Mauro Vasni Paroski
4 de setembro de 2026, 06h30


Spacca…
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Spacca…-==-=-=
Estou colocando como ementa, em manifestação dirigida ao 2º Ofício de RI, que, aplicando certa jurisprudência, está a exigir que se atenda requisito não previsto em lei. Acho que irei parar, por suscitação de dúvida, no Judiciário e o recado já serve para o Juiz da Vara de Registros Públicos também.
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"Ementa: - Pergunta pertinente, formulada pelo jurista LENIO STRECK.
https://conjur.com.br/2026-ago-27/a-saga-dos-causidicos-matar-leoes-pular-fosso-de-jacares-e-escapar-da-ia/ - “(...) de que adianta o Parlamento aprovar uma lei, se o Judiciário pode adaptá-la segundo seus próprios critérios?” (*)
Não o conheço pessoalmente, nem tenho licença, nem procuração para defendê-lo, ou elogiá-lo.
Mas é impossível deixar de reconhecer a inteligência, a bagagem cultural e o tirocínio jurídico de LÊNIO STRECK.
Seus textos, via de regra publicados na revista eletrônica CONJUR, são, mesmo para os comuns mortais do meio jurídico, de leitura um tanto complexa, que exige meditação, reflexão. Ocorre que, como ele mesmo explica, "da abreviação da linguagem, o que sobra é algo sintético. Algo sempre diferente. E algo certamente menor."
Seus argumentos são poderosos, muito bem fundamentados e cada leitura é uma verdadeira lição que tomamos do renomado mestre.
Seu Dicionário - que ainda não comprei, mas certamente irei fazê-lo -, com certeza é obra indispensável para operadores do Direito.
Diz-se que o Dr. LÊNIO reuniu verbetes focados em desvendar e criticar os vícios da linguagem e as "maldades jurídicas" mascaradas de argumentos técnicos. Veremos.
Faleceu e será velada amanhã, no Jardim da Paz, dona Erminda, que durante muito tempo deu aulas de pintura em porcelana na sua casa, inicialmente em Coqueiros e depois em Bom Abrigo.
Foi-se uma pessoa do bem, minha ex-sogra, contra a qual nada tenho a reclamar. Muito pelo contrário: deu mostras de solidariedade, em momentos difíceis da minha vida. Foi uma boa avó para o meu filho, sobretudo.
Fará falta, sem dúvida.
A punição de perda de cargo imposta ao juiz federal Eduardo Appio pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, nesta quinta-feira (27/8), contrasta de forma gritante com a leniência dispensada a desvios cometidos por magistrados responsáveis pela operação “lava jato” na corte.
A discrepância de tratamento foi detalhada pelo jornalista Luís Nassif, em artigo publicado no site GGN nesta sexta (28/8). O texto detalha a incoerência da decisão da Corte Especial Administrativa do TRF-4 que, por 14 votos a 2, determinou a perda do cargo do magistrado e a sua colocação em disponibilidade, sem vencimentos. Os desembargadores Rogério Favreto e Luiz Penteado deram os únicos votos contrários, por considerarem a medida excessiva.
Divulgação/Justiça Federal do ParanáA punição a Appio baseia-se no suposto furto de duas garrafas de champanhe Moët & Chandon, avaliadas em R$ 400 cada, em um supermercado de Blumenau (SC), em outubro de 2025. Conforme lembra Nassif, o mesmo tratamento não foi verificado em casos muito mais danosos, inclusive para a reputação institucional do TRF-4.
O episódio mais antigo, conhecido como “Festa da Cueca”, é de novembro de 2003. Na ocasião, um grupo de desembargadores do TRF-4 reuniu-se com garotas de programa na suíte presidencial de um hotel de luxo em Curitiba.

O encontro foi gravado por uma câmera oculta no prendedor de gravata de um advogado presentes. Esse vídeo acabou apreendido pela Polícia Federal em dezembro de 2025, durante uma operação na 13ª Vara Federal de Curitiba determinada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.
Conforme a delação do empresário Tony Garcia, o material foi usado pelo então juiz Sergio Moro como ferramenta de chantagem sobre os desembargadores da corte para evitar a reforma de suas decisões na operação. O advogado Roberto Bertholdo confirmou a versão.
Nassif lembra que, apesar da gravidade, não houve providências concretas para investigar o caso. Vários dos desembargadores sob suspeita integraram o colegiado que, agora, determinou a perda do cargo de Appio.
Appio entrou na mira do TRF-4 assumiu a titularidade da 13ª Vara Federal de Curitiba, em fevereiro de 2023. Ao contrário de seus antecessores — Sergio Moro, Gabriela Hardt e Luiz Antônio Bonat —, que mantiveram a unidade como um feudo político-corporativo, Appio buscou aplicar o devido processo legal e abrir a caixa-preta dos métodos da “lava jato”.
Conforme recorda Nassif, Appio mexeu em dois vespeiros até então intocados: uma auditoria financeira sobre os acordos de leniência e uma oitiva pública do advogado Rodrigo Tacla Duran, que denunciou um esquema de extorsão praticado por pessoas ligadas a Sergio Moro.
A reação do TRF-4 foi imediata: o desembargador Marcelo Malucelli — cujo filho é sócio e genro de Moro — tentou restabelecer a prisão de Tacla Duran contra decisão do STF. Posteriormente, um suposto telefonema gravado com o filho do desembargador foi usado como pretexto para afastar Appio e devolver a vara temporariamente a Gabriela Hardt.
A situação exigiu a intervenção do Conselho Nacional de Justiça, que, sob a condução do ministro Luis Felipe Salomão, conduziu uma correição extraordinária e identificou a gestão caótica de mais de R$ 2,8 bilhões em acordos de leniência, descrita como um sistema de desvio de verbas para a criação da malfadada fundação privada idealizada pela “lava jato”.
Nassif lembra que, na ocasião, o CNJ afastou cautelarmente os desembargadores Thompson Flores e Loraci Flores, além de Gabriela Hardt, por descumprirem ordens do STF e agirem em conluio para afastar Appio e abafar as auditorias. Em outubro de 2023, o CNJ mediou um acordo para remover Appio para a 18ª Vara Federal de Curitiba, de matéria previdenciária, encerrando os processos disciplinares, enquanto o ministro Dias Toffoli anulou as suspeições contra o magistrado.
Enquanto os desembargadores do TRF-4 que descumpriram ordens do STF foram afastados por apenas seis meses (ou punidos com 60 dias de disponibilidade pelo CNJ), e a juíza Gabriela Hardt foi afastada por dois anos em agosto de 2026 sob a acusação de tentar desviar R$ 2,5 bilhões da União para a fundação privada, Appio foi punido com a perda do cargo e de remuneração por causa de garrafas de bebida.
A conclusão de Nassif é cristalina: a severidade inédita aplicada no caso a Appio demonstra que o julgamento do TRF-4 foi uma vingança contra o juiz que desestruturou as irregularidades da operação na capital paranaense.
A decisão ainda será submetida a reexame pelo CNJ.
Fonte: CONJUR
Se poucas afinidades existem entre as culturas dos gaúchos e a dos ilhéus, o evento serve, no mínimo, para mostrar o empenho dos rio-grandenses em divulgarem suas tradições, enquanto nós, os descendentes de açorianos (ou de judeus da península ibérica), negligenciamos no tocante a tão importante aspecto.
Até em Ratones, no interior da ilha (único distrito sem praia) pode-se encontrar uma associação que se autodenomina "Ilha Chucra", cujo escopo, salvo melhor juízo, é o culto às tradições do Continente de São Pedro.
Não estou a lamentar ou a invejar a mobilização persistente dos gaúchos, mundo afora, para manter a chama da cultura tradicionalista acesa, viva. Não considero perniciosa essa interação de cultura gaúcha com o ambiente ilhéu. Muito pelo contrário. Afinal, dizem que a fundação de Porto Alegre (inicialmente Porto dos Casais que teriam vindo dos Açores) torna induvidoso o imbricamento entre nossos povos.
Sejam benvindos os gaúchos, venham "de a cavalo" ou "de auto" ou "de a pé", salvo os que possam atrever-se a vir com a "xerenga" nos dentes ou de "terçado" em punho, para cruzar ferros conosco.
Venham em paz, de espírito desarmado, sem querer impor nada (não dá para entrar no mar de chapéu tapeado, bombachas, botas e chilenas, com "mango" preso ao pulso), sem valorizar sua cultura, em detrimento da nossa.
Venham tomar chimarrão nas praias, mas não depreciem o café dos paulistas, que deram início à povoação da ilha, assim como à de Laguna, à de São Francisco do Sul e de tantas outras comunidades catarinenses. Dias Velho e Domingos de Brito Peixoto eternizaram suas influências por aqui, de maneira marcante, sempre é bom lembrar.
A influência gaúcha nos nossos costumes e falares já é marcante há muito tempo, isso porque a nossa cultura, negligenciada, anda como um cavalo bastante desavalorizado, por deformado - pescoço invertido, lombo arqueado e garupa "descaída" (*) - , por obra do advento de compatriotas de tantos rincões diferentes. Gaúchos e catarinenses com cuias de chimarrão nas mãos, a sorver o mate amargo é coisa bastante comum na ilha e adjacências. Falares apaulistados, ou com gírias de cariocas, fazem companhia marcante ao nosso "falar agalegado" (**)
Há tempos ganhei de uma namorada de Santa Maria da Boca do Monte (salve Yarinha Nie...) um livreto com pajadas de Jayme Caetano Braun ("Potreiro de Gauchos") e o conservo com carinho, porque a pequena obra fez-me despertar para a peculiar linguagem da Pampa, para o espírito gauchesco e suas particularidades quixotescas. Desde a leitura do livreto de Braun, dilatei minhas leituras de livros do gênero, principalmente interessado na vida campeira, da qual o cavalo é partícipe inarredável, mesmo nos tempos em que vivemos, com a tecnologia invadindo todas as áreas.
Fui atrás da origem do vocábulo "gaúcho", dentre muitos outros aspectos da cultura sob exame e não me arrependo, nem um tantinho, de tê-lo feito. É um mundo à parte e assaz interessante.
Verdade que tem muito vivente gabola por aqui, dizendo-se gaúcho, sem saber sequer o "lado de montar" e/ou o "lado de laçar"(#), mas esses não chegam a desmerecer a grande maioria, que tem um apego (querência) sentimental louvável ao seu "pago",do latim pagus (***).
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(*) garupa descaída é expressão que encontrei na tradução de uma famosa obra de TOLSTOI - Ana Karenina.
(**) VISCONDE DE TAUNAY, que chegou a ser presidente da nossa província, usou a expressão "falar agalegado" (proximidade fonética e rítmica com o galego - da Galiza, no norte da Espanha - ou com os dialetos do norte de Portugal, de onde o sotaque açoriano herdou características marcantes. Isso inclui o ritmo rápido, a entonação cantada e a pronúncia peculiar de certas vogais e consoantes., para referir-se ao nosso jeito "cantado" de manifestação oral.
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Sobre "querência", nas minhas leituras achei e guardei o que segue:
- f. Bras. do S. Lugar, onde o gado se cria ou anda pastando, ou onde costuma parar por ter afeição a esse lugar. Cp. querença. (Cast. querencia) – C. FIGUEIREDO(***) - RICARDO GUIRALDES - Dom Segundo Sombra - L&PM Editores/RS e SP/1997, p. 251: Pagos são pátria pequena, e por mais que nos tornemos independentes, ficam-nos encravadas cunhas de gozo e dor, já feitas carne com o tempo.
(#) VICENTE ROSSI - El gaucho - Edit. Imprenta Argentina/1921, ps. 95 e 96, discorreu sobre EL LAZO. - RAUL ANNES GONÇALVES - Mala de garupa - Martins Livreiro Editor - P. Alegre-RS/2004, p. 41, também deteve-se a falar sobre o tema. Até CHARLES DARWIN - Viagem de um naturalista ao redor do mundo, considerou o assunto interessante.
A morte do músico uruguaio RUBÉN RADA é um fato lamentável, para o meio artístico como para nós outros.