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Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1955: Negra Rosa Parks se recusa a ceder lugar a um branco nos EUA

No dia 1º de dezembro de 1955, Rosa Parks se negou a ceder a um branco o seu assento num ônibus. O ato foi um marco no movimento antirracista nos Estados Unidos.


Em Montgomery, capital do Alabama, as primeiras filas dos ônibus eram, por lei, reservadas para passageiros brancos. Atrás vinham os assentos nos quais os negros podiam sentar-se. No dia 1° de dezembro de 1955, Rosa Parks tomou um desses ônibus a caminho do trabalho para casa e sentou-se num dos lugares situados ao meio do ônibus. Quando o motorista – branco – exigiu que ela e outros três negros se levantassem para dar lugar a brancos que haviam entrado no ônibus, Parks se negou a cumprir a ordem. Ela continuou sentada e, por isso, foi detida e levada para a prisão. 
O protesto silencioso de Rosa Parks propagou-se rapidamente. O Conselho Político Feminino organizou, a partir daí, um boicote de ônibus urbanos, como medida de protesto contra a discriminação racial no país. Martin Luther King Jr. foi um dos que apoiaram a ação. O ativista e músico Harry Belafonte lembra-se como sua vida mudou, após o dia em que King o chamou por telefone para pedir apoio à ação da mulher que ficou conhecida como a "mãe dos movimentos pelos direitos civis" nos EUA.
"A atitude de Rosa Parks nos permitiu reagir contra as pressões política e social que caracterizavam nossa sociedade. Quando  King me telefonou, me chamando para um encontro, comecei, pela primeira vez, a lutar oficialmente por essa causa. Quando nós nos vimos e falamos sobre seus planos, percebi que a partir dali eu me engajaria no movimento liderado por ele e Rosa Parks. Foi um momento muito importante", lembrou Belafonte.
Música e agressão
Poucos dias depois da atitude espontânea de Parks, milhares de negros se recusaram a tomar ônibus a caminho do trabalho. Enquanto as empresas de transporte coletivo começaram a ter prejuízos cada vez maiores, os negros andavam – caminhando muitas vezes vários quilômetros – acenando e cantando pelas ruas, sendo também frequentemente xingados e agredidos por brancos.
O boicote contou com o apoio de várias personalidades conhecidas, como a cantora de gospel Mahalia Jackson, que fez uma série de shows beneficentes para ajudar os ativistas do movimento que se encontravam presos. "Não seria honesto omitir que fiquei extremamente feliz por ser a primeira cantora de gospel a se apresentar no Carnegie Hall, em Nova York, e no Albert Hall, na Inglaterra. A verdadeira sorte para mim, no entanto, é poder cantar nas prisões para os que se encontram isolados do mundo", declara Jackson.
Medalha do Congresso
No dia 13 de novembro de 1956, a Corte Suprema norte-americana aboliu a segregação racial nos ônibus de Montgomery. Poucas semanas mais tarde, a nova lei entrou em vigor em Montgomery. Em 21 de dezembro de 1956, Martin Luther King e Glen Smiley, sacerdote branco, entraram juntos num ônibus e ocuparam lugares na primeira fila.
Em junho de 1999, o então presidente Bill Clinton condecorou Rosa Parks, então com 88 anos, com a medalha de ouro do Congresso norte-americano. Durante a cerimônia da condecoração, Clinton acentuou que Parks foi capaz de lembrar aos EUA que a promessa de liberdade vinha sendo apenas uma ilusão para milhares de cidadãos do país. Em seu discurso de agradecimento, Parks ressaltou que a homenagem deveria servir para encorajar todos os que lutam pela igualdade de direitos em todo o mundo.
Michael Kleff (sv)

Fonte: DEUTSCHE WELLE

Atestar que fundamentalista religioso é insano constitui redundância invevitável

Católico fundamentalista que matou 77 pessoas na Noruega é considerado insano por psiquiatras

O atirador norueguês Anders Behring Breivik, terrorista confesso, foi declarado insano por médicos psiquiatras que fizeram uma avaliação de sua condição mental a pedido da Justiça da Noruega.

Antes dos ataques, Anders divulgou um manifesto explicando os motivos que para ele, justificavam a ação. Ele afirmou ser membro de uma organização fundamentalista católica, chamada “Novos Pobres Cavaleiros de Cristo”, inspirada nos antigos Cavaleiros Templários.

Segundo o promotor Svein Holden, Anders “vive em seu próprio universo ilusório e seus pensamentos e atos são governados por esse universo”. O promotor afirma ainda que no dia 22 de Julho, quando Anders matou 77 pessoas, ele estava em uma situação mental que teria alterado sua capacidade de raciocínio, e vivendo a realidade desse “universo particular”, segundo informações do G1.
Inga Bejer Engh, uma outra promotora que trabalha no caso, afirmou que “se a conclusão final estabelecer que ele era irresponsável, ao término do processo solicitaremos ao tribunal que receba um tratamento mental obrigatório”. Inga acrescentou que esse tratamento pode ser “perpétuo”.
O relatório produzido pelos psiquiatras traz em 240 páginas detalhes dos treze encontros que tiveram com Anders, e será analisado pela comissão médico-forense, antes da decisão do Tribunal. Segundo a Folha de S. Paulo, o julgamento está marcado para o dia 16 de Abril de 2012 e tem previsão de durar dez semanas.

Fonte: Gospel+

Mensageiro da Paz: 'Benção de Toronto é farsa', diz ex-pastor do movimento



O jornal Mensageiro da Paz (órgão oficial das Assembléias de Deus no Brasil), cujo fundador é o apóstolo Gunnar Vingren, apresenta neste mês uma matéria de duas páginas sobre a carta do pastor Paul Gowdy (ex-líder da Igreja do Aeroporto de Toronto) sobre as aberrações que chamam de manifestações do Espírito.
O pastor canadense Paul Gowdy, um dos antigos líderes da Toronto Airport Christian Fellowship (Comunhão Cristã do Aeroporto de Toronto), mais conhecida como “Igreja do Aeroporto”, que disseminou alguns dos mais populares modismos perniciosos que infestaram o meio evangélico nos últimos anos, como “dente de ouro”, “unção do cai-cai”, “unção do riso”, etc., denunciou recentemente e arrependido a farsa dessas heresias e o que realmente aconteceu por trás da promoção desse falso avivamento. Inicialmente, a denúncia foi publicada só para um pequeno círculo de evangélicos, mas aos poucos começou a ser divulgada em grande escala nos EUA, especialmente a partir de fevereiro. Blogs e sites foram os grandes popularizadores do texto.

Fonte: NOTÍCIAS GOSPEL

Religiosos não confiam em ateus, afirma estudo

Comportamento

Para as pessoas que acreditam em Deus, ateus contam com um nível de confiança comparável ao de estupradores

desconfiado Desconfiança: para religiosos, ateus são pouco confiáveis, diz pesquisa (Thinkstock)

Quem acredita em Deus não confia em ateus, segundo estudo divulgado por psicólogos da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá. Por causa dessa desconfiança, diz a pesquisa, os religiosos desenvolvem contra os ateus um preconceito maior do que o endereçado a gays e fiéis de religiões diferentes da sua.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Do You Believe in Atheists? Distrust is Central to Anti-Atheist Prejudice

Onde foi divulgada: Journal of Personality and Social Psychology

Quem fez: Will Gervais, Ara Norenzayan e Azim Shariff

Instituição: Universidade da Columbia Britânica e Universidade de Oregon

Dados de amostragem: 350 americanos adultos e 420 estudantes canadenses

Resultado: Pessoas religiosas não confiam em ateus. Enxergam neles uma espécie de ameaça porque não acreditam em Deus.
A pesquisa, realizada no Canadá e nos Estados Unidos, foi motivada pelo resultado de uma pesquisa realizada pelo instituto Gallup, que constatou que apenas 45% dos americanos votaria em um candidato que admitisse ser ateu. O menor índice entre candidatos hipotéticos pertencentes a minorias. O estudo foi publicado na versão digital do Journal of Personality and Social Psychology.

"Onde há maiorias religiosas — isto é, na maior parte do mundo — os ateus estão entre as pessoas menos confiáveis", afirma um dos autores do estudo, Will Gervais, doutorando em psicologia na UCB. "Com mais de meio bilhão de ateus no mundo, esse preconceito tem o potencial de afetar um número substancial de pessoas", completa.

Os autores do estudo, que não encontraram as razões para tamanha desconfiança, conduziram uma série de seis pesquisas com 350 americanos adultos e 420 estudantes canadenses. Foram propostas perguntas e cenários hipotéticos aos participantes e a maioria achou que a descrição de uma pessoa não confiável é melhor representada por um ateu do que por cristãos, muçulmanos, gays, feministas ou judeus. Apenas criminosos, como estupradores, conseguiram um grau de desconfiança comparável com o dos ateus."Essa antipatia é impressionante, já que ateus não são um grupo social coerente, visível ou poderoso", afirma Gervais.

Para os pesquisadores, pessoas religiosas se importam com o comportamento de outros crentes. "A exteriorização da crença em Deus pode ser vista com um sinal de confiança, particularmente por outros religiosos que acham que as pessoas se comportam melhor se elas sentem que Deus está assistindo", diz a professora Ara Norenzayan, que participou do trabalho. "Enquanto os ateus podem ver sua descrença como um problema pessoal ou uma questão metafísica, crentes podem considerar a falta de crença pública dos ateus como uma ameaça à cooperação e à honestidade."

Fonte: VEJA

Líder católico confessa pedofilia com dezenas de crianças e diz que Igreja sabia

Líder católico revelou o nome de 57 crianças vitimadas por pedofilia com a conivência da Igreja

Um monge francês confessou nesta quarta-feira ter cometido atos de pedofilia durante vários anos em uma congregação ciente de suas atitudes, durante o primeiro dia do julgamento aberto contra ele em Rodez, na França. Pierre-Etienne Albert, que atualmente tem 60 anos e vive recluso em uma abadia, está sendo julgado por assediar 38 crianças de 5 a 14 anos entre 1985 e 2000.

No entanto, ele mesmo confessou que a lista é muito maior e revelou 57 nomes, mas muitos dos casos não serão julgados ou porque prescreveram ou porque não houve processo. Os abusos aconteceram na comunidade católica de Béatitudes, uma congregação que proclama a vivência alegre da fé e que está sendo investigada na França por possíveis tendências sectárias.

Albert, que escrevia as canções dos monges e dirigia os coros, viajou por vários centros da congregação e, graças a seus trabalhos, teve acesso a muitos menores, cometendo práticas de pedofilia confessas em tribunal, onde também pediu perdão a suas vítimas.

"Espero que encontrem consolo depois deste julgamento", disse o monge perante a corte e diante de muitas das vítimas que acudiram ao processo. Albert, que pode ser condenado a uma pena de até dez anos de prisão, declarou também que contou a seus irmãos de congregação os crimes pelos quais agora está sendo julgado.

Mesmo depois de seu relato, os membros da comunidade católica nada fizeram, nem mesmo o afastaram de suas funções que envolviam contato com as crianças. Nenhum dos responsáveis pela congregação admitiu os fatos e nenhum aparece como acusado, porque os delitos de ocultação de denúncia também já prescreveram.
 
Fonte: PRAGMATISMO POLÍTICO

Festa de clube de Berlim tem 'Pai Nosso' e mulher nua em uma cruz

 
Corpo escultural da atriz foi
reverenciado com uma oração
Durante a festa de aniversário do clube noturno Maxxim, de Berlim (Alemanha), na sexta-feira (25), um grupo de pessoas com roupas sadomasoquistas amarrou uma atriz pornô nua pintada de dourado em uma cruz e em torno dela dançou ao som de um  “Pai Nosso”.

A dança durou poucos minutos, mas a loira ficou na cruz por meia hora. A festa tinha cerca de 1.500 pessoas.

Cristãos criticaram o clube no Facebook pela blasfêmia.

Stefan Sellwich, gerente do Maxxim, disse que a performance foi uma iniciativa de frequentadores do clube e que sabia que ela ia ocorrer. Negou, contudo, que a intenção tenha sido ofender sentimentos religiosos.

Com informação do
Bild.

Foto de mulher nua ‘crucificada’ irrita católicos de Milão. 
novembro de 2008

Fonte: PAULOPES WEBLOG


ONGs criticam Código Florestal em conferência do clima na África

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA

Organizações ambientalistas internacionais acusaram o Brasil nesta quarta-feira de estar acendendo "uma verdadeira bomba de carbono" com a reforma do Código Florestal, deixando desprotegida uma área de florestas quase do tamanho de França e Reino Unido somados.
A CAN (Rede de Ação Climática, na sigla em inglês) afirmou em seu popular boletim "Eco", distribuído na conferência do clima de Durban, África do Sul, que as mudanças propostas na lei que será enviada dentro de algumas semanas para a presidente Dilma Rousseff comprometem as ações de redução de emissões de CO2 anunciadas pelo Brasil em 2009.
"O Brasil usou a redução nas taxas de desmatamento para justificar uma posição de liderança em temas ambientais", diz o boletim. "No entanto, a mera antecipação da mudança na lei aumentou o desmatamento."
O "Eco" afirma, ainda, que as mudanças no código criam uma situação "embaraçosa" para o Brasil, que sediará no ano que vem a conferência Rio +20, sobre desenvolvimento sustentável. "Nos corredores aqui em Durban, esses eventos estão causando uma consternação considerável."

Fonte: ESTADO DE SP

Mulheres são mais da metade dos médicos recém-formados no Brasil

Para pesquisadores, feminização na medicina acompanha o aumento de mulheres na população; Brasil segue tendência de outros países

Agência Brasil
Desde 2009, as mulheres representam mais da metade dos médicos brasileiros recém-formados. É o que revela a pesquisa Demografia Médica no Brasil, divulgada nesta quarta-feira, 30, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

Naquele ano, foram registradas 7.301 novas médicas no país, 50,23% do total. Em 2010, a taxa subiu para 52,4% do total, com 7.634 profissionais mulheres. Elas também são maioria entre os jovens profissionais da categoria com até 29 anos. Em 2011, dos 48.569 médicos nessa faixa etária, 53,3% eram mulheres ante 46,6% de homens.

Para os pesquisadores, a feminização na medicina acompanha o aumento de mulheres na população brasileira em geral e é também uma tendência em outros países. Um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 2007, revelou que a proporção de mulheres médicas, em 30 países estudados, cresceu 30% entre 1990 e 2005.No entanto, os homens estão em maior número entre os profissionais em atividade. Dos 351.779 médicos ativos no país, 206.639 são do sexo masculino (58,7%) e 145.140 são do feminino (41,2%). “Ao menos nas próximas décadas, o predomínio dos homens na medicina deve permanecer”, conclui a pesquisa.

Fonte: ESTADO DE SP

Maias previam retorno de um deus em 2012, e não o fim do mundo, diz estudo

DA EFE

As previsões dos maias para dezembro de 2012 não se referem ao fim do mundo, mas ao retorno do deus Bolon Yokte, que voltaria ao término de uma era e ao começo de outra, segundo uma nova interpretação divulgada nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) do México.

Os especialistas Sven Gronemeyer e Barbara Macleod, da Universidade da Trobe (Austrália), divulgaram uma nova interpretação das inscrições maias do sítio arqueológico de Tortuguero, durante a 7ª Mesa Redonda de Palenque, realizada no estado mexicano de Chiapas.

A data de 21 de dezembro de 2012 citada nas inscrições do povo indígena maia gerou diversas especulações sobre supostas "profecias maias do fim do mundo", versão que foi rejeitada pelos arqueólogos e epigrafistas.

Segundo os especialistas, os maias criaram um calendário com base em um período de 400 anos, denominado Baktun. Cada era é composta por 13 ciclos de 400 anos, que somavam 5.125 anos, e, segundo a conta, a era atual concluiria em dezembro de 2012.

Efe
Representações gráficas do deus maia Bolon Yokte
Representações gráficas do deus maia Bolon Yokte
Gronemeyer explicou que, de acordo com a visão maia, no final de cada era, completava-se um ciclo de criação e começava outro. Nesta inscrição, menciona-se que 21 de dezembro "seria investida a deidade Bolon Yokote", um deus vinculado à criação e à guerra, que participou do começo da atual era, iniciada em 13 de agosto do ano 3.114 a.C.

O epigrafista alemão indicou que essa inscrição está ligada à história da cidade maia de Tortuguero, na qual se cita o governante Bahlam Ajaw (612-679 d.C.) como futuro participante de um evento do final da era atual.

O texto de caráter narrativo, segundo Gronemeyer, mostra que os governantes maias deveriam "preparar o terreno para o retorno do deus Bolon Yokte, e que o Bahlam Ajaw seria o anfitrião de sua posse".

Conforme este prognóstico, o deus Bolon Yokte presidiria o nascimento de uma nova era, que deverá começar em 21 de dezembro de 2012, e supervisionaria o fim da era atual.

"A aritmética do calendário maia demonstra que o término do 13º Baktun representa simplesmente o fim de um período e a transição para um ciclo novo, embora essa data seja carregada de um valor simbólico, como a reflexão sobre o dia da criação", comentou Gronemeyer.

O epigrafista mexicano Erik Velásquez disse que, para os escribas maias, a história como uma narração de eventos humanos foi uma preocupação secundária. Eles se centravam nos rituais de qualquer tipo, por isso, "as inscrições mostram relações complexas entre o tempo, as esculturas e os prédios".

"Na antiga concepção maia, o tempo se construiu tal como as esculturas e os prédios que as continham, os períodos tinham consciência, vontade, personalidade e se comportavam como humanos", acrescentou Velásquez.

Fonte: FOLHA DE SP

Juízes preparam greve para hoje por reajustes de vencimentos

 

Les Gens de Justice
Daumier: Les Gens de Justice

Ontem, terça-feira (29), estive com o magistrado antimáfia Roberto Scarpinato na favela Dona Marta, a primeira a receber uma unidade pacificadora.
Scarpinato integra a magistratura do Ministério Público. Ele comanda um pool de juízes designados para realizar a repressão e apreensão, em todo o planeta, de capitais da Máfia siciliana.
No período de 2006 a 2010 (quatro anos), Scapinato e sua equipe conseguiram apreender e repatriar para a Itália US$ 8 bilhões. No Brasil, o ex-banqueiro Cacciola continua com o bolso a salvo. E o juiz apelidado Lalau permanece, da sua mansão-presídio no aristocrático bairro do Morumbi, a lutar, com apoio de advogados brasileiros e estrangeiros, para evitar a apreensão e a repatriação de parte do patrimônio sem origem conhecida. O mesmo sucede com Paulo Maluf que, se sair do Brasil, será preso por mandado internacional de prisão por de lavagem de dinheiro.
Na favela Dona Marta, onde anos atrás o cantor Michael Jakson pagou a Marcinho VP para gravar um clip no local, o magistrado Scarpinato elogiou a implantação da unidade pacificadora. Mas ele ficou horrorizado com a pobreza que impera no lugar. Mais ainda, perguntou se os moradores, cerca de 8 mil, não se rebelavam. Coube-me revelar ao referido Scarpinato o compromisso da presidente Dilma com a erradicação da miséria.
Num país que luta para erradicar a miséria com programas de bolsas às famílias carentes, os magistrados das Justiça Federal e do Trabalho poderão, no dia de hoje, cruzar os braços. Isto para  reivindicar  correção nas remunerações. Serão seguidos pelos serventuários da Justiça.
Os juízes, para justificar essa pretensão, lembram da garantia estabelecida a eles na Constituição da República, ou seja, a garantia da irredutibilidade dos vencimentos.
Por outro lado, com relação à greve, não deveriam esquecer a obrigação fundamental de não se denegar Justiça. Quando são adiadas audiências e postergadas decisões por greve de magistrados se está, data venia entendimentos contrários, a denegar Justiça.
Por outro lado, o que se nota é que os magistrados, nas questões de bolso, não percebem seu descrédito junto à sociedade civil.
Não se deve esquecer as inúmeras e pesadas críticas recebidas pelo ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal, que, há pouco, encaminhou ao Legislativo um anteprojeto de lei sobre a revisão dos vencimentos da magistratura, a saltar de brutos R$ 26.723 para R$ 30.675.
A novidade desse projeto de Peluso prende-se à possibilidade futura — por meio de Ato Administrativo do próprio Judiciário — de reajustes automáticos para compor perdas inflacionárias. Com isso, pretende-se ressuscitar em prol de todos os magistrados, da ativa e aposentados, o “gatilho salarial”, de triste memória. Para completar, o procurador-geral da República encaminhou, a beneficiar o Ministério Público Federal, igual anteprojeto ao Legislativo.

Pano Rápido. Com a greve programada para hoje, os magistrados federais e trabalhistas pretendem colocar pressão para se solucionar com maior rapidez uma questão de “bolso de toga”, num Brasil que luta para erradicar a miséria e numa Europa mergulhada em crise econômica, com elevado índice de desemprego, e com salários e pensões sendo rebaixados.

Wálter Fanganiello Maierovitch

Fonte: portal TERRA

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Contraponto:

Greve da magistratura

O dia em que a magistratura parou

Deflagrada a mobilização da Magistratura federal neste emblemático dia 30 de novembro— mas, digo de chofre, com amplo respeito ao jurisdicionado, que terá pronto atendimento nas tutelas de urgência —, e diante de tudo aquilo que tem sido democraticamente debatido em toda a imprensa nacional nas últimas semanas, sirvo-me deste espaço para apresentar a você, leitor, um breve extrato das razões da Magistratura. Para a sua reflexão, apenas; não para a polêmica. Porque todas as escolhas são democráticas (ou não são escolhas); e todos os debates também o são (ou não são debates). Ouvir primeiro, condenar depois, é a primeira lição que se aprende nas fileiras do Poder Judiciário.
Sobre o movimento que hoje se deflagra, algumas coisas precisam ser ditas e bem entendidas. Ainda que não se concorde com este grito de socorro, estridente e absolutamente indesejado (indesejado, diga-se, por parte dos próprios juízes), é preciso ao menos entendê-lo. É só o que pedimos ao grande público. Vejamos.
(a)O movimento é justo. Os juízes do Trabalho amargam perdas inflacionárias que ultrapassam 22%, considerando-se a reposição parcial obtida em 2009 (9%). Esse estado de coisas viola a Constituição Federal, que estabelece o dever da União em revisar anualmente os subsídios da Magistratura, como se lê textualmente na parte final do art. 37, X, da Constituição Federal.
Dir-se-ia que essa garantia estende-se a todos os servidores públicos, o que é verdadeiro. Mas, no caso da Magistratura nacional, a corrosão da capacidade de compra da moeda representa, em modo oblíquo, uma violação à garantia da irredutibilidade de subsídios (art. 95, III, da CRFB). E as prerrogativas da Magistratura, que asseguram a autonomia das decisões e a independência dos juízes (porque a nossa missão envolve, não raro, desagradar os poderosos), interessam ao próprio Estado Democrático de Direito. Não digo isto em tom panfletário.
Acreditamos nesta relação. Acreditamos, portanto, que lutamos por algo nobre — tanto mais quando a isso se agregam as questões relacionadas à previdência pública (prestes ao desmonte parcial, e para todo o serviço público, à mercê do Projeto de Lei n. 1.992/2007, tramitado a toque de caixa pelo Governo Federal), à saúde e à segurança pessoal e institucional dos juízes (quatro juízes assassinados nos últimos dez anos, sendo que aos contextos de ameaça e necessidade geralmente se opõe o mesmo e inacabado argumento: “não há efetivo policial”). Quem confiaria em um juiz que, nos atos da sua vida privada ou nas refregas do seu dia-a-dia, deixa-se espoliar? Em um juiz que, violentado em seus direitos, não protesta pela sua preservação? Que não lute por suas garantias institucionais? E, se juramos cumprir a Constituição, não tenham dúvidas: essa também é uma maneira de fazê-la cumprir.
(b) O movimento é ético. Os juízes do Trabalho não vão simplesmente “parar”, no sentido etimológico da palavra. Não deixarão a população padecer de inanição judiciária, lançada à própria sorte. Redesignarão audiências, é verdade; mas o farão para breve, de modo a causar mínimo prejuízo. E estarão todos, necessariamente,nos fóruns e unidades judiciárias, em todo o Brasil, atendendo a partes e advogados nas demandas por tutelas de urgência. Ausentar-se-ão, quando muito, para a participação em atos públicos nos quais essas circunstâncias sejam esclarecidas com transparência. Porque é agora preciso o diálogo com a imprensa e a sociedade civil, já que o diálogo com os demais poderes da República não apresentou quaisquer frutos até aqui.
(c) O movimento é Constitucional. O recurso à paralisação é a consumação de um derradeiro ato de resistência legítima, ínsita à própria natureza humana (art. 8º, n. 1, "d", do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais das Nações Unidas), quando outros instrumentos não se revelam mais viáveis. A Constituição só o nega às carreiras militares (art. 142, §3º, IV, da CF); e a norma constitucional restritiva há de ser interpretada restritivamente.
A Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho, por sua vez, garante aos servidores públicos em geral “os direitos civis e políticos essenciais ao exercício normal da liberdade sindical, sujeitos apenas às obrigações decorrentes de seu regime jurídico e da natureza de suas funções”, o que evidentemente inclui o máximo direito de resistência no campo profissional (e o que faremos, diga-se, não realiza em toda a plenitude o que prevê o art. 9º da Constituição, ao tratar do direito de greve). A defesa das prerrogativas da Magistratura não pode, sem mais, ser equiparada a “sentimento ou interesse pessoal” para quaisquer efeitos. Luta-se pelo cumprimento da Lei Maior. Não há nisso, afinal, interesse público?
(d) O movimento é necessário. O Poder Judiciário brasileiro está à mercê da boa vontade dos demais Poderes da República, conquanto pudesse não estar. Tramita no Supremo Tribunal Federal o Mandado de Injunção n. 4067/2011, ajuizado por inúmeras entidades de classe que compõem a Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (FRENTAS), além da própria Associação dos Magistrados do Brasil (AMB). A Magistratura acreditou no tirocínio dos Ministros do STF e recorreu à sua instância mais eminente, no afã de assegurar aos juízes o que os juízes asseguram aos cidadãos: o cumprimento das leis e da Constituição. Frustrou-se, porém, também lá.
Não há nada mais difícil do que mobilizar juízes para um protesto como este, do dia 30/11, que apenas por existir já é histórico. As defecções iniciais a qualquer movimento mais drástico, em todas as regiões do país, bem o demonstra. Se chegamos até aqui, é porque não nos foi dada alternativa. Todos os outros apelos — ao Poder Executivo, ao Poder Legislativo e ao próprio Poder Judiciário — foram baldados.
 (e) O movimento é de todos. Parecerá inconsistente ou demagógico, mas preciso dizê-lo. A mobilização deste dia 30/11 serve, afinal, ao interesse de todos. Serve, sim, ao interesse dos juízes— o de que se cumpra a Constituição onde ela os favorece. Mas o que reivindicamos assegurará que os juízes de amanhã integrem uma carreira digna, plena de garantias, para a defesa intimorata dos direitos do cidadão e da sociedade. Mais que isso, assegurará uma carreira profissionalmente interessante, mesmo aos olhos dos melhores bacharéis. Logo, uma Magistratura de excelência. Por isso, ouso dizer: a mobilização de 30/11 interessa a toda a sociedade civil.
Já não causa espanto, hoje em dia, o fato de as fileiras da Magistratura perderem quadros para outras carreiras de Estado, como a própria advocacia pública. Isso porque, diversamente das carreiras estruturadas mais recentemente, os direitos assegurados aos juízes constam de alguns poucos artigos da Constituição e da nossa antiga lei orgânica, que data da década de setenta (Lei Complementar n. 35/1979) — e tem foros de taxatividade. Mas é preciso insistir: não pedimos nem mais, nem menos. Neste momento, a Magistratura pede tão somente o que já consta destes textos e lhe tem sido negado.
Que um dia como o de hoje nunca mais seja necessário. Mas que, pelo sacrifício que se imporá a todos (juízes e cidadãos), um dia lembremos apenas vagamente destes tempos obscuros em que a própria Magistratura nacional precisou recorrer à resistência coletiva para denunciar publicamente a sonegação de seus direitos. E com pesar se diga: naquele tempo, não eram mais a última trincheira.

Guilherme Guimarães Feliciano é juiz do Trabalho e membro da Comissão Legislativa da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho

Revista Consultor Jurídico, 30 de novembro de 2011