Perfil

Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

Mensagem aos leitores

Benvindo ao universo dos leitores do Izidoro.
Você está convidado a tecer comentários sobre as matérias postadas, os quais serão publicados automaticamente e mantidos neste blog, mesmo que contenham opinião contrária à emitida pelo mantenedor, salvo opiniões extremamente ofensivas, que serão expurgadas, ao critério exclusivo do blogueiro.
Não serão aceitas mensagens destinadas a propaganda comercial ou de serviços, sem que previamente consultado o responsável pelo blog.



sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Reminiscências - TUBA OU TIBA e pérolas de várias cores (naturais)

Sufixos TUBA ou TIBA, com os quais nossos íncolas (ou como preferem outros ameríndios, também conhecidos simplesmente como índígenas ou índios), ou seja, os autóctones, os povos originários (o modismo mais recente para denominar os nativos) designavam fartura, abundância de alguma coisa.

Assim rerituba, reritiba, leritiba já foram vocábulos usados para referir abundância de ostras. 

AMÉRICO VESPÚCIO, em uma de suas cartas endereçadas à Europa, nas quais relatava o que encontrou em nossas plagas, mencionou  (...) infinitos peixes, grande abundância de mariscos, ouriços, caranguejos, ostras, lagostas, camarões e muitos outros produtos do mar.

Certamente essa era a realidade encontrável também aqui na ilha de  SC, antes que o crescimento da cidade (centro) e dos bairros (que viraram outras cidades), aliando-se ao turismo, viesse detonar quase toda a maravilhosa fauna marinha. 

Lembro-me de que, ainda criança, íamos pescar, dentre outras espécies, os maravilhosos "sargos de beiço" e até lagostas, na pequena ilha do Francês, depois denominada ilha dos Argentinos, por nós, nativos de Canasvieiras,  conhecida apenas como Ilhota, bem em frente aos "Morretes", aquela ponta que separa a praia de Canasvieiras da praia de Jurerê (à época nem tinha tal nome).

E por falar em VESPÚCIO e ostras (reri ou leri), vale lembrar as pérolas que delas se extraíam. Do aludido navegador, transcrevo um trecho que me chamou a atenção, pelo inedetismo da informação que traz sobre o número de pérolas em certas ostras de grande tamanho e de cores variadas.

- (...) obtínhamos, por um só guizo, todas as pérolas que cada um deles possuísse e aprendemos nesse ínterim como e onde as apanhavam.

Muitas das ostras em que nascem pérolas eles nos deram de presente, poucas nós compramos. Em algumas achavam-se 130 pérolas, em outras, nem tanto.

E saiba vossa majestade que, caso não estejam bem maduras e por si mesmas não se soltem das conchas em que surgem, não são perfeitas; antes, como eu mesmo muita vez observei, logo murcham e se reduzem a nada.

Mas, quando amadurecem em meio à carne no interior da própria ostra e separam-se do que as prende à carne, são estas as melhores. - AMÉRICO VESPÚCIO -  Carta enviada a Ao Ilustríssimo Renato, Rei de Jerusalém da Sicília, Duque de Lorena e de Bar 

Tendo duvidado de tais informações, recorri à IA do GOOGLE e a resposta está a seguir:

- Sim, as pérolas encarnadas mencionadas por Américo Vespúcio seriam oriundas de moluscos bivalves, comumente chamados de "ostras perlíferas".

Em seus relatos de viagem compilados nas famosas cartas que descrevem o Novo Mundo, Vespúcio escreveu: “Também trouxemos quatorze pérolas encarnadas que muito contentaram à Rainha...”. O uso do termo "encarnadas" refere-se à coloração vermelha, rosada ou carmim intensa.

A ciência biológica e a história da gemologia explicam essa origem através de alguns pontos principais:

1. A Família das Ostras Perlíferas

Pérolas naturais com tons que variam do rosa ao vermelho escuro e roxo são produzidas por moluscos bivalves marinhos (especialmente da família Pteriidae, como o gênero Pinctada ou Pteria) ou por mexilhões de água doce. Na região do Caribe e no norte da América do Sul (onde Vespúcio navegou em sua primeira viagem em 1499), abundavam bancos naturais de ostras da espécie Pinctada imbricata (conhecida como a ostra perlífera do Atlântico).

2. De onde vem a cor vermelha/encarnada?

A cor de uma pérola natural é determinada por dois fatores biológicos:

  • O pigmento do manto: A coloração depende diretamente dos pigmentos orgânicos presentes no manto (o tecido interno) do molusco que secreta o nácar (madrepérola).

  • Fatores ambientais: Elementos traço e minerais presentes na água daquela região específica alteram quimicamente as tonalidades da gema durante os anos em que ela é formada.

Embora as pérolas brancas e cremes sejam as mais comuns, a ocorrência de pérolas naturais com tons rosados intensos, avermelhados ou purpúreos era um fenômeno real, o que tornava essas quatorze peças trazidas por Vespúcio itens extremamente exóticos, raros e valiosos, dignos de presentear a realeza europeia.


Nenhum comentário: