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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

TRUMP, O GORBACHEV DO OCIDENTE?

 

Trump, o Gorbachev do Ocidente?
questões geopolíticas

A nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, o fim da Otan e o futuro da América do Sul

Philip Yang, especial para a piauí|16 dez 2025_18h33

Há algo de profundamente simbólico – e de uma ironia fina – no fato de o Kremlin ter saudado a nova Estratégia de Segurança Nacional (National Security Strategy, ou NSS) de Donald Trump como “largamente consistente” com a visão russa da ordem mundial. Não é trivial que Dmitri Peskov, o porta-voz de Vladimir Putin, aplauda uma doutrina elaborada em Washington. Mas, quando o texto americano promete “restabelecer a estabilidade estratégica com a Rússia” e rebaixa a guerra na Ucrânia de cruzada moral a um problema de gestão regional, não estamos diante de mera nuance diplomática. Estamos, em essência, vendo a assinatura do atestado de óbito da Otan como a conhecemos desde 1949.


De jure, nada muda: o Tratado do Atlântico Norte continua em vigor, o Artigo 5º (segundo o qual um ataque a um país aliado é um ataque a todos) não foi revogado, a sede em Bruxelas permanece e os generais seguem cumprindo seus ritos e protocolos. Mas, de facto, a nova estratégia esvazia o propósito central da aliança: a garantia existencial de segurança europeia sob a liderança americana.

O texto da NSS é cristalino, talvez até brutal, em dois pontos. Primeiro, sobre a Ucrânia: “É um interesse central dos Estados Unidos negociar uma rápida cessação das hostilidades, de modo a estabilizar as economias europeias, prevenir escaladas e permitir que a Ucrânia sobreviva como um Estado viável.” Note-se, primeiramente, o que não foi dito: não se fala em vitória, em reconquista integral do território ucraniano invadido pela Rússia ou em adesão à Otan. A guerra torna-se um passivo a ser liquidado, de preferência com o ônus transferido aos europeus.

Segundo, sobre a própria aliança. A estratégia abandona a ideia de expansão perpétua da Otan e introduz o chamado Hague Commitment: um novo “padrão” que exige de cada aliado uma despesa de 5% do PIB em defesa. Para a maioria das economias europeias – que mal conseguem chegar a 2% em seus gastos militares –, trata-se, na prática, de uma espécie de pílula de veneno: uma meta inatingível, desenhada mais para justificar o desengajamento americano do que para ser cumprida.

Ao declarar que “acabaram os dias em que os Estados Unidos sustentavam a ordem mundial como Atlas” e insistir no burden-shifting (transferência de fardo) em vez de burden-sharing (partilha de fardo), Washington envia um sinal inequívoco. Numa aliança defensiva, a dissuasão não depende da letra do tratado, mas da crença, em Moscou, de que o Salão Oval realmente ordenaria um ataque nuclear para salvar Tallinn ou Varsóvia. Quando o fiador do Artigo 5º abdica do papel de Atlas e condiciona sua proteção a uma meta orçamentária irreal, a Otan vira uma “aliança condicional”. O Ocidente político, tal como foi desenhado no pós-Segunda Guerra, entra em dissolução.

Paradoxalmente, trata-se de uma notícia tardia, mas que guarda uma simetria histórica necessária. Tardia porque a dissolução de um bloco militar anacrônico chega trinta anos depois do ideal; necessária porque o prolongamento artificial dessa hegemonia foi o que nos trouxe até aqui.

No fim dos anos 1980, Mikhail Gorbachev falava em uma “casa comum europeia”: uma arquitetura de segurança que integrasse a União Soviética (e depois a Rússia) numa comunidade política do Atlântico aos Urais. A ideia era que o fim do Pacto de Varsóvia – a aliança militar entre a URSS e os países do Leste Europeu – fosse acompanhado por uma reconfiguração simétrica da Otan, ou até sua substituição por um sistema pan-europeu.

O Ocidente desdenhou a oferta. Mas houve um segundo momento, hoje quase apagado da memória coletiva, em que a história poderia ter tomado outro rumo.

Em 25 de setembro de 2001, apenas duas semanas após os atentados da Al-Qaeda nos Estados Unidos, Vladimir Putin discursou no Parlamento alemão, o Bundestag. Falando em alemão fluente e quase sem sotaque – herança de seus anos como oficial da KGB em Dresden –, Putin citou Goethe, Schiller e Kant. Foi aplaudido de pé. Naquela tarde, ele ofereceu à Europa uma parceria estratégica profunda: propôs que a Rússia combinasse seus vastos recursos naturais e humanos com a tecnologia e o capital europeus para criar uma potência econômica global. Em outras palavras, Putin alertava que a segurança na Europa não poderia ser construída contra a Rússia, mas apenas com ela.

Escutávamos ali o grito derradeiro por uma “Grande Europa”. O Ocidente, embriagado pelo triunfalismo do “fim da história”, tratou a oferta de Putin como um discurso meramente protocolar. Em vez de integrar a Rússia, optou pela expansão unilateral da Otan para o Leste, incorporando pouco a pouco antigos satélites soviéticos. De dezesseis membros originais, a Otan passou a contar, às vésperas da guerra na Ucrânia, com trinta países. A Rússia era tratada não como uma nação vizinha – a aliada que mais sacrificou vidas na luta contra a Alemanha nazista –, mas como uma potência derrotada.

O resultado é a tragédia atual. A partir de 2007, depois de outro famoso discurso na Alemanha, na Conferência de Segurança de Munique, Putin passou a fazer uma crítica frontal à ordem unipolar e colocou a questão: “Contra quem se destina essa expansão?” Os eventos de 2014 em Kiev – a chamada “revolução colorida de Maidan”, abertamente apoiada e até organizada pelos Estados Unidos e por alguns países europeus – e a subsequente crise na Ucrânia precipitaram a virada da política externa da Rússia, que passou a aprofundar sistematicamente sua relação com a China e a Ásia em geral, em resposta ao congelamento das relações com os Estados Unidos e a União Europeia.

Depois de 2014, Moscou desistiu do Ocidente. A virada estratégica para o Oriente e a formação de uma entente sino-russa cada vez mais orgânica são corolários da arrogância atlântica. Tudo o que a “casa comum” teria evitado – uma potência nuclear europeia alienada da própria União Europeia e em simbiose com a China – tornou-se realidade porque se preferiu prolongar a hegemonia americana via Otan.

Se o atual desengajamento dos Estados Unidos tivesse ocorrido nos anos 1990, ou mesmo após aquele discurso de Putin no Bundestag em 2001, a Europa teria sido obrigada a assumir sua segurança e negociar um arranjo estável com Moscou. O redesenho da NSS de Trump, portanto, é a correção de rota que chega depois do naufrágio.

Será plausível levantar a hipótese de que Trump corre o risco de entrar para a história como uma espécie de Gorbachev do Ocidente?

Gorbachev não acordou com o propósito de implodir a URSS. Suas reformas (glasnost e perestroika) buscavam modernizar e salvar o sistema soviético. Foi a lógica interna dessas reformas, chocando-se com uma estrutura exaurida, que produziu o colapso. De modo análogo, Trump não pauta a NSS com o objetivo consciente de dissolver o Ocidente. Ele quer recentralizar o poder americano, cortar custos e focar na competição com a China. Mas, ao transformar a Otan em aliança condicional e ideologicamente conflitiva – o novo documento chega a falar em “apagamento civilizacional” da Europa devido à imigração e promete “cultivar resistência” contra as elites de Bruxelas –, Trump corrói de maneira irreversível o amálgama político da aliança.

Dias depois da divulgação da nova NSS, em entrevista a Dasha Burns, do jornal digital Politico, em 8 de dezembro, o próprio presidente explicitaria esse subtexto ao descrever a Europa como um continente de nações “em decadência”, “destruídas” por políticas migratórias permissivas que, em muitos casos, podem fazer com que os países deixem de ser “viáveis”. O que no documento aparece como diagnóstico de “apagamento civilizacional” ganha, na voz de Trump, a forma de um veredito de fim de linha para o projeto europeu tal como o conhecemos.


O que se passou com o Pacto de Varsóvia no final dos anos 1980 – um centro que já não podia mandar e periferias que já não queriam obedecer – começa a se esboçar no Atlântico Norte. Como a Moscou de Gorbachev, Washington sinaliza que não quer mais custear a arquitetura que os próprios Estados Unidos erigiram.

Se o desengajamento dos Estados Unidos em relação à Europa parece, à primeira vista, um ato de isolacionismo do governo americano, uma leitura mais atenta da NSS revela que se trata, na verdade, de uma realocação brutal de prioridades. Para a Casa Branca, a Rússia é um problema de segurança regional – um incômodo que a Europa rica deve resolver. A China, por outro lado, é tratada como o desafio sistêmico e existencial à primazia americana.

O documento oficializa o fim do livre comércio de facto e inaugura a era da “reciprocidade estratégica”. Nesse caso, a guerra não se trava mais com tanques nas planícies, mas com semicondutores e tarifas. Taiwan deixa de ser defendida pela retórica moral como uma “democracia vibrante” e passa a ser encarada como um foco de interesse material vital: o país asiático que é líder mundial na fabricação de chips torna-se um “escudo de silício” cujo controle não pode cair nas mãos de Pequim.

O paradoxo é gritante: enquanto a Otan vira um tigre de papel no lado atlântico, Trump tenta construir uma “Otan ativa” na região do Indo-Pacífico, pressionando Japão e Coreia do Sul a se armarem. É nesse xadrez que a Índia é elevada ao status de pivô indispensável, mas numa ótica estritamente transacional. Washington oferece a Nova Délhi um salvo-conduto que nega a outros aliados: tolera tacitamente a autonomia diplomática indiana (e seus laços com Moscou), desde que o Elefante sirva de contrapeso físico e demográfico ao Dragão. A Índia não é cortejada por causa de valores democráticos compartilhados, mas por ser a única peça no tabuleiro capaz de completar o cerco americano à China, que vai do Mar do Japão ao Himalaia.

O isolacionismo de Trump é seletivo: ele retira as fichas da mesa europeia apenas para apostá-las todas na mesa asiática. Contudo, essa visão de túnel focada na Ásia acabou criando um ponto cego fatal em seu próprio hemisfério.

Enquanto os olhos de Washington estavam fixos no Estreito de Taiwan, a retaguarda ficou desguarnecida. No teatro das Américas, a nova NSS tenta ressuscitar a Doutrina Monroe, prometendo endurecer fronteiras e asfixiar regimes adversários, como o da Venezuela. Contudo, a realidade impõe um efeito bumerangue imediato e tangível, marcado não por retórica, mas por movimentações militares e econômicas que decretam o fim da hegemonia inconteste dos Estados Unidos na região.

O vácuo diplomático e as sanções unilaterais de Washington não isolaram o hemisfério; pelo contrário, convidaram os rivais a entrarem pela porta da frente. O marcador definitivo dessa mudança é a presença material de vetores de força russos no Caribe: o deslocamento do submarino de propulsão nuclear Kazan e da fragata Admiral Gorshkov (equipada com mísseis de capacidade estratégica) para portos aliados, como Havana, impõe um limite para a projeção unilateral de poder pelos Estados Unidos. Simultaneamente, o apoio da China à Venezuela – provendo infraestrutura, crédito e suporte tecnológico – cimenta uma alternativa real ao sistema financeiro dominado pelo dólar.

Esses fatos sinalizam a erosão do Corolário Roosevelt, de 1904, que por mais de um século serve de justificativa para a pretensão dos Estados Unidos de intervir unilateralmente na América Latina e atuar como poder tutelar no Hemisfério Ocidental. Aparentemente, Washington perde a capacidade de atuar como o gendarme exclusivo do continente. O que a NSS trata como uma esfera de influência americana é, hoje, um cenário de disputa multipolar. Ao tentar impor uma doutrina do século XIX em um mundo do século XXI, os Estados Unidos apenas aceleram a consolidação de postos avançados de Moscou e Pequim nas Américas.

Visto desse ângulo, do ponto de vista americano, o desengajamento dos Estados Unidos da Europa é uma decisão certa, tomada tarde demais, com 35 anos de atraso. Certa, porque tenta restabelecer a simetria perdida com o fim da Guerra Fria e obriga a Europa a sair de sua longa adolescência estratégica ou talvez assumir o status de museu do Ocidente, grande polo de turismo e península periférica da Eurasia. Tardia, porque, como vimos, chega depois que a oportunidade de integração russa foi desperdiçada, e a Ucrânia, devastada, sem falar no risco de uma Terceira Guerra Mundial.

No entanto, para além do drama europeu, coloca-se uma interrogação urgente para o Sul Global: terá o Brasil a ousadia de atuar como ator regional ativo dessa nova ordem? Diante de uma Washington que se retrai para o nacionalismo e impõe sanções aos países, abre-se a janela para que o Itamaraty assuma uma postura mais proativa, inclusive na relação com os Estados Unidos.

Historicamente, grandes impérios trataram outras potências como vassalos ou adversários. A China imperial das dinastias Ming e Qing assim tratou seus interlocutores, exigindo a genuflexão deles como ponto de partida para qualquer diálogo. O Império Britânico, idem, sob outras formas e com outros protocolos, mas igual arrogância.

Talvez agora, nessa transição para um mundo multipolar, em que os Estados Unidos ainda figurarão como uma grande potência, mas sem o papel de hegemon global, Washington finalmente reconheça que deverá assumir formas de diálogo para além do binômio simplificador vassalo-inimigo. Do lado brasileiro, a nova realidade exige coragem para operar o que hoje ainda é apenas retórica: assumir o papel de mediador entre Estados Unidos e Venezuela, papel que, hoje, só o Brasil tem condições de exercer.

Descontando os arroubos retóricos de Trump – que se pronuncia a respeito de tudo e depois diz o contrário, às vezes no mesmo dia –, e discernindo os reais interesses dos Estados Unidos, teremos também de embarcar num diálogo diplomático sério sobre os problemas reais de segurança e energia da América Latina, desde que, evidentemente, tenhamos contrapartida em Washington. Uma entente entre as duas potências das Américas – Estados Unidos e Brasil – pode estabilizar a região e assegurar a segurança em energias tanto tradicionais quanto alternativas, o que será condição absolutamente central para atravessar as tempestades do século XXI.

Tudo isso tem de ser feito mantendo vivas e aprofundando as relações com os parceiros dos Brics, especialmente a China. Caso os europeus acordem de seu sonho estratégico, talvez se deem conta da magnífica oportunidade que constitui para eles a celebração do Acordo União Europeia-Mercosul – que, para nós, será um avanço importante, mas não essencial.

Se Gorbachev, sem querer, encerrou a ordem bipolar pelo lado soviético, Trump parece estar, também sem querer, encerrando a ordem unipolar, pelo lado atlântico. A história dirá se esse “Gorbachev de boné vermelho do Maga” será lembrado como o coveiro de uma hegemonia esgotada ou como o catalisador de um mundo mais perigoso.

De qualquer forma, uma coisa é certa: depois dessa nova NSS, a Otan virou um zumbi. Caminha, mas já não tem alma. Já a América do Sul tem a permissão tácita da história para caminhar com as próprias pernas – sobretudo se tiver a clareza de enfrentar a crise da Venezuela não como um dilema entre democracia e autoritarismo, mas como a escolha entre tutela e autonomia.

Philip Yang

É fundador do Instituto Urbem e senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Foi diplomata de carreira e serviu em missões do serviço exterior brasileiro em Beijing e

Fonte: Revista Piauí.

UM IDIOTA ARRUMOU PRA CABEÇA - Influenciador bolsonarista incita crime contra filha de Moraes

 Alex Oliveira diz que nada deixaria um pai mais fora de controle do que ver a própria filha cair

29 de dezembro de 2025, 21:55 h

Alex Oliveira (Foto: Reprodução/Captura de tela/Redes sociais)


Por Ricardo Nêggo Tom (247) - O influenciador bolsonarista Alex Oliveira, dono do perfil @respeitaoalex, que tem mais de 3 milhões de seguidores no Instagram, postou um vídeo no qual sugere que os bolsonaristas ajam “fora das 4 linhas” e ataquem a filha do ministro Alexandre de Moraes, Giuliana Barci de Moraes, a quem ele classifica como o “calcanhar de Aquiles” do magistrado. Alex, que também se apresenta como coach, aparece sentado à beira de uma piscina e dando dicas sobre como derrubar Moraes e devolver o país ao bolsonarismo.
O influencer chama Moraes de “cabeça de ovo, e o acusa de manipular o jogo político no país contando com o apoio da familia Moreira Salles, dona do banco Itaú, e que, segundo ele, vende o nióbio brasileiro para os EUA. Citando o suposto contrato de R$ 129 milhões entre a esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e o banco Master, o bolsonarista diz que “ninguém vai tirar Moraes do poder, se continuarem jogando dentro das 4 linhas”, insinuando uma nova tentativa de golpe ou alguma espécie de rebelião bolsonarista para atingir o seu intento.

Manipulando cartas de baralho enquanto fala, Alex Oliveira explica que “para derrubar a família Moreira Salles tem que como começar pelo banco Itaú, e para derrubar o Moraes tem que ir pela filha dele” Usando de um tom tanto irônico como ameaçador, o influenciador acrescenta: “o que deixaria um pai mais fora de controle do que ver a própria filha cair?”, sugerindo alguma ação violenta ou fora da lei contra a filha do ministro, para atingi-lo diretamente. Alex encerra o vídeo dizendo que “as cartas estão na mesa”, como se estivesse acabado de ensinar aos bolsonaristas o caminho das pedras para destruir o principal opositor do seu projeto de poder golpista.

O vídeo tem 157 mil curtidas e mais de 4 mil comentários, mostrando um grande e perigoso alcance para um conteúdo que estimula a violência contra a filha de um ministro da suprema corte. Ousado e mostrando despreocupação com as consequências de sua postagem, o influenciador ainda marca os perfis do presidente Lula, do ministro Flávio Dino e do Senado Federal nos comentários. O analista geopolítico Vinicios Betiol compartilhou o vídeo no seu perfil do “X” e chamou a atenção para o teor da publicação, considerando criminosa a incitação feita à parte da população brasileira para que se cometa algum crime contra Moraes e sua família. 

O dinheiro dita o poder - "Operação abafa" tenta impedir delação de Vorcaro, do Banco Master





Delação de Daniel Vorcaro poderia “derrubar o sistema” e escancarar “como o dinheiro dita o poder” no Brasil, diz Leonardo Sakamoto
30 de dezembro de 2025, 12:07 h
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Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação (Banco Master))

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Guilherme Levorato


247 - Em análise publicada nesta terça-feira (30), o jornalista Leonardo Sakamoto sustenta que o escândalo envolvendo o banco Master tem potencial para produzir efeitos muito mais amplos do que aqueles provocados pela delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid. Para ele, enquanto o acordo firmado por Cid atingiu um segmento específico do poder — o bolsonarismo radicalizado, civil e fardado —, o caso do Master alcança o núcleo que conecta diferentes campos políticos e institucionais: o dinheiro.

Segundo Sakamoto, em texto divulgado no UOL, trata-se de uma engrenagem capaz de colocar no mesmo campo de interesses o centrão, o mercado financeiro da Faria Lima, governadores alinhados ao bolsonarismo e até integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). É esse fator, afirma o jornalista, que explica o temor em torno de uma eventual colaboração premiada de Daniel Vorcaro, controlador do banco.

Na avaliação do colunista, crimes financeiros dessa magnitude não se sustentam sem respaldo político. Ele argumenta que Vorcaro e seus sócios construíram relações que atravessam um amplo espectro ideológico, da direita à esquerda, o que ajudaria a explicar a resiliência do banco mesmo diante de sinais claros de fragilidade. Para Sakamoto, essa rede de alianças amplia o impacto de uma possível delação, que poderia expor como decisões políticas foram moldadas para sustentar operações bilionárias com dinheiro público.

O jornalista reconhece a relevância do debate em torno do suposto contrato milionário firmado entre o banco Master e a esposa do ministro Alexandre de Moraes, mas observa que a concentração excessiva nesse episódio acabou permitindo que outros personagens escapassem do escrutínio público. Em sua análise, o foco restrito no Supremo contribuiu para que articulações políticas mais amplas permanecessem em segundo plano.

Entre os exemplos citados está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), apontado como um dos nomes que atuaram nos bastidores contra a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o banco. Sakamoto também associa o parlamentar à defesa de uma proposta de emenda constitucional que elevaria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF, mudança que beneficiaria diretamente o modelo de captação do Master. Ainda segundo o texto, o senador apoiou a tentativa de compra de ações do banco pelo estatal Banco de Brasília (BRB), operação posteriormente rejeitada pelo Banco Central.

A análise avança sobre o papel de governos estaduais. No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB) teria defendido de forma enfática o uso de recursos públicos na tentativa de aquisição do banco pelo BRB. Já no Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro (PL) autorizou investimentos da ordem de R$ 1 bilhão no Master quando, conforme o jornalista, já era evidente a precariedade da instituição. O dinheiro, ressalta Sakamoto, vinha de fundos de aposentadoria de servidores públicos, como professores, enfermeiras e garis.

Para o colunista, esses não seriam casos isolados. Ele descreve o banco Master como uma instituição com forte ligação ao centrão, o que explicaria o clima de apreensão no Congresso diante da possibilidade de Vorcaro colaborar com as investigações. Diferentemente de Mauro Cid, cuja lealdade política estava concentrada em Jair Bolsonaro (PL), Vorcaro teria vínculos com múltiplos grupos de poder.

É nesse contexto que Sakamoto fala em uma “operação abafa” em curso para evitar que o banqueiro “cante como um canário”. Ele afirma que uma eventual delação teria capacidade de “estacionar um caminhão de explosivos na garagem do Congresso”, ao revelar quem pressionou o Banco Central e governos estaduais para sustentar negócios bilionários com ativos considerados problemáticos.

O jornalista insere o caso em uma crítica mais ampla ao funcionamento do sistema político brasileiro, que, segundo ele, foi moldado para transformar recursos públicos em interesses privados. Nesse cenário, o escândalo do banco Master se conecta ao uso irregular de emendas parlamentares, especialmente aquelas associadas ao Orçamento Secreto.

Sakamoto lembra que o julgamento de parlamentares acusados de desvio de dinheiro público deve ter início no começo de 2026 no Supremo Tribunal Federal. Para ele, o potencial de instabilidade é elevado, já que parte desses recursos teria sido convertida em caixa dois e benefícios pessoais. O jornalista observa que, diante desse quadro, cresce no Congresso o desejo de um impeachment do ministro Flávio Dino, responsável por conduzir investigações sensíveis.

Ao final de sua análise, Sakamoto sustenta que o desvio de emendas parlamentares deveria estar no centro do debate nacional. No entanto, ele aponta que a atenção pública costuma ser desviada para temas laterais, o que facilita acordos de bastidores, o adiamento de responsabilidades e a preservação de um sistema no qual, segundo suas palavras, “o dinheiro dita o poder”. 

https://www.brasil247.com/midia/operacao-abafa-tenta-impedir-delacao-de-vorcaro-do-banco-master

Flávio Bolsonaro é quadrilheiro e corrupto’, diz Kim Kataguiri



Deputado federal Kim Kataguiri, que apoiou Jair Bolsonaro, agora não poupa adjetivo contra integrantes da família do ex-presidente30/12/2025 às 13h50- Atualizado há 5 horas

Deputado federal Kim Kataguiri volta a chamar Flávio Bolsonaro de corruptoFoto: ND Mais

O deputado federal, Kim Kataguiri (União-SP) voltou a atacar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar não poupou adjetivos ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nesta terça-feira (30), Kataguiri fez uma publicação atacando o pré-candidato à Presidência da República. “Flávio Bolsonaro é quadrilheiro, vagabundo e corrupto”, diz Kim Kataguiri. O deputado paulista também resgatou uma fala em que afirmava que Jair Bolsonaro firmou parcerias para proteger o senador.

As afirmações de Kim Kataguiri não são de hoje. O deputado paulista mantém posição sobre um suposto esquema de rachadinhas, que ele atrela a Flávio Bolsonaro. Há poucos dias, disse que Jair Bolsonaro, enquanto presidente, fez esforço para blindar Flávio.

“Ele é aquele cara que tinha um escândalo e fez com que o Bolsonaro (Jair), tivesse que colocar todo seu governo a serviço de blindar o Flávio, para o Flávio não ser preso. Então, é assim: esse é o cara que vai disputar a Presidência da República?”

Kim Kataguiri venceu Eduardo Bolsonaro na justiça, após o ex-deputado pedir indenização por danos moraisFoto: Reprodução/Facebook/ND

O político de São Paulo também disse ter pena do filho Zero Um de Jair Bolsonaro e desafiou o senador por conta dos debates que ele será questionado sobre o episódio que trata de possível rachadinha.

Kim Kataguiri também já protagonizou episódios de divergência com o irmão de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Eduardo chegou a tentar tirar o mandato de Kim e as disputas foram parar na Justiça.

Eduardo processou Kim, após ser chamado de quadrilheiro e corrupto. Kataguiri também mencionou um apelido dado ao ex-deputado. O pedido de indenização por danos morais foi rejeitado pela justiça e confirmado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

CUSPIR NO CHÃO

Homem recebe multa de R$ 1.845 por cuspir no chão folha que voou dentro da boca

Homem é multado em R$ 1.845 por jogar lixo na rua — após cuspir uma folha que entrou em sua boca

30/12/2025 às 11h06

Foto do perfil do autor - Carolina Sott

Carolina Sott

Florianópolis


Homem multado por engolir folha

Homem de 86 anos é multado em R$ 1.845 após cuspir uma folha que entrou em sua boca em cidade turística na Inglaterra

Foto: New York Post/Reprodução/ND Mais

O que deveria ser apenas uma pausa para descanso terminou em um prejuízo salgado para Roy Marsh, um inglês de 86 anos. O idoso foi multado em £ 250 (cerca de R$ 1.845 na conversão atual) por “jogar lixo na rua” após um incidente inusitado: ele cuspiu uma folha que voou para dentro de sua boca.

O caso ocorreu em um estacionamento na cidade turística de Skegness, na costa leste da Inglaterra. Segundo relatou à BBC, Marsh caminhava pelo local quando o vento soprou um “grande junco” em sua direção.

“Eu cuspi, e assim que me levantei para ir embora, dois [agentes da lei] vieram até mim”, contou o aposentado.

Abordagem e indignação: homem multado por cuspir folha no chão

A princípio, Marsh não acreditou na gravidade da situação. Ao ser acusado pelos agentes de “cuspir no chão”, ele chegou a chamar um dos oficiais de “garoto bobo”, acreditando se tratar de um equívoco simples. No entanto, a punição veio de forma severa, e ele logo percebeu que a multa era real.

Roy Marsh, de 86 anos, foi multado em £250 por jogar lixo na rua depois de cuspir uma folha que voou para sua boca.Foto: Facebook/Jane Marsh Fitzpatrick

Roy Marsh, de 86 anos, foi multado em £250 por jogar lixo na rua depois de cuspir uma folha que voou para sua boca.

Foto: Facebook/Jane Marsh Fitzpatrick

“Tudo foi desnecessário e desproporcional”, desabafou Marsh. Ele ainda tentou recorrer para reduzir o valor para £ 150 (cerca de R$ 1.100), mas acabou sendo obrigado a pagar o montante total de £ 250.


Críticas ao rigor excessivo

A rigidez da punição gerou revolta entre as autoridades locais. O vereador Adrian Findley criticou a postura dos agentes, classificando-a como “mão pesada”, especialmente em uma cidade que vive do turismo. Para ele, falta bom senso nas fiscalizações:


“Eles estão indo longe demais”, afirmou Findley.


“Se eu viesse aqui de férias e recebesse uma multa de 250 libras, não gostaria de arriscar voltar.”

“É preciso haver discrição. Não podemos esperar que os idosos corram atrás de pacotes de batatas fritas na rua se estiver ventando.”

Marsh disse que a multa deveria ser reduzida para £150 (US$200) após um recurso, mas que ele ainda era obrigado a pagar o valor total.Foto: Facebook / Jane Marsh Fitzpatrick

Marsh disse que a multa deveria ser reduzida para £150 (US$200) após um recurso, mas que ele ainda era obrigado a pagar o valor total.

Foto: Facebook / Jane Marsh Fitzpatrick

Findley defende que os oficiais deveriam ter a sensibilidade de identificar o que é um “acidente genuíno” e permitir que o cidadão se desculpe ou corrija o erro antes de aplicar uma multa tão elevada.

O que diz o conselho local

Apesar das críticas, o Conselho Distrital de East Lindsey manteve sua posição. Em resposta à BBC, o órgão afirmou que os agentes abordam apenas quem é flagrado cometendo “crimes ambientais” e garantiu que as patrulhas seguem critérios rigorosos.

De acordo com o conselho, as fiscalizações “não são direcionadas a nenhum grupo demográfico específico” e “não são discriminatórias”. O episódio de Roy Marsh, embora pareça extremo, reflete uma tendência de fiscalização rigorosa no Reino Unido, onde casos semelhantes têm se tornado cada vez mais comuns.

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Mas o ato de cuspir  já foi reprimido inclusive no Brasil, senão vejamos:

Fonte: PAULO CAVALCANTI    -  Eça de Queiroz, agitador do Brasil. 

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O mais curioso está contido no trecho abaixo, que se transcreve (sic): 

- E chamam ás Sentenças, Cuspir; dizendo; = "O fidalgo de tal parte tem cuspido que tem tal pessoa razão"; é como dizer: "al Senhor ou Juiz tem dado Sentença por Foam”. - ANDRÉ ALVARES D’ALMADA - Tratado breve dos rios de Guiné do Cabo-Verde. (1534)

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Finalmente, já houve quem se orgulhasse, até mesmo, de "cuspir sangue":

- Quando completei quinze, tornei-me ferroviário e saí de casa para morar em um vagão de trem junto a algumas dezenas de peões de trecho, como são chamados os trabalhadores braçais que deixam suas casas e cidades em busca de trabalho, compondo uma enorme população flutuante em cidade, de obra em obra. 
Passei então a trabalhar na Estrada de Ferro Noroeste Brasil. 
Nome bonito, não acham? 
Soava imponente, e eu me sentia importante. Vivia e trabalhava com a peonada, construindo e fazendo manutenção de ferrovias. Como era um trabalho ao ar livre, eu gostava. Dava uma sensação de liberdade.
O esforço era tanto que às vezes cuspia sangue, mas eu era feliz. Achava que, participando da construção da ferrovia era também um desbravador. - ANTÔNIO ALVES DA SILVA - Cartas às filhas - Florianópolis/2022, p. 26.


A VINGANÇA DOS NOSSOS "FILETES DE ÁGUA"

A ilha de SC era cheia de pequenos cursos d'água, que desciam livremente das encostas para as baias. Do morro do Mato Grosso (o nome revela a abundância de árvores de grande porte que protegiam as nascentes), que se estende das proximidades do Hospital de Caridade até as proximidades do Shopping Beira-mar, recolhia-se, inclusive, as águas que abasteciam a cidade.

Das encostas do Saco Grande, no distrito de Santo Antonio de Lisboa, em cujo sopé passa a SC-401, desciam incontáveis regatos.

Faz-nos lembrar o quadro descrito pelo escritor abaixo:

Os inúmeros montes e vales, centenas de filetes d’água a cascatear morro abaixo, o eterno verde escuro das laranjeiras e limoeiros, das árvores sussurrantes da floresta e das densas enrediças (...) - JOÃO SEVERIANO DA FONSECA - Viagem ao redor do Brasil. 

Eles - os filetes de água - foram sendo afrontados pela ocupação humana, mas, de vez em quando, vingam-se dos ataques sofridos. 

Estão aí os episódios de inundação, consequência inarredável da ocupação desordenada dos morros, que implicou em desmatamento e remoção do húmus que funcionava como esponja. 

As águas, sem nada a segurá-las, passaram a descer com inaudita velocidade, os leitos naturais não mais as comportam e, consequentemente extravasam. O solo que fica entre as encostas e o mangue, cimentado e/ou asfaltado, não se presta mais à percolação. 




A "COLONIZAÇÃO" DA ILHA DE SC

A ILHA DE SC em 1789 - Dessa época em diante entrou a ilha novamente em prosperidade, tendo chegado, por volta de 1789, a ter apreciável desenvolvimento agrícola, notadamente o café, o açúcar, o algodão, o trigo, o anil, a baunilha, a cebola e o alho.

A cultura do algodão teve apreciável importância depois que o governador José de Melllo Manoel tornou obrigatório, em 1753, o plantio de 100 pés da malvácea por todo aquele que tivesse 100 braças de terra lavrada e cultivada, sob pena de as perder.

A indústria era representada pela pesca, tecidos de algodão e linho, para o que havia um pequeno tear em cada casa, e criação de cochonilha, alimentada com urumbeba, e de que se  extraía linda tinta purpúrea. A criação desse inseto foi iniciada em 1786.

A capital de Santa Catarina está, como se sabe, assentada na ilha do mesmo nome, com duas barras, uma ao norte, outra ao sul.

Essa ilha que é, em recantos, no pitoresco maravilhoso das suas praias e na variedade empolgante das suas paisagens, uma das mais lindas partes do Brasil, tem 170 km de perímetro e superfície total de 504 km2.

Como os novos elementos da vida, nacionais ou estrangeiros, tenham preferido instalar-se na terra firme, verificou-se uma grande decadência na população da ilha.

Em vista disso, o atual governador, Hercílio Luz, está promovendo a colonização da mesma, pretendendo que o governo conceda, a cada família, um lote de 5 a 10 hectares, a preço módico e prazo de dez anos sem juros, aparelhamento agrário e garantia de subsistência até a primeira colheita.

O pensamento do referido administrador é desenvolver na ilha a horticultura, assim como a cultura da vinha e de várias frutas de grande consumo.

 - CRISPIM MIRA - Terra Catarinense/PZZ Edit./SP/2008. 


FESTAS, BEBEDEIRAS, DESTEMPEROS, MAUS EXEMPLOS


Excertos dos meus arquivos de leitura: 

HOMEM QUE BEBE (Ver ALCOOLISTA, BEBERRÃO, EMBRIAGUEZ, GAMBÁ CASEIRO, PINGUÇO)

- O que eu reprovo nas favelas são os pais que mandam os filhos comprar pinga e dão às crianças para beber. 
E dizem — Ele tem lombriga. 
Os meus filhos reprovam o álcool. O meu filho João José diz: — Mamãe, quando eu crescer, eu não vou beber. O homem que bebe não compra roupas. Não tem rádio, não faz uma casa de tijolo. - CAROLINA MARIA DE JESUS - Quarto de despejo.

Corrida armamentista na América do Sul

Há muito tempo, na América do Sul, não se cogita de conflitos entre os países.

Mas agora que os  EUA estão a amargar a perda da sua hegemonia sobre os seus tradicionais quintais, estamos a presenciar os governos - de direita e de esquerda - a empregar vultosas quantias dos orçamentos públicos para a aquisição de itens bélicos, em vez de destinarem tais valores - arrancados a forceps dos cidadãos/contribuintes - em serviços de interesses dos povos. 

Como se estivessem presentes ameaças efetivas de invasão ou algo semelhante.

Malditos fabricantes de armas, dos quais Trump, Putin e outros potentados são meros lacaios. 

Milei, Lula, Petro e outros, simulando antagonismos perigosos (incluindo a Venezuela), colocam-se a serviço da indústria bélica. Lamentável essa postura subserviente de todos eles. 

Países capitalistas, principalmente os europeus, ante provável superação pela economia chinesa,  também estão a fomentar conflitos, para venderem seus artefatos de destruição em massa. 

Por detrás de todos, o nauseabundo sionismo, que manipula os governos como marionetes, independentemente da aparente ideologia que professem (de esquerda ou de direita). Os "governantes" do mundo não passam de servos dos financistas, que, no fundo,  a tudo presidem. 

HUMILDADE

- Que eram eles, senão humildes criaturas que haviam de ser vencidas de roldão, na concorrência com a chusma mais forte? - ALBERTO RANGEL - Inferno verde.

- Paciência necessária para se planejar uma vingança que valha a pena. - AMBROSE BIERCE - Dicionário do diabo.

- Um homem que estava sempre proclamando sua antiga ignorância e sua antiga pobreza pelo megafone metálico que era a sua voz. Um homem que era o Gabola da humildade. - CHARLES DICKENS - Tempos difíceis.

- Era tão simples e naturalmente humilde — se se pode chamar de humilde a quem nada aspira - que a humildade não era virtude a distingui-lo, e nem mesmo podia concebê-la. Para ele os sábios eram semideuses. - DAVID THOREAU - A vidas nos bosques.

- Na Estância uruguaia - Depois de se ter visto a riqueza representada pelo número de cavalos, homens e gado, era curioso ver a casa miserável em que Don Juan vivia. O chão era de terra batida e não havia vidros nas janelas. Na sala de visitas, só se viam algumas cadeiras e bancos grosseiros, além de um par de mesas. 
A ceia, embora estivessem presentes vários estranhos, consistia de duas enormes pilhas: uma de carne assada e outra de carne ensopada com alguns pedaços de abóbora. Além da abóbora, não havia nenhuma outra verdura, e nem sequer uma fatia de pão. Para beber havia água, servida em um jarro de barro para toda a companhia. 
Este homem, no entanto, era dono de muitas léguas quadradas de terra, na qual, em cada acre, poderia produzir cereais e, com pouco esforço, todos os vegetais comuns. 
Passava-se a noite fumando, ouvindo algumas canções improvisadas, acompanhadas por um violão. Todas as signoritas se sentavam juntas em um canto da sala e não ceavam com os homens. - CHARLES DARWIN - Viagem de um naturalista ao redor do mundo.