossa Ratones
De açoritas povoada.
Ratones é nome vindo,
Dizem os bons em história,
Da semelhança das ilhas
Mas, penso, é uma tese inglória
Creio que o nome veio
Da abundância de "ratos"
Que as margens do rio povoam
E habitam também os matos
Preás, cutias e pacas,
Abundavam em toda parte,
De sorte que os espanhóis,
Pensaram o nome com arte.
O catanhão, lá do mangue,
Já fez parte da cozinha,
Assim como o camarão,
Que do rio pródigo vinha
Mas chegaram autoridades
Com ambiente preocupadas
E proibiram a pesca
Das espécies mencionadas.
Farinha, dá bom pirão,
De água, café ou feijão,
Laranja dá remangola,
Que o simples comia com a mão.
Foram-se assim os costumes
Da gente aqui acantonada
O que resta é só lembrança
De uma cultura atropelada.
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