ÁLISSON COELHO - Direto de Novo Hamburgo
O corpo do padre Jacinto Allebrandt, 57 anos, foi encontrado nesta segunda-feira em uma chácara em Brochier, interior do Rio Grande do Sul. Ele estava desaparecido desde a última quinta-feira e seu corpo foi achado parcialmente enterrado a 20 m da casa onde morava. A polícia aguarda a perícia para saber as causas da morte.
De acordo com titular da 2ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, delegado Cleomar Marangoni, a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte) não é descartada, mas é considerada remota. "O fato de o carro ter sido encontrado com as chaves e com os aparelhos celulares do padre e também de na casa haver vários eletroeletrônicos não roubados nos afasta dessa tese", afirmou o delegado.
Segundo a advogada Raquel Schneider, que defendia o padre em um processo por estelionato, Allebrandt vinha sendo ameaçado. "Ele recebia ligações não identificadas e era ameaçado de morte. Ele me contou isso há três semanas, quando nos reunimos. Ele estava diferente, visivelmente com medo", afirmou a advogada, que chegou a orientá-lo a procurar a polícia. O padre teria se negado "por não ter indícios para saber quem fazia as ligações".
Allebrandt entrou para a vida religiosa em 1986, mas estava afastado da igreja desde o início deste ano por motivos não divulgados pela Diocese de Montenegro, da qual fazia parte. Testemunhas chegaram a afirmar ter visto o padre pela última vez deixando seu sítio na madrugada de quinta-feira, acompanhado de um jovem não identificado.
"Mesmo assim, sempre acreditamos que ele sequer havia deixado a cidade", disse Cleomar Marangoni. O carro de Allebrandt foi encontrado abandonado na sexta-feira na cidade de Novo Hamburgo, região metropolitana de Porto Alegre. A polícia investiga o passado do padre, que respondia a processo por estelionato desde 1999. Em suas ocorrências também existem registros de ameaças sofridas pelo religioso. "Ele tinha uma vida bastante tumultuada", ressaltou o delegado.
Fonte: TERRA
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