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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Petrobrás propõe pagamento de US$ 2,95 bi para encerrar ação nos EUA


A proposta para o encerramento da ação é pagar o montante em três parcelas, sendo duas de US$ 983 milhões e a última de US$ 984 milhões


Luana Pavani, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2018 | 08h37

A Petrobrás propõe um acordo para encerrar a ação coletiva movida por investidores nos Estados Unidos, com o pagamento de US$ 2,95 bilhões. Esse valor impactará o resultado do quarto trimestre de 2017, explica a companhia. O acordo será submetido à apreciação do juiz da Corte Federal de Nova York.

Com essa proposta elimina-se o risco de um julgamento desfavorável, "o que poderia causar efeitos materiais adversos à companhia e a sua situação financeira" e "põe fim a incertezas, ônus e custos associados à continuidade dessa ação coletiva", segundo expõe a petroleira em nota ao mercado, divulgada nesta manhã de quarta-feira, 3.

+ Com Repetro, Petrobrás economiza R$ 21 bilhões
Petrobrás reforça sua condição de vítima do esquema e diz ter recuperado R$ 1,475 bi no Brasil Foto: Marcos Arcoverde/Estadão



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A proposta para o encerramento da ação é pagar o montante em três parcelas, sendo duas de US$ 983 milhões e a última de US$ 984 milhões. A primeira parcela será paga em até dez dias após a aprovação preliminar do juiz, a outra em até dez dias após a aprovação final e a terceira em até seis meses ou 15 de janeiro de 2019, o que ocorrer por último.

A Petrobrás reforça sua condição de vítima do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, do qual diz ter recuperado R$ 1,475 bilhão no Brasil até o momento. "O acordo não constitui reconhecimento de culpa ou de prática de atos irregulares pela Petrobrás. No acordo, a companhia expressamente nega qualquer responsabilidade. Isso reflete a sua condição de vítima dos atos revelados pela Operação Lava Jato, conforme reconhecido por autoridades brasileiras, inclusive o Supremo Tribunal Federal", afirma em fato relevante.

Segundo o comunicado, as partes pedirão à Suprema Corte norte-americana que adie, até a aprovação final do acordo proposto, a decisão quanto à admissibilidade de recurso apresentado pela Petrobrás, o que estava previsto para o dia 05/01.

"O acordo atende aos melhores interesses da Companhia e de seus acionistas, tendo em vista o risco de um julgamento influenciado por um júri popular, as peculiaridades da legislação processual e de mercado de capitais norte-americana, bem como o estágio processual e as características desse tipo de ação nos Estados Unidos, onde apenas aproximadamente 0,3% das class actions relacionadas a valores mobiliários chegam à fase de julgamento", informa a companhia.


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Rádio Ratones - Música (piano)


Rádio Ratones - Música - Sobre o "punto cubano"

Punto cubano é declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

Estilo musical surgiu entre os espanhóis assentados no século XVII nos campos

 As décadas de 1940 e 1950 são consideradas

As décadas de 1940 e 1950 são consideradas "a Era de Ouro do Punto Cubano" | Foto: Juan Carlos Borjas / Conselho Nacional de Casa de Cultura de Cuba / Divulgação / CP

  • AFP e Correio do Povo

O punto cubano, expressão poética e musical cubana, foi declarado nesta quarta-feira como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, anunciou a UNESCO na sua conta oficial do Twitter. Também conhecida como "guajiro", esta arte nasceu entre os espanhóis assentados no século XVII nos campos. Realizado com instrumentos de cordas, foi enriquecido ao longo dos anos com outros ritmos nascidos em Cuba, como a guaracha e o son cubano.
Todos os domingos às 19h, os amantes desse estilo campesano entram no programa de televisão "Palmas y Cañas", que desde 1962 reproduziu uma divertida "Guateque" (festa) que se baseia no punto cubano. Por lá, passaram os melhores expoentes dessa música, quase todos mortos, como Celina Gonzalez, Ramon Veloz, Coralia Fernandez, Inocente Iznaga, a dupla Los Compadres, formado por Lorenzo Hierrezuelo e Francisco Repilado, o famoso Compay Segundo.
O punto cubano nasceu entre os espanhóis assentados no século XVII nos campos de Cuba, os quais, com instrumentos de cordas, cantavam sobre a vida rural, a nostalgia, o amor, tomando o décimo (composições de 10 versos) como a base da criação. Mas a música "guajira" foi enriquecida com outros ritmos nascidos na ilha.
As décadas de 1940 e 1950 são consideradas "a Era de Ouro do Punto Cubano", que se tornou popular graças ao rádio, à televisão e à indústria discográfica. Os instrumentos mais comuns em sua execução são o alaúde, o violão, o contrabaixo, o clave, o güiro e a bateria. O mais atraente é a controvérsia, uma espécie de duelo cantado entre duas pessoas, que improvisam os textos, e que normalmente termina com uma reconciliação e um abraço. Os dois percursionistas mais famosos foram Justo Vega e Idelfonso Alfonso, que durante mais de 30 anos entretiveram os espectadores de "Palmas y Cañas", com suas controvérsias espirituosas.

Fonte: http://correiodopovo.com.br

Manipulação dos direitos humanos no discurso político estadunidense

EM 10 de dezembro de 1948, a ONU proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas, como bem apontou Fernando Martínez Heredia



Em 10 de dezembro de 1948, a ONU proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas, como bem apontou Fernando Martínez Heredia, desde seu próprio título esta foi «enganosa e pretensiosa», pois «como tencionava ser “universal” se negou a reconhecer a igualdade entre as nações, para não condenar a imensa ferida mundial que era o colonialismo, essa tamanha culpa da modernidade capitalista que, para desenvolver seu sistema e multiplicar seus avanços, saqueou a fundo, esmagou culturas, escravizou milhões de pessoas, destroçou formas de vida e de produção, explodiu sem taxa o trabalho, prostituiu organizações sociais e erodiu o meio ambiente em escala universal… Ao negar-se a denunciar o colonialismo e o neocolonialismo, aquela mesquinha Declaração não levou em conta a maioria do mundo e também não os artigos 1º e 55º da própria Carta das Nações Unidas». 1

Em 1966, a ONU aprovou o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais, que proclamou em seu artigo 1º o direito de todos os povos à sua livre determinação, sua livre condição política e seu desenvolvimento econômico, social e cultural. «Em nenhum caso – dizia o artigo 2º – povo algum poderia ser privado de seus próprios meios de subsistência».

Junto a este instrumento foi aprovado, também, o Pacto sobre direitos civis e políticos, mas ambos tiveram que esperar dez anos para que entrassem em vigor. 2

Já desde a época em que James Carter era presidente dos Estados Unidos (1977-1981) o tema dos direitos humanos foi utilizado por Washington como instrumento de política exterior e ponta de lança para impor seu esquema de dominação a Cuba – como parte de uma estratégia muito mais ampla, encaminhada contra o sistema socialista em nível mundial – atingindo níveis de virulência durante a administração de Ronald Reagan. Isso foi assim, ao tempo que pouco importou a estas administrações a violação dos direitos humanos por parte de ditaduras sangrentas, em diversos recantos do mundo, entretanto os governos destes países foram fiéis aos interesses dos Estados Unidos, especialmente na luta contra o comunismo.

Em 26 de julho de 1978, Fidel fez uma das intervenções mais críticas contra a retórica sobre os direitos humanos que, em boa medida, estava apontada contra a Revolução Cubana. Na ocasião, o Comandante-em-chefe expressou:

«Com que moral podem falar de direitos humanos os governantes de uma nação onde convivem o milionário e o pedinte, o indígena é exterminado, o negro é discriminado, a mulher é prostituída e grandes massas de chicanos, porto-riquenhos e latino-americanos são desprezados, explorados e humilhados?»

«Como podem fazer isso os chefes de um império onde se impõem a máfia, o jogo e a prostituição infantil, onde a CIA organiza planos de subversão e espionagem universal, e o Pentágono cria bombas de nêutrons capazes de preservar os bens materiais e liquidar os seres humanos, um império que apoia a reação e a contrarrevolução no mundo todo, que protege e estimula a exploração, por parte dos monopólios, das riquezas e os recursos humanos em todos os continentes, a troca desigual, uma política protecionista, um esbanjamento incrível de recursos naturais e um sistema de fome para o mundo?»

«Como podem fazer isso os representantes de uma sociedade capitalista e imperialista, cuja essência é a exploração do homem pelo homem e com ela o egoísmo, o individualismo e a ausência total de solidariedade humana?

«Como podem mostrar esse slogan aqueles que treinam e fornecem militarmente os governos mais reacionários, corruptos e sangrentos do mundo, como os de Somoza, Pinochet, Stroessner, os gorilas do Uruguai, Mobuto e o Xá, do Irã, para citar só alguns casos?»

«Como podem falar de tais direitos os que mantêm estreitas relações com os racistas da África do Sul, que oprimem, discriminam e exploram 20 milhões de africanos; os que fornecem vultosas quantidades de sofisticadas armas aos agressores sionistas que desalojaram ao povo palestino de suas terras e se negam a devolver aos países árabes os territórios arrebatados pela força?»
«Como pode falar, enfim, de direitos humanos, o governo imperialista que mantém uma base militar pela força em nosso território e submete nosso povo a um bloqueio econômico criminal?». 3

Esta dupla moral que caracterizou a política externa dos Estados Unidos em relação aos direitos humanos teve que ser reconhecida – ainda que de maneira muito laxa – pela ex-secretária de Estado Hillary Clinton, da seguinte maneira:

«A defesa da democracia e os direitos humanos foi o coração de nossa liderança global durante mais de meio século embora, ocasionalmente, tenhamos transigido respeito a esses valores, em benefício de interesses estratégicos e de segurança e, inclusive, apoiando ditadores anticomunistas moralmente objetáveis, durante a Guerra Fria, com diversos resultados». 4

Essa situação não mudou muito atualmente, os duplos padrões com que os Estados Unidos julgam outras nações pelo tratamento dos direitos humanos continuam tendo as mesmas lógicas da Guerra Fria. Só assim é possível se explicar por que os Estados Unidos atacam Cuba e Venezuela e, contudo, calam sobre a situação dos direitos humanos em países nos quais, com muita frequência, jornalistas são assassinados, aparecem valas comuns com centenas de cadáveres, pratica-se o crime político, a execução extrajudicial, o desaparecimento forçoso, reprimem-se as manifestações com gases lacrimogêneos, armas de fogo e balas de borracha, e até pode que jamais seus cidadãos tenham votado nas eleições. Isso só pode levar-nos a uma conclusão: a preocupação fundamental de Washington jamais foram os direitos humanos, mas sua hegemonia. Por outro lado, é impossível que um regime imperialista como o dos Estados Unidos, possa promover fora de suas fronteiras a democracia e os direitos humanos que não garante aos seus próprios cidadãos.

A concepção burguesa potencia uma abordagem meramente individualista sobre os direitos humanos5, esguelhando os deveres das pessoas com o resto da sociedade e, inclusive, ignorando o âmbito coletivo de desfrute de alguns direitos, como o dos povos à paz, ao desenvolvimento, à livre determinação e à solidariedade internacional. É sob essa lógica que em Cuba foram violados, durante mais de 50 anos, os direitos humanos e não precisamente pelo governo da Ilha – como continuamente denuncia a mídia ocidental – mas pelo governo dos Estados Unidos, que praticou um genocídio contra o povo cubano desde 1962, quando foi decretado o bloqueio econômico, comercial e financeiro, com o propósito de criar fome, desespero e o derrocamento do governo revolucionário.

Esse bloqueio constitui uma violação em massa, flagrante e sistemática dos direitos humanos, em virtude do que estabelecem os artigos 1º e 2º do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais. Os números dos danos econômicos são astronômicos, mas os danos humanos causados são incalculáveis e impossíveis de ressarcir. Aos que se somam 3.400 óbitos e 2.099 deficientes, devido a outras agressões e atos terroristas auspiciados por diversas administrações estadunidenses contra Cuba a partir do triunfo da Revolução.

Por acaso o governo dos Estados Unidos não está violando o mais elementar direito humano à vida quando impede, através do bloqueio, que Cuba compre os medicamentos que salvariam ou aliviariam o sofrimento de crianças cubanas com diferentes padecimentos. Por acaso não são violados, inclusive, os direitos humanos dos cidadãos estadunidenses quando são impedidos de viajar livremente a Cuba?

E é que os direitos humanos são universais, indivisíveis e interdependentes, algo que «esquecem» continuamente as potências ocidentais, especialmente os Estados Unidos, pois a concepção burguesa dos direitos humanos supostamente «privilegia» os direitos civis e políticos, em detrimento dos direitos econômicos, sociais e culturais. Como poderia um analfabeto ou um indigente votar ou exercer o direito à liberdade de expressão? Não é possível falar de democracia e direitos humanos sem justiça social.

Se algum dia os Estados Unidos abrissem mão da política de instrumentalização dos direitos humanos em Cuba, como parte de sua estratégia de mudança de regime e se dedicassem a pensar seriamente como ajudar a garantir esses direitos humanos na Ilha, em seu próprio país e no mundo, não apenas poria fim de imediato ao bloqueio econômico, mas que encontraria a 90 milhas de suas costas o melhor aliado para enfrentar o grande desafio que hoje significa poder assegurar os direitos humanos a milhões de pessoas, especialmente o mais elementar deles, o direito à vida, hoje mais ameaçado do que nunca.

(Extraído do livro 5 temas polêmicos sobre Cuba, Ocean Sur, 2016)

China construirá parque tecnológico para inteligência artificial


2018/01/03
Beijing, 3 jan (Xinhua) 

Um parque de tecnologia dedicado ao desenvolvimento da inteligência artificial será construído em Beijing em cinco anos, declararam as autoridades.
O parque, que se localizará no distrito de Mentougou no oeste de Beijing, ocupará 54,87 hectares, informou o jornal Beijing News, citando um plano publicado pelas autoridades de Mentougou na terça-feira.
Com um investimento estimado de 13,8 bilhões de yuans (US$ 2,1 bilhões), o parque deve atrair cerca de 400 empresas, com um valor de produção anual de 50 bilhões de yuans (US$ 7,7 bilhões).
O parque destacará o desenvolvimento de áreas como big data de supervelocidade, computação na nuvem, identificação biométrica e aprendizagem profunda. Sua infraestrutura tecnológica inclui uma rede móvel 5G, um supercomputador e serviços na nuvem.
A incorporadora do parque, uma empresa do Grupo de Desenvolvimento Zhongguancun, procurará parceria com universidades, institutos de pesquisa e grandes empresas chinesas e estrangeiras para criar vários centros de pesquisa no parque, incluindo um laboratório de inteligência artificial a nível nacional. 

Fonte: http://br.china-embassy.org

Fé demais não cheira bem: como as igrejas evangélicas lavam dinheiro.


Por  Joaquim de Carvalho
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/fe-demais-nao-cheira-bem-como-as-igrejas-evangelicas-lavam-dinheiro-por-joaquim-de-carvalho/



O uso de igrejas como canal de lavagem de dinheiro não é propriamente uma novidade. Mas, com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o depósito de R$ 250 mil numa conta da Assembleia de Deus, a lavagem de dinheiro alcançou uma igreja tradicional, fundada no Brasil há mais de cem anos.

“É impossível auditar as doações dos fiéis. E isso é ideal para quem precisa camuflar o aumento de sua renda, escapar da tributação e lavar dinheiro do crime organizado”, diz o desembargador Fausto de Sanctis, aquele da operação Satiagraha, um dos maiores especialistas brasileiros estudos sobre lavagem de dinheiro.

O desembargador De Sanctis lançou nos Estados Unidos uma obra sobre o tema: “Churches, Temples, and Financial Crimes” – A Judicial Perspective of the Abuse of Faith (Igrejas, Templos e Crimes financeiros – Uma perspectiva judicial do abuso de fé).

A obra ainda não foi traduzida para o português, mas trata das investigações policiais realizadas no Brasil, entre elas a da Universal do Reino de Deus, a Igreja Mundial do Poder de Deus e a Renascer em Cristo, igrejas grandes, mas com menos de 40 anos de história.

O dono de uma grande incorporadora de Santana, Zona Norte de São Paulo, contou-me que há alguns anos vendeu uma cobertura para o líder da Igreja Deus É Amor e teve muito trabalho, não para receber, porque o pastor pagou em dinheiro vivo, mas para passar a escritura no nome dele.

“Ele não queria de jeito nenhum. Passaram-se alguns anos até que eu disse: pastor, não dá mais”, contou o empresário. Só assim a cobertura saiu do nome da incorporadora e foi para o do pastor David Miranda, falecido recentemente.

O poder das igrejas tem levado a disputas ferrenhas, no caso daquelas que promovem algum tipo de processo eleitoral para escolher sua direção.

Um pastor com direito a voto numa grande igreja evangélica me disse que, quando havia eleição, evitava beber água no local de votação, com medo de que algum adversário tivesse colocado sonífero.

Na igreja de Eduardo Cunha, este problema não existe mais. Manuel Ferreira, líder nacional da Assembleia de Deus – Ministério Madureira, mudou o estatuto há alguns anos e transformou a presidência num cargo vitalício.

Assim, ele e os filhos — Abner, que comanda a igreja no Rio de Janeiro, e Samuel Ferreira, o chefe em São Paulo –, só deixarão o posto depois de mortos e serão sucedidos pelos filhos.

A vitaliciedade e hereditariedade não impedem que os Ferreira participem ativamente da atividade democrática externa. Um missionário da igreja, Samuel Aragão, gravou um vídeo em que diz que o apoio nas eleições é em troca de cargos no governo e de outras vantagens.



Em 2012, na eleição para vereador, Samuel Ferreira dividiu São Paulo em regiões e as entregou a candidatos de vários partidos, nem todos evangélicos. Em 2014, a igreja fez campanha para alguns deputados federais. No Rio de Janeiro, um deles era Eduardo Cunha.

Samuel Ferreira se apresenta com roupas de grifes e, em seus deslocamentos pelo Brasil, utiliza avião particular, nada de voos comerciais. Há 10 anos, Ferreira era o responsável pela igreja em Campinas.

Ganhou poder, ao ser escolhido para governar a igreja no Estado, e perdeu peso, com uma redução no estômago que eliminou metade dos seus quase 150 quilos. Em Campinas, quem manda agora é o filho, nomeado pastor, apesar de bastante jovem.

Com mais de cem anos de história, a Assembleia de Deus comandada pela família Ferreira é uma dissidência da Assembleia de Deus original, chamada Missão.

Nesta Assembleia de Deus, existe eleição, mas desde 1988 ninguém bate o pastor José Wellington. Dois filhos de José Wellington estão na política. A filha é deputada estadual em São Paulo e o filho, deputado federal.

“O que as lideranças das igrejas querem é o poder, e nenhuma aliança na Assembleia de Deus é feita de graça”, contou-me ex-deputado federal eleito muitas vezes com o apoio das igrejas evangélicas.

A promiscuidade das igrejas com o poder não é exclusiva do universo evangélico. Nessa história, se feito um exame de DNA, a paternidade será encontrada na Igreja Católica – até porque é muito mais antiga –, citada no livro do desembargador Fausto de Sanctis sobre lavagem de dinheiro por causa do escândalo do banco do Vaticano.

O papa Francisco fez lá uma limpa recentemente. Mas essa limpeza vai durar até quando? Num ambiente religioso, a fé pode não mover montanhas, mas é usada para comprar todo tipo de riquezas.

Serve também para vender o voto do eleitor, e agora, como indica o depósito da propina na conta da Assembleia de Deus, negociar o poder de lavar mais branco.
 
Fonte: PRAVDA RU BR

Evo Morales destaca independência econômica boliviana do FMI

“Caminhamos para uma indianização do Brasil” – 2017, o ano que não deveria ter existido


31.12.2017
 
“Caminhamos para uma indianização do Brasil” – 2017, o ano que não deveria ter existido. 27953.jpeg
“Caminhamos para uma indianização do Brasil” – 2017, o ano que não deveria ter existido
por Ricardo Antunes
entrevistado por Gabriel Brito

O Brasil termina o ano com a cara no chão. Desolado, fraturado, repleto de ressentimentos e sem nenhuma perspectiva para o próximo período. Na entrevista que encerra o ano, o Correio da Cidadania conversou com o sociólogo do trabalho Ricardo Antunes, professor e pesquisador da Unicamp. Para definir o momento, ele atualiza o conceito da “contrarrevolução preventiva”, alusão ao golpe militar de 1964 e que ocorre em escala global, ainda que não vivamos uma era revolucionária.

“Uma derrota profunda dos movimentos populares, sociais, dos partidos de esquerda, dos trabalhadores e até da luta democrática. Vivemos no Brasil de hoje um ‘Estado de Direito de Exceção’. E isso significa que a justiça burguesa é conivente com tal estado e o aparato repressivo usado violentamente”, resumiu.

Ainda que não haja mal que dure para sempre, não será fácil criar as articulações necessárias contra o referido “estado de exceção permanente” que se desenha, onde se reforçam, no caso brasileiro, a “politização do judiciário e a judicialização da política”.
Mesmo porque, nas fileiras que poderiam liderar as pautas favoráveis à população que vive do trabalho, o peleguismo das centrais sindicais atinge patamares inacreditáveis, como novamente se viu na greve que não houve neste começo de dezembro.

“Lula insiste que para governar o Brasil deve-se aliar a deus e ao diabo na terra do sal. Obviamente, isso deslegitimou o PT. Perguntam: ‘mas por que o Lula tem tanta intenção de voto?’ Porque a população sabe que entre os equívocos cometidos pelo PT e a devastação social do Temer há alguma diferença. Há uma diferença na desmontagem mais ‘suave’ e a brutalidade da devastação de Temer”, explicou.

O quadro é duríssimo e as marcadas divisões sociais voltaram com força total, como demonstraram os conservadores e sua considerável má fé em relação à ideia de corrupção.
“Caminhamos celeremente para uma ‘indianização’ do país. Vamos nos tornar um país com a miséria do tamanho da Índia, que é brutal e combina um sistema perverso de castas e classes, exploração, superexploração, espoliação, naturalizando a miséria de centenas de milhões de pessoas, tratadas de forma inferior… Vemos coisas assim e o que dizem as classes médias conservadoras? “Tirem os pobres do meu portão”, afirmou.

A entrevista completa com Ricardo Antunes pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: Como resumir o Brasil de 2017 em suas principais esferas? 
Ricardo Antunes: Foi o ano que talvez não devesse ter existido. Vivemos uma regressão de tal intensidade que não é absurdo fazer paralelo com a ditadura e o golpe de 1964. Claro que o contexto e o capitalismo são diferentes, assim como as lutas sociais, a história e conjuntura, mas é possível lembrar, como dizia Florestan Fernandes, e tenho usado muito tal ideia, da “contrarrevolução preventiva” no Brasil, mesmo sem haver risco de revolução.
2017 consolidou a contrarrevolução preventiva dada pelos conjuntos dos capitais, suas ramificações financeira, bancária, comercial, de serviços, agroindústria, pelas corporações em geral. Encontraram na contrarrevolução com Temer a possibilidade de extinguir o ciclo de conciliação de classes, positivo aos capitais por longo período, em especial nos dois primeiros governos Lula e parte do primeiro governo Dilma.

Mas a partir de 2013-14 e o avanço da crise econômica nos países da periferia, mesmo que os intermediários como Rússia, Índia, África do Sul, México, Brasil, sofremos as consequências mais profundas da crise econômica que havia avassalado o centro do sistema capitalista. O resultado foi decisivo para tais frações das classes dominantes, primeiro, definirem que, como sempre, o ônus seria jogado em cima dos ombros da classe trabalhadora. De modo que agora lidamos com a contenção de gastos em saúde, educação, previdência, flexibilização e corrosão da legislação do trabalho, com a terceirização total e a nova legislação trabalhista que não fez outra coisa senão legalizar todas as burlas que o empresariado tentava emplacar [fazer aprovar] sobre a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]. Basta ler nos textos da nova lei como se tenta, parágrafo por parágrafo, desmantelar o que está escrito na CLT. Assim, num contexto de crise profunda, interessava primeiro impor o negociado sobre o legislado, perdendo o patamar mínimo de direito trabalhista. Com isso, a porteira ficou aberta e animais de todo tipo vão passar, como disse um juiz do trabalho.

Em segundo lugar, o decreto que desvertebra a CLT introduz o elemento mais nefasto do capitalismo de hoje, o incentivo ao trabalho intermitente. Passaremos a ter uma classe trabalhadora disponível para o trabalho o tempo todo, a receber quando trabalhar e perecer quando não o fizer. A experiência do zero hour contract na Inglaterra já demonstra isso. O empregador não é obrigado a chamar o empregado, e este não é obrigado a atender a eventual chamada. Uma vez que atendeu, recebe apenas por aquele trabalho específico. O exemplo do Uber, em expansão, é a tendência em ampliação.

Como estou trabalhando no meu próximo livro, que tem como título “O Privilégio da Servidão”, isso é o que está se criando em escala global: se os trabalhadores jovens tiverem sorte, no futuro imediato, serão servos. Intermitentes, informais, precarizados, numa miríade de trabalhos que assumem a forma de “autônomos” e “independentes” para, na verdade, mascarar os trabalhadores assalariados que de fato são.

E o decreto do Temer ainda tem embutida a desestruturação e, no limite, a eliminação da Justiça do Trabalho no Brasil. É de assustar, porque a Justiça do Trabalho foi criada por Vargas no Brasil para incentivar a conciliação de classes, e a contrarrevolução preventiva do governo Temer está em sintonia com a agenda de imposição dos grandes capitais (afinal, é um governo terceirizado, um gendarme, fantoche obediente aos grandes capitais que movem seus fios) para acabar com a política de conciliação de classes.

Correio da Cidadania: O que o governo Temer e o Congresso que o acompanha em ideias e práticas representam, de fato, em termos estruturais? 
Ricardo Antunes: É preciso reconhecer a qualidade política que Temer demonstra. Ele conseguiu consolidar uma maioria parlamentar, na expressão mais pantanosa da história deste parlamento, de onde o próprio é cria e, portanto, nada muito bem nas águas deste pântano. Mais que isso: conseguiu alterar a seu favor peças importantes no Supremo [Tribunal Federal], fundamental para dar-lhe margem de manobra jurídica no plano máximo possível. E conseguiu inclusive alterar o comando da Polícia Federal, o que mostra capacidade política. “Faço o que vocês (os capitais) mandam, mas preciso de apoio do legislativo e do judiciário, além do aparato repressivo”. E conseguiu, como vimos ao se livrar de dois processos de impeachment, a ponto de seu atual ministro tentar denunciar criminalmente o Janot [1] . Vejam a que ponto se chegou.

Portanto, 2017 é o ano que não deveria ter existido. Uma derrota profunda dos movimentos populares, sociais, dos partidos de esquerda, dos trabalhadores e até da luta democrática. Vivemos no Brasil de hoje um “Estado de Direito de Exceção”. E isso significa que a justiça burguesa é conivente com tal estado e o aparato repressivo usado violentamente.
Nesses dias vimos na Argentina uma violenta repressão do aparato repressivo argentino [2] , contra movimentos sindicais, operários etc. que lutam contra as “reformas” similares às do governo Temer.

Correio da Cidadania: Por que o discurso e os protestos contra a corrupção desapareceram, a seu ver? 
Ricardo Antunes: Aquilo foi fundamentalmente um álibi para, digamos, destituir o governo do PT. As classes médias conservadoras, as dominantes e em particular os aparatos midiáticos que jogaram todo seu peso no golpe que levou à deposição da Dilma sabiam que o PT tinha cometido um erro que, ao nascer, dizia que iria combater. Com todas as suas limitações que sabemos, sua proposta visava a combater a corrupção e esse era um dos traços distintivos que o PT dizia ter em relação aos chamados partidos da ordem.

Com o mensalão e a consolidação de afinidades eletivas e perigosas com o grande empresariado, em especial da construção civil, se evidenciou que o PT caíra na vala comum, onde o PMDB domina e o PSDB, DEM e outros deste terreno pantanoso sempre dominaram. De 2003 a 2015-16, em linhas gerais, ao longo dos governos Lula e Dilma, era o PT quem tinha o controle do butim. Era quem fazia a distribuição aos partidos da base aliada, imaginando que poderia comandar e ter hegemonia no processo de distribuição das verbas públicas para garantir seu projeto político. O PT foi fagocitado porque, primeiro, não tem ou tinha ideia da força dos partidos de direita que há décadas praticam a corrupção. O PMDB mostrou: em meio à Lava Jato simplesmente turbinou e aumentou o ritmo da corrupção, como vimos no processo da JBS e da aparição do Rodrigo Rocha Loures e suas malas de dinheiro.
O segundo ponto: as classes médias conservadoras foram impulsionadas pela mídia. Não tem como não lembrar daGlobo elogiando as manifestações e convidando as pessoas a irem em massa. A grande imprensa jogou pesado nas manifestações. E as classes médias têm uma duplicidade: de um lado, a ignorância dos que acham que a corrupção começou outro dia com o PT e que ao acabar com o governo deste partido estaria tudo bem. De outro lado, a má fé de quem tem a percepção da corrupção ser marcante na história brasileira e, mais que isso, deve ser exclusividade e território das direitas e “centrões”.

Assim, era o momento de dizer “a corrupção é nossa, das direitas, o PT é estranho no ninho e deve pagar por isso”. Quem ingenuamente acreditou que o fim do PT era o fim da corrupção, está boquiaberto. As classes médias conservadoras e ideologicamente agressivas falam numa boa: “melhor o Temer fazer a devastação dos direitos coletivos e sociais do que o PT”. Porque pelo menos a corrupção se mantém entre os de sempre, mas os direitos sociais estão sendo devastados e é isso que para estes setores conservadores efetivamente importa.
E chegamos ao terceiro ponto: falta agora o desmonte e corrosão da previdência pública.
Pasmem, o Brasil faz o caminho do Chile, que já privatizou sua previdência e de fato extinguiu uma previdência social segura e pública. E agora precisa republicizá-la. Porque previdência privada é sinal de calote. A população pobre, diga-se, porque os ricos são muito “previdentes”, têm investimentos, casas, grandes ações, recursos patrimoniais e fora do país incalculáveis, enfim, não têm nem mais onde guardar dinheiro, não precisam de previdência.
O que aconteceu no Chile? Os pobres pouparam por 30 ou 40 anos na previdência privada e quando foram recorrer a ela estava falida, deixando-os sem nada. Sem falar no roubo da Petrobras, da Eletrobras, a privatização de tudo da Res-publica, tanto ao capitalismo ocidental como oriental. A China compra tudo que pode, daqui a pouco isso aqui vai ser uma colônia chinesa, de tanto que este capital entra aqui e disputa todo o butim com os demais grandes capitais estrangeiros.

Correio da Cidadania: Do lado daqueles que foram apeados do poder e se dizem de esquerda, o que você comenta? 
Ricardo Antunes: Vou tentar responder por meio de dois pontos. Primeiro, a cúpula do PT e depois as ações de resistência.

No primeiro caso, não deixando de reconhecer que há uma dissensão grande no interior do PT, como lideranças importantes no RS, a exemplo de Tarso Genro e Olívio Dutra, dentre muitos outros, ainda que com diferenças. Eles já manifestaram claramente a necessidade de a direção do partido pagar pelos erros cometidos. Disseram até na TV que não era para aquilo que tantos milhares de militantes criaram o PT. Tarso chegou a sugerir que faltava legitimidade à direção do PT.

De todo modo, o mais assustador é Lula não fazer uma autocrítica. Em momento algum reconhece que se tentou conciliar o inconciliável, que deveria ser muito mais duro com os capitais… Pelo contrário, faz o mesmo! Até vimos recentemente a ideia de se convidar o filho do José de Alencar para reeditar a aliança policlassista que, de mais a mais, pode levar o próprio Lula ao cárcere. A ideia não deu certo aparentemente, mas depois apareceu como possibilidade o nome do Luís Carlos Trabuco , cujo nome já seria suficiente para explicar o que viria. E só não tenta o Meirelles [3] porque este agora está no outro bloco. Se pudesse, Lula reinventaria o “trabuco do Meirelles”.

Qual o mínimo, só o mínimo, de autocrítica? Nada. Lula insiste que para governar o Brasil deve-se aliar a deus e ao diabo na terra do sal. Obviamente, isso deslegitimou o PT. Perguntam: “mas por que o Lula tem tanta intenção de voto?” Porque a população sabe que entre os equívocos cometidos pelo PT e a devastação social do Temer há alguma diferença. Só um tosco diria que não há diferença alguma. Aliás, foi por isso que a Dilma caiu. Tomou uma série de medidas duras de ajuste, mas seria impossível ela levar adiante a terceirização total, arrebentar a CLT, matar a previdência e congelar a correção mínima de investimentos públicos por 20 anos. A educação e a saúde já estavam na UTI [Unidade de Tratamento Intensivo], mas agora estão a caminho do inferno. As bases petistas e sindicais não permitiriam essa devastação comandada por um governo do PT. Há uma diferença na desmontagem mais “suave” e a brutalidade da devastação de Temer.

Uma destruição é lenta, outra tem a máxima intensidade. Mas é importante recordar que a primeira tentativa de implantar o negociado pelo legislado foi proposta pelo Sindicato dos Metalúrgicos no governo Lula. Muitos criticaram, a ponto de se abortar a medida. Imaginava-se uma ilha sindical avançada num país socialmente destroçado.

É complicado entender por que não há reação agora. Há uma taxa altíssima de desemprego. Se pegarmos a massa real de desemprego (incluindo o subemprego e o desemprego por desalento) temos praticamente 30 milhões de pessoas que vivenciam tais condições. Os assalariados percebem o risco que correm se fizerem greves, tornam-se candidato número 1 ao desemprego.

Há toda uma manipulação da mídia comercial de que o país cresce 1%, o que na verdade é pífio e provavelmente tem muito mais conexões com o recebimento do FGTS meses atrás, permitindo a uma parte da população pagar dívidas, consumir um pouco mais, voltar a comprar um frango por semana, do que com a retomada da economia. Não se retoma economia com juros altos, retração do Estado e devastação generalizada. Não passa de mito pervertido dizer que acabar com a legislação do trabalho gera empregos. O que cria emprego não é a flexibilidade do trabalho, senão nem haveria desemprego nos EUA e Inglaterra, já que lá a flexibilidade é ampla. O que cria emprego é o movimento da economia, e isso tem a ver com cenário internacional, com a impulsão maior ou menor do Estado nos setores que puxam a produção.

Correio da Cidadania: Como grande estudioso do mundo do trabalho e sindical, o que você comenta das centrais sindicais brasileiras e suas decisões, inclusive de cancelar a greve recente? 
Ricardo Antunes: Para os trabalhadores, o movimento de greve tem de ter uma ação forte dos sindicatos, dos movimentos sociais (como o MTST, que é nosso movimento mais organizado e importante, como vemos no importante acampamento com cerca de 8000 famílias em São Bernardo e cuja vitória é importantíssima para a ampliação deste movimento e das lutas sociais e políticas no Brasil hoje). Em relação à greve, se não há engajamento das centrais sindicais fica difícil fazer uma paralisação forte.

A paralisação deveria ter sido confirmada, como uma ação inicial para ir preparando uma paralisação mais forte ainda. Com as áreas mais organizadas sindicalmente fazendo uma ação de paralisação, criam-se espaços de debate para mostrar porque mesmo uma paralisação parcial é importante para derrubar medidas devastadoras. Poderia se explicar que sob a capa da diminuição de privilégios estão na verdade perpetuando-os, na medida em que um alto nível de calote do empresariado não é cobrado. Que a dívida pública real decorre dos juros pagos aos bancos. Que, uma vez aprovada a reforma de previdência privatista e pró-bancos e fundos privados de pensão, com a reforma trabalhista incentivando trabalhos intermitentes, onde a arrecadação do trabalho assalariado vai diminuir muito e, tudo isso tornará a previdência menos volumosa em termo de recursos, e sobre a sua privatização, que é profundamente nefasta em todos os sentidos.

Hoje, a arrecadação sobre os assalariados é grande, o que falta é arrecadar dos altos e mais ricos estratos sociais, além de tributar os grandes capitais e lucros, a herança, os ganhos dos bancos etc. Algo sequer tratado nos governos do PT. Não houve tributação do capital financeiro, das heranças, longe disso, em muitas ocasiões foram diminuídos os impostos do grande empresariado para gerar mais emprego. Mas fazer isso, por exemplo, em relação à indústria automobilística existe contrapartida: ao mesmo tempo em que (positivamente) se gera emprego, polui-se mais, incentiva-se a indústria de transporte e reduzem-se recursos extraídos da tributação para saúde, previdência e educação públicas.

A população olha e diz: se eu lutar, sem apoio efetivo dos sindicatos e centrais que têm presença coloco minha cabeça a prêmio e ela será cortada. A pergunta é: por que as grandes centrais não querem fazer isso? Algumas centrais são diretamente apelegadas, negociam com Temer desde o começo. Outras são hesitantes. Veem suas bases diminuir, perdem espaço… E outras têm as dificuldades naturais por serem minoritárias.

É preciso dizer ainda que a Reforma Trabalhista contempla o fim do imposto sindical. Em tese, eu sempre fui a favor disso. Mas não se pode acabar com tal imposto no momento em que os sindicatos vivem um desmoronamento, dado que suas bases assalariadas diminuem há tempos. Portanto, para garantir o imposto sindical, ou um novo mecanismo de arrecadação, tais centrais que convivem historicamente com o peleguismo usam a greve como pretexto. Aí aparece o Temer com suas mãos pululantes, acena com esse agrado e as greves sobem no telhado…

Há sindicatos e movimentos sindicais importantes, centrais que não entram na conciliação, há até sindicatos ligados à CUT [4] insatisfeitos com a devastação e convivem com muito descontentamento das bases (quanto mais a CUT perde base, mais a Força Sindical [5] e outras avançam neste espaço). Tudo isso cria uma disputa e a população sabe discernir qual central luta de fato e quais usam a luta para garantir o peleguismo. A CONLUTAS e a Intersindical têm dificuldades, pois ainda atuam parcialmente em setores da classe trabalhadora e sem força para ações de maior envergadura. A sua aproximação com os movimentos sociais politicamente mais organizados torna-se vital.

Mas o cenário é difícil, ainda que não seja eterno. Estive na Argentina um mês atrás, a população discutia a reforma do Macri e seus riscos – esse paladino da devastação no país vizinho. E haveremos de ter situações como a desses últimos dias na Argentina em mais lugares.

Aqui no Brasil a classe trabalhadora e as classes populares vivem risco iminente, muitos estão desempregados, famílias inteiras estão desempregadas. Notamos o número de famílias e crianças que morando nas ruas da cidade… Crianças!

Caminhamos celeremente para uma “indianização” do país. Vamos nos tornar um país com a miséria do tamanho da Índia, que é brutal e combina um sistema perverso de castas e classes, exploração, superexploração, espoliação, naturalizando a miséria de centenas de milhões de pessoas, tratadas de forma inferior… Vemos coisas assim e o que dizem as classes médias conservadoras? “Tirem os pobres do meu portão”.

Correio da Cidadania: O que pensa do lulismo a essa altura dos acontecimentos, considerando que Lula tenha possibilidades de participar da eleição de 2018? 
Ricardo Antunes: Talvez seja um ponto que a contrarrevolução do Temer não tenha como evitar. Quanto mais ela avança, mais aquela população, mesmo aquela enfurecida com o fim dos governos Lula e Dilma, vai olhar para trás e dizer: “olha, aquilo era ruim, mas o de hoje é muito pior”. É o calcanhar de Aquiles do governo Temer: quanto mais se aprovam suas contrarreformas, maior será o descontentamento, o que por certo favorece em alguma medida a Lula.

A reforma trabalhista, assim como as outras, foi aprovada sem debate. Para desmontar a legislação protetora do trabalho o Temer fez discurso de que estava modernizando, melhorando, assim como na Previdência agora, com toda a desfaçatez possível. As pessoas não vão conseguir trabalhar por 25, 30, 40 anos, pois muitos terão trabalhos intermitentes, e vão ter de chegar aos 120 anos para conseguir se aposentar pela fórmula do Temer. Isso é muito brutal, criminoso mesmo e por certo fortalece o Lula.

Outra coisa: a população se dá conta do tratamento diferenciado que a Lava Jato concede a Lula e aos demais. Por exemplo: não há nenhuma dúvida de que o Aécio Neves praticou lobby com o empresariado, corrupto escolado e pós-graduado e que recebia dinheiro de forma direta. Se fossem as mesmas evidências com o Lula, ele já estaria na cadeia há muito tempo. Aécio está soltinho da silva, como dizia minha mãe. Agora começam a andar processos contra Alckmin e outros, o PMDB também, mas ainda de modo muito, muito lento em comparação ao PT. Qualquer trabalhador, que nem precisa de TV em casa, sabe que o tal Rocha Loures não era chefe de quadrilha, apenas executor.

Como diria Vicente Matheus , a operação Lava Jato é uma “faca de dois legumes”. Com o PSDB, é lenta e gradual. Com o PT, é ágil, lépida e esbaforida, como se vê na antecipação inédita do julgamento do Lula, em ato claramente político. Vemos, portanto, um processo esdrúxulo e nefasto: a judicialização da política e uma clara e incontestável politização do judiciário, como deixa inequívoco “aquele” ministro que recebe dinheiro público pra sua faculdade privada e toma as decisões que seus amigos requerem na hora que bem entende.
Estamos num nível de degradação… O que aconteceu no jogo da final da Copa Sul-Americana entre Flamengo x Independiente é a fotografia do Brasil. Vivemos a devastação e corrosão total. Outra notícia impressionante é aquela que mostra que o PCC pretende aumentar em 40 mil o número de adeptos da sua organização.

Tudo isso torna o país muito, mas muito imprevisível.

Correio da Cidadania: E, dentro dessa imprevisibilidade, o que é possível vislumbrar para 2018 e, a seguir nesta toada, nos próximos tempos? 
Ricardo Antunes: É o seguinte: a eleição de fato ainda não começou. Raras eleições tiveram nomes que apareciam no topo das intenções de voto muito antes e terminaram eleitos. Tem muita coisa, muita pedra no meio do caminho. Já indicamos que Lula se beneficia muito do nível de elevação do pauperismo que o governo Temer promove. No entanto, Lula já mostrou até onde é capaz de levar sua conciliação. E também já mostrou até onde dá para chegar mesmo quando as coisas parecem dar certo. Repetir isso parece um pouco tragédia, tem algo de farsa, salpicada com comédia. As direitas intensificarão a devastação, de Alckmin a Meirelles, para não falar da aberração Bolsonaro. E, é bom lembrar, Trump também parecia somente aberração…

Existe ainda uma grande dificuldade das esquerdas em buscar alternativas junto aos movimentos populares, a suas militâncias. Talvez o exemplo mais forte hoje das lutas sociais seja o MTST. Há uma importante liderança que se consolida, com respaldo social e político. Mas há uma enorme dificuldade das esquerdas (para além do PT) em constituir possibilidades próprias. Falo do PSOL, PCB, PSTU e de pequenos grupos em seu entorno.

Não há dúvidas de que, dentre estes, o PSOL é o mais forte eleitoralmente e possui mais presença social. Mas aquela disposição de pensar o conjunto de forças sociais do trabalho, sindicatos, periferias, que pudesse desembocar num polo alternativo, ainda parece inexistir. É compreensível, mas uma pena. Porque se as esquerdas pensam demais na luta parlamentar, não conseguem pensar numa ação política radical cujo eixo não seja o parlamento ou a institucionalidade, mas as lutas sociais extraparlamentares e extra-institucionais. Não adianta ganhar as eleições, como Lula, e se deixar fagocitar pelo esquema dominante, pelos interesses que de fato dominam.

Portanto, não adianta falar em “união das esquerdas” e impor seus nomes escolhidos a partir dos grupos majoritários de cada um destes partidos. O movimento deveria ser outro: buscar densidade nas lutas sociais, sindicais e políticas a partir das bases. E, a partir destes movimentos de massa, criar os canais necessários para que eles adquiram organicidade, estruturação e, aí sim, apresentá-los política e eleitoralmente, porém, com uma formulação de outro tipo, conquistada a partir das lutas populares, sindicais, das comunidades indígenas, dos negros, movimentos feministas, ambientalistas, LGBT, pela base e não pelas cúpulas. É positivo, dentro deste quadro difícil, o exercício iniciado pelo MTST e pelo Vamos.

O desafio é enorme, até porque a contrarrevolução preventiva é global, brasileira, latino-americana, como vimos na Argentina, em Honduras, na recente vitória eleitoral da direita ultraconservadora do Chile. Tem o Trump nos EUA, tem a direita na Áustria, a eleição da França onde um neoliberal perigoso apareceu como freio à ultradireita… E não preciso ir a Itália, Hungria, Polônia… Essa onda vai passar, mas está aí hoje e é forte.

Em 2010, 2012, estávamos numa era de rebeliões que não conseguiu se converter em era de revoluções. Agora vivemos a era de contra-revoluções. Ela vai passar, mas as placas tectônicas estão batendo. E não sabemos que tipo de coisa sairá daí. É evidente que cresce a oposição nos EUA, o Bernie Sanders era um bom exemplo, cresce a oposição na Inglaterra através do Jeremy Corbyn, no Chile a esquerda próxima ao Partido Comunista e aliados atingiu 20% dos votos… Na própria França, Jean Luc Melenchon se mostrou eleitoralmente como uma alternativa à esquerda.

Vivemos uma nova fase, mais destrutiva, do ideário regressivo neoliberal, de completa hegemonia do capital financeiro. Nisto, a naturalização da miséria global é o empreendimento enfeixado pelas classes dominantes globais. Esta é o quadro, o cenário que os capitais querem construir.

Por isso hoje há um movimento pesadíssimo, como mostra com muita competência a Virgínia Fontes , de grupos empresariais que vão fazer “trabalho voluntário” em escolas públicas para introjetar o vírus da ânsia por acumular desde a mais tenra idade. Lembrando um artigo genial do jovem Gramsci, “as escolas não podem ser incubadoras de pequenos monstros”. O voluntarismo empresarial nas escolas públicas é para fazer das crianças “pequenos monstros”. E até na TV vemos gente mostrando como crianças devem aprender a poupar e a acumular desde cedo. É o que estamos vivendo, ainda que não será eterno. Logo entraremos novamente num período muito tenso e de muita confrontação.

Correio da Cidadania: Ainda sobre a esquerda e sua incapacidade de aglutinar um projeto de massas, há muita gente afinada a suas ideias fora desses partidos e grupos mais tradicionais, mas que não se aproxima, e não são apenas anarquistas. Não estaríamos diante de um momento onde elas estão um pouco atrasadas em alguns debates, aparecendo apenas reativamente e, em muitos casos, não se mostrando tão antissistêmica? 
Ricardo Antunes: Passa também por isso, diretamente. Se a maior parte do oxigênio das “esquerdas de esquerda” é, em última instância, destinado para ganhar o processo parlamentar e eleitoral, elas jogam no campo que Mészàros já considerava a “linha de menor resistência”. O boxeador mais forte chama o boxeador mais fraco para lutar no campo dele. Os capitais chamam as oposições, inclusive de esquerda, a lutarem no campo onde o capital domina, isto é, o parlamento, as instituições burguesas.

A institucionalidade brasileira está em decomposição, nas três esferas. Mas há também, e é muito importante enfatizar, um mosaico de movimentos sociais, sindicais, das periferias, das comunidades indígenas, negros, LGBTs, feministas, ambientalistas… Mas essa miríade de descontentamentos deve se esforçar ao máximo para buscar as interconexões fortes entre gênero e classe; entre etnia/raça e exploração do capital; entre a juventude desempregada e sua condição de classe, entre a questão ambiental e as lutas anticapitalistas, entre tantas outras.

Um outro modo de vida torna-se um imperativo societal da classe trabalhadora ampliada e do conjunto dos movimentos sociais. O MTST, por exemplo, vem mostrando que a arquitetura das cidades brasileiras é de destruição social. O MST há décadas luta pela terra, pela produção sem transgênicos e sem agrotóxicos e as comunidades indígenas combatem pela preservação de suas terras, contra as tentativas de Temer para liberar a exploração dos garimpos. Estas são as lutas vitais, ponto de partida para uma política radical de outro tipo.

Em síntese: não se criam alternativas orgânicas de um dia para outro. Vivemos uma fase de transição dentro do capitalismo, para uma fase ainda mais destrutiva. Vivemos uma fase de radicalização e aguçamento da destruição neoliberal e do saque financeiro. É por isso que o chamado “estado de direito” que hoje vigora é também um “estado de exceção”, só pode sobreviver exercitando os mecanismos de exceção. E faço o parêntese para lembrar que o “estado de direito” aqui mencionado nem de longe me parece o suprassumo societal.
Num quadro com essa moldura não posso pegar minhas ferramentas fragilizadas e jogá-las fora. Porque aí fico sem nada, de vez. Reparem que o capital não joga nenhuma de suas ferramentas, mesmo as piores, na lata do lixo. Aparelhos midiáticos, religiosos, repressores, estatais, parlamentares… Ele não joga nenhum desses aparelhos fora. Eles configuram o lócus da dominação burguesa. E as lutas sociais, operárias e populares têm fundamentalmente três ferramentas: seus sindicatos, seus partidos e seus movimentos sociais.

Os sindicatos têm um mérito: quando são de classe e defendem de forma intransigente suas categorias representadas. Essa é sua força, mas é também o seu limite. Os sindicatos dos professores, dos metalúrgicos, dos bancários, podem lutar pela defesa dos direitos de seus trabalhadores. Mas nem sempre conseguem pensar a categoria que representam como parte de um todo, da totalidade da classe trabalhadora. E frequentemente resvalam para uma defesa excessiva da categoria. A defesa da redução dos impostos da indústria automobilística é exemplo de sindicalismo com componentes corporativos, que defende a sua categoria, tem dificuldade de visualizar o conjunto.

Os partidos: qual sua força? Se formos ver PSOL, PCB, PSTU, todos dirão que são socialistas, anticapitalistas e desejam uma mudança profunda. Será difícil encontrar alguém que veja no capitalismo algo humano, social. Qual a força deles? Eles sabem, em linhas gerais, a direção da estrada que deve ser tomada. Qual o limite deles? Serem muito voltados à institucionalidade, calendários eleitorais, tempo de televisão, como ter mais voto, e se começam a ser criticados por radicalizarem, logo começam a fazer concessões, amolecer e por fim se enfraquecem. Isso não vale para todos, mas ninguém está imune a estes riscos. Basta crescer para ver como eles aparecem. A sua força é o projeto de futuro, a fraqueza a vida cotidiana, o dia a dia.

Os movimentos sociais: mostram muita força na vida quotidiana. O MST faz ações importantes, luta pela reforma agrária, faz ocupações, luta contra os transgênicos, pesticidas, consegue imaginar uma produção não destrutiva. O MTST, com uma pujante atuação hoje, tem uma questão muito concreta: a arquitetura da destruição joga os pobres para a vida na lata de lixo nas cidades. Só há um jeito de sair das “habitações” onde a população periférica é atirada: ocupar. E há outros movimentos, do passe livre, de juventude periférica que estuda, contra barragens, comunidades indígenas que lutam pela preservação da água, do solo, da natureza… É a força dos movimentos sociais. Não podemos esperar que, entretanto, ofereçam um desenho de sociedade do futuro, anticapitalista e socialista, salvo aqueles que têm uma escola, uma formação para tal, como o MST tem.

Essas forças todas não são excludentes e, sim, complementares. Buscar a organicidade entre elas, o que elas apresentam de decisivo, que é o sentimento que os assalariados pobres têm da vida cotidiana: quais as questões vitais do nosso tempo, que tocam na consciência da população trabalhadora. Você acha que a população está preocupada com a próxima eleição de vereador? Por favor. Se o voto não fosse obrigatório ninguém ligava. Não que eu seja contra, mas digo que é uma piada os partidos gastarem tanta energia disputando eleições e fazendo campanhas para vereador, deputado etc sem um programa anticapitalista que toque nas questões vitais.

Não adianta falar do socialismo em termos abstratos. É preciso falar das questões vitais de hoje, dando concretude à proposta socialista. Se não formos capazes de fazer isso, os movimentos sociais e lutas populares farão, mas num tempo maior. É o desafio, talvez, mais crucial.

Por fim, tratamos muito das dificuldades das esquerdas. Mas tem o lado de lá. Quem imagina que o capitalismo vai bem, obrigado, sem tensões, tampouco tem ideia do que fala. Porque a inconstância se tornou traço dominante do nosso tempo. Tudo que parece sólido pode derreter. Significa que não temos previsibilidade e certezas históricas. A única certeza é que “a história é a realização quotidiana de embates fundamentais entre classes sociais que se antagonizam”.

A ideia de que a classe trabalhadora acabou é risível. Não há nenhum burguês que não saiba que é burguês. O Lukács diria que é empiricamente constatável pela burguesia a existência do ser burguês e da condição burguesa de classe. O que não temos conseguido entender é que a contradição do nosso tempo é, por um lado, a contradição entre o capital social total versus a totalidade do trabalho social. É o desafio crucial. A totalidade do trabalho social é a luta dos assalariados, da classe trabalhadora no sentido mais preciso, a luta das classes trabalhadoras, também daqueles que trabalham, mas não propriamente assalariados, como camponeses, indígenas, ribeirinhos, e as lutas sociais dos movimentos dos negros, mulheres, ambientalistas, LGBT… Mas é preciso conectá-las com um olhar para além do capital.
O desafio está aí. Se não tivemos, no conjunto de ações, este olhar e estes pontos de conexão tudo ficará mais difícil.

23/Dezembro/2017
NR
[1] Janot : Procurador-Geral da República que acusou Temer de chefiar organização criminosa.
[2] Ver A instalação de uma ditadura mafiosa , de Jorge Beinstein
[3] Meirelles: o actual ministro das Finanças, o homem que gerencia o Brasil em favor do capital financeiro.
[4] CUT: central sindical apoiada pelo PT.
[5] Força Sindical: central sindical amarela.

Coreia do Norte: A mais mortífera campanha de bombardeamento da história

03.01.2018
 
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Coreia do Norte: A mais mortífera campanha de bombardeamento da história
por Ted Nace [*]


No momento em que o mundo observa com preocupação o crescimento de tensões e a retórica belicosa entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, um dos aspectos mais notáveis da situação é a ausência de qualquer reconhecimento público da razão subjacente para os temores norte-coreanos – ou, como foi chamado pela embaixadora nas Nações Unidas, Nikki Haley, o estado de paranóia” – nomeadamente a horrenda campanha de bombardeamento incendiário efectuada pela US Air Force durante a Guerra da Coreia e a mortandade sem precedentes que dela resultou.


Os factos totais nunca serão conhecido, mas a evidência disponível aponta para a conclusão de que o bombardeamento incendiário de cidades e aldeias da Coreia do Norte provocaram mais mortes civis do que qualquer outra campanha de bombardeamento da história.
O historiador Bruce Cumings descreve a campanha de bombardeamento como “provavelmente um dos piores episódios de desenfreada violência americana contra outro povo, mas certamente poucos americanos sabem disso”.


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A campanha, executada de 1950 a 1953, matou dois milhões de norte-coreanos, segundo o general Curtis LeMay, o chefe do Strategic Air Command e o organizador do bombardeamento incendiário de Tóquio e de outras cidades japonesas. Em 1984, LeMay disse ao Gabinete de História da Força Aérea que o bombardeamento da Coreia do Norte “matou 20 por cento da população”.


Outras fontes mencionam um número um pouco mais baixo. Segundo um conjunto de dados preparados por investigadores do Centre for the Study of Civil War (CSCW) e do International Peace Research Institute (PRIO), de Oslo, “a melhor estimativa” de mortes civis na Coreia do Norte é de 995 mil, com uma estimativa baixa de 645 mil e uma estimativa alta de 1,5 milhão.
Apesar de a estimativa de LeMay ser a metade da estimativa da CSCW/PRIO de 995 mil mortes ainda assim excede a mortandade de civis de qualquer outra campanha de bombardeamento, incluindo o bombardeamento incendiário dos Aliados de cidades alemãs na II Guerra Mundial, a qual foi estimada em 400 a 600 mil vidas. O bombardeamento incendiário e nuclear de cidades japonesas, provocou uma estimativa de 330 mil a 900 mil mortes; o bombardeamento daIndochina de 1964 a 1973, causou globalmente 121 a 361 mil mortes durante as operações Rolling Thunder , Linebacker eLinebacker II (Vietname); Menu e Operação Freedom Deal (Camboja) e Barroll Roll (Laos).


A fortíssima mortandade do bombardeamento da Coreia do Norte é especialmente notável considerando a população relativamente modesta do país: apenas 9,7 milhões de pessoas em 1950. Para comparação, havia 65 milhões de pessoas na Alemanha e 72 milhões no Japão no fim da II Guerra Mundial.


Os ataques da US Air Force contra a Coreia do Norte utilizaram tácticas de bombas incendiárias que foram desenvolvidas no bombardeamento da Europa e do Japão na II Guerra Mundial: explosivos para destruir edifícios, napalm e outros produtos incendiários para atear incêndios maciços e metralhamento para impedir que equipes de bombeiros extinguissem as chamas.


A utilização destas tácticas não era inevitável. De acordo as políticas dos Estados Unidos em vigor no início da Guerra da Coreia, o bombardeamento incendiário contra populações civis era proibido. Um ano antes, em 1949, uma série de almirantes da US Navy haviam condenado tais tácticas em depoimento antes de audiências no Congresso. Durante esta “Revolta dos almirantes”, a Marinha opusera-se aos seus colegas da Força Aérea, sustentando que ataques executados contra populações civis eram contraproducentes e violavam normas morais globais.


Apresentados no momento em que os tribunais de Nuremberg haviam elevado a consciência pública acerca de crimes de guerra, as críticas dos almirantes da Navy encontram uma recepção simpática no tribunal da opinião pública. Consequentemente, atacar populações civis era algo proibido na política dos EUA no princípio da Guerra da Coreia. Quando o general da Força Aérea George E. Stratemeyer solicitou permissão para utilizar os mesmos métodos de bombardeamento incendiário sobre cinco cidades norte-coreanas que “puseram o Japão de joelhos”, o general Dougla MacArthur recusou a permissão mencionando a “política geral”.
Depois de cinco meses de guerra, com forças chinesas intervindo ao lado da Coreia do Norte e de forças da ONU em retirada, o general MacArthur mudou a sua posição, concordando com o pedido do general Stratemeyer em 3 de Novembro de 1950, de incendiar a cidade norte-coreana de Kanggye e várias outras cidades. “Incendeia se quiser. Não só aquela, Strat, mas incendeie-a de destrua-a como lição para qualquer outras destas cidades que considere de valor militar para o inimigo”. Na mesma noite, o chefe do Estado-Maior de MacArthur disse a Stratemeyer que o bombardeamento incendiário de Sinuiju também fora aprovado. No seu diário, Stratemeyer resumiu as instruções como se segue: “Toda instalação e aldeia na Coreia do Norte agora torna-se um alvo militar e táctico”. Stratemeyer enviou ordens ao Quinto Comando de Bombardeiros da Força Aérea para “destruir todos os meios de comunicações e toda instalação, fábrica, cidade e aldeia”.


Se bem que a Força Aérea fosse directa nas suas próprias comunicações internas acerca da natureza da campanha de bombardeamento – incluindo mapas que mostravam a percentagem exacta de cada cidade que havia sido incinerada – ascomunicações para a imprensa descreviam a campanha de bombardeamento como dirigidas unicamente a “concentrações de tropas inimigas, depósitos de abastecimento, fábricas de guerra e linhas de comunicações”.


As ordens dadas ao Quinto Comando da Força Aérea eram mais claras: “Aviões sob o controle do 5º Comando destruirão todos os outros alvos incluindo todos os edifícios capazes de dar abrigo”.


Menos de três semanas após o assalto inicial a Kanggye, dez cidades haviam sido incineradas, incluindo Ch’osan (85%), Hoeryong (90%), Huich’on (75%), Kanggye (75%), Kointong (90%), Manp’ochin (95%), Namsi (90%), Sakchu (75%), Sinuichu (60%) e Uichu (20%).


Em 17 de Novembro de 1950, o general MacArthur disse ao Embaixador dos EUA na Coreia, John J. Muccio: “Infelizmente, esta área será deixada como um deserto”. Por “esta área” MacArthur queria dizer toda a área entre “nossas posições actuais e a fronteira”.
À medida que a Força Aérea continuava a incinerar cidades, ela mantinha um cuidadoso registo dos níveis de destruição resultantes :


• Anju – 15%
• Chinnampo (Namp’o) – 80%
• Chongju (Chongju) – 60%
• Haeju – 75%
• Hamhung (Hamhung) – 80%
• Hungnam (Hungnam) – 85%
• Hwangju (Hwangju County) – 97%
• Kanggye – 60% (reduced from previous estimate of 75%)
• Kunu-ri (Kunu-dong) – 100%
• Kyomipo (Songnim) – 80%
• Musan – 5%
• Najin (Rashin) – 5%
• Pyongyang – 75%
• Sariwon (Sariwon) – 95%
• Sinanju – 100%
• Sinuiju – 50%
• Songjin (Kimchaek) – 50%
• Sunan (Sunan-guyok) – 90%
• Unggi (Sonbong County) – 5%
• Wonsan (Wonsan) – 80%


Em Maio de 1951, uma equipe internacional para averiguação de factos declarou: “Os membros, em todo o decorrer da sua jornada, não viram uma cidade que não houvesse sido destruída e havia muito poucas aldeias não danificadas”.


Em 25 de Junho de 1951, o general O’Donnell, comandante do Far Eastern Air Force Bomber Command, testemunhounuma resposta a pergunta do senador Stennis (“…a Coreia do Norte foi virtualmente destruída, não foi?”):


“Oh, sim; … eu diria que toda, quase toda a Península Coreana está numa terrível confusão. Está tudo destruído. Não há nada valioso em pé para mencionar … Pouco antes de os chineses entrarem estávamos enraizados. Não havia mais alvos na Coreia”.
Em Agosto de 1951 o correspondente de guerra Tibor Meray declarou que testemunhara “uma completa devastação entre o Rio Yalu e a capital”. Ele disse que “não havia mais cidades na Coreia do Norte”. E acrescentou: “Minha impressão era de que estava a viajar na lua porque havia apenas devastação… Toda cidade era uma colecção de chaminés”.
Vários factores combinaram-se para intensificar a mortalidade dos ataques com bombas incendiárias. Como fora ensinado pela II Guerra Mundial, ataques incendiários podiam devastar cidades com incrível rapidez: as bombas incendiárias da Royal Air Force no ataque a Würzburg , Alemanha, nos meses finais da II Guerra Mundial exigiram apenas 20 minutas para envolver a cidade numa tempestade de fogo com temperaturas estimadas de 1500-2000º C.


Outro factor que contribuiu para a letalidade dos ataques foi a severidade do inverno norte-coreano. Em Pyongyang, a baixa temperatura média em Janeiro é de 8º Fahrenheit [-13º Celsius]. Como o bombardeamento mais severo teve lugar em Novembro de 1950, aqueles que escaparam à morte imediata pelo fogo foram relegados ao risco de morte pela exposição [ao tempo] nos dias e meses que se seguiram. Sobreviventes criaram abrigos improvisados em desfiladeiros, caves e adegas abandonadas. Em Maio de 1951 uma delegação da Federação Internacional de Mulheres Democráticas (WIDF) que visitou a cidade bombardeada de Sinuiju relatou :


“A maioria esmagadora dos habitantes vivem em covas feitas de terra escoradas por madeira recuperada. Algumas destas covas têm tectos feitos de telha e madeira, recuperada de edifícios destruídos. Outros estão a viver em adegas que permaneceram após o bombardeamento e outros ainda em tendas cobertas de palha na estrutura de edifícios destruídos e em choças feitas de tijolo sem argamassa e de entulho”.


Em Pyongyang, a delegação descreveu uma família de cinco membros, incluindo uma criança de três anos e um bebé de oito meses, a viveram num espaço subterrâneo medindo dois metros quadrados em que só se podia entrar rastejando através de um túnel de três metros.
Um terceiro factor de mortalidade foi a utilização extensiva do napalm. Desenvolvido na Universidade de Harvard em 1942, a substância pegajosa e inflamável foi utilizada primeiro na II Guerra Mundial. Ela tornou-se uma arma chave durante a Guerra da Coreia, na qual 32.557 toneladas foram utilizadas, sob uma lógica que o historiador Bruce Cumings caracterizou assim: “Eles são selvagens, então isso nos dá o direito de despejar napalm sobre inocentes”. Muito tempo após a guerra, Cumings descreveu um encontro com um sobrevivente idoso:


“Numa esquina havia um homem (pensei que era um homem ou uma mulher com ombros largos) que tinha uma crosta púrpura peculiar sobre todas as partes visíveis da sua pelo – espessa nas suas mãos, fina nos seus braços, cobrindo totalmente toda a sua cabeça e face. Ele era careca, não tinha orelha ou lábios e os seus olhos, faltando pálpebras, eram um branco acinzentado, sem pupilas… Esta crosta púrpura resultou do encharcamento com napalm, após o qual corpo não tratado da vítima foi deixado para de algum modo curar-se a si próprio”.


Durante as conversações do armistício, na conclusão do combate, comandantes dos EUA haviam esgotado as cidades para alvejar. A fim de pressionar as negociações, agora viravam os bombardeiros rumo às grandes barragens da Coreia. Como informou o New York Times, a inundação provocada pela destruição de uma barragem “escavou totalmente” 27 milhas [43 km] do vale do rio e destruiu milhares de hectares de arroz recém plantado.


Na sequência das campanhas de bombardeamento incendiário contra a Alemanha e o Japão durante a II Guerra Mundial, um grupo de investigação do Pentágono com mais de 1000 membros efectuou uma avaliação exaustiva conhecida como United States Strategic Bombing Survey. A USSBS publicou 208 volumes para a Europa e 108 volumes para o Japão e o Pacífico, incluindo contagens de baixas, entrevistas com sobreviventes e análises económicas. Estes relatórios indústria-por-indústria foram tão pormenorizados que a General Motors utilizou os resultados para processar com êxito o governo dos EUA por US$32 milhões de danos em fábricas alemãs [de sua propriedade].


Após a Guerra da Coreia, nenhum exame (survey) do bombardeamento foi efectuado além dos próprios mapas internos da Força Aérea mostrando a destruição cidade-por-cidade. Estes mapas foram mantidos secretos nos vinte anos seguintes. No momento em que os mapas foram silenciosamente desclassificados , em 1973, o interesse da América na Guerra da Coreia há muito que se havia desvanecido. Só em anos recentes o quadro completo começou a emergir em estudos de historiadores como Taewoo Kim do Korea Institute for Defense Analyses, Conrad Crane da Academia Militar dos EUA, e Su-kyoung Hwangof da Universidade da Pennsylvania.


Na Coreia do Norte, a memória está viva. De acordo com o historiador Bruce Cumings , “foi a primeira coisa que o meu guia chamou a minha atenção”. Cumings escreve : “A maquinaria desimpedida de bombardeamento incendiário visitou o Norte durante três anos, produzindo uma terra devastada e um povo a sobreviver como toupeiras que haviam aprendido a amar o abrigo de caves, montanhas, túneis e fortificações, um mundo subterrâneo que se tornou a base da reconstrução de um país e um recordatório que produziu um ódio brutal em toda a população”.

Nos dias de hoje, o bombardeamento incendiário de cidades e aldeias da Coreia do Norte permanece virtualmente desconhecido do público geral e não reconhecido na discussões dos media sobre a crise, apesar da óbvia relevância para a busca de um dissuasor nuclear por parte da Coreia do Norte. Mas sem conhecer e confrontar estes factos, o público americano não podem começar a compreender o medo que já no cerne das atitudes e acções da Coreia do Norte.
• [*] Director do CoalSwarm . Fundador da Peachpit Press e autor de Gangs of America .
O original encontra-se em www.counterpunch.org/…
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Um passo para frente: os desafios da Frente Ampla chilena


03.01.2018 | Fonte de informações:
Pravda.ru




Não seremos um setor relevante só pela resistência, necessitamos transmitir que sim podemos mudar o país e que a Frente Ampla é a via para se chegar às transformações grandes. Devemos organizar a esperança, não só a insatisfação.

Por Sebastián Depolo - El Desconcierto A direita ganhou com Sebastián Piñera. Ela mobilizou seus eleitores e também os que estão além de sua fronteira, somou muito mais que o um terço que historicamente reúne - o mesmo um terço que conseguiu no primeiro turno. Adesões que conseguiu algumas pelo sucesso do discurso do medo, outras por genuína convicção a um programa que administra o existente. Mas o fato é que essa direita ganhou, e agora as esquerdas deverão ser oposição, tal como dissemos - e no caso da Frente Ampla, seríamos oposição mesmo se o vencedor fosse Alejandro Guillier.

Pode-se prever que este segundo governo de Piñera não será fácil, pois enfrentará duas grandes fontes de tensões internas: a primeira será a construção de uma maioria parlamentar que permita aprovar as leis pelo Congresso e a segunda são as tensões entre as almas reunidas na própria direita e expressadas nas outras candidaturas presidenciais dos seu setor. Por trás de Piñera há várias direitas: a populista (ou autodenominada "social") de Ossandón, a neoconservadora de José Antonio Kast e a tecnocracia renovada de Felipe Kast, para citar apenas três exemplos mais conhecidos. Lidar com isso de forma equivocada por gerar conflitos internos e problemas externos que despertariam a indignação da cidadania, como o retrocesso ou burocratização excessiva da aplicação da Lei do Aborto nas três causas que foram aprovadas (risco materno, inviabilidade fetal e gravidez fruto de violência sexual), ou medidas extremas como a militarização da região da Araucania e uma política de criminalização das organizações mapuche.

Para Piñera, isso sim, há boas notícias vindas do mundo das finanças: o ciclo de preços dos principais produtos de exportação chilenos enfrentará uma importante melhora e os mercados reagiram com entusiasmo diante da possibilidade de um governo que será favorável a eles e seus interesses. Também conta com a anuência dos principais meios de comunicação, seus editorialistas e analistas. É provável que sejam tempos difíceis para nossas ideias. Diante de um cenário adverso, será difícil ser oposição.

Estou convencido de que se abre um novo ciclo político, com a direita no poder, uma centro-esquerda em crise e com o surgimento da Frente Ampla como novo ator político deste cenário. Como seguirá esta história? Dependerá muito do comportamento dos envolvidos e da maturidade e responsabilidade com o futuro. Temos o dever e a responsabilidade de construir um novo tipo de oposição política e social com essa direita no poder. E temos pouco tempo.

Não podemos nos omitir diante dos desafios que este novo ciclo nos apresenta. Existe uma possibilidade real de que o triunfo de Sebastián Piñera se transforme numa sequência de governo da direita neoliberal, se esta organiza os infinitos recursos com os quais contará em prol desse objetivo. Necessitamos protagonizar o ciclo que se abre em todas as frentes de disputa, a do movimento social, a frente institucional, a frente territorial e a mais importante de todas: a batalha pelo sentido comum e a sintonia com as maiorias. Não seremos um setor relevante só pela resistência, necessitamos transmitir que sim podemos mudar o país e que a Frente Ampla é a via para se chegar às transformações grandes. Devemos organizar a esperança, não só a insatisfação.

Necessitamos construir, a partir das nossas ideias, uma maioria social que se expresse politicamente nas disputas eleitorais que virão. Não necessitamos da simples soma de legendas partidárias, nem de potenciais reconfigurações de alianças sem identidade nem projeto próprio, necessitamos que nossas ideias de mudança, que nosso programa esteja presente nas conversas cotidianas das famílias chilenas e isso se consegue com trabalho, presença em terreno e organização, para que a Frente Ampla seja o veículo que possa dar ao Chile um governo verdadeiramente transformador no próximo ciclo presidencial.

Necessitamos desenvolver e aprofundar nosso programa, que hoje coloca sobre a mesa questões cruciais como o imposto aos super ricos e a ideia de justiça tributária para melhorar nossa vergonhosa distribuição de renda, o perdão às dívidas educativas como compromisso do Estado, uma Assembleia Constituinte para definir entre todos e todas as regras do futuro e políticas públicas participativas em sua elaboração, implementação e avaliação desde os territórios. Falta muito por diante, serão quatro anos intensos e vertiginosos. Chegamos para ficar, e isso significa uma tremenda responsabilidade.

Também é verdade que hoje representamos 20% na disputa presidencial, e que quase um milhão de chilenos nas eleições parlamentárias, e necessitamos muito mais que isso para ser governo. Alcançar essa diferença só será possível com diálogos sinceros, com paciência e sem exageros, respeitando a autonomia de cada um dos projetos ao qual vamos nos opor, apresentados pelo governo de direita, sendo a oposição e o peso relativo que alcançamos, de forma responsável.

Precisamos aprender rápido a trabalhar com outros que, estando fora da Frente, compartilham nossos objetivos: um novo modelo de desenvolvimento, uma democracia profunda e uma vida segura com direitos sociais universais desde o nascimento até a velhice. Coordenar uma ação conjunta quando seja possível, competir com eles quando seja necessário. Depende de nós, da nossa capacidade, a tarefa de transformar o anseio de mudanças em ação real e eficaz. Necessitamos dar um passo para frente, nos organizar e avançar.


Sebastián Depolo é sociólogo da Universidade de Concepción, presidente do partido Revolução Democrática e foi chefe de campanha da candidata presidencial da Frente Ampla, Beatriz Sánchez.