Braguin faz demagogia eleitoral contra LCP e ‘facções’, mas acaba propagandeando consignas da Revolução Agrária
Coronel influencer posa de perseguido, enquanto muros e cartazes no Brasil e no mundo denunciam o assassinato de Raimundo Nonato e defendem a luta pela terra; alarde eleitoral acaba divulgando as consignas da Revolução Agrária.
por Jaílson de Souza
1 de outubro de 2026
Recorte de montagem publicada por Braguin nas “redes sociais” praguejando contra as “facções”, epíteto sob o qual tenta englobar também o movimento camponês. (Imagem: Régis Braguin via Instagram/Reprodução)
Recorte de montagem publicada por Braguin nas “redes sociais” praguejando contra as “facções”, epíteto sob o qual tenta englobar também o movimento camponês. (Imagem: Régis Braguin via Instagram/Reprodução)
Cartazes e pichações que denunciam os crimes contra os camponeses de Rondônia e defendem a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) voltaram a tirar do sério o celerado Régis Braguin. Ex-comandante-geral da Polícia Militar de Rondônia (PM-RO) e candidato a deputado federal pelo Republicanos, o serviçal do latifúndio tenta converter as denúncias em propaganda eleitoral de extrema direita: posa de perseguido e atribui à organização camponesa ações de apoio à Revolução Agrária que se espalham pelo País.
Veículos da “imprensa lixo” rondoniense repercutem em alvoroço o chororô do coronel. O Extra de Rondônia, em texto creditado à “assessoria” e publicado em 26 de setembro, apresentou registros do Pará e do Rio de Janeiro como “ameaças”, embora reconhecesse que a autoria atribuída à LCP pela campanha reacionária não fora confirmada de forma independente. No dia seguinte, o Rondoniagora difundiu a promessa de Braguin de endurecer as leis contra as tomadas de terras. O pau-mandado aproveita as denúncias de seus serviços ao latifúndio para prometer mais serviços ao mesmo patrão.
Na peça de propaganda, Braguin aparece diante de um espelho, colocando munições no pente e vestindo um colete à prova de balas. Os roteiristas da campanha do coronel influencer seguem oferecendo pérolas: desta vez, tentam apresentar uma cena que se assemelha a qualquer série policial clichê norte-americana com a solenidade de quem acredita estar filmando uma obra-prima. O enredo exige que o espectador esqueça os camponeses assassinados e admire o “valentão” que se apetrecha, diante do espelho, para enfrentar cartazes.
“Hoje eu faço reuniões usando colete balístico”, anuncia. A encenação termina com a promessa de ir “para o combate em Brasília”. No meio, procura arrastar o “trabalhador desarmado” para o papel de figurante agradecido ao seu suposto “protetor”. As famílias da Área Valdiro Chagas conhecem bem a “proteção” desse sabujo: helicópteros, tiros e um camponês covardemente assassinado.
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Ex-comandante afirmou ter colocado tropas especiais na “caça” aos camponeses pobres e reivindicou “contraguerrilha” contra supostos “grupos armados” ligados à LCP. Agora candidato, colocou a organização camponesa na mesma linha de tiro de organizações ligadas ao tráfico de drogas.
Em 8 de agosto de 2025, mercenários do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), sob o comando de Braguin, invadiram a área, em Machadinho D’Oeste, e assassinaram covardemente o camponês Raimundo Nonato. A Associação Brasileira dos Advogados do Povo – Gabriel Pimenta (ABRAPO) denunciou voos rasantes e disparos que aterrorizaram as famílias. Já os moradores da área recordaram que Raimundo buscava uma terra para trabalhar com a família e foi morto enquanto fazia a guarda dos companheiros.
Braguin correu para as “redes sociais” para apresentar a execução sumária como uma “vitória”. Alegou, com espanto, ter encontrado guaritas, barricadas e pontos de vigilância que seriam “estruturas de guerrilha”, transformando a área camponesa em “território de guerrilha”. O alarde serviu para alimentar sua campanha de demonização da LCP. Mais tarde, já fora do comando, reivindicou o emprego de “contraguerrilha” contra “grupos armados” que associava à organização.
Na entrevista à TV Norte Rondônia, afiliada do SBT, em 19 de maio, o próprio Braguin explicou que a ampliação do patrulhamento rural permitira criar mais fôlego para colocar o BOPE “na caça” daqueles que associava à bandeira da LCP. Reivindicou ainda a “formação de contraguerrilha” e tratou as mortes produzidas pelas operações como “neutralizações”.
A mesma falsificação atravessa sua campanha. Em outra peça, o obtuso disparou contra alvos com as siglas “CV”, “PCC” e “LCP”, tentando equiparar a organização camponesa a grupos ligados ao tráfico de drogas. Antes, já defendera que a Liga fosse tipificada como terrorista. A montagem dos alvos revela a intenção do coronel; nada demonstra sobre a LCP.
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Declaração destaca que “a luta pela terra é uma guerra” e acusa o ex-comandante da PM-RO Régis Braguin de organizar serviços de pistolagem para latifundiários, caracteriza a Operação “Godos” como ação de contrainsurgência e denuncia negociatas com terras públicas no Incra-RO.
O patrão e o pau-mandado
O servilismo de Braguin ao latifúndio vem de longe. O próprio coronel se gaba de combater a LCP desde 2010, quando atuava na região de Buritis. Na declaração pelos 31 anos da Heroica Resistência Camponesa de Santa Elina, a Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres denunciou que ele organizava escalas e folgas para que policiais prestassem serviços de pistolagem a latifundiários, principalmente em Ariquemes e Buritis.
A organização afirma possuir cópia de um relatório reservado da própria PM-RO sobre essas práticas e denuncia que Braguin recebia R$ 500 por dia por policial empregado, mas repassava somente R$ 200 ao agente. O paladino da “segurança”, segundo a denúncia, ainda tirava sua comissão sobre a guaxebagem. É com essa folha de serviços que pretende vender proteção aos trabalhadores.
Os cartazes e muros que tanto o incomodam dão nome a essa sinistra trajetória. Uma das pichações declara: “Coronéis PM-RO Marcos Rocha e Braguin: assassinos pau-mandado do latifúndio! Morte ao latifúndio! Viva a Revolução Agrária! Viva a LCP!”. Outros materiais exigem: “Fora PM guaxeba da Área Revolucionária Valdiro Chagas! Braguin assassino de camponês!” e homenageiam o trabalhador morto pelos assassinos do BOPE: “Companheiro Raimundo, presente na luta! Honra e glória aos lutadores do povo brasileiro! Viva a Liga dos Camponeses Pobres!”.
Braguin já se assustara ao encontrar uma pichação denunciando seus crimes no Rio de Janeiro e chegou a publicar uma fotografia nas “redes sociais”. No Direito e Saúde Podcast, em 9 de setembro de 2025, explicou sua descoberta sobrenatural: “Eles começaram a pregar panfletos com a imagem do comandante-geral chamando de assassino, comandante assassino, com um ‘x’ nos meus olhos. É um sinal de feitiçaria, magia negra”. Tanta pose de “especialista em segurança” para descobrir, diante de um desenho, uma conspiração sobrenatural!
Na mesma conversa, ameaçou os apoiadores: “Estão espalhando panfletos, mas a gente já sabe quem são, já identificamos alguns e vamos trabalhar em cima disso”. Ainda reclamou do “grupo da narrativa da LCP, que gosta de fazer as matérias que desqualificam a atuação policial, que coloca os camponeses como vítimas”. Talvez se referisse a esta tribuna. Para o coronel, o escândalo parece estar em denunciar o assassinato de camponeses e expor os serviços da PM-RO ao latifúndio.
A tentativa de intimidação fracassou: as ações de propaganda da Revolução Agrária multiplicaram-se por todo o País, enquanto o próprio Braguin acabou defenestrado do comando-geral em janeiro deste ano, após virem a público denúncias de violência doméstica e de embriaguez ao volante. Na Resenha Política de 20 de janeiro, admitiu que sua saída não fora voluntária e que o governador Marcos Rocha (PSD), seu colega de guaxebagem, ”decidiu pela exoneração”. Ele também confirmou que se recusara a fazer o teste do bafômetro e recebera uma multa.
O paladino da lei ainda forneceu um retrato do tratamento reservado ao comandante nas blitzes: “Das outras vezes já me reconhecem, já me liberam”. Quando lhe exigiram o teste, achou que era perseguição política. Na mesma entrevista, mostrou-se mais preocupado em saber quem divulgara seu auto de infração e a ocorrência de violência doméstica.
Braguin também reclamou, em janeiro, que as denúncias haviam sido feitas sem que lhe fosse dada “ampla defesa, contraditório para nada”. Já no programa A Voz do Povo, em 12 de agosto, defendeu que os mesmos direitos fossem negados aos que classifica como terroristas: “não tem que ter ampla defesa”. A defesa que exige para si vira estorvo quando atrapalha a “neutralização” de seus alvos. E o celerado já deixou claro que pretende colocar a LCP nessa categoria.
‘Tem guerrilha? A ascensão da LCP no Brasil’: há 18 anos, Embaixada ianque expressava preocupação com Revolução Agrária em telegrama oficial – A Nova Democracia
Documento disponível no WikiLeaks registra a circulação internacional de acusações contra o movimento camponês, em meio aos avanços da luta pela terra entre 2005 e 2008.
A solidariedade atravessa o País e o mundo
Segundo registros veiculados no blog Servir ao Povo, democratas e revolucionários de diferentes regiões vêm ampliando as ações em apoio à LCP e à Revolução Agrária e em denúncia dos crimes da PM-RO, de Braguin e do latifúndio. O compilado reúne centenas de registros de cidades nas cinco regiões do Brasil, entre elas Manaus, Recife, Fortaleza, Sorocaba, Dourados, Chapecó e Rio de Janeiro.
Essa mobilização já atravessa mais de um ano. Em setembro de 2025, AND registrou colagens em solidariedade à Área Valdiro Chagas na Universidade de Pernambuco, em Petrolina, e na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. O assassinato de Raimundo Nonato e os ataques às famílias impulsionaram denúncias que ultrapassaram Rondônia, levando às cidades a defesa dos camponeses e de sua luta pela terra.
A solidariedade à LCP também ganhou o mundo. O portal internacionalista O Arauto Vermelho registra ações da Juventude Comunista na França, manifestantes entoando o hino da Liga em Tampere, na Finlândia, e um encontro de operários e estudantes pela Revolução Agrária em Lisboa, Portugal. Na Espanha, o Comitê de Apoio para o Novo Brasil convocou um debate em Valência sobre “Revolução e Contrarrevolução no Campo Brasileiro”.
Essa solidariedade dá continuidade ao apoio internacional à grande resistência camponesa de 2020 e 2021, em Rondônia. A defesa do Acampamento Manoel Ribeiro e da LCP mobilizou ações, notas e denúncias na Alemanha, Áustria, Dinamarca, Noruega, México, Equador, Estados Unidos, Canadá e China, entre outros países. Também diante da ofensiva militar contra a Área Tiago Campin dos Santos, organizações de diferentes países ergueram bandeiras da LCP, colaram cartazes e denunciaram os crimes contra os camponeses. O movimento combativo de luta pela terra que Braguin e demais reacionários tentam reduzir à pecha de “facção” recebe, assim, o apoio e a solidariedade de operários, camponeses e revolucionários de diferentes partes do mundo.
Ao posar de vítima, Braguin volta a colocar em circulação as denúncias que gostaria de apagar e as palavras de ordem que lhe tiram o sono. Para quem pretende calar a LCP, o coronel influencer tem se mostrado bastante aplicado em divulgar suas consignas.
Fonte - A Nova Democracia
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