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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

GUAIDÓ (traidor da Venezuela) é o inspirador do "rachadinha"

Advinhem onde ele está vivendo?

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Quem é Juan Guaidó, o ex-presidente autoproclamado da Venezuela que fracassou e inspirou Flávio


Governo do exílio de Guaído serviu para enriquecê-lo; além de conspirar militarmente, Guaidó dificultou o acesso a recursos para o combate à pandemia e encerrou gestão sem frutos para o povo venezuelano. É o modelo de Flávio Bolsonaro
Por: Yuri FerreiraPublicado: 28/10/2026 - às 17h22Atualizado: 28/10/2026 - às 17h24|Juan Guaidó - Juan Guaidó em discurso de Donald Trump em 2020 (Foto: Casa Branca)


08:44

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Juan Guaidó surgiu como uma das principais apostas dos Estados Unidos para afastar Nicolás Maduro do poder na Venezuela. Em janeiro de 2019, o então presidente da Assembleia Nacional venezuelana se declarou presidente interino do país, contestando a reeleição de Maduro e prometendo conduzir uma transição política.


A iniciativa recebeu apoio de Washington e de dezenas de governos, que passaram a reconhecer Guaidó como chefe de Estado. O Reino Unido também o reconheceu e, em meio à disputa, representantes indicados pelo opositor reivindicaram autoridade sobre as reservas de ouro venezuelanas depositadas no Banco da Inglaterra. O caso inspira Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado nas eleições de 2026 que acaba de se autoproclamar presidente do Brasil.


A trajetória de Guaidó ficou marcada também pela Operação Gideon, uma incursão armada com mercenários que tentou capturar Maduro em 2020. O episódio expôs os contatos entre o grupo do opositor e uma empresa de segurança privada americana que tentou dar um golpe no país.

Quem é Juan Guaidó?

Juan Gerardo Guaidó Márquez nasceu em 28 de julho de 1983, na Venezuela. Engenheiro de formação, ingressou na política por meio do Voluntad Popular, partido oposicionista fundado por Leopoldo López.


Eleito deputado em 2015, Guaidó integrou a Assembleia Nacional controlada pela oposição ao chavismo. Em janeiro de 2019, assumiu a presidência do Legislativo e ganhou projeção internacional ao contestar o novo mandato de Nicolás Maduro.

A oposição argumentava que a eleição presidencial de maio de 2018 não havia oferecido condições democráticas adequadas. Guaidó invocou o artigo 233 da Constituição venezuelana para reivindicar a Presidência interina, sob a interpretação de que não havia um presidente legitimamente eleito.

A reivindicação foi reconhecida pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos e por dezenas de outros países, incluindo o Reino Unido. Outros governos, entre eles aliados de Maduro, continuaram reconhecendo o presidente chavista.

A Venezuela passou a ter duas autoridades que reivindicavam legitimidade presidencial, mas apenas uma delas mantinha o controle efetivo do governo em Caracas.
Como Guaidó tentou derrubar Nicolás Maduro

A estratégia de Guaidó se apoiava em três frentes: reconhecimento internacional, mobilização popular e pressão sobre as Forças Armadas venezuelanas.

A expectativa dos Estados Unidos e de seus aliados era que o reconhecimento de Guaidó, combinado com sanções econômicas e manifestações nas ruas, provocasse uma ruptura dentro do governo Maduro. O opositor também tentou convencer militares a abandonar o presidente.

Em abril de 2019, Guaidó e Leopoldo López protagonizaram uma tentativa de mobilização que pretendia estimular uma rebelião militar. A iniciativa não provocou a ruptura esperada, e Maduro continuou no poder.

A oposição também apostou na pressão econômica. Os Estados Unidos impuseram sanções contra setores estratégicos da economia venezuelana, incluindo o petróleo, e adotaram medidas para restringir o acesso do governo Maduro a ativos no exterior.

Apesar da pressão, a estrutura estatal permaneceu sob controle do chavismo. As Forças Armadas não aderiram em número suficiente para derrubar o governo, e Guaidó não conseguiu transformar o apoio diplomático em autoridade efetiva sobre o país.

A promessa de uma transição rápida não se concretizou. Com o passar do tempo, a oposição enfrentou dificuldades para manter a mobilização e preservar a unidade em torno de Guaidó. Em 2023, ele foi formalmente abandonado pela oposição, que se reuniu em torno de Maria Corina Machado.
Operação Gideon: o plano de mercenários para dar um golpe na Venezuela

Em maio de 2020, quando Guaidó ainda era reconhecido como presidente interino por Washington e outros governos, uma incursão armada tentou entrar na Venezuela para capturar Nicolás Maduro. A operação ficou conhecida como Gideon e envolveu ex-militares venezuelanos, integrantes de grupos de exilados e antigos membros das Forças Especiais dos Estados Unidos.

O plano foi articulado em torno de Jordan Goudreau, ex-integrante das Forças Especiais americanas e responsável pela empresa privada de segurança Silvercorp. A proposta previa enviar combatentes da Colômbia para a Venezuela, tomar instalações estratégicas e capturar Maduro e integrantes de seu governo.

Reportagem do Washington Post revelou que representantes da oposição venezuelana ligados a Guaidó haviam se reunido com Goudreau para discutir a possibilidade de uma operação contra o governo chavista. O acordo apresentado pelo ex-militar previa a captura ou remoção de Maduro e a instalação de Guaidó no poder.

O episódio ganhou maior dimensão quando Juan José Rendón, estrategista político de Guaidó e integrante de seu comitê de estratégia, admitiu ter assinado um acordo preliminar com Goudreau e transferido US$ 50 mil para despesas relacionadas ao projeto.

A operação fracassou antes de conseguir alcançar seu principal objetivo. Maduro permaneceu no poder, e a incursão foi usada pelo governo venezuelano para reforçar a acusação de que a oposição e seus aliados estrangeiros pretendiam derrubá-lo pela força.

O governo de Donald Trump negou envolvimento na operação. As circunstâncias do planejamento, o grau de autorização concedido pelos representantes oposicionistas e a relação entre o contrato e a incursão tornaram-se objeto de controvérsia.

Em 3 de maio de 2020, um grupo armado tentou desembarcar na costa venezuelana. As forças de segurança interceptaram os participantes. Houve mortos e dezenas de prisões, incluindo a captura de dois ex-militares americanos, Luke Denman e Airan Berry.

Guaidó negou ter assinado o contrato ou autorizado a incursão.
O ouro e a pandemia

Outro capítulo importante da trajetória de Guaidó foi a disputa pelas reservas de ouro venezuelanas armazenadas no Banco da Inglaterra, em Londres.

O Banco Central da Venezuela mantinha aproximadamente US$ 1,95 bilhão em reservas de ouro na instituição britânica. Em 2020, representantes do banco ligados ao governo Maduro e um conselho indicado por Guaidó passaram a disputar judicialmente quem tinha autoridade para dar instruções sobre os ativos.

Como o Reino Unido reconhecia Guaidó como presidente legítimo da Venezuela, seus representantes argumentaram que o conselho por ele indicado poderia agir em nome do Banco Central venezuelano. Os tribunais britânicos impediram que o conselho ligado a Maduro obtivesse acesso às reservas, dando início a uma prolongada disputa judicial.

Em dezembro de 2021, a Suprema Corte do Reino Unido examinou questões relacionadas aos efeitos do reconhecimento britânico de Guaidó.

A batalha judicial tornou-se um símbolo da política de reconhecimento internacional promovida por Washington e seus aliados. Guaidó conseguiu impedir que representantes de Maduro obtivessem acesso imediato às reservas, o que impediu o país de responder adequadamente à pandemia de covid-19.
O governo paralelo que acabou sem governar

A contradição central do projeto de Guaidó foi a distância entre a legitimidade que reivindicava e sua capacidade de exercer o poder.

Ele tinha reconhecimento de governos estrangeiros, acesso a interlocutores internacionais e influência sobre determinados ativos venezuelanos mantidos fora do país. Entretanto, não controlava o palácio presidencial, os ministérios, as Forças Armadas ou a administração pública em Caracas.

O governo interino também enfrentou questionamentos sobre a gestão de recursos e a condução da estratégia oposicionista. O desgaste aumentou à medida que a promessa de afastar Maduro não se concretizava.

A oposição venezuelana, que reunia partidos com estratégias diferentes, passou a divergir sobre a continuidade do governo paralelo. Alguns setores defendiam manter a pressão internacional, enquanto outros consideravam necessário abandonar a estrutura interina e buscar novas formas de atuação política.

Em dezembro de 2022, os principais partidos oposicionistas votaram pelo encerramento do governo interino. A decisão representou uma derrota política para Guaidó, que perdeu a posição que reivindicava desde 2019. A estrutura foi formalmente dissolvida em janeiro de 2023. Hoje, Guiadó vive nos EUA e se ausentou da política venezuelana.

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