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Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

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quarta-feira, 19 de junho de 2024

ABUSO POLICIAL, SOB UM GOVERNO ESTADUAL BOLSONARISTA - Advogada foi chamada de 'lixo' e presa ao acompanhar depoimento em SP





19 de junho de 2024, 8h25


A seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil ingressou com pedido de Habeas Corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo, buscando o trancamento de ação penal contra a advogada Juliana Jordão Baier de Azevedo, que foi presa no exercício da profissão por policiais civis e chamada de “lixo” pelos agentes.



Advogada foi presa ao acompanhar depoimento de testemunha em SP


Na ocasião, a advogada acompanhava depoimento de uma testemunha de inquérito policial em que a sua mãe figura como vítima de violência. O fato apurado já havia sido objeto de inquérito arquivado por ausência de provas.

Inconformada, a advogada acionou a Corregedoria da Polícia Civil e o arquivamento do inquérito vem sendo apurado pelo órgão correcional.

A advogada também buscou auxílio da Casa da Mulher Brasileira e registrou novo boletim de ocorrência, que pedia que fosse apurado, além da violência, o crime de perseguição.

O inquérito ficou parado durante meses, e a profissional teve que recorrer ao Ministério Público que, por duas vezes, determinou a anexação de provas diante da resistência policial.

No pedido de HC, o advogado Alexandre Ogusuku — que representa Juliana em nome da OAB-SP — afirma que a advogada foi “presa, pisoteada, jogada no cárcere, como acontecia no auge das ditaduras que macularam a história do nosso país”.

Desrespeito à advocacia

Juliana é acusada dos crimes de desacato, desobediência, resistência e vias de fato. No recurso protocolado no TJ-SP, a defesa desclassifica uma por uma as imputações e chama atenção para um flagrante preparado pelos policiais.


No dia da oitiva, a advogada teve arrancado das mãos o termo de interrogatório e, ao solicitar que o documento fosse devolvido, foi cercada por policiais.

“Observe-se que para um simples ato policial, a tomada de depoimento de uma testemunha, a delegada fez-se cercar de oito policiais, demonstrando força e autoridade desnecessária, tratando a advogada como bandida, em clara tentativa de flagrante preparado”, diz trecho da petição.

“Ao expressar sua indignação e afirmar que iria na corregedoria, Juliana foi imediatamente detida, e durante o processo de prisão, sua identidade como advogada foi ignorada, retirando sua proteção legal.”


A peça também apresenta vídeos e gravações do ocorrido. Em uma das gravações a advogada é chamada de “lixo”. Em outro trecho, após a advogada dizer que iria procurar a corregedoria, o agente policial respondeu: “Vai pra puta que pariu”.

Processo 1504994-55.2024.8.26.0228

  • é repórter da revista Consultor Jurídico.

segunda-feira, 17 de junho de 2024

E tem gente da direita espalhafatosa que apregoa que o governo do PT e aliados é de "comunistas"

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usou a música “K.O.”, da artista e drag queen Pabllo Vittar, para celebrar o aumento do lucro líquido de bancos no Brasil no ano de 2023. Em publicação nos stories do Instagram no sábado (15.jun.2024), o ex-chefe do Executivo cita publicação do portal g1, com o título “Lucro dos bancos bate recorde e soma R$ 144 bilhões em 2023, aponta Banco Central”....


Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/poder-gente/bolsonaro-usa-k-o-de-pabllo-vittar-para-celebrar-lucro-de-bancos/)


Essa é uma das consequências da denominada "autonomia" do Banco Central.

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MP do TCU pede investigação sobre influência de bancos na definição da taxa de juros pelo Banco Central

"A definição da taxa de juros em níveis estratosféricos possui o efeito de quebrar o país, enriquecendo alguns aplicadores do mercado", avalia o subprocurador-geral Lucas Furtado

17 de junho de 2024, 07:43 h


Roberto Campos Neto (Foto: Pedro França/Agência Senado)
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO


247 - O subprocurador-geral Lucas Furtado, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), provocou uma nova discussão sobre a transparência e a integridade dos processos de definição de políticas monetárias no Brasil. Em uma representação formal datada desta sexta-feira (14), Furtado solicitou que o TCU investigue a possível influência indevida de bancos e instituições financeiras na definição de índices econômicos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, informa a Folha de S. Paulo.

A preocupação central de Furtado recai sobre o Boletim Focus, uma publicação semanal do Banco Central que compila as expectativas de mercado para diversos indicadores econômicos, incluindo a taxa básica de juros (Selic), o câmbio, o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação. De acordo com Furtado, há um potencial risco moral devido ao impacto dessas previsões nas decisões do Copom.

"Ora, se a taxa de juros básica que conduzirá relações financeiras no país é definida levando em consideração previsões dos próprios agentes que irão reger tais relações, vejo que se pode estar diante de uma gama de possibilidades de manipulação de índices por essas instituições", argumenta Furtado em sua representação.

Essa suspeita de que os bancos possam influenciar a política monetária para benefício próprio levanta sérias questões sobre a integridade do processo de formulação de políticas econômicas no Brasil. Furtado sugere que a influência do Boletim Focus pode permitir a manipulação das expectativas e decisões econômicas, favorecendo instituições financeiras que lucrariam com operações baseadas nesses índices. "Vejo que se pode estar diante de fatos que podem comprovar que a definição da taxa básica de juros do país em níveis estratosféricos não possui o efeito de controlar a inflação, conforme alega o Bacen, mas sim o de quebrar o país, enriquecendo alguns aplicadores do mercado," alerta Furtado. Ele sugere que as altas taxas de juros, em vez de conter a inflação, podem estar prejudicando a economia e beneficiando apenas alguns setores do mercado financeiro.

Além de solicitar a investigação sobre a influência dos bancos nas decisões do Copom, Furtado pede que o TCU passe a monitorar a atuação dos membros do Copom após o término de seus mandatos. Ele sugere que isso vá além do período de quarentena atualmente exigido, com o objetivo de "evitar possíveis danos à política monetária e o enriquecimento desses agentes em decorrência do exercício de suas funções públicas" no Banco Central.

O Banco Central foi procurado para comentar as alegações e a representação de Furtado, mas optou por não se manifestar.

domingo, 16 de junho de 2024

SITUAÇÃO INSUSTENTÁVEL - Até quando o Brasil aguentará o fundamentalismo evangélico tosco do bolsonarismo


Esses talibãs fazem qualquer ser humano normal pegar nojo de um país que flerta com a Idade Média. PL para prender mulheres estupradas por até 20 anos é uma brutalidade canalha

Bolsonaro participa de ato com fanáticos evangélicos.Créditos: Alan Santos/Presidência da República

Escrito en OPINIÃO el 13/6/2024 · 21:05 hs

Diante da mais grave e inacreditável ofensiva do fundamentalismo evangélico bolsonarista, os brasileiros normais devem estar se perguntando: até onde o país aguentará a barbárie desses talibãs desajustados? A pergunta passa pela cabeça de muita gente, mas uma resposta para ela segue indefinida.

Vários países mundo afora já provaram uma guinada à direita, desde nações mais ricas e com elevado padrão de vida até estados mais pobres. No entanto, o que vemos por aqui é algo tosco, ultrajante e inaceitável, de um radicalismo medieval que nos faz crer que talvez estejamos não entendendo o que se passa na realidade.

O bolsonarismo é um fenômeno difícil de se explicar em poucas palavras, mescla maldade e ignorância com colheradas generosas de falsa religiosidade hipócrita e pitadas significativas de oportunismo. Lógico que vem dando resultados “positivos” para quem explora esse filão, mas as últimas investidas dessa corja de aloprados asquerosos cruzou todas as linhas e há um ponto máximo nelas: o PL 1904, que pretende punir com pena de 20 anos de prisão (equivalente à condenação por homicídio) uma mulher que realize um aborto legal, com autorização da Justiça em casos de estupro ou risco de morte para a mãe, após 22 semanas de gestação. É algo tão nojento que provoca engulhos em todos os viventes que não estejam envolvidos com essa massa de canalhas.


Num programa de grande audiência num canal a cabo de notícias, um dos deputados evangélicos que se apossaram da Câmara, um tal Cezinha de Madureira (PSD-SP), diz após a âncora ler detalhadamente três pesquisas científicas sobre o tema realizadas por três diferentes instituições que as pesquisas dele é que são as “certas”, porque “Deus é sua pesquisa”. É possível alguém, em 2024, crer que uma declaração do tipo seja aceitável em qualquer esfera da política nacional? A declaração é digna de um talibã, e explico: esses fundamentalistas islâmicos do Afeganistão tomam decisões e propõem absurdos usando como base “Deus”.

Esse grupo de políticos, a tal "bancada evangélica", que é muito numeroso e age com chantagens e ameaças explícitas dentro do parlamento, elegeu tal agenda dantesca há muito tempo, mas vem intensificando sua artilharia bem no momento em que dezenas e dezenas de casos de estupro e violência eclodem entre “pastores” e outros picaretas pseudorreligiosos por todo o país. Após anos de denúncias de estelionato e abuso sem escrúpulos da fé alheia, a patota de celerados que vive como se estivesse no começo do segundo milênio agora se sente empoderada e está, de fato e pra valer, decidindo os rumos do Brasil.

Imagine você ter que escutar de alguém como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) que tal medida cruel como o PL 1904 é “pela vida”. Um sujeito que desfila pelos corredores do poder em Brasília usando uma camiseta em homenagem a Carlos Alberto Brilhante Ustra, um psicopata torturador e assassino. Ninguém acredita nessa afirmação, nem mesmo ele. Aquilo é para ser ouvido e aceito pelos estercos humanos de mau-caráter que o admiram e pelos incautos manipulados por essas seitas de fundo de quintal que se intitulam “igrejas”.

Imagine tomar como ponto de partida para sua fé e crença em algum Deus o senador Magno Malta (PL-ES). Homem de hábitos e falas agressivas, já foi flagrando com fotos do seu pênis em rede social e acusado de mandar prender e torturar um homem que posteriormente foi inocentado pela Justiça. Seria um desperdício de tempo e espaço seguir aqui listando esses “cristãos ultraconservadores” que em muitos casos já tiverem toneladas de drogas apreendidas em suas empresas e veículos, que assediaram sexualmente mulheres do seu convívio, que desviaram dinheiro público em emendas do relator ou ainda que se relacionam homossexualmente e pregam ódio visceral aos homossexuais (não há ilegalidade ou crime algum em ser gay, mas em pregar ódio aos gays, há sim).

A chegada do PL 1904 ao que parece servirá para um outro exercício de consciência no país, e não é o da manutenção dos direitos das mulheres. É sobre o quanto mais aguentaremos ser reféns desses anormais medievalescos. É simplesmente uma experiência nauseabunda ter que ficar escutando como "argumento", nas mais variadas esferas da vida como cidadão, esses "embasamentos" de que “o meu Deus determinou tal coisa”. Ninguém está preocupado com o que “o seu Deus te falou”. É preciso, mais do que nunca, que a civilização ponha um freio nesses fanáticos sob pena de que o Brasil deixe de existir como uma nação funcional e minimamente séria junto à comunidade internacional.

https://revistaforum.com.br/opiniao/2024/6/13/ate-quando-brasil-aguentara-fundamentalismo-evangelico-tosco-do-bolsonarismo-160452.html

BOLSA BANQUEIRO - O povo paga juros duas vezes: os juros dos bancos e os juros da dívida pública


13 de junho de 2024

Moradora de favela em Brasília, cidade com a maior renda média do país. Foto: Donavan Sampaio (JAV/DF).

Em 2023, o Brasil pagou, de juros e amortizações da dívida pública, quase R$ 2 trilhões. Isso representa 43% de todo o Orçamento nacional. No mesmo período, o Governo Federal investiu o percentual irrisório de 0,3% em Transporte e apenas 3% em Educação e 3,7% em Saúde. Para explicar os mecanismos de como a dívida pública suga nossas riquezas em benefício de meia dúzia de grandes banqueiros, deixando o povo à mingua, A Verdade entrevistou Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida.

Da Redação

A Verdade – Por que surgiu a Auditoria Cidadã da Dívida e qual a importância da Campanha Nacional por Direitos Sociais?

Maria Lúcia Fattorelli – A Auditoria Cidadã da Dívida nasceu no ano de 2000, no âmbito do Plebiscito Popular sobre a Dívida Externa. Ele foi organizado por um conjunto de entidades da sociedade civil: sindicatos, associações, Campanha Jubileu Sul, Igrejas, partidos políticos, movimentos sociais, enfim. Uma das perguntas era: “Você concorda em continuar pagando a dívida pública sem fazer a auditoria prevista na Constituição?”. Naquela ocasião, em menos de uma semana, ainda sem redes digitais, nós colhemos quase seis milhões de votos, com 90% dizendo que não concordavam. Isso trouxe um grande respaldo para essa luta. Nós entregamos o resultado do plebiscito ao Congresso Nacional, ao STF e ao Poder Executivo. Meses se passaram, mas nenhuma força política se moveu. Aí nós, as entidades que organizaram o plesbicito, nos reunimos e dissemos: “Não vamos deixar essa mobilização social se perder. Vamos criar uma auditoria feita pelos cidadãos para os cidadãos”.

Agora, estamos desenvolvendo, junto com várias entidades da sociedade civil, inclusive a Unidade Popular, a Campanha Nacional por Direitos Sociais. Nosso objetivo, ao analisar a dívida pública (tanto interna quanto externa, nas esferas federal, estadual ou municipal), sempre foi apontar qual o papel que essa dívida exerce no Orçamento. A dívida sangra a maior parte dos recursos, está por trás do Teto de Gastos do Governo Temer, do arcabouço fiscal do atual Governo, das contrarreformas. A Reforma da Previdência foi pra que? Pra adiar, diminuir ou cortar direitos da população pra sobrar mais dinheiro pra dívida. Todas a privatizações (desde Collor e Fernando Henrique, passando pelos demais governos, pois todos privatizaram) foram sob a justificativa de pagar a dívida.

Então que dívida é essa? Ela está por trás de todos os prejuízos sociais, patrimoniais, financeiros do povo brasileiro. Então essa campanha vem pra denunciar isso. E nós só teremos plenitude de direitos sociais quando enfrentarmos esse sistema da dívida. O país tem mantido, nos últimos anos, cerca de R$ 5 trilhões em caixa.

Então é um absurdo que tenhamos grande parte da população brasileira na pobreza, na miséria, passando fome. E esse modelo econômico que privilegia a dívida é o mesmo que dá tudo pro agronegócio, pra mineração predatória e pro setor financeiro, mas deixa a maioria da população à mingua. Então essa campanha por direitos sociais visa a popularizar esses temas e fortalecer as lutas sociais.

Como e em qual momento histórico essa dívida pública surgiu?

Quando a gente fala em dívida pública, as pessoas, em geral, fazem essa relação com a sua dívida privada. Neste caso, não tem nada a ver. A grande mídia gosta de dizer: “O país está endividado porque agiu igual a uma família, que gasta mais do que tem”. Mas não é isso. A dívida pública é outra história. Na maioria das vezes, o dinheiro não chegou efetivamente. O mercado financeiro foi muito esperto ao escolher a dívida pública como desvio do dinheiro para setores privilegiados.

Houve uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] da Dívida Pública na Câmara dos Deputados em 2009 e 2010. Um dos requerimentos aprovados foi para que a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentasse todos os contratos de dívida externa que justificaram aquele crescimento brutal da dívida externa durante a Ditadura Militar. Quando começou a Ditadura, em 1964, a dívida externa era de pouco mais de 3 bilhões de dólares. Quando terminou, era mais de 85 bilhões de dólares. Então, a dívida externa se multiplicou mais de 30 vezes nesse período.

Eu era auditora da Receita Federal e fui requisitada para assessorar a CPI. Então, nós analisamos todos os contratos e, somando tudo que foi aprovado no Senado, os títulos emitidos no exterior, não explica nem 20% desse crescimento. O que pode ser, então, esses outros 80%? Financiamento da própria Ditadura, porque isso, até hoje, é mantido em arquivos sigilosos. Então é uma dívida totalmente ilegítima, jogada nas costas do povo. Tem um termo jurídico que fala uma dívida odiosa, quando é uma dívida contratada sem transparência alguma por regimes totalitários e contra os interesses do povo.

Outra coisa que está aí nesses 80%: um dos “feitos” da Ditadura foi criar o Banco Central, ainda em 1964. Em 1967, o Banco Central baixou uma circular dando liberdade total para os bancos que atuavam no Brasil, inclusive os bancos estrangeiros, para se endividarem à vontade. Foi uma farra. Os bancos pegavam dólar lá fora, a juros baixinhos, e o Banco Central convertia em moeda nacional. Aí os bancos emprestavam ao povo, a juros exorbitantes, ganhando uma fortuna, só que os bancos ficavam com essa dívida lá fora. Na década de 1980, quando veio a crise da dívida e os bancos internacionais começaram a aumentar a taxa de juros, toda essa dívida privada foi transformada em dívida pública. Pegaram a dívida privada, contraída por bancos e empresas, e somaram ao estoque da dívida pública. Durante a CPI, o Banco Central teve que admitir que concordou com essa operação, mas que não saberia dizer o valor exato porque os controles teriam se perdido. Alegações absurdas! E ficou por isso mesmo.Fatorelli no plenário do Congresso Nacional. Foto: Agência Senado.

E o que é que aconteceu com essa dívida externa gigante lá na década de 1980? Quando transformaram a dívida privada em dívida pública, criaram novos acordos internacionais em que o Banco Central assumia o papel de devedor perante os bancos privados internacionais. Pra começo de conversa, ele nem poderia ter assumido o papel de devedor, mas esses contratos foram feitos em Nova York, sob as leis norte-americanas, rifando a Constituição brasileira. Os novos contratos previam a emissão de novos títulos da dívida externa, desta vez, em Luxemburgo (que é um paraíso fiscal), e eram chamados pela própria mídia, na época, de “papéis sujos”, que não eram negociados em nenhuma bolsa de valores do mundo. Posteriormente, uma parte desses papéis foi transformada em novos títulos (mais limpos, mais legalizados), e outra foi transformada em dívida interna em 1994, no início do Plano Real, quando os juros chegaram a quase 50% ao ano. E uma outra parte ainda foi aceita como moeda de privatização. Metade da Vale do Rio Doce foi paga com essa papelada podre.

Resumindo, apenas uma parte da dívida está explicada, por exemplo, para financiar a construção da hidrelétrica de Itaipu e outras, da Eletrobras, da Companhia Siderúrgica Nacional, da Usiminas, de ferrovias, etc. Então, a questão é: quanto de dinheiro realmente entrou no país?

Aqui no Brasil, os banqueiros estão sempre no topo da lista das pessoas mais ricas do país. Por quê?

Aqui no Brasil, existe a chamada “Bolsa Banqueiro”. Hoje, nós somos praticamente obrigados a ter conta bancária. Então, nosso dinheiro, nosso salário, está lá no banco. Inclusive, é uma mentira que o brasileiro não faz poupança. Em moeda, dinheiro da sociedade, tem quase dois trilhões de reais em poupanças nos bancos. O que é que os bancos no Brasil deveriam fazer? O que os bancos fazem mundo afora: emprestar dinheiro a juros baixos. Por que tantas pessoas fazem o financiamento e não dão conta de pagar? Porque os juros aqui são exorbitantes. E por que os bancos se dão ao luxo de cobrar juros exorbitantes? Porque eles pegam todo esse dinheiro, que é da sociedade, que nem pertence a eles, e depositam no Banco Central e ganham juros em cima dessa operação. Essa é a “Bolsa Banqueiro”. O povo paga juros duas vezes: os juros dos bancos e os juros da dívida pública.

E essa conta sempre chega. Inclusive, setores como o do agronegócio e o da mineração conseguem manter na legislação isenções injustificadas. Além de não pagaram essa conta junto com o povo, também não respondem pelos danos ambientais que causam. Vemos agora a calamidade no Rio Grande do Sul.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

À consideracao dos governantes, que pensam mais em "fazer caixa" para pagar juros aos rentistas e menos no povo

 



Extrato da obra que segue  (Português da época)



Os 10 erros de lingua portuguesa mais cometidos pelos brasileiros

 

Mão de mulher com caneta escrevendo em caderno

CRÉDITO,GETTY IMAGES

Legenda da foto,'Abismo entre o que falamos e escrevemos' pode estar na raiz de muitos erros de português, diz linguista
  • Author,Camilla Costa
  • Role,Da BBC Brasil em São Paulo

"Vi no Facebook uma mulher dizendo que casaria com o primeiro homem que soubesse usar crase, mas não são só os homens que não sabem usar. As mulheres também!", alerta a linguista Camila Rocha Irmer, uma das encarregadas de avaliar os erros de português no Babbel, um dos maiores aplicativos de ensino de idiomas no mundo.

Ela se refere a um dos erros mais comuns entre falantes de português brasileiro - quando usar a crase? -, juntamente com as dúvidas sobre os "por ques" e outras.

"É algo difícil de explicar. Acho que esses erros acontecem porque há um abismo entre o que escrevemos e o que falamos", diz à BBC Brasil.

"Quem não lida com a escrita diariamente não se lembra das regras da norma culta. E, mesmo que as pessoas estejam dando mais opiniões nas redes sociais, é uma escrita rápida. Você não tem muito tempo para pensar sobre como escrever."

Há os "erros de sempre", mas Irmer afirma que existem também as questões que aumentam ou diminuem a cada ano. Em 2017, por exemplo, a dúvida sobre quando usar "há" e "a" apareceu mais vezes no aplicativo do que no ano anterior.

"Agora, estamos alcançando um público de menor escolaridade que não quer só aprender idiomas estrangeiros, mas tem problemas com português mesmo. E recebemos muitos recados, pelo aplicativo, de pessoas que estão aprendendo português ao estudar outra língua."

"A língua está mudando. Até tomamos cuidado de falar que esses são erros de escrita, para não termos um preconceito do tipo 'falar assim é errado'", alerta a linguista.

"Fala-se de diversas formas regionalmente, e isso é normal, mas quando chegamos na escrita, a preocupação é com a norma culta."

A pedido da BBC Brasil, a equipe de linguistas e educadores do Babbel fez um levantamento dos equívocos mais recorrentes entre os falantes de língua portuguesa no ano de 2017. Veja a lista:

1. 'Entre eu e você'

O correto, segundo os especialistas, é usar "entre mim e você" ou "entre mim e ti". Depois de preposição, deve-se usar "mim" ou "ti".

Por exemplo: Entre mim e você não há segredos.

2. 'Mal' ou 'mau'

"Mal" é o oposto de "bem", enquanto que "mau" é o contrário de "bom". Na dúvida sobre qual usar? Os especialistas recomendam substituir o advérbio pelo seu oposto na frase e ver qual faz mais sentido.

Por exemplo: Ela acordou de bom humor; Ela acordou de mau humor.

3. 'Há' ou 'a'

"Há", do verbo haver, indica passado e pode ser substituído por "faz".

Por exemplo: Nos conhecemos há dez anos; Nos conhecemos faz dez anos.

Mas o "a" faz referência à distância ou a um momento no futuro.

Por exemplo: O hospital mais próximo fica a 15 quilômetros; As eleições presidenciais acontecerão daqui a alguns meses.

4. 'Há muitos anos', 'muitos anos atrás' ou 'há muitos anos atrás'

Usar "Há" e "atrás" na mesma frase é uma redundância, já que ambas indicam passado. O correto é usar um ou outro.

Por exemplo: A erosão da encosta começou há muito tempo; O romance começou muito tempo atrás.

Sim, isso quer dizer que a música Eu nasci há dez mil anos atrás, de Raul Seixas, está incorreta.

Infográfico ilustrando erros mais comuns de português

5. 'Tem' ou 'têm'

Tanto "tem" como "têm" fazem parte da conjugação do verbo "ter" no presente. Mas o primeiro é usado no singular, e o segundo no plural.

Por exemplo: Você tem medo de mudança; Eles têm medo de mudança.

6. 'Para mim' ou 'para eu'

Os dois podem estar certos, mas, se você vai continuar a frase com um verbo, deve usar "para eu".

Por exemplo: Mariana trouxe bolo para mim; Caio pediu para eu curtir as fotos dele.

7. 'Impresso' ou 'imprimido'

A regra é simples: com os verbos "ser" e "estar", use "impresso".

Por exemplo: Camisetas com o slogan do grupo foram impressas para a manifestação.

Mas com os verbos "ter" e "haver", pode usar "imprimido".

Por exemplo: Só quando cheguei ao trabalho percebi que tinha imprimido o documento errado.

8. 'Vir', 'Ver' e 'Vier'

A conjugação desses verbos pode causar confusão em algumas situações, como por exemplo no futuro do subjuntivo. O correto é, por exemplo, "quando você o vir", e não "quando você o ver".

Já no caso do verbo "ir", a conjugação correta deste tempo verbal é "quando eu vier", e não "quando eu vir".

9. 'Aquele' com ou sem crase

Em vez de escrever "a aquele", "a aqueles", "a aquela", "a aquelas" e "a aquilo", use "àquele", "àqueles", "àquela", "àquelas" e "àquilo".

Por exemplo: Maíra deu o número de telefone dela àquele rapaz.

10. 'Ao invés de' ou 'em vez de'

"Ao invés de" significa "ao contrário" e deve ser usado apenas para expressar oposição.

Por exemplo: Ao invés de virar à direita, virei à esquerda.

Já "em vez de" tem um significado mais abrangente e é usado principalmente como a expressão "no lugar de". Mas ele também pode ser usado para exprimir oposição. Por isso, os linguistas recomendam usar "em vez de" caso esteja na dúvida.

Por exemplo: Em vez de ir de ônibus para a escola, fui de bicicleta.

segunda-feira, 27 de maio de 2024

BÁTEGA


- (...) vaso de barro que costumam os Persas por cheio de vinho sobre a mesa; onde cada um enche a sua taça (...) – MORAES SILVA – Dicionário…

- Hoje chamam os rústicos bátega de água, a um grande e cerrado chuveiro, que lança água como se fosse a cântaros, ao que os mareantes chamam aguaceiro. - VITERBO - Elucidário.

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- VICTOR HUGO - Os trabalhadores do mar - Edit. Nova Cultural/SP/2002, p. 268: (...) o primeiro trovão agitara o mar; o segundo rachou a muralha de nuvens de alto a baixo, abriu-se uma fenda, toda a bátega suspensa jorrou por esse lado, o buraco tornou-se uma boca aberta cheia de chuva, e o vômito da tempestade começou. Tremendo foi o instante.

Aguaceiro, furacão, relâmpagos, raios, vagas até as nuvens, espuma, detonações, torções frenéticas, gritos, roncos, assovios, tudo a um tempo. Desencadear de monstros.

O vento fulminava. A chuva não caía, desabava.

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- E as bátegas vieram, furiosas, em cordas d 'água a prumo, como devia ser o chuveiro biblico do diluvio universal. - MONTEIRO LOBATO - Os negros.


As chuvas incessantes são as lágrimas que a mãe natureza verte


E com as chuvas tudo chora, lamentando a insensatez dos seres humanos, que destroem o meio-ambiente





 

quinta-feira, 9 de maio de 2024

VOLTAIRE E O DILÚVIO

Terá existido um tempo em que o globo foi inteiramente inundado?

Isso é fisicamente impossível.

Pode ser que, sucessivamente, o mar tenha coberto todas as terras, umas após outras; e isto não pode ter acontecido senão gradativa e lentamente, numa prodigiosa série de séculos.

O mar, em quinhentos anos, retirou-se de Águas Mortas, de Frejus, de Ravena, que eram grandes portos, e deixou cerca de duas léguas de terreno em seco. Mediante essa progressão é evidente que lhe teriam sido necessários dois milhões e duzentos e cinqüenta mil anos para dar volta ao nosso planeta.

Fato bem notável é que esse período se aproxima muito do que seria preciso ao eixo da terra para se levantar e coincidir com o equador: movimento muito verossímil que há cinqüenta anos começou a ventilar-se, e que requer para a sua efetuação um espaço de mais de dois milhões e trezentos mil anos.

Os leitos, as camadas de conchas descobertas por todas as costas a sessenta, a oitenta, a cem léguas mesmo do mar, constituem prova incontestável de que ele depositou pouco a pouco seus produtos marinhos sobre terrenos que eram outrora as margens do oceano; porém que a água tenha coberto inteiramente todo o globo de uma vez, é na física uma quimera absurda demonstrada como impossível pelas leis da gravidade, pelas leis dos fluidos, pela insuficiência da quantidade de água.

Não que se pretenda atacar de forma alguma a grande verdade do dilúvio universal, relatada no Pentateuco: ao contrário, é um milagre, portanto é preciso crê-lo; é um milagre, portanto não pôde ter sido executado por leis físicas. Tudo é milagre na história do dilúvio: milagre que quarenta dias de chuva tenham inundado as quatro partes do mundo e que a água tenha se elevado quinze côvados acima de todas as mais altas montanhas; milagre que tenham existido cataratas, portas, aberturas no céu; milagre que todos os animais se tenham dirigido para a Arca, vindos de todas as partes do mundo; milagre que Noé tenha encontrado com que alimentá-los durante seis meses; milagre que todos os animais tenham cabido na Arca, com todas suas provisões; milagre que a maioria não tenha morrido; milagre que tenham encontrado com que se nutrir ao sair da Arca; milagre, ainda, mas de outra espécie, que um tal Le Pelletier tenha julgado explicar como todos os animais puderam caber e nutrir-se naturalmente na Arca de Noé. 

Ora, sendo a história do dilúvio a coisa mais miraculosa de que jamais se falou, insensato seria explicá-la: trata-se de mistérios que se acreditam pela fé; e a fé consiste em crer no que a razão absolutamente não crê, o que constitui, ainda, outro milagre. 

Assim a história do dilúvio universal é como a da torre de Babel, da burra de Balaão, da queda de Jericó ao som das trombetas, das águas transformadas em sangue, da passagem do Mar Vermelho e de todos os prodígios que Deus se dignou fazer em favor dos eleitos de seu povo; trata-se de profundezas que o espírito humano não pode sondar. 

- VOLTAIRE - Dicionário filosófico.

LIMA BARRETO DEPLORANDO AS ENCHENTES



- As enchentes

As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam no nosso Rio de Janeiro, inundações desastrosas. Além da suspensão total do tráfego, com uma prejudicial interrupção das comunicações entre os vários pontos da cidade, essas inundações causam desastres pessoais lamentáveis, muitas perdas de haveres e destruição de imóveis.

De há muito que a nossa engenharia municipal se devia ter compenetrado do dever de evitar tais acidentes urbanos. Uma arte tão ousada e quase tão perfeita, como é a engenharia, não deve julgar irresolvível tão simples problema.

O Rio de Janeiro, da avenida, dos squares, dos freios elétricos, não pode estar à mercê de chuvaradas, mais ou menos violentas, para viver a sua vida integral. Como está acontecendo atualmente, ele é função da chuva. Uma vergonha!

Não sei nada de engenharia, mas, pelo que me dizem os entendidos, o problema não é tão difícil de resolver como parece fazerem constar os engenheiros municipais, procrastinando a solução da questão.

O Prefeito Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade, descurou completamente de solucionar esse defeito do nosso Rio.

Cidade cercada de montanhas e entre montanhas, que recebe violentamente grandes precipitações atmosféricas, o seu principal defeito a vencer era esse acidente das inundações. Infelizmente, porém, nos preocupamos muito com os aspectos externos, com as fachadas, e não com o que há de essencial nos problemas da nossa vida urbana, econômica, financeira e social. 

- LIMA BARRETO - Vida urbana, 19-1-1915