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quarta-feira, 18 de outubro de 2023

"Ou você está com a Palestina ou você está ao lado do genocídio", dizem rabinos judeus, após massacre israelense em hospital


Grupo de rabinos ortodoxos também adotou a bandeira da Palestina em seus perfis nas redes sociais
18 de outubro de 2023, 04:41 h

"Ou você está com a Palestina ou você está ao lado do genocídio", dizem rabinos judeus, após massacre israelense em hospital · Ouvir artigo


247 – "Os sionistas estão cometendo genocídio contra o povo palestino. O seu objetivo é destruir todo o povo palestino. Eles não são judeus, são sionistas. Não chame Israel de Estado Judeu, porque Israel é um Estado sionista ocupante. Não chame os sionistas de judeus, eles não têm nada a ver com o judaísmo. Não associe o Sionismo ao Judaísmo, pois o Sionismo não é o mesmo que o Judaísmo", postou em suas redes sociais o grupo Torah Judaism, formado por rabinos ortodoxos. Abaixo do post, a imagem com os dizeres: "ou você está ao lado da Palestina, ou você está ao lado do genocídio".

Tal imagem foi postada após o massacre promovido pelo governo de Benjamin Netanyahu em um hospital, que assassinou mais de 500 civis, entre mulheres, idosos, médicos e enfermeiras, provocando indignação internacional. O grupo de rabinos ortodoxos também adotou a bandeira da Palestina em seus perfis nas redes sociais.

Israel culpa Jihad por hospital explodido e usa vídeo fake de foguete em perfil oficial


Tel Aviv tenta conter revolta generalizada após 500 civis morrerem em bombardeio em unidade de saúde de Gaza e dá versão confusa para matança, culpando grupo palestino
Escrito em Global17/10/2023 · 19:52


Criança e mãe feridas em hospital atingido por um foguete, em Gaza. Twitter/Reprodução


O devastador ataque por um foguete ao Hospital Al-Ahli, em Gaza, que deixou pelo menos 500 civis mortos, entre eles inúmeras crianças, na noite desta terça-feira (17), elevou as tensões no Oriente Médio a outro patamar e fez com que o governo de Israel corresse para espalhar a versão de que não foi o autor do covarde bombardeio. Segundo Tel Aviv “um foguete do grupo Jihad Islâmica, que falhou”, teria provocado a explosão na unidade de saúde palestina.

Com o levante de milhares de pessoas em vários países árabes poucas horas depois da tragédia e uma agitação descontrolada nesta noite na Cisjordânia, a administração de Benjamin Netanyahu corre para estancar a perda de apoio que o acontecimento provocou, inclusive deixando aliados da Europa e os EUA assustados e furiosos.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Europa fecha cerco aos microplásticos


Anne-Sophie Brändlin
há 4 horas

Bloco europeu proíbe venda de produtos como glitter plástico e estabelece período de transição para banimento completo de microplásticos em cosméticos e materiais de construção.

https://p.dw.com/p/4XeK2

Microplásticos são intencionalmente adicionados a uma serie de produtos que utilizamos no dia-dia. 
Seus riscos à saúde ainda são desconhecidos.

Foto: Alexander Stein/JOKER/picture alliance


Das profundezas do oceano aos picos das montanhas, dos nossos alimentos e bebidas ao nosso sangue e fezes; são raros os locais onde microplásticos ainda não foram detectados
A ONU estima que exista mais da substância nos mares do que estrelas na galáxia.

Uma vez que o microplástico está no ambiente, no ar, na água, no solo, ele não se biodegrada e não pode ser extinto. Isso significa que permanece no ambiente por séculos, e, além de representar uma ameaça para a natureza, acaba entrando na cadeia alimentar e no corpo humano.

Os microplásticos são usados ​​como partículas abrasivas em pastas de dente ou esfoliantes, ou como aglutinantes que alteram a consistência dos líquidos, por exemplo.

Existem também os microplásticos que resultam da quebra de itens plásticos maiores, como canudos e garrafas de água.

Atualmente, estima-se que 42 mil toneladas destes pequenos pedaços de plásticos (com menos de cinco milímetros de diâmetro) são liberadas anualmente na União Europeia. No entanto, seus efeitos na saúde humana seguem desconhecidos.

"É por isso que é tão importante frear o fluxo de liberação dessa substância no ambiente", diz Johanna Bernsel, porta-voz da Comissão Europeia.

Para lidar com o problema, o bloco baniu a venda tanto dos próprios microplásticos, quanto de produtos aos quais eles foram intencionalmente adicionados.

No domingo, já passou a vigorar uma proibição separada de alguns produtos que contêm microplásticos, como glitter e outros cosméticos. A medida levou a um aumento nas vendas na Alemanha antes do banimento.
Embora minúsculas, as particulas são uma das principais causas de poluição ambiental.Foto: Alfonso Di Vincenzo/IPA/Kontrolab/picture alliance

Que produtos serão impactados pela proibição?

A nova regra abrange todas as partículas de polímeros sintéticos com menos de cinco milímetros que sejam orgânicas, insolúveis e resistentes à degradação, e terá impacto numa vasta gama de produtos: cosméticos, detergentes, glitters corporais, fertilizantes, produtos fitofarmacêuticos, brinquedos, medicamentos, dispositivos médicos e superfícies desportivas artificiais.

Não serão afetados os materiais de construção que contêm microplásticos, mas não os liberam no ambiente, e os produtos utilizados em instalações industriais. No entanto, os fabricantes terão de comunicar anualmente as suas emissões estimadas de microplásticos e terão de fornecer instruções sobre como utilizar e eliminar os produtos para evitar que os microplásticos escapem para o ambiente.
O glitter feito de plástico será banido.Foto: Zheng Huansong/Xinhua News Agency/picture alliance

Além disso, a proibição não se restringe aos produtos fabricados na UE, mas também aos importados.

"Nesse sentido, também promoverá a inovação da indústria europeia”, aponta Bernsel
Tempo de adaptação

Para cosméticos contendo microesferas – pequenas esferas de plástico usadas para esfoliação – e glitter solto feito de plástico, a proibição já entrou em vigor. Mas para outros cosméticos, haverá um período de transição entre quatro e 12 anos, dependendo da complexidade do produto e da disponibilidade de alternativas adequadas.

Para o material de enchimento utilizado em quadras esportivas, haverá um período de oito anos para os proprietários das quadras mudarem para outras alternativas, permitindo também que a maioria das quadras existentes cheguem ao fim da sua vida útil, quando teriam de ser substituídas de qualquer forma.

A busca por substitutos

Marc Kreutzbruck, chefe do instituto de engenharia de plásticos da Universidade de Stuttgart, ressalta que substituir o plástico pode, em muitos casos, ser maléfico para as metas climáticas. O material é eficaz na redução de gasto energético:

"Infelizmente, os plásticos são materiais que podem ser moldados com temperaturas muito baixas”, revela. "Independente do material, cerâmica, metal, vidro ou qualquer outro:todos requerem significativamente mais energia para serem transformados em produtos."

O pesquisador afirma que a reciclagem e a sustentabilidade são o caminho a seguir.
A ONU estima que existe mais microplástico nos mares do que estrelas na galáxia.Foto: Annika Hammerschlag/AA/picture alliance

"Precisamos alcançar 100% de reciclagem. O plástico não é descartável; é um material valioso que precisa ser coletado e reciclado. Essa mentalidade deve ser incorporada pelas pessoas", ressalta.

Outra solução é o uso de plásticos biodegradáveis, que se decompõem rapidamente no meio ambiente. No entanto, a alternativa tem atualmente uma participação de mercado praticamente insignificante. Além disso, Kreutzbruck acrescentou que o plástico biodegradável não pode ser usado ​​para todos os produtos, especialmente os complexos, como embalagens de alimentos.

Bernsel aponta ser necessário esforços conjuntos de quem decide políticas públicas, da indústria, e da comunidade científica. O porta-voz está otimista de que as novas restrições irão promover incentivos para tanto.

"Nós acreditamos que o futuro da indústria química é enfatizar a sustentabilidade e as alternativas sustentáveis. Então esta é uma oportunidade para a indústria europeia estar na vanguarda, é assim que manteremos nossas vantagens competitivas,”ela enfatiza.
Que impacto terá a proibição?

No âmbito do Plano de Ação para Poluição Zero, a UE comprometeu-se a reduzir em 30% os resíduos de microplásticos até 2030. A proibição que acabou de ser aprovada é um primeiro passo em direção e esse objetivo.

Espera-se que a proibição impeça a liberação de cerca de meio milhão de toneladas de microplásticos no ambiente, mas Kreutzbruck diz que é preciso fazer mais.

"É importante compreender que, em comparação com o volume total de plástico no ambiente, os microplásticos nos cosméticos representam menos de 1%. Portanto, embora seja bom que estas medidas estejam sendo tomadas, elas apenas arranham a superfície do problema”, manifesta o pesquisador.

Medidas que vão além poderiam ajudar a UE a combater os microplásticos que são liberados involuntariamente na atmosfera, como por exemplo quando pneus ou roupas são lavados.

Bernel espera que o novo regulamento possa inspirar outras regiões do mundo a tomar medidas semelhantes.

"Dar o exemplo em questões ambientais provou ser muito bem sucedido noutras áreas no passado”, expressa Bernel.


O desgaste dos pneus também libera microplásticos no ambiente.Foto: PantherMedia/picture alliance

Fonte: EL PAIS

Perseu Abramo e os padrões de manipulação da imprensa sobre a geopolítica palestina


Questões como Israel não respeitar a partilha proposta pela ONU sobre a divisão da Palestina em dois estados, o genocídio palestino, o regime de apartheid na Cisjordânia e a “maior prisão a céu aberto do mundo” existente em Gaza são estrategicamente eliminadas dos noticiários

POR FRANCISCO FERNANDES LADEIRA
Escrito em Opinião16/10/2023 · 18:59


Forças de Defesa de Israel já jogaram seis mil bombas sobre a Faixa de Gaza. Wafa


Em 1996, foi publicado pela primeira vez o livro “Padrões de Manipulação na Grande Imprensa”, do jornalista, sociólogo e professor Perseu Abramo. A obra em questão destaca os motivos pelos quais a mídia hegemônica brasileira falseia a realidade, invisibiliza determinados atores sociais e descontextualiza fatos para defender interesses políticos e econômicos que não são os mesmos dos leitores, ouvintes e telespectadores.

Para tanto, Abramo distingue quatro padrões de manipulação presentes na imprensa: padrão de ocultação, padrão de fragmentação, padrão de inversão e padrão de indução. Tratam-se de tipos ou modelos de manipulação, em torno dos quais gira, com maior ou menor grau de aproximação ou distanciamento, a maioria das matérias da produção jornalística.

Conforme reconhecem especialistas na área da Comunicação, não apenas o seminal “Padrões de Manipulação na Grande Imprensa”, mas toda a profícua bibliografia de Perseu Abramo, constitui um grande referencial para os cursos de jornalismo e para análises do discurso midiático.

Sendo assim, podemos compreender a cobertura da grande imprensa sobre os recentes acontecimentos na geopolítica palestina a partir dos padrões de manipulação elencados por Perseu Abramo.

O “padrão de ocultação” diz respeito à ausência e à presença de certos fatos na produção da imprensa. Ou seja, está relacionado à escolha do que é um fato jornalístico e o que não é um fato jornalístico. Consequentemente, a mídia, ao definir em sua pauta aquilo que entende que deve ser noticiado, oculta, intencionalmente, parte da realidade. O “fato” presente na produção jornalística passa a tomar o lugar do “fato real”, e a compor uma outra realidade, criada pela imprensa.

Não há dúvidas que o secular conflito entre israelenses e palestinos, um dos principais focos de tensão da geopolítica global, é um “fato jornalístico” (haja vista o grande interesse das pessoas em se manifestarem sobre esta temática, seja nas conversações cotidianas ou nas redes sociais).

No entanto, como observado no parágrafo acima, a mídia, ao noticiar um determinado acontecimento, oculta, de forma intencional, parte da realidade. No caso da geopolítica palestina, tal prática de manipulação tem por objetivo desenvolver uma espécie de propaganda de guerra pró-Israel. Uma narrativa que só recorre a fontes favoráveis ao Estado Sionista e oculta o contraditório, isto é, qualquer tipo de posicionalmente pró-Palestina.

Esta (proposital) ocultação vai em encontro ao chamado “padrão de fragmentação”, em que, mesmo um fato escolhido como “fato jornalístico”, é estilhaçado, despedaçado, fragmentado em milhões de minúsculos fatos particularizados; e não é apresentado em suas estruturas e interconexões, sua dinâmica, movimentos e processos históricos próprios, suas causas, condições e consequências.

Logo, é eliminada toda a historicidade das relações entre palestinos e israelenses. Questões como Israel não respeitar a partilha proposta pela ONU sobre a divisão da Palestina em dois estados, o genocídio palestino, o regime de apartheid na Cijordânia e a “maior prisão a céu aberto do mundo” existente em Gaza são estrategicamente eliminadas dos noticiários.

Nessa lógica, esgota-se o acontecimento em sua imediatidade, com objetivo de produzir uma “realidade” em que os antagonismos entre palestinos e israelenses tiveram início no sábado, 7 de outubro, com o “ataque terrorista do grupo extremista Hamas à Israel”.

Em sequência, tem-se o “padrão de inversão”, quando ordem e importância das partes fragmentadas são alteradas: o secundário é apresentado como o principal e vice-versa.

Como sabemos, o ponto central da geopolítica palestina é a questão territorial, especificamente a usurpação colonial de terras palestinas por parte do Estado de Israel. Mas, no “padrão de inversão” da imprensa, o ataque realizado por militantes do Hamas contra as pessoas que estavam na edição israelense da rave Universo Paralello é apresentado como início dos antagonismos entre Israel e Palestina.

Evidentemente, em quaisquer circunstâncias, mortes de civis devem ser lamentadas. Porém, quem conhece minimamente a história do Oriente Médio, sabe que o episódio da rave, apesar de sua gravidade, não é o principal fator para se compreender o conflito que se passa na Palestina.

Por fim, de acordo com Perseu Abramo, o que caracteriza a manipulação como um fato essencial da grande imprensa é a hábil combinação dos casos, momentos, formas e graus de distorção da realidade, submetendo a população à condição de ser excluída da possibilidade de ver e compreender a realidade e a consumir uma “outra realidade”, artificialmente inventada.

É o chamado “padrão de indução”, resultado e ao mesmo tempo o impulso final da articulação combinada de outros padrões de manipulação dos veículos de comunicação.

Desse modo, dependendo das circunstâncias, as pessoas podem agir baseadas não no que realmente está se passando, ou que tenha ocorrido, mas naquilo que imaginam ser a situação real, obtida a partir de descrições fornecidas pela imprensa – significações e interpretações que, frequentemente, têm apenas limitada correspondência com que se passou.

Como as milhares de vítimas civis do exército sionista em Gaza e na Cisjordânia não aparecem nos noticiários (afinal de contas, “não são gente como a gente”, como diz Guga Chacra) e, por outro lado, o ocorrido na rave israelense é sistematicamente relembrado nos principais canais de televisão (além da fake news dos bebês degolados pelo Hamas); o cidadão comum, sensibilizado, tende a se solidarizar com Israel e a culpar os “radicais palestinos” pela “guerra” no Oriente Médio.

Não por acaso, Perseu Abramo advertia que o público, submetido constantemente aos padrões de manipulação da imprensa, pode ser induzido a ver o mundo não como ele é, mas como querem que o veja.

Diante dessa realidade, cabe às forças progressistas se mobilizarem para impedir que os padrões de manipulação da imprensa hegemônica prevaleçam como “versão oficial” sobre a geopolítica palestina. Isso significa fazer com que os crimes do Estado Sionista sejam devidamente reconhecidos pelo grande público (atrocidades que só encontram paralelos nos piores momentos da história da humanidade, como o colonialismo europeu, o Apartheid sul-africano e o Holocausto).

Caso contrário, ocorrerá aquilo que Malcolm X já alertava: Rede Globo, CNN, Folha de São Paulo e Veja farão com que as pessoas amem o opressor (Israel) e odeiem o oprimido (Palestina).

* Francisco Fernandes Ladeira é doutorando em Geografia pela Unicamp. Autor de catorze livros, entre eles “A ideologia dos noticiários internacionais” (Editora CRV).

500 palestinos morrem em bombardeio de Israel; Hamas chama ação de "genocídio" e convoca ação de países árabes


Ataque israelense a hospital em Gaza é "sem precedentes": "todos estão mortos", diz defesa civil

Escrito em Global17/10/2023 · 15:21


Crime de guerra contra hospital comandado por Israel  Reprodução/Redes Sociais

O ministro da defesa civil de Gaza, Mahmoud Basal, denunciou que a operação israelense contra o hospital de Al Ahli, em Gaza, se constituiu como um crime de guerra e um genocídio.

“O massacre no Hospital Al-Ahli não tem precedentes na nossa história. Sei que testemunhamos massacres horríveis nos últimos dias, o que aconteceu esta noite constitui um genocídio por todas as definições, não há feridos, todos estão mortos", afirmou o ministro da defesa civil palestina.

Cerca de 500 pessoas estão mortas. Centenas de pessoas se abrigavam no hospital por considerarem que o estado de Israel não bombardearia um hospital repleto de civis.

Este é o maior ataque de Israel contra Gaza desde 2007, quando a região foi cercada e convertida em um campo de concentração a céu aberto por israelenses e egípcios.

Reação do Hamas

O Hamas publicou uma nota exigindo que os países árabes e muçulmanos entrem no conflito o mais rápido possível para responder ao crime de guerra israelense.

"O massacre do hospital na Faixa de Gaza é um crime de genocídio", afirma o grupo. "Centenas de vítimas, a maioria delas famílias, pacientes, crianças e mulheres deslocadas, é um crime de genocídio que mais uma vez revela a face feia deste criminoso inimigo e o seu governo fascista e terrorista", afirmou o grupo.

"Isto também expõe o apoio americano e ocidental a esta ocupação criminosa. A comunidade internacional e os países árabes e islâmicos devem assumir as suas responsabilidades e intervir imediatamente, agora e não amanhã... para acabar com a arrogância da ocupação e do seu exército fascista, e responsabilizá-la pelo genocídio", diz o grupo em nota oficial.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

INAÇÃO CLIMÁTICA, AÇÃO JUDICIAL. ESTARÁ O FUTURO DO PLANETA NAS MÃOS DOS TRIBUNAIS?





A litigância climática mais do que duplicou nos últimos seis anos. Vários grupos têm avançado com ações judiciais para obrigar governos e empresas a reduzir emissões, por forma a cumprirem o Acordo de Paris. E já há vitórias assinaláveis.
LUÍS RIBEIROJORNALISTA

VISÃO VERDE15.10.2023 às 13h00



De um lado, Duarte Agostinho e mais cinco jovens portugueses. Do outro, os governos de 32 países – toda a União Europeia, mais o Reino Unido, a Noruega, a Rússia, a Suíça e a Turquia. Por mais tentador que seja olhar para isto como um caso de meia dúzia de miúdos contra o mundo, é precisamente o contrário: é a favor do mundo.

Fonte: https://visao.pt/visao_verde/2023-10-15-inacao-climatica-acao-judicial-estara-o-futuro-do-planeta-nas-maos-dos-tribunais/?utm_source=Vis%C3%A3o&utm_medium=Gaveta_Multimarca&utm_campaign=Gavetas_Artigos_22

INDIGNAI-VOS

"MINHA INDIGNAÇÃO A RESPEITO DA PALESTINA 

Hoje, minha principal indignação diz respeito à Palestina, à Faixa de Gaza, à Cisjordânia. A fonte da minha indignação é o clamor à diáspora lançado por israelenses inflamados: vocês, nossos primogênitos, venham ver aonde nossos dirigentes levaram nosso país, esquecendo os valores humanos fundamentais do judaísmo. Eu lá estive em 2002, e cinco outras vezes, até 2009. Todos devem imperiosamente ler o relatório sobre Gaza de Richard Goldstone, de setembro de 2009, no qual esse juiz sul-africano, judeu, que até se diz sionista, acusa o Exército israelense de ter cometido “atos comparáveis a crimes de guerra e, em certas circunstâncias, a crimes contra a humanidade” no decorrer da operação “Chumbo Fundido”, que durou três semanas. Em 2009, eu e minha esposa retornamos a Gaza - onde só pudemos entrar graças aos nossos passaportes diplomáticos - com o objetivo de estudar ao vivo o que esse relatório dizia. As pessoas que nos acompanhavam não foram autorizadas a entrar na Faixa de Gaza. Nem na Cisjordânia. Nós também visitamos os campos de refugiados palestinos instalados desde 1948 pela agência das Nações Unidas, a UNRWA, nos quais mais de 3 milhões de palestinos; escorraçados de suas terras por Israel, esperam um retorno cada vez mais problemático. Quanto a Gaza, é uma prisão a céu aberto para 1 milhão e meio de palestinos. Uma prisão em que eles se organizam para sobreviver. Mais ainda do que as destruições materiais, como a do hospital do Crescente Vermelho pela operação “Chumbo Fundido”, é o comportamento dos habitantes de Gaza, seu patriotismo, seu amor pelo mar e pelas praias, sua constante preocupação pelo bem-estar de suas crianças, inúmeras e risonhas, que assombra nossa memória. 

Ficamos impressionados com a forma engenhosa de afrontarem todas as penúrias que lhes são impostas. Nós os vimos fabricando tijolos, por falta de cimento, para reconstruir milhares de casas destruídas pelos tanques israelenses. 

Eles nos confirmaram que na malfadada operação “Chumbo Fundido” houve 1.400 mortes de mulheres, crianças e idosos, também no interior do campo palestino - contra somente 50 feridos do lado israelense. 

Concordo com as conclusões do juiz sul-africano: que judeus possam perpetrar, eles mesmos, crimes de guerra, é insuportável. Infelizmente, a história nos dá poucos exemplos de povos que tiraram lições de sua própria história. 

Eu sei. O Hamas, que venceu as últimas eleições legislativas (2005), não conseguiu evitar que mísseis fossem disparados contra cidades israelenses, em resposta à situação de isolamento na qual se encontram os habitantes de Gaza. 

Evidentemente, acredito que o terrorismo é inaceitável, mas há que se reconhecer que, quando estamos sob ocupação, diante de meios militares infinitamente superiores aos nossos, a reação popular não pode ser somente não violenta. 

Terá adiantado alguma coisa o Hamas disparar mísseis contra a cidade de Sderot? A resposta é “não”. Não ajudou a sua causa, mas esse gesto pode ser explicado pela exasperação dos habitantes de Gaza. No conceito de exasperação, devemos entender a violência como uma lamentável conclusão de situações inaceitáveis para quem as sofrem. Por isso, podemos dizer que o terrorismo é um tipo de exasperação. E que esta exasperação é um termo negativo. Não se deveria ex-asperar, mas sim es-perar. A exasperação é uma negação da esperança. É compreensível, eu diria que é quase natural, mas nem por isso aceitável. Porque ela não permite obter os resultados que eventualmente podem ser produzidos pela esperança.

STÉPHANE HESSEL - Indignai-vos - https://infonet.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Livro-Indignai-vos-Ste%CC%81phane-Hessel.pdf


quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Para reflexão

Catarinenses bolsonaristas que estigmatizam os irmãos nordestinos, poderiam aproveitar o momento difícil que as chuvas insistentes propiciam para refletir sobre o que é pior: ser falgelado (e retirante) por causa de secas impiedosas ou por casa de enchentes, inundações, desbarrancamentos, isolamento por destruição de estradas e pontes? 

Uma coisa é certa: nas horas difíceis é que se percebe o quanto é importante a solidariedade e quanto são desprezíveis o preconceito, o menosprezo e a soberba.

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Os árabes têm motivos para não gostar dos Ocidentais ?

 


- VITERBO - Elucidário.

Jorge Pontual, da GloboNews, divulga fake news sobre bebês decapitados, que é propagada por Eduardo Bolsonaro


Nikolas Ferreira também propagou mentira criada pela mídia israelense, que ganhou repercussão na GloboNews, mas foi desmentida pelo próprio Exército de Israel.
Escrito em Mídia11/10/2023 · 09:42





Jorge Pontual, Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira. TV Globo / Instagram


A cobertura da guerra entre Hamas e o Estado Sionista de Israel desta terça-feira (10) revelou como fake news criadas pela mídia liberal alimentam o discurso de ódio e preconceito propagado pela extrema-direita bolsonarista no Brasil.

Após Mônica Waldvogel criar fake news sobre apoio do PT ao Hamas, foi a vez do correspondente da GloboNews em Nova York, o jornalista veterano Jorge Pontual, disseminar a mentira de que o grupo islâmico teria decapitado bebês durante ação no kibutz Kfar Aza, localizado na fronteira com a faixa de Gaza.

Em comentário na GloboNews, Pontual falou sobre o "horror de todos, não só americanos e israelenses, diante dessa monstruosidade que o Hamas fez em Israel: é pior que terrorismo você decapitar bebês".

A fake news, no entanto, foi desmentida pelo próprio Exército de Israel. Segundo a agência de notícias turca Anadolu, as forças israelenses afirmaram que não tem informações sobre a decapitação de bebês durante o conflito.

"Temos visto as notícias, mas não temos nenhum detalhe ou confirmação a respeito", afirmou à agência o porta-voz do Exército de Israel.

A informação passou a circular após a jornalista Nicole Zedeck, do canal israelense i24News, acompanhar a ação de um grupo de militares em Kfar Aza

"Um dos comandantes aqui disse que, ao menos, 40 bebês foram mortos. Alguns deles foram decapitados, ele disse que nunca viu um ato de brutalidade desta forma", afirmou.

Em seguida, compartilhando a notícia na rede X (antigo Twitter), a jornalista afirmou que "os soldados disseram que acreditam que 40 bebês/crianças foram mortos. O número exato de mortos ainda é desconhecido".

Oren Ziv, outro repórter que acompanhou a ação dos militares na região, afirmou em sequência de publicações na rede X que "não vimos nenhuma evidência disso, e o porta-voz ou comandantes do exército também não mencionou nenhum desses incidentes", sobre supostos bebês decapitados pelo Hamas.

"Durante a visita, os jornalistas foram autorizados a falar com centenas de soldados no local, sem a supervisão da equipa de porta-vozes do exército. A repórter do I24 disse que ouviu isso 'de soldados'. Os soldados com quem conversei ontem em Kfar Aza não mencionaram 'bebês decapitados'. O porta-voz do exército afirmou: 'Não podemos confirmar neste momento… estamos cientes dos atos hediondos de que o Hamas é capaz'”, afirmou Ziv.

O jornalista ressaltou que "a cena em Kfar Aza era horrível, com dezenas de corpos de israelenses assassinados em suas casas", mas alertou que a fake news agora será usada pela máquina de guerra do governo sionista de Israel.

"Infelizmente, Israel irá agora usar estas falsas alegações para intensificar o bombardeamento de Gaza e para justificar os seus crimes de guerra naquele país".

Redes do ódio

A divulgação da fake news pela Globo se propagou nas redes do ódio da extrema-direita. Filho de Jair Bolsonaro (PL), o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) compartilhou a fake news em ao menos duas publicações na rede X.

"Bom dia para você não apóia que terroristas decapitem 40 bebês", escreveu em publicação já na manhã desta quarta-feira (11).


Outro expoente das redes do ódio, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também surfou na onda de fake news divulgada pela GloboNews.

"40 bebês decapitados pelo Hamas. Nem assim autoridades brasileiras virão condenar e chama-los de terroristas? Surreal", escreveu o parlamentar mineiro disseminando a fake news, que segue sendo propagada nas redes e grupos de WhatsApp e Telegram bolsonaristas.