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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

“O governo Lula 3 travou a economia no ano eleitoral”, diz Mascaro



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Professor e jurista Alysson Leandro Mascaro aponta erro crasso de condução macroeconômica: a manutenção de juros elevados, o arrocho fiscal e a submissão aos ditames da Faria Lima
Conteúdo postado por:Redação Brasil 247Publicado em 7 de outubro de 2026 às 01:12


Alysson Mascaro lança Crítica do Cancelamento na Casa de PortugalCrédito: Victor Barau

247 — Ao avaliar o quadro que levou a disputa presidencial ao segundo turno, o jurista e filósofo do Direito Alysson Leandro Mascaro colocou o dedo em uma ferida que muitos analistas preferem ignorar: a economia real. Para ele, diferentemente dos mandatos anteriores do Partido dos Trabalhadores, quando os períodos eleitorais eram marcados por expansão da atividade produtiva e injeção de ânimo no bolso do trabalhador, a atual gestão cometeu um erro de estratégia elementar ao apertar porcas e parafusos fiscais e manter as taxas de juros no topo justamente no momento decisivo.

“Existe um erro econômico muito grave, muito básico: o ano da eleição foi o ano no qual o governo apertou mais as porcas e parafusos de um certo ajuste econômico. A taxa de juros demorou tempo demais para baixar e a chamada economia real andou sofrendo muito. Foi uma barbeiragem inesperada para um governo progressista, porque este tinha que ser o ano de destravar a economia”, diagnosticou Mascaro.
A “prova dos nove” na padaria e no comércio

Mascaro relatou que a percepção do esfriamento econômico não depende de modelos estatísticos sofisticados, mas do que chamou de “a prova dos nove da sociologia”: o cotidiano da rua. Ao circular por cidades paulistas antes da votação e conversar com comerciantes e advogados, o diagnóstico que ouviu foi unânime: as vendas caíram, o fôlego do início do ano se esgotou e o dinheiro sumiu do bolso da população.

Enquanto os três primeiros anos da gestão registraram crescimento em torno de 3%, a desaceleração para cerca de 1,5% no quarto ano produziu efeitos diretos no humor do eleitor comum:

“Aqueles 2%, 3% ou 4% de eleitores que decidem o voto não por causa de polêmicas morais ou pautas de costumes, mas sim no caixa do supermercado, não estavam entusiasmados com o governo. Custa muito caro manter uma agenda neoliberal para um governo que, no fundo, nem deseja ser neoliberal. Custa votos.”

O jurista ressaltou que a tentativa de atribuir o desaquecimento unicamente a fatores como as apostas esportivas online (bets) é insuficiente: “A bet tira dinheiro, mas proibir a bet não faz sobrar recurso para quem já não jogava e não consegue fechar as contas do mês. Houve uma nítida falta de ânimo na economia.”
Banco Central, Faria Lima e o contraste histórico

O professor destacou o contraste entre a atual condução econômica e o histórico de governos passados do PT — em especial os anos de 2009 e 2010, quando, após a crise financeira internacional, o Estado brasileiro atuou com vigor para impulsionar o consumo interno e garantir dinamismo econômico.

Para Mascaro, faltou ao governo a disposição de peitar o mercado financeiro e a ortodoxia monetária:

“Sangrar o país para garantir 14% de juros para a Faria Lima não traz um único voto. Traz poder e agrado aos especuladores, mas tira votos da urna e trava o desenvolvimento nacional. Em três semanas de campanha, se o governo quer disputar o eleitorado, tem que mostrar força para dizer que o país não pode viver refém desse modelo financeiro.”

O paradoxo Alckmin na Fazenda

Questionado sobre os rumores de bastidores que cogitam o vice-presidente Geraldo Alckmin no comando do Ministério da Fazenda em uma eventual próxima gestão, Mascaro apresentou uma reflexão provocativa: a sensibilidade política de uma liderança tradicional pode ser preferível ao tecnicismo isolado de gabinetes econômicos.

“Geraldo Alckmin passou a vida inteira disputando votos, governando estado e ouvindo a população na padaria. Ministro da Fazenda ou presidente do Banco Central de gabinete não vai à padaria sentir o termômetro da rua. Um político de carreira, mesmo de origem conservadora, muitas vezes tem mais sensibilidade para perceber que a taxa de juros e o arrocho estão sufocando o comércio e a vida do cidadão comum do que técnicos que só operam telas de computadores voltadas para os bancos.”
A saída: obras e desenvolvimento soberano

Para Mascaro, o caminho para recuperar o dinamismo e virar o jogo político exige abandonar a timidez fiscal e apresentar imediatamente ao país um ambicioso programa de desenvolvimento com investimentos públicos palpáveis:

Obras estruturantes imediatas: anúncio e mobilização de obras de infraestrutura, estradas e ferrovias em todas as unidades da Federação;
Soberania e parcerias estratégicas: atração de financiamento internacional e investimentos produtivos voltados a interligar regiões historicamente esquecidas, como o norte de Minas Gerais e o interior da Bahia;
Pão, emprego e indústria: reposicionar a agenda governamental em torno do trabalho digno, do fim da escala extenuante de trabalho e da recuperação do poder de compra popular.

“A virada não virá de acenos à Faria Lima nem de discursos abstratos. Ela virá se o governo mostrar capacidade de colocar máquinas na rua, gerar empregos e garantir que a economia volte a girar a favor de quem trabalha”, concluiu.

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