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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Algozes das mulheres = mulheres, principalmente

Maltrato laboral: Las mujeres son las que más denuncian, y les apuntan a sus jefas

04/06/10

PorVictoria De Masi

Durante una década Marcela C. ocupó el mismo escritorio. Se lo había ganado a puro esfuerzo: a los 38 años ostentaba el título de contadora pública y criaba sola a su hijo de 9 años; cuenta que era puntual y eficiente y mantenía una relación impecable con sus compañeros. Ese mundo se desmoronó cuando el gerente del estudio donde trabajaba se jubiló y llegó la nueva jefa. Y con ella las burlas, las críticas injustificadas a su tarea y las constantes amenazas de despido. “Cortó la mejor época de mi carrera y me sacó el derecho al laburo. Todavía sufro las consecuencias ”, confía, quebrada por las lágrimas, aunque ya pasaron dos años de su desvinculación de la empresa.

Su historia es una más de maltrato laboral, una realidad que, según los especialistas consultados por Clarín , se acentuó en los últimos años. En Argentina son las mujeres las que más denuncian: el 60% de presentaciones las hacen ellas. Lo llamativo es que apuntan a otras mujeres, sus propias jefas . Según estadísticas de la Oficina de Asesoramiento sobre Violencia Laboral (OAVL), que depende del Ministerio de Trabajo de la Nación, así lo hizo el 86% de las denunciantes. Y en cuanto al tipo de maltrato, la violencia psicológica se dio en el 81% de los casos . “Nos referimos al empleado ridiculizado frente a sus compañeros, cuando difunden rumores sobre su vida privada, le cambian constantemente el horario o lugar de trabajo o le niegan información y lo cargan de tareas. Además de burlas, desprecios y hasta insultos”, grafica la abogada Patricia Sáenz, coordinadora del área.

El acoso puede ser sutil o evidente , y tiene como única finalidad someter a la persona, lo que afecta a su salud y su vida familiar y social. “Este deterioro no le permite al empleado cumplir con su trabajo, lo que se convierte en una justificación para excluirlo”, completa Matilde Garuti, responsable del Area Salud de la OAVL.

¿Pero por qué de mujer a mujer? ¿No existe, acaso, complicidad de género? “El maltrato entre mujeres responde a un fenómeno global . Según el Workplace Bullying Institute de Estados Unidos, en ese país las maltratadoras apuntan a otras mujeres como víctimas en más del 70% de los casos”, apunta Viviana Arbelo, socióloga y especialista en coaching ontológico de Sociología Clínica Consultores. “La mujer competente y con potencial, que es buena relacionándose con los demás, puede ser vista como ‘amenaza’ para la jefa. Pero hay que tener en cuenta que somos hiperemocionales –concede Arbelo–, y a veces nos fijamos en pequeñas cosas que nos producen resentimiento”. Los jefes maltratadores, en tanto, son más equitativos.

“Ellos atormentan sin distinción de género” , afirma.

Mientras la maltratadora responde a un perfil de empleada comprometida y al mismo tiempo insegura como para conservar su puesto, sus víctimas suelen ser, en general, mujeres jóvenes que recién ingresan al mercado laboral. O de entre 30 y 50 años, sostén de su hogar. Más allá de las diferencias entre unas y otras, las consecuencias del acoso son las mismas. “ Depresión, angustia, insomnio, ansiedad y disminución de la capacidad de sentir placer , entre los efectos sobre la salud psíquica”, enumera Pablo Resnik, director del Centro de Investigaciones Médicas de la Ansiedad. “Y entre las físicas, contracturas, mareos, dolores de cabeza, vómitos, alergias, caída del cabello y gastritis”, completa.

El rol de los compañeros del maltratado es importante . Según explica Jorge Campilongo, psicólogo y coordinador del Foro de Maltrato Laboral que funciona en la Asociación de Desarrollo y Capacitación de Argentina (ADCA), “si hay un claro hostigamiento sobre una persona y sus compañeros no reaccionan, entonces son cómplices y el maltrato pasa a ser algo común”. Y agrega que “por eso denunciar dentro de la empresa no es efectivo, porque queda en un reclamo individual. La acción debe ser colectiva: sólo así el acoso no se instala”.

Fonte: Clarín, de Argentina

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A INTERNET E OS JORNAIS

A nossa luta

por Serge Halimi


Desde há vinte anos, o Le Monde diplomatique tem vindo a anunciar a formação do ciclone económico que actualmente está a devastar as redacções dos jornais e a despovoar os quiosques. Como a análise das causas não premune contra os efeitos, o Le Monde diplomatique também está a sentir as consequências destas intempéries. Menos do que outros títulos e de forma diferente; não estão em causa a sua sobrevivência e independência, mas faltam-lhe meios para se desenvolver. Para elucidarmos o futuro, tomar parte por inteiro na batalha das ideias e transmitir a novos leitores a nossa maneira de ver e de decifrar o mundo, apelamos pois a quem nos lê.

Depois do sector têxtil, da siderurgia e do sector automóvel, o sector agora atingido é o da imprensa. Os operários dos países do Norte pagaram bem caro a deslocalização da produção para o Sul; é agora a vez de os jornalistas verem desaparecer os seus empregos com a migração dos leitores para a Internet. Poderíamos concluir que se trata da substituição de um modelo económico por outro, suspirar que a roda do mundo gira, que é a vida. Mas põe-se de imediato a questão da democracia. O automóvel, ao que nos dizem, longe de constituir um bem público insubstituível, não passa de uma mercadoria. Pode fabricar-se noutro lado, de outra forma, pode substituir-se-lhe um modo de transporte diferente. Nada de muito grave, no fundo. Ao passo que a imprensa…

Esta última dispõe de um trunfo de peso no debate público. Quando vê que a sua existência está ameaçada, toca a rebate mais facilmente do que o operário cuja fábrica vai fechar. E para juntar toda a gente sob a sua bandeira, basta-lhe pronunciar a fórmula ritual: «Quando um jornal desaparece, a democracia morre um pouco». Este enunciado, todavia, é absurdo, chegando mesmo a ser burlesco. Basta irmos a um quiosque para constatar que dezenas de títulos poderiam perfeitamente deixar de existir sem que a democracia sofresse com isso; nesse transe, as forças da ordem ideológica perderiam até algumas das suas esquadras. Tal facto não torna ilegítimas as inquietações dos respectivos jornalistas. Mas há milhões de pessoas neste mundo que para defenderem o seu emprego não precisam de inventar outra virtude além da de ele lhes facultar um salário.

Desde há alguns anos, a indústria da imprensa está em queda. Quanto ao jornalismo, este padece desde há muito mais tempo. Com efeito, acaso seriam extraordinários os conteúdos redactoriais há vinte anos, quando a maior parte dos periódicos eram sacos de publicidade e máquinas de facturar? E quando nos Estados Unidos os mastodontes The New York Times Co., The Washington Post Co., Gannett, Knight Rider, Dow Jones ou Times Mirror acumulavam lucros vinte vezes superiores aos da era do Watergate, apogeu do «contrapoder»? [1] Dotados de tais meios, encostados a margens anuais que chegavam aos 30 ou 35 por cento, teria nessa altura o jornalismo desses jornais audácia, criatividade, independência?

E em França, estaria a informação crítica em primeiro plano quando, com muitos milhões nas mãos, os grupos Lagardère e Bouygues disputaram entre si o controlo da TF1? Ou quando, rivalizando em vulgaridade, os canais televisivos privados se multiplicaram como os pães do Novo Testamento, pagando salários de marajás a um punhado de jornalistas cujo amestramento já demonstrara ser eficaz? Agora, muitos directores de imprensa fazem frente comum perante a tempestade e imploram o socorro financeiro da instância a que noutras circunstâncias chamam desdenhosamente «mama estatal». O Le Monde diplomatique, que lhes deseja boa sorte, não esquece a participação que eles tiveram no seu presente infortúnio. Mas para continuar a defender uma concepção do jornalismo diferente da deles, é em primeiro lugar aos seus leitores que este jornal apela.

Se uma ampla fracção da opinião pública se mostra indiferente aos tormentos dos media, é em parte por ter compreendido uma coisa: a alegação da «liberdade de expressão» serve com frequência de pretexto aos interesses dos proprietários dos meios de comunicação. «Há décadas», considera o co-fundador do sítio alternativo CounterPunch.com, Alexander Cockburn, «que os jornais dominantes tendem a obstruir ou sabotar os esforços destinados a melhorar a nossa condição social e política» [2]. As investigações e reportagens realizadas pela imprensa, cada vez mais raras, permitem sobretudo manter a ficção de um «jornalismo de investigação», ao mesmo tempo que noutras páginas proliferam os casos do dia, os retratos, as rubricas de consumo, de meteorologia, de desporto, ou os compadrios literários. Sem esquecer o mero copiar-colar das notícias de agências, executado por assalariados em vias de rápida desqualificação.

«Imaginem», propõe o universitário americano Robert McChesney, «que o governo pega num decreto e exige a redução brutal da importância atribuída às questões internacionais na imprensa, que impõe o encerramento dos escritórios de correspondentes locais ou uma drástica redução dos seus efectivos e dos seus orçamentos. Imaginem que o presidente ordena aos media que concentrem a atenção nas celebridades e em ninharias, em vez de investigarem os escândalos associados ao poder executivo. Numa tal hipótese, os professores de jornalismo desencadeariam greves de fome e universidades inteiras teriam de fechar por causa dos protestos. Mas quando são interesses privados em posição de quase monopólio que decidem mais ou menos a mesma coisa, não se registam reacções assinaláveis.» [3]

Robert McChesney prolonga o seu exercício de ecologia mental levantando a seguinte questão: visto falar-se constantemente de democracia, quando foi que nós decidimos colectivamente – em que ocasião? em que escrutínio importante? – que um punhado de enormes empresas, financiadas pela venda de publicidade e prioritariamente preocupadas com a obtenção do lucro máximo, seriam os principais agentes da nossa informação?

A Internet não dizimou o jornalismo, ele já estava agonizante

Em 1934, o dirigente radical francês Édouard Daladier fustigou as «duzentas famílias» que «colocam no poder os seus delegados» e que «intervêm na opinião pública, porque controlam a imprensa». Três quartos de século depois, exercem uma influência comparável menos de vinte dinastias, mas agora à escala do planeta. O poder destas novas feudalidades hereditárias – Murdoch, Bolloré, Bertelsmann, Lagardère, Slim, Bouygues, Berlusconi, Cisneros, Arnault [4]… – excede amiúde o dos governos. Se o Le Monde diplomatique dependesse de uma delas, teria posto em causa o controlo do mundo editorial pelo grupo Lagardère? O destino que o grupo Arnault inflige às suas operárias? As plantações de Bolloré em África?

Ao lembrar as condições em que saiu do Libération, diário por ele fundado, depois de Édouard de Rothschild ter entrado no capital deste jornal, Serge July explicita: «Édouard de Rothschild (…) aceitou comprometer-se financeiramente, contanto que eu me comprometesse a abandonar, não só as minhas funções, mas também o jornal. Não tinha outra opção, aceitei de imediato» [5]. É deveras sarcástico que o seu sucessor, imposto pelo accionista, pretenda agora fazer-se notado como tribuno da liberdade de imprensa…

Ouvimos dizer com frequência que todo o presente mal viria da pelada e sarnenta Internet. Não foi porém a Internet que dizimou o jornalismo, que já desde há muito vacilava sob o peso das reestruturações, do marketing redactorial, do desprezo pelas camadas populares, da influência dos multimilionários e dos publicitários. Não foi a Internet que serviu de caixa de ressonância aos boatos dos exércitos «aliados» durante a Guerra do Golfo (1991) ou aos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) durante o conflito do Kosovo (1999). É também impossível imputar à Internet a incapacidade dos grandes media para anunciar o desmoronamento das caixas de poupanças nos Estados Unidos (1989) e para imaginar, oito anos depois, a situação catastrófica dos países emergentes, ou para evitar a bolha imobiliária, cujo preço o mundo continua a pagar. Tão-pouco se devem à Internet as terríveis acusações de pedofilia no caso de Outreau ou de anti-semitismo no caso do RER D. Por isso, se de facto é preciso «salvar a imprensa», o dinheiro público deverá ser reservado a quem leve a cabo uma missão de informação fiável e independente, não aos transmissores de boatos. O serviço do accionista e o comércio de «cérebros disponíveis» encontrarão os seus recursos noutro lado [6].

Nas censuras feitas à «Internet» detecta-se amiúde algo que não é a inquietação legítima perante modos de aquisição do saber e de transmissão da informação, algo que é, isso sim, o pavor de estar a chegar ao fim o magistério de uns quantos barões do comentário. Dispondo de um privilégio feudal, estes tinham-se apoderado de domínios próprios e organizado sinecuras, podendo «fazer» ou «desfazer» ministérios e reputações. Um concerto de unânimes elogios acolhia com a mesma febre todas as suas atamancadas obras e os seus empolados artigos [7]. Aqui e ali, alguns jornais irreverenciosos expunham-se como cidadelas cercadas. Mas um dia irromperam revoltosos da plebe, com os seus próprios teclados…

Temos de reconhecer que o contexto geral da informação, transformada por uma recomposição brutal, também não nos poupou a nós. Depois de um incremento ininterrupto entre 1996 e 2003, a difusão do Le Monde diplomatique nos quiosques registou um recuo muito grande até ao ano passado; mas o número de assinantes continuou a aumentar. No respeitante aos exemplares vendidos, todavia, a redução é real e remete-nos para os nossos números de 1994, altura em que o jornal passou à situação de filial. Seguramente, a percepção geral melhora de forma palpável se juntarmos a este total as setenta e três edições internacionais do mensário (a primeira, em Itália, data de 1994), os cerca de dois milhões de exemplares que elas difundem e as centenas de milhares de leitores do nosso sítio Internet.

Mas audiência e rendimentos são coisas muito diferentes. As vendas e as assinaturas constituem, de longe, os nossos dois principais pilares financeiros [8]. Os internautas contribuem para a influência que o jornal exerce, mas não para a sua existência. Entre estes, os que nunca contribuem para as nossas receitas agem à maneira dos passageiros clandestinos, cuja deslocação é inteiramente paga pelos viajantes que compraram bilhete.

Para sobreviver, muitos jornais optaram por alinhar mais o seu conteúdo pelos supostos gostos dos seus leitores. O que disso resulta é sabido de antemão: «Eles preferem artigos curtos e as notícias que lhes dizem directamente respeito. Na Internet, procuram de preferência o que lhes facilite a vida. Os textos extensos relativos à política externa são pouco apreciados, tanto mais que os internautas se limitam a passar os olhos pelos títulos. No Zero Hora, diário brasileiro pertencente ao grupo RBS, o departamento de difusão inquire 120 leitores sobre o que pensaram do jornal do dia. O director, Marcelino Reich, recebe um relatório às 13 horas: “Em geral, reclamam mais suplementos sobre culinária e imobiliário, e menos artigos sobre o Hezbollah e os tremores de terra”» [9]. Temos de convir que o Le Monde diplomatique não é provavelmente o título que esses leitores procuram.

O desinteresse que atingiu o nosso jornal não é estranho ao desencorajamento das pessoas que observam que, por falta de eco suficiente e de intermediários políticos, a desmontagem dos principais dispositivos da ordem social e internacional teve poucos efeitos sobre a perenidade do sistema. A lassitude exposta na interrogação «Para que serve isto?» foi portanto substituindo aos poucos a antiga pergunta «Que propõem vocês?», que no nosso caso já não se justificava, de tal modo as pistas e propostas se foram sucedendo ao longo dos anos nestas páginas (abolição da dívida do Terceiro Mundo, reforma das instituições internacionais, taxa Tobin, nacionalização dos bancos, proteccionismo europeu, «guilhotina fiscal» aplicada a certos rendimentos do capital, desenvolvimento da economia solidária e da esfera não-mercantil, etc.).

Um mensário muito pouco recomendável…

É óbvio que o declínio do alterglobalismo nos atingiu mais duramente a nós do que a outros. A hegemonia intelectual do liberalismo foi posta em causa, mas a argila endureceu rapidamente. Porque se a crítica não basta, a proposta também não: a ordem social não é um texto que bastaria «desconstruirmos» para ele se recompor sozinho; muitas ideias causam fendas no mundo real sem que as paredes caiam. Espera-se por vezes de nós, no entanto, que os acontecimentos se adaptem às nossas esperanças comuns. E no caso inverso consideram-nos um pouco deprimentes…

Seja como for, no tocante ao futuro deste jornal baseamos o nosso optimismo numa certeza, a de poder contar com o contributo dos leitores. Não aumentaremos pois os nossos preços por enquanto e vamos mantê-los mais baixos nos países pobres. Continuaremos a acompanhar novas edições internacionais propondo-lhes que de início nos paguem direitos limitados. Continuaremos a estar devidamente actualizados nas tecnologias multimédia, nomeadamente para chegar às novas gerações e assegurar a transmissão dos valores intelectuais e políticos do nosso jornal. Continuaremos a encomendar, e até mais, grandes reportagens e pesquisas de jornalistas, de investigadores, e também de activistas, sobre os conflitos em curso, sobre as crises, as alternativas, as experimentações.

A continuação do nosso desenvolvimento depende em grande medida da mobilização financeira dos leitores que estão ao nosso lado. Comprando mais regularmente o jornal nos quiosques, assinando-o, oferecendo uma assinatura a potenciais leitores, aderindo à Associação dos Amigos do Le Monde diplomatique; os meios de intervenção dos leitores são numerosos. Recentemente, foi criado um novo dispositivo graças ao qual o leitor pode deduzir do montante dos seus impostos 66 por cento dos donativos feitos ao nosso jornal. Deste modo, depois de ter ajudado os bancos, o dinheiro público poderá finalmente servir para investigar as suas infâmias…

Comparadas com as de outros títulos, as nossas perdas podem parecer modestas (330 000 euros em 2007, 215 000 o ano passado). Mas nenhum banqueiro desocupado e ansioso por fazer de mecenas irá querer colmatá-las. Um jornal como o nosso, em que todo o pessoal é accionista, em que os leitores, que também detêm uma parte do capital, oferecem assinaturas de solidariedade a bibliotecas e prisões sem recursos (consultar o sítio, na ligação de hipertexto, em «Leitores solidários») e em que o director é eleito, seria sem dúvida para esse banqueiro muito pouco recomendável.

A questão que se nos põe colectivamente é simples: quem além de nós vai continuar a financiar um jornalismo de interesse geral aberto ao mundo, dedicar duas páginas aos mineiros da Zâmbia, à marinha chinesa, à sociedade letã? Este mensário não está isento de erros, mas estimula os autores que viajam, investigam, saem de casa, ouvem, observam. Os jornalistas que o concebem nunca são convidados para jantares de gala, não branqueiam os lóbis farmacêuticos ou a indústria da embalagem, não têm assento nos grandes media. Estes, de resto, que dão conhecimento de cada «nova fórmula» que surge noutros jornais e transformam as suas «revistas de imprensa» em albergue reservado a cinco ou seis títulos, sempre os mesmos, ocultam cuidadosamente o Le Monde diplomatique, apesar do seu impacto mundial sem equivalentes. No fundo, é o preço a pagar pela nossa singularidade.

Contamos porém com muitos cúmplices noutros lados: na Associação dos Amigos do Le Monde diplomatique, cuja existência fortalece a independência da redacção e que organiza todos os meses dezenas de debates em torno dos temas que desenvolvemos; os profissionais dos quiosques que velam por que o nosso jornal fique bem exposto e às vezes o recomendam; os professores que o dão a conhecer aos seus alunos; a imprensa alternativa que utiliza as nossas informações, alguns animadores da qual se exprimem nas nossas colunas; muitos curiosos, alguns jornalistas franco-atiradores, certos intratáveis… E todos vós, sem os quais nada é possível.

segunda-feira 12 de Outubro de 2009

Notas

[1] A revelação pelo The Washington Post, a partir de 1972, das condições em que foi efectuado o assalto ao edifício do Partido Democrata (o Watergate) na capital federal levou à demissão do presidente republicano Richard Nixon em Agosto de 1974. Entre 1975 e 1989, os lucros anuais da empresa The New York Times Co. passaram de 13 milhões de dólares para 266 milhões de dólares. Durante o mesmo período, a The Washington Post Co. passou de 12 milhões de dólares para 197 milhões de dólares. Cf. Howard Kurtz, «Stop the Presses», The Washington Post National Weekly Edition, 3 de Maio de 1993.

[2] Alexander Cockburn, The Nation, Nova Iorque, 1 de Junho de 2009.

[3] Citado pela Columbia Journalism Review, Nova Iorque, Janeiro-Fevereiro de 2008.

[4] Em Maio de 2008, Bernard Arnault, segunda fortuna de França, director-geral da LVMH e proprietário do diário económico Les Échos, nomeou o seu filho Antoine membro do «comité de independência editorial» do grupo Les Échos. Anteriormente, Antoine Arnault ocupara o lugar de director de comunicação da empresa Louis Vuitton…

[5] Serge July, Jean-François Kahn e Edwy Plenel, Faut-il croire les journalistes?, Mordicus, Paris, 2009, p. 67.

[6] Em Outubro de 1984, Claude Julien (director do Le Monde diplomatique entre 1973 e 1991) propôs que as ajudas do Estado à imprensa, que em França representam 10 por cento do volume de negócios do sector, fossem reservadas a sociedades sem fins lucrativos, que «não poderiam ter como objectivo ganhar dinheiro e distribuir dividendos». Os seus lucros seriam «entregues a uma obra de utilidade pública. Os jornais que optassem por esse estatuto não teriam, portanto, possibilidade nenhuma de excitar a cobiça dos homens de negócios sem escrúpulos».

[7] Ver o dossiê «L’imposture Bernard-Henri Lévy» em www.monde-diplomatique.fr/dossier/BHL.

[8] Em 2008, as edições internacionais pagaram 350 000 euros de direitos de autor ao Le Monde diplomatique, correspondentes a cerca de 3 por cento do seu volume de negócios.

[9] «More media, less news», The Economist, Londres, 26 de Agosto de 2006.


Fonte: LE MONDE DIPLOMATIQUE

O blá blá da burca

por Serge Halimi

É verosímil que o número de franceses que sabem quantos minaretes existem na Suíça (quatro) e quantas burqas existem em França (trezentas e sessenta e sete) [1] seja superior ao número dos que sabem que o Tesouro público francês perdeu 20 mil milhões de euros na sequência de uma decisão «técnica» do executivo.

Há dezoito meses, o governo francês, em vez de subordinar o salvamento dos bancos em perigo a uma entrada na participação do seu capital, que em seguida poderia ter sido revendida com um belo lucro, preferiu conceder crédito a esses bancos em condições de que as próprias instituições não esperavam beneficiar. Os ganhos dos accionistas foram de 20 mil milhões de euros, quase tanto quanto o défice da Segurança Social francesa no ano passado (22 mil milhões de euros), e quarenta vezes o montante da poupança feita pelo Estado quando substitui por apenas um funcionário público cada dois que se aposentam.

A recuperação eleitoral da Frente Nacional em França, e em geral da extrema direita na Europa, não é totalmente alheia a esta divisão da atenção pública entre as adensadas e inflamadas polémicas secundárias e, por outro lado, a quase invisibilidade dos temas prioritários, pretensamente demasiado complicados para o comum dos mortais. Passado o fiasco das eleições regionais, Nicolas Sarkozy vai atirar se à «reforma das aposentações». Uma vez que as implicações sociais e financeiras são consideráveis, já se sabe que o governo francês vai procurar distrair a plateia relançando o «debate sobre a burqa».

Responder a esta manobra não obriga seguramente a que se mergulhe no seu terreno pantanoso, dando a impressão de defender um símbolo obscurantista, e menos ainda a que se acuse de racismo os homens e as mulheres feministas que legitimamente reprovam esse símbolo. Mas não deixa de ser curioso que uma direita que, em quase todo o lado, associou o seu destino ao das igrejas, do patriarcado e da ordem moral surja, de repente, misturada com laicidade, feminismo e livre pensamento. Também neste caso, o islão faz milagres!

Em 1988, George H.W. Bush sucedeu a Ronald Reagan após uma campanha marcada por uma demagogia insigne, durante a qual exigiu a criminalização do acto − praticado entre uma e sete vezes por ano − de queimar a bandeira estrelada. Com a coragem que podemos imaginar, mais de 90 por cento dos eleitos americanos adoptaram uma disposição repressiva neste sentido − que foi a seguir anulada pelo Supremo Tribunal. Na mesma altura rebentou um dos maiores escândalos da história económica dos Estados Unidos, o das caixas de poupança desregulamentadas pelo Congresso, cuja pilhagem por parte de vigaristas foi encorajada por senadores cujas campanhas eles tinham financiado. Em 1988, ninguém ou quase ninguém falava do perigo de uma fraude como esta, apesar de ele ser já conhecido. Era demasiado complicado… e, além disso, as mentes estavam ocupadas com a defesa da bandeira.

O contribuinte americano pagou 500 mil milhões de dólares pelo escândalo das caixas de poupança. Em breve saberemos o que a burqa realmente esconde. E quanto isso vai custar.

quinta-feira 8 de Abril de 2010

Notas

[1] Segundo um cálculo, estranhamente preciso, da Direcção Central das Informações Internas (DCRI).

Fonte: Le Monde Diplomatique (de França)


ELIANA CALMON e o controle do Judiciário

"Judiciário precisa ser controlado", diz ministra

Eliana Calmon será Corregedora Nacional de Justiça

"O Judiciário tem uma estrutura deformada. Como ele controla tudo, se acha acima do bem e do mal. Mas ele precisa ser controlado, pelos desvios, pelas irresponsabilidades".

A afirmação sobre a necessidade de controle do Poder Judiciário é da ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça. Em setembro, ela assumirá a Corregedoria Nacional de Justiça, em substituição ao ministro Gilson Dipp.

Magistrada de opiniões firmes, Eliana Calmon foi entrevistada pela revista semanal "Muito", do grupo "A Tarde", da Bahia, na edição de 23 de maio último.

Reproduzimos, a seguir, perguntas e respostas daquela entrevista que foram selecionadas e transcritas no Blog do juiz Gerivaldo Neiva, da Bahia:

Revista - O que mais critica no Judiciário?

Ministra Eliana Calmon -
Eu sou magistrada de carreira e acho que essa coisa da escolha torta do Judiciário, com o viés político, não está certa. Isso faz com que as decisões também tenham conteúdo político e não técnico. Eu acho que o STJ não é um tribunal político, é um tribunal técnico, então tem que ser cada vez mais técnico.

Revista - Ao contrário do STF, o que a senhora acha que pode ser político.

Ministra Eliana Calmon -
É isso, eles defendem, interpretam a Constituição, são políticos, não precisam ser magistrados para ser escolhidos pelo presidente da República. Mas o STJ, este tem de ser um Tribunal equilibrado. Você não pode formar um Tribunal, que é como está, com maioria, majoritariamente, de advogados. Porque uma pessoa que exerce um cargo de desembargador durante um ano e oito meses não é um magistrado, é? Eles são diferentes, a roupa é diferente, a postura é diferente, a forma de sentar na cadeira é diferente.

Revista - Por que são diferentes?

Ministra Eliana Calmon -
Porque eles são mais ricos, eles precisam ter uma vida social. O magistrado atravessa a vida dentro do gabinete, trabalhando, estudando, pesquisando. Não faz questão de ter amizade com políticos, ao contrário. Toda formação dos magistrados no Brasil é para você se afastar das influências políticas. O advogado é exatamente o contrário. É um homem bem-posto, que tende a andar bem vestido, que tem de ser simpático, fazer relações de amizade. Então, na hora que eles chegam a esse cenário político, dão um banho em cima dos magistrados.

Revista - E, na opinião da senhora, qual seria a solução para isso?

Ministra Eliana Calmon -
A que foi dada na Justiça do Trabalho. Cada um lá guarda a sua origem. Se você era advogado e chega ao Tribunal como advogado, será sempre advogado.

Revista - A senhora anda com segurança? Tem medo de atentado?

Ministra Eliana Calmon -
Não, não tenho medo de nada.

Aliança ICAR/Políticos

03/06/2010 14h53 - Atualizado em 03/06/2010 14h53

Em missa de Corpus Christi, padre Marcelo pede oração por Serra

'Em ano de eleição, orem por nossos amigos', pediu, para cerca de 15 mil fiéis.
Pré-candidato tucano participou de evento ao lado do prefeito Gilberto Kassab.

Agência Estado

O pré-candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, durante missa de Corpus Christi nesta quinta
O pré-candidato à Presidência pelo PSDB, José
Serra, durante missa de Corpus Christi nesta
quinta (Foto: Werther Santana/Agência Estado)

No dia de Corpus Christi, umas das principais festas cristãs, o pré-candidato do PSDB a Presidência, José Serra, e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), receberam a oração de cerca de 15 mil fiéis em uma missa no Santuário do Terço Bizantino, na capital paulista.

A reza de uma Ave-Maria por Serra e Kassab foi iniciativa do padre Marcelo Rossi, que comandou a missa junto ao bispo da Arquidiocese de Santo Amaro, Dom Fernando Figueiredo. "Em ano de eleição, orem por nossos amigos, o prefeito Kassab e, de modo especial, por Serra", pediu padre Marcelo.

Enquanto Dom Fernando caminhava pela igreja carregando o Santíssimo Sacramento, estandarte dourado com uma hóstia no centro, representação do corpo de Cristo, padre Marcelo rezou dez Ave-Marias. Cada uma foi dedicada a um público, como mulheres, homens, doentes, jovens e idosos. Depois da oração para Serra, o religioso dedicou uma Ave-Maria a todos os políticos. "A igreja acolhe a todos com muito carinho", justificou.

Em ano de eleição, orem por nossos amigos, o prefeito Kassab e, de modo especial, por Serra"
Padre Marcelo Rossi

Serra comungou. Depois de receber a hóstia de Dom Fernando, sentou, fechou os olhos, baixou a cabeça e ficou alguns minutos em oração, enquanto padre Marcelo entoava uma canção suave. O tucano, que foi recebido com palmas cordiais dos fiéis, leu uma breve passagem do livro de Gênesis e passou boa parte da missa mascando chiclete e acenando para o público.

Ao final da missa, Kassab contou que ele e o ex-governador foram convidados pelos religiosos para a cerimônia. Serra conversou por dez minutos com padre Marcelo e Dom Fernando, em uma sala nos fundos da igreja e deixou o santuário sem falar com a imprensa.

Padre Marcelo, que está há um mês usando cadeira de rodas, depois de levar um tombo da esteira enquanto corria, pediu ao presidenciável atenção especial aos deficientes físicos. Entre as promessas de pré-campanha de Serra está a criação de um ministério para atender esse público. O religioso esquivou-se de responder se a recepção calorosa a Serra representava um apoio político. "Nem minha mãe sabe em quem eu voto."

Fonte G1

Coréia do Norte - Religião

Religião


Escultura antiga de Buda, no Monte Kumgang.

Ambas as Coreias compartilham uma herança budista e confucionista e uma recente aparição do movimento cristão. A constituição da Coreia do Norte declara que a liberdade de religião é permitida.[50] De acordo com os padrões de religião ocidentais, a maioria da população norte-coreana pode ser caracterizada como irreligiosa. No entanto, a maioria é definida como religiosa de um ponto de vista sociológico[51] e pelo fato da influência cultural de religiões tradicionais como do budismo e confucionismo ainda ter efeito na vida espiritual da Coreia do Norte.[52][53][54]

Entretanto, o grupo budista norte-coreano é, declaradamente, maior que outros grupos religiosos; particularmente os cristãos, que são ditos como perseguidos pelas autoridades. O governo dá financiamento aos budistas para promover a religião, porque o budismo desempenha um papel fundamental na cultura tradicional coreana.[55]

De acordo com o Human Rights Watch, atividades de liberdade religiosa não existem mais na Coreia do Norte, enquanto o governo patrocina grupos religiosos apenas para criar uma ilusão de liberdade religiosa.[56] Conforme a Religious Intelligence, a situação norte-coreana é a seguinte:[57]

  • Irreligião: 15 460 000 adeptos (64,31% da população, uma vasta maioria dos quais são adeptos à filosofia Juche)
  • Xamanismo coreano: 3 846 000 adeptos (16% da população)
  • Chondoismo: 3 245 000 adeptos (13,5% da população)
  • Budismo: 1 082 000 adeptos (4,5% da população)
  • Cristianismo: 406 000 adeptos (1,69% da população)

Pyongyang era o centro da atividade cristã na Coreia antes da Guerra da Coreia. Hoje em dia, existem quatro igrejas sancionadas pelo Estado, na qual os defensores da liberdade religiosa dizem ser vitrines para os estrangeiros.[58][59] Estatísticas oficiais do governo reportam que existem 10 000 protestantes e 4 000 católicos romanos na Coreia do Norte.[60]

De acordo com um ranking publicado pela Open Doors, uma organização que apoia cristãos perseguidos, a Coreia do Norte é atualmente o país com as mais severas perseguições dos cristãos no mundo.[61] Grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional, também se manifestaram sobre perseguições religiosas na Coreia do Norte.[62


Fonte: WIKIPEDIA

Assassinadas uma Juíza e uma escrevente

Un hombre armado mata a una juez y a un funcionario judicial en Bruselas

La magistrada falló en contra del agresor en el contencioso con una mujer por la custodia de menores

RICARDO MARTÍNEZ DE RITUERTO | Bruselas 03/06/2010

Una juez de paz de paz y su secretario judicial fueron han sido asesinados a tiros en su sala de vistas de Bruselas por un hombre disconforme con la sentencia dictada recientemente por la misma juez en un caso de custodia de menores, según informaciones no oficiales. El ataque, en el que también se usó un hacha, según esas informaciones, conmocionó al país, que ahora debatirá cómo incrementar la seguridad de los magistrados sin perjudicar la cercanía y transparencia de las vistas de estos jueces de proximidad.

La agresión se produjo pasadas las 11 de la mañana. Por la tarde las autoridades belgas seguían sin ofrecer su versión del suceso, incluida la identidad de agresor. Informaciones no oficiales daban cuenta de cómo el hombre, presuntamente de nacionalidad albanesa, irrumpió en la sala a tiros y con un hacha hacia el final de una sesión de vistas de la juez, que en este tipo de juzgados versan sobre conflictos no espectaculares: disputas domésticas, problemas de pagos de rentas, enfrentamientos entre vecinos...

El detonante del ataque habría sido una sentencia de la juez, Isabelle Brandon, de 60 años, que unos días antes falló en contra del hombre en el contencioso con una mujer por la custodia de menores. El asesino huyó tras el crimen.

En un acto de homenaje vespertino al que asistieron cientos de jueces - en presencia de varios miembros del Gobierno, incluido el primer ministro, Yves Leterme y algunos diputados-, concluido con un minuto de silencio en el imponente Salón de los Pasos Perdidos del Palacio de Justicia de Bruselas, se habló de "dolor, tristeza y cólera" de los magistrados y de la necesidad de ofrecerles seguridad en el desempeño de sus funciones. "Pero sin encerrarse en un caja y alejar la justicia y la libertad de los ciudadanos", subrayó Luc Hennart, presidente del Tribunal de primera instancia de Bruselas.

El Gobierno estudiará y consultará con la judicatura las medidas a adoptar. Ante el clima electoral en que vive Bélgica, Joëlle Milquet, viceprimera ministra, pidió "no perder la cabeza" y no dejar que se desaten pasiones populistas.

Partido islamita - No Egito, desde 1929

Los Hermanos Musulmanes respaldan la campaña de El Baradei

El ilegalizado partido islamista comparte con el Nobel la lucha por el cambio de la Constitución

NURIA TESÓN - El Cairo - 03/06/2010

Los Hermanos Musulmanes de Egipto han reiterado hoy su respaldo a la campaña por el cambio constitucional que ha lanzado el ex responsable de la Agencia Internacional de la Energía Atómica (AIEA) y premio nobel de la Paz, Mohamed El Baradei. Los miembros del partido islamista han manifestado que prestarán todo su apoyo a la iniciativa y se han comprometido a ayudar a conseguir el millón de firmas que El Baradei intenta logra para exigir al Gobierno de Hosni Mubarak cambios en la Carta Magna para la democratización del país. Estos cambios incluirían la supresión de la Ley de Emergencia, vigente desde el asesinato del presidente Anwar Sadat en 1981, y que ha sido renovada a principios de mayo por dos más. Las enmiendas deberían afectar también a artículos concretos de la Constitución (el 76, 77 y 88), que hacen imposible que candidatos independientes puedan presentarse a las elecciones.

Mohamed El-Baradei

Mohamed El-Baradei

A FONDO

Nacimiento:
1942
Lugar:

Egipto

Egipto

A FONDO

Capital:
El Cairo.
Gobierno:
República.
Población:
81,713,52 (est. 2008)

La noticia en otros webs

Después del batacazo sufrido en las elecciones de la Cámara Alta celebradas esta semana, donde sus candidatos no han conseguido ni un solo escaño, ése cambio sería uno de los principales motivos de los Hermanos Musulmanes (HM) para apoyar dicha iniciativa. El partido islamista, creado en 1929 y prohibido en 1954, puede participar en la vida política presentando candidatos disfrazados de independientes al Parlamento, donde es el grupo opositor mayoritario con una quinta parte del hemiciclo. Sin embargo, las condiciones que establece el artículo 76 de la Constitución hacen imposible que puedan presentarse así a las presidenciales, por lo que según han manifestado, sólo podrían concurrir a los comicios si consiguen que se enmiende. "La situación actual es muy complicada y se podría denominar como catástrofe", explica el portavoz de los HM, Ahmed Sobeia. "No tenemos claro que las próximas elecciones vayan a ser tan abiertas como en 2005, ni tampoco si habrá vigilancia judicial"." Los hermanos somos el 20% del Parlamento, somos capaces de organizar a la gente en la calle y estamos a la cabeza de la lucha por el cambio", concluye Sobeia.

El ex jefe de la agencia de la ONU Mohamed El Baradei ha encabezado desde su regreso a Egipto hace unos meses un movimiento denominado la Asamblea Nacional para el Cambio (ANC) que ha conseguido unir en un frente a opositores y reformistas de todo signo político, además de a la élite cultural e intelectual egipcia. El Baradei está promoviendo además el boicot en las próximas elecciones legislativas en Egipto mientras no se cumplan las garantías para unos comicios justos en lo que no haya fraude, como han denunciado reiteradamente los Hermanos y otros grupos opositores durante las votaciones de esta semana.

El régimen egipcio ha lanzado intermitentes campañas de arrestos contra los HM, amparándose en la Ley de Emergencia que da amplios poderes a la policía y permite la detención ilimitada sin cargos bajo sospecha de terrorismo o tráfico de drogas. Esta persecución suele acentuarse coincidiendo con los periodos electorales como ha denunciado la organización en los últimos meses, durante los cuales han sido detenidos más de quinientos militantes entre los que se encontraban los líderes de su campaña.

En abril, poco después de que la ANC empezase su andadura el máximo responsable de la formación, Mahmud Hussein, aseguraba en diferentes medios árabes que su organización intentaría coordinarse y cooperar con El Baradei y que los encuentros que habían mantenido con él habían sido satisfactorios. Además, consideraba "inevitable" la unificación de esfuerzos para conseguir sus demandas, a pesar de las diferencias ideológicas de base. Y otros de sus líderes y miembros del Parlamento han hablado en su favor en numerosas ocasiones. Incluso en la web de la organización , se pueden encontrar en la página principal un enlace con una recopilación de artículos sobre la campaña del ex responsable de la AIEA.

Fonte: El País (de Espanha)


Bispo católico assassinado - Turquia

Líder da Igreja Católica na Turquia é morto a facadas

Luigi Padovese (arquivo, 2006)

Padovese iria se encontrar com o papa na sexta-feira

O líder da Igreja Católica na Turquia, o bispo Luigi Padovese, foi morto a facadas no sul da Turquia nesta quinta-feira, de acordo com a agência estatal de notícias do país, Anatolia.

Padovese, de 63 anos, era o presidente da Conferencia Episcopal Turca. Ele foi atacado no jardim de sua residência de verão no porto de Iskenderun, no Mar Mediterrâneo.

A polícia do deteve o motorista do bispo, um homem identificado pela imprensa local como Murat Altun. O governador da província informou que o motorista sofria de problemas psicológicos.

Cidadão italiano, Padovese morreu na ambulância, a caminho do hospital.

O bispo viajaria para Chipre nesta sexta-feira para se reunir com o papa Bento 16 e outros bispos em uma reunião antes do sínodo da Igreja Católica no Oriente Médio, que deve ocorrer em outubro.

O Vaticano afirmou que está "consternado" pela morte do bispo Padovese.

A morte "é terrível (...), incrível", disse o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi à agência de notícias italiana Ansa.

Sem motivação política

O governador da província turca da Hatay (onde fica Iskenderun), Mehmed Celalettin Lekesiz, disse à agência de notícias Associated Press que o motorista trabalhava para o bispo Padovese há 4,5 anos.

"A investigação inicial mostra que o incidente não teve motivação política", disse Lekesiz.

"Ficamos sabendo que o suspeito tinha problemas psicológicos e estava recebendo tratamento."

Nos últimos anos ocorreu uma série de ataques contra cristãos na Turquia. Os cristãos representam menos de 1% da população do país, de maioria muçulmana.

Vai dar m....

Igreja em bairro hispânico de Phoenix perdeu um terço dos fiéis

Saúl Montiel/foto: Alessandra Corrêa

Saúl diz que pretende desobedecer a nova lei de imigração

Nas últimas semanas o pastor Saúl Montiel, responsável por uma igreja metodista no oeste de Phoenix, área que concentra grande parte da população hispânica na capital do Arizona, viu a frequência em seus sermões cair em um terço.

"Estamos perdendo muitos membros", diz Montiel, que comanda a Epworth United Methodist Church, uma igreja metodista que atrai fiéis americanos e hispânicos com cultos em inglês e em espanhol e atividades para a comunidade, como aulas de inglês e esportes.

Segundo o pastor, o motivo do sumiço dos fiéis é a lei SB 1070, que torna crime estadual a presença de imigrantes ilegais e dá à polícia o poder de exigir documentos de qualquer um sobre quem paire "suspeita razoável".

Montiel diz que, como a maioria dos frequentadores da igreja está ilegalmente nos Estados Unidos, eles têm medo de ser abordados pela polícia, o que poderia levar à prisão e à deportação, e estão evitando sair de casa.

"As pessoas estão em pânico, não sabem o que vai acontecer. É o mesmo sentimento em todos os lugares aqui em Phoenix", diz o pastor.

Ele afirma também que muitos dos membros da comunidade já deixaram o Arizona, ou estão planejando partir assim que a lei entrar em vigor, no fim de julho.

"Há um êxodo em curso no Arizona", diz Montiel, de 40 anos, 28 deles nos Estados Unidos, país ao qual chegou ainda criança, vindo com a família do Estado mexicano de Sonora, e onde hoje vive legalmente.

Desobediência

De acordo com Montiel, nos cultos em inglês, acompanhados em sua maioria por americanos de terceira idade que vivem nas redondezas, a frequência permanece inalterada, em torno de cem fiéis por domingo.

As atividades em espanhol, porém, têm reunido apenas em torno de 50 pessoas, um terço a menos que antes da assinatura da lei, em abril.

Eu não vou cumprir essa lei, mesmo que seja preso.

Saúl Montiel, pastor

"Mantenho contato com outras igrejas da região e é exatamente a mesma situação", afirma. "Só o que (os fiéis) querem falar é sobre a SB 1070. Todos os domingos querem que eu faça o sermão sobre isso."

O pastor descreve a zona oeste de Phoenix como "o marco zero da questão da imigração" e diz que 90% dos seus fiéis não têm documentos regularizados.

Como a nova lei de imigração também pune qualquer um que ajudar ou der abrigo a um imigrante ilegal, Montiel afirma que ele e outros pastores da região estão temerosos com relação ao efeito da medida em suas paróquias.

"As igrejas estão preocupadas com a lei, porque nós não poderemos ajudar ou dar abrigo a ninguém em situação ilegal, ou ficaremos sujeitos a consequências legais", diz. "Se alguém sem documentos legais vier a esta Igreja em busca de ajuda, isso vai ser ilegal."

Com quase a totalidade de seus fiéis hispânicos nessa condição, Montiel diz que só lhe resta desobedecer a nova lei.

"Eu não vou cumprir essa lei, mesmo que seja preso", afirma.

Plano B

Montiel diz que sua igreja vem orientando os membros sobre o que fazer caso sejam presos em decorrência da nova lei.

Segundo o pastor, foi criada também uma corrente de apoio para garantir que, caso um casal seja preso ao mesmo tempo, algum membro da Igreja seja chamado para tomar conta das crianças.

"Temos muitos membros da Igreja que vivem aqui há mais de 15 anos, mas, infelizmente, são indocumentados. Eles têm propriedades aqui, têm filhos que são cidadãos americanos. Têm toda a vida aqui. É muito difícil para eles simplesmente ir embora e deixar mulher, marido, filhos", diz.

"Eles precisam ter um plano B caso sejam presos."


Fonte: BBC Brasil