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sábado, 17 de janeiro de 2026

‘Marajás’: ministros militares aposentados receberam R$ 405 mil somente em dezembro


As Forças Armadas dedicam 80% do seu orçamento anual ao pagamento de pessoal. Assim, se o valor pago com os militares foi equivalente àquele pago com o Alto Comando e seus familiares, 40% de todo o dinheiro investido nas Forças Armadas é dedicado a manter estes indivíduos como uma espécie de “casta superior” ao povo brasileiro.

por Redação de AND
15 de janeiro de 2026·

Os generais da reserva Marco Antônio de Farias (esq.) e Odilson Benzi (dir.) receberam em um único mês, dezembro passado, R$ 405 mil líquidos cada Foto: Superior Tribunal Militar



Os ministros recém aposentados do Superior Tribunal Militar (STM), os generais da reserva Odilson Benzi e Marco Antônio de Farias, receberam somente no mês de dezembro R$ 405 mil de pensão. O valor foi aprovado pelos ministros do STM por maioria de votos e excedeu o teto salarial do funcionalismo público, de R$ 46 mil brutos, pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal, em 770%.

Segundo o STM, o valor pago aos dois ministros militares se trataria de uma indenização, reconhecida pelas Forças Armadas, de licenças especiais de 18 meses, não aproveitadas em serviço, que devem ser pagas na passagem à aposentadoria, além da licença prêmio concedida pelo cargo de magistrado.

Ou seja, o povo brasileiro foi obrigado a pagar R$ 810 mil reais a dois generais que optaram por não exercer uma licença, onde ficariam três anos sem trabalhar ganhando o mesmo salário, para receberem o valor à vista, vantagem esta que foi arbitrariamente concedida pelo Alto Comando das Forças Armadas. Isso sem contar os benefícios concedidos pelo cargo de ministro do STM.

Quando comparado com os R$ 3.281 mil recebidos em média pelos funcionários públicos, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, os valores chegam a superar em mais de 123 vezes, evidenciando a casta das Forças Armadas como um verdadeiro peso para o povo brasileiro.

Quando aplicado à realidade das Forças Armadas, os valores demonstram o abismo financeiro e o impacto destas regalias nos gastos com a Defesa. Comparado aos R$ 2,500 recebidos por mês a um soldado do exército brasileiro, o valor recebido pelos generais Benzi e Farias no mês de dezembro é superior em mais de 160 vezes.

A situação escancara os privilégios garantidos aos carreiristas do Alto Comando, cujo generalato já integra o seleto grupo de 1% de pessoas mais ricas do Brasil, com salários que chegam até R$ 60 mil, o que corresponde a 17 vezes a mais do soldo pago a um soldado. A situação destoa até mesmo daquela apresentada por países imperialistas, como o Estados Unidos, cuja disparidade chega a 8 vezes mais.

Entre 2018 e 2022, anos em que Farias e Benzi ostentavam cargos no magistério do STM, o povo brasileiro foi obrigado a arcar com R$ 94 bilhões para familiares de militares. No total, o sistema de castas militares promove o gasto de R$ 3,7 bilhões dos cofres públicos a herdeiros e viúvas de generais e outros militares de alta patente somente em 2022. No caso do salário dos generais, que custam R$ 100 milhões por ano, o gasto com estas famílias chegou à 3,8 bilhões, segundo dados divulgados pelo jornalista José de Roberto de Toledo ao monopólio de imprensa UOL.

Segundo Toledo, o valor empregado para o enriquecimento destas famílias corresponde ao valor utilizado para o sustento de todos os 90 mil soldados e cabos na ativa durante 2022. Este valor é aplicado para o pagamento de salários, que no caso dos cabos chega no máximo até R$ 3.600, se agraciado com benefícios, mais R$ 11,75 diários que são utilizados para a alimentação das tropas. Em 2022, quartéis da Capital Federal, Brasília, chegaram a dispensar as tropas mais cedo, alegando falta de comida.

No total, as Forças Armadas brasileiras dedicam 80% do seu orçamento anual ao pagamento de pessoal. Assim, se o valor pago com as tropas foi equivalente àquele pago com o Alto Comando e seus familiares, 40% de todo o dinheiro investido nas Forças Armadas é dedicado a manter estes indivíduos como uma espécie de “casta superior” ao povo brasileiro.


Benzi e Farias: militares de casta

A defesa da casta militar parece ter sido um importante fator na indicação de Benzi para o magistério no STM. Em 2014, antes da ex-presidente Dilma Rousseff sancionar seu cargo, Benzi ganhou a confiança do Senado após se demonstrar favorável à redução da maioridade penal enquanto defendia a implementação de medidas alternativas aos militares condenados. Em outras palavras: condenação e confinamento para adolescentes e afrouxamento da pena e serviço militar para os militares.

Já o general Farias, foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado em 2016 após indicar que defenderia os pilares da “disciplina e hierarquia”. Ao que parece, a hierarquia referida não é comprovada apenas pela patente militar, mas também pela disparidade salarial.

Não por menos, a manutenção e expansão das regalias para o Alto Comando das Forças Armadas foram sustentadas e ampliadas durante os anos de Farias e Benzi no magistério. Até mesmo militares expulsos por crimes foram mantidos nas folhas salariais, com R$ 25 milhões sendo gastos anualmente com oficiais criminosos.

É o caso de Ailton Barros, ex-major expulso do exército brasileiro após agredir sexualmente uma mulher e atropelar um colega da Polícia do Exército ao se recusar a parar em uma blitz durante o começo dos anos 2000. O ex-major foi considerado “morto” pelas Forças Armadas, garantindo que sua esposa recebesse R$ 4,6 milhões de reais da União em pensão até 2023, quando o Ministério Público pediu pela suspensão do pagamento. Ailton ainda chegou a ser candidato a Deputado Estadual do Rio de Janeiro pelo Partido Liberal” (PL) em 2022, enquanto ainda era considerado um “morto-vivo” pelas Forças Armadas.

Já em 2024, os soldados foram humilhados com a notícia de que o comandante do exército, Tomás Paiva, teria R$ 684 mil para serem gastos com refeições, que seriam oferecidas para membros do Alto Comando brasileiro e de outros países, que poderiam ocorrer “quantas vezes for necessário”. O cardápio foi escolhido pelo próprio Tomás Paiva, com ítens de luxo como mousse de gorgonzola com frango, salmão ao molho de maracujá e bacalhau à Gomes de Sá.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Falta alguém (CAMPOS NETO) no julgamento do Master

 

Em outubro de 2025, antes da liquidação, Campos Neto declarou publicamente que considerava o caso do Master “pontual e não sistêmico”
10/01/26 • 07:00





Roberto de Oliveira Campos Neto foi presidente do Banco Central do Brasil de 28 de fevereiro de 2019 até 1º de janeiro de 2025, indicado pelo governo de Jair Bolsonaro. Jamais escondeu sua militância partidária, desde a campanha de Bolsonaro até sua saída do Banco Central.

É sabido que o Banco Master tinha estreitas ligações com grandes lideranças do Centrão, como Arthur Lira, Antonio Rueda e Ciro Nogueira.

É importante entender o que significou a iniciativa inicial do Tribunal de Contas da União, através do respeitado procurador Lucas Furtado, e a malícia do ministro do Centrão, Jhonatan de Jesus.

A intenção de Furtado era analisar os procedimentos do Banco Central para entender a demora em atuar em relação ao Master. Jhonatan aproveitou a brecha para falar em reverter a liquidação.

Vamos retomar, então, as preocupações de Lucas Furtado: qual a razão da demora do BC em agir?

Segundo a Bloomberg, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) enviou cartas formais de advertência ao Banco Central. Executivos que financiam o FGC também teriam buscado o BC para alertar sobre o banco. Alguns desses alertas teriam chegado diretamente a Roberto Campos Neto.

Fontes ouvidas pela Bloomberg afirmam que Campos Neto teria prometido agir frente a esses alertas, mas sem implementar ações regulatórias mais incisivas ou mudanças supervisionais imediatas no ritmo que o banco se expandia.

Essa percepção — de que o BC não agiu com a rapidez desejada dadas as preocupações levantadas — alimentou críticas no mercado e entre observadores: pela velocidade de crescimento do Master, que continuou a emitir títulos e expandir carteiras; pela falta de medidas prudenciais mais duras antecipadamente.

Durante a própria gestão de Campos Neto ainda ocorreram alguns episódios importantes:

Em outubro de 2025, ainda antes da liquidação, Campos Neto declarou publicamente que considerava o caso do Banco Master “pontual e não sistêmico”, sinalizando que a instituição não representava um risco amplo ao sistema financeiro — embora ressaltasse a necessidade de análise cuidadosa.

Membros da Associação Brasileira de Bancos reconheceram que o sucessor de Campos Neto, Gabriel Galípolo, tem agido com base em evidências técnicas mais claras, enquanto a anterior gestão foi considerada menos proativa diante de riscos emergentes.

Uma cronologia do desastre anunciado mostra a inoperância do BC, sob Campos Neto:


2019Assinatura do acordo de cooperação BC–FGC
Abre canal formal para troca de alertas
Infraestrutura de aviso criada — mas pouco usada de forma decisiva

2020–2022FGC envia cartas ao BC alertando:crescimento acelerado do Master
ativos de difícil avaliação
Grandes bancos também alertam informalmente
Nada muda na supervisão prática

BC ouve, arquiva e segue o jogo.

QUEIMADAS NA PATAGONIA

 Os incêndios são uma consequência direta da falta de prevenção, de controles insuficientes e de políticas públicas frágeis.

O artigo é de Hernán Giardini coordenador da campanha florestal do Greenpeace Argentina, publicado por El País, 13-01-2026.

fogo não avança sozinho. Ele avança por causa de decisões tomadas e, sobretudo, por causa daquelas que não são tomadas. Segundo dados oficiais preliminares, nestas poucas semanas de verão, mais de 21 mil hectares de floresta já foram reduzidos a cinzas na Patagônia argentina.

A região florestal andino-patagônica é uma das últimas reservas remanescentes de florestas temperadas no mundo, com mínima perturbação humana e valiosa biodiversidade. É um dos biomas mais bem preservados da Argentina.

Puerto PatriadaEl HoyoEpuyénParque Nacional Los AlercesEl Turbio na província de Chubut e Parque Nacional Los Glaciares em Santa Cruz: lugares de imensa beleza, biodiversidade e água doce, agora associados ao fogo e à destruição. Paisagens que não serão apreciadas pelas gerações futuras.

Esta não é uma tragédia inesperada. Acabamos de passar por um inverno com pouca neve e chuva. A crise climática chegou e não pede permissão. Secas prolongadas, temperaturas extremas, ventos fortes, juntamente com a disseminação descontrolada de pinheiros invasores — que servem de combustível — criam um coquetel explosivo. Negar ou subestimar esse cenário é uma forma de irresponsabilidade política que custa florestas e lares.

Estima-se que 95% dos incêndios florestais sejam causados ​​por atividades humanas, seja por negligência ou intencionalmente: fogueiras mal apagadas, churrascos em áreas não autorizadas, bitucas de cigarro, queima de detritos florestais, desmatamento para pastagem e especulação imobiliária. Não se trata de um fenômeno natural inevitável. É uma consequência direta da falta de prevenção, de controles insuficientes e de políticas públicas deficientes.

Como pode um governo negar ajuda para incêndio florestal sabendo que essa região depende do turismo?

Sabotagem?

O que ganham os argentinos com essa negligência toda?
Quem sai ganhando com essa negligência toda?

Patagônia em Chamas 🔥

— Bruno Brezenski (@bbbrezenski) January 10, 2026

Se houver responsáveis, o judiciário deve investigá-los, e não apontar o dedo de plataformas políticas. O tempo e a energia gastos na busca por bodes expiatórios deveriam ser usados ​​para fortalecer a prevenção e o combate a incêndios.

A dimensão do problema já não permite eufemismos. Em 2025, quase 32 mil hectares de florestas andino-patagônicas foram afetados por incêndios durante o verão, quatro vezes mais do que na temporada anterior. Esses foram os piores incêndios registrados na região nas últimas três décadas. Isso não é uma anomalia: é uma tendência.

No entanto, a resposta do governo tem sido oposta. A Argentina está entre os 15 países com as maiores taxas de desmatamento do mundo, e o governo federal reduziu os orçamentos da Lei Nacional das Florestas Nativas e do Fundo Nacional de Gestão de Incêndios. Menos recursos significam menos prevenção, menos controle e menos capacidade de reação, tanto para o governo federal quanto para os governos estaduais. Soma-se a isso a proposta inédita de modificar a Lei Nacional das Geleiras, colocando em risco as principais fontes de água doce do país em um contexto de crise hídrica cada vez mais grave.

A situação dos bombeiros em todo o país é a ilustração mais gritante da falta de interesse. O Serviço Nacional de Parques conta com apenas cerca de 400 bombeiros, quando o mínimo necessário é de 700 para cobrir os cinco milhões de hectares sob sua jurisdição e auxiliar as províncias em caso de emergências. Eles são solicitados a enfrentar incêndios de proporções históricas com pessoal insuficiente, equipamentos limitados, salários irrisórios e extremo esgotamento físico e emocional.

Entretanto, o fogo não espera. Cada foco que não é controlado a tempo se transforma em um monstro incontrolável. Cada hectare perdido significa biodiversidade que não retornará tão cedo, solos degradados, recursos hídricos comprometidos e comunidades afetadas.

A floresta não queima sozinha. Ela queima quando os orçamentos são cortados, quando as pessoas fecham os olhos para o problema, quando as mudanças climáticas são negadas, quando a improvisação substitui o planejamento. Ela queima quando chegamos tarde demais.

Ainda temos tempo para mudar o rumo, mas não com retórica vazia. Precisamos de mais prevenção, mais controle, mais bombeiros, mais aviões-tanque, erradicação de pinheiros invasores e penalidades para o desmatamento. Preparar-se para um cenário de aumento de incêndios florestais não é mais uma opção: é uma obrigação que o povo deve exigir e os governos devem cumprir.


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Incêndios na Patagônia argentina reavivam narrativas antissemitas

14/01/2026 18h27

Mensagens virais publicadas nas redes sociais atribuem os incêndios florestais na Patagônia argentina a supostos planos israelenses de povoar a região, o que reaviva teorias da conspiração centenárias e motivou nesta semana denúncias de antissemitismo por parte de organizações judaicas.

"Quero os judeus fora do meu país" e "Os israelenses andam queimando a Patagônia" são algumas das mensagens que circulam em espanhol e, com adaptações, em outros cinco idiomas.

Autoridades argentinas confirmaram a ação humana na origem dos incêndios que queimaram mais de 15 mil hectares, mas… - 

Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2026/01/14/incendios-na-patagonia-argentina-reavivam-narrativas-antissemitas.htm?cmpid=copiaecola

Bombinhas/sc - Taxa de pedágio ambiental cobrada não é revertida em proteção



Paulo Rolemberg
paulo.rolemberg@ndmais.com.br

Desde 2014, a taxa já rendeu cerca de R$ 160 milhões aos cofres municipais de Bombinhas.14/01/2026 às 17h34

Por que pedágio ambiental em Bombinhas pode custar até R$ 191Foto: Prefeitura de Bombinhas/Divulgação/ND Mais

A cena registrada na praia de Quatro Ilhas – esgoto sendo despejado diretamente na faixa de areia em plena alta temporada – vai além do constrangimento ambiental. Expõe, de forma crua, uma contradição que há anos ronda o município de Bombinhas: a distância entre o discurso da preservação e a prática da gestão da chamada TPA (Taxa de Preservação Ambiental).

Criada sob o argumento de proteger um dos litorais mais bonitos do país, a TPA transformou-se num dos mecanismos de arrecadação mais robustos entre municípios turísticos brasileiros.

Desde 2014, a taxa já rendeu cerca de R$ 160 milhões aos cofres municipais de Bombinhas. O problema é que, passados mais de dez anos, o saneamento básico – fundamento mínimo de qualquer política ambiental séria – continua falhando de forma visível. Quando o esgoto corre a céu aberto, não há marketing verde que resista.

O episódio reacendeu cobranças políticas previsíveis, mas não irrelevantes. No caso registrado por moradores faz-se um pedido de fiscalização rigorosa do Ministério Público e do TCE (Tribunal de Contas do Estado) sobre a arrecadação e o destino dos recursos da taxa. Não se trata apenas de ideologia contra tributos, mas de uma pergunta objetiva: onde está o retorno ambiental prometido ao contribuinte?

Auditorias do TCE já indicaram que menos de 1% do montante arrecadado foi aplicado diretamente em gestão ambiental. A maior fatia se perdeu em custos administrativos do próprio sistema de cobrança e em serviços de limpeza urbana – importantes, sem dúvida, mas insuficientes para justificar um tributo com pretensão ambiental estruturante. É uma inversão de lógica: cobra-se para preservar, mas gasta-se para remediar.

A prefeitura afirma que o despejo ocorreu por conta de chuvas intensas e que a fiscalização é contínua. Pode até ser. Mas o episódio revela algo maior: a TPA virou um símbolo de arrecadação sofisticada sem entrega proporcional. Se o futuro da taxa passa por sua sobrevivência política e jurídica, ele depende menos de discursos e mais de obras. Caso contrário, seguirá sendo vista não como instrumento de preservação, mas como um pedágio ambiental sem estrada.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

PIPOQUEIROS, PILANTRAS E PUSILÂNIMES


Estilhaços do trumpismo

Há razões para se preocupar quando líderes mundiais “lúcidos” se posicionam nas mesmas trincheiras de adversários da democracia
Marina Slhessarenko Barreto, de Berlim|13 jan 2026_16h35


“Podem tentar, mas não vão conseguir merda nenhuma”, disse o então chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos[1], Mark Milley, sobre as intenções de Donald Trump e sua entourage de dar um golpe ao final do primeiro mandato da era laranja (2017-2020). Milley segurou as rédeas de golpistas institucionalizados no alto governo norte-americano e frustrou as expectativas de esbórnia institucional, como escreveu Fernando de Barros e Silva nesta piauí em 2021.

Poucos anos depois, Dan Caine, o novo ocupante do cargo, congratularia a meticulosidade da “extração” ocorrida na Venezuela, com tintas de golpe de Estado. Caine poderia muito bem estar falando de um dente, mas o contexto não deixava dúvidas, a despeito da escolha questionável de vocabulário. Tratava-se da extração do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores.

E aqui cabe uma nota: Caine, que se autodeclara “empresário em série e investidor” na bio da Força Aérea, é CEO da empresa de consultoria de segurança nacional Caine Group. Ele chegou a dizer que tal empreendimento só foi possível graças aos aprendizados de décadas de missões norte-americanas pelo mundo e pela competência inigualável das forças armadas de seu país. Um negócio, portanto, que deslanchou no embalo das guerras do Iraque (2003-2021) e do Afeganistão (2001-2021), da invasão da Líbia (2011), do sequestro do general panamenho Manuel Noriega (1990), da invasão de Granada (1983), além de tantos outros mais.

Ainda que de Milley a Caine os instintos democráticos tenham despencado alguns quilômetros, trata-se de um solavanco em território americano. Mais estranhas, preocupantes – e frustrantes, ainda que não surpreendentes – foram as reações dos outros chefes de Estado ao atentado contra a autodeterminação venezuelana.

Kaja Kallas, vice-presidente da Comissão Europeia, inaugurou o bonde negacionista. Às 7h53 do dia 3 de janeiro, relatou em um post ter conversado com o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio – filho de pais cubanos que migraram à Flórida durante a ditadura de Fulgêncio Batista – e a embaixadora da União Europeia na Venezuela. No post de 424 caracteres (quase todo gerado por inteligência artificial, segundo o detector Humalingo), Kallas reiterou ter afirmado “repetidamente que o Sr. Maduro carece de legitimidade” e que “defendeu uma transição pacífica”. Acrescentou: “Em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e a Carta da ONU devem ser respeitados. Apelamos à moderação”, além de afirmar que “a UE está monitorando de perto a situação na Venezuela”. Gilberto Kassab não teria sido capaz de ser tão sabonete.                                                           

O monitoramento “de perto” foi secundado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, da União Democrata-Cristã (CDU, mesmo partido do atual chanceler alemão Friedrich Merz). Ela disse: “nós ficamos ao lado do povo da Venezuela e apoiamos uma transição pacífica e democrática.”

No dia seguinte, Kallas, que também é a Alta Representante da UE para política externa e política de segurança, lançou um pronunciamento. Ela e os 27 países membros da UE rogam por “calma e contenção de todos os atores, para evitar escalada e assegurar uma solução pacífica para a crise”. Na nota, também “lembra” – o verbo aqui é importante, porque falta combinar a lembrança com os russos ou israelenses, por exemplo – “que em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e a Carta da ONU devem ser respeitados”. Além disso, “todos os atores devem respeitar totalmente os direitos humanos e o direito internacional humanitário”.

Entre um posicionamento e outro, vários representantes europeus procrastinaram para responder ao acontecimento. Emmanuel Macron, o mesmo presidente da França que nos últimos anos trocou de primeiro-ministro como quem troca de gravata, não apontou um dedo para os Estados Unidos em seu pronunciamento. Disse que “o povo venezuelano se livrou da ditadura de Nicolás Maduro e só pode celebrá-lo”. Afirmou ainda que uma transição de poder deve ser “pacífica, democrática e respeitosa da vontade do povo venezuelano”. Em seguida, “nós sugerimos que o presidente Edmundo González Urrutia, eleito em 2024, possa assegurar essa transição o mais rápido possível”. Faltou esclarecer quem somos “nós”.

Macron concluiu a nota com um “a França está plenamente mobilizada e vigilante”. Em seguida, voltou à programação normal: cortar a tradicional Galette des Rois (um tipo de torta tradicional) de cerca de 24 kg, divididos em duas receitas, para 36 pessoas ao som de música eletrônica. Com ressalva importante: a torta não continha a tradicional fève, um brinde que geralmente é uma pequena peça de cerâmica ou porcelana, podendo ser um boneco ou até um anel, e dá sorte a quem ficar com o pedaço que o contém (e quase quebrar os dentes ao mordê-lo sem querer). O governo Macron, seguindo uma tradição iniciada por Giscard D’Estaing em 1975, manteve a eliminação da fève por não querer ser identificado com qualquer resquício da realeza local.

Friedrich Merz, o chanceler alemão empossado às pressas em maio de 2025 depois de fracassar para conseguir votos suficientes para sua eleição entre seus pares parlamentares, seguiu uma linha parecida. Começou afirmando que “Nicolás Maduro levou seu país à ruína” e seguiu dando cobertura à ação criminosa dos Estados Unidos, num estilo de invejar a mais sofisticada novilíngua dos anos 2026: “A avaliação legal da intervenção dos EUA é complexa e requer consideração cautelosa. O Direito Internacional permanece sendo o referencial orientador. Nesse estágio, a instabilidade política na Venezuela deve ser evitada.”

A avaliação legal, porém, é simples: é ilegal e contra todas as regras do direito internacional. Não há um jurista ou analista político sequer que tenha dado resposta desviante à pergunta sobre a licitude da ação de Trump no país latino-americano, seja na mídia impressa, audiovisual ou no rádio. Virou até enfadonho ouvir a pergunta “Was it legal?”.

À exceção dos líderes europeus que não se manifestaram publicamente a respeito, como o autodeclarado autocrata primeiro-ministro Viktor Orbán (Hungria) e o presidente Recep Tayyp Erdogan (Turquia) (que não reagiu de imediato, mas depois ligou para o presidente Trump a fim de expressar seu descontentamento), a novidade veio no campo da extrema direita europeia – e da esquerda sanchista espanhola. Pedro Sánchez, talvez o único líder europeu atual que ainda pode empunhar o rótulo de progressista[2], declarou que “a Espanha não reconheceu o regime de Maduro. Mas tampouco reconhecerá uma intervenção que viola o direito internacional e empurra a região a um horizonte de incerteza e belicismo”.

Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana que acaricia neofascistas domésticos, mas joga com ambiguidade estratégica para se manter como entreposto entre autocratas europeus e a coalizão democrática decadente, foi em direção semelhante. Em timing combinado com o dos outros líderes da UE (von der Leyen postou às 10h14 de Brasília no X; Meloni, às 15h12; Macron, às 15h30; e Merz, o lanterninha, às 15h49), Meloni afirmou que “a Itália, junto com os principais parceiros internacionais [o que o adjetivo significa, é de se questionar] nunca reconheceu a vitória autoproclamada de Maduro”. Nesse contexto, “consistente com a posição histórica italiana, o governo acredita que ação militar externa não é o caminho para pôr fim a regimes totalitários, mas” – e a adversativa é infeliz dado o contexto – “ao mesmo tempo, considera legítima uma intervenção de natureza defensiva contra ataques híbridos a sua própria segurança, como no caso de entidades estatais que incentivam e favorecem o narcotráfico”.

Há exatos dois anos, em 07 de janeiro de 2024, a primeira-ministra se viu em uma sinuca de bico ao silenciar sobre uma manifestação neofascista ocorrida na Via Acca Larentia em memória de três jovens de extrema direita assassinados em 1978. Na ocasião, o partido de Meloni declarou que os manifestantes que se concentravam no local e performavam saudação fascista (a chamada “saudação romana”), passando da casa das centenas em vídeo viral que circulou nas redes sociais, eram militantes de grupos marginais. Meloni também acusou a esquerda de instrumentalizar o ocorrido para atacar o governo.

Poucos dias depois, a Suprema Corte de Cassação da Itália determinou que a saudação romana só é crime quando evocar “perigo concreto” de reorganização de partido fascista de acordo com os termos da Lei Scelba (de 1952, que proíbe apologia ao fascismo e a reorganização de partidos fascistas). No caso da manifestação de janeiro de 2024, porém, não haveria os elementos materiais necessários para caracterizar tal perigo. A corte também descartou a aplicação dos crimes de discriminação racial, étnica ou religiosa pelos termos da Lei Mancino (1993).

Em resumo: para a última instância de julgamento italiana, é tolerável à democracia a performance em massa de liturgia fascista em contexto de rememoração de mortos políticos a depender do contexto. Em janeiro de 2024, pois não ofereceu perigo “concreto” de insurgência política ou social.

A maior surpresa de posicionamento do bloco, porém, ficou com Marine Le Pen, líder de extrema direita francesa recentemente impedida de disputar eleições por cinco anos pelo uso indevido de fundos públicos. Le Pen, que já havia se saído muito bem nas eleições de 2022 contra Emmanuel Macron (abocanhou expressivos 41,5% dos votos), era cotada como sucessora da paralisia macronista. Com a decisão de inelegibilidade em 2025, porém, Le Pen prepara seu sucessor Jordan Bardella — ou candidato-tampão até que uma anistia os separe.

Seu posicionamento a respeito da situação na Venezuela, porém, surpreendeu até as línguas russas (suas aliadas de primeira hora). Seu pronunciamento no X foi muito mais ligeiro (publicado cerca de 5 horas antes) e assertivo do que o de líderes do establishment europeu.

Em suas palavras, “existiam mil razões para condenar o regime de Nicolás Maduro (…). Mas existe uma razão fundamental para se opor à troca de regime que os Estados Unidos acabaram de provocar na Venezuela”. Ela é a “soberania”. De fato, a soberania pode ser questionada como razão única ou principal para o repúdio ao imperialismo norte-americano. Para efeitos de condenação da invasão, contudo, serve de bússola aqui até mesmo para cabeças antidemocráticas. Le Pen concluiu seu pronunciamento esperando que “a palavra seja devolvida o mais rápido possível ao povo venezuelano. A eles cabe retomar o poder de definir, soberana e livremente, o futuro que deseja se dar como nação”.


O ouro do pronunciamento mais rápido, porém, ficou com Nigel Farage, o extremista que deixou Liz Truss (a premiê que durou menos do que um pé de alface no poder) no chinelo. Logo depois da Europa descobrir o ataque norte-americano à Venezuela, Farage publicou no X: “As ações americanas na Venezuela na madrugada são heterodoxas e contrárias ao direito internacional – mas se fizerem China e Rússia pensarem duas vezes, pode ser uma coisa boa.” Spoiler: elas fizeram pensar, mas no sentido oposto ao pretendido pelo “Mr. Brexit”. (Mais sobre isso abaixo).


Outros entusiastas (do extremismo) de direita e aliados de última hora (leia-se: pragmáticos) de Vladimir Putin, também se posicionaram contra a operação estadunidense. São eles o presidente da Sérvia, Aleksandar Vučić, e o premiê da Eslováquia, Robert Fico. Em pronunciamento ao vivo depois de reunião do Conselho de Segurança do país, Vučić afirmou que “a velha ordem mundial está colapsando, nenhuma regra se aplica, e a ordem da ONU só existe no papel”. No presente mundo novo, “a lei da força domina, a lei dos mais fortes. Quem é mais forte oprime. Esse é o único princípio que existe no mundo moderno”.

Em seu próprio quintal, inclusive, o presidente vem reprimindo movimentos de massa de estudantes contra a corrupção e a falta de representatividade política. De tal monta são os protestos na Sérvia que motivaram uma bicicletada de cerca de oitenta estudantes e acadêmicos sérvios em abril de 2025: eles pedalaram de Novi Sad (Sérvia) a Estrasburgo (França) por treze dias para se encontrar com membros do Parlamento Europeu e do Conselho da Europa.

O premiê eslovaco Robert Fico foi até mais longe em sua conta do Facebook (rede social ainda muito usada pelo Leste Europeu e ex-repúblicas soviéticas): “Ações militares americanas na Venezuela são uma outra prova do rompimento da ordem engendrada depois da Segunda Guerra Mundial. Direito internacional não vale, poder militar é usado sem autorização da ONU e quem é grande e forte faz o que quer para promover seus próprios interesses.” E continuou: “Como primeiro-ministro de um país pequeno, devo condenar tal violação do direito internacional, como fiz em relação à guerra do Iraque, à rejeição do Kosovo como um Estado soberano, ao uso de poder militar russo na Ucrânia ou à avaliação da situação em Gaza.”

Faltou só mencionar que em várias ocasiões passadas ele deu cobertura e encorajamento à agressão ilegal da Rússia contra a Ucrânia. Inclusive em entrevista à Folha de S.Paulo.

O cenário para a aceleração de movimentos beligerantes foi montado. Não é de hoje que setores da sociedade civil de diversas partes do mundo (do Brasil aos EUA, da Alemanha à Hungria e além) alertam sobre os riscos da militarização e do espraiamento de guerras. Quando até Le Pen, uma das adversárias mais vocais da democracia francesa, se posiciona nas mesmas trincheiras do campo democrático mais são, então temos todas as razões para nos preocupar.

Desde o dia 3 de janeiro de 2026, o mundo entrou em estado de alerta. Até porque a data coincide com diversos eventos baixo-astral no calendário geopolítico global.

Em 3 de janeiro de 1990, o presidente George Bush prendeu e capturou o general Manuel Noriega, líder de facto do Panamá. Na ocasião, também não havia contado com o apoio prévio do Congresso norte-americano. Dessa vez, uma autorização prévia também seria impossível, afirmou o secretário de Estado Marco Rubio na coletiva de imprensa do dia da invasão, sob o risco de arruinar a operação.

Quase quarenta anos depois, o presidente panamenho iria se posicionar de maneira escorregadia. José Raúl Mulino não condenou em nenhum momento a agressão dos Estados Unidos e disse que seu governo se coloca a favor do “ensaio democrático e a favor da aceitação dos desejos legítimos do povo venezuelano, expressos de maneira contundente nas urnas eleitorais, onde foi eleito o cidadão Edmundo González”. Ao final, sugeriu que seu país “será sempre solidário com a paz e com um processo de transição ordenado e legítimo” – que é exatamente o que não acontece nesse tipo de situação, historicamente falando: basta observar os casos da Líbia, Iraque, Afeganistão, dentre tantos outros.


Como me lembrou o professor de história e teoria política da Uerj Christian Lynch, a data de 3 de janeiro também marca o dia em que Benito Mussolini declarou uma nova era na política italiana com a consolidação do Estado fascista. “Para mim, este é o marco simbólico do regime ditatorial”, defende Lynch. Neste dia há 101 anos (1925), Mussolini fez um discurso no Parlamento italiano assumindo a responsabilidade política pelo assassinato do socialista Giacomo Matteotti e pondo fim às ambiguidades liberais de então.


Ali, ele declarou que detinha o total controle do governo e subjugou o sistema parlamentar; daí se seguiram as Leis Fascistíssimas (1925 e 1926). Vale lembrar que Mussolini ele próprio começou sua carreira política como socialista. Depois, virou intervencionista e só em um terceiro momento se declarou fascista. Camaleão político de vulto.

Também foi em 3 de janeiro que os Estados Unidos mataram Qasem Soleimani, general iraniano e comandante de elite da guarda revolucionária islâmica do Irã. Responsável por operações militares e de influência do Islã fora do país, ele foi responsável por expandir sua área de influência ao Iraque, Síria, Líbano e Iêmen. Acusado de apoiar milícias que mataram soldados norte-americanos e civis, Soleimani foi assassinado pelos Estados Unidos em 2020, em um ataque de drones ao comboio de carros em que ele se localizava em Badgá. Junto a ele, também foi assassinado Abu Mahdi al-Muhandis, líder de milícia iraquiana que tinha laços com o Irã.

Por fim, nesta mesma data os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com Cuba, no ano de 1961. O rompimento veio como reação à revolução de Fidel Castro e à declaração do Estado comunista, fatos vistos como ameaçadores à dominação norte-americana na região. No mesmo ano, os Estados Unidos invadiram a Baía dos Porcos e, no ano seguinte, vieram a causar a crise dos mísseis na região.

Na América Latina, a desunião fez a força com a invasão da Venezuela. Desde que o ataque aconteceu, dois grandes blocos se formaram: o daqueles contra a intervenção de Trump e o dos apoiadores. Dentre os primeiros, estão Colômbia, Chile, México, Cuba, Bolívia, Uruguai e Brasil – com a ressalva de que, com a troca de governo em março, o lado do Chile certamente vai mudar. Já entre os segundos, Argentina, Equador, Peru, Paraguai e El Salvador – em um arco de referências que vai do ditador pop Nayib Bukele ao motosserrista Javier Milei.

Em uma região que já serviu de quintal para Washington durante a Guerra Fria, a divisão é preocupante. Ela significa hoje maior vulnerabilidade dos países às pressões estadunidenses – para além da já desgastada subserviência. Longe de intervenções pontuais, os Estados Unidos já exercitaram suas tropas e sua CIA em pelo menos sete países da região: Panamá, Cuba, Nicarágua, Haiti, República Dominicana, Guatemala e Granada. Além disso, participaram (in)diretamente de golpes militares em pelo menos treze deles: Brasil, Chile, Argentina, Bolívia, El Salvador, Equador, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Haiti, Cuba.

Em contraposição à paralisia do desacordo, a Colômbia vem costurando a liderança de uma coalizão soberana pela América Latina, cuja procedência aponta para nada menos que a queda brutal de popularidade do presidente Gustavo Petro (mesmo diante de sua base de esquerda). Foi o país que convocou a letárgica reunião do Conselho de Segurança da ONU em 5 de janeiro. Também foi ele que mobilizou a assinatura de um comunicado com México, Uruguai, Brasil, Chile e Espanha contra a invasão. Petro, além disso, convocou manifestações nacionais em prol da soberania nacional – no pior estilo influencer beligerante de óculos escuros e pegada meio 007 de Instagram.

Dado esse cenário, duas confusões no debate público precisam ser desfeitas. Primeiro, é possível (e necessário) condenar veementemente a invasão dos Estados Unidos e o caráter antidemocrático do governo de Nicolás Maduro.

Segundo, para quem diz que essa intervenção de Trump é um desvio de seu “America First”, basta ver o quanto o presidente quer se lambuzar com o petróleo extrapesado característico da Venezuela. É verdade que apenas 33% da população norte-americana apoia o golpe venezuelano. Ao mesmo tempo, o gesto de Trump é uma tentativa desesperada de manter sua dominância em um mundo que já lhe virou as costas – seja na corrida climática, tecnológica, intelectual e até bélica. Ou forjar uma nova liderança: além de agressiva, colonialista raiz, nacionalista e polarizante.

Uma articulação tenebrosa de laços vem se revelando depois da invasão à Venezuela, que resultou em pelo menos 100 mortes — como viemos a saber depois de mais tempo do que o razoável. Fomos (e ainda estamos) descobrindo as coisas a conta-gotas.

Primeiro, soubemos que a operação já pode ter sido de antemão combinada com os russos, literalmente. Na noite anterior à invasão da Venezuela, fake news de que os embaixadores da Rússia deixaram o país começaram a circular no TikTok, mas o Kremlin negou as elucubrações. Coincidência pouca seria bobagem: para quem não sabe, os brothers e os brátyas[3] compartilham informações estratégicas antes de desferir golpes pelo mundo (ainda bem!). Foi assim, por exemplo, quando a Rússia lançou seu ameaçador míssil balístico intercontinental em novembro de 2024, que tinha potencial para cruzar a Europa inteira (pelo menos cerca de 2.400 km), mas só valeu como teatro para assombrar Dnipro, cidade ucraniana a cerca de 350 km da fronteira.

Com a China também há indicadores de que o jogo foi combinado. A última reunião diplomática de Maduro antes de ser arrancado do poder foi com Qiu Xiaoqi, enviado especial do Sr. Xi Jinping. Não só ela aconteceu às vésperas do golpe, como foi reproduzida em forma de live do instagram. Um amigo italiano, impressionado pela retórica e estética madurista, me mandou no WhatsApp: “Eu estava literalmente acompanhando a live dele horas antes. Cheguei até a gravar. Realmente inacreditável.”

Alianças assim, porém, são de confecção muito frágil. Afinal, são movidas por interesses imediatos e oportunidades de ação. Tanto é que, nos dias seguintes, os Estados Unidos – apoiados pela Grã-Bretanha – raptaram um navio de petróleo russo que estava sendo escoltado no Atlântico. Logo antes, o ex-presidente russo Dmitri Medvedev (2008-2012), aliado de primeira hora de Putin, também brandiu impropérios contra o primeiro-ministro alemão. Já que Trump invadiu a Venezuela e retirou Maduro do poder, estaria na hora de alguém tirar o chanceler Friedrich Merz do poder – um neonazista, segundo acusa.

O futuro não poderia ser mais amargo: o clube dos autocratas está afiando suas garras pelo globo, sem mais quaisquer desculpas legalistas para se proteger da crítica. Afinal, lembremos que algumas décadas atrás o governo norte-americano ainda se preocupava com o acabamento final: era em nome da “democracia” (petrolífera! – possuir petróleo só é permitido quando se entregam os barris às potências imperialistas).

Aos vencedores, as novas colônias. O petróleo da Venezuela fica com os Estados Unidos, e a Rússia e China só soltam notas de repúdio moribundas. Os recursos minerais da Ucrânia ficam com a Rússia, e os Estados Unidos param de apoiar financeira e militarmente a resistência ucraniana (ou continuam habitando uma ambiguidade muito oportuna aos russos). Os semicondutores avançados de Taiwan ficam sob custódia da China, e tampouco os americanos metem a colher da autodeterminação dos povos.

Essa nova coalizão está em processo, mas ainda não consolidou sua vitória. Se é verdade que o poder militar e a força bruta estão concentrados por ali, também é verdade que a maioria do mundo segue sob o jugo desse mesmo xadrez político.

E se a Europa já parece ter entregado seus pontos, isso não quer dizer que as democracias morreram simplesmente como modelo de governo desejável daqui para a frente. Uma nova forma de resistência não poderia nascer por brotamento (ou medo de invasão russa) de quem já perpetrou séculos de colonialismo e exploração. Mais: de quem, depois da segunda guerra mundial, apenas confiou cegamente na nova ordem norte-americana e não investiu em seus próprios potenciais de desenvolvimento e defesa. Pior: de quem se protegeu com o arsenal alheio, performando cegueira em relação às guerras fósseis praticadas nas suas periferias por décadas a fio. Ainda que a Europa tente acertar contas com seu passado, enfim, é muito improvável que seja ela a capitã da mudança. Seu modelo de governança é parte do problema.

É por isso que apenas o “Sul Global” pode disputar espaço com essa nova coalizão antidemocrática e fóssil. É apenas das forças que vêm sendo oprimidas por séculos de extrativismo, exploração e manipulação que a mudança em direção a um mundo mais democrático, pacífico e justo pode acontecer.

Isso não apaga, porém, o fato de que dentro desses próprios países do “Sul” o Estado e outras forças coloniais tenham exercido (e continuem exercendo) violências monstruosas. Há que se aceitar a ambivalência, como afirmou recentemente na piauí em julho passado o professor de filosofia da Unicamp Marcos Nobre. Nós, o Sul global, somos afinal a maioria. Uma maioria que não pode se calar diante da barbaridade dos fatos que estão postos. Se não fizer isso agora, talvez depois seja tarde demais.


[1] O cargo tem visibilidade muito diferente daquela que possui no Brasil. Lá, são figuras de grande projeção e têm papel relevante no aconselhamento do presidente.


[2] E Keir Starmer? Promessa do progressismo do Labour quando eleito em 2024, ele decepcionou o próprio campo com suas investidas antiimigração e, mais recentemente, com seu alinhamento com nada menos que Donald Trump para capturar um navio petroleiro de bandeira russa no Atlântico.


[3] Plural de brat, irmão em russo.

Fonte:Revista Piauí

Religião escravista

 


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Irã - Infiltração nos ataques de manifestantes a mesquitas e ambulâncias



“Verdadeiramente surpreendente”: Ministro das Relações Exteriores do Irã comenta ataques de manifestantes a mesquitas

13 de janeiro de 2026


O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, durante uma coletiva de imprensa em Teerã, em 30 de novembro de 2025.Ahmet Serdar Eser/Anadolu /Gettyimages.ru

Seyed Abbas Araghchi observou que elementos armados também atacaram prédios governamentais, quartéis-generais da polícia e empresas.

RT – O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou na segunda-feira que Teerã tem “provas” de que atores externos estão tentando desestabilizar o país, aproveitando-se dos protestos que começaram no final de dezembro, e disse que o fato de dezenas de mesquitas terem sido incendiadas é impressionante .
Durante seu discurso, o ministro das Relações Exteriores afirmou que os protestos dos comerciantes começaram de forma pacífica e legítima , mas que posteriormente escalaram para a violência. Ele acrescentou que as forças de segurança agiram com moderação e que o governo abriu canais de comunicação com os setores afetados para ouvir suas reivindicações.


O ministro das Relações Exteriores iraniano afirmou que as autoridades têm provas de que armas foram distribuídas entre alguns manifestantes e que as forças de segurança foram alvejadas “para aumentar o número de vítimas”, e que a maioria dos mortos apresentava ferimentos de bala nas costas , insinuando que não morreram em decorrência de disparos das forças de segurança.

“Guerra terrorista”

Araghchi também acusou grupos armados de atacarem deliberadamente ambulâncias, matando os feridos dentro delas e incendiando mesquitas e prédios governamentais: “E, acima de tudo, atacaram mesquitas de forma estranha. Isso é realmente espantoso. Nenhum iraniano ousaria incendiar um local de culto. Trezentas e cinquenta mesquitas foram queimadas “, afirmou.

Ele acrescentou que até mesmo os feridos foram baleados: “Até mesmo os feridos, essas operações acabaram com suas vidas. Em uma ocasião, 11 pessoas feridas estavam a caminho do hospital e, mesmo assim, foram alvejadas com munição real. Descobriu-se que essas pessoas feridas foram mortas por essas operações terroristas .”

Ele também afirmou que o que está acontecendo agora “não são mais apenas manifestações, mas uma guerra terrorista contra o país” e criticou as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre os protestos, considerando-os uma interferência nos assuntos internos do Irã. 

No entanto, ressaltou que os canais de comunicação permanecem abertos com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e com um intermediário suíço, reiterando que Teerã está preparada para se defender, se necessário , mas também para continuar explorando vias diplomáticas para reduzir as tensões.

Sanções pela cooperação com Irã causarão turbulências nos próprios EUA, afirma especialista


04:47 14.01.2026

© AP Photo / Vahid Salemi
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As tarifas impostas pelos Estados Unidos a países que cooperam com o Irã terão consequências negativas e causarão turbulências na própria economia norte-americana, avaliou ao Global Times o analista político chinês Zhu Yongbiao.

Yongbiao ressaltou que a economia mundial já apresenta um crescimento lento, agravado por diversos conflitos geopolíticos e pela incerteza da política dos EUA.

"Ao implementar continuamente medidas tarifárias, os EUA estão minando os alicerces do crescimento econômico global. Isso traz múltiplos impactos negativos não só para a economia mundial, mas também para sua própria economia", destacou.

Segundo o analista, as medidas tarifárias de Washington podem agravar ainda mais a crise econômica iraniana, enfraquecer as relações externas do país e exercer um efeito negativo indireto sobre seu sistema de governo.

12 de janeiro, 19:24

Além disso, ele acredita que essas tarifas causarão flutuações nos preços dos combustíveis, afetarão negativamente os aliados dos Estados Unidos e aumentarão os custos econômicos dos países da União Europeia.
Dessa forma, Yongbiao concluiu que os EUA estão, mais uma vez, abusando abertamente de seu poder, o que voltará a prejudicar sua imagem internacional.
Anteriormente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs tarifas de 25% a todos os países que mantêm cooperação com o Irã. A decisão ocorreu após uma onda de protestos no país, que atribuiu aos EUA e a Israel a responsabilidade pelos distúrbios. O chefe da Casa Branca não descartou a possibilidade de usar a força militar contra Teerã.
Vale ressaltar que a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, enfatizou que Pequim é contra qualquer interferência na política interna do Irã e defenderá veementemente seus interesses caso essas tarifas sejam aplicadas ao país.

Eleições argentinas no próximo ano

 


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Pura cretinice religiosa

Gente que apoia o Vaticano, do qual o Brasil é histórica colônia desde a conquista, falando em defesa da nossa suposta soberania, é um "chute nos colhões". 

Corja de hipócritas que, à menor oportunidade vai lamber óstia, contar sua vida a um espertalhão de sotaina e, se tiver algum recurso, vai a Roma tietar um imperador do mundo, que é o Papa, comete uma flagrante canalhice quando vem posicionar-se a favor de uma quimera que é a propladada soberania dos povos. 

Uma igreja que proibiu o padre Júlio Lancelotti de fazer bem aos desgraçados (ao mesmo tempo em que permite padres radicais de direita a alardear suas convicções fascistas), fazer pose de defensora dos povos é dose pra mamute. 

Ninguém - a não ser os rentistas poderosos - interfere mais nos assuntos internos de incontáveis países, em flagrante desrespeito diário à soberania, do que a Prostituta de Roma, a Hidra Papista. 

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Solidariedade ecumênica: mais de 300 organizações religiosas de 18 países exigem respeito à soberania da Venezuela; CNBB pede paz ‘desarmada’

Documento assinado por entidades da América Latina, Europa e EUA exigem retirada de tropas e libertação de Maduro
7.JAN.2026 - 17:47
SÃO PAULO (SP)

Mais de 300 organizações religiosas, ecumênicas e sociais de 18 países divulgaram uma declaração conjunta em solidariedade ao povo da Venezuela e contra a invasão militar dos Estados Unidos. O documento, publicado em 5 de janeiro, denuncia a ofensiva como uma “grave violação do direito internacional”.

Entre os signatários estão comissões nacionais de Justiça e Paz, pastorais sociais, congregações religiosas, comunidades eclesiais, organizações de direitos humanos e centros acadêmicos ligados à fé cristã. A mobilização conta com adesões de países da América Latina, Caribe, Europa e também dos Estados Unidos, configurando um dos pronunciamentos mais amplos e plurais dos últimos anos sobre a situação venezuelana.

O texto exige ainda a libertação do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores, sequestrados durante os ataques, a restituição do governo legítimo e o fim das políticas de intervenção e dominação. As organizações reafirmam o princípio da autodeterminação dos povos e o multilateralismo como base das relações internacionais.

A nota também ecoa outras manifestações religiosas nos últimos dias. O Papa Leão 14 pediu que se respeite “a soberania da Venezuela”, a Constituição do país e os direitos humanos, defendendo caminhos de “colaboração, estabilidade e concórdia”.

Já a Asociación de Teólogas y Teólogos Juan 23, da Espanha, divulgou uma carta em tom contundente contra a agressão militar, chamando-a de “imperialista” e motivada pelo controle do petróleo venezuelano. “Trump, que se declara cristão, mostra o quão distante está do ideal de paz e justiça defendido por Jesus de Nazaré”, diz o texto, que cita trechos do Evangelho e convida os povos à resistência ética e espiritual.

Ao final, os signatários afirmam que a paz só poderá ser construída onde houver justiça, verdade e respeito à soberania dos povos. “Não se trata de um ato isolado, mas de uma responsabilidade coletiva”, conclui a declaração.

CNBB pede paz ‘desarmada e desarmante’

Em carta dirigida à Conferência Episcopal Venezuelana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) expressou solidariedade à Igreja e ao povo da Venezuela diante do “momento marcado por tensões, sofrimentos e incertezas”. O documento, assinado por sua presidência, afirma que os bispos do Brasil se unem em oração e apoio à missão profética da Igreja venezuelana, pedindo serenidade, sabedoria e esperança.

A CNBB também destacou seu compromisso com uma paz “desarmada e desarmante”, construída sobre a verdade, a justiça, o respeito à dignidade humana e à soberania das nações. “Reafirmamos, com convicção, o auxílio sincero, iluminado pela verdade, pela justiça, pelo respeito à dignidade da pessoa humana e à soberania das Nações”, afirma o texto, que conclui invocando a proteção de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela.

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Editado por: Luís Indriunas

Mais uma que verá o sol nascer quadrado

Cam...ela. Perdão. Camila brincou com coisa séria e "deu errado" pra ela, como para muitos outros. Foi na pilha de Bolsonaro e seus filhos meliantes -  acreditando que os mesmos são "patriotas", quando não passam de rematados mentirosos, corruptos e sobretudo traidores da pátria e entreguistas, cuja vida resume-se a lamber as botas dos ianques - e tomou na tarraqueta. A ânsia de fazer bonito nas redes sociais gera consequências. Ganhou notoriedade, como queria e, de quebra, direito à masmorra. Pior é que a patriotária é mãe de menores de 12 anos, segundo a defesa. 

Para alguém que acredita na palavra de gente adepta de tortura (os Bolsonaro nunca esconderam que o são, inclusive defendendo o vagabundo do Ustra), cadeia só é pena que está de bom tamanho. A sorte dela é que a nossa Constituição repele a pena de morte. Se fosse nos EUA, se não tomasse uma saraivada de balas, no mínimo, iria parar nas infectas prisões de Guantânamo, aquela excrescência que é um enclave norte-americano dentro da ilha de Cuba, onde ninguém tem direito ao devido processo legal, isto se não fosse "premiada" com uma injeção letal ou qualquer outro fim trágico.

Esse tipo que "gosta de se aparecer", de direita radical - ou só otária mesmo - tem muito a aprender. 

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Empresária de SC tem prisão domiciliar negada por Moraes após condenação pelo 8 de janeiro

Ministro do STF seguiu parecer da PGR e afirmou que não houve comprovação de situação excepcional no caso da moradora de Tubarão07/01/2026 às 13h58- Atualizado há 17 horas


Empresária de SC tem prisão domiciliar negada por Moraes após condenação pelo 8 de janeiroFoto: Reprodução/ND Mais

A empresária Camila Mendonça Marques, moradora de Tubarão, no Sul de Santa Catarina, teve o pedido de prisão domiciliar negado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), nesta quarta-feira (7). A mulher foi condenada a 15 anos e seis meses de prisão, em regime fechado, por envolvimento nos atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023.

A defesa de Camila alegou que ela precisava cumprir a pena em casa por possuir dois filhos menores de 12 anos e por também ser responsável pelo cuidado das crianças.

Prisão domiciliar negada: PGR se manifestou contra o pedido

A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou contra o pedido, afirmando que não houve comprovação de uma situação excepcional que justificasse a prisão domiciliar. Segundo o órgão, não ficou demonstrado que a presença da empresária é indispensável para cuidar dos filhos ou que ela seja a única responsável pelos cuidados.

Ao analisar o caso, o ministro Alexandre de Moraes acompanhou esse entendimento e destacou que, “sem a comprovação de uma situação excepcional, a legislação não permite a concessão de prisão domiciliar”, ressaltando que a defesa se limitou a argumentar que a condenada, como mãe, precisaria acompanhar os filhos.
PGR afirma que não ficou claro que empresária de SC era é indispensável para cuidar dos filhos

Foto: Reprodução/ND Mais

Empresária já havia tido o pedido negado em julho

A defesa da empresária já havia solicitado prisão domiciliar em julho de 2025, mas o pedido também foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes, que determinou que a condenada fosse avaliada por uma junta médica oficial.

O laudo médico apontou que “no momento, a paciente não apresenta quadro clínico que demande, com base médica, em impedimentos atuais ao cumprimento da pena no interior da unidade prisional. Contudo, este laudo não contempla de forma abrangente os demais aspectos biopsicossociais que podem influenciar a execução da pena”.

Empresária já havia tido a prisão domiciliar negada em julhoFoto: Reprodução/ND Mais
Além da prisão, catarinense terá que pagar R$ 30 milhões por danos morais

Além da condenação de 15 anos e seis meses de prisão em regime fechado, a catarinense também foi sentenciada a 1 ano e seis meses de detenção e ao pagamento de 100 dias-multa, com cada dia-multa fixado em um terço do salário mínimo.

Ela também foi condenada ao pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos.

Camila Mendonça foi condenada por tentativa de Golpe de Estado

Camila Mendonça Marques foi condenada pelos seguintes crimes praticados durante a invasão ao Palácio do Planalto:Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;

Dano qualificado ao patrimônio público;
Deterioração de patrimônio tombado;
Associação criminosa armada.

Após a invasão e depredação dos prédios públicos em Brasília, imagens da empresária circularam amplamente nas redes sociais.

Carla Mendonça teve prisão domiciliar negada; após invasão, imagens da mulher teriam repercutido na internet
Foto: Reprodução/ND Mais

Pena será cumprida na unidade prisional de Tubarão

A condenação transitou em julgado em outubro de 2024 e, dias depois, o STF determinou o início do cumprimento da pena, com encaminhamento para a unidade prisional de Tubarão, no Sul de Santa Catarina.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Justamente quando os arquivos do caso Epstein começaram a ver a luz…


Uma cortina de fumaça internacional tenta deslocar o foco de denúncias graves, reconfigurando Trump como herói enquanto crimes permanecem sem resposta
07 de janeiro de 2026, 13:52 h

Donald Trump e Jeffrey Epstein (Foto: Reuters)

Justo quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos avisa que irá soltar material sobre o caso da rede de pedofilia liderada por Jeffrey Epstein, amigo de longa data de Donald Trump (documentos provam uma amizade com encontros frequentes desde o início da década dos 80), o presidente dos Estados Unidos, que seria um dos envolvidos nessa rede de pedofilia, decide invadir a Venezuela e chocar o mundo com o sequestro do presidente do país caribenho para ser julgado em Nova York por suposto tráfico de drogas.

Justo quando o rumor sobre como Donald Trump poderia ser mais um das tantas celebridades que pagou para abusar de crianças e cometer um dos crimes mais hediondos que um ser humano poderia praticar, todos nós nos encontramos falando de como os EUA pretendem invadir o país e expropriar seu petróleo sob o argumento de estar recuperando um patrimônio que foi anteriormente roubado. 

De repente, já não falamos da decadência da direita no mundo, da incapacidade de Trump de dar uma saída justa ao conflito de Gaza, da brutalidade genocida do Netanyahu, das imagens de milhares de crianças mutiladas pelo exército de Israel. 

De repente, já não temos mais matérias do teatro patético da família Bolsonaro clamando por uma piedade e uns direitos humanos que jamais quiseram dar a ninguém fora (e às vezes ainda dentro) do seu cerco político. 

Sumiram as matérias dos estarrecedores números econômicos da gestão do Javier Milei, afundando a Argentina numa recessão e no avanço da pobreza que lembra os terríficos anos 90 e a explosão do ano 2001.

Assistimos impávidos como as redes sociais da direita ao redor do mundo explodem de postagens glorificando Donald Trump, colocando-o num lugar de guerreiro libertador, lutador pela democracia e batalhador antinarcotráfico. Sim, o mesmo que, no ano de 2002, descreveu o pedófilo Epstein como um “cara sensacional” que gostava de mulheres bonitas, “muitas delas bem jovens”. 

O mesmo Donald Trump que aparece inúmeras vezes em fotos e vídeos, ao lado, abraçando, sorrindo, conversando com o pedófilo mais conhecido do mundo. 

O mesmo Donald Trump condenado por falsificar documentos para ocultar, durante as eleições de 2016, um encontro sexual clandestino e extramatrimonial (já que era casado na época) que teve com Stormy Daniels. Trump, condenado na esfera civil por abuso sexual e difamação contra a jornalista Jean Carroll, por cometer fraude contra a Receita dos Estados Unidos, por tentar alterar o resultado eleitoral na Geórgia.

Donald Trump, acusado por violência doméstica e abuso sexual pela sua ex-esposa, Ivana Trump, em 1990. Ivana afirmou que, em um acesso de fúria após uma cirurgia plástica mal-sucedida no couro cabeludo, Trump a teria jogado no chão, arrancado tufos de seu cabelo e a forçado a ter relações sexuais.

E nós falamos sobre a Venezuela, sobre a possível iminente invasão, sobre a ameaça de fazer o mesmo na Colômbia. E temos medo, eu tenho medo. Quem sente, assim como sentiu Chávez e pontuou Simón Bolívar, que existe uma Pátria Grande, chamada América do Sul, estamos feridos, furiosos e com medo de ver a impunidade do império, mais uma vez, se adentrando no nosso solo, espalhando o medo, tentando dominar uma terra que por direito é livre e soberana. 

O mundo está com medo, e o medo paralisa, silencia. Mas a gente já passou por isto e já os superamos. O medo precisa ser convertido em um impulso de rebeldia. Não, a direita não é liderada por soldados corajosos do bem. No Brasil, a direita é liderada por uma família de milicianos corruptos e sem vergonha; na Argentina, por um psicopata delirante; e, nos Estados Unidos, por um possível pedófilo, possível abusador sexual, possível agressor de mulheres, empresário corrupto e disseminador de fake news, entre outras coisas.

Donald Trump, um sujeito repulsivo, acusado dos piores crimes que um ser humano pode ser acusado, não pode nos fazer esquecer quem ele é com um ataque covarde e desigual contra um país soberano. 

“Por trás de toda fortuna gigante, há grandes crimes ocultos”, disse um dos maiores escritores do século XIX. Por sorte, os de Donald Trump os vemos à plena luz do dia. 

Durante 4 anos, Bolsonaro se sentiu impune para executar um governo desumano; hoje chora preso e afastado do poder. O destino de Trump não será diferente do de todos os déspotas que a história humana teve o desprazer de presenciar.

Fonte: Brasil 247