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Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

CUBA BLOQUEADA

A música da inspirada mexicana  XIMENA CASTRO, intitulada "La Isla",  aborda, com percucientes observações, um paralelo entre as realidades palestina e cubana.


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O bloqueio a Cuba é uma política odiosa de punição coletiva a um povo livre

Condenado novamente na ONU, o bloqueio a Cuba expõe a coerção dos EUA e a resistência de um povo que se recusa a renunciar à soberania


José Reinaldo Carvalho

É editor internacional do Brasil 247 e apresentador dos programas "A semana no mundo" e “O mundo como ele é” na TV 247. Graduado em Comunicação (Jornalismo) pela Cásper Líbero. Pós-graduado (especialização) em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Foi editor da revista marxista Princípios, do jornal A Classe Operária e do Portal Vermelho. Autor de Conflitos Internacionais em um Mundo Globalizado (Alfa Ômega) e Anti-imperialismo X Hegemonia Americana (Alfa Ômega).

30/10/2026 04h03

Bandeira de CubaCrédito: Juvenal Balán/Granma
Newsletter

Por José Reinado Carvalho – O bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba é uma política odiosa que procura fomentar dificuldades e restrições para toda uma população na tentativa de submissão nacional.

Sua nova condenação na Assembleia Geral das Nações Unidas reafirma a legitimidade da resistência cubana e expõe a persistência de uma potência que pretende impor sua vontade sobre outro país. A resolução pelo fim do bloqueio recebeu 130 votos favoráveis, diante de 17 contrários e 25 abstenções. Ausentaram-se 21 países.

O resultado representa uma vitória expressiva de Cuba. Mas também revela a distância entre o pronunciamento da maioria dos países e a incapacidade das instituições internacionais para fazer cessar uma política imposta por Washington. O governo estadunidense insiste em preservar medidas que atingem a vida cotidiana dos cubanos e, por seu alcance extraterritorial, condicionam também as relações da ilha com outras nações.

Essa pretensão sintetiza o unilateralismo imperialista: os Estados Unidos atribuem a si mesmos o direito de determinar com quem outros países podem negociar e quais obstáculos devem enfrentar por manter relações com Cuba. A soberania nacional fica subordinada às decisões de Washington. A igualdade entre as nações, princípio indispensável à convivência internacional, é atropelada pelo exercício da força bruta.

O objetivo político dessa engrenagem é sufocar a Revolução Cubana, desgastar suas bases sociais e converter a privação em pressão pela rendição. O imperialismo estadunidense procura obter pelo estrangulamento econômico a submissão que o povo cubano se recusa a aceitar. A população torna-se alvo de uma estratégia que aposta no sofrimento para produzir uma mudança política tramada desde o exterior.

O bloqueio é a todos os títulos indefensável. Nenhuma divergência com o governo cubano justifica impor restrições a toda uma sociedade.

O presidente Miguel Díaz-Canel denunciou em termos contundentes a pressão dos Estados Unidos para que países tomassem uma posição contrária a Cuba no debate e na votação na ONU. Mas fracassaram. “O mundo se manifestou mais uma vez de forma esmagadora contra o bloqueio, mesmo diante da pressão e chantagem mais flagrantes dos EUA para alterar o rumo desta votação”, afirmou o líder cubano.

À luz dessa denúncia, os votos contrários, as abstenções e as ausências merecem uma crítica política contundente. Embora o comportamento de cada delegação, isoladamente, não explicite sua motivação, essa tomada de posição tem objetivamente a intenção de enfraquecer a condenação ao bloqueio. Nesse sentido político, representa uma capitulação diante da pressão estadunidense: por adesão, por recuo ou por omissão, determinados países deixaram de enfrentar uma injustiça que exigia uma posição inequívoca.

As responsabilidades têm graus diferentes. Votar contra o fim do bloqueio significa sustentar sua continuidade. Abster-se evita condená-lo. Ausentar-se deixa de somar uma voz à defesa do país atingido. Diante do custo humano dessa política, a cedência à chantagem de Washington cobra um preço que recai sobre os cubanos. É nesse cenário que se destaca o heroísmo do povo de Cuba, cuja resistência é reconhecida e admirada pelos povos do mundo, que em diferentes latitudes expressam solidariedade, reconhecimento que vale como estímulo a lutar pelo direito de ser livre e escolher de acordo com suas convicções e tradições históricas seu sistema político e o caráter de sua sociedade.

A resistência política do governo revolucionário de Cuba também merece reconhecimento. Sustentar a soberania sob tamanha pressão e manter a denúncia internacional do bloqueio demonstram uma tenacidade e determinação que Washington não conseguiu quebrar. A permanência dessa posição impede que a coerção alcance seus objetivos.

A chancelaria cubana ocupa um lugar central nessa luta. O apoio de 130 países é um resultado diplomático expressivo e evidencia a excelência de uma atuação capaz de reunir uma maioria ampla em torno de uma causa justa. A diplomacia de Cuba mantém diante do mundo uma questão que seus adversários prefeririam reduzir ao silêncio: o direito de um país existir sem ser economicamente sufocado por outro.

A votação não encerra o bloqueio, mas renova sua condenação política. Washington conserva os instrumentos de pressão; Cuba reafirma a legitimidade de sua causa. O povo cubano, seu governo revolucionário e sua diplomacia demonstram que a desproporção de poder não obriga uma nação a renunciar à própria dignidade. A vergonha pertence a quem impõe o cerco e a quem o ampara.

MUITO SE FALA DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS, DO EL NINHO E DE LA NINHA, MAS....

 ....AMÉRICO VESPÚCIO, em uma de suas cartas, endereçada  a Lorenzo di Pierfrancesco dei Medici, dos idos de 1500, informou:

(...) dos 67 dias que navegamos, tivemos 44 [dias] contínuos com chuva, trovões e relâmpagos, de tal modo escuros que nunca vimos nem o sol de dia nem o céu sereno à noite, pelo que nos sobreveio tanto temor que quase renunciamos a toda esperança de vida.

Reminiscências - TUBA OU TIBA e pérolas de várias cores (naturais)

Sufixos TUBA ou TIBA, com os quais nossos íncolas (ou como preferem outros ameríndios, também conhecidos simplesmente como índígenas ou índios), ou seja, os autóctones, os povos originários (o modismo mais recente para denominar os nativos) designavam fartura, abundância de alguma coisa.

Assim rerituba, reritiba, leritiba já foram vocábulos usados para referir abundância de ostras. 

AMÉRICO VESPÚCIO, em uma de suas cartas endereçadas à Europa, nas quais relatava o que encontrou em nossas plagas, mencionou  (...) infinitos peixes, grande abundância de mariscos, ouriços, caranguejos, ostras, lagostas, camarões e muitos outros produtos do mar.

Certamente essa era a realidade encontrável também aqui na ilha de  SC, antes que o crescimento da cidade (centro) e dos bairros (que viraram outras cidades), aliando-se ao turismo, viesse detonar quase toda a maravilhosa fauna marinha. 

Lembro-me de que, ainda criança, íamos pescar, dentre outras espécies, os maravilhosos "sargos de beiço" e até lagostas, na pequena ilha do Francês, depois denominada ilha dos Argentinos, por nós, nativos de Canasvieiras,  conhecida apenas como Ilhota, bem em frente aos "Morretes", aquela ponta que separa a praia de Canasvieiras da praia de Jurerê (à época nem tinha tal nome).

E por falar em VESPÚCIO e ostras (reri ou leri), vale lembrar as pérolas que delas se extraíam. Do aludido navegador, transcrevo um trecho que me chamou a atenção, pelo inedetismo da informação que traz sobre o número de pérolas em certas ostras de grande tamanho e de cores variadas.

- (...) obtínhamos, por um só guizo, todas as pérolas que cada um deles possuísse e aprendemos nesse ínterim como e onde as apanhavam.

Muitas das ostras em que nascem pérolas eles nos deram de presente, poucas nós compramos. Em algumas achavam-se 130 pérolas, em outras, nem tanto.

E saiba vossa majestade que, caso não estejam bem maduras e por si mesmas não se soltem das conchas em que surgem, não são perfeitas; antes, como eu mesmo muita vez observei, logo murcham e se reduzem a nada.

Mas, quando amadurecem em meio à carne no interior da própria ostra e separam-se do que as prende à carne, são estas as melhores. - AMÉRICO VESPÚCIO -  Carta enviada a Ao Ilustríssimo Renato, Rei de Jerusalém da Sicília, Duque de Lorena e de Bar 

Tendo duvidado de tais informações, recorri à IA do GOOGLE e a resposta está a seguir:

- Sim, as pérolas encarnadas mencionadas por Américo Vespúcio seriam oriundas de moluscos bivalves, comumente chamados de "ostras perlíferas".

Em seus relatos de viagem compilados nas famosas cartas que descrevem o Novo Mundo, Vespúcio escreveu: “Também trouxemos quatorze pérolas encarnadas que muito contentaram à Rainha...”. O uso do termo "encarnadas" refere-se à coloração vermelha, rosada ou carmim intensa.

A ciência biológica e a história da gemologia explicam essa origem através de alguns pontos principais:

1. A Família das Ostras Perlíferas

Pérolas naturais com tons que variam do rosa ao vermelho escuro e roxo são produzidas por moluscos bivalves marinhos (especialmente da família Pteriidae, como o gênero Pinctada ou Pteria) ou por mexilhões de água doce. Na região do Caribe e no norte da América do Sul (onde Vespúcio navegou em sua primeira viagem em 1499), abundavam bancos naturais de ostras da espécie Pinctada imbricata (conhecida como a ostra perlífera do Atlântico).

2. De onde vem a cor vermelha/encarnada?

A cor de uma pérola natural é determinada por dois fatores biológicos:

  • O pigmento do manto: A coloração depende diretamente dos pigmentos orgânicos presentes no manto (o tecido interno) do molusco que secreta o nácar (madrepérola).

  • Fatores ambientais: Elementos traço e minerais presentes na água daquela região específica alteram quimicamente as tonalidades da gema durante os anos em que ela é formada.

Embora as pérolas brancas e cremes sejam as mais comuns, a ocorrência de pérolas naturais com tons rosados intensos, avermelhados ou purpúreos era um fenômeno real, o que tornava essas quatorze peças trazidas por Vespúcio itens extremamente exóticos, raros e valiosos, dignos de presentear a realeza europeia.


quinta-feira, 29 de outubro de 2026

DEMOROU - PF investiga Paulo Guedes por crime contra o sistema financeiro - JÁ ESTOU VENDO MAIS ALGUÉM DA CÚPULA DO PL ENROLADO!!!

ColunasTácio Lorran


Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino são investigados em inquérito aberto em fevereiro que tramita sob sigilo na Justiça Federal
Tácio Lorran

29/10/2026 02:00



A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A informação consta em documento obtido pela coluna. Os dois aparecem como investigados em um inquérito aberto em fevereiro deste ano e que tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná.

Em 24 de setembro, a coluna revelou que Paulo Guedes atuou na linha de frente da OnilX, empresa que tem dado calote em dezenas de investidores que aportaram seus recursos em criptomoedas diante da promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês.

O ex-ministro da Economia prestou consultoria à companhia, participou de reuniões estratégicas, recebeu potenciais investidores em conversas privadas e teve a imagem utilizada em materiais de divulgação da empresa.
Reprodução



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Em uma publicação feita pela própria OnilX, Paulo Guedes apareceu ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa em uma reunião descrita como de “alta relevância estratégica”. Na ocasião, o ex-ministro foi apresentado como alguém que dava “suporte e visão” ao negócio.

Guedes também participou de palestras para investidores e assessores da OnilX. Em uma delas, para uma plateia de quase 500 pessoas, elogiou a empresa e afirmou que ela teria papel central no avanço do mundo digital.

A relação com o ex-ministro chegou a aparecer em processos movidos por investidores. Um casal que cobra R$ 876,5 mil da empresa afirmou à Justiça que decidiu manter e aumentar os investimentos depois de participar de uma reunião com Guedes na sede da OnilX, em abril. Quatro meses depois, segundo os investidores, houve tentativa de resgate dos valores, sem sucesso.

Em outro processo, uma assessora da empresa citou Guedes ao tentar convencer um potencial cliente a investir. Segundo a mensagem anexada aos autos, ela dizia que o ex-ministro “tá dentro da empresa” e que seria possível marcar uma reunião com ele para discutir estratégias caso o interessado tivesse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para aplicar.



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A OnilX, por sua vez, passou a enfrentar problemas regulatórios e judiciais. Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, o colegiado da autarquia manteve a ordem, mas esclareceu que ela não alcançava a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, quando não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento.

A coluna identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro. Investidores alegam dificuldades para resgatar valores aplicados em produtos relacionados a criptomoedas e stablecoins e, em alguns casos, levantam suspeitas de pirâmide financeira. A OnilX nega as acusações e afirma que atua regularmente no mercado de ativos virtuais.

O inquérito policial foi autuado em 10 de fevereiro deste ano, na 9ª Vara Federal de Curitiba. O processo é classificado como criminal e tem como assunto principal “crimes contra o Sistema Financeiro Nacional”, previstos na Lei nº 7.492/1986. A investigação está sob responsabilidade da Polícia Federal no Paraná, com participação do Ministério Público Federal.

O andamento processual, obtido pela coluna, mostra uma sequência de diligências ao longo deste ano. Em 21 de setembro, houve despacho judicial e expedição de intimações relacionadas a Fábio Lino, à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. Em outubro, o processo continuou registrando movimentações, incluindo novas petições e diligências policiais.

Paulo Guedes é representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso. Os dois também aparecem entre os advogados de Fábio Lino no inquérito. Procurada, a defesa não respondeu aos contatos da coluna. O espaço segue aberto para manifestações.

Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/pf-investiga-paulo-guedes-por-crime-contra-o-sistema-financeiro#goog_rewarded


CNJ autoriza assinatura de procuração judicial pela plataforma gov.br

Plenário reconheceu validade de assinaturas dos níveis prata e ouro, desde que possam ser verificadas oficialmente. Juízes poderão exigir comprovações adicionais diante de suspeitas de irregularidade.

Da Redação

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

O CNJ decidiu que procurações e outros documentos processuais assinados eletronicamente pela plataforma gov.br devem ser admitidos pelo Poder Judiciário, sem necessidade de certificado digital qualificado emitido pela ICP-Brasil.

A decisão foi tomada durante a 17ª sessão ordinária do Conselho, realizada nesta terça-feira, 27, e abrange assinaturas feitas por usuários com contas dos níveis prata e ouro, desde que possam ser validadas por mecanismo oficial do ITI - Instituto Nacional de Tecnologia da Informação.

O plenário também estabeleceu que a ausência de certificado digital qualificado não pode, por si só, justificar a recusa automática de procurações, preservada a possibilidade de o magistrado determinar verificações adicionais diante de indícios concretos de irregularidade.

A orientação foi proposta pela conselheira Noemia Porto, relatora de dois procedimentos administrativos que discutiam as exigências de assinatura digital em documentos apresentados ao Judiciário.

Conselheira Noemia Porto relatou procedimentos sobre a admissibilidade de assinaturas eletrônicas em documentos processuais.(Imagem: Gustavo Moreno/CNJ)

Assinaturas aceitas

Ao apresentar o voto, Noemia Porto acolheu as conclusões técnicas do Departamento de Tecnologia da Informação do CNJ e defendeu que o acesso à Justiça não seja limitado por exigências tecnológicas sem justificativa legal ou técnica suficiente.


Segundo a relatora, o reconhecimento das assinaturas avançadas realizadas diretamente pelo gov.br não significa equipará-las integralmente às assinaturas qualificadas, mas impedir que documentos sejam rejeitados apenas pela ausência de um certificado específico.

"Não se está afirmando que todas as modalidades de assinatura eletrônica sejam equivalentes e nem se afastam as garantias próprias da assinatura qualificada. Mas a ausência de um certificado específico, por si só, não se constitui em argumento para recusa genérica de procuração ou documento. É preciso verificar se há meios confiáveis de identificação e validação."

A decisão afasta, ainda, a exigência generalizada de utilização exclusiva de contas gov.br de nível ouro. Documentos assinados por usuários do nível prata também deverão ser admitidos, desde que atendidos os requisitos técnicos de validação oficial.

O entendimento não altera a validade das assinaturas qualificadas vinculadas à ICP-Brasil, nem afasta eventuais exigências legais específicas para a prática de determinados atos processuais.

Fiscalização dos magistrados

O CNJ também preservou expressamente o poder-dever dos magistrados de verificar a autenticidade dos documentos e a regularidade da representação processual.

Assim, quando houver elementos concretos que suscitem dúvidas sobre a autoria da assinatura, a integridade do documento ou a efetiva concessão de poderes ao advogado, o juiz poderá determinar providências complementares, mediante decisão fundamentada.

Entre essas medidas está a exigência de apresentação de procuração com assinatura eletrônica qualificada, desde que a providência seja necessária e proporcional às circunstâncias do caso.


O plenário também reconheceu a admissibilidade das procurações particulares assinadas à mão e posteriormente digitalizadas. Nesses casos, a ausência de reconhecimento de firma ou de assinatura eletrônica qualificada não poderá justificar, isoladamente, a rejeição do documento.

Preocupação com fraudes

Durante o julgamento, a AMB - Associação dos Magistrados Brasileiros alertou para o risco de fraudes envolvendo assinaturas eletrônicas, especialmente em ações ajuizadas sem o conhecimento das partes.

A entidade defendeu que os juízes possam exigir assinaturas qualificadas ou manuscritas para verificar a autenticidade das procurações e a efetiva autorização dos representados.

Por outro lado, o advogado requerente de um dos procedimentos relatou dificuldades na aceitação de procurações assinadas pelo Gov.br, especialmente na Justiça paulista, e destacou a importância da medida para garantir o acesso à Justiça.

Alteração no PJe

Para uniformizar a orientação, o CNJ determinou a atualização da resolução 185/13, que instituiu o PJe.

A alteração deverá disciplinar a admissibilidade das assinaturas eletrônicas avançadas realizadas diretamente pelo gov.br em procurações e demais documentos processuais, observadas as condições de validação e as salvaguardas estabelecidas no julgamento.

Segundo Noemia Porto, a regulamentação busca conferir segurança jurídica e uniformidade administrativa ao tratamento desses documentos, sem interferir na análise judicial das circunstâncias de cada processo.

O Conselho também determinou a comunicação da decisão aos tribunais, para conhecimento e observância da orientação administrativa.

Processos: PCA 0009342-88.2025.2.00.0000 e PP 0002269-31.2026.2.00.0000.

 https://www.migalhas.com.br/quentes/467426/cnj-autoriza-assinatura-de-procuracao-judicial-pela-plataforma-gov-br

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

NÃO FICARÁ PEDRA SOBRE PEDRA

É a sensação que eu tenho.

Ou o Centrão - do qual Lula precisará servir-se para equilibrar a balança no Congresso - fará com que o governo Lula venha a arreglar, em relação aos Bolsonaro e seus cupinchas?

Em um primeiro momento, penso que seria lógico e justo que, no curso do próximo mandato, LULA venha a dar o troco para gente como os governadores do Paraná (o marreco de Londrina) e de SC (o minúsculo raivosinho).

Se Lula acionar órgãos controladores (Tribunal de Contas e Controladoria, p. ex.), a Polícia Federal e a PGR, para vasculhar as administrações dos seus notórios desafetos, sem desrespeitar o devido processo legal, certamente encontrará munição para dar-lhes  respostas à altura das reiteradas ofensas que lhe fizeram e certamente repetirão.  

Se fosse comigo, não teria nenhuma consideração com essa canalha do PL & cia ltda, a qual se compraz em inventar mentiras e fazer acusações infundadas. O pau cantaria, com todo rigor legal, no lombo dessa putada nazi-fascista. 

Nada de Lulinha paz e amor. Condescendência, piedade, dar a outra face, não têm cabimento em relação a essa gente hipócrita e impiedosa. Simbolicamente falando, obviamente, "relho no lombo e salmoura em seguida", para que aprendam a respeitar os adversários políticos. E não falo só dos políticos, pois há certos magistrados que estão a  merecer idênticos corretivos, pois avacalham com a dignidade da Justiça, motivados por ideais fascistas intoleráveis, decidindo com total descaso aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da equidade. Lixo togado, feses da humanidade. 

DITO POR UM AMIGO...

 ....que um certo proprietário de pousada em Fernando de Noronha está profundamente depressivo, ante a derrota do rachadinha.

Aí voltaram-me  à lembrança alguns episódios envolvendo aquela paradisíaca ilha e o governo Bolsonaro:

Em janeiro de 2022, Jair Bolsonaro prestou apoio por chamada de vídeo aos donos de uma pousada em Fernando de Noronha (PE) que tiveram o estabelecimento interditado pelas autoridades locais após recusarem o cumprimento de protocolos sanitários contra a COVID-19, incluindo a apresentação de comprovante de vacinação. [1, 2]
Principais pontos do caso:
  • A interdição: A Administração de Fernando de Noronha suspendeu as atividades da pousada por descumprimento das regras sanitárias vigentes para o atendimento de turistas na ilha. [1]
  • Apoio de Bolsonaro: Em janeiro de 2022, o então presidente conversou por vídeo com os proprietários, criticou as medidas de exigência de vacinação e comemorou a reabertura do estabelecimento. [1, 2]
  • Contexto mais amplo em Noronha: O governo Bolsonaro também se envolveu em outras polêmicas relacionadas ao arquipélago, como críticas às taxas de preservação ambiental (chamadas por ele de "roubo") e uma tentativa de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para federalizar a gestão de Fernando de Noronha, retirando-a do controle exclusivo do estado de Pernambuco. [1, 2]

Inevitável cogitar que "tem gato na tuba". É manifesto o interesse dos Bolsonaro pelos negócios que acontecem naquela ilha. 

Convém lembrar que um dos desejos do governo Bolsonaro - em litígio que envolveu o estado de Pernambuco - foi possibilitar a atracação de grandes cruzeiros marítimos na ilha, fomentando o turismo.

Alô PGR - Vamos investigar mais essas prováveis maracutaias?

Terão os Bolsonaro  investimentos em hotelaria em Noronha, usando terceiros, informalmente, como prepostos? 

Muito provável, convenhamos.

Para bolsonaristas que veneram Israel: boicote a eleitores do Lula repete prática nazista contra judeus

Na Alemanha nazi, a perseguição aos estabelecimentos comerciais pertencentes a judeus foi uma política sistemática do regime de Adolf Hitler. Alguma semelhança?



Atua no 247 desde 2018. Mineira, jornalista profissional, pós-graduanda na PUC
Publicado em 28 de outubro de 2026 às 11:07

Comércio Judeu sendo devastado pela SSCrédito: Reprodução
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Após o candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro, sair derrotado por uma extensa margem de votos e imediatamente fugir do país, a parcela da população derrotada decidiu promover um movimento de linchamento contra qualquer eleitor de Lula. Neste movimento, encontram-se lista de estabelecimentos progressistas que devem ser evitados, empresários empenhados em demitir, parlamentares incitando o clima de ódio, médico postando a recusa de atender qualquer paciente petista, empresa declarando que não fará mais doações de caridade, procuradora da cidade de Macaé propondo boicote aos “miseráveis mineiros e nordestinos”, primeira-dama de cidade baiana dizendo que “os malditos petistas maconheiros elegeram Lula”.
A lista do ódio é extensa e perturbadora.

Como se o direito legítimo ao voto não existisse. “Ou você vota no meu candidato ou eu arraso com a sua vida.” A mesma mentalidade do voto de cabresto escancarada através do ódio de classe que despiu qualquer pudor. Qualquer vergonha na fuça. O ódio burro pelo ódio estúpido.

O interessante disso tudo é perceber que muitas dessas baratas voadoras que defendem o extermínio social, pois o seu candidato não venceu, adoram ostentar uma bandeira de Israel, amam Israel, queriam ser parentes de Netanyahu, mas agem como os mesmos algozes dos judeus no passado:

Na Alemanha nazista, entre 1933 e 1945, a perseguição aos estabelecimentos comerciais pertencentes a judeus foi uma política sistemática do regime de Adolf Hitler. O objetivo era destruir a autonomia econômica da população judaica, expulsá-la da atividade comercial e, progressivamente, excluir os judeus da sociedade alemã.

Essa perseguição começou com campanhas de boicote, intimidação e propaganda antissemita e evoluiu para violência física, destruição de lojas, confisco de propriedades e transferência forçada de empresas para proprietários considerados “arianos”.
Como os nazistas perseguiam os comerciantes judeusBoicote às lojas judaicas (1933): em 1º de abril de 1933, os nazistas organizaram um boicote nacional aos negócios de judeus. Integrantes das SA, organização paramilitar nazista, posicionavam-se diante de lojas, consultórios e escritórios para impedir ou intimidar clientes.
Pichações e identificação dos estabelecimentos: vitrines eram marcadas com estrelas de Davi, insultos antissemitas e palavras como Jude (“judeu”, em alemão). Cartazes incentivavam a população a não comprar nesses estabelecimentos.
Intimidação dos consumidores: alemães que continuavam frequentando lojas judaicas podiam ser hostilizados publicamente, fotografados ou denunciados por militantes nazistas.
Propaganda de ódio: jornais, cartazes e campanhas do regime apresentavam comerciantes judeus como inimigos da Alemanha, procurando justificar sua exclusão econômica.

Sim. Eu vejo um futuro repetir o passado. E justamente com os grandes protetores da estrela de Davi.

O conselho que fica. A sociedade já deixou bem claro, em duas eleições, que o projeto do clã Bolsonaro no poder é falido, não é aceito. Podem tentar Carluxo na próxima, ou Jair Renan. Ou Laurinha. Ou o primo do irmão do sobrinho do Bolsonaro. O resultado será o mesmo. A vitória de Lula neste pleito foi um plebiscito contra a família do Vivendas da Barra Pesada. Reorganizem a direita, fujam desse extremismo tosco com ares fubangos, repensem seus candidatos e pensem bem antes de convocar gente tão afundada em esquemas antes de alçá-los a candidatos. É um caminho muito mais eficiente do que fazer listinha de desafetos petistas e postar nas redes.

VALDEMAR DA COSTA NETO (presidente do partido dos Bolsonaro) desmistifica a fraude eleitoral alegada por Flávio


O tiro no pé


Caciques do PL e aliados do ex-presidente se reúnem para lamentar a sequência de trapalhadas e autodenúncias que selaram a derrota política do grupo




Ediel Ribeiro

Jornalista, cartunista e escritor
242 artigos publicados
Publicado em 27 de outubro de 2026 às 06:30


Flávio Bolsonaro e Valdemar da Costa NetoCrédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado | Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Rio – Às vezes, duvido que existam figuras mais toscas que os seguidores de Jair Bolsonaro.

E não é só porque eles bebem detergente, rezam para pneus e acreditam que ETs vão invadir a Terra para salvá-los do comunismo.

Ao longo dos últimos anos, o cenário político brasileiro registrou diversos episódios em que apoiadores e figuras ligadas ao ex-presidente geraram repercussão e memes na internet ao cometerem gafes ou produzirem, por conta própria, as provas que acabaram servindo para identificá-los e denunciá-los à Justiça.

Nesta eleição, não foi diferente.

Logo que foram apurados os votos e confirmada a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, Valdemar da Costa Neto, bastante irritado, reuniu caciques do PL e aliados próximos do senador Flávio Bolsonaro, em Brasília.

O líder do Partido Liberal começou soltando os cachorros:

– Meu Deus! Quanta gente estúpida!!! Perdemos a eleição por causa daquele idiota de Minas!

– Quem? O Zema? – perguntou um assessor.



– Não, o outro. Aquele da peruca.

– Ah! O Nikolas.

– O cara é tão idiota que, para fazer um filme simulando uma família de nordestinos passando fome, trouxe um homem dono de um carro de luxo. Será que é tão difícil encontrar um nordestino pobre que não tenha uma Hilux? Pior: o ‘making of’ mostrou um diretor de cena mandando esconder a antena parabólica da casa do “pobre”.

– E os generais, que imprimiram a minuta do golpe na impressora do Palácio do Planalto e ainda postaram a cópia no grupo de WhatsApp – completou outro assessor.



– Sem falar nos “kids pretos”, que pesquisaram no Google as armas para matar o Presidente da República – completou um parlamentar.

– E o general da reserva Lourena Cid (pai do ajudante de ordens Mauro Cid), que, ao tentar fotografar joias e um relógio valioso para posterior avaliação e comercialização nos Estados Unidos, registrou o reflexo do seu próprio rosto no vidro da caixa do objeto – disse um assessor, rindo.

– Nem me fale. O golpe de 8 de Janeiro foi uma sucessão de mancadas e cagadas, literalmente. Invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal gravando vídeos em tempo real, sorrindo e mostrando os próprios rostos, enquanto vandalizavam o patrimônio público, e postaram no Instagram, TikTok, Facebook e YouTube – disse Valdemar.

– E a deputada federal Carla Zambelli, que, às vésperas da eleição de 2022, correu pelas ruas de São Paulo atrás de um homem negro com uma arma na mão – lembrou outro político da extrema-direita. Outros episódios recorrentes envolveram grupos cantando o hino nacional para pneus, comemorando uma suposta “intervenção militar” decretada por generais fictícios ou celebrando relatórios falsos das Forças Armadas sobre fraudes eleitorais inexistentes. Mas o meme mais famoso é, certamente, o “Patriota do Caminhão”, que, na tentativa de impedir que um caminhão furasse um bloqueio em uma rodovia em Pernambuco, subiu na frente do para-brisa do veículo em movimento. O caminhoneiro não parou, e o homem andou por quilômetros pendurado na frente do veículo. De repente, um assessor invadiu a reunião gritando:

– Gente, gente! O Eduardo Bananinha aconselhou o Flávio a fugir para os Estados Unidos e o Xandão já pediu a apreensão do passaporte do senador.

– Com um irmão idiota desses, quem precisa de inimigos? – gritou Valdemar.

GUAIDÓ (traidor da Venezuela) é o inspirador do "rachadinha"

Advinhem onde ele está vivendo?

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Quem é Juan Guaidó, o ex-presidente autoproclamado da Venezuela que fracassou e inspirou Flávio


Governo do exílio de Guaído serviu para enriquecê-lo; além de conspirar militarmente, Guaidó dificultou o acesso a recursos para o combate à pandemia e encerrou gestão sem frutos para o povo venezuelano. É o modelo de Flávio Bolsonaro
Por: Yuri FerreiraPublicado: 28/10/2026 - às 17h22Atualizado: 28/10/2026 - às 17h24|Juan Guaidó - Juan Guaidó em discurso de Donald Trump em 2020 (Foto: Casa Branca)


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Juan Guaidó surgiu como uma das principais apostas dos Estados Unidos para afastar Nicolás Maduro do poder na Venezuela. Em janeiro de 2019, o então presidente da Assembleia Nacional venezuelana se declarou presidente interino do país, contestando a reeleição de Maduro e prometendo conduzir uma transição política.


A iniciativa recebeu apoio de Washington e de dezenas de governos, que passaram a reconhecer Guaidó como chefe de Estado. O Reino Unido também o reconheceu e, em meio à disputa, representantes indicados pelo opositor reivindicaram autoridade sobre as reservas de ouro venezuelanas depositadas no Banco da Inglaterra. O caso inspira Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado nas eleições de 2026 que acaba de se autoproclamar presidente do Brasil.


A trajetória de Guaidó ficou marcada também pela Operação Gideon, uma incursão armada com mercenários que tentou capturar Maduro em 2020. O episódio expôs os contatos entre o grupo do opositor e uma empresa de segurança privada americana que tentou dar um golpe no país.

Quem é Juan Guaidó?

Juan Gerardo Guaidó Márquez nasceu em 28 de julho de 1983, na Venezuela. Engenheiro de formação, ingressou na política por meio do Voluntad Popular, partido oposicionista fundado por Leopoldo López.


Eleito deputado em 2015, Guaidó integrou a Assembleia Nacional controlada pela oposição ao chavismo. Em janeiro de 2019, assumiu a presidência do Legislativo e ganhou projeção internacional ao contestar o novo mandato de Nicolás Maduro.

A oposição argumentava que a eleição presidencial de maio de 2018 não havia oferecido condições democráticas adequadas. Guaidó invocou o artigo 233 da Constituição venezuelana para reivindicar a Presidência interina, sob a interpretação de que não havia um presidente legitimamente eleito.

A reivindicação foi reconhecida pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos e por dezenas de outros países, incluindo o Reino Unido. Outros governos, entre eles aliados de Maduro, continuaram reconhecendo o presidente chavista.

A Venezuela passou a ter duas autoridades que reivindicavam legitimidade presidencial, mas apenas uma delas mantinha o controle efetivo do governo em Caracas.
Como Guaidó tentou derrubar Nicolás Maduro

A estratégia de Guaidó se apoiava em três frentes: reconhecimento internacional, mobilização popular e pressão sobre as Forças Armadas venezuelanas.

A expectativa dos Estados Unidos e de seus aliados era que o reconhecimento de Guaidó, combinado com sanções econômicas e manifestações nas ruas, provocasse uma ruptura dentro do governo Maduro. O opositor também tentou convencer militares a abandonar o presidente.

Em abril de 2019, Guaidó e Leopoldo López protagonizaram uma tentativa de mobilização que pretendia estimular uma rebelião militar. A iniciativa não provocou a ruptura esperada, e Maduro continuou no poder.

A oposição também apostou na pressão econômica. Os Estados Unidos impuseram sanções contra setores estratégicos da economia venezuelana, incluindo o petróleo, e adotaram medidas para restringir o acesso do governo Maduro a ativos no exterior.

Apesar da pressão, a estrutura estatal permaneceu sob controle do chavismo. As Forças Armadas não aderiram em número suficiente para derrubar o governo, e Guaidó não conseguiu transformar o apoio diplomático em autoridade efetiva sobre o país.

A promessa de uma transição rápida não se concretizou. Com o passar do tempo, a oposição enfrentou dificuldades para manter a mobilização e preservar a unidade em torno de Guaidó. Em 2023, ele foi formalmente abandonado pela oposição, que se reuniu em torno de Maria Corina Machado.
Operação Gideon: o plano de mercenários para dar um golpe na Venezuela

Em maio de 2020, quando Guaidó ainda era reconhecido como presidente interino por Washington e outros governos, uma incursão armada tentou entrar na Venezuela para capturar Nicolás Maduro. A operação ficou conhecida como Gideon e envolveu ex-militares venezuelanos, integrantes de grupos de exilados e antigos membros das Forças Especiais dos Estados Unidos.

O plano foi articulado em torno de Jordan Goudreau, ex-integrante das Forças Especiais americanas e responsável pela empresa privada de segurança Silvercorp. A proposta previa enviar combatentes da Colômbia para a Venezuela, tomar instalações estratégicas e capturar Maduro e integrantes de seu governo.

Reportagem do Washington Post revelou que representantes da oposição venezuelana ligados a Guaidó haviam se reunido com Goudreau para discutir a possibilidade de uma operação contra o governo chavista. O acordo apresentado pelo ex-militar previa a captura ou remoção de Maduro e a instalação de Guaidó no poder.

O episódio ganhou maior dimensão quando Juan José Rendón, estrategista político de Guaidó e integrante de seu comitê de estratégia, admitiu ter assinado um acordo preliminar com Goudreau e transferido US$ 50 mil para despesas relacionadas ao projeto.

A operação fracassou antes de conseguir alcançar seu principal objetivo. Maduro permaneceu no poder, e a incursão foi usada pelo governo venezuelano para reforçar a acusação de que a oposição e seus aliados estrangeiros pretendiam derrubá-lo pela força.

O governo de Donald Trump negou envolvimento na operação. As circunstâncias do planejamento, o grau de autorização concedido pelos representantes oposicionistas e a relação entre o contrato e a incursão tornaram-se objeto de controvérsia.

Em 3 de maio de 2020, um grupo armado tentou desembarcar na costa venezuelana. As forças de segurança interceptaram os participantes. Houve mortos e dezenas de prisões, incluindo a captura de dois ex-militares americanos, Luke Denman e Airan Berry.

Guaidó negou ter assinado o contrato ou autorizado a incursão.
O ouro e a pandemia

Outro capítulo importante da trajetória de Guaidó foi a disputa pelas reservas de ouro venezuelanas armazenadas no Banco da Inglaterra, em Londres.

O Banco Central da Venezuela mantinha aproximadamente US$ 1,95 bilhão em reservas de ouro na instituição britânica. Em 2020, representantes do banco ligados ao governo Maduro e um conselho indicado por Guaidó passaram a disputar judicialmente quem tinha autoridade para dar instruções sobre os ativos.

Como o Reino Unido reconhecia Guaidó como presidente legítimo da Venezuela, seus representantes argumentaram que o conselho por ele indicado poderia agir em nome do Banco Central venezuelano. Os tribunais britânicos impediram que o conselho ligado a Maduro obtivesse acesso às reservas, dando início a uma prolongada disputa judicial.

Em dezembro de 2021, a Suprema Corte do Reino Unido examinou questões relacionadas aos efeitos do reconhecimento britânico de Guaidó.

A batalha judicial tornou-se um símbolo da política de reconhecimento internacional promovida por Washington e seus aliados. Guaidó conseguiu impedir que representantes de Maduro obtivessem acesso imediato às reservas, o que impediu o país de responder adequadamente à pandemia de covid-19.
O governo paralelo que acabou sem governar

A contradição central do projeto de Guaidó foi a distância entre a legitimidade que reivindicava e sua capacidade de exercer o poder.

Ele tinha reconhecimento de governos estrangeiros, acesso a interlocutores internacionais e influência sobre determinados ativos venezuelanos mantidos fora do país. Entretanto, não controlava o palácio presidencial, os ministérios, as Forças Armadas ou a administração pública em Caracas.

O governo interino também enfrentou questionamentos sobre a gestão de recursos e a condução da estratégia oposicionista. O desgaste aumentou à medida que a promessa de afastar Maduro não se concretizava.

A oposição venezuelana, que reunia partidos com estratégias diferentes, passou a divergir sobre a continuidade do governo paralelo. Alguns setores defendiam manter a pressão internacional, enquanto outros consideravam necessário abandonar a estrutura interina e buscar novas formas de atuação política.

Em dezembro de 2022, os principais partidos oposicionistas votaram pelo encerramento do governo interino. A decisão representou uma derrota política para Guaidó, que perdeu a posição que reivindicava desde 2019. A estrutura foi formalmente dissolvida em janeiro de 2023. Hoje, Guiadó vive nos EUA e se ausentou da política venezuelana.