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quinta-feira, 11 de junho de 2026

CERTÍSSIMOS - Contra a arrogância ianque, vale boicotar

‘Que não role a bola!’: Movimentos populares do México convocam boicote à Copa do Mundo FIFA 2026
CNTE, estudantes camponeses, mães buscadoras, comunidades em resistência e coletivos populares levantam a palavra de ordem “Que não role a bola!” contra o velho Estado mexicano e o imperialismo.

10 de junho de 2026·

Bandeira da Liga Anti-imperialista Internacional (LAI) em meio aos protestos contra a Copa do Mundo 2026 no México. Foto: Reprodução


Movimentos populares, organizações sindicais, estudantes, mães buscadoras, comunidades em resistência e coletivos populares no México vêm impulsionando uma campanha de boicote à Copa do Mundo FIFA 2026, que terá o país como uma das sedes ao lado de Estados Unidos e Canadá. Segundo publicações do Periódico Mural, a consigna “Que não role a bola!” ganhou força no marco da Greve Nacional iniciada pela Coordenadora Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) em 1º de junho.

A campanha denuncia que, enquanto o velho Estado mexicano prepara grandes obras, operações policiais e propaganda oficial para o Mundial, milhões de trabalhadores e setores populares seguem enfrentando baixos salários, carestia, desaparecimentos, despejos, falta de serviços básicos, repressão e abandono. Para o Periódico Mural, o torneio tornou-se uma conjuntura para unificar diferentes lutas contra o velho Estado e o imperialismo, principalmente ianque.

Em nota publicada em 4 de junho, o periódico afirmou solidariedade às demandas dos setores em luta e divulgou um vídeo enviado à sua redação, em apoio ao boicote. A publicação levantou as palavras de ordem: “Que não role a bola!”, “Boicote ao Mundial FIFA 2026, contra o velho Estado e o imperialismo!” e “Greve Geral de Resistência Nacional!”.
Vídeo publicado pelo Periódico Mural: “México grita: Boicote ao Mundial FIFA 2026!”

CNTE inicia greve e amplia chamado ao boicote

A mobilização ocorre no contexto do paro indefinido sustentado desde 25 de maio pelo magistério democrático da Seção XXII da CNTE, no estado de Oaxaca, em preparação à Greve Nacional iniciada em 1º de junho. Segundo o Periódico Mural, a CNTE exige a revogação da Lei do ISSSTE de 2007, da chamada “reforma educativa” de Enrique Peña Nieto e AMLO, aumento salarial para os trabalhadores da educação e construção de infraestrutura para escolas públicas.
Magistério democrático instalou plantões em Oaxaca e na Cidade do México e convocou os trabalhadores a preparar a Greve Geral


O suplemento especial publicado pelo Periódico Mural em maio afirma que a presidente Claudia Sheinbaum se nega a atender o magistério democrático, enquanto se reúne com magnatas como Carlos Slim. A publicação denuncia que o governo administra o conflito em favor da oligarquia e prepara a repressão contra os protestos que devem ocorrer nas cidades-sede do Mundial.

A partir de 1º de junho, as seções da CNTE instalaram um plantão nacional no Zócalo da Cidade do México. A mobilização se soma a outras forças populares que preparam ações contra o Mundial e em defesa de suas reivindicações próprias.Foto: Periódico Mural/Reprodução
Estudantes, mães buscadoras e comunidades em resistência

Entre os setores que aderiram ao chamado estão a Federação de Estudantes Camponeses Socialistas do México (FECSM), as mães e famílias buscadoras, comunidades e povos em resistência contra megaprojetos, coletivos contra a gentrificação e sindicatos com greves ou locais de greve.

A FECSM reivindica respeito à autonomia e à organização interna das escolas normais rurais, aumento de orçamento e melhores condições de vida para seus estudantes, em sua maioria filhos do povo e oriundos de comunidades pobres. O Periódico Mural recorda que os normalistas rurais enfrentam perseguição permanente do Estado mexicano, citando como exemplo a desaparição forçada dos 43 estudantes de Ayotzinapa, em 26 de setembro de 2014, crime que segue sem verdade e justiça.

As mães e famílias buscadoras também são destacadas como um dos setores mais golpeados pelo regime. O suplemento menciona mais de 132,5 mil pessoas desaparecidas, mais de 72 mil corpos sem identificação e milhares de fossas clandestinas espalhadas pelo país. Segundo o Periódico Mural, essas mulheres são obrigadas a fazer o que o velho Estado não faz: procurar seus familiares, enfrentando grupos criminosos e a própria violência estatal.

As comunidades em resistência denunciam a imposição de megaprojetos imperialistas de despojo e morte. O periódico afirma que esses povos enfrentam tanto os aparatos legais do Estado – Exército, polícias, juízes e ministérios públicos – quanto seus braços ilegais, como grupos do narcotráfico, paramilitares e guardas brancas. Em resposta, comunidades em Michoacán, Guerrero, Chiapas e Oaxaca desenvolvem formas de autodeterminação, autogoverno e autodefesa.
Cidades-sede, obras de fachada e repressão

Em outro artigo, intitulado “Que não role a bola! (II)”, o Periódico Mural afirma que novos setores vêm aderindo ao boicote, especialmente nas cidades-sede da Copa. Moradores de bairros e colônias populares denunciam que os governos locais e federal priorizam obras espetaculares para o evento, enquanto comunidades seguem sem água, iluminação pública e serviços básicos.

Coletivos contra a gentrificação também denunciam que a Copa aprofunda o encarecimento da vida, os despejos e a expulsão de moradores pobres de seus bairros. O periódico cita ações como bloqueios de avenidas, partidas de futebol de rua e atos de resistência cultural em defesa do direito dos setores populares a existir e habitar as cidades.


Segundo o Periódico Mural, a resposta dos governos de Clara Brugada, na Cidade do México, e Claudia Sheinbaum, no governo federal, tende a combinar provocação e repressão, com uso de grupos de choque, porros, barras mercenárias, forças antimotim, Guarda Nacional e Exército. Para a publicação, essa estratégia de “blindar o Mundial” conta com o aval de Washington.
Crise econômica e ingerência ianque

No editorial de maio-junho, o Periódico Mural relaciona o chamado ao boicote à crise mais ampla do velho Estado mexicano. A publicação aponta inflação de 4,45%, aumento de preços na cesta básica, nos aluguéis, no transporte público e nos combustíveis, além de queda de 0,8% do Produto Interno Bruto, com retração nos setores primário, secundário e terciário.

O editorial também denuncia o aumento da ingerência ianque no México, citando acusações do Departamento de Estado do país Estados Unidos (EUA) contra políticos de Morena, operações com participação da CIA e a cúpula chamada “Escudo das Américas”, sob comando de Donald Trump. Para o Periódico Mural, os governos da chamada “quarta transformação” não são vítimas desse processo, mas cúmplices da maior ingerência imperialista no país.

Nesse quadro, o chamado ao boicote contra o Mundial FIFA 2026 é apresentado como uma possibilidade de unificar setores explorados e oprimidos em torno da Greve Geral de Resistência Nacional contra o velho Estado e o imperialismo.Foto: Periódico Mural/Reprodução
“Que não role a bola!”

O cartaz divulgado pela campanha resume a consigna central: “Boicote ao Mundial FIFA 2026”, “Contra o velho Estado e o imperialismo” e “Greve Geral de Resistência Nacional”. Nas laterais, aparecem as forças convocadas: CNTE, mães buscadoras, comunidades em resistência, FECSM, IPN, assembleias nacionais contra a gentrificação e vizinhos organizados.

Para o Periódico Mural, a Copa do Mundo colocará os olhos do mundo sobre o México. Por isso, os movimentos populares defendem transformar o evento em tribuna de denúncia contra o velho Estado, a repressão, a exploração, os desaparecimentos, o despojo territorial e a dominação imperialista.

“Que não role a bola!” tornou-se, assim, a síntese de uma campanha que busca reunir diferentes “arroios de luta” em um grande movimento nacional de resistência popular.
Pôster ‘Cortem a mão do agressor ianque!’

Fonte: A NOVA DEMOCARCIA

Tomó “algo natural para la memoria” y acabó orinando sangre: el peligro real de fiarse de la IA en temas de salud


Un congreso de médicos de atención primaria alerta de los riesgos de seguir las recomendaciones de las nuevas herramientas digitales sin consultar a los profesionales
Un usuario se dispone a utilizar herramientas de inteligencia artificial con su teléfono móvil.PICTURE ALLIANCE (DPA/PICTURE ALLIANCE VIA GETTY IMAGES)

José Antonio tiene 72 años. Desde hace un tiempo vive con la molesta sensación de que se le olvidan algunas cosas y decide consultar a un sistema de inteligencia artificial (IA) qué puede tomar para “mejorar la memoria”. Este jubilado de la provincia de Almería quiere que sea “algo natural”, porque no desea añadir otro medicamento a los que ya toma para la diabetes, el colesterol, la hipertensión y las arritmias. “Ginkgo biloba” es la respuesta que lee en la pantalla, así que compra un suplemento alimenticio con extractos de este árbol originario de China y confía en ver buenos resultados.

“Llegó a la consulta muy preocupado. Nos explicó que tenía sangre en la orina y que le habían salido moratones en las piernas sin haberse dado ningún golpe. Los análisis mostraron que tenía anemia, lo que era compatible con los sangrados. Así que seguimos indagando cuál podía ser la causa. Hasta que nos contó que hacía poco había empezado a tomar el suplemento”, cuenta Marina Oliva Morales, médico de familia residente que participó en la asistencia a José Antonio (nombre ficticio para proteger su identidad).

Interacción farmacológica grave tras recomendación de inteligencia artificial en paciente polimedicado: nuevo reto para la atención primaria es el elocuente título con el que Oliva Morales y otros cinco facultativos presentan el caso clínico en el congreso de la Sociedad Española de Médicos Generales y de Familia (SEMG) que hoy jueves empieza en Oviedo. “Vimos que el ginkgo biloba puede aumentar el riesgo de hemorragia en algunos casos. Esto es más relevante por la posibilidad de interacciones en pacientes que toman anticoagulantes orales, como es el caso”, añade Oliva Morales.

Los médicos explicaron a José Antonio la causa más plausible de lo ocurrido, le recomendaron que dejara de tomar el suplemento y ajustaron “temporalmente” su tratamiento con anticoagulantes. “Se realiza seguimiento estrecho. La hematuria [orina en la sangre] remite progresivamente en una semana sin necesidad de ingreso hospitalario”, sigue el trabajo presentado en el congreso.

Este caso se resolvió sin más complicaciones, pero todas las fuentes consultadas lo destacan como muy ilustrativo porque reúne en un solo paciente varios retos a los que se enfrentan los médicos. Uno es la creencia de que todo “lo natural” equivale a inocuo, cuando en realidad muchos suplementos alimenticios —cada vez más utilizados— contienen sustancias con efectos fisiológicos que pueden no ser siempre beneficiosos. Otro es el hecho de que el riesgo de interacciones se dispara entre quienes toman varios fármacos, algo común en los pacientes mayores y crónicos que más frecuentan las consultas de primaria.

Y, en tercer lugar, el creciente uso de la IA como herramienta a la que preguntar por temas de salud y cuyas respuestas pueden llevar a tomar decisiones sin consultar al médico. Un riesgo sobre el que la Organización Mundial de la Salud (OMS) lleva alertando desde 2023. “Los datos que se emplean para entrenar a la inteligencia artificial pueden estar viciados, dando lugar a informaciones engañosas o inexactas que representen un riesgo para la salud”, advierte el organismo en un comunicado.

“Son personas que actúan con la mejor de las intenciones, pero que por desconocimiento y confiar en exceso en la IA pueden tomar decisiones que pueden resultar perjudiciales. Todo esto requiere un esfuerzo importante por nuestra parte: informar bien, dar herramientas para tomar mejores decisiones en salud y estar disponibles para resolver dudas”, afirma Oliva Morales.

Julio Mayol, catedrático de Cirugía en la Universidad Complutense de Madrid y experto en el desarrollo de la IA en el ámbito sanitario, considera que estos casos muestran “la gran revolución de desintermediación” que vive el mundo sanitario. Y recurre a una analogía histórica para explicarla: “La expansión de la inteligencia artificial reproduce el impacto que tuvo la imprenta de Gutenberg: la desintermediación del acceso al conocimiento. Igual que la lectura de las Escrituras dejó de ser patrimonio exclusivo del clero y dio lugar a la Reforma, hoy la información ya no depende solo de los profesionales”.

Intentar frenar este proceso, “como hizo la Contrarreforma, con una política sistemática de control y censura de libros, resulta inviable”, considera Mayol. “La respuesta más eficaz se asemejaría al modelo educativo impulsado por los jesuitas: formar a la ciudadanía para que domine el nuevo medio”, sostiene. En la práctica, para este experto, la nueva realidad es también un gran reto para los médicos: “Abandonar el rol de guardianes del conocimiento y asumir una función pedagógica que ayude a capacitar a la población en el uso responsable de estas herramientas, con una evaluación crítica de los contenidos generados por la IA”.

La Organización Médica Colegial (OMC) ha publicado recientemente el Manual de Buenas Prácticas para la Inteligencia Artificial en Medicina. “Es importante tener en cuenta que la IA generativa generalista supone un riesgo si se utiliza para obtener recomendaciones médicas, como ha ocurrido con este paciente. La IA tiene un enorme potencial para ayudar al médico y liberarle de tareas burocráticas y con poco valor, pero no puede sustituir nunca el criterio clínico”, explica la vicepresidenta primera de la entidad, Maribel Moya.

Para un uso seguro, Moya subraya que la IA “puede intervenir en distintos momentos del proceso asistencial, pero el médico debe situarse siempre en el último eslabón de la cadena y mantener una supervisión efectiva”. Por ello, apuesta por medidas como el desarrollo de “chatbots corporativos y otras herramientas cuyo contenido esté avalado" por la evidencia. “El médico puede recomendar estas herramientas, acompañar al paciente en su uso y contestar a cualquier pregunta que pueda surgirle”, concluye.

En la apertura del congreso, los responsables de la SEMG también han querido poner el foco en otros problemas relacionados con las nuevas tecnologías y la lectura acrítica de sus contenidos. En una sesión titulada Anabolizantes y dietas hiperproteicas: lo que el médico de familia debe saber y preguntar, los participantes han alertado de que “el uso de las redes sociales, la presión estética y el deseo de obtener cambios físicos rápidos está llevando a perfiles cada vez más jóvenes y alejados del deporte de élite” a asumir comportamientos de riesgo, según Rodrigo Santos Santamarta, miembro del Grupo de Trabajo de Medicina Deportiva de la SEMG.

Otro motivo de alerta son los llamados trastornos del comportamiento alimentario “silenciosos”, también relacionados con las “redes sociales, la cultura fitness y la presión estética, que están actuando como catalizadores clave”. Antonio Torres, miembro del Grupo de Trabajo de la entidad, ha destacado que se trata de trastornos “menos visibles” que otros más graves y conocidos como la anorexia o la bulimia clásicas, pero que son “cada vez más frecuentes y difíciles de detectar” en la consulta. El gran riesgo, ha incidido este experto, es que la combinación de nuevas tecnologías y tendencias estéticas “transforman conductas obsesivas en hábitos aparentemente saludables y validados socialmente”, algo que tiene un especial impacto en “adolescentes y jóvenes, que terminan interiorizando estándares corporales inalcanzables y editados como la norma”.

Fonte: EL PAIS

Formandos de universidades dos EUA vaiam discursos sobre IA

Um detalhe que me parece relevante: para usar a IA como instrumento auxiliar, é preciso conhecer o assunto sobre o qual você irá questioná-la e saber formular perguntas pertinentes.

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Por que alunos estão vaiando a inteligência artificial em formaturas de universidades dos EUA?

Discursos proferidos principalmente por grandes empresários têm gerado o efeito contrário ao esperado em cerimônias de colação de grau: estudantes demonstram revolta, em vez de ânimo ou motivação.



11/06/2026 01h00 

A cena clássica de uma colação de grau, em geral, inclui aplausos para cada um dos (muitos) nomes chamados ao palco, mensagens motivacionais, agradecimentos, reflexões, lágrimas de alívio e capelos sendo jogados para cima.

Nos últimos meses, no entanto, o que se escutou nos Estados Unidos em casos pontuais foram… vaias. Sim, em plena cerimônia de formatura, em alto e bom som, a cada vez que a expressão “inteligência artificial” era mencionada.

Na Universidade da Flórida Central, quando a executiva do setor imobiliário Gloria Caulfield fez um discurso aos formandos e chamou a IA de “a próxima Revolução Industrial”, provocou revolta nos alunos. Foi vaiada.

Na Universidade do Arizona, Eric Schmidt, ex-CEO do Google, falou dos “arquitetos da inteligência artificial”, nomeados pela revista “Time” como “pessoas do ano”. Vaiado.

E na Universidade Estadual do Meio do Tennessee, Scott Borchetta , executivo musical, ousou dizer aos formandos que a IA está “reescrevendo o processo de produção”. Vaiado também.

Nos três casos, vídeos mostrando o descontentamento dos estudantes viralizaram nas redes sociais.

“Os alunos esperam discursos de incentivo, de otimismo, de sabedoria ou de ânimo, como costuma acontecer em todas as formaturas”, afirma Adriano Peixoto, professor e membro da comissão de inteligência artificial da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“Aí, eles ouvem uma referência à IA. É como enfiar uma faca no peito deles, justamente em um dia tão importante.”

Mas, afinal, por que ouvir uma exaltação a essa tecnologia na colação de grau dói tanto?

Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, há as seguintes hipóteses:

medo de não conseguir um emprego após se formar;
sensação de dependência da IA;
revolta em relação a estes porta-vozes, que representam “big techs” (grandes empresas de tecnologia);
frustração de expectativas em relação ao real uso da inteligência artificial;
protesto contra os prejuízos ao meio ambiente.



Discursantes são vaiados em cerimônias de formatura nos EUA — Foto: Reprodução/Redes sociais


Segundo Paulo Blikstein, professor do Teachers College e afiliado ao departamento de Educação da Universidade Columbia, em Nova York, o avanço da inteligência artificial já traz o temor da substituição de humanos por máquinas. E, na perspectiva dos recém-formados, justamente os empregos de quem está em início de carreira podem ser os mais atingidos.

“Os mais jovens se sentem ameaçados, porque sabem que vão ser impactados”, diz o especialista.

As dificuldades financeiras, agravadas pelas dívidas estudantis, dão mais peso a essas preocupações.

“No caso dos Estados Unidos, os alunos provavelmente contraíram um empréstimo e têm uma série de dívidas. Eles veem o nível crescente de desemprego e percebem que os trabalhos de nível inicial, de ‘entrada’, estão sendo substituídos por IA”, diz Peixoto, da UFBA.

“Então, é aquela coisa: ‘eu fiz tudo isso, e agora? O que vai acontecer?’. É um sentimento de frustração. E aí isso se junta a um discurso de algum grande nome da indústria falando de inteligência artificial em tom de otimismo. Isso gera uma desconexão entre o que o estudante está sentindo e o que o palestrante está falando.”

💥Sensação de dependência da IA

O ponto atual em que a sociedade está a respeito da IA deixa claro, segundo os especialistas ouvidos pelo g1, que as consequências do uso dessa ferramenta vão muito além de apenas facilitar tarefas do dia a dia.

“Já há uma dualidade: os alunos percebem que sim, a inteligência artificial é útil, mas, por outro lado, também notam que estão ficando dependentes dela”, diz Blikstein.

As vaias traduziriam essa angústia. “Algo que começou empoderando as pessoas acaba também tornando-as reféns.”

💥Revolta em relação às 'big techs'

É importante observar quem são as pessoas vaiadas: todas representam grandes empresas de tecnologia. O protesto dos recém-formados provavelmente tem relação com esse perfil.

“A reação deles pode nem ser à tecnologia em si, mas aos interesses econômicos envolvidos e à eventual falta de limites éticos”, explicam Carlson Luís Pires de Toledo e Alexandre Marcondes, diretores do Colégio Visconde de Porto Seguro (SP).

Os discursos proferidos nas cerimônias podem soar como fantasiosos.

“Os alunos sabem que não é apenas uma vontade de contribuir com o futuro da humanidade. As big techs evidentemente querem diminuir os custos com pessoal, por exemplo. Agentes de IA não fazem greve, não pedem aumento, não reclamam de trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana”, afirma Blikstein, da Universidade Columbia.

O fato de esses interesses do setor privado não serem explicitamente mencionados — e sim permanecerem disfarçados pelo discurso de “avanços da sociedade” — contribuiria para essa revolta.

“As pessoas perderam a paciência com essa conversa do Vale do Silício de ‘deixe que vamos entregar o futuro para vocês’”, diz o professor.

Andrea Jotta, psicóloga especializada em ciberpsicologia pela PUC-SP, concorda que o distanciamento entre o que é dito nos discursos das empresas e o que de fato é percebido pelos alunos aumenta essa rejeição.

“A gente quer a IA como ferramenta, não como dona dos nossos pensamentos. E a linha que divide isso não está clara. Há de se esperar um levante [contra as grandes empresas] até que tudo se ajuste”, diz.

💥Frustração de expectativas

Outro fator que pode ajudar a explicar as vaias é a mudança na percepção pública sobre o que a inteligência artificial prometia entregar.

Quando ferramentas como o ChatGPT ganharam popularidade, há cerca de dois ou três anos, era comum ouvir previsões otimistas sobre o potencial para resolver grandes problemas da humanidade.

"Havia uma expectativa de que a inteligência artificial ajudaria a curar o câncer, combater o aquecimento global, democratizar a educação e ampliar o acesso ao conhecimento", afirma Blikstein.


Segundo ele, porém, o discurso mudou rapidamente.

"De um ou dois anos para cá, ficou mais claro que a utopia estava virando uma distopia. A conversa passou de 'vamos curar o câncer' para 'vamos substituir todos os advogados da empresa' ou 'vamos substituir professores nas universidades'."

Para o especialista, os estudantes percebem essa mudança de foco e passam a enxergar a tecnologia com mais desconfiança.

"Existe uma corrida para ver quem consegue explorar primeiro e melhor esse espaço de substituição do trabalho humano. E esses graduandos não estão mais olhando isso com bons olhos", diz.

💥Protesto contra os prejuízos ao meio ambiente

As preocupações com o impacto ambiental da inteligência artificial também podem estar por trás das manifestações dos formandos.


Nos Estados Unidos, cresce o debate sobre o enorme consumo de energia e água dos data centers, estruturas responsáveis por armazenar e processar os sistemas de IA.

Segundo Peixoto, da UFBA, muitos estudantes associam esses custos ambientais aos interesses econômicos das grandes empresas de tecnologia.


Na avaliação do professor, parte da insatisfação surge da percepção de que os benefícios da tecnologia ficam concentrados em um grupo pequeno de pessoas, enquanto os custos são compartilhados por todo o planeta.


"Os ganhos ficam para os bilionários. Ao mesmo tempo, a população está lidando com dificuldades para pagar as contas e conseguir emprego", diz.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Arte sobre a traição bolsonarista

 


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Imprensa internacional cita "lobby" de Flávio Bolsonaro junto a Trump contra o Brasil
Financial Times diz que Trump rompeu “trégua” que havia firmado com Lula e “desencadeou uma tempestade política" no Brasil
04 de junho de 2026, 08:30 h

Manchete do jornal britânico Financial Times (Foto: Reprodução/Financial Times)
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247 - O jornal britânico Financial Times afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rompeu uma “trégua” que havia firmado com o presidente Lula (PT) e “desencadeou uma tempestade política” no Brasil ao anunciar novas medidas contra o país, em meio à articulação atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao governo norte-americano. A reportagem destaca a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e a decisão dos Estados Unidos de designar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

O jornal associou os anúncios feitos por Washington a “um esforço de lobby por parte de um importante candidato presidencial brasileiro”, em referência a Flávio Bolsonaro, que se reuniu com Trump na Casa Branca pouco antes das medidas contra o Brasil. O Financial Times afirmou que os dois anúncios encerraram a aparente acomodação entre Lula e Trump após a imposição de tarifas no ano passado, uma das maiores alíquotas adotadas sob a política comercial do republicano.


A publicação britânica apontou que a movimentação de Flávio busca aproximá-lo de políticos pró-Trump que venceram eleições recentes na América Latina. O senador tem tentado se projetar no campo internacional ao lado de lideranças alinhadas ao presidente dos Estados Unidos, em um contexto de disputa política interna no Brasil.

Em 28 de maio, os Estados Unidos anunciaram a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida é defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano, mas sofre resistência do governo Lula, que teme a abertura de brechas para intervenções militares norte-americanas no território brasileiro.


Na terça-feira (2), o governo norte-americano apresentou uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Ao justificar a medida, Washington criticou o Pix e classificou práticas do governo brasileiro como “irrazoáveis”, alegando que elas “oneram ou restringem o comércio dos EUA”.

O Financial Times avaliou que Trump “desencadeou uma tempestade política” no Brasil. A reação levou Lula a usar os anúncios recentes para criticar Flávio Bolsonaro, a quem acusou de trair o país ao estimular medidas de Washington contra interesses brasileiros.

O jornal também registrou que Lula passou a chamar a nova proposta de tarifa de “TariFlávio”, em referência ao senador. A expressão foi usada pelo presidente para vincular a ofensiva comercial dos Estados Unidos à articulação política do filho de Jair Bolsonaro (PL) junto a Trump.

A reportagem afirma ainda que Flávio Bolsonaro foi “colocado na defensiva pela proposta de tarifas”. O Financial Times citou um vídeo no qual o senador, pré-candidato à Presidência, diz ter pedido a Trump que não impusesse novas taxas ao Brasil.

Apesar da repercussão, o jornal avaliou que Trump “não tomou partido abertamente na campanha eleitoral brasileira de outubro”. Ainda assim, a publicação observou que uma série de sinais foi amplamente interpretada no Brasil como indício de apoio a Flávio Bolsonaro.

https://www.brasil247.com/midia/imprensa-internacional-cita-lobby-de-flavio-bolsonaro-junto-a-trump-contra-o-brasil

INJUSTIÇA ETERNA - Vergonha!!!


Absolvição de ex-presidente da UDR perpetua 28 anos de impunidade no campo e expõe manobra jurídica de última hora no Paraná

Após 28 anos e três condenações anuladas, novo júri mantém impune o ruralista que matou camponês
Curitiba (PR)

Sebastião Camargo foi assassinado aos 65 anos, durante um despejo violento realizado pela UDR, no noroeste do Paraná. | Crédito: Foto: Arquivo pessoal


O Tribunal do Júri de Curitiba absolveu o ruralista e ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet, da acusação de assassinato do trabalhador rural sem-terra Sebastião Camargo. O julgamento foi concluído na madrugada desta sexta-feira (29), na capital paranaense. Com um resultado apertado, o ruralista não foi responsabilizado pelo crime, ainda que sete testemunhas tenham reconhecido Prochet na cena do crime. Responsável pela acusação, o Ministério Público do Paraná relatou que deve avaliar se recorrerá da decisão.





A batalha por justiça já se arrasta por 28 anos desde o crime em 1998 e expõe duas realidades opostas. De um lado, a luta por justiça com permanente denúncia nacional e internacional contra a impunidade do latifúndio. Exemplo disso foi a manifestação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2009, que responsabilizou o Estado brasileiro pelo assassinato do trabalhador, criticando a lentidão e a incapacidade do sistema de justiça nacional em punir os envolvidos.

Por outro lado, o processo foi marcado por sucessivas estratégias processuais da defesa do ruralista, incluindo diversos pedidos de adiamento e uma série de recursos acolhidos pelo Judiciário que resultaram na anulação das condenações proferidas pelo Tribunal do Júri. Em um cenário incomum na justiça brasileira, Prochet chegou a ser condenado por três júris populares distintos como autor do disparo que matou Sebastião Camargo. As condenações, ocorridas em 2013, 2016 e 2021, acabaram anuladas pelo Tribunal de Justiça do Paraná. O caso também enfrentou episódios que contribuíram para sua longa tramitação, como o extravio dos autos físicos do processo.

E, de modo ainda mais surpreendente, a defesa apresentou apenas no dia do júri uma nova testemunha: Jair Firmino, conhecido como Borracha. Diante do júri, o pistoleiro assumiu a autoria do crime.

Registro do julgamento de Marcos Prochet em 2016.
| Crédito: Arquivo

Entenda o caso

Sebastião Camargo foi morto aos 65 anos com um tiro na cabeça. O crime aconteceu em 7 de fevereiro de 1998, durante um despejo ilegal efetuado em um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Fazenda Boa Sorte, em Marilena, no Noroeste do Paraná. Na área residiam 300 famílias. Além do assassinato de Camargo, que deixou esposa e filhos, outras 17 pessoas, incluindo crianças, ficaram feridas na ocasião.

A área ocupada pelo movimento já estava em processo de desapropriação quando os ruralistas orquestraram o despejo ilegal. Vistoriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a fazenda foi considerada improdutiva. Teissin Tina, então dono da fazenda, recebeu cerca de R$ 1,3 milhão pela propriedade.

Messias Camargo tinha 15 anos quando seu pai foi assassinado. Neste 4º júri em que o acusado de assassinar seu pai estava no banco dos réus, Messias acompanhou da primeira fila, vendo em primeiro plano dois filhos de Marcos Prochet atuando como advogados de defesa do pai.

“Eles pregam tanto, como eles [a defesa de Prochet] ontem falavam em família, que são família. E daí a minha família, como é que sente? Como é que fica a minha família? Você não pode ter teu pai, não pode ver o pai, criar os seus netos. Como é que a gente sente? Será que para eles é família, isso aí? E a minha família? Minha família, será que não sente? […] Eles não mataram um cachorro, mataram um homem, mataram um pai de família. É muito tempo que a gente sente dor. A gente não é ser humano que não tem coração. Por que será que o pobre é um cachorro para esse povo? Será que não tem futuro, não tem valor?”, desabafa o camponês.

Messias cresceu com os três irmãos em idades próximas e a mãe, sempre trabalhando na roça. “Com 16 anos já trabalhava no serviço bruto. Não tive oportunidade de estudar, não tive oportunidade de nada Enquanto ontem os filhos deles estavam lá, dois advogados, defendendo ele e brigando”.

Na avaliação do MST, a sequência de recursos da defesa até culminar na absolvição é emblemática de como opera a arquitetura de manutenção da impunidade aos latifundiários. Nessa estrutura, as relações de interferência e proximidade com o Executivo e o Judiciário foram centrais para a não responsabilização e para o poder do ruralista.

Durante o júri, Prochet relatou que, no período dos fatos, “só com Jaime Lerner [então governador do Paraná] tive 52 agendas”, ao relatar a incidência política para criminalizar e paralisar ações dos movimentos pela reforma agrária. Mesmo sendo mencionado por testemunhas, o delegado da Comarca de Matelândia, Eduardo Barbosa, não determinou o depoimento de Marcos Prochet na época. Pouco tempo depois, o delegado foi condenado por corrupção e peculato.

Para João Flávio Borba, integrante da direção do MST no Paraná que acompanhou o júri, o resultado registra a injustiça que marca a história do Brasil. “A ênfase é do sentimento de impunidade. Para quem conviveu por mais de 20 anos, sabe o que significou toda a ação que a UDR, de uma forma ou outra, reprimiu com o resultado de mortes de pessoas e todo um clima de tensão que existia dentro da região […]. É uma atualização da fotografia do Brasil como o país da impunidade com os crimes cometidos contra os povos do campo, há mais de 500 anos”.

Forte opositor da reforma agrária, Prochet teve seu vínculo e o da UDR com a contratação de milícias rurais para ações violentas em ocupações amplamente evidenciados pela acusação ao longo do julgamento, em matérias nos veículos de imprensa, nos testemunhos e mesmo na realização da Comissão Parlamentar Mista (CPMI) da Terra, realizada entre 2003 e 2005.

“A gente quer fazer justiça. Não importa se é rico, se é pobre, preto, se é sem-terra, com terra, é fazer justiça. Depois de 28 anos, é mostrar que o Brasil não é país da Primeira República, não é Brasil dos coronéis, é do povo”, clamava o promotor do Ministério Público, André Tiago Pasternak Glitz, ao júri. “O filho de Sebastião está aqui acompanhando mais um julgamento. Sebastião foi assassinado com um tiro na cabeça. Não dá mais para tolerar. Depois de 28 anos, justiça”, complementa.

Terceirização da culpa e manobra de última hora

A grande reviravolta do julgamento foi desenhada nos bastidores. Apenas no dia do júri, a defesa de Prochet apresentou uma nova testemunha: o jagunço Jair Firmino, conhecido como “Borracha”. Diante do tribunal, o pistoleiro assumiu a autoria do crime e a classificou como um “acidente”. De acordo com o próprio depoimento de Firmino, os advogados e familiares do ruralista o procuraram na terça-feira desta semana e disponibilizaram o pagamento de deslocamento, hospedagem e um advogado próprio. “O filho do Marcos me procurou e pediu para eu vir aqui. Foi na terça-feira”, declarou.

A cena do depoimento chocou o plenário, com os advogados de defesa cercando a testemunha enquanto Firmino afirmava ser o autor do disparo contra Sebastião. “Nunca vi o que aconteceu hoje. Vinte e oito anos depois aparece o verdadeiro criminoso, querendo expiar sua culpa. É fácil ele assumir agora que já não pode ser condenado”, questionou o promotor, em referência à impossibilidade de punição de Borracha, já que o crime prescreveu para ele. “Depois de 28 anos, a verdade não aparece por acaso na véspera do julgamento”, alerta.

O promotor ainda destacou que, embora Borracha alegue ter várias testemunhas de sua suposta culpa, o nome do jagunço foi mencionado em pouquíssimas ocasiões por apenas uma pessoa ao longo de quase três décadas de processo e oitivas: por Augusto Barbosa da Costa, acusado de integrar a milícia que realizou o ataque contra o acampamento. E, mesmo sendo referido logo no início do processo, em 1998, a defesa do réu não o acionou ou sustentou em outros júris a culpa de Borracha. O nome do jagunço surgiu em um depoimento “informal” de Augusto ao delegado Eduardo Barbosa. “Augusto depõe e não diz nada sobre Borracha e depois, em relatório do delegado, ele insere o nome de Borracha e relata aqui, em plenário, que Augusto o mencionou como autor do disparo em depoimento informal”, aponta o promotor. “A verdade é que estas pessoas estavam no bolso; é mais uma vez o poder da grana comprando o nosso Estado”, destaca.

O Ministério Público também contestou a motivação do depoimento. A testemunha alegou que assumiu a culpa para “evitar uma injustiça”, afirmando ter sido injustiçada em outro caso. Em 2011, o Tribunal do Júri do Paraná condenou Jair Firmino pelo assassinato do trabalhador rural Eduardo Anghinoni, ocorrido em 1999. Na ocasião, Borracha foi condenado e cumpriu 15 anos de prisão respaldado por robusto conjunto de provas, o que desidrata seu argumento de erro judicial.

A contradição entre o depoimento do ex-presidente da UDR e o histórico de relação entre ele e o pistoleiro também ficou registrada na história: o próprio Marcos Prochet acompanhou pessoalmente o julgamento em que Borracha foi condenado por matar Anghinoni. Após a sentença que deu 15 anos de cadeia ao pistoleiro, o ruralista saiu publicamente em sua defesa, em 2011: “O Borracha é trabalhador, não fez esse negócio”. Anos depois, o mesmo aliado é usado como peça de descarte para blindar o latifúndio. Já no júri desta quinta e sexta-feira, Prochet relatou que não conhecia Borracha.

Outro aspecto que se destaca é o fato de Borracha e Marcos Prochet compartilharem a assessoria jurídica dos mesmos advogados. Durante o júri, Jair Firmino relatou que, ao longo dos 28 anos, contou apenas ao advogado Itacir Biazus ser o autor do disparo que vitimou o camponês, e que foi acompanhado pelo advogado Ricardo Baggio quando foi preso em flagrante em 1998. Os mesmos advogados acompanharam Marcos Prochet em depoimentos à delegacia dias após o crime.

Álibis forjados

De acordo com a promotoria, o réu constituiu, nos dias seguintes ao crime, uma agenda roteirizada de álibis que incluía familiares, amigos e funcionários. Essa construção artificial resultou até mesmo na sobreposição de horários relatados pelos álibis como de encontros com Prochet.

“Às 9h ele estaria na casa do advogado; às 9h15 Tarcísio relata que ligou para a casa de Prochet e conversou com o ruralista; entre 9h e 9h30 a esposa Regina diz que ele a deixou na loja; às 9h30 ele chegou no trabalho”, resgata o promotor de falas de testemunhas em depoimentos. “Esse roteiro forjado criou a ilusão da onipresença. A tentativa de criar um álibi é tão forte que ele [Prochet] faz o que a gente não consegue fazer, que é estar em vários locais ao mesmo tempo”, diz.
Testemunhas do crime

A trabalhadora rural Antônia França é uma das principais testemunhas do crime, e prestaria depoimento virtualmente; porém, por dificuldade de conexão da internet, teve o testemunho prestado ao longo do julgamento. Ela estava deitada ao lado de Sebastião Camargo quando ele levou o tiro na cabeça e foi atingida por fragmentos de pólvora que lhe causaram lesões. Em depoimento prestado em 1998, depois na audiência de instrução que acarretou na denúncia do Prochet, que ocorreu em março de 2004, quanto em todos os juris (2013, 2016 e 2021), ela disse as mesmas coisas, que reconheceu a voz e viu o Prochet tirar o capuz.

“Eles falavam: ‘Esse velho está olhando, eu vou dar um tiro na cabeça dele’. Mas ele erguia a cabeça porque tem problema na coluna”, disse a testemunha. “Eu reconheci a voz dele, do Marcos Prochet. Eu conhecia ele, da Fazenda Três Córregos. Ele sempre ia por lá com a polícia. Depois, ele tirou o capuz.” Antonia, em fevereiro de 1998, chegou a fazer exame de corpo delito, pois foi atingida por pólvoras dos tiros.

Ela contou em seus depoimentos que todos os homens que estavam encapuzados correram, após os tiros, até um caminhão e muitos se dirigiam a Prochet como “comandante”. Antonia também citou que Prochet era o único que vestia roupa diferente, com emblema da UDR. “Não me disseram que foi ele, eu vi que era ele”, disse aos advogados do réu no 3º júri popular.

Outras duas testemunhas, Aparecido e Gilson, reforçam o reconhecimento de Prochet pelo tipo físico, pela voz e pela vestimenta.

Três condenados pelo assassinato de Sebastião Camargo

O ex-presidente da UDR – associação de proprietários rurais voltada à “defesa do direito de propriedade” – é a quarta pessoa a ir a júri popular pelo assassinato de Sebastião Camargo. Teissin Tina recebeu condenação de seis anos de prisão por homicídio simples; no entanto, não foi preso porque a pena prescreveu. Já Osnir Sanches foi condenado a 13 anos de prisão por homicídio qualificado e constituição de empresa de segurança privada, utilizada para recrutar jagunços e executar despejos ilegais. Ele cumpre prisão domiciliar por questões de saúde. Augusto Barbosa da Costa, integrante da milícia privada, também foi condenado, mas recorreu da decisão.

Denunciado apenas em 2013, o ruralista Tarcísio Barbosa de Souza, presidente da Comissão Fundiária da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), ligada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), também foi apontado como envolvido no crime, mas a decisão judicial que determinava o julgamento de Tarcísio por júri popular foi anulada em 2019.
Reincidência da injustiça no Paraná

A manutenção da impunidade acrescenta mais um episódio ao grave quadro de ausência de responsabilização da violência do Estado e de latifundiários contra trabalhadores sem-terra. Em 2024, o Estado brasileiro foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) pela intensa violência e pela omissão da justiça brasileira quanto ao assassinato do trabalhador rural Antônio Tavares, bem como pelas lesões sofridas por mais de 197 integrantes do MST por parte de agentes da Polícia Militar do Paraná.

A violência ocorreu durante a repressão, na Rodovia BR-227, em Campo Largo (PR), a uma marcha pela reforma agrária que ocorreria em 2 de maio de 2000, em Curitiba. Na repressão, mulheres, crianças e pessoas idosas também foram feridas.

O órgão vinculado à OEA já tinha condenado o país em mais dois casos. Em 2009, a Corte reconheceu o conjunto de violações pela interceptação, monitoramento e divulgação ilegais de conversas telefônicas de associações de trabalhadores rurais pela Polícia Militar do Paraná, no que ficou conhecido como Caso Esher. No mesmo ano, o país foi condenado por não responsabilizar os envolvidos no assassinato do sem-terra Sétimo Garibaldi.

Em um episódio muito semelhante ao de Sebastião Camargo, na madrugada de 27 de novembro de 1998, um grupo de 20 homens encapuzados reprimiu as 50 famílias vinculadas ao MST e ocupantes da Fazenda São Francisco, em Querência do Norte, localizada no noroeste do Paraná. Na operação de desocupação ilegal, com participação do proprietário da fazenda, Morival Favoreto, o grupo efetuou disparos com armas de fogo, ordenou que as famílias saíssem dos barracos e que se deitassem no chão. Logo que saiu do barraco, o camponês Sétimo Garibaldi, de 52 anos, foi ferido na perna. Sem socorro ao camponês pelo bando, Garibaldi faleceu de hemorragia aguda.

“As violências da UDR e do latifúndio no estado Paraná não podem permanecer impunes e nós vamos seguir os caminhos em âmbito internacional para garantir que haja justiça para Sebastião Camargo e todos os trabalhadores e trabalhadoras rurais que foram vítimas de violência e assassinato por parte dos agentes, dos representantes do latifúndio”, enfatiza Darci Frigo, da Terra de Direitos. A organização contribui no julgamento como assistente de acusação.
Histórico de violência no governo Lerner

No período em que o Paraná foi governado por Jaime Lerner, o estado registrou, além dos 16 assassinatos de sem-terra, 516 prisões arbitrárias, 31 tentativas de homicídio, 49 ameaças de morte, 325 feridos em 134 ações de despejo e 7 casos de tortura, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Uma característica em comum nesses casos é a demora injustificada e a falta de isenção nas investigações e processos judiciais. Exemplo disso é o inquérito policial que investigou o assassinato de Camargo demorou mais de dois anos para ser concluído, e o primeiro júri no caso só foi realizado 14 anos depois do crime.

Em apenas dois dos 16 casos houve condenação efetiva dos executores ou mandantes: em 2011, Jair Firmino Borracha foi condenado pelo assassinato de Eduardo Anghinoni; entre 2012 e 2014, respectivamente, Teissin Tina, Osnir Sanches e Augusto Barbosa da Costa foram condenados pela morte de Sebastião Camargo. Até o momento, porém, nenhum deles permanece preso em regime fechado.
Sementes e frutos da luta pela terra

Neste período do conflito dos anos 1990, emergiram 40 assentamentos do noroeste do Paraná. As duas áreas em que ocorreram as ações das milícias e que resultaram na morte de Sebastião Camargo já haviam sido declaradas improdutivas e foram adquiridas pela União, e hoje são os assentamentos Santo Ângelo e assentamento Sebastião Camargo. Mais de duas mil famílias hoje estão assentadas na região noroeste.

Assentado da reforma agrária no oeste do Paraná, Messias resume o acesso à terra como “sobrevivência e produção”. “Hoje a maioria dos alimentos que vai para a escola é dos assentamentos […]. Hoje o povo consegue trabalhar e manter no colégio, manter os filhos deles que estão estudando, os netos que estão estudando na escola”.

As famílias da região noroeste avançaram na organização de três cooperativas para organizar a produção e a comercialização dos alimentos produzidos, e o município de Querência do Norte é destaque como o maior produtor de arroz do estado, especialmente vindos das áreas da reforma agrária.

João Flávio Borba garante a continuidade da luta pela democratização da terra, enquanto houver famílias que queiram lutar por esse direito: “Nós vamos continuar honrando a memória daqueles que partiram, fazendo luta pela terra e construindo a reforma agrária”. Plantação de Arroz da família Anghinoni, no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte. | Crédito: Jade Azevedo

Como mensagem sobre o que espera para o futuro, Messias deixa um apelo: “Não deixem acontecer isso, façam justiça, porque o ser humano merece ter uma chance de sobreviver e de construir uma vida, ver os teus filhos se formar, estudar, não decepar a vida assim”.

*Por Lizely Borges (Terra de Direitos) e Ednubia Ghisi (MST-PR)

Superbactéria crítica para a OMS é encontrada pela 1ª vez em alimento (OSTRA) no Brasil

Bactéria classificada pela OMS como crítica pela alta resistência a antibióticos foi identificada pela primeira vez em alimentos nas ostras brasileiras, e sua presença segue ameançando



Por Leonardo Vazquez, Ana Lúcia do Amaral Vendramini

05/06/2026 09h14 Atualizado há 22 minutos




Superbactéria crítica para a OMS é encontrada pela 1ª vez em alimento no Brasil — Foto: Adobe Stock

Em agosto de 2025, pesquisadores da USP e do Instituto de Pesca de São Paulo publicaram estudo sobre a descoberta que deveria estar em todo noticiário de saúde pública: a bactéria Citrobacter telavivensis foi identificada pela primeira vez em alimentos no Brasil. Esta bactéria é classificada pela Organização Mundial da Saúde como de prioridade crítica em resistência a antibióticos.

O alimento em questão eram ostras frescas, compradas em mercados de São Paulo e Santa Catarina. Nenhuma das amostras teria sido reprovada nos testes de inspeção sanitária vigentes.

Uma ameaça que cresce silenciosamente

A resistência antimicrobiana é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma das dez maiores ameaças à saúde global. Em outubro de 2025, o relatório GLASS da OMS revelou que uma em cada seis infecções bacterianas registradas entre 2018 e 2023 já apresentava resistência a antibióticos — um aumento de mais de 40% no período.

Em maio de 2025, a Assembleia Mundial de Saúde aprovou um novo Plano Global de Ação para 2026–2036, em reconhecimento de que, sem intervenção, as superbactérias podem matar até 39 milhões de pessoas por ano até 2050. Esse número supera as projeções atuais de mortalidade por câncer.

O problema, porém, ainda é narrado quase exclusivamente como uma questão hospitalar. O que os dados de 2025 reforçam é que elas chegaram à cadeia alimentar — e que a fiscalização sanitária brasileira ainda não acompanhou essa mudança.

Por que a ostra é um espelho do mar?

Ostras são animais filtradores. Elas bombeiam água continuamente para se alimentar e retêm na microbiota tudo o que circula no ambiente onde crescem: vírus, metais pesados, resíduos de medicamentos e bactérias.

Por isso, funcionam como sentinelas ambientais. O que está na água, está nelas.

No estudo de 2025, as amostras continham não apenas a Citrobacter telavivensis — registrada pela primeira vez em um hospital israelense em 2010 — mas também cepas de Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli resistentes a antibióticos de última geração. Além disso, 35% das amostras apresentaram concentrações de arsênio acima do limite máximo permitido pela Anvisa.

Os pesquisadores identificaram um fenômeno chamado co-seleção: o arsênio e os resíduos de antibióticos presentes na água selecionam, ao mesmo tempo, bactérias tolerantes aos dois. O ambiente poluído age como uma estufa de resistência.

O protocolo que não foi feito para isso

Quando um peixe ou um molusco chega a uma planta de processamento no Brasil, ele é avaliado por sistemas reconhecidos internacionalmente — HACCP, APPCC, Boas Práticas de Fabricação.

Esses sistemas verificam temperatura, higiene, presença de microrganismos totais, ausência de patógenos específicos como Salmonella e Listeria.

O que eles não verificam é o perfil de resistência antimicrobiana das bactérias encontradas. Um lote de peixe pode conter o Staphylococcus aureus resistente à meticilina, uma das superbactérias mais perigosas conhecidas — e ainda assim ser liberado para consumo se o número total de microrganismos estiver dentro da norma.

Há uma razão técnica para isso: os protocolos foram desenhados antes de a resistência antimicrobiana se tornar um problema de escala na cadeia alimentar. Eles ainda estão atualizados para o problema de ontem.


Bactéria 'disfarçada' pode ainda ser confundida em exames mesmo depois de surto que matou 15 bebês

Biofilme: o escudo invisível das superbactérias

Há um fator que torna o cenário ainda mais complexo. Bactérias como o Staphylococcus aureus resistente à meticilina não circulam apenas nos alimentos — elas colonizam equipamentos, bancadas e tubulações das próprias plantas de processamento. E fazem isso formando estruturas chamadas biofilmes.

Um biofilme é uma comunidade bacteriana encapsulada em uma matriz protetora. Dentro dele, as bactérias são entre cem e mil vezes mais resistentes a antibióticos do que quando estão isoladas — e mais resistentes aos sanitizantes químicos usados nos processos de higiene industrial.

Em pesquisa publicada em 2023 no periódico Bioscience, Biotechnology, and Biochemistry, juntamente com a equipe da professora Fernanda Sampaio Cavalcante (UFRJ-Macaé) demonstramos que uma enzima produzida naturalmente pela bactéria Staphylococcus lugdunensis — a lugdulisina — é capaz de inibir a formação de biofilmes do Staphylococcus aureus resistente à meticilina e destruir biofilmes já estabelecidos em laboratório.

A lugdulisina é uma metaloprotease: ela degrada a matriz proteica que sustenta a estrutura do biofilme, desprotegendo as bactérias e tornando-as vulneráveis novamente. Até o momento trata-se de um resultado experimental, mas que aponta para uma direção perseguida por pesquisadores do mundo inteiro: agentes anti-biofilme de origem biológica como alternativa ou complemento aos sanitizantes químicos.

O que falta fazer?

O problema não tem solução única. Ele começa no uso de antibióticos na aquicultura e na pecuária. Mais de 75% dos antibióticos produzidos no mundo vão para animais. E atravessam o saneamento básico, o descarte de medicamentos, a fiscalização ambiental e os protocolos industriais.

No Brasil, o Ministério da Agricultura implementou em 2023 a segunda etapa do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito Agropecuário. O programa monitora Salmonella em aves, suínos e bovinos. Pescado (moluscos e peixes), no entanto, ainda não estão cobertos.


Três mudanças são urgentes. A vigilância de resistência antimicrobiana precisa incluir o pescado. Os protocolos de qualidade alimentar precisam ser atualizados para contemplar rastreabilidade de origem e teste de perfil de resistência.

E o financiamento para pesquisa de alternativas biotecnológicas — como enzimas anti-biofilme — precisa acompanhar a velocidade com que as bactérias evoluem.


A superbactéria não tem preferência por hospital. Ela vai aonde a pressão seletiva a leva. E nos últimos anos, essa pressão foi para o mar.

A presença de superbactérias em alimentos não apenas ameaça a saúde pública, mas também pode comprometer exportações brasileiras de pescado, já que mercados internacionais — especialmente União Europeia e Estados Unidos — exigem padrões rigorosos de controle de resistência antimicrobiana.

Isso significa que, além do risco sanitário interno, há um risco direto para a competitividade do setor pesqueiro e para a economia nacional.


**Este texto foi publicado originalmente no site do The Conversation Brasil.


Leonardo Vazquez é pesquisador, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, no momento, não recebe financiamento. Atualmente ele é vinculado aos laboratórios de pesquisa da UFRJ como colaborador científico.
Ana Lúcia do Amaral Vendramini é professora Titular da Escola de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e recebe financiamento da Faperj.



siete cardenales y 61 obispos españoles señalados por encubrir a pederastas durante décadas

 La realidad que la Iglesia sigue escondiendo: siete cardenales y 61 obispos españoles señalados por encubrir a pederastas durante décadas


Diócesis y órdenes mantienen el mismo muro de silencio y opacidad desde hace ocho años: EL PAÍS ha vuelto a preguntar a 211 entidades por la gestión de los casos y solo han respondido tres.
Fonte: EL PAIS
El papa León XIV junto al cardenal Juan José Omella, en una reunión con seminaristas españoles en el Vaticano en febrero, en una imagen de la Santa Sede.Vatican Pool (Getty Images)

'Os israelenses são mais genocidas do que as pessoas pensam'

Conheça Andrey X, o TikToker 'Contra a Hasbara'.

Como uma visita familiar a Israel transformou Andrey Khrzhanovskiy em um ativista em tempo integral, documentando a violência na Cisjordânia.

Ler mais em https://www.haaretz.com/israel-news/2026-05-25/ty-article-magazine/.premium/israelis-are-more-genocidal-than-you-think-the-counter-hasbara-of-andrey-x/0000019e-44cb-d637-a99f-66fbc6cd0000

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André X
Da Wikipédia, a enciclopédia livre


Neste nome que segue os costumes de nomenclatura eslavos orientais , o patronímico é Ilyich e o sobrenome é Khrzhanovskiy .



Andrey X em maio de 2022
Nascer
André Ilyich Khrzhanovskiy
2 de maio de 1998 (28 anos)
Cidadania
Rússia
Israel
Educação
Escola do Museu Estatal Russo
Escola Gordonstoun
Alma mater University College London
Profissões
Jornalista
ativista
Anos de atividade 2021–presente (jornalismo)
2023–presente (ativismo)
Organização Kompas (2023–2024)
Pai Ilya Khrzhanovsky
Parentes Andrei Khrzhanovsky (avô)
Site www.andreyx.com


Andrey Ilyich Khrzhanovskiy ( em russo : Андре́й Ильи́ч Хржано́вский ; nascido em 2 de maio de 1998), [ 1 ] [ 2 ] [ 3 ] [ 4 ] conhecido online como Andrey X , é um jornalista e ativista russo-israelense contra a violência dos colonos israelenses na Cisjordânia . Ele ganhou destaque durante a guerra de Gaza .

Primeiros anos de vida e educação

Filho e neto dos cineastas russos Ilya e Andrei Khrzhanovsky , respectivamente, [ 5 ] [ 6 ] [ 7 ] Andrey Khrzhanovskiy foi criado em São Petersburgo . [ 3 ] [ 7 ] [ 8 ] Ele teve uma breve experiência como ator mirim , que inclui um papel em Um Quarto e Meio (2009), dirigido por seu avô homônimo. [ 1 ] [ 2 ]

Tendo abandonado a escola pública aos 14 anos, ele obteve seu diploma do ensino médio aos 16 e mudou-se para a Escócia, frequentando a Gordonstoun para cumprir os requisitos para ingressar em uma universidade britânica. [ 7 ] [ 9 ] Depois de passar um ano aprendendo sobre budismo e praticando kung fu no Mosteiro Shaolin na China, [ 9 ] ele se formou em Antropologia pela University College London , com uma dissertação focada na política dos países pós-soviéticos – para a qual passou algum tempo na Transnístria . [ 6 ] [ 7 ] [ 9 ] Ele começou sua carreira como jornalista escrevendo para publicações russas antigovernamentais como Meduza , Novaya Gazeta , Doxa e Discours . [ 9 ] Até 2022, ele também trabalhou em uma organização que auxiliava pessoas no espectro do autismo em São Petersburgo. [ 7 ] [ 10 ]

Khrzhanovskiy estava visitando seus avós em Israel em fevereiro de 2022, quando começou a invasão russa da Ucrânia ; ele optou por ficar lá , temendo uma possível perseguição por sua atividade como jornalista político. [ 3 ] [ 4 ] [ 7 ] [ 11 ] [ 12 ] Aproveitando-se de sua herança judaica, ele solicitou a cidadania israelense de acordo com a Lei do Retorno e recebeu um passaporte em pouco tempo, o que lhe permitiu se estabelecer em Tel Aviv . [ 9 ] [ 11 ] [ 12 ]

Ativismo e questões legais

Embora inicialmente pouco informado sobre o conflito israelo-palestino , Khrzhanovskiy disse que suas interações com israelenses e palestinos de 1948 rapidamente o fizeram perceber que estava se beneficiando do lado privilegiado de um sistema de apartheid e se sentiu compelido a "fazer algo a respeito". [ 3 ] [ 4 ] [ 7 ] [ 11 ] [ 13 ] Ele atribuiu isso principalmente a conversas com duas pessoas: um corretor de imóveis que lhe disse que " Netanya é um ótimo lugar para se viver porque o prefeito não permite que árabes aluguem apartamentos"; [ 13 ] e o dono de um café em Jaffa onde trabalhava, que foi forçado a visitar sua família na Jordânia , expulsa em 1948 e desde então proibida de entrar em Israel. [ 4 ] [ 7 ] [ 13 ]

Após um encontro em primeira mão com um colono nas colinas do sul de Hebron , bem como o início da guerra em Gaza em outubro de 2023 e a subsequente escalada da violência de colonos e do Estado contra palestinos na Cisjordânia ocupada , incluindo incursões militares, Khrzhanovskiy juntou-se a organizações locais de direitos humanos e começou a documentar as incursões nas redes sociais, particularmente na aldeia de Ras al-Auja [ 3 ] [ 4 ] [ 11 ] pela Juventude do Topo da Colina . [ 7 ] 
Ele também cofundou a empresa de mídia e ativismo Kompas ( Компас ), fornecendo cobertura em língua russa da Cisjordânia. [ 3 ] [ 7 ] [ 9 ] No verão de 2024, quando estava na nascente de Auja , colonos israelenses o atingiram na cabeça com um pedaço de pau, perfurando seu tímpano. [ 11 ]

Em outubro seguinte, Khrzhanovskiy e outros quatro jornalistas foram detidos a caminho de Nablus e levados para uma base militar, onde, segundo relatos, foram vendados, espancados e mantidos sob o sol durante horas. 
As autoridades acusaram seu colega Jeremy Loffredo, do The Grayzone, de " ajudar o inimigo em tempo de guerra " após ele ter noticiado o pouso de um míssil iraniano na Base Aérea de Nevatim . [ 14 ] [ 15 ] Devido à associação de Loffredo com um veículo pró-Rússia , Khrzhanovskiy foi expulso do coletivo Kompas por não aderir aos seus valores, "o principal dos quais é a rejeição de qualquer imperialismo , incluindo o russo ". Ele comentou que concordar em acompanhar Loffredo foi "um erro enorme e um grande ato de falta de profissionalismo da [sua] parte". [ 15 ]

Em 12 de dezembro de 2024, Khrzhanovskiy foi preso pela polícia israelense em Tel Aviv e levado para uma delegacia em Sderot . O motivo declarado foi a prisão por "vandalismo" devido a um vídeo que ele havia postado duas semanas antes, no qual aparecia colocando um adesivo com os dizeres "Palestina Livre" em um mirante em Sderot usado por israelenses para observar os bombardeios na Faixa de Gaza , mas também dedicado à memória de um soldado das Forças de Defesa de Israel morto no massacre de Be'eri durante os ataques de 7 de outubro . Suas ações foram publicamente criticadas pelo Ministro da Construção e Habitação de Israel, Yitzhak Goldknopf . Khrzhanovskiy foi posteriormente libertado sob fiança condicional de 15.000. [ 3 ] [ 8 ] [ 16 ] Segundo ele e seus advogados, ele foi repetidamente espancado e privado de comida e água durante sua detenção, além de ter tido negado apoio linguístico em seu julgamento, apesar de seu conhecimento limitado de hebraico . [ 3 ] [ 8 ]

Em 3 de outubro de 2025, Khrzhanovskiy fazia parte de um grupo de manifestantes israelenses que tentaram cruzar a fronteira entre Israel e Gaza a pé, em continuação declarada da Flotilha Global Sumud como um ato de pressão para "desmantelar o cerco a Gaza – por mar e por terra". Juntamente com outros ativistas, ele foi detido e agredido por forças israelenses, que supostamente torceram seu pulso. [ 17 ] [ 18 ]

Em novembro de 2025, Khrzhanovskiy estava em turnê por cidades suecas falando sobre a violência dos colonos israelenses. [ 19 ] [ 20 ] Pouco depois, no início de dezembro, ele foi condenado a um mês e a uma multa por ter pichado a Embaixada da Rússia em Tel Aviv dois anos antes, em protesto contra a guerra do país contra a Ucrânia. [ 21 ]

Vistas

As posições políticas de Khrzhanovskiy foram descritas como " extrema esquerda ", [ 5 ] [ 7 ] com seu pai chamando-o de "esquerda radical". [ 6 ] Ele apoia uma solução de um único Estado para o conflito israelo-palestino. [ 3 ]

Khrzhanovskiy afirma que os israelenses gozam de "impudência endêmica" para cometer abusos de direitos humanos e limpeza étnica contra os locais, e sustenta que somente a pressão internacional ou a intervenção direta, como as missões de paz da ONU, podem impedi-lo. [ 4 ] [ 11 ] [ 13 ] 

De acordo com seu depoimento, quando palestinos ou ativistas internacionais – incluindo ele próprio – são vítimas de agressões de colonos e denunciam à polícia israelense, são eles que acabam presos sob essas acusações. [ 11 ] Ele está envolvido em 13 processos civis contra as autoridades israelenses até maio de 2025 ; [ 3 ] no entanto, ele denunciou o fato de que, diferentemente dele, os palestinos são julgados em tribunais militares . [ 3 ] [ 21 ]

Vida pessoal

Quando se estabeleceu pela primeira vez em Tel Aviv em 2022, Khrzhanovskiy era casado; desde então, divorciou-se da esposa. [ 10 ] Em setembro de 2025, ele já vivia há um ano na Cisjordânia, hospedado por famílias palestinas e mudando-se de aldeia em aldeia a cada poucos dias. [ 10 ] [ 12 ]

Referências
"Андрей Хржановский мл".Kinox.ru(em russo). 17 de julho de 2024. Recuperado em 23 de agosto de 2025.
"Андрей Хржановский (младший)".Kino-Teatr.ru(em russo). 6 de outubro de 2023. Recuperado em 24 de agosto de 2025.
McCarthy, Hannah (18 de maio de 2025)."'Terrorismo de colonos é algo cotidiano': afirma ativista judeu russo que emigrou para Israel . The Irish Times . Consultado em 23 de agosto de 2025 .
"Andrey X, jornalista e fenômeno do TikTok, testemunha sobre limpeza étnica na Cisjordânia".111.111.111. 23 de junho de 2025.Consultado em 22 de agosto de 2025.
, Sam (23 de janeiro de 2025). Israel demonstra a supressão mais ampla da liberdade de expressão". The Progressive . Consultado em 23 de agosto de 2025.
"sobre".www.andreyx.com. Consultado em 23 de agosto de 2025.
Rahman, Anjuman (25 de agosto de 2024).""Posso ser mais útil aqui na Palestina", diz jornalista russo que resiste à ocupação israelense . Middle East Monitor . Consultado em 23 de agosto de 2025 .
(2 de março de 2025). fogo na Cisjordânia?". Agos . Consultado em 23 de agosto de 2025.
Kubovich, Yaniv; Breiner, Josh; Solomon, Eden (3 de outubro de 2025). "Israel intercepta o último barco da flotilha Sumud em Gaza; Ben-Gvir zomba de ativistas antes da deportação" . Haaretz . Consultado em 4 de outubro de 2025 .
Dawod, Nivette (23 de novembro de 2025). "Han gör content av bosättarvåldet: 'Hela poängen'" . Aftonbladet (em sueco) . Recuperado em 4 de dezembro de 2025 .
"Andrey X: Entre pontos de controle (Malmö)" . Beit Ebla . Consultado em 4 de dezembro de 2025 .
Andrey X [@the_andrey_x] (4 de dezembro de 2025)."Acabei de ser condenado por um tribunal israelense"(Tweet). Recuperado em 4 de dezembro de 2025– viaX (anteriormente Twitter).