Publicado 03/10/2026 • 08:30 | Atualizado há 1 hora
Por Lara Madeira, com AFP
Montadoras asiáticas devem responder por mais da metade das vendas de veículos novos nos EUA no terceiro trimestre, enquanto GM, Ford e Stellantis perdem participação.
A GM segue líder, mas a Toyota encurtou a distância; no terceiro trimestre, as vendas da americana caíram 5,5%, enquanto as da japonesa avançaram 0,6%.
A eventual entrada de fabricantes chinesas, como BYD, Geely e SAIC, pode ampliar a pressão competitiva sobre as montadoras tradicionais dos Estados Unidos.

Toyota / Divulgação
Toyota Corolla 2026. Montadoras asiáticas ampliam participação no mercado dos Estados Unidos, enquanto fabricantes tradicionais americanas perdem espaço.
As montadoras asiáticas seguem ganhando espaço no mercado automotivo dos Estados Unidos, enquanto as tradicionais fabricantes americanas perdem participação de mercado. O cenário pode se tornar ainda mais competitivo caso as empresas chinesas consigam ampliar sua presença no país, segundo análise da AFP.
As marcas asiáticas devem responder por mais da metade das vendas de veículos novos nos EUA no terceiro trimestre, pelo segundo período consecutivo, aproximando-se de níveis recordes de participação, segundo Charlie Chesbrough, economista sênior da Cox Automotive.
Ao mesmo tempo, General Motors, Ford e FCA/Stellantis, grupo responsável por marcas como Chrysler, Jeep e Dodge, devem ficar com pouco mais de 36% do mercado, o menor nível já registrado.
A vantagem das fabricantes asiáticas está ligada, entre outros fatores, à maior presença no segmento de veículos híbridos, que ganhou em procura diante da volatilidade dos preços da gasolina.
A GM ainda lidera as vendas nos Estados Unidos, mas a Toyota reduziu a distância. A participação da montadora americana caiu de 17,4% em 2025 para 16,7% nos primeiros nove meses deste ano, enquanto a japonesa avançou de 15,2% para 15,6%, segundo a Cox Automotive.
No terceiro trimestre, as vendas da GM recuaram 5,5%, para 670.974 veículos. As da Toyota cresceram 0,6%, para 633.223 unidades.
O movimento também aparece na disputa entre Ford e Hyundai-Kia. A fabricante americana perdeu vendas e participação de mercado, enquanto o grupo sul-coreano avançou, embora ainda não o suficiente para tirar a Ford da terceira posição.
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Fabricantes chinesas podem ampliar concorrência
A pressão sobre as montadoras tradicionais americanas pode aumentar com a eventual entrada de fabricantes chinesas.
Em setembro, o presidente Donald Trump afirmou que aceitaria carros chineses no mercado americano desde que as empresas instalassem fábricas nos Estados Unidos e contratassem trabalhadores locais.
A declaração provocou reação de entidades que representam montadoras, fabricantes de autopeças e concessionárias, que pediram ao governo americano que mantivesse o mercado fechado às companhias chinesas.
Peter Nagle, especialista da Mobility Global, estima que fabricantes como BYD, Geely e SAIC poderiam vender até 1,7 milhão de veículos nos Estados Unidos até 2038, o que equivale a cerca de 11% do mercado, segundo a AFP.
Atualmente, a importação de carros chineses não é proibida, mas tarifas e taxas alfandegárias tornam a operação pouco competitiva.
A Alliance for Automotive Innovation, que reúne fabricantes presentes nos Estados Unidos, também pediu ao Congresso uma proibição permanente à venda, à importação e à fabricação de veículos chineses no país, citando preocupações com a segurança nacional e com o uso de softwares e equipamentos conectados.
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