segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Ratones de tempos idos (ensaio poético)

No centro da nossa Ilha
De magia decantada
Há uma terra sem praias
Mas de verde ornamentada

Do morro desce o rio
Que o vale corta e banha
Um manguezal que enfeita
Com brilho que nada arranha

Um vale de gente boa
Com a fala "agalegada"
Esta é a nossa Ratones
De açoritas povoada.

Ratones é nome vindo,
Dizem os bons em história,
Da semelhança das ilhas
Mas, penso, é uma tese inglória

Creio que o nome veio
Da abundância de "ratos"
Que as margens do rio povoam
E habitam também os matos

Preás, cutias e pacas,
Abundavam em toda parte,
De sorte que os espanhóis,
Pensaram o nome com arte.

O catanhão, lá do mangue,
Já fez parte da cozinha,
Assim como o camarão,
Que do rio pródigo vinha

Mas chegaram autoridades
Com ambiente preocupadas
E proibiram a pesca
Das espécies mencionadas.

Farinha, dá bom pirão,
De água, café ou feijão,
Laranja dá remangola,
Que o simples comia com a mão.

Foram-se assim os costumes
Da gente aqui acantonada
O que resta  é só lembrança
De uma cultura atropelada.









Nenhum comentário:

Postar um comentário