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terça-feira, 21 de julho de 2026

STJ marca para agosto julgamento de ministro Marco Buzzi por acusações de assédio sexual

 PGR pede a aposentadoria compulsória do magistrado e rebate laudo sobre disfunção erétil apresentado pela defesa

Conteúdo postado por:Guilherme Levorato

Publicado em 21 de julho de 2026 às 10:09
Marco BuzziCrédito: Gustavo Lima/STJ

247 – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) marcou para 6 de agosto o julgamento do ministro afastado Marco Buzzi, alvo de duas acusações de assédio sexual. Na esfera de uma sindicância interna do tribunal, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defende a aplicação da pena de aposentadoria compulsória – a penalidade máxima prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional. O magistrado nega as acusações, relata Malu Gaspar, do jornal O Globo.


Em parecer encaminhado ao STJ no mês de julho, a PGR endossou integralmente os depoimentos prestados por duas mulheres contra o ministro. A primeira acusação partiu de uma jovem de 18 anos, que relatou que Buzzi tentou agarrá-la em uma praia de Balneário Camboriú (SC), em janeiro deste ano, durante um período de férias com a própria família do magistrado.

O segundo caso envolve uma servidora que trabalhou como secretária no gabinete de Buzzi. Ela relatou pelo menos sete episódios de assédio e importunação sexual ocorridos entre os anos de 2023 e 2025. Os relatos detalham abordagens com toques físicos nas nádegas em locais como o corredor do gabinete e no próprio gabinete do ministro, onde a funcionária tentava ajudá-lo a conectar um pendrive ao computador. O depoimento da servidora foi corroborado por familiares, um namorado, assessores e pela chefe de gabinete do próprio ministro. Todos os nomes envolvidos foram mantidos em sigilo para preservar a vítima e as testemunhas, visto que o processo corre sob segredo de justiça.

Segundo ministros do STJ ouvidos reservadamente, a manifestação do Ministério Público Federal expõe a fragilidade das teses defensivas e fortalece o pedido de punição disciplinar. A crise ocorre em um momento delicado de imagem para a Corte, que já estampa as páginas policiais devido às investigações de um esquema de venda de sentenças judiciais. “Acho muito difícil o Buzzi escapar de uma consequência”, declarou um dos ministros.

PGR rebate laudo de disfunção erétil

No parecer de 57 páginas assinado pelo subprocurador-geral da República José Adonis, a PGR rebateu expressamente um laudo médico de “avaliação da função sexual” juntado pela defesa para tentar desacreditar as vítimas. Assinado em fevereiro pelo urologista Jairo Lyra de Andrade Filho, o laudo atesta que Buzzi possui “comprometimento multifatorial da função sexual masculina, caracterizado por hipoandrogenismo, disfunção erétil moderada, ausência de ejaculação anterógrada e falta de adesão terapêutica”. Para o médico, os exames não respaldariam uma “hipótese de função sexual exacerbada”.

O subprocurador-geral apontou, no entanto, que o diagnóstico de disfunção erétil moderada não afasta nem exclui de forma alguma a possibilidade de cometimento de assédio sexual pelo investigado.
Posição da defesa

Em nota divulgada pela defesa, os advogados de Marco Buzzi afirmaram respeitar, embora divirjam, o parecer da PGR e informaram que apresentarão suas contestatórias nas alegações finais. A defesa alegou ter recorrido ao médico assistente após indeferimentos de pedidos de perícia oficial.

A nota argumenta ainda que a defesa tem a tarefa de “comprovar fatos que nunca ocorreram” e informou ter apresentado testemunhas, registros e vídeos que comprovariam a inocência do ministro. Os advogados criticaram a centralidade dada pela PGR ao laudo médico, ressaltando que o documento não é a única prova produzida. Por fim, destacaram que o segredo de justiça impede a divulgação de maiores detalhes antes do encerramento das alegações finais.



Epidemia de violência e falta de estrutura nas escolas provocam adoecimento em massa de professores no Brasil


Levantamento revela que 65% dos docentes já sofreram agressões no ambiente escolar. Casos extremos envolvem ameaças de morte, mutilação e falta de amparo a alunos com deficiência

Conteúdo postado por:Guilherme Levorato
Publicado em 21 de julho de 2026 às 09:57
Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

247 – Uma grave epidemia de violência contra educadores atinge as escolas brasileiras, resultando no afastamento em massa de profissionais por problemas de saúde mental, mutilações físicas e episódios de pânico. O quadro reflete uma combinação de agressões verbais e físicas, precarização das condições de trabalho, falta de suporte para a inclusão de pessoas com deficiência (PCDs) e perseguição política, informa reportagem da BBC News Brasil.

A dimensão do problema é respaldada por estatísticas oficiais e levantamentos de entidades da categoria. Uma pesquisa realizada pelo Centro do Professorado Paulista (CPP) com 1.144 professores revelou que 65% dos entrevistados já sofreram algum tipo de agressão em sala de aula ou no ambiente escolar. A violência verbal lidera o ranking de ocorrências, presente em 71% dos casos, seguida pela violência psicológica e moral (58%), institucional (27%) e física (19%).

Em âmbito internacional, o cenário do país também é alarmante. Um levantamento promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que ouviu 280 mil professores e diretores de escola em 55 países, colocou o Brasil na liderança do ranking de violência contra professores. Segundo o estudo, 47% dos educadores brasileiros relatam ser vítimas de intimidação ou abuso verbal por parte dos alunos como fonte primária de estresse, índice substancialmente superior à média global, que é de aproximadamente 18%.
Ameaças de morte e desamparo institucional

Os relatos individuais expõem o trauma vivenciado no cotidiano das salas de aula. A professora Marta (nome fictício), que acumula 26 anos de magistério em uma escola municipal na Zona Oeste de São Paulo, teve que mudar sua rotina após ser ameaçada de morte pelo pai de um aluno de 6 anos no primeiro ano do ensino fundamental.

O agressor, conhecido por sua ligação com o crime na comunidade, culpava a docente pela dificuldade de adaptação e pelo desempenho do filho. Marta soube da ameaça por meio da coordenadora da escola e registrou um boletim de ocorrência acompanhada apenas pelo marido.

“Passei a noite na delegacia e me senti muito sozinha, não teve ninguém da gestão junto comigo”, relatou Marta.

Afastada da unidade e atendida por uma psiquiatra, a professora enfrentou episódios graves de pânico: “O meu quarto tem uma vidraça na frente, e eu cheguei a pedir para meu marido para trocar de quarto, porque achava que poderia sofrer alguma agressão. Fiquei com pânico de dormir”.

Casos de hostilidade física direta também são recorrentes. O professor Pedro, de 40 anos, atuante no bairro de Santana, na Zona Norte de São Paulo, foi agredido com um soco no peito por um aluno com autismo durante uma atividade escolar sobre o Dia do Orgulho LGBTQIAP+. Segundo o docente, o estudante frequentava fóruns de extrema-direita e reagiu com agressividade ao tema. Pedro optou por não se afastar via Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) por temer que o retorno à rotina se tornasse inviável no futuro.

Falta de estrutura para inclusão resulta em mutilação

A ausência de infraestrutura e de profissionais de apoio habilitados para acompanhar estudantes neurodivergentes e com deficiência na rede pública tem escalado para acidentes graves. Na Zona Leste de São Paulo, a professora Michelle Bernardes teve o dedo médio da mão direita parcialmente decepado durante uma crise de desregulação emocional de um aluno com deficiência intelectual.

Ao tentar proteger os demais estudantes no corredor, Michelle posicionou-se na porta da sala, momento em que o aluno chutou o equipamento, atingindo a mão da educadora. O membro foi amputado pelo impacto. A professora já passou por duas cirurgias e aguarda a cicatrização para iniciar a fisioterapia.


“Passo por uma dor individual, que estou tendo que trabalhar comigo, e uma dor coletiva, pois não desejo que nenhum estudante e nenhum educador passe pelo o que eu estou passando. O estudante não tem culpa por ter se desregulado, é um estudante com deficiência. Mas precisamos urgentemente de políticas públicas que incentivem e auxiliem com qualidade a presença de todos os estudantes nas escolas”, afirmou Michelle à BBC News Brasil.

Em outro caso recente de repercussão pública, a professora Michele Ramos, do município de São José dos Campos, registrou um boletim de ocorrência após alunos colocarem uma lâmina de vidro dentro de seu copo de água durante uma aula.

As múltiplas dimensões da violência

De acordo com a psicóloga Renata Paparelli, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) que atua no atendimento clínico de docentes vitimados, a violência no ecossistema de ensino manifesta-se em três eixos principais:Violência da escola: Decorre de políticas públicas impostas sem infraestrutura adequada, como a inclusão de pessoas com deficiência em salas regulares sem os recursos necessários.
Violência na escola: Envolve os atos de agressão praticados por alunos e familiares contra educadores, além de gestões escolares omissas ou impotentes.
Violência contra a escola: Trata-se da depredação do patrimônio público e da perda de prestígio social da instituição de ensino.

Paralelamente, levantamentos do Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/es da Universidade Federal Fluminense (Onve-UFF) indicam a ascensão do assédio político-ideológico. O estudo aponta que 61% dos professores da educação básica e 55% do ensino superior declaram já ter sido vítimas de perseguição, práticas de censura, intimidação, exposição em redes sociais e assédio jurídico.
Adoecimento mental e licenças médicas

A exposição contínua a ambientes hostis tem gerado diagnósticos frequentes de burnout, depressão e Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT). Segundo a psicóloga Renata Paparelli, a dinâmica precarizada das escolas públicas impõe ao docente responsabilidades que ultrapassam sua capacidade de atuação, gerando o colapso psicológico.

A dimensão do afastamento é expressiva: dados do Centro do Professorado Paulista indicam que, em 2024, foram concedidas mais de 42 mil licenças por transtornos mentais e comportamentais para professores estatutários da rede estadual de São Paulo — uma média superior a 115 afastamentos por dia. Nos primeiros nove meses de 2025, a Secretaria de Gestão e Governo Digital do Governo do Estado de São Paulo contabilizou mais de 25 mil licenças pelo mesmo motivo.

Muitos dos profissionais que não conseguem retornar às salas de aula são submetidos ao processo de readaptação funcional. Contudo, especialistas relatam que a falta de atribuições claras para esses servidores readaptados costuma resultar em isolamento e agravamento dos quadros depressivos.
Posicionamento oficial e debate sobre soluções

A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo informou que desenvolve ações de prevenção à violência por meio do Programa Entre Nós, das Comissões de Mediação de Conflitos (CMCs) e de parcerias com o Instituto Vladimir Herzog. A pasta pontuou também o fortalecimento da educação inclusiva com o aumento de 144% no número de Auxiliares de Vida Escolar (AVEs) desde abril de 2024, somando 2.937 profissionais.

Em relação ao suporte à saúde mental, a Secretaria Municipal de Gestão da capital paulista declarou ter realizado 55 grupos de avaliação entre 2025 e 2026 com 1.043 servidores, além de ter prestado atendimento a 720 profissionais via Programa Rede Somos no mesmo período.

A Secretaria de Educação e Cidadania de São José dos Campos foi procurada para responder sobre o caso da lâmina de vidro no copo da professora Michele Ramos, mas não enviou resposta até a publicação da reportagem original.

As estratégias para conter a crise dividem entidades do setor:Mudança na legislação: O Centro do Professorado Paulista defende a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para criar mecanismos de responsabilização e limites aos alunos no ambiente escolar, além de estabelecer a corresponsabilização dos pais.
Integração comunitária e valorização: Representantes do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e especialistas da PUC-SP argumentam que alterações punitivas no ECA não resolvem a questão estrutural. Para as entidades, a solução exige a redução da lotação das salas de aula, jornadas de trabalho adequadas, investimento estrutural e o fortalecimento do diálogo entre a escola e a comunidade local.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Excesso de paparicação


La era de la inmediatez: ¿por qué mi hijo parece un eterno insatisfecho?

Se tiende a creer que proporcionar a los menores todo lo que piden es una muestra de amor, pero, lejos de ser un beneficio, el exceso de cosas materiales puede suponer un verdadero castigo para su desarrollo


La sobreabundancia de estímulos y recompensas puede dificultar el desarrollo de la paciencia en la infancia.JGI/JAMIE GRILL (GETTY IMAGES/TETRA IMAGES RF)

ALEJANDRA MELÚS
Madrid - 20 JUL 2026 - 00:30 BRT

En la sociedad actual, una de las preocupaciones más recurrentes entre progenitores y educadores es la sensación de que los niños y adolescentes de hoy viven en un estado de insatisfacción permanente. A pesar de tener acceso a más recursos, tecnología y bienes materiales que cualquier generación anterior, muchos menores parecen incapaces de alcanzar un estado de plenitud o gratitud en sus vidas. Para comprender este fenómeno, es necesario analizar la estructura de la sociedad del momento y cómo los mecanismos de recompensa han sido alterados por la cultura del “ahora o nunca”.

Vivimos sumergidos en la denominada era de la inmediatez. En esta sociedad, el deseo y la posesión se han apoderado de todos, dejando de lado a la perseverancia y la paciencia. Hoy en día, aquello que se desea puede adquirirse en el mismo día. Las plataformas de compra online han transformado el consumo en un acto impulsivo donde, a golpe de clic, cualquier objeto llega a la puerta del hogar en menos de 24 horas. Esta manera de vivir ha cambiado todos los esquemas establecidos hasta el momento: la vida va rápido y pocas cosas se permiten el lujo de cocinarse a fuego lento, con el tiempo y el procesamiento que requieren los procesos naturales del crecimiento.

Esta cultura de la rapidez se ve reforzada por el consumo digital. Lo que más vende en la actualidad es lo fugaz, como los vídeos en redes sociales que duran apenas unos segundos y ofrecen estímulos constantes, las series donde ya nadie ve la cabecera o las lecturas de menos de un minuto donde la atención es escasa y no exige demasiado de uno mismo. Este entorno enseña a los menores que el placer debe ser instantáneo y que el intervalo entre el deseo y la satisfacción debe ser inmediato o incluso inexistente. Sin embargo, este modelo de gratificación inmediata es el enemigo principal de un desarrollo emocional adecuado y saludable.

El valor del esfuerzo, la espera y la perseverancia

Frente a esta conducta que exige rapidez, es esencial recordar que la perseverancia, el esfuerzo y la espera no son rasgos innatos, sino valores que se adquieren mediante la práctica y la constancia. Nadie puede aprender a esforzarse si no practica dicho hábito de manera regular. Para que un menor los integre en su personalidad, es necesario que viva en su propia piel lo que supone el valor del trabajo, la elaboración, el proceso y la espera hasta poder recoger su recompensa.

Esperar y esforzarse por un objetivo fomentan el bienestar al alcanzarlo, por tanto, otorgan satisfacción y felicidad. Cuando un niño debe trabajar para lograr una meta, el resultado final produce un sentimiento de gran orgullo personal. Ese esfuerzo otorga un valor intrínseco a lo logrado. En cambio, si el camino hacia el logro es corto y no supone ningún esfuerzo para uno mismo, la recompensa será percibida como escasa. No se experimenta un verdadero éxito si no ha habido un reto previo. Por el contrario, un camino más costoso y extendido en el tiempo, que exige resiliencia y trabajo diario, permite que el individuo aprenda a valorar cada uno de los pequeños logros alcanzados a lo largo del proceso, no solo el éxito final, sino cada paso dado, por mínimo que sea.
Si el camino hacia el logro es corto y no supone ningún esfuerzo para uno mismo, la recompensa será percibida como escasa.MARILYN CONWAY (GETTY IMAGES)

Se tiende a creer que proporcionar a los hijos todo lo que piden es una muestra de amor o un regalo para su bienestar. En ocasiones, por falta de tiempo o medidas de conciliación, se cree que dar a los hijos todo aquello que piden suple las oportunidades emocionales que no se pueden ofrecer, como el tiempo de juego compartido o un plan en familia.

Pero, lejos de ser un beneficio, el exceso de cosas materiales puede suponer un verdadero castigo para su desarrollo. El error fundamental reside en creer que lo material puede suplir a lo emocional. Cuando un niño recibe todo lo que desea de forma sistemática, desarrolla una baja tolerancia a la frustración y cae en una espiral de eterna insatisfacción. En este estado, nada es suficiente. Lo que ayer era un deseo irrefrenable, hoy se vuelve poco, encontrándonos ante niños que dicen desear algo enormemente y, al adquirirlo, lo dejan a un lado sin volver a usarlo nunca más. Esto les hace experimentar un sentimiento de vacío constante. Se refirma el refrán de “no es más feliz el que más tiene, sino el que menos necesita”, ya que cuanto más recibe el menor, más necesita para satisfacer su emoción de deseo y plenitud, pero a su vez cada vez se siente más insatisfecho e ingrato.

Se trata de un círculo vicioso que a veces cuesta reconocer y del que es difícil salir si no se es consciente de ello, ya que se ha dado a los objetos el poder de ser los responsables de la felicidad de un niño, cuando verdaderamente no tienen la capacidad de llenar sus necesidades afectivas ni emocionales. La felicidad basada en lo que se puede comprar o tocar es, por definición, efímera e irreal. El verdadero bienestar no se encuentra en aquello que se puede ver o tocar, sino en lo que se siente o experimenta. El bienestar no lo producen las cosas sino las personas, las experiencias, los momentos compartidos o las relaciones interpersonales.

Lo material va y viene; en cambio, lo emocional se genera poco a poco en uno mismo, siendo parte de este y convirtiéndose en su guía interna y su fuente de resiliencia. Por lo tanto, es fundamental educar a los menores en un sistema de valores fuerte y seguro, donde las raíces se asienten en sus primeros años de vida como un pilar o cimiento inquebrantable y la coherencia entre el mensaje verbal y los actos sea su herramienta educativa más potente.

Alejandra Melús - via EL PAIS

Basel Adra, cineasta palestino ganador del Oscar: “Nada cambiará si se va Netanyahu. Los israelíes no nos ven como seres humanos"

El director del documental ‘No Other Land’ participa en un encuentro por la cultura en Madrid y explica cómo ha aumentado la violencia israelí en Cisjordania tras obtener la estatuilla de Hollywood
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El cineasta palestino Basel Adra, ganador del Oscar por 'No Other Land', este miércoles en Madrid.MOEH ATITAR

Miércoles a primera hora de la mañana en un hotel madrileño. El cineasta palestino Basel Adra, ganador del Oscar por el documental No Other Land, cumplió el lunes 30 años esperando horas de colas en puestos fronterizos y atravesando controles (“Es inhumano, es otra herramienta contra los palestinos”, describe) para poder participar en la Conferencia Ministerial, coorganizada por los ministerios de Cultura de España y Palestina, que se inauguró en el Museo del Prado ayer por la tarde, y en la que más de 30 delegaciones internacionales firmarán una declaración para la reconstrucción de la cultura palestina. Gracias a su estatuilla y al recorrido de su película, Adra es uno de los rostros más visibles de los artistas dentro y fuera de su país, porque además sigue viviendo donde nació, en Al Tuwani, pedanía de Masafer Yata, una inhóspita zona del sur de Cisjordania retratada en su filme. “Me reconocen en todos los puestos israelíes, eso me da miedo”, confirma. Serio —aunque sonreirá cuando se hable de fútbol y de su hija de año y medio— y acompañado de su esposa, Adra se sienta a charlar. Solo realiza una petición: que la mesa elegida sea en la zona más silenciosa porque habla bajo y en tono grave.

Pregunta. ¿Cómo se encuentra su familia?

Respuesta. Físicamente bien. Tengo una hija de año y medio, y está bien.

P. ¿Cómo es su día a día?

R. No es fácil vivir en nuestras comunidades. Puedes planear algo para el día siguiente, y de repente llegan las tropas israelíes con excavadoras o con colonos, y entonces tu jornada cambia. Por ejemplo, puedo planear ir a la ciudad con mi familia, pero nos levantamos por la mañana, sucede algo y se pierde todo el día. Así que nuestra vida cotidiana depende realmente de lo que esté pasando en el día a día, de lo que nos hagan.

P. ¿Qué espera de la conferencia ministerial?

R. Espero que se preste más atención a la cultura palestina. Que los artistas y la cultura de Palestina reciban un apoyo y un respaldo genuinos por parte de la comunidad internacional; no solo que esta sienta lástima, sino que ofrezca apoyo real. Eso podría ayudar a que más cineastas y artistas den a conocer su obra al mundo. Así que deseamos que los artistas palestinos encuentren un buen respaldo en esa reunión.

P. ¿Siente el apoyo español a la causa palestina?

R. Absolutamente. Y tanto en lo que respecta al gobierno como a la gente de la calle. Por ejemplo, recuerdo que un futbolista hizo algo mínimo con una bandera y armó mucho revuelo [se refiere a Lamine Yamal, que la ondeó en mayo, en el desfile de celebración del Fútbol Club Barcelona por ganar la Liga]. Los ministros y funcionarios israelíes tuvieron que pronunciarse al respecto, lo que atrajo aún más atención.


P. Europa es más titubeante...

R. Esperamos que España no cambie porque, ya sabes, en Europa y en otros países es fácil recibir apoyo al principio, pero al cabo de un tiempo su gobierno cambia o la gente dentro del propio gobierno, como ha ocurrido en Suecia, cambia de opinión y deja de apoyar o se pone en contra. El lobby israelí siempre encuentra la manera de transformar políticas oficiales.

P. Su padre ya tenía una cámara con la que fue grabando tanto su infancia como los ataques de colonos y tropas israelíes. El documental No Other Land, que retrata la lucha diaria de las familias de Masafer Yata frente a demoliciones y desplazamientos forzosos, ¿es fruto de un legado?

R. No tanto. En mi comunidad, la cámara era algo que llegó a principios de este siglo. No era algo común, sino único, a diferencia de lo que ocurre hoy en día.

P. ¿Y la usaron como arma defensiva?

R. Sí. Mi padre y también otras personas grabaron estas imágenes. No fue solo él. Había otras personas de la comunidad que se estaban formando y grabando, así como activistas internacionales. Así que tenemos un archivo muy extenso, porque mucha gente ha grabado en Cisjordania desde hace dos décadas.


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Tráiler de 'No Other Land'Basel Adra, en una imagen del documental 'No Other Land', recostado en un monte de una aldea de Masafer Yatta para impedir el derribo de una casa mientras una excavadora israelí acecha por detrás.

P. ¿Y siente la responsabilidad?

R. Siento una responsabilidad constante. No solo la de llevar la historia de mi comunidad al cine, sino además hablar de ella e intentar ayudar, ¿sabes? Ya no basta con simplemente filmar y publicar; tengo una responsabilidad aún mayor que antes de No Other Land.

P. ¿Está rodando otro documental?

R. No, es un corto de animación sobre la restricción de movimientos en Cisjordania. Lo hago con una productora argentina de animación. Encontré la compañía a través de unos amigos en EE UU. La hago desde mi pueblo y ellos desde allí. Y el tema es un poco complicado y peligroso como para un documental: si quisiera rodar esta película pasando por puestos de control y grabando con cámaras, correría mucho peligro… Por los soldados israelíes y todo eso.

P. ¿Qué opina de la llamada de cineastas de todo el mundo a boicotear a artistas israelíes y a empresas que tengan relación con el Gobierno de su país?

R. No es una pregunta fácil de hacerme, porque trabajo con cineastas. Para mí es bastante sencillo: quienes apoyan, respaldan, defienden públicamente y avalan el régimen, el apartheid y todas las atrocidades que comete Israel, deberían ser boicoteados. No se puede aceptar a personas que apoyan lo que su régimen hizo en Gaza, Cisjordania, Líbano o Siria. No es normal, ¿sabes? Pero creo que aquellas personas que alzan la voz y defienden a la humanidad y el derecho internacional no deberían ser objeto de boicot.Los cuatro realizadores de 'No Other Land': detrás, la israelí Rachel Szor y el palestino Hamdan Ballal (al que meses más tarde los israelíes detuvieron y apalizaron); delante, Basel Adra habla al público y Yuval Abraham, al recibir el Oscar el 2 de marzo de 2025.CHRIS PIZZELLO (CHRIS PIZZELLO/INVISION/AP)

P. Muy pocas estrellas de Hollywood, como Javier Bardem o Mark Ruffalo, se han atrevido a apoyar a Palestina. ¿Entiende ese miedo?

R. No creo que esto ocurra solo en Hollywood. Sucede en muchos otros lugares del mundo. La gente teme por sus empleos, por sus ingresos, por sus puestos. Le asusta perder su trabajo y, en otros lugares, sin duda teme por su seguridad. El régimen israelí cuenta con el respaldo de regímenes poderosos de todo el mundo; gobiernos que poseen gran riqueza y poder y que, a mi juicio, carecen de moral. Por eso es comprensible que la gente tema por su seguridad y sus salarios. Valoramos enormemente a quienes alzan la voz contra lo que está sucediendo, y siempre animamos a los demás a vencer ese miedo y a unirse a la causa. Sin embargo, resulta sorprendente cómo el miedo se apodera del espíritu de quienes trabajan en la industria del cine. Controlan tu voz; te condicionan según lo que se te permite o no decir y sobre qué temas puedes hacer películas. O incluso cuáles ver o no. Por ejemplo, nuestra película aún no ha conseguido distribución en Estados Unidos.

P. ¿Qué recuerda del momento de tener el Oscar en la mano?

R. Sabía que, incluso si ganaba la estatuilla, volvería a mi realidad, porque desde que obtuvimos el premio a mejor documental en la Berlinale en 2024 había habido mucho revuelo en todo el mundo. Y las cosas no cambiaron; al contrario, fueron empeorando cada vez más. Por otro lado, estaba lo que ocurría en Gaza: la gente veía en sus teléfonos lo que estaba pasando, pero no se detuvo el genocidio. Yo tenía la firme convicción, mientras trabajaba en la película, de que, al estrenarla, la gente haría algo. Creía que la gente simplemente no sabía por lo que estábamos pasando. Y albergué una sensación muy desagradable cuando descubrí que eso no es verdad, que la gente sí sabe y ve lo que estamos sufriendo, y simplemente deja que suceda.

P. ¿Cree que un documental puede cambiar el mundo?

R. No, creo que cambian a las personas. He estado muchas veces en cines y salas de proyección, y veo cómo afecta No Other Land al público que está allí sentado. Informo a la gente sobre lo que está sucediendo. Por eso sé también que es una película educativa para personas que no tienen una postura definida o que desconocen lo que ocurre con los palestinos: aprenderán de ella.
                                Basel Adra, en Madrid.MOEH ATITAR

P. Con Donald Trump y Benjamin Netanyahu al mando, ¿aún se puede ser optimista sobre el futuro de los palestinos?

R. No, y además, en cuanto a los israelíes, no se trata solo de Netanyahu, el ministro de Seguridad Nacional, Itamar Ben Gvir, el ministro de Finanzas, Bezalel Smotrich, o los colonos. Netanyahu, Smotrich y Ben Gvir fueron elegidos por la gente, y creo que representan a la mayoría de los israelíes. Para mí, el problema es la sociedad israelí. Incluso antes del 7 de octubre vivíamos bajo ocupación, pero los israelíes en Tel Aviv hacían su vida normal; el dinero de sus impuestos iba a parar a los colonos, a los asentamientos y al ejército, que mataba a palestinos, aunque en menor número que después del 7 de octubre. Pero no nos ven como seres humanos. Por eso aceptan la ocupación y no pueden alegar ignorancia; vivimos en el mismo territorio y no pueden decir que no sabían lo que estaba pasando. Y ahora creo que han llegado a su peor momento en cuanto a racismo y a tolerar los crímenes que se cometen contra nosotros, los palestinos. Por eso no creo que el cambio vaya a producirse mediante elecciones en Israel o en Estados Unidos. Europa debe asumir sus responsabilidades; hasta el día de hoy, Europa, incluida España, permite la entrada de productos procedentes de los asentamientos. Detener esto sería una pequeña acción para lograr un cambio, aunque ni siquiera están dispuestos a hacerlo. Así que, ¿de qué sirve hablar públicamente de moral, de derecho internacional, de democracia, etcétera, si luego tus acciones dicen otra cosa?

P. Como ha dicho antes, tras el Oscar se incrementaron los ataques israelíes a su pueblo. ¿Cuándo ha sido el último?

R. Esta misma mañana atacaron la aldea de Susia, en Masafer Yata. Vi a muchas personas heridas, con lesiones sangrantes en la cabeza y el pecho. Miembros de esa familia ya sufrieron ataques el pasado marzo. Los colonos llegaron a sus campos con su ganado, ellos llamaron a la policía y al ejército para que los desalojaran, pero nadie acudió. La familia decidió ahuyentar al ganado de las inmediaciones de sus casas; entonces, dos colonos, uno de ellos uniformado, bajaron de su vehículo todoterreno, comenzaron a disparar contra la familia y mataron a un hombre e hirieron a su hermano, que ha quedado parcialmente paralizado. Fue una pesadilla y sigue siéndolo. El asesinado tenía 28 años y tenía esposa y dos hijas. Y las demoliciones se han incrementado con total impunidad.
El cineasta palestino Basel Adra, este miércoles en un hotel madrileño.MOEH ATITAR

P. Usted mismo sufrió un ataque en su casa hace un mes, ¿no?

R. Sí, entraron por la noche y estuvieron registrándola. Miraron hasta en el móvil de mi esposa. Y hace dos meses, unos colonos se acercaron a la casa a las cuatro de la mañana y destrozaron los coches de unos activistas que estaban aparcados frente a mi edificio. Siento miedo. Pero, para ser sincero, es un sentimiento que compartimos todos los palestinos hoy en día.

ATENÇÃO: Tentativa de golpe

Algum vagabundo (provavelmente desafeto ideológico) está usando meu nome e meu telefone para tentar golpe, simulando processo judicial.

Fica o alerta. Não responderei por nenhum dano que o vagabundo causar. 

Acautelem-se, por favor. 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

CERTÍSSIMOS - Contra a arrogância ianque, vale boicotar

‘Que não role a bola!’: Movimentos populares do México convocam boicote à Copa do Mundo FIFA 2026
CNTE, estudantes camponeses, mães buscadoras, comunidades em resistência e coletivos populares levantam a palavra de ordem “Que não role a bola!” contra o velho Estado mexicano e o imperialismo.

10 de junho de 2026·

Bandeira da Liga Anti-imperialista Internacional (LAI) em meio aos protestos contra a Copa do Mundo 2026 no México. Foto: Reprodução


Movimentos populares, organizações sindicais, estudantes, mães buscadoras, comunidades em resistência e coletivos populares no México vêm impulsionando uma campanha de boicote à Copa do Mundo FIFA 2026, que terá o país como uma das sedes ao lado de Estados Unidos e Canadá. Segundo publicações do Periódico Mural, a consigna “Que não role a bola!” ganhou força no marco da Greve Nacional iniciada pela Coordenadora Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) em 1º de junho.

A campanha denuncia que, enquanto o velho Estado mexicano prepara grandes obras, operações policiais e propaganda oficial para o Mundial, milhões de trabalhadores e setores populares seguem enfrentando baixos salários, carestia, desaparecimentos, despejos, falta de serviços básicos, repressão e abandono. Para o Periódico Mural, o torneio tornou-se uma conjuntura para unificar diferentes lutas contra o velho Estado e o imperialismo, principalmente ianque.

Em nota publicada em 4 de junho, o periódico afirmou solidariedade às demandas dos setores em luta e divulgou um vídeo enviado à sua redação, em apoio ao boicote. A publicação levantou as palavras de ordem: “Que não role a bola!”, “Boicote ao Mundial FIFA 2026, contra o velho Estado e o imperialismo!” e “Greve Geral de Resistência Nacional!”.
Vídeo publicado pelo Periódico Mural: “México grita: Boicote ao Mundial FIFA 2026!”

CNTE inicia greve e amplia chamado ao boicote

A mobilização ocorre no contexto do paro indefinido sustentado desde 25 de maio pelo magistério democrático da Seção XXII da CNTE, no estado de Oaxaca, em preparação à Greve Nacional iniciada em 1º de junho. Segundo o Periódico Mural, a CNTE exige a revogação da Lei do ISSSTE de 2007, da chamada “reforma educativa” de Enrique Peña Nieto e AMLO, aumento salarial para os trabalhadores da educação e construção de infraestrutura para escolas públicas.

O suplemento especial publicado pelo Periódico Mural em maio afirma que a presidente Claudia Sheinbaum se nega a atender o magistério democrático, enquanto se reúne com magnatas como Carlos Slim. A publicação denuncia que o governo administra o conflito em favor da oligarquia e prepara a repressão contra os protestos que devem ocorrer nas cidades-sede do Mundial.

A partir de 1º de junho, as seções da CNTE instalaram um plantão nacional no Zócalo da Cidade do México. A mobilização se soma a outras forças populares que preparam ações contra o Mundial e em defesa de suas reivindicações próprias.Foto: Periódico Mural/Reprodução
Estudantes, mães buscadoras e comunidades em resistência

Entre os setores que aderiram ao chamado estão a Federação de Estudantes Camponeses Socialistas do México (FECSM), as mães e famílias buscadoras, comunidades e povos em resistência contra megaprojetos, coletivos contra a gentrificação e sindicatos com greves ou locais de greve.

A FECSM reivindica respeito à autonomia e à organização interna das escolas normais rurais, aumento de orçamento e melhores condições de vida para seus estudantes, em sua maioria filhos do povo e oriundos de comunidades pobres. O Periódico Mural recorda que os normalistas rurais enfrentam perseguição permanente do Estado mexicano, citando como exemplo a desaparição forçada dos 43 estudantes de Ayotzinapa, em 26 de setembro de 2014, crime que segue sem verdade e justiça.

As mães e famílias buscadoras também são destacadas como um dos setores mais golpeados pelo regime. O suplemento menciona mais de 132,5 mil pessoas desaparecidas, mais de 72 mil corpos sem identificação e milhares de fossas clandestinas espalhadas pelo país. Segundo o Periódico Mural, essas mulheres são obrigadas a fazer o que o velho Estado não faz: procurar seus familiares, enfrentando grupos criminosos e a própria violência estatal.

As comunidades em resistência denunciam a imposição de megaprojetos imperialistas de despojo e morte. O periódico afirma que esses povos enfrentam tanto os aparatos legais do Estado – Exército, polícias, juízes e ministérios públicos – quanto seus braços ilegais, como grupos do narcotráfico, paramilitares e guardas brancas. Em resposta, comunidades em Michoacán, Guerrero, Chiapas e Oaxaca desenvolvem formas de autodeterminação, autogoverno e autodefesa.
Cidades-sede, obras de fachada e repressão

Em outro artigo, intitulado “Que não role a bola! (II)”, o Periódico Mural afirma que novos setores vêm aderindo ao boicote, especialmente nas cidades-sede da Copa. Moradores de bairros e colônias populares denunciam que os governos locais e federal priorizam obras espetaculares para o evento, enquanto comunidades seguem sem água, iluminação pública e serviços básicos.

Coletivos contra a gentrificação também denunciam que a Copa aprofunda o encarecimento da vida, os despejos e a expulsão de moradores pobres de seus bairros. O periódico cita ações como bloqueios de avenidas, partidas de futebol de rua e atos de resistência cultural em defesa do direito dos setores populares a existir e habitar as cidades.


Segundo o Periódico Mural, a resposta dos governos de Clara Brugada, na Cidade do México, e Claudia Sheinbaum, no governo federal, tende a combinar provocação e repressão, com uso de grupos de choque, porros, barras mercenárias, forças antimotim, Guarda Nacional e Exército. Para a publicação, essa estratégia de “blindar o Mundial” conta com o aval de Washington.
Crise econômica e ingerência ianque

No editorial de maio-junho, o Periódico Mural relaciona o chamado ao boicote à crise mais ampla do velho Estado mexicano. A publicação aponta inflação de 4,45%, aumento de preços na cesta básica, nos aluguéis, no transporte público e nos combustíveis, além de queda de 0,8% do Produto Interno Bruto, com retração nos setores primário, secundário e terciário.

O editorial também denuncia o aumento da ingerência ianque no México, citando acusações do Departamento de Estado do país Estados Unidos (EUA) contra políticos de Morena, operações com participação da CIA e a cúpula chamada “Escudo das Américas”, sob comando de Donald Trump. Para o Periódico Mural, os governos da chamada “quarta transformação” não são vítimas desse processo, mas cúmplices da maior ingerência imperialista no país.

Nesse quadro, o chamado ao boicote contra o Mundial FIFA 2026 é apresentado como uma possibilidade de unificar setores explorados e oprimidos em torno da Greve Geral de Resistência Nacional contra o velho Estado e o imperialismo.Foto: Periódico Mural/Reprodução
“Que não role a bola!”

O cartaz divulgado pela campanha resume a consigna central: “Boicote ao Mundial FIFA 2026”, “Contra o velho Estado e o imperialismo” e “Greve Geral de Resistência Nacional”. Nas laterais, aparecem as forças convocadas: CNTE, mães buscadoras, comunidades em resistência, FECSM, IPN, assembleias nacionais contra a gentrificação e vizinhos organizados.

Para o Periódico Mural, a Copa do Mundo colocará os olhos do mundo sobre o México. Por isso, os movimentos populares defendem transformar o evento em tribuna de denúncia contra o velho Estado, a repressão, a exploração, os desaparecimentos, o despojo territorial e a dominação imperialista.

“Que não role a bola!” tornou-se, assim, a síntese de uma campanha que busca reunir diferentes “arroios de luta” em um grande movimento nacional de resistência popular.
Pôster ‘Cortem a mão do agressor ianque!’

Fonte: A NOVA DEMOCARCIA

Tomó “algo natural para la memoria” y acabó orinando sangre: el peligro real de fiarse de la IA en temas de salud


Un congreso de médicos de atención primaria alerta de los riesgos de seguir las recomendaciones de las nuevas herramientas digitales sin consultar a los profesionales
Un usuario se dispone a utilizar herramientas de inteligencia artificial con su teléfono móvil.PICTURE ALLIANCE (DPA/PICTURE ALLIANCE VIA GETTY IMAGES)

José Antonio tiene 72 años. Desde hace un tiempo vive con la molesta sensación de que se le olvidan algunas cosas y decide consultar a un sistema de inteligencia artificial (IA) qué puede tomar para “mejorar la memoria”. Este jubilado de la provincia de Almería quiere que sea “algo natural”, porque no desea añadir otro medicamento a los que ya toma para la diabetes, el colesterol, la hipertensión y las arritmias. “Ginkgo biloba” es la respuesta que lee en la pantalla, así que compra un suplemento alimenticio con extractos de este árbol originario de China y confía en ver buenos resultados.

“Llegó a la consulta muy preocupado. Nos explicó que tenía sangre en la orina y que le habían salido moratones en las piernas sin haberse dado ningún golpe. Los análisis mostraron que tenía anemia, lo que era compatible con los sangrados. Así que seguimos indagando cuál podía ser la causa. Hasta que nos contó que hacía poco había empezado a tomar el suplemento”, cuenta Marina Oliva Morales, médico de familia residente que participó en la asistencia a José Antonio (nombre ficticio para proteger su identidad).

Interacción farmacológica grave tras recomendación de inteligencia artificial en paciente polimedicado: nuevo reto para la atención primaria es el elocuente título con el que Oliva Morales y otros cinco facultativos presentan el caso clínico en el congreso de la Sociedad Española de Médicos Generales y de Familia (SEMG) que hoy jueves empieza en Oviedo. “Vimos que el ginkgo biloba puede aumentar el riesgo de hemorragia en algunos casos. Esto es más relevante por la posibilidad de interacciones en pacientes que toman anticoagulantes orales, como es el caso”, añade Oliva Morales.

Los médicos explicaron a José Antonio la causa más plausible de lo ocurrido, le recomendaron que dejara de tomar el suplemento y ajustaron “temporalmente” su tratamiento con anticoagulantes. “Se realiza seguimiento estrecho. La hematuria [orina en la sangre] remite progresivamente en una semana sin necesidad de ingreso hospitalario”, sigue el trabajo presentado en el congreso.

Este caso se resolvió sin más complicaciones, pero todas las fuentes consultadas lo destacan como muy ilustrativo porque reúne en un solo paciente varios retos a los que se enfrentan los médicos. Uno es la creencia de que todo “lo natural” equivale a inocuo, cuando en realidad muchos suplementos alimenticios —cada vez más utilizados— contienen sustancias con efectos fisiológicos que pueden no ser siempre beneficiosos. Otro es el hecho de que el riesgo de interacciones se dispara entre quienes toman varios fármacos, algo común en los pacientes mayores y crónicos que más frecuentan las consultas de primaria.

Y, en tercer lugar, el creciente uso de la IA como herramienta a la que preguntar por temas de salud y cuyas respuestas pueden llevar a tomar decisiones sin consultar al médico. Un riesgo sobre el que la Organización Mundial de la Salud (OMS) lleva alertando desde 2023. “Los datos que se emplean para entrenar a la inteligencia artificial pueden estar viciados, dando lugar a informaciones engañosas o inexactas que representen un riesgo para la salud”, advierte el organismo en un comunicado.

“Son personas que actúan con la mejor de las intenciones, pero que por desconocimiento y confiar en exceso en la IA pueden tomar decisiones que pueden resultar perjudiciales. Todo esto requiere un esfuerzo importante por nuestra parte: informar bien, dar herramientas para tomar mejores decisiones en salud y estar disponibles para resolver dudas”, afirma Oliva Morales.

Julio Mayol, catedrático de Cirugía en la Universidad Complutense de Madrid y experto en el desarrollo de la IA en el ámbito sanitario, considera que estos casos muestran “la gran revolución de desintermediación” que vive el mundo sanitario. Y recurre a una analogía histórica para explicarla: “La expansión de la inteligencia artificial reproduce el impacto que tuvo la imprenta de Gutenberg: la desintermediación del acceso al conocimiento. Igual que la lectura de las Escrituras dejó de ser patrimonio exclusivo del clero y dio lugar a la Reforma, hoy la información ya no depende solo de los profesionales”.

Intentar frenar este proceso, “como hizo la Contrarreforma, con una política sistemática de control y censura de libros, resulta inviable”, considera Mayol. “La respuesta más eficaz se asemejaría al modelo educativo impulsado por los jesuitas: formar a la ciudadanía para que domine el nuevo medio”, sostiene. En la práctica, para este experto, la nueva realidad es también un gran reto para los médicos: “Abandonar el rol de guardianes del conocimiento y asumir una función pedagógica que ayude a capacitar a la población en el uso responsable de estas herramientas, con una evaluación crítica de los contenidos generados por la IA”.

La Organización Médica Colegial (OMC) ha publicado recientemente el Manual de Buenas Prácticas para la Inteligencia Artificial en Medicina. “Es importante tener en cuenta que la IA generativa generalista supone un riesgo si se utiliza para obtener recomendaciones médicas, como ha ocurrido con este paciente. La IA tiene un enorme potencial para ayudar al médico y liberarle de tareas burocráticas y con poco valor, pero no puede sustituir nunca el criterio clínico”, explica la vicepresidenta primera de la entidad, Maribel Moya.

Para un uso seguro, Moya subraya que la IA “puede intervenir en distintos momentos del proceso asistencial, pero el médico debe situarse siempre en el último eslabón de la cadena y mantener una supervisión efectiva”. Por ello, apuesta por medidas como el desarrollo de “chatbots corporativos y otras herramientas cuyo contenido esté avalado" por la evidencia. “El médico puede recomendar estas herramientas, acompañar al paciente en su uso y contestar a cualquier pregunta que pueda surgirle”, concluye.

En la apertura del congreso, los responsables de la SEMG también han querido poner el foco en otros problemas relacionados con las nuevas tecnologías y la lectura acrítica de sus contenidos. En una sesión titulada Anabolizantes y dietas hiperproteicas: lo que el médico de familia debe saber y preguntar, los participantes han alertado de que “el uso de las redes sociales, la presión estética y el deseo de obtener cambios físicos rápidos está llevando a perfiles cada vez más jóvenes y alejados del deporte de élite” a asumir comportamientos de riesgo, según Rodrigo Santos Santamarta, miembro del Grupo de Trabajo de Medicina Deportiva de la SEMG.

Otro motivo de alerta son los llamados trastornos del comportamiento alimentario “silenciosos”, también relacionados con las “redes sociales, la cultura fitness y la presión estética, que están actuando como catalizadores clave”. Antonio Torres, miembro del Grupo de Trabajo de la entidad, ha destacado que se trata de trastornos “menos visibles” que otros más graves y conocidos como la anorexia o la bulimia clásicas, pero que son “cada vez más frecuentes y difíciles de detectar” en la consulta. El gran riesgo, ha incidido este experto, es que la combinación de nuevas tecnologías y tendencias estéticas “transforman conductas obsesivas en hábitos aparentemente saludables y validados socialmente”, algo que tiene un especial impacto en “adolescentes y jóvenes, que terminan interiorizando estándares corporales inalcanzables y editados como la norma”.

Fonte: EL PAIS

Formandos de universidades dos EUA vaiam discursos sobre IA

Um detalhe que me parece relevante: para usar a IA como instrumento auxiliar, é preciso conhecer o assunto sobre o qual você irá questioná-la e saber formular perguntas pertinentes.

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Por que alunos estão vaiando a inteligência artificial em formaturas de universidades dos EUA?

Discursos proferidos principalmente por grandes empresários têm gerado o efeito contrário ao esperado em cerimônias de colação de grau: estudantes demonstram revolta, em vez de ânimo ou motivação.



11/06/2026 01h00 

A cena clássica de uma colação de grau, em geral, inclui aplausos para cada um dos (muitos) nomes chamados ao palco, mensagens motivacionais, agradecimentos, reflexões, lágrimas de alívio e capelos sendo jogados para cima.

Nos últimos meses, no entanto, o que se escutou nos Estados Unidos em casos pontuais foram… vaias. Sim, em plena cerimônia de formatura, em alto e bom som, a cada vez que a expressão “inteligência artificial” era mencionada.

Na Universidade da Flórida Central, quando a executiva do setor imobiliário Gloria Caulfield fez um discurso aos formandos e chamou a IA de “a próxima Revolução Industrial”, provocou revolta nos alunos. Foi vaiada.

Na Universidade do Arizona, Eric Schmidt, ex-CEO do Google, falou dos “arquitetos da inteligência artificial”, nomeados pela revista “Time” como “pessoas do ano”. Vaiado.

E na Universidade Estadual do Meio do Tennessee, Scott Borchetta , executivo musical, ousou dizer aos formandos que a IA está “reescrevendo o processo de produção”. Vaiado também.

Nos três casos, vídeos mostrando o descontentamento dos estudantes viralizaram nas redes sociais.

“Os alunos esperam discursos de incentivo, de otimismo, de sabedoria ou de ânimo, como costuma acontecer em todas as formaturas”, afirma Adriano Peixoto, professor e membro da comissão de inteligência artificial da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“Aí, eles ouvem uma referência à IA. É como enfiar uma faca no peito deles, justamente em um dia tão importante.”

Mas, afinal, por que ouvir uma exaltação a essa tecnologia na colação de grau dói tanto?

Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, há as seguintes hipóteses:

medo de não conseguir um emprego após se formar;
sensação de dependência da IA;
revolta em relação a estes porta-vozes, que representam “big techs” (grandes empresas de tecnologia);
frustração de expectativas em relação ao real uso da inteligência artificial;
protesto contra os prejuízos ao meio ambiente.



Discursantes são vaiados em cerimônias de formatura nos EUA — Foto: Reprodução/Redes sociais


Segundo Paulo Blikstein, professor do Teachers College e afiliado ao departamento de Educação da Universidade Columbia, em Nova York, o avanço da inteligência artificial já traz o temor da substituição de humanos por máquinas. E, na perspectiva dos recém-formados, justamente os empregos de quem está em início de carreira podem ser os mais atingidos.

“Os mais jovens se sentem ameaçados, porque sabem que vão ser impactados”, diz o especialista.

As dificuldades financeiras, agravadas pelas dívidas estudantis, dão mais peso a essas preocupações.

“No caso dos Estados Unidos, os alunos provavelmente contraíram um empréstimo e têm uma série de dívidas. Eles veem o nível crescente de desemprego e percebem que os trabalhos de nível inicial, de ‘entrada’, estão sendo substituídos por IA”, diz Peixoto, da UFBA.

“Então, é aquela coisa: ‘eu fiz tudo isso, e agora? O que vai acontecer?’. É um sentimento de frustração. E aí isso se junta a um discurso de algum grande nome da indústria falando de inteligência artificial em tom de otimismo. Isso gera uma desconexão entre o que o estudante está sentindo e o que o palestrante está falando.”

💥Sensação de dependência da IA

O ponto atual em que a sociedade está a respeito da IA deixa claro, segundo os especialistas ouvidos pelo g1, que as consequências do uso dessa ferramenta vão muito além de apenas facilitar tarefas do dia a dia.

“Já há uma dualidade: os alunos percebem que sim, a inteligência artificial é útil, mas, por outro lado, também notam que estão ficando dependentes dela”, diz Blikstein.

As vaias traduziriam essa angústia. “Algo que começou empoderando as pessoas acaba também tornando-as reféns.”

💥Revolta em relação às 'big techs'

É importante observar quem são as pessoas vaiadas: todas representam grandes empresas de tecnologia. O protesto dos recém-formados provavelmente tem relação com esse perfil.

“A reação deles pode nem ser à tecnologia em si, mas aos interesses econômicos envolvidos e à eventual falta de limites éticos”, explicam Carlson Luís Pires de Toledo e Alexandre Marcondes, diretores do Colégio Visconde de Porto Seguro (SP).

Os discursos proferidos nas cerimônias podem soar como fantasiosos.

“Os alunos sabem que não é apenas uma vontade de contribuir com o futuro da humanidade. As big techs evidentemente querem diminuir os custos com pessoal, por exemplo. Agentes de IA não fazem greve, não pedem aumento, não reclamam de trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana”, afirma Blikstein, da Universidade Columbia.

O fato de esses interesses do setor privado não serem explicitamente mencionados — e sim permanecerem disfarçados pelo discurso de “avanços da sociedade” — contribuiria para essa revolta.

“As pessoas perderam a paciência com essa conversa do Vale do Silício de ‘deixe que vamos entregar o futuro para vocês’”, diz o professor.

Andrea Jotta, psicóloga especializada em ciberpsicologia pela PUC-SP, concorda que o distanciamento entre o que é dito nos discursos das empresas e o que de fato é percebido pelos alunos aumenta essa rejeição.

“A gente quer a IA como ferramenta, não como dona dos nossos pensamentos. E a linha que divide isso não está clara. Há de se esperar um levante [contra as grandes empresas] até que tudo se ajuste”, diz.

💥Frustração de expectativas

Outro fator que pode ajudar a explicar as vaias é a mudança na percepção pública sobre o que a inteligência artificial prometia entregar.

Quando ferramentas como o ChatGPT ganharam popularidade, há cerca de dois ou três anos, era comum ouvir previsões otimistas sobre o potencial para resolver grandes problemas da humanidade.

"Havia uma expectativa de que a inteligência artificial ajudaria a curar o câncer, combater o aquecimento global, democratizar a educação e ampliar o acesso ao conhecimento", afirma Blikstein.


Segundo ele, porém, o discurso mudou rapidamente.

"De um ou dois anos para cá, ficou mais claro que a utopia estava virando uma distopia. A conversa passou de 'vamos curar o câncer' para 'vamos substituir todos os advogados da empresa' ou 'vamos substituir professores nas universidades'."

Para o especialista, os estudantes percebem essa mudança de foco e passam a enxergar a tecnologia com mais desconfiança.

"Existe uma corrida para ver quem consegue explorar primeiro e melhor esse espaço de substituição do trabalho humano. E esses graduandos não estão mais olhando isso com bons olhos", diz.

💥Protesto contra os prejuízos ao meio ambiente

As preocupações com o impacto ambiental da inteligência artificial também podem estar por trás das manifestações dos formandos.


Nos Estados Unidos, cresce o debate sobre o enorme consumo de energia e água dos data centers, estruturas responsáveis por armazenar e processar os sistemas de IA.

Segundo Peixoto, da UFBA, muitos estudantes associam esses custos ambientais aos interesses econômicos das grandes empresas de tecnologia.


Na avaliação do professor, parte da insatisfação surge da percepção de que os benefícios da tecnologia ficam concentrados em um grupo pequeno de pessoas, enquanto os custos são compartilhados por todo o planeta.


"Os ganhos ficam para os bilionários. Ao mesmo tempo, a população está lidando com dificuldades para pagar as contas e conseguir emprego", diz.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Arte sobre a traição bolsonarista

 


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Imprensa internacional cita "lobby" de Flávio Bolsonaro junto a Trump contra o Brasil
Financial Times diz que Trump rompeu “trégua” que havia firmado com Lula e “desencadeou uma tempestade política" no Brasil
04 de junho de 2026, 08:30 h

Manchete do jornal britânico Financial Times (Foto: Reprodução/Financial Times)
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247 - O jornal britânico Financial Times afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rompeu uma “trégua” que havia firmado com o presidente Lula (PT) e “desencadeou uma tempestade política” no Brasil ao anunciar novas medidas contra o país, em meio à articulação atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao governo norte-americano. A reportagem destaca a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e a decisão dos Estados Unidos de designar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

O jornal associou os anúncios feitos por Washington a “um esforço de lobby por parte de um importante candidato presidencial brasileiro”, em referência a Flávio Bolsonaro, que se reuniu com Trump na Casa Branca pouco antes das medidas contra o Brasil. O Financial Times afirmou que os dois anúncios encerraram a aparente acomodação entre Lula e Trump após a imposição de tarifas no ano passado, uma das maiores alíquotas adotadas sob a política comercial do republicano.


A publicação britânica apontou que a movimentação de Flávio busca aproximá-lo de políticos pró-Trump que venceram eleições recentes na América Latina. O senador tem tentado se projetar no campo internacional ao lado de lideranças alinhadas ao presidente dos Estados Unidos, em um contexto de disputa política interna no Brasil.

Em 28 de maio, os Estados Unidos anunciaram a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida é defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano, mas sofre resistência do governo Lula, que teme a abertura de brechas para intervenções militares norte-americanas no território brasileiro.


Na terça-feira (2), o governo norte-americano apresentou uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Ao justificar a medida, Washington criticou o Pix e classificou práticas do governo brasileiro como “irrazoáveis”, alegando que elas “oneram ou restringem o comércio dos EUA”.

O Financial Times avaliou que Trump “desencadeou uma tempestade política” no Brasil. A reação levou Lula a usar os anúncios recentes para criticar Flávio Bolsonaro, a quem acusou de trair o país ao estimular medidas de Washington contra interesses brasileiros.

O jornal também registrou que Lula passou a chamar a nova proposta de tarifa de “TariFlávio”, em referência ao senador. A expressão foi usada pelo presidente para vincular a ofensiva comercial dos Estados Unidos à articulação política do filho de Jair Bolsonaro (PL) junto a Trump.

A reportagem afirma ainda que Flávio Bolsonaro foi “colocado na defensiva pela proposta de tarifas”. O Financial Times citou um vídeo no qual o senador, pré-candidato à Presidência, diz ter pedido a Trump que não impusesse novas taxas ao Brasil.

Apesar da repercussão, o jornal avaliou que Trump “não tomou partido abertamente na campanha eleitoral brasileira de outubro”. Ainda assim, a publicação observou que uma série de sinais foi amplamente interpretada no Brasil como indício de apoio a Flávio Bolsonaro.

https://www.brasil247.com/midia/imprensa-internacional-cita-lobby-de-flavio-bolsonaro-junto-a-trump-contra-o-brasil

INJUSTIÇA ETERNA - Vergonha!!!


Absolvição de ex-presidente da UDR perpetua 28 anos de impunidade no campo e expõe manobra jurídica de última hora no Paraná

Após 28 anos e três condenações anuladas, novo júri mantém impune o ruralista que matou camponês
Curitiba (PR)

Sebastião Camargo foi assassinado aos 65 anos, durante um despejo violento realizado pela UDR, no noroeste do Paraná. | Crédito: Foto: Arquivo pessoal


O Tribunal do Júri de Curitiba absolveu o ruralista e ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet, da acusação de assassinato do trabalhador rural sem-terra Sebastião Camargo. O julgamento foi concluído na madrugada desta sexta-feira (29), na capital paranaense. Com um resultado apertado, o ruralista não foi responsabilizado pelo crime, ainda que sete testemunhas tenham reconhecido Prochet na cena do crime. Responsável pela acusação, o Ministério Público do Paraná relatou que deve avaliar se recorrerá da decisão.





A batalha por justiça já se arrasta por 28 anos desde o crime em 1998 e expõe duas realidades opostas. De um lado, a luta por justiça com permanente denúncia nacional e internacional contra a impunidade do latifúndio. Exemplo disso foi a manifestação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2009, que responsabilizou o Estado brasileiro pelo assassinato do trabalhador, criticando a lentidão e a incapacidade do sistema de justiça nacional em punir os envolvidos.

Por outro lado, o processo foi marcado por sucessivas estratégias processuais da defesa do ruralista, incluindo diversos pedidos de adiamento e uma série de recursos acolhidos pelo Judiciário que resultaram na anulação das condenações proferidas pelo Tribunal do Júri. Em um cenário incomum na justiça brasileira, Prochet chegou a ser condenado por três júris populares distintos como autor do disparo que matou Sebastião Camargo. As condenações, ocorridas em 2013, 2016 e 2021, acabaram anuladas pelo Tribunal de Justiça do Paraná. O caso também enfrentou episódios que contribuíram para sua longa tramitação, como o extravio dos autos físicos do processo.

E, de modo ainda mais surpreendente, a defesa apresentou apenas no dia do júri uma nova testemunha: Jair Firmino, conhecido como Borracha. Diante do júri, o pistoleiro assumiu a autoria do crime.

Registro do julgamento de Marcos Prochet em 2016.
| Crédito: Arquivo

Entenda o caso

Sebastião Camargo foi morto aos 65 anos com um tiro na cabeça. O crime aconteceu em 7 de fevereiro de 1998, durante um despejo ilegal efetuado em um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Fazenda Boa Sorte, em Marilena, no Noroeste do Paraná. Na área residiam 300 famílias. Além do assassinato de Camargo, que deixou esposa e filhos, outras 17 pessoas, incluindo crianças, ficaram feridas na ocasião.

A área ocupada pelo movimento já estava em processo de desapropriação quando os ruralistas orquestraram o despejo ilegal. Vistoriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a fazenda foi considerada improdutiva. Teissin Tina, então dono da fazenda, recebeu cerca de R$ 1,3 milhão pela propriedade.

Messias Camargo tinha 15 anos quando seu pai foi assassinado. Neste 4º júri em que o acusado de assassinar seu pai estava no banco dos réus, Messias acompanhou da primeira fila, vendo em primeiro plano dois filhos de Marcos Prochet atuando como advogados de defesa do pai.

“Eles pregam tanto, como eles [a defesa de Prochet] ontem falavam em família, que são família. E daí a minha família, como é que sente? Como é que fica a minha família? Você não pode ter teu pai, não pode ver o pai, criar os seus netos. Como é que a gente sente? Será que para eles é família, isso aí? E a minha família? Minha família, será que não sente? […] Eles não mataram um cachorro, mataram um homem, mataram um pai de família. É muito tempo que a gente sente dor. A gente não é ser humano que não tem coração. Por que será que o pobre é um cachorro para esse povo? Será que não tem futuro, não tem valor?”, desabafa o camponês.

Messias cresceu com os três irmãos em idades próximas e a mãe, sempre trabalhando na roça. “Com 16 anos já trabalhava no serviço bruto. Não tive oportunidade de estudar, não tive oportunidade de nada Enquanto ontem os filhos deles estavam lá, dois advogados, defendendo ele e brigando”.

Na avaliação do MST, a sequência de recursos da defesa até culminar na absolvição é emblemática de como opera a arquitetura de manutenção da impunidade aos latifundiários. Nessa estrutura, as relações de interferência e proximidade com o Executivo e o Judiciário foram centrais para a não responsabilização e para o poder do ruralista.

Durante o júri, Prochet relatou que, no período dos fatos, “só com Jaime Lerner [então governador do Paraná] tive 52 agendas”, ao relatar a incidência política para criminalizar e paralisar ações dos movimentos pela reforma agrária. Mesmo sendo mencionado por testemunhas, o delegado da Comarca de Matelândia, Eduardo Barbosa, não determinou o depoimento de Marcos Prochet na época. Pouco tempo depois, o delegado foi condenado por corrupção e peculato.

Para João Flávio Borba, integrante da direção do MST no Paraná que acompanhou o júri, o resultado registra a injustiça que marca a história do Brasil. “A ênfase é do sentimento de impunidade. Para quem conviveu por mais de 20 anos, sabe o que significou toda a ação que a UDR, de uma forma ou outra, reprimiu com o resultado de mortes de pessoas e todo um clima de tensão que existia dentro da região […]. É uma atualização da fotografia do Brasil como o país da impunidade com os crimes cometidos contra os povos do campo, há mais de 500 anos”.

Forte opositor da reforma agrária, Prochet teve seu vínculo e o da UDR com a contratação de milícias rurais para ações violentas em ocupações amplamente evidenciados pela acusação ao longo do julgamento, em matérias nos veículos de imprensa, nos testemunhos e mesmo na realização da Comissão Parlamentar Mista (CPMI) da Terra, realizada entre 2003 e 2005.

“A gente quer fazer justiça. Não importa se é rico, se é pobre, preto, se é sem-terra, com terra, é fazer justiça. Depois de 28 anos, é mostrar que o Brasil não é país da Primeira República, não é Brasil dos coronéis, é do povo”, clamava o promotor do Ministério Público, André Tiago Pasternak Glitz, ao júri. “O filho de Sebastião está aqui acompanhando mais um julgamento. Sebastião foi assassinado com um tiro na cabeça. Não dá mais para tolerar. Depois de 28 anos, justiça”, complementa.

Terceirização da culpa e manobra de última hora

A grande reviravolta do julgamento foi desenhada nos bastidores. Apenas no dia do júri, a defesa de Prochet apresentou uma nova testemunha: o jagunço Jair Firmino, conhecido como “Borracha”. Diante do tribunal, o pistoleiro assumiu a autoria do crime e a classificou como um “acidente”. De acordo com o próprio depoimento de Firmino, os advogados e familiares do ruralista o procuraram na terça-feira desta semana e disponibilizaram o pagamento de deslocamento, hospedagem e um advogado próprio. “O filho do Marcos me procurou e pediu para eu vir aqui. Foi na terça-feira”, declarou.

A cena do depoimento chocou o plenário, com os advogados de defesa cercando a testemunha enquanto Firmino afirmava ser o autor do disparo contra Sebastião. “Nunca vi o que aconteceu hoje. Vinte e oito anos depois aparece o verdadeiro criminoso, querendo expiar sua culpa. É fácil ele assumir agora que já não pode ser condenado”, questionou o promotor, em referência à impossibilidade de punição de Borracha, já que o crime prescreveu para ele. “Depois de 28 anos, a verdade não aparece por acaso na véspera do julgamento”, alerta.

O promotor ainda destacou que, embora Borracha alegue ter várias testemunhas de sua suposta culpa, o nome do jagunço foi mencionado em pouquíssimas ocasiões por apenas uma pessoa ao longo de quase três décadas de processo e oitivas: por Augusto Barbosa da Costa, acusado de integrar a milícia que realizou o ataque contra o acampamento. E, mesmo sendo referido logo no início do processo, em 1998, a defesa do réu não o acionou ou sustentou em outros júris a culpa de Borracha. O nome do jagunço surgiu em um depoimento “informal” de Augusto ao delegado Eduardo Barbosa. “Augusto depõe e não diz nada sobre Borracha e depois, em relatório do delegado, ele insere o nome de Borracha e relata aqui, em plenário, que Augusto o mencionou como autor do disparo em depoimento informal”, aponta o promotor. “A verdade é que estas pessoas estavam no bolso; é mais uma vez o poder da grana comprando o nosso Estado”, destaca.

O Ministério Público também contestou a motivação do depoimento. A testemunha alegou que assumiu a culpa para “evitar uma injustiça”, afirmando ter sido injustiçada em outro caso. Em 2011, o Tribunal do Júri do Paraná condenou Jair Firmino pelo assassinato do trabalhador rural Eduardo Anghinoni, ocorrido em 1999. Na ocasião, Borracha foi condenado e cumpriu 15 anos de prisão respaldado por robusto conjunto de provas, o que desidrata seu argumento de erro judicial.

A contradição entre o depoimento do ex-presidente da UDR e o histórico de relação entre ele e o pistoleiro também ficou registrada na história: o próprio Marcos Prochet acompanhou pessoalmente o julgamento em que Borracha foi condenado por matar Anghinoni. Após a sentença que deu 15 anos de cadeia ao pistoleiro, o ruralista saiu publicamente em sua defesa, em 2011: “O Borracha é trabalhador, não fez esse negócio”. Anos depois, o mesmo aliado é usado como peça de descarte para blindar o latifúndio. Já no júri desta quinta e sexta-feira, Prochet relatou que não conhecia Borracha.

Outro aspecto que se destaca é o fato de Borracha e Marcos Prochet compartilharem a assessoria jurídica dos mesmos advogados. Durante o júri, Jair Firmino relatou que, ao longo dos 28 anos, contou apenas ao advogado Itacir Biazus ser o autor do disparo que vitimou o camponês, e que foi acompanhado pelo advogado Ricardo Baggio quando foi preso em flagrante em 1998. Os mesmos advogados acompanharam Marcos Prochet em depoimentos à delegacia dias após o crime.

Álibis forjados

De acordo com a promotoria, o réu constituiu, nos dias seguintes ao crime, uma agenda roteirizada de álibis que incluía familiares, amigos e funcionários. Essa construção artificial resultou até mesmo na sobreposição de horários relatados pelos álibis como de encontros com Prochet.

“Às 9h ele estaria na casa do advogado; às 9h15 Tarcísio relata que ligou para a casa de Prochet e conversou com o ruralista; entre 9h e 9h30 a esposa Regina diz que ele a deixou na loja; às 9h30 ele chegou no trabalho”, resgata o promotor de falas de testemunhas em depoimentos. “Esse roteiro forjado criou a ilusão da onipresença. A tentativa de criar um álibi é tão forte que ele [Prochet] faz o que a gente não consegue fazer, que é estar em vários locais ao mesmo tempo”, diz.
Testemunhas do crime

A trabalhadora rural Antônia França é uma das principais testemunhas do crime, e prestaria depoimento virtualmente; porém, por dificuldade de conexão da internet, teve o testemunho prestado ao longo do julgamento. Ela estava deitada ao lado de Sebastião Camargo quando ele levou o tiro na cabeça e foi atingida por fragmentos de pólvora que lhe causaram lesões. Em depoimento prestado em 1998, depois na audiência de instrução que acarretou na denúncia do Prochet, que ocorreu em março de 2004, quanto em todos os juris (2013, 2016 e 2021), ela disse as mesmas coisas, que reconheceu a voz e viu o Prochet tirar o capuz.

“Eles falavam: ‘Esse velho está olhando, eu vou dar um tiro na cabeça dele’. Mas ele erguia a cabeça porque tem problema na coluna”, disse a testemunha. “Eu reconheci a voz dele, do Marcos Prochet. Eu conhecia ele, da Fazenda Três Córregos. Ele sempre ia por lá com a polícia. Depois, ele tirou o capuz.” Antonia, em fevereiro de 1998, chegou a fazer exame de corpo delito, pois foi atingida por pólvoras dos tiros.

Ela contou em seus depoimentos que todos os homens que estavam encapuzados correram, após os tiros, até um caminhão e muitos se dirigiam a Prochet como “comandante”. Antonia também citou que Prochet era o único que vestia roupa diferente, com emblema da UDR. “Não me disseram que foi ele, eu vi que era ele”, disse aos advogados do réu no 3º júri popular.

Outras duas testemunhas, Aparecido e Gilson, reforçam o reconhecimento de Prochet pelo tipo físico, pela voz e pela vestimenta.

Três condenados pelo assassinato de Sebastião Camargo

O ex-presidente da UDR – associação de proprietários rurais voltada à “defesa do direito de propriedade” – é a quarta pessoa a ir a júri popular pelo assassinato de Sebastião Camargo. Teissin Tina recebeu condenação de seis anos de prisão por homicídio simples; no entanto, não foi preso porque a pena prescreveu. Já Osnir Sanches foi condenado a 13 anos de prisão por homicídio qualificado e constituição de empresa de segurança privada, utilizada para recrutar jagunços e executar despejos ilegais. Ele cumpre prisão domiciliar por questões de saúde. Augusto Barbosa da Costa, integrante da milícia privada, também foi condenado, mas recorreu da decisão.

Denunciado apenas em 2013, o ruralista Tarcísio Barbosa de Souza, presidente da Comissão Fundiária da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), ligada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), também foi apontado como envolvido no crime, mas a decisão judicial que determinava o julgamento de Tarcísio por júri popular foi anulada em 2019.
Reincidência da injustiça no Paraná

A manutenção da impunidade acrescenta mais um episódio ao grave quadro de ausência de responsabilização da violência do Estado e de latifundiários contra trabalhadores sem-terra. Em 2024, o Estado brasileiro foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) pela intensa violência e pela omissão da justiça brasileira quanto ao assassinato do trabalhador rural Antônio Tavares, bem como pelas lesões sofridas por mais de 197 integrantes do MST por parte de agentes da Polícia Militar do Paraná.

A violência ocorreu durante a repressão, na Rodovia BR-227, em Campo Largo (PR), a uma marcha pela reforma agrária que ocorreria em 2 de maio de 2000, em Curitiba. Na repressão, mulheres, crianças e pessoas idosas também foram feridas.

O órgão vinculado à OEA já tinha condenado o país em mais dois casos. Em 2009, a Corte reconheceu o conjunto de violações pela interceptação, monitoramento e divulgação ilegais de conversas telefônicas de associações de trabalhadores rurais pela Polícia Militar do Paraná, no que ficou conhecido como Caso Esher. No mesmo ano, o país foi condenado por não responsabilizar os envolvidos no assassinato do sem-terra Sétimo Garibaldi.

Em um episódio muito semelhante ao de Sebastião Camargo, na madrugada de 27 de novembro de 1998, um grupo de 20 homens encapuzados reprimiu as 50 famílias vinculadas ao MST e ocupantes da Fazenda São Francisco, em Querência do Norte, localizada no noroeste do Paraná. Na operação de desocupação ilegal, com participação do proprietário da fazenda, Morival Favoreto, o grupo efetuou disparos com armas de fogo, ordenou que as famílias saíssem dos barracos e que se deitassem no chão. Logo que saiu do barraco, o camponês Sétimo Garibaldi, de 52 anos, foi ferido na perna. Sem socorro ao camponês pelo bando, Garibaldi faleceu de hemorragia aguda.

“As violências da UDR e do latifúndio no estado Paraná não podem permanecer impunes e nós vamos seguir os caminhos em âmbito internacional para garantir que haja justiça para Sebastião Camargo e todos os trabalhadores e trabalhadoras rurais que foram vítimas de violência e assassinato por parte dos agentes, dos representantes do latifúndio”, enfatiza Darci Frigo, da Terra de Direitos. A organização contribui no julgamento como assistente de acusação.
Histórico de violência no governo Lerner

No período em que o Paraná foi governado por Jaime Lerner, o estado registrou, além dos 16 assassinatos de sem-terra, 516 prisões arbitrárias, 31 tentativas de homicídio, 49 ameaças de morte, 325 feridos em 134 ações de despejo e 7 casos de tortura, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Uma característica em comum nesses casos é a demora injustificada e a falta de isenção nas investigações e processos judiciais. Exemplo disso é o inquérito policial que investigou o assassinato de Camargo demorou mais de dois anos para ser concluído, e o primeiro júri no caso só foi realizado 14 anos depois do crime.

Em apenas dois dos 16 casos houve condenação efetiva dos executores ou mandantes: em 2011, Jair Firmino Borracha foi condenado pelo assassinato de Eduardo Anghinoni; entre 2012 e 2014, respectivamente, Teissin Tina, Osnir Sanches e Augusto Barbosa da Costa foram condenados pela morte de Sebastião Camargo. Até o momento, porém, nenhum deles permanece preso em regime fechado.
Sementes e frutos da luta pela terra

Neste período do conflito dos anos 1990, emergiram 40 assentamentos do noroeste do Paraná. As duas áreas em que ocorreram as ações das milícias e que resultaram na morte de Sebastião Camargo já haviam sido declaradas improdutivas e foram adquiridas pela União, e hoje são os assentamentos Santo Ângelo e assentamento Sebastião Camargo. Mais de duas mil famílias hoje estão assentadas na região noroeste.

Assentado da reforma agrária no oeste do Paraná, Messias resume o acesso à terra como “sobrevivência e produção”. “Hoje a maioria dos alimentos que vai para a escola é dos assentamentos […]. Hoje o povo consegue trabalhar e manter no colégio, manter os filhos deles que estão estudando, os netos que estão estudando na escola”.

As famílias da região noroeste avançaram na organização de três cooperativas para organizar a produção e a comercialização dos alimentos produzidos, e o município de Querência do Norte é destaque como o maior produtor de arroz do estado, especialmente vindos das áreas da reforma agrária.

João Flávio Borba garante a continuidade da luta pela democratização da terra, enquanto houver famílias que queiram lutar por esse direito: “Nós vamos continuar honrando a memória daqueles que partiram, fazendo luta pela terra e construindo a reforma agrária”. Plantação de Arroz da família Anghinoni, no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte. | Crédito: Jade Azevedo

Como mensagem sobre o que espera para o futuro, Messias deixa um apelo: “Não deixem acontecer isso, façam justiça, porque o ser humano merece ter uma chance de sobreviver e de construir uma vida, ver os teus filhos se formar, estudar, não decepar a vida assim”.

*Por Lizely Borges (Terra de Direitos) e Ednubia Ghisi (MST-PR)