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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Arte sobre a traição bolsonarista

 


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Imprensa internacional cita "lobby" de Flávio Bolsonaro junto a Trump contra o Brasil
Financial Times diz que Trump rompeu “trégua” que havia firmado com Lula e “desencadeou uma tempestade política" no Brasil
04 de junho de 2026, 08:30 h

Manchete do jornal britânico Financial Times (Foto: Reprodução/Financial Times)
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247 - O jornal britânico Financial Times afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rompeu uma “trégua” que havia firmado com o presidente Lula (PT) e “desencadeou uma tempestade política” no Brasil ao anunciar novas medidas contra o país, em meio à articulação atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao governo norte-americano. A reportagem destaca a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e a decisão dos Estados Unidos de designar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

O jornal associou os anúncios feitos por Washington a “um esforço de lobby por parte de um importante candidato presidencial brasileiro”, em referência a Flávio Bolsonaro, que se reuniu com Trump na Casa Branca pouco antes das medidas contra o Brasil. O Financial Times afirmou que os dois anúncios encerraram a aparente acomodação entre Lula e Trump após a imposição de tarifas no ano passado, uma das maiores alíquotas adotadas sob a política comercial do republicano.


A publicação britânica apontou que a movimentação de Flávio busca aproximá-lo de políticos pró-Trump que venceram eleições recentes na América Latina. O senador tem tentado se projetar no campo internacional ao lado de lideranças alinhadas ao presidente dos Estados Unidos, em um contexto de disputa política interna no Brasil.

Em 28 de maio, os Estados Unidos anunciaram a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida é defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano, mas sofre resistência do governo Lula, que teme a abertura de brechas para intervenções militares norte-americanas no território brasileiro.


Na terça-feira (2), o governo norte-americano apresentou uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Ao justificar a medida, Washington criticou o Pix e classificou práticas do governo brasileiro como “irrazoáveis”, alegando que elas “oneram ou restringem o comércio dos EUA”.

O Financial Times avaliou que Trump “desencadeou uma tempestade política” no Brasil. A reação levou Lula a usar os anúncios recentes para criticar Flávio Bolsonaro, a quem acusou de trair o país ao estimular medidas de Washington contra interesses brasileiros.

O jornal também registrou que Lula passou a chamar a nova proposta de tarifa de “TariFlávio”, em referência ao senador. A expressão foi usada pelo presidente para vincular a ofensiva comercial dos Estados Unidos à articulação política do filho de Jair Bolsonaro (PL) junto a Trump.

A reportagem afirma ainda que Flávio Bolsonaro foi “colocado na defensiva pela proposta de tarifas”. O Financial Times citou um vídeo no qual o senador, pré-candidato à Presidência, diz ter pedido a Trump que não impusesse novas taxas ao Brasil.

Apesar da repercussão, o jornal avaliou que Trump “não tomou partido abertamente na campanha eleitoral brasileira de outubro”. Ainda assim, a publicação observou que uma série de sinais foi amplamente interpretada no Brasil como indício de apoio a Flávio Bolsonaro.

https://www.brasil247.com/midia/imprensa-internacional-cita-lobby-de-flavio-bolsonaro-junto-a-trump-contra-o-brasil

INJUSTIÇA ETERNA - Vergonha!!!


Absolvição de ex-presidente da UDR perpetua 28 anos de impunidade no campo e expõe manobra jurídica de última hora no Paraná

Após 28 anos e três condenações anuladas, novo júri mantém impune o ruralista que matou camponês
Curitiba (PR)

Sebastião Camargo foi assassinado aos 65 anos, durante um despejo violento realizado pela UDR, no noroeste do Paraná. | Crédito: Foto: Arquivo pessoal


O Tribunal do Júri de Curitiba absolveu o ruralista e ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet, da acusação de assassinato do trabalhador rural sem-terra Sebastião Camargo. O julgamento foi concluído na madrugada desta sexta-feira (29), na capital paranaense. Com um resultado apertado, o ruralista não foi responsabilizado pelo crime, ainda que sete testemunhas tenham reconhecido Prochet na cena do crime. Responsável pela acusação, o Ministério Público do Paraná relatou que deve avaliar se recorrerá da decisão.





A batalha por justiça já se arrasta por 28 anos desde o crime em 1998 e expõe duas realidades opostas. De um lado, a luta por justiça com permanente denúncia nacional e internacional contra a impunidade do latifúndio. Exemplo disso foi a manifestação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2009, que responsabilizou o Estado brasileiro pelo assassinato do trabalhador, criticando a lentidão e a incapacidade do sistema de justiça nacional em punir os envolvidos.

Por outro lado, o processo foi marcado por sucessivas estratégias processuais da defesa do ruralista, incluindo diversos pedidos de adiamento e uma série de recursos acolhidos pelo Judiciário que resultaram na anulação das condenações proferidas pelo Tribunal do Júri. Em um cenário incomum na justiça brasileira, Prochet chegou a ser condenado por três júris populares distintos como autor do disparo que matou Sebastião Camargo. As condenações, ocorridas em 2013, 2016 e 2021, acabaram anuladas pelo Tribunal de Justiça do Paraná. O caso também enfrentou episódios que contribuíram para sua longa tramitação, como o extravio dos autos físicos do processo.

E, de modo ainda mais surpreendente, a defesa apresentou apenas no dia do júri uma nova testemunha: Jair Firmino, conhecido como Borracha. Diante do júri, o pistoleiro assumiu a autoria do crime.

Registro do julgamento de Marcos Prochet em 2016.
| Crédito: Arquivo

Entenda o caso

Sebastião Camargo foi morto aos 65 anos com um tiro na cabeça. O crime aconteceu em 7 de fevereiro de 1998, durante um despejo ilegal efetuado em um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Fazenda Boa Sorte, em Marilena, no Noroeste do Paraná. Na área residiam 300 famílias. Além do assassinato de Camargo, que deixou esposa e filhos, outras 17 pessoas, incluindo crianças, ficaram feridas na ocasião.

A área ocupada pelo movimento já estava em processo de desapropriação quando os ruralistas orquestraram o despejo ilegal. Vistoriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a fazenda foi considerada improdutiva. Teissin Tina, então dono da fazenda, recebeu cerca de R$ 1,3 milhão pela propriedade.

Messias Camargo tinha 15 anos quando seu pai foi assassinado. Neste 4º júri em que o acusado de assassinar seu pai estava no banco dos réus, Messias acompanhou da primeira fila, vendo em primeiro plano dois filhos de Marcos Prochet atuando como advogados de defesa do pai.

“Eles pregam tanto, como eles [a defesa de Prochet] ontem falavam em família, que são família. E daí a minha família, como é que sente? Como é que fica a minha família? Você não pode ter teu pai, não pode ver o pai, criar os seus netos. Como é que a gente sente? Será que para eles é família, isso aí? E a minha família? Minha família, será que não sente? […] Eles não mataram um cachorro, mataram um homem, mataram um pai de família. É muito tempo que a gente sente dor. A gente não é ser humano que não tem coração. Por que será que o pobre é um cachorro para esse povo? Será que não tem futuro, não tem valor?”, desabafa o camponês.

Messias cresceu com os três irmãos em idades próximas e a mãe, sempre trabalhando na roça. “Com 16 anos já trabalhava no serviço bruto. Não tive oportunidade de estudar, não tive oportunidade de nada Enquanto ontem os filhos deles estavam lá, dois advogados, defendendo ele e brigando”.

Na avaliação do MST, a sequência de recursos da defesa até culminar na absolvição é emblemática de como opera a arquitetura de manutenção da impunidade aos latifundiários. Nessa estrutura, as relações de interferência e proximidade com o Executivo e o Judiciário foram centrais para a não responsabilização e para o poder do ruralista.

Durante o júri, Prochet relatou que, no período dos fatos, “só com Jaime Lerner [então governador do Paraná] tive 52 agendas”, ao relatar a incidência política para criminalizar e paralisar ações dos movimentos pela reforma agrária. Mesmo sendo mencionado por testemunhas, o delegado da Comarca de Matelândia, Eduardo Barbosa, não determinou o depoimento de Marcos Prochet na época. Pouco tempo depois, o delegado foi condenado por corrupção e peculato.

Para João Flávio Borba, integrante da direção do MST no Paraná que acompanhou o júri, o resultado registra a injustiça que marca a história do Brasil. “A ênfase é do sentimento de impunidade. Para quem conviveu por mais de 20 anos, sabe o que significou toda a ação que a UDR, de uma forma ou outra, reprimiu com o resultado de mortes de pessoas e todo um clima de tensão que existia dentro da região […]. É uma atualização da fotografia do Brasil como o país da impunidade com os crimes cometidos contra os povos do campo, há mais de 500 anos”.

Forte opositor da reforma agrária, Prochet teve seu vínculo e o da UDR com a contratação de milícias rurais para ações violentas em ocupações amplamente evidenciados pela acusação ao longo do julgamento, em matérias nos veículos de imprensa, nos testemunhos e mesmo na realização da Comissão Parlamentar Mista (CPMI) da Terra, realizada entre 2003 e 2005.

“A gente quer fazer justiça. Não importa se é rico, se é pobre, preto, se é sem-terra, com terra, é fazer justiça. Depois de 28 anos, é mostrar que o Brasil não é país da Primeira República, não é Brasil dos coronéis, é do povo”, clamava o promotor do Ministério Público, André Tiago Pasternak Glitz, ao júri. “O filho de Sebastião está aqui acompanhando mais um julgamento. Sebastião foi assassinado com um tiro na cabeça. Não dá mais para tolerar. Depois de 28 anos, justiça”, complementa.

Terceirização da culpa e manobra de última hora

A grande reviravolta do julgamento foi desenhada nos bastidores. Apenas no dia do júri, a defesa de Prochet apresentou uma nova testemunha: o jagunço Jair Firmino, conhecido como “Borracha”. Diante do tribunal, o pistoleiro assumiu a autoria do crime e a classificou como um “acidente”. De acordo com o próprio depoimento de Firmino, os advogados e familiares do ruralista o procuraram na terça-feira desta semana e disponibilizaram o pagamento de deslocamento, hospedagem e um advogado próprio. “O filho do Marcos me procurou e pediu para eu vir aqui. Foi na terça-feira”, declarou.

A cena do depoimento chocou o plenário, com os advogados de defesa cercando a testemunha enquanto Firmino afirmava ser o autor do disparo contra Sebastião. “Nunca vi o que aconteceu hoje. Vinte e oito anos depois aparece o verdadeiro criminoso, querendo expiar sua culpa. É fácil ele assumir agora que já não pode ser condenado”, questionou o promotor, em referência à impossibilidade de punição de Borracha, já que o crime prescreveu para ele. “Depois de 28 anos, a verdade não aparece por acaso na véspera do julgamento”, alerta.

O promotor ainda destacou que, embora Borracha alegue ter várias testemunhas de sua suposta culpa, o nome do jagunço foi mencionado em pouquíssimas ocasiões por apenas uma pessoa ao longo de quase três décadas de processo e oitivas: por Augusto Barbosa da Costa, acusado de integrar a milícia que realizou o ataque contra o acampamento. E, mesmo sendo referido logo no início do processo, em 1998, a defesa do réu não o acionou ou sustentou em outros júris a culpa de Borracha. O nome do jagunço surgiu em um depoimento “informal” de Augusto ao delegado Eduardo Barbosa. “Augusto depõe e não diz nada sobre Borracha e depois, em relatório do delegado, ele insere o nome de Borracha e relata aqui, em plenário, que Augusto o mencionou como autor do disparo em depoimento informal”, aponta o promotor. “A verdade é que estas pessoas estavam no bolso; é mais uma vez o poder da grana comprando o nosso Estado”, destaca.

O Ministério Público também contestou a motivação do depoimento. A testemunha alegou que assumiu a culpa para “evitar uma injustiça”, afirmando ter sido injustiçada em outro caso. Em 2011, o Tribunal do Júri do Paraná condenou Jair Firmino pelo assassinato do trabalhador rural Eduardo Anghinoni, ocorrido em 1999. Na ocasião, Borracha foi condenado e cumpriu 15 anos de prisão respaldado por robusto conjunto de provas, o que desidrata seu argumento de erro judicial.

A contradição entre o depoimento do ex-presidente da UDR e o histórico de relação entre ele e o pistoleiro também ficou registrada na história: o próprio Marcos Prochet acompanhou pessoalmente o julgamento em que Borracha foi condenado por matar Anghinoni. Após a sentença que deu 15 anos de cadeia ao pistoleiro, o ruralista saiu publicamente em sua defesa, em 2011: “O Borracha é trabalhador, não fez esse negócio”. Anos depois, o mesmo aliado é usado como peça de descarte para blindar o latifúndio. Já no júri desta quinta e sexta-feira, Prochet relatou que não conhecia Borracha.

Outro aspecto que se destaca é o fato de Borracha e Marcos Prochet compartilharem a assessoria jurídica dos mesmos advogados. Durante o júri, Jair Firmino relatou que, ao longo dos 28 anos, contou apenas ao advogado Itacir Biazus ser o autor do disparo que vitimou o camponês, e que foi acompanhado pelo advogado Ricardo Baggio quando foi preso em flagrante em 1998. Os mesmos advogados acompanharam Marcos Prochet em depoimentos à delegacia dias após o crime.

Álibis forjados

De acordo com a promotoria, o réu constituiu, nos dias seguintes ao crime, uma agenda roteirizada de álibis que incluía familiares, amigos e funcionários. Essa construção artificial resultou até mesmo na sobreposição de horários relatados pelos álibis como de encontros com Prochet.

“Às 9h ele estaria na casa do advogado; às 9h15 Tarcísio relata que ligou para a casa de Prochet e conversou com o ruralista; entre 9h e 9h30 a esposa Regina diz que ele a deixou na loja; às 9h30 ele chegou no trabalho”, resgata o promotor de falas de testemunhas em depoimentos. “Esse roteiro forjado criou a ilusão da onipresença. A tentativa de criar um álibi é tão forte que ele [Prochet] faz o que a gente não consegue fazer, que é estar em vários locais ao mesmo tempo”, diz.
Testemunhas do crime

A trabalhadora rural Antônia França é uma das principais testemunhas do crime, e prestaria depoimento virtualmente; porém, por dificuldade de conexão da internet, teve o testemunho prestado ao longo do julgamento. Ela estava deitada ao lado de Sebastião Camargo quando ele levou o tiro na cabeça e foi atingida por fragmentos de pólvora que lhe causaram lesões. Em depoimento prestado em 1998, depois na audiência de instrução que acarretou na denúncia do Prochet, que ocorreu em março de 2004, quanto em todos os juris (2013, 2016 e 2021), ela disse as mesmas coisas, que reconheceu a voz e viu o Prochet tirar o capuz.

“Eles falavam: ‘Esse velho está olhando, eu vou dar um tiro na cabeça dele’. Mas ele erguia a cabeça porque tem problema na coluna”, disse a testemunha. “Eu reconheci a voz dele, do Marcos Prochet. Eu conhecia ele, da Fazenda Três Córregos. Ele sempre ia por lá com a polícia. Depois, ele tirou o capuz.” Antonia, em fevereiro de 1998, chegou a fazer exame de corpo delito, pois foi atingida por pólvoras dos tiros.

Ela contou em seus depoimentos que todos os homens que estavam encapuzados correram, após os tiros, até um caminhão e muitos se dirigiam a Prochet como “comandante”. Antonia também citou que Prochet era o único que vestia roupa diferente, com emblema da UDR. “Não me disseram que foi ele, eu vi que era ele”, disse aos advogados do réu no 3º júri popular.

Outras duas testemunhas, Aparecido e Gilson, reforçam o reconhecimento de Prochet pelo tipo físico, pela voz e pela vestimenta.

Três condenados pelo assassinato de Sebastião Camargo

O ex-presidente da UDR – associação de proprietários rurais voltada à “defesa do direito de propriedade” – é a quarta pessoa a ir a júri popular pelo assassinato de Sebastião Camargo. Teissin Tina recebeu condenação de seis anos de prisão por homicídio simples; no entanto, não foi preso porque a pena prescreveu. Já Osnir Sanches foi condenado a 13 anos de prisão por homicídio qualificado e constituição de empresa de segurança privada, utilizada para recrutar jagunços e executar despejos ilegais. Ele cumpre prisão domiciliar por questões de saúde. Augusto Barbosa da Costa, integrante da milícia privada, também foi condenado, mas recorreu da decisão.

Denunciado apenas em 2013, o ruralista Tarcísio Barbosa de Souza, presidente da Comissão Fundiária da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), ligada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), também foi apontado como envolvido no crime, mas a decisão judicial que determinava o julgamento de Tarcísio por júri popular foi anulada em 2019.
Reincidência da injustiça no Paraná

A manutenção da impunidade acrescenta mais um episódio ao grave quadro de ausência de responsabilização da violência do Estado e de latifundiários contra trabalhadores sem-terra. Em 2024, o Estado brasileiro foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) pela intensa violência e pela omissão da justiça brasileira quanto ao assassinato do trabalhador rural Antônio Tavares, bem como pelas lesões sofridas por mais de 197 integrantes do MST por parte de agentes da Polícia Militar do Paraná.

A violência ocorreu durante a repressão, na Rodovia BR-227, em Campo Largo (PR), a uma marcha pela reforma agrária que ocorreria em 2 de maio de 2000, em Curitiba. Na repressão, mulheres, crianças e pessoas idosas também foram feridas.

O órgão vinculado à OEA já tinha condenado o país em mais dois casos. Em 2009, a Corte reconheceu o conjunto de violações pela interceptação, monitoramento e divulgação ilegais de conversas telefônicas de associações de trabalhadores rurais pela Polícia Militar do Paraná, no que ficou conhecido como Caso Esher. No mesmo ano, o país foi condenado por não responsabilizar os envolvidos no assassinato do sem-terra Sétimo Garibaldi.

Em um episódio muito semelhante ao de Sebastião Camargo, na madrugada de 27 de novembro de 1998, um grupo de 20 homens encapuzados reprimiu as 50 famílias vinculadas ao MST e ocupantes da Fazenda São Francisco, em Querência do Norte, localizada no noroeste do Paraná. Na operação de desocupação ilegal, com participação do proprietário da fazenda, Morival Favoreto, o grupo efetuou disparos com armas de fogo, ordenou que as famílias saíssem dos barracos e que se deitassem no chão. Logo que saiu do barraco, o camponês Sétimo Garibaldi, de 52 anos, foi ferido na perna. Sem socorro ao camponês pelo bando, Garibaldi faleceu de hemorragia aguda.

“As violências da UDR e do latifúndio no estado Paraná não podem permanecer impunes e nós vamos seguir os caminhos em âmbito internacional para garantir que haja justiça para Sebastião Camargo e todos os trabalhadores e trabalhadoras rurais que foram vítimas de violência e assassinato por parte dos agentes, dos representantes do latifúndio”, enfatiza Darci Frigo, da Terra de Direitos. A organização contribui no julgamento como assistente de acusação.
Histórico de violência no governo Lerner

No período em que o Paraná foi governado por Jaime Lerner, o estado registrou, além dos 16 assassinatos de sem-terra, 516 prisões arbitrárias, 31 tentativas de homicídio, 49 ameaças de morte, 325 feridos em 134 ações de despejo e 7 casos de tortura, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Uma característica em comum nesses casos é a demora injustificada e a falta de isenção nas investigações e processos judiciais. Exemplo disso é o inquérito policial que investigou o assassinato de Camargo demorou mais de dois anos para ser concluído, e o primeiro júri no caso só foi realizado 14 anos depois do crime.

Em apenas dois dos 16 casos houve condenação efetiva dos executores ou mandantes: em 2011, Jair Firmino Borracha foi condenado pelo assassinato de Eduardo Anghinoni; entre 2012 e 2014, respectivamente, Teissin Tina, Osnir Sanches e Augusto Barbosa da Costa foram condenados pela morte de Sebastião Camargo. Até o momento, porém, nenhum deles permanece preso em regime fechado.
Sementes e frutos da luta pela terra

Neste período do conflito dos anos 1990, emergiram 40 assentamentos do noroeste do Paraná. As duas áreas em que ocorreram as ações das milícias e que resultaram na morte de Sebastião Camargo já haviam sido declaradas improdutivas e foram adquiridas pela União, e hoje são os assentamentos Santo Ângelo e assentamento Sebastião Camargo. Mais de duas mil famílias hoje estão assentadas na região noroeste.

Assentado da reforma agrária no oeste do Paraná, Messias resume o acesso à terra como “sobrevivência e produção”. “Hoje a maioria dos alimentos que vai para a escola é dos assentamentos […]. Hoje o povo consegue trabalhar e manter no colégio, manter os filhos deles que estão estudando, os netos que estão estudando na escola”.

As famílias da região noroeste avançaram na organização de três cooperativas para organizar a produção e a comercialização dos alimentos produzidos, e o município de Querência do Norte é destaque como o maior produtor de arroz do estado, especialmente vindos das áreas da reforma agrária.

João Flávio Borba garante a continuidade da luta pela democratização da terra, enquanto houver famílias que queiram lutar por esse direito: “Nós vamos continuar honrando a memória daqueles que partiram, fazendo luta pela terra e construindo a reforma agrária”. Plantação de Arroz da família Anghinoni, no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte. | Crédito: Jade Azevedo

Como mensagem sobre o que espera para o futuro, Messias deixa um apelo: “Não deixem acontecer isso, façam justiça, porque o ser humano merece ter uma chance de sobreviver e de construir uma vida, ver os teus filhos se formar, estudar, não decepar a vida assim”.

*Por Lizely Borges (Terra de Direitos) e Ednubia Ghisi (MST-PR)

Superbactéria crítica para a OMS é encontrada pela 1ª vez em alimento (OSTRA) no Brasil

Bactéria classificada pela OMS como crítica pela alta resistência a antibióticos foi identificada pela primeira vez em alimentos nas ostras brasileiras, e sua presença segue ameançando



Por Leonardo Vazquez, Ana Lúcia do Amaral Vendramini

05/06/2026 09h14 Atualizado há 22 minutos




Superbactéria crítica para a OMS é encontrada pela 1ª vez em alimento no Brasil — Foto: Adobe Stock

Em agosto de 2025, pesquisadores da USP e do Instituto de Pesca de São Paulo publicaram estudo sobre a descoberta que deveria estar em todo noticiário de saúde pública: a bactéria Citrobacter telavivensis foi identificada pela primeira vez em alimentos no Brasil. Esta bactéria é classificada pela Organização Mundial da Saúde como de prioridade crítica em resistência a antibióticos.

O alimento em questão eram ostras frescas, compradas em mercados de São Paulo e Santa Catarina. Nenhuma das amostras teria sido reprovada nos testes de inspeção sanitária vigentes.

Uma ameaça que cresce silenciosamente

A resistência antimicrobiana é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma das dez maiores ameaças à saúde global. Em outubro de 2025, o relatório GLASS da OMS revelou que uma em cada seis infecções bacterianas registradas entre 2018 e 2023 já apresentava resistência a antibióticos — um aumento de mais de 40% no período.

Em maio de 2025, a Assembleia Mundial de Saúde aprovou um novo Plano Global de Ação para 2026–2036, em reconhecimento de que, sem intervenção, as superbactérias podem matar até 39 milhões de pessoas por ano até 2050. Esse número supera as projeções atuais de mortalidade por câncer.

O problema, porém, ainda é narrado quase exclusivamente como uma questão hospitalar. O que os dados de 2025 reforçam é que elas chegaram à cadeia alimentar — e que a fiscalização sanitária brasileira ainda não acompanhou essa mudança.

Por que a ostra é um espelho do mar?

Ostras são animais filtradores. Elas bombeiam água continuamente para se alimentar e retêm na microbiota tudo o que circula no ambiente onde crescem: vírus, metais pesados, resíduos de medicamentos e bactérias.

Por isso, funcionam como sentinelas ambientais. O que está na água, está nelas.

No estudo de 2025, as amostras continham não apenas a Citrobacter telavivensis — registrada pela primeira vez em um hospital israelense em 2010 — mas também cepas de Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli resistentes a antibióticos de última geração. Além disso, 35% das amostras apresentaram concentrações de arsênio acima do limite máximo permitido pela Anvisa.

Os pesquisadores identificaram um fenômeno chamado co-seleção: o arsênio e os resíduos de antibióticos presentes na água selecionam, ao mesmo tempo, bactérias tolerantes aos dois. O ambiente poluído age como uma estufa de resistência.

O protocolo que não foi feito para isso

Quando um peixe ou um molusco chega a uma planta de processamento no Brasil, ele é avaliado por sistemas reconhecidos internacionalmente — HACCP, APPCC, Boas Práticas de Fabricação.

Esses sistemas verificam temperatura, higiene, presença de microrganismos totais, ausência de patógenos específicos como Salmonella e Listeria.

O que eles não verificam é o perfil de resistência antimicrobiana das bactérias encontradas. Um lote de peixe pode conter o Staphylococcus aureus resistente à meticilina, uma das superbactérias mais perigosas conhecidas — e ainda assim ser liberado para consumo se o número total de microrganismos estiver dentro da norma.

Há uma razão técnica para isso: os protocolos foram desenhados antes de a resistência antimicrobiana se tornar um problema de escala na cadeia alimentar. Eles ainda estão atualizados para o problema de ontem.


Bactéria 'disfarçada' pode ainda ser confundida em exames mesmo depois de surto que matou 15 bebês

Biofilme: o escudo invisível das superbactérias

Há um fator que torna o cenário ainda mais complexo. Bactérias como o Staphylococcus aureus resistente à meticilina não circulam apenas nos alimentos — elas colonizam equipamentos, bancadas e tubulações das próprias plantas de processamento. E fazem isso formando estruturas chamadas biofilmes.

Um biofilme é uma comunidade bacteriana encapsulada em uma matriz protetora. Dentro dele, as bactérias são entre cem e mil vezes mais resistentes a antibióticos do que quando estão isoladas — e mais resistentes aos sanitizantes químicos usados nos processos de higiene industrial.

Em pesquisa publicada em 2023 no periódico Bioscience, Biotechnology, and Biochemistry, juntamente com a equipe da professora Fernanda Sampaio Cavalcante (UFRJ-Macaé) demonstramos que uma enzima produzida naturalmente pela bactéria Staphylococcus lugdunensis — a lugdulisina — é capaz de inibir a formação de biofilmes do Staphylococcus aureus resistente à meticilina e destruir biofilmes já estabelecidos em laboratório.

A lugdulisina é uma metaloprotease: ela degrada a matriz proteica que sustenta a estrutura do biofilme, desprotegendo as bactérias e tornando-as vulneráveis novamente. Até o momento trata-se de um resultado experimental, mas que aponta para uma direção perseguida por pesquisadores do mundo inteiro: agentes anti-biofilme de origem biológica como alternativa ou complemento aos sanitizantes químicos.

O que falta fazer?

O problema não tem solução única. Ele começa no uso de antibióticos na aquicultura e na pecuária. Mais de 75% dos antibióticos produzidos no mundo vão para animais. E atravessam o saneamento básico, o descarte de medicamentos, a fiscalização ambiental e os protocolos industriais.

No Brasil, o Ministério da Agricultura implementou em 2023 a segunda etapa do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito Agropecuário. O programa monitora Salmonella em aves, suínos e bovinos. Pescado (moluscos e peixes), no entanto, ainda não estão cobertos.


Três mudanças são urgentes. A vigilância de resistência antimicrobiana precisa incluir o pescado. Os protocolos de qualidade alimentar precisam ser atualizados para contemplar rastreabilidade de origem e teste de perfil de resistência.

E o financiamento para pesquisa de alternativas biotecnológicas — como enzimas anti-biofilme — precisa acompanhar a velocidade com que as bactérias evoluem.


A superbactéria não tem preferência por hospital. Ela vai aonde a pressão seletiva a leva. E nos últimos anos, essa pressão foi para o mar.

A presença de superbactérias em alimentos não apenas ameaça a saúde pública, mas também pode comprometer exportações brasileiras de pescado, já que mercados internacionais — especialmente União Europeia e Estados Unidos — exigem padrões rigorosos de controle de resistência antimicrobiana.

Isso significa que, além do risco sanitário interno, há um risco direto para a competitividade do setor pesqueiro e para a economia nacional.


**Este texto foi publicado originalmente no site do The Conversation Brasil.


Leonardo Vazquez é pesquisador, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, no momento, não recebe financiamento. Atualmente ele é vinculado aos laboratórios de pesquisa da UFRJ como colaborador científico.
Ana Lúcia do Amaral Vendramini é professora Titular da Escola de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e recebe financiamento da Faperj.



siete cardenales y 61 obispos españoles señalados por encubrir a pederastas durante décadas

 La realidad que la Iglesia sigue escondiendo: siete cardenales y 61 obispos españoles señalados por encubrir a pederastas durante décadas


Diócesis y órdenes mantienen el mismo muro de silencio y opacidad desde hace ocho años: EL PAÍS ha vuelto a preguntar a 211 entidades por la gestión de los casos y solo han respondido tres.
Fonte: EL PAIS
El papa León XIV junto al cardenal Juan José Omella, en una reunión con seminaristas españoles en el Vaticano en febrero, en una imagen de la Santa Sede.Vatican Pool (Getty Images)

'Os israelenses são mais genocidas do que as pessoas pensam'

Conheça Andrey X, o TikToker 'Contra a Hasbara'.

Como uma visita familiar a Israel transformou Andrey Khrzhanovskiy em um ativista em tempo integral, documentando a violência na Cisjordânia.

Ler mais em https://www.haaretz.com/israel-news/2026-05-25/ty-article-magazine/.premium/israelis-are-more-genocidal-than-you-think-the-counter-hasbara-of-andrey-x/0000019e-44cb-d637-a99f-66fbc6cd0000

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André X
Da Wikipédia, a enciclopédia livre


Neste nome que segue os costumes de nomenclatura eslavos orientais , o patronímico é Ilyich e o sobrenome é Khrzhanovskiy .



Andrey X em maio de 2022
Nascer
André Ilyich Khrzhanovskiy
2 de maio de 1998 (28 anos)
Cidadania
Rússia
Israel
Educação
Escola do Museu Estatal Russo
Escola Gordonstoun
Alma mater University College London
Profissões
Jornalista
ativista
Anos de atividade 2021–presente (jornalismo)
2023–presente (ativismo)
Organização Kompas (2023–2024)
Pai Ilya Khrzhanovsky
Parentes Andrei Khrzhanovsky (avô)
Site www.andreyx.com


Andrey Ilyich Khrzhanovskiy ( em russo : Андре́й Ильи́ч Хржано́вский ; nascido em 2 de maio de 1998), [ 1 ] [ 2 ] [ 3 ] [ 4 ] conhecido online como Andrey X , é um jornalista e ativista russo-israelense contra a violência dos colonos israelenses na Cisjordânia . Ele ganhou destaque durante a guerra de Gaza .

Primeiros anos de vida e educação

Filho e neto dos cineastas russos Ilya e Andrei Khrzhanovsky , respectivamente, [ 5 ] [ 6 ] [ 7 ] Andrey Khrzhanovskiy foi criado em São Petersburgo . [ 3 ] [ 7 ] [ 8 ] Ele teve uma breve experiência como ator mirim , que inclui um papel em Um Quarto e Meio (2009), dirigido por seu avô homônimo. [ 1 ] [ 2 ]

Tendo abandonado a escola pública aos 14 anos, ele obteve seu diploma do ensino médio aos 16 e mudou-se para a Escócia, frequentando a Gordonstoun para cumprir os requisitos para ingressar em uma universidade britânica. [ 7 ] [ 9 ] Depois de passar um ano aprendendo sobre budismo e praticando kung fu no Mosteiro Shaolin na China, [ 9 ] ele se formou em Antropologia pela University College London , com uma dissertação focada na política dos países pós-soviéticos – para a qual passou algum tempo na Transnístria . [ 6 ] [ 7 ] [ 9 ] Ele começou sua carreira como jornalista escrevendo para publicações russas antigovernamentais como Meduza , Novaya Gazeta , Doxa e Discours . [ 9 ] Até 2022, ele também trabalhou em uma organização que auxiliava pessoas no espectro do autismo em São Petersburgo. [ 7 ] [ 10 ]

Khrzhanovskiy estava visitando seus avós em Israel em fevereiro de 2022, quando começou a invasão russa da Ucrânia ; ele optou por ficar lá , temendo uma possível perseguição por sua atividade como jornalista político. [ 3 ] [ 4 ] [ 7 ] [ 11 ] [ 12 ] Aproveitando-se de sua herança judaica, ele solicitou a cidadania israelense de acordo com a Lei do Retorno e recebeu um passaporte em pouco tempo, o que lhe permitiu se estabelecer em Tel Aviv . [ 9 ] [ 11 ] [ 12 ]

Ativismo e questões legais

Embora inicialmente pouco informado sobre o conflito israelo-palestino , Khrzhanovskiy disse que suas interações com israelenses e palestinos de 1948 rapidamente o fizeram perceber que estava se beneficiando do lado privilegiado de um sistema de apartheid e se sentiu compelido a "fazer algo a respeito". [ 3 ] [ 4 ] [ 7 ] [ 11 ] [ 13 ] Ele atribuiu isso principalmente a conversas com duas pessoas: um corretor de imóveis que lhe disse que " Netanya é um ótimo lugar para se viver porque o prefeito não permite que árabes aluguem apartamentos"; [ 13 ] e o dono de um café em Jaffa onde trabalhava, que foi forçado a visitar sua família na Jordânia , expulsa em 1948 e desde então proibida de entrar em Israel. [ 4 ] [ 7 ] [ 13 ]

Após um encontro em primeira mão com um colono nas colinas do sul de Hebron , bem como o início da guerra em Gaza em outubro de 2023 e a subsequente escalada da violência de colonos e do Estado contra palestinos na Cisjordânia ocupada , incluindo incursões militares, Khrzhanovskiy juntou-se a organizações locais de direitos humanos e começou a documentar as incursões nas redes sociais, particularmente na aldeia de Ras al-Auja [ 3 ] [ 4 ] [ 11 ] pela Juventude do Topo da Colina . [ 7 ] 
Ele também cofundou a empresa de mídia e ativismo Kompas ( Компас ), fornecendo cobertura em língua russa da Cisjordânia. [ 3 ] [ 7 ] [ 9 ] No verão de 2024, quando estava na nascente de Auja , colonos israelenses o atingiram na cabeça com um pedaço de pau, perfurando seu tímpano. [ 11 ]

Em outubro seguinte, Khrzhanovskiy e outros quatro jornalistas foram detidos a caminho de Nablus e levados para uma base militar, onde, segundo relatos, foram vendados, espancados e mantidos sob o sol durante horas. 
As autoridades acusaram seu colega Jeremy Loffredo, do The Grayzone, de " ajudar o inimigo em tempo de guerra " após ele ter noticiado o pouso de um míssil iraniano na Base Aérea de Nevatim . [ 14 ] [ 15 ] Devido à associação de Loffredo com um veículo pró-Rússia , Khrzhanovskiy foi expulso do coletivo Kompas por não aderir aos seus valores, "o principal dos quais é a rejeição de qualquer imperialismo , incluindo o russo ". Ele comentou que concordar em acompanhar Loffredo foi "um erro enorme e um grande ato de falta de profissionalismo da [sua] parte". [ 15 ]

Em 12 de dezembro de 2024, Khrzhanovskiy foi preso pela polícia israelense em Tel Aviv e levado para uma delegacia em Sderot . O motivo declarado foi a prisão por "vandalismo" devido a um vídeo que ele havia postado duas semanas antes, no qual aparecia colocando um adesivo com os dizeres "Palestina Livre" em um mirante em Sderot usado por israelenses para observar os bombardeios na Faixa de Gaza , mas também dedicado à memória de um soldado das Forças de Defesa de Israel morto no massacre de Be'eri durante os ataques de 7 de outubro . Suas ações foram publicamente criticadas pelo Ministro da Construção e Habitação de Israel, Yitzhak Goldknopf . Khrzhanovskiy foi posteriormente libertado sob fiança condicional de 15.000. [ 3 ] [ 8 ] [ 16 ] Segundo ele e seus advogados, ele foi repetidamente espancado e privado de comida e água durante sua detenção, além de ter tido negado apoio linguístico em seu julgamento, apesar de seu conhecimento limitado de hebraico . [ 3 ] [ 8 ]

Em 3 de outubro de 2025, Khrzhanovskiy fazia parte de um grupo de manifestantes israelenses que tentaram cruzar a fronteira entre Israel e Gaza a pé, em continuação declarada da Flotilha Global Sumud como um ato de pressão para "desmantelar o cerco a Gaza – por mar e por terra". Juntamente com outros ativistas, ele foi detido e agredido por forças israelenses, que supostamente torceram seu pulso. [ 17 ] [ 18 ]

Em novembro de 2025, Khrzhanovskiy estava em turnê por cidades suecas falando sobre a violência dos colonos israelenses. [ 19 ] [ 20 ] Pouco depois, no início de dezembro, ele foi condenado a um mês e a uma multa por ter pichado a Embaixada da Rússia em Tel Aviv dois anos antes, em protesto contra a guerra do país contra a Ucrânia. [ 21 ]

Vistas

As posições políticas de Khrzhanovskiy foram descritas como " extrema esquerda ", [ 5 ] [ 7 ] com seu pai chamando-o de "esquerda radical". [ 6 ] Ele apoia uma solução de um único Estado para o conflito israelo-palestino. [ 3 ]

Khrzhanovskiy afirma que os israelenses gozam de "impudência endêmica" para cometer abusos de direitos humanos e limpeza étnica contra os locais, e sustenta que somente a pressão internacional ou a intervenção direta, como as missões de paz da ONU, podem impedi-lo. [ 4 ] [ 11 ] [ 13 ] 

De acordo com seu depoimento, quando palestinos ou ativistas internacionais – incluindo ele próprio – são vítimas de agressões de colonos e denunciam à polícia israelense, são eles que acabam presos sob essas acusações. [ 11 ] Ele está envolvido em 13 processos civis contra as autoridades israelenses até maio de 2025 ; [ 3 ] no entanto, ele denunciou o fato de que, diferentemente dele, os palestinos são julgados em tribunais militares . [ 3 ] [ 21 ]

Vida pessoal

Quando se estabeleceu pela primeira vez em Tel Aviv em 2022, Khrzhanovskiy era casado; desde então, divorciou-se da esposa. [ 10 ] Em setembro de 2025, ele já vivia há um ano na Cisjordânia, hospedado por famílias palestinas e mudando-se de aldeia em aldeia a cada poucos dias. [ 10 ] [ 12 ]

Referências
"Андрей Хржановский мл".Kinox.ru(em russo). 17 de julho de 2024. Recuperado em 23 de agosto de 2025.
"Андрей Хржановский (младший)".Kino-Teatr.ru(em russo). 6 de outubro de 2023. Recuperado em 24 de agosto de 2025.
McCarthy, Hannah (18 de maio de 2025)."'Terrorismo de colonos é algo cotidiano': afirma ativista judeu russo que emigrou para Israel . The Irish Times . Consultado em 23 de agosto de 2025 .
"Andrey X, jornalista e fenômeno do TikTok, testemunha sobre limpeza étnica na Cisjordânia".111.111.111. 23 de junho de 2025.Consultado em 22 de agosto de 2025.
, Sam (23 de janeiro de 2025). Israel demonstra a supressão mais ampla da liberdade de expressão". The Progressive . Consultado em 23 de agosto de 2025.
"sobre".www.andreyx.com. Consultado em 23 de agosto de 2025.
Rahman, Anjuman (25 de agosto de 2024).""Posso ser mais útil aqui na Palestina", diz jornalista russo que resiste à ocupação israelense . Middle East Monitor . Consultado em 23 de agosto de 2025 .
(2 de março de 2025). fogo na Cisjordânia?". Agos . Consultado em 23 de agosto de 2025.
Kubovich, Yaniv; Breiner, Josh; Solomon, Eden (3 de outubro de 2025). "Israel intercepta o último barco da flotilha Sumud em Gaza; Ben-Gvir zomba de ativistas antes da deportação" . Haaretz . Consultado em 4 de outubro de 2025 .
Dawod, Nivette (23 de novembro de 2025). "Han gör content av bosättarvåldet: 'Hela poängen'" . Aftonbladet (em sueco) . Recuperado em 4 de dezembro de 2025 .
"Andrey X: Entre pontos de controle (Malmö)" . Beit Ebla . Consultado em 4 de dezembro de 2025 .
Andrey X [@the_andrey_x] (4 de dezembro de 2025)."Acabei de ser condenado por um tribunal israelense"(Tweet). Recuperado em 4 de dezembro de 2025– viaX (anteriormente Twitter).

Produtora de Dark Horse (o filme sobre a vida de Bolsonaro) pagou R$ 50 mil à mulher de Malafaia

Não dá outra: é defensor ferrenho do Bozo, tem rabo preso e recebe propina da família miliciana da Barra da Tijuca

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Contratada com verba municipal de R$ 2,5 milhões, produtora ligada a Mário Frias remunerou lideranças evangélicas e apoiadores de Bolsonaro
05 de junho de 2026, 07:42 hSilas Mafalaia (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
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247 - A empresária Karina Ferreira da Gama, sócia do deputado federal Mário Frias (PL-SP) e produtora do filme Dark Horse, recebeu R$ 2,5 milhões da Prefeitura de São Paulo para realizar um evento literário gospel de três dias que incluiu a contratação de lideranças evangélicas e personalidades conservadoras para palestras remuneradas com recursos públicos.

As informações foram divulgadas pelo Diário do Centro do Mundo (DCM), que revelou detalhes dos contratos firmados para o evento realizado entre os dias 27 e 30 de setembro de 2018, no auditório Elis Regina, localizado no complexo do Anhembi, na zona norte da capital paulista. Entre os nomes contratados está Elizete Malafaia, esposa do pastor Silas Malafaia, que recebeu R$ 50 mil para ministrar uma palestra de uma hora sobre “Empoderamento Feminino e Família”.



O contrato para a realização do evento foi assinado em 14 de agosto de 2018. A responsável pela autorização do projeto em nome da Prefeitura foi Juliana Velho, então chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Cultura. Atualmente, ela ocupa o cargo de chefe de gabinete da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo o DCM, o evento registrou público abaixo do esperado e teve posteriormente suas contas rejeitadas por órgãos de fiscalização e controle.

Mulher de Silas Malafaia recebeu R$ 50 mil


De acordo com a documentação apresentada pela produtora, Elizete Malafaia foi contratada para abordar temas relacionados à família e ao empoderamento feminino. Na justificativa oficial da contratação, Karina da Gama destacou que a palestrante é “psicóloga, bacharel em teologia, terapeuta de família, conferencista e coordenadora do Grupo de Terapeutas Cristãos. Ela é autora de diversos livros e mensagens em DVD com temas voltados para a mulher no contexto pessoal, profissional, familiar e espiritual”.

O valor pago à esposa de Silas Malafaia foi de R$ 50 mil por uma apresentação de aproximadamente uma hora. A contratação integra uma lista de palestrantes ligados ao segmento evangélico e ao campo político conservador que participaram da programação financiada com recursos municipais.

Além de Elizete, outros nomes conhecidos do público evangélico também foram contemplados com cachês elevados para palestras de curta duração durante o evento.

Ana Paula Valadão e Sonia Hernandes também participaram

A cantora e pastora Ana Paula Valadão, irmã do pastor André Valadão, recebeu R$ 50 mil para uma palestra sobre desenvolvimento pessoal. Na documentação oficial, sua contratação foi justificada pela produtora com a seguinte descrição: “Ana Pàula é Escritora, cantora, compositora, arranjadora de música cristã contemporânea e apresentadora brasileira. Citada pela Forbes como uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil”.

Outra participante foi a bispa Sonia Hernandes, fundadora da Igreja Renascer em Cristo, que também recebeu R$ 50 mil para falar sobre “empoderamento feminino e família”. Segundo a justificativa apresentada por Karina da Gama, “Sônia Hernandes é empresária, escritora, apresentadora de televisão, compositora e primeira Bispa do Brasil.”

A presença de Sonia Hernandes chamou atenção também por sua proximidade com lideranças políticas do campo conservador. Seu marido, o bispo Estevam Hernandes, chegou a defender publicamente o nome de Tarcísio de Freitas para a Presidência da República. Em declaração à Folha de S.Paulo, afirmou: “Acho que ele seria o candidato ideal para este momento do Brasil”.

Coach ligado a Ricardo Nunes e Vitor Belfort receberam recursos


Entre os contratados também estava o coach Paulo Vieira, que recebeu R$ 50 mil para uma palestra intitulada “Poder da Ação e da Auto-Responsabilidade”. Vieira ganhou projeção nacional por sua atuação no mercado de desenvolvimento pessoal e, durante a campanha municipal de 2024, atuou como consultor informal do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Segundo o DCM, Paulo Vieira foi denunciado pelo Ministério Público em 2023 sob acusação de demitir uma funcionária que não declarou voto em Jair Bolsonaro e por supostas declarações feitas a funcionários de sua empresa envolvendo posicionamentos políticos e religiosos.

Outro nome incluído na programação foi o ex-lutador Vitor Belfort, que recebeu R$ 30 mil para uma palestra intitulada “Lições de Garra, Fé e Sucesso”. Belfort se tornou conhecido nos últimos anos por manifestações públicas de apoio a Jair Bolsonaro e por sua atuação como influenciador digital.

Contas do evento foram rejeitadas

A contratação do evento ocorreu por meio de recursos da Prefeitura de São Paulo destinados à realização de um encontro literário voltado ao público evangélico. A lista de palestrantes incluiu lideranças religiosas, escritores, comunicadores e personalidades alinhadas ao conservadorismo político.

Conforme relatado pelo Diário do Centro do Mundo, documentos públicos da administração municipal detalham os valores pagos aos participantes e as justificativas apresentadas para cada contratação. O portal também informou que o evento registrou baixa participação em diversas atividades.

Posteriormente, as contas do projeto foram rejeitadas pelas autoridades responsáveis pela fiscalização e controle dos recursos públicos municipais, segundo a reportagem.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

TURISTIFICAÇÃO te agrada, nativo da ilha de SC?

A turistificação é o processo pelo qual um espaço ou bairro é transformado para atender quase exclusivamente ao consumo turístico. O fenômeno altera a economia, a cultura e a paisagem local, substituindo a dinâmica dos moradores originais pelas necessidades e hábitos dos visitantes. 

O processo ocorre através de uma série de impactos socioespaciais: [1, 2]
  • Especulação imobiliária: Imóveis são convertidos em acomodações de curta temporada (como via Airbnb), reduzindo a oferta de moradia e elevando os custos de aluguel e compra. [1, 2]
  • Descaracterização do comércio: O comércio tradicional e os serviços essenciais aos moradores locais são substituídos por lojas de souvenires, restaurantes gourmet e espaços padronizados para turistas. [1, 2]
  • Exclusão social: A população original é, muitas vezes, forçada a se mudar para áreas periféricas devido à impossibilidade de arcar com o encarecimento do custo de vida local. [1]
  • Sobreturismo (Overtourism): superlotação de espaços públicos e infraestruturas, o que gera desgaste na qualidade de vida dos habitantes, um sentimento de perda de identidade do local e protestos recorrentes em vários destinos globais. [1, 2]
Revista Jusbrasil

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Turistificação: uma face da gentrificação e a Lei de Turismo





19 de abril de 2025, 8h00


Nos últimos anos, cada vez mais têm surgido manifestações sociais questionando o turismo de massa e os seus impactos negativos sobre as cidades. Em Amsterdam, Barcelona, Paris ou Roma, por exemplo, a presença turística tem sido identificada negativamente em razão do aumento no custo de vida em geral, com especial destaque para alimentação e moradia.

A comunidade local passa a perceber os turistas como um risco, uma espécie de ameaça de natureza econômico-social, e não mais como uma forma de gerar desenvolvimento e oportunidades. Se mostra a sua face de exclusão e/ou de maquiagem social nos países e economias centrais, é evidente que o turismo não deixaria de apresentar tais efeitos também nos países periféricos, como é o caso do Brasil e dos demais países da América Latina, não obstante as características próprias.


A turistificação é comumente definida como processo de desenvolvimento ou implementação de atividade turística em área do território, com promoção de fatores atrativos para a atividade turística. Entretanto, como já se destacou, isso não significa apenas benesses, uma vez que impactos negativos também ocorrem. Nos países periféricos, e mesmo nos países centrais, as atividades turísticas podem resultar em um processo progressivo de ilhamento socioeconômico, com fomento de estruturas e padrões de exclusão social, gerando uma verdadeira modalidade de “gentrificação turística”.

A recente alteração na Política Nacional de Turismo (Lei 11.771/2008), por meio da Lei 14.978/2024, traz avanços ao reconhecer o turismo como um fenômeno social, cultural e econômico. Entretanto, a implementação prática dessas diretrizes depende de ações concretas que considerem a inclusão das comunidades locais no planejamento e na gestão. É necessário, por exemplo, fortalecer a aplicação da função social da propriedade e da cidade, a primeira prevista nos arts. 5º, XXIII e 170, III e a segundo no artigo 182, caput da Constituição Federal de 1988, de modo a tentar assegurando assim que o turismo não se transforme em uma força excludente.


A gentrificação [1] é vinculada à análise crítica de gestão do território, na qual a alteração implementada na estrutura local, com benfeitorias públicas e privadas, acarreta valorização econômica e elevação do custo de vida e/ou dos meios de exercício da vida cotidiana no local, desencadeando afastamento ou deslocamento de coletividades com menor potencial aquisitivo. A turistificação ligada à gentrificação se processa de forma similar, e acaba potencializando ainda mais esse processo.

A fixação de redutos turísticos em gentrificação representa em seu fator crítico a criação de ilhas de segurança, regularidade, bem-estar e alta rotatividade econômica. Em favor do exercício turístico, forja-se um perímetro imaginário (e com implementação de atuação estatal impositiva) no qual fatores como saúde, educação, segurança pública e organização do território se mostram específicos e, por vezes, antagônicos a outros locais existentes no município, região ou estado.

O cenário não é novo no Brasil, antes pelo contrário. Locais turísticos contam geralmente com policiamento próprio e circunscrito, planejamentos reativos em relação a demandas por saúde, gestão diferenciada em relação à educação, estabelecimentos comerciais e mesmo em relação à aplicação das normas urbanísticas pertinentes tanto ao código municipal de posturas urbanas quanto à regulação do direito de construir e às condições do patrimônio público. Apesar de não ser nova, a questão ganha articulação a partir dos conflitos sobre turismo ocorridos principalmente nos países europeus.

Turistificação apresenta desafios específicos no Brasil

Em locais como Fernando de Noronha ou Jericoacoara, que abrangem Unidades de Conservação [2], o turismo em larga escala ameaça a integridade ambiental e cultural, transformando territórios em “ilhas de privilégio” voltadas exclusivamente ao visitante mais rico, com custos elevados para as comunidades locais. Essa segregação socioespacial eleva os custos de alimentação e de moradia, dificultando o acesso de moradores originais a recursos básicos, podendo chegar até a “expulsá-los” do lugar. A ironia é que muitas vezes foi exatamente essas pessoas mais humildes, que a depender do caso podem se enquadrar como população tradicional, que contribuíram para a manutenção dos atributos naturais que hoje geram o adensamento e a pressão turística.



Spacca



De fato, no Brasil houve uma naturalização do fenômeno da turistificação ligada à gentrificação, não somente em relação aos mecanismos de exclusão, mas sim em relação aos mecanismos de geração de territórios diversos no espaço de vida que se sujeitam a diferentes regras de atendimento e atenção tanto em esfera pública quanto em esfera privada. É como se houvesse uma cidadania de classe especial quando fatos ou ocorrências se passem em espaços turísticos privilegiados.

Se a crise do turismo na Europa passa pela resistência ou recusa dos moradores locais em ter em seu território o turismo excessivo, e por vezes predatório, que afeta seu modus vivendi, no Brasil a crise que se desenha e se infla de forma oculta todos os dias diz respeito às ilhas turísticas em território nacional. Nesses locais, há uma órbita de serviços públicos e privados que constroem verdadeira fração de cidadania especial no espaço urbano. Os níveis de gentrificação ganham novos patamares de revolta potencial.


Isso não significa, evidentemente, privar a estrutura turística de serviços públicos e privados que lhe tornem atrativa para os visitantes. Ao inverso, não se desconhece o valor da movimentação econômica e socioeconômica ligada ao turismo. O ponto é justamente a necessidade de uma gestão de política pública eficaz e planejada para que o ilhamento já existente não venha a desaguar em crises que prejudiquem a sociedade de foram geral, e até o próprio turismo. Alinham-se o meio ambiente cultural e as normas urbanísticas, considerando a função social da propriedade, como destaca Norma Sueli Padilha [3].

Se a Europa não foi capaz de antever e gerir a crise de fatores ligados ao turismo, não pode o Brasil percorrer o mesmo caminho de negação de crise futura, e já até presente em alguns casos, sob o risco de comprometimento da própria Política Nacional de Turismo. Antever e gerir fatores de crise é o melhor caminho para evitar que eles ocorram, ou ao menos reduzir sua gravosidade. No caso brasileiro, a gestão demanda atuação de forma a reduzir as disparidades de serviços públicos e atividades privadas nas áreas turísticas em relação às áreas externas ao perímetro territorial marcado como espaço protegido da atividade turística. Sem uma efetiva gestão ambiental e territorial [4], não apenas se inviabiliza a sustentabilidade, mas se alicerçam fatores de injustiça ambiental e crises de legitimidade das estruturas econômico-sociais.


O Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001) exige que o uso do solo urbano respeite a inclusão social e ambiental, e obviamente turismo deve trabalhar em prol disso – e não o contrário. Não se pode esquecer que o artigo 2º, IX dessa lei dispõe que a política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade mediante a “justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do processo de urbanização”. A cidade e a cidadania não podem ser seletivas, criando circuitos segregados ou grandes assimetrias no acesso a direitos e a serviços públicos. O artigo 180 da Constituição, ao dispor que “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios promoverão e incentivarão o turismo como fator de desenvolvimento social e econômico”, não pode deixar de levar em conta as políticas ambiental e urbana, nem se esquecer de que a redução das desigualdades regionais e sociais é um princípio da ordem econômica também previsto em seu artigo 170, VI, sendo ainda um dos objetivos fundamentais da República previsto no artigo 1º, III.


A inclusão de princípios ESG no setor turístico é fundamental. Empreendimentos turísticos podem adotar práticas de governança que evitem e/ou mitiguem impactos ambientais negativos e promovam a equidade social. Exemplos como o de Bonito, que controla o fluxo turístico para proteger seus recursos naturais, demonstram que é possível alinhar turismo e sustentabilidade. Como ensina a fábula, não se pode “matar a galinha dos ovos de ouro”, pois a turistificação com o passar dos anos poderá diminuir o próprio interesse turístico pelo lugar [5]. O próprio Plano Nacional de Turismo 2024-2027 já prevê diretrizes de sustentabilidade e inclusão comunitária.

Além disso, a justiça ambiental deve orientar as políticas públicas voltadas ao turismo. Isso significa assegurar que comunidades locais tenham acesso equitativo aos benefícios gerados pela atividade, incluindo melhorias em infraestrutura e educação. Sem essas medidas, o turismo no Brasil corre o risco de replicar as crises observadas em destinos como Barcelona ou Veneza, onde o turismo descontrolado resultou em resistência e protestos por parte da população local. Deve ocorrer a efetiva inserção tanto do capital quanto do mercado de trabalho nas comunidades adjacentes. Essa previsão constou de forma expressa na recente Lei 14.978/2024, que conferiu nova redação ao artigo 5º, incisos VI e IX.


O envolvimento e a participação das comunidades beneficiadas pela atividade econômica do turismo demandam uma efetiva aplicação de recursos que possibilite a percepção (realística) de que a atividade está a contribuir para sua melhoria de qualidade de vida e valorização de sua identidade cultural. A percepção de estigmatização ou de ilhamento de benesses turísticas na gentrificação é uma latente causa de conflito. Relegar a segundo plano essa dimensão de risco de colapso estrutural das ilhas turísticas, ignorando a turistificação em gentrificação, poderá levar a crises similares, embora diversas, das hoje vivenciadas na Europa.

Como o turismo no Brasil é uma indústria mais nova e menor, não se pode e não se deve repetir a trilha europeia da omissão. Como o turismo está se tornando uma força de fragmentação urbana em alguns lugares, é preciso que as políticas públicas tratem do assunto com seriedade e de forma interdisciplinar, pois o desafio não é apenas regular, mas garantir justiça espacial. Esse tema também deverá estar à mesa das instituições integrantes do Sistema Jurídico, especialmente por meio de uma atuação preventiva do Ministério Público e da Defensoria Pública, uma vez que a turistificação não pode ficar invisível ao Direito.

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[1] Neil Smith aponta o seguinte como como diagnóstico do processo de desenvolvimento urbano que contribui para a gentrificação e as suas implicações econômicas: i) a suburbanização e o aparecimento de um diferencial em termos de renda, ii) a desindustrialização das economias capitalistas avançadas e o crescimento do emprego no setor de serviços, iii) a centralização espacial e simultânea descentralização do capital – a queda na taxa de lucro e os movimentos cíclicos do capital e iv) as mudanças demográficas e nos padrões de consumo (SMITH, Neil. Gentrificação, fronteira e a reestruturação do espaço urbano. GEOUSP – Espaço e tempo, São Paulo, n. 22, p. 15- 31, 2007, p. 21-22).

[2] De acordo com o art. 2º, I do Sistema Nacional da Unidades de Conservação da Natureza (Lei 9.985/2022), unidade de conservação é o “espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção”.


[3] Padilha, Norma Sueli. Fundamentos constitucionais do Direito Ambiental Brasileiro. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010, p. 414.

[4] Seiffert, Mari Elizabete Bernardini. Gestão ambiental: instrumentos, esferas de ação e educação ambiental. São Paulo: Atlas, 2014.

[5] A respeito do assunto, Álvaro Ferreira pontua o seguinte: “O caminho da turistificação é ele mesmo paradoxal; esclareço: ao tornar-se objeto do turismo de massa, a cidade tornou-se ela mesma uma mercadoria. Já deixamos claro anteriormente, em outras publicações, o conceito de mercadificação do espaço, é a partir desse sentido que afirmamos que as cidades são mercadificadas. Seguindo essa racionalidade, os empreendedores procuram “vender” as cidades, e para isso acabam copiando aquilo que “deu certo” em outros lugares. Com isso, vivenciamos uma homogeneização das paisagens turísticas das cidades, o que se mostra um paradoxo, visto que isso acaba por destruir as especificidades dos lugares; ou seja, aquilo que era o motivo da atração dos turistas – o diferente – acaba sendo transformado e homogeneizado. De alguma forma, trata-se daquilo que denominei banalização do espaço9, ou em outras palavras, na produção de uma espécie de urbanização banalizada” (A gentrificação não é um efeito colateral: complexificando o conceito para revelar objetivos escusos. Ateliê Geográfico – Goiânia/GO, v. 15, n. 1, abr/2021, p. 91-92).
  • é pós-doutor em Direito pela Universidade de Santiago de Compostela e doutor e mestre em Direito pela PUC-Rio, procurador federal e coordenador nacional de Assuntos Estratégicos e Responsabilidade Civil — PFE-Ibama e professor de Direito Ambiental da Faculdade Dom Helder Câmara e da Escola da AGU.

  • é pós-doutor e doutor em Direito da Cidade pela Uerj com doutorado sanduíche junto à Universidade de Paris 1 — Pantheón-Sorbonne, advogado e professor de Direito Ambiental da UFPB e da UFPE, membro do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e vice-presidente da União Brasileira da Advocacia Ambiental (UBAA).


  • https://www.conjur.com.br/2025-abr-19/turistificacao-uma-face-da-gentrificacao-e-a-lei-de-turismo/