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quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Fotos românticas em redes sociais não provam união estável, diz TJ-MG



Eduardo Velozo Fuccia


3 de outubro de 2024, 7h32


Fotografias de um casal em rede social, por si só, não são suficientes para demonstrar a existência de união estável, conforme a definição do artigo 1.723 do Código Civil, que exige a convivência pública, contínua, duradoura e com o objetivo de constituição de família.

freepik

Para a corte mineira, fotos do casal são comuns em relacionamentos amorosos

Com essa observação, a 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais deu provimento ao recurso de apelação interposto por uma mulher para determinar o restabelecimento do seu benefício de pensão por morte, que fora cancelado por suposta união estável iniciada após ela ficar viúva.


“O compartilhamento de imagens em redes sociais demonstrando afeto não equivale à demonstração de um projeto de vida em comum, característico das uniões estáveis”, destacou o desembargador Leite Praça, relator do recurso.

No caso dos autos, o Instituto de Previdência dos Servidores Militares de Minas Gerais (IPSM) extraiu das redes sociais fotos da mulher junto com outro homem. As imagens foram juntadas em procedimento administrativo que resultou na extinção da pensão por ela recebida desde junho de 2001, na condição de viúva um segurado do IPSM.

O cancelamento do benefício foi amparado no artigo 25, inciso II, da Lei Estadual 10.366/1990, conforme o qual “o direito do beneficiário à cota individual de pensão se extingue pelo casamento ou companheirismo”.
Apenas um namorado

A pensionista ajuizou ação anulatória de ato administrativo contra o IPSM. Ela negou manter união estável com o homem das fotos, o qual reconheceu apenas como seu namorado. A autora alegou que a presença frequente dele em sua casa decorre da necessidade de ter acompanhamento constante em razão de quadro depressivo grave.


O juízo de primeiro grau julgou a ação improcedente. A viúva apelou e a 19ª Câmara Cível do TJ-MG reformou a sentença, considerando as provas dos autos e do procedimento administrativo insuficientes para a configuração de uma união estável.

O relator reconheceu que as fotografias retratam momentos da mulher junto com o namorado, mas ponderou ser esse tipo de cena “comum em qualquer relacionamento amoroso contemporâneo”. Os desembargadores Marcus Vinícius Mendes do Valle e Carlos Henrique Perpétuo Braga seguiram o seu voto.

Boletins de ocorrência vinculando a viúva ao suposto companheiro também foram juntados pelo IPSM, mas o colegiado assinalou que tais documentos se referem a casos isolados, nos quais o homem figura como “acompanhante ou contato de emergência”.

Segundo o acórdão, o instituto réu não se desincumbiu do ônus de comprovar a união estável da autora da ação, devendo ser restabelecido o benefício de pensão porque as provas dos autos remetem à conclusão de que o único relacionamento tido entre as partes é o de namoro.

Cientistas encontram queijo mais antigo do mundo em colar de múmias de 3.600 anos na China

© Foto / Instituto de Arqueologia e Relíquias Culturais de Xinjiang/ LI Wenying

De acordo com pesquisadores chineses, três múmias antigas em Xinjiang, noroeste da China, foram encontradas com uma substância misteriosa ao longo de seu pescoço, como uma joia. Após as análises, eles afirmaram ter encontrado o queijo mais antigo do mundo.
De acordo com uma pesquisa publicada no Journal Cell, quando os pesquisadores encontraram o caixão de 3.600 anos de uma jovem mulher após escavações em Xinjiang, a joia incomum ao redor de seu pescoço foi enviada para análises posteriores.
Os cientistas então, conseguiram extrair com sucesso o DNA de um queijo de 3.600 anos. Identificado como queijo kefir, a descoberta fornece novos insights sobre as origens do kefir e o desenvolvimento de bactérias probióticas.
Há muito tempo que se suspeita que a substância pode ter tido origem láctea fermentada, mas somente agora as ferramentas moleculares se tornaram poderosas o suficiente para confirmar sua composição.
Exemplares de queijo kefir de 3.600 anos encontrados nas múmias
© Foto / Y, Liu et al., Cell, 2024

Como o caixão da mulher foi coberto e enterrado no clima seco do deserto da bacia de Tarim, a pesquisadora da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, Qiaomei Fu, disse que o corpo estava bem preservado, assim como suas botas, chapéu e o queijo que o envolvia.

"Itens alimentares como queijo são extremamente difíceis de preservar ao longo de milhares de anos, o que torna esta uma oportunidade rara e valiosa. Estudar o queijo antigo em grandes detalhes pode nos ajudar a entender melhor a dieta e a cultura de nossos ancestrais", afirmou a pesquisadora.

Práticas funerárias antigas frequentemente incluíam o depósito de itens significativos para a pessoa enterrada ao lado deles. O fato de esses itens incluírem pedaços de queijo kefir ao lado dos corpos encontrados mostrou que "o queijo era importante para suas vidas", acrescentou.

25 de setembro, 12:40

A pesquisa mais recente também revela que os colares incluíam pelo menos dois tipos diferentes de queijo, um feito de leite de cabra — mais precisamente, de um tipo de cabra que era comum na Eurásia da Idade do Bronze — e o outro de leite de vaca.
A evolução das atividades humanas abrangendo milhares de anos também afetou a evolução microbiana, descobriu o estudo, citando a divergência de uma subespécie bacteriana que foi facilitada pela disseminação do kefir entre diferentes populações.

Israel usa bombas de fósforo branco durante ataque em Beirute, diz agência libanesa


A utilização dessa arma química constitui uma violação dos direitos humanos e do direito internacional

03 de outubro de 2024, 04:52 h

247 - A Agência Nacional de Notícias do Líbano informou nesta quarta-feira (2) que os ataques realizados por Israel nas primeiras horas da manhã contra Beirute utilizaram bombas de fósforo branco, proibidas internacionalmente.

A utilização dessa arma química constitui uma violação dos direitos humanos e do direito internacional.

A agência esclareceu que o fósforo branco tem efeitos catastróficos nos tecidos humanos, pois é solúvel nos tecidos, produz queimaduras que causam a morte ao atingir os ossos.

//www.brasil247.com/mundo/israel-usa-bombas-de-fosforo-branco-durante-ataque-em-beirute-diz-agencia-libanesa

TOYOTA - ITEM DE SEGURANÇA AUTOMOBILÍSTICA, ...QUE MATA

Vidas de consumidores brasileiros importam, ou não?
E EU PENSAVA QUE A MONTADORA É UMA EMPRESA RESPEITÁVEL E RESPONSÁVEL, PELO CONCEITO DE QUE DESFRUTAM SEUS PRODUTOS MUNDO AFORA.
Detalhe relevante: não é a primeira ocorrência envolvendo ao produto, tanto que cogita-se de uma substituição da peça defeituosa desde 2019, pelo menos. O descaso e desrespeito com o consumidor brasileiro é notório.
Curiosamente, quando pensei em trocar de carro, sempre me senti atraido pelo Ethios. Agora...
Os diretores da empresa, que não desconheciam o defeito do veículo e não implementaram a substituição da peça defeituosa (recall) pendente desde 2019, segundo a notícia, precisam responder civil e criminalmente pelos danos causados aos consumidores, mas principalmente pelas mortes comprovadamente decorrentes do defeito.
Duvido que no Japão, nos EUA e noutros países, menos tolerantes com absurdos do gênero, os empresários já não tivessem adotado as medidas necessárias para corrigir o problema.
Pau neles. É preciso aplicar o rigor da lei, para que o caso gere efeitos pedagógicos e não se repita com outros produtos da indústria automobilística.
COMO SE NÃO BASTASSEM OS PREÇOS ABUSIVOS QUE SÃO PRATICADOS NO MERCADO BRASILEIRO, EM COMPARAÇÃO COM OS DE OUTROS PAÍSES, AINDA CONTINUAREMOS A NOS  SUBMETER AO DESCASO (NEGLIGÊNCIA, FORMA ÓBVIA DE CULPA - GANÂNCIA -, QUE, NA ESPÉCIE, É MAIS QUE DOLO) E À IRRESPONSABILIDADE?
Finalmente, cumpre ressaltar que o deflagrador defeituoso não foi usado somente no modelo Ethios, mas também noutros da mesma empresa. Isto fortalece a acusação de dolo (diferente de mera culpa) industrial/comercial manejável contra a famosa montadora multinacional.

-=-=-=

Quem é mulher que morreu com perfuração na artéria em acidente com peça de airbag
Acidente aconteceu na terça-feira (1º), no Distrito Federal; Marcela Gonçalves Feitosa de Melo, de 37 anos, morreu após ter perfuração na cervical
LAURA MACHADO,FLORIANÓPOLIS02/10/2024 ÀS 16H13 - 

Uma mulher, de 37 anos, morreu na terça-feira (1º) após ser atingida por uma peça compatível com sistemas de airbags. O caso aconteceu em frente ao Terminal Rodoviário do Cruzeiro, no Distrito Federal.



Marcela de Melo morreu após acidente na terça-feira (1º) – Foto: Redes Sociais/Reprodução/ND

Quem é mulher que morreu em acidente com peça de airbag

Marcela Gonçalves Feitosa de Melo, de 37 anos, era natural do município de Inhuma, no estado do Piauí, mas morava em Taguatinga e atuava como assistente social no CIEE (Centro de Integração Empresa Escola). As informações são do Correio Braziliense.

A vítima dirigia um carro modelo Toyota Etios SD XS, quando bateu na traseira de outro carro na Avenida das Jaqueiras. Em nota enviada ao ND Mais, a Toyota lamentou a morte de Marcela e afirmou que o veículo “se encontra com campanha de recall pendente desde 2019” (leia o posicionamento na íntegra mais abaixo).
Recall é o chamado feito pelas fabricantes de veículos aos proprietários quando são identificados defeitos em modelos produzidos que podem ocasionar acidentes ou afetar o desempenho do automóvel.
Marcela era natural do estado do Piauí – Foto: Redes Sociais/Reprodução/ND

Nesta quarta-feira (2), o titular da 3ª Delegacia de Polícia Civil do Cruzeiro, responsável pelas investigações, afirmou que o laudo preliminar aponta que a assistente social morreu após um projétil atingir a região cervical dela e perfurar uma artéria.

A peça, chamada de ‘espoleta’, é característica em airbags e responsável por acionar o balão durante o impacto. O laudo pericial definitivo deve sair em até 30 dias, conforme a Polícia Civil.

Peça perfurou região cervical da vítima após acionamento do airbag – Foto: PCDF/Divulgação/via Correio Braziliense/Reprodução/ND

“Apesar da peça ser muito semelhante a um projétil de arma de fogo, essa possibilidade já foi descartada”, contou o delegado Victor Dan.
Veja a nota da empresa fabricante do veículo na íntegra:

“A Toyota se solidariza com a família da vítima e lamenta o ocorrido. Com relação ao veículo, informa que se encontra com campanha de recall pendente desde 2019. Para que a Toyota possa fornecer maiores informações, será necessária perícia técnica.


Aproveitamos para pedir aos proprietários que verifiquem se os seus veículos estão envolvidos na campanha de recall pelo site, pelo Toyota Assistência 24 horas no telefone 0800 703 0206 ou diretamente com o concessionário mais próximo.

Caso o veículo esteja envolvido na campanha de recall, pedimos que o proprietário entre em contato com a Rede de Concessionárias Toyota para realizar o agendamento. O serviço consiste na substituição do deflagrador da bolsa do airbag, tem duração estimada de até 1 hora e é realizado de forma gratuita”, diz a Toyota, em comunicado oficial.

*Com informações do Correio Braziliense.

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Você já viu falar na Opus Dei?

Leia sobre tal congregação católica no site abaixo.

https://elpais.com/babelia/2024-10-02/manipulacion-codicia-y-poder-la-historia-no-contada-del-opus-dei.html

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

McDonald's e supermercados são acusados de usar trabalho análogo à escravidão no Reino Unido


Legenda da foto,Nove vítimas da escravidão moderna foram forçadas a trabalhar em uma franquia do McDonald's no leste da InglaterraArticle informationAuthor,William McLennan, Phil Shepka e Jon Ironmonger
Role,BBC
Há 12 minutos


Pavel estava sem-teto na República Tcheca, vivendo em condições precárias e à procura de uma oportunidade que o tirasse da miséria.


Quando foi abordado por uma quadrilha que prometia um emprego bem remunerado no Reino Unido, ele acreditou que aquela era sua chance de recomeçar a vida, de ter estabilidade e dignidade.


Porém, Pavel rapidamente descobriu que a promessa de um futuro melhor não passava de uma armadilha que o aprisionaria em um ciclo de trabalho exaustivo, exploração e humilhação em uma franquia do McDonald’s, segundo revelou uma reportagem investigativa da BBC.


Assim como Pavel, outras 15 vítimas foram enganadas e levadas ao Reino Unido pela quadrilha liderada pelos irmãos Ernest e Zdenek Drevenak, todos vindos da República Tcheca e em situação de vulnerabilidade.


Alguns já haviam enfrentado falta de moradia ou problemas com vício, o que os tornava alvos fáceis para os traficantes de seres humanos.


A quadrilha não apenas confiscou seus passaportes, mas também usou o medo e a violência para mantê-los sob controle.


"Eles tratavam suas vítimas como gado", disse a detetive Melanie Lillywhite, da Polícia Metropolitana, que participou das investigações, descrevendo as condições desumanas que Pavel e seus colegas enfrentaram.


Segundo Lillywhite, as vítimas eram alimentadas apenas o suficiente "para mantê-las funcionando" e controladas por "algemas invisíveis" — monitoradas por câmeras de segurança, impedidas de usar telefones ou a internet e incapazes de falar inglês.
Legenda da foto,Pavel foi alvo da gangue quando estava sem-teto na República Tcheca

'Tínhamos medo'
Pavel foi forçado a trabalhar em uma filial do McDonald's na cidade de Caxton, no condado de Cambridgeshire, no leste da Inglaterra, por até 70 horas semanais, recebendo apenas algumas libras por dia de seus exploradores, enquanto o resto de seu salário era desviado para contas bancárias controladas pela quadrilha.


Era uma rotina de exploração e cansaço extremo, que deixou marcas permanentes em sua saúde física e mental.


"Você não pode desfazer o dano à minha saúde mental, isso sempre vai me acompanhar", disse Pavel à BBC.


Ele conta que vivia com medo, não apenas do trabalho exaustivo e das condições de vida insalubres, mas também das ameaças constantes dos traficantes.


"Nós tínhamos medo", afirmou. "Se fôssemos fugir para casa, [Ernest Drevenak] tem muitos amigos na nossa cidade, metade da cidade era amiga dele."


O controle da quadrilha sobre as vítimas era meticuloso. As vítimas não falavam inglês, e suas candidaturas de emprego eram preenchidas pelos próprios traficantes, que até acompanhavam as entrevistas como tradutores, garantindo que tudo corresse conforme os planos da quadrilha.


A exploração também era evidente nos salários, que eram pagos em contas bancárias em nome de outras pessoas.


Crédito,FacebookLegenda da foto,Pavel, à esquerda, e Roman renunciaram ao anonimato para compartilhar suas histórias de tráfico para o Reino Unido e de serem forçados a trabalhar em uma filial do McDonald's


No caso de Pavel e outras vítimas que trabalhavam no McDonald's, os salários de quatro homens, totalizando 215 mil libras (cerca de R$ 1,6 milhão em valores atuais), foram transferidos para uma única conta controlada pela quadrilha.


As vítimas trabalhavam longas horas no McDonald's — até 70 a 100 por semana. Uma delas chegou a trabalhar um turno de 30 horas. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) da ONU diz que horas extras excessivas são um indicador de trabalho forçado.


Enquanto isso, outras vítimas foram forçadas a trabalhar em uma fábrica de pães do tipo pitta, ou pão sírio, a Speciality Flatbread Ltd, com instalações em Hoddesdon, Hertfordshire, e Tottenham, no norte de Londres.


A fábrica fornecia produtos de marca própria para os principais supermercados do Reino Unido, como Asda, Sainsbury's, Tesco, Co-op, Waitrose e M&S.


Nove vítimas trabalharam lá entre 2012 e 2019, e todas enfrentaram condições de trabalho igualmente abusivas.


Elas viviam em acomodações apertadas e improvisadas, como um barracão com vazamentos ou um trailer sem aquecimento.


Enquanto lutavam para sobreviver com apenas algumas libras por dia, os ganhos de seu trabalho eram usados pela quadrilha para financiar uma vida de luxo — incluindo carros caros, joias e até uma propriedade na República Tcheca.

Pagamentos em contas alheias


Durante anos, sinais claros de escravidão moderna foram ignorados tanto pelas autoridades quanto pelas empresas envolvidas.


"Me preocupa muito que tantos sinais de alerta tenham sido ignorados e que talvez as empresas não tenham feito o suficiente para proteger trabalhadores vulneráveis", disse Sara Thornton, ex-comissária independente contra a escravidão, que revisou as descobertas da BBC.


Entre os sinais estavam os pagamentos dos salários em contas bancárias alheias e o uso de intérpretes da própria quadrilha nas entrevistas de emprego, o que deveria ter levantado suspeitas.


Além disso, as horas de trabalho excessivas — até 100 por semana — e as condições de vida precárias dos trabalhadores eram claras evidências de que algo estava errado.


Em várias ocasiões, as vítimas fugiram para casa, mas acabaram sendo encontradas e traficadas de volta para o Reino Unido.


A exploração terminou em outubro de 2019, depois que as vítimas entraram em contato com a polícia na República Tcheca, que então alertou seus colegas britânicos.


Crédito,FacebookLegenda da foto,Os líderes de gangues Zdenek Drevenak, à esquerda, e seu irmão Ernest controlavam suas vítimas com medo e violência


Como a maioria dos McDonald's, a filial de Caxton é uma franquia, o que significa que uma empresa independente paga à gigante do fast-food para poder operar o restaurante.


Enquanto as vítimas trabalhavam lá entre 2015 e 2019, o local foi administrado por dois diferentes franqueados. A reportagem da BBC contatou ambos, mas eles não responderam aos pedidos de entrevista.


O McDonald's do Reino Unido se recusou a conceder uma entrevista à BBC, mas emitiu uma declaração em nome da corporação e de seus franqueados, afirmando que o atual franqueado, Ahmet Mustafa, só foi "exposto à profundidade total desses crimes horríveis, complexos e sofisticados" no curso da sua cooperação com a polícia e a acusação.


A empresa também informou que encomendou uma revisão independente em outubro de 2023 e implementou medidas para melhorar a capacidade de "detectar e dissuadir potenciais riscos, como: contas bancárias compartilhadas, horas excessivas de trabalho e revisar o uso de intérpretes em entrevistas".


Crédito,Met PoliceLegenda da foto,A gangue usou os salários das vítimas para financiar a compra de carros de luxo e uma casa de três andares na República Tcheca

'Práticas preocupantes'


A empresa de panificadora Speciality Flatbread Ltd, onde muitas vítimas também foram exploradas, encerrou suas atividades em 2022.


Nenhum dos supermercados detectou a escravidão enquanto as vítimas trabalhavam na fábrica, entre 2012 e 2019.


A rede de supermercados Sainsbury's informou que deixou de usar a empresa como fornecedora de marca própria em 2016, enquanto os demais só interromperam os contratos depois que a polícia resgatou as vítimas em 2019.


A rede de supermercados Asda disse à BBC que estava "decepcionada que um caso histórico tenha sido encontrado em nossa cadeia de fornecimento", acrescentando que "reverá cada caso identificado e agirá com base no que aprender".


A Tesco e a Waitrose relataram que detectaram "práticas de trabalho preocupantes" e retiraram a fábrica de suas listas de fornecedores em 2020 e 2021, respectivamente.


A Co-op afirmou que fez "um número" de inspeções não anunciadas, incluindo entrevistas com trabalhadores, mas não encontrou sinais de escravidão moderna, acrescentando que a empresa "trabalha ativamente para combater essa questão chocante... tanto no Reino Unido quanto no exterior".


A rede de supermercados M&S disse que suspendeu e retirou a empresa da sua lista de fornecedores em 2020 depois de "tomar conhecimento de possíveis violações de padrões de trabalho ético através da linha de ajuda contra escravidão moderna".


O Consórcio Britânico de Varejo afirmou que o bem-estar dos trabalhadores era "fundamental" para os varejistas, que disse agirem rapidamente quando preocupações são levantadas.


"No entanto, é importante que a indústria varejista aprenda com casos como este para fortalecer continuamente a diligência devida", declarou a entidade.


O diretor da Speciality Flatbreads, Andrew Charalambous, não respondeu a pedidos de comentário por escrito, mas em uma ligação telefônica com a BBC afirmou que apoiou a polícia e a acusação, acrescentando que a empresa foi "minuciosamente auditada pelos principais escritórios de advocacia" e que "tudo o que estávamos fazendo era legal".


Ele acrescentou: "Do nosso ponto de vista, não violamos a lei de forma alguma, dito isso, sim, talvez você esteja certo em que talvez houvesse alguns sinais reveladores ou coisas assim, mas isso seria para o departamento de RH que estava lidando com isso na linha de frente."


Crédito,Met PoliceLegenda da foto,Nove vítimas viviam numa casa no norte de Londres; algumas foram forçadas a dormir num anexo no jardim


Para Pavel, mesmo com a condenação da quadrilha e o fim do pesadelo, as marcas da exploração continuam. Ele sente que foi "parcialmente explorado pelo McDonald's" porque a empresa não agiu diante dos sinais claros de que algo estava errado.


"Eu pensei que, se estivesse trabalhando para o McDonald's, eles seriam um pouco mais cautelosos, que iriam notar isso", disse Pavel, desapontado.


Dois ex-colegas de trabalho confirmaram à BBC que as horas excessivas trabalhadas por Pavel e outros homens — e o impacto disso neles — eram evidentes, mas nada tinha sido feito.


A legislação britânica contra a escravidão exige que grandes empresas — incluindo McDonald's e os supermercados, mas não a fábrica — publiquem declarações anuais delineando o que farão para combater a questão.


A ex-primeira-ministra Theresa May, do Partido Conservador, que introduziu a legislação contra a escravidão moderna em 2015, reconheceu que a lei falhou em proteger as vítimas neste caso e que precisa ser reforçada.


"Este caso é francamente chocante", afirmou May, destacando que grandes empresas precisam fazer mais para investigar suas cadeias de fornecimento.


Ela atualmente lidera a Comissão Global sobre Escravidão Moderna e Tráfico Humano e diz estar comprometida em revisar quais novas leis são necessárias "para garantir que as empresas tomem medidas".


O governo do Reino Unido — controlado atualmente pelo Partido Trabalhista, que faz oposição ao Partido Conservador de May — também se manifestou, dizendo que estava "comprometido em combater todas as formas de escravidão moderna" e prometendo "perseguir quadrilhas e empregadores com todos os meios à nossa disposição, enquanto garante que as vítimas recebam o apoio necessário".


Reportagem adicional de Mary O'Reilly e Maria Jevstafjeva

Cidades inviáveis: por que tantos municípios do Brasil não conseguem se sustentar; veja a situação da sua cidade

 

Legenda da foto,Antes distrito de Paraguaçu Paulista, Borá tornou-se município em 1965Article informationAuthor,Mariana Alvim
Role,Enviada da BBC News Brasil a Borá (SP)



“Você já se perdeu por aqui?”, brinca Augusto Manuel Merci, 66 anos, sobre o tamanho da cidade de Borá (SP), onde ele mora e tem um bar.


O lugar é o segundo município com menor população do Brasil, com 907 habitantes, atrás de Serra da Saudade (MG), que tem 833 moradores segundo o Censo Demográfico 2022.


A cidade paulista reproduz um padrão comum aos municípios brasileiros pequenos: uma baixa geração de receitas próprias e forte dependência do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) — uma verba para as cidades prevista na Constituição e repassada da União às prefeituras.


Em média, o FPM foi responsável por 18,5% das receitas correntes dos municípios brasileiros em 2022, de acordo com o estudo "Multicidades 2024", encomendado pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP).


Entretanto, em cidades com até 10.188 habitantes, o percentual do FPM na receita chega em média a 45,1%.

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Em Borá, no ano de 2023, 66% das receitas vieram do FPM.


Em outro extremo, São Paulo, a capital do Estado onde fica Borá, tem o menor percentual no Brasil de participação do FPM na receita, 0,6%.

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Que História!

A 3ª temporada com histórias reais incríveis

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Fim do Que História!


O FPM é apenas um dos repasses recebidos pelos municípios. Os Estados, por exemplo, também são obrigados a transferir às prefeituras parte do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) (leia mais abaixo).


Por ter uma atividade econômica mais pujante, cidades maiores tendem a recolher maiores volumes de tributos municipais e taxas: os impostos sobre Serviços (ISS); sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), além de contribuições de melhorias, como a Contribuição de Iluminação Pública (Cosip).


Entretanto, há exceções no país, tanto de municípios relativamente pequenos que podem ter maior autonomia financeira, quanto os grandes, que podem ter baixa autonomia.


Segundo um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) com dados de 2022, mais da metade dos municípios brasileiros tem uma situação “crítica” no quesito autonomia para sustentar sua estrutura básica com a própria atividade econômica.


De 0 a 1, sendo 1 a melhor nota, a média dos municípios brasileiros foi de 0,4088 no indicador de “Autonomia” do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF).


O indicador calcula se as receitas correntes fruto da atividade econômica municipal suprem os custos de manutenção da Prefeitura e da Câmara de Vereadores.


De 5.240 cidades analisadas, 55,5% estão na pior classificação, em situação “crítica”; 9,7% em situação “difícil”; 9,1% em situação “boa”; e 25,8% em situação “excelente”.


Um terço dos municípios teve nota zero — ou seja, não tiveram receitas produzidas por sua atividade econômica suficientes nem para sustentar a Prefeitura e a Câmara de Vereadores.


As regiões Nordeste (62,4%) e Norte (42,4%) têm a maior proporção de nota zero, seguidas de Sudeste (15%), Centro-Oeste (11,4%) e Sul (5,9%).


Um dos municípios brasileiros com nota zero é Borá.
Legenda da foto,Borá é o segundo município com a menor população do Brasil


Na pacata cidade do oeste paulista onde parece ser difícil se perder, os moradores e até a Prefeitura têm a esperança de aumentar a população — e com isso, agitar sua atividade econômica, hoje resumida principalmente a uma usina de açúcar e álcool, uma fábrica de ração animal e uma empresa de biotecnologia que produz itens como fertilizantes.


Augusto Manuel, dono de bar, diz que demora horas até alguém entrar em seu estabelecimento e comprar uma bala que seja. Ele não tem funcionários e complementa a renda com uma lavoura em seu sítio na cidade vizinha.


O proprietário conta que nasceu na região, viveu em Borá entre 1986 e 1993 e voltou de vez em 2013. Ele diz que não tem o que reclamar da saúde e do sossego na cidade, mas acha que ela deveria receber empreendimentos para movimentá-la, como mais fábricas ou até uma vila industrial.


“Precisa trazer emprego. Hoje, o prefeito precisa dar ônibus para as pessoas trabalharem em Paraguaçu [Paulista, município vizinho, com 41 mil habitantes]. Não tem um escritório de contabilidade, não tem banco... Só tem a lotérica. Eu recebo [valores] na maquininha [de cartão] e preciso ir lá em Paraguaçu buscar o dinheiro”, diz Augusto Manoel.
Legenda da foto,Augusto Manuel diz que gosta do sossego e do acesso a serviços em Borá, mas pede mais empregos


Borá tem uma unidade básica de saúde (UBS), uma creche e uma escola municipal. Além disso, conta com um balneário público, quadras e até uma academia municipal, com aulas gratuitas.


A babá Rayane Santana, 23 anos, frequenta a academia. Moradora de Borá desde os 3 anos, quando se mudou de Maceió (AL) com os pais, ela conta que a maioria dos amigos já saiu da pequena cidade em busca de outras oportunidades e reconhece que esse pode ser seu futuro também, embora goste da tranquilidade do pequeno município.


Ela faz faculdade de administração por ensino à distância.


“Em Borá, só usina ou prefeitura”, resume a babá sobre as oportunidades de emprego na cidade.


“Mas saúde é uma maravilha. Tudo é bom. Só para os jovens que não tem nada. Pra sair [à noite], tem que ir para as cidades vizinhas."
Legenda da foto,Rayane (à direita) e uma amiga frequentam a academia municipal de Borá


Nas eleições municipais de 2024, há apenas um candidato à prefeitura — o atual mandatário, Luiz Carlos Rodrigues, que busca a reeleição. A BBC News Brasil tentou contato com ele via e-mail, telefone e visita pessoal, mas não foi atendida.


Na eleição atual, há 213 municípios brasileiros que só têm um candidato à prefeitura.


Em Borá, há 27 candidatos para nove vagas de vereador.


Paulo Paiva, economista e supervisor-geral (algo como um chefe de gabinete administrativo) da Prefeitura de Borá, afirma que a administração municipal tem um convênio quase formalizado para levar o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida para a cidade, o que, segundo ele, poderia trazer cerca de 200 habitantes para o município.


Paiva acrescenta que, até 2025, a Prefeitura também prevê contratar um auditor fiscal, o que permitiria fazer um Código Tributário e, com isso, iniciar a formulação da Planta Genérica de Valores (PGV) — a base para definir valores diferentes de IPTU, por exemplo, de acordo com o tamanho e a localidade do imóvel.


Hoje, segundo Paiva, cobra-se uma taxa básica de IPTU de todos os imóveis.


Outras receitas municipais, como ISS e ITBI, acabam não rendendo tanto para o município por conta da pouca atividade de serviços e transferências de imóveis, ele diz.


Cerca de 92% das receitas correntes de Borá em 2023 (aproximadamente R$ 21 milhões) vieram de transferências da União (72,2% das receitas), incluindo o FPM, e do Estado de São Paulo (19,8% das receitas).


Segundo dados levantados pela Firjan a pedido da BBC, a maior parte da receita própria do município em 2023 veio do imposto retido na fonte dos salários de servidores e pagamentos de fornecedores (cerca de R$ 389,9 mil), a que as cidades têm direito.


Já o ISS arrecadou R$ 223 mil para a cidade e o IPTU, apenas R$ 27,9 mil.


O supervisor-geral Paulo Paiva argumenta que o município gera bastante ICMS, Imposto de Renda, Imposto de Exportação e PIS/Cofins. Entretanto, o primeiro é recolhido pelo Estado e os outros, pela União — só depois uma parte de alguns desses tributos é repassada aos municípios, segundo critérios diversos.


“Se você olhar realmente o que é arrecadado dentro do município, ele é subsistente”, argumenta, afirmando que os índices econômicos podem ter falhas e defendendo que a população de Borá tem boa qualidade de vida e acesso a serviços públicos.

Mais de 1.400 novos municípios desde 1988
Legenda da foto,Moradores de Borá dizem que calma não falta na cidade — mas faltam pessoas


Borá era um distrito de Paraguaçu Paulista e virou município em 1965.


Paiva reconhece que projetos no Congresso que visam diminuir a quantidade de municípios pequenos no Brasil, por exemplo com a fusão de cidades, geram temor na Prefeitura de Borá.


“Se o município vira distrito, a população padece demais. Se a gente virasse distrito de Paraguaçu Paulista, não sei se manteria aqui dentro um ginecologista, um pediatra, três dentistas, dois fisioterapeutas...”, argumenta.


Já Jonathas Goulart, gerente de estudos econômicos da Firjan, acredita que os dados existentes mostram que o problema exige uma solução.


“Para o município existir, ele precisa, pelo menos, gerar receita para financiar sua estrutura administrativa mais básica. Porque senão, esse dinheiro que poderia ser utilizado em educação, em saúde, em diversas coisas, vai ser utilizado para financiar o salário da Câmara de Vereadores e da Prefeitura”, aponta Goulart.


Nayara Freire, especialista em estudos econômicos da Firjan, afirma que houve nas últimas décadas um “aumento muito grande no número de municípios com baixa autonomia”.


"São municípios que não têm nenhuma estrutura para arrecadar impostos e nenhuma atividade econômica suficiente para gerar, de fato, receitas. Então, esses municípios ficaram muito dependentes de transferências, principalmente da União", explica a especialista.


Desde a Constituição de 1988, o Brasil viu a criação de 1.452 municípios, de acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM).


Uma emenda constitucional de 1996 congelou o processo de criação de novos municípios — mas outra emenda, de 2008, permitiu que processos de criação que já tivessem sido iniciados fossem concluídos.


A União é obrigada pela Constituição a repassar ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM) cerca de um quarto dos valores arrecadados com o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).


O FPM é distribuído para os municípios através de uma combinação de características, principalmente o tamanho da população, a renda per capita dos Estados e a diferenciação entre municípios do interior versus capitais.


Pelo modelo atual, que passará por mudanças na reforma tributária (leia mais abaixo), os Estados são obrigados a repassar aos seus municípios 50% do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e 25% do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS).


Segundo dados levantados pela FNP a pedido da BBC News Brasil, em 2023, 94,8% dos municípios analisados (5.434 tinham dados disponíveis) tiveram 50% ou mais das suas receitas correntes transferidas por entes externos, seja Estados ou União.


Cerca de 19% dos municípios tinham dependência de 80% ou mais de transferências externas.


Esses repasses incluem não só os impostos já citados, mas também transferências relativas a royalties, ao Sistema Único de Saúde (SUS), ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), entre outros.


O escopo desse dado é diferente do IFGF da Firjan — que opta por considerar os impostos como ICMS e IPVA como fruto da atividade econômica dos municípios, e não como um indicador de mera dependência.


“Em geral, as cidades [mais dependentes] têm um porte populacional mais baixo, estão afastadas da área urbana, especialmente fora de área metropolitana, e não têm atividade econômica muito desenvolvida", explica Kleber Castro, consultor econômico da FNP.


“As cidades mais autônomas são exatamente o oposto: têm maior atividade, maior concentração populacional...”, enumera.


As diferenças entre as regiões do Brasil têm a ver com o grau de atividade econômica, acrescenta Castro.


Presidente da CNM, Paulo Ziulkoski rejeita a pecha de dependente atribuída a muitos municípios brasileiros. Ele diz que os repasses de ICMS ou FPM, por exemplo, não são benevolência dos Estados ou da União, e sim uma obrigação constitucional.


Por uma série de razões, são esses os entes a administrar os impostos, posteriormente repassando um percentual aos municípios.


“É nosso recurso, somos sócios do negócio. Apenas a administração está a cargo de alguém mais habilitado ou adequado a maximizar o projeto no qual estamos inseridos”, afirma Ziulkoski.


“Poderíamos inverter, nós administrarmos o ICMS e transferir uma parcela pertencente aos Estados. Nós administrarmos o Imposto de Renda e IPI e repassar as parcelas dos Estados e da União. Eles seriam nossos dependentes?”, indaga.


“A tributação sobre imposto de importação é feita pela União porque tem melhores condições técnicas de gerir as entradas nas fronteiras e no país do que os municípios. A mesma linha serve para o Imposto de Renda”, exemplifica.


O presidente da CNM assegura que os municípios estão melhorando sua estrutura para arrecadar impostos, mas destaca que os tributos municipais, para a maioria das cidades, têm uma capacidade de arrecadação limitada.


“O ISS merece que tenhamos a necessidade local de demanda de serviços; o ITBI, de aquisições imobiliárias. Os dois, na maioria dos municípios, são algo pouco significativo em termos de operações”, afirma Ziulkoski.


“Ainda temos o IPTU, mas a maioria dos municípios têm pequenas áreas urbanas. Mesmo que a administração tributária local atue nos limites máximos da eficiência, o fator número de imóveis é limitado e torna aquela soma arrecadada pequena.”

Como melhorar?


Fato é que, de 1988 a 2022, a participação de receitas próprias dos municípios no total de suas receitas aumentou, segundo o estudo "Multicidades 2024".


Em 1988, a receita própria compunha em média 20,6% da receita municipal total e passou para 35,4% em 2022.


Já a participação das transferências passou de 79,4% em 1988 para 64,6% em 2022.


Kleber Castro, da FNP, afirma que este avanço é fruto do esforço e investimento dos municípios em gestão e modernização da administração tributária.


"Como resultado disso, de forma direta, os municípios conseguem arrecadar. Eles estão cada vez mais exercendo a sua responsabilidade como agente arrecadador — coisa que eles não faziam, ou faziam muito menos, no passado", explica o consultor financeiro da entidade.


Castro cita também mudanças na legislação que aperfeiçoaram os tributos municipais, como uma lei de 2003 que na prática ampliou o rol de serviços que as cidades podem tributar com o ISS.


Segundo o estudo "Multicidades 2024", este imposto indireto é a principal fonte de recursos próprios dos municípios (44,4% das receitas próprias, em média) e teve uma alta real de 238,4% na arrecadação entre 2004 e 2022.


Outro fator que favorece a arrecadação do ISS — e, em consequência, a geração de receitas próprias dos municípios — é a crescente participação, nas últimas três décadas, dos serviços na economia brasileira, já que este é um tributo destinado a esse setor.


Mas Castro diz que ainda há espaço para melhora, já que, até hoje, há municípios que não têm estrutura para arrecadar, por exemplo, o IPTU.


"Apesar do crescimento recente, o IPTU é um imposto que está bastante aquém da sua capacidade de arrecadação”, aponta o especialista.


“E muito aquém da sua capacidade de ser utilizado como instrumento de redução de desigualdades. Você pode chegar em uma cidade e verificar quanto se cobra de IPTU de uma casa que custa no mercado R$ 1 milhão. Quando vai ver, o valor é irrisório, às vezes menor do que ele [proprietário] paga no IPVA do carro. Isso é muito comum", exemplifica Castro.


Por mais desagradável que isso seja, o especialista responde que sim, o caminho para a melhoria da autonomia financeira dos municípios muitas vezes passa pelo aumento de impostos cobrados da população.


"O Brasil precisa de mais divulgação acerca de cidadania fiscal. As pessoas têm que entender que imposto é uma coisa importante, porque um imposto se reverte em benefícios para a população. É doloroso, eu também sou contribuinte, sei como é. Mas é entender que, quando você paga imposto, aquilo de alguma forma está voltando para você ou para outras pessoas que precisam mais”, defende.


“O segundo aspecto é que se a gente deixar de cobrar o IPTU ou algum imposto, certamente o poder público vai precisar cobrar por outro caminho. O município que deixa de ter autonomia vai precisar de recursos dos Estados ou da União que, por sua vez, vão tributar de outra forma o cidadão. Então, de alguma forma essa conta chega.”


Nayara Freire, da Firjan, reconhece que os resultados dos investimentos das prefeituras em áreas que melhorem a vida da população, como saúde e habitação, não necessariamente se refletem direta e rapidamente na autonomia de um município.


Por exemplo, projetos que estimulem o acesso à educação e à capacitação profissional normalmente podem levar muitos anos para resultar em geração de empregos e atividade econômica mais pujante — e essas mudanças também dependem de outros fatores, como a atração de empresas e o contexto econômico da região e do país.


"O desenvolvimento econômico é um caminho sustentável para gerar o equilíbrio das contas públicas. O problema é que o gestor não quer fazer esse trabalho mais longo”, aponta a especialista.

Reforma tributária traz mudanças também para os municípios
Legenda da foto,Borá ainda planeja implementar sua Planta Genérica de Valores (PGV)


Os entrevistados pela BBC News Brasil avaliam que, no saldo geral, a reforma tributária — aprovada no final de 2023 e em fase de regulamentação — traz possibilidades de melhoras para a autonomia dos municípios.


Um dos pontos positivos apontados é a criação de um comitê gestor do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Esse tributo substituirá o ISS e o ICMS e, portanto, ocupará o lugar de impostos que são hoje municipal e estadual, respectivamente.


Os percentuais que os municípios e Estados receberão do IBS ainda serão definidos, mas há um princípio na reforma de que nenhum ente perca arrecadação em relação ao que recebe hoje — podendo haver compensações para evitar isso.


Após um período de transição, em 2033 o ICMS e o ISS serão extintos.


O comitê gestor do IBS será um órgão compartilhado pelos governos locais que vai gerenciar a arrecadação e a repartição das receitas entre Estados e municípios.


Para Paulo Ziulkoski, da CNM, o comitê gestor permitirá uma participação mais ativa dos municípios — que hoje, por exemplo, ficam distantes da gestão do ICMS por parte dos Estados.


“Uma das partes arrecadadas será o IBS municipal. E no IBS estadual, onde temos uma participação de 25% [correspondente ao atual ICMS], há uma mudança positiva: este valor virá diretamente do comitê gestor para o município, sem passar pelos cofres dos Estados”, comemora Ziulkoski.


Jonathas Goulart, da Firjan, aponta que a nova estrutura criada pela reforma possibilitará também que alguns municípios arrecadem tributos que hoje nem chegam a ser cobrados.


“Tem muito município que não tem nenhuma estrutura tributária para fazer a arrecadação. Como eles não têm nem a estrutura do município para, por exemplo, arrecadar ISS, eles não arrecadam. Agora, quando essa estrutura passa a ser de interesse do Estado, do governo federal e dos municípios, os municípios vão acabar também recebendo esse recurso”, explica o economista, destacando, porém, que ainda há muitos efeitos imprevisíveis da reforma.


“Por ser um período longo de transição, ninguém sabe exatamente o que vai acontecer", aponta Goulart.


Outra mudança importante da reforma é a cobrança de impostos no destino (local de consumo) em vez da origem (local de produção) — como ocorre atualmente.


Ziulkoski também vê aí vantagens para os municípios.


“Hoje, somos cobrados em muitos setores para fiscalizar, arrecadar, porém, a formatação de incidência tributária é atualmente concentrada na origem. Assim, por vezes a sociedade vê determinadas ações e atividades econômicas ocorrendo na sociedade local e espera que o produto desta arrecadação ocorra ali, mas não ocorre”, aponta.


Kleber Castro, da FNP, destaca também que, com as novas regras, a Planta Genérica de Valores (PGV) pode ser modificada por decreto dos prefeitos, não necessitando mais da aprovação da Câmara dos Vereadores.


“O prefeito pode tomar essa decisão, ainda que tenha que sustentar isso tecnicamente. Isso é muito importante e pode ajudar a alavancar o potencial de arrecadação do IPTU", destaca Castro.


Não há previsão de mudanças nos critérios de distribuição do FPM por conta da reforma. Entretanto, a partir de 2027, o Imposto Seletivo (IS) deve substituir o IPI na composição do fundo.


De acordo com análise do estudo "Multicidades 2024", as possibilidades de perdas de receita no FPM quando houver substituição pelo IS são "relativamente baixas", já que a reforma prevê a compensação por eventuais perdas.

DÁRIO BERGER - Uma afirmação infeliz

 "O Plano Diretor é a Bíblia da nossa cidade".

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Petroleiras receberam R$ 226 bilhões em isenções desde o governo Temer; maioria das beneficiadas é estrangeira
230 empresas da cadeia do petróleo obtiveram renúncias que deveriam ser temporárias
23 de setembro de 2024, 14:56 h

Plataforma de petróleo (Foto: Agência Petrobrás)


Por Vinicius Konchinski, Brasil de Fato 

- Pelo menos 230 empresas ligadas à cadeia de exploração do petróleo no Brasil foram beneficiadas com R$ 226 bilhões em renúncias fiscais desde 2017, primeiro ano completo do governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). A maioria das petroleiras beneficiadas é estrangeira. Essas companhias foram agraciadas com isenções prorrogadas pelo próprio Temer um ano após assumir o posto que era de Dilma Rousseff (PT).

O valor das renúncias e o número de empresas beneficiadas por elas constam de um levantamento realizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). O Inesc analisou dados sobre isenções vinculadas ao Repetro, programa criado em 2009 para baratear bens necessários para a exploração da recém-descoberta camada do pré-sal.

Quando o Repetro foi criado, ainda no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ideia era que ele fosse temporário. Seus benefícios venceriam em 2020.

O governo Temer, entretanto, agiu para prorrogá-lo até 2040. Editou uma medida provisória para isso, que virou lei sancionada por ele.

O Inesc conseguiu, com pedidos feitos com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), obter dados das isenções vinculadas ao Repetro de 2015 a 2023. Nesses nove anos, R$ 260 bilhões – média de R$ 28,8 bilhões ano. Essa média sobe para R$ 32,3 bilhões por ano a partir de 2017, já no governo Temer.

"Os dados revelam que as renúncias fiscais aumentaram significativamente a partir de 2017, com a renovação do Repetro até 2040 pela lei 13.586/2017. Essa lei ampliou o escopo do regime, beneficiando ainda mais as empresas do setor", informou o Inesc, em texto da divulgação do seu levantamento.

"É um patrocínio enorme que o governo federal concede à indústria de óleo e gás, que é uma indústria que a gente sabe que tem seus dias contados, que precisa passar por um transição", acrescentou Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc, que trabalhou no levantamento. "E o Brasil precisa desse recurso. São recursos que saem do Orçamento."
Estrangeiros

Considerando todos os dados levantados pelo Inesc, a Petrobras é de longe a empresa que mais foi beneficiada pelas isenções. Foram R$ 117,2 bilhões, aproximadamente 45% de todo o benefício fiscal distribuído por meio do Repetro desde 2015.


A segunda empresa que mais se beneficiou foi a Modec, que aproveitou de R$ 15,3 bilhões em isenções. A Modec é uma multinacional que atua principalmente provendo plataformas marítimas usadas por petroleiras.

Segundo Cardoso, a Modec é só uma das várias estrangeiras beneficiadas por isenções no Brasil. Ela estima que 90% das companhias do Repetro são de fora do país.
Críticas

Para o economista Eric Gil Dantas, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), essas isenções não fazem sentido. Sejam elas para empresas nacionais com a Petrobras, sejam elas para estrangeiras.

Dantas acompanha o mercado do petróleo há anos. Lembrou que, entre 2021 e 2023, a Petrobras distribuiu bilhões a seus acionistas em forma de dividendos. Não precisaria, portanto, da ajuda do Estado para desenvolver suas atividades.

Dantas ressaltou também que essas isenções à indústria do petróleo não se revertem em benefícios à população, já que a cadeia do setor é baseada em preços internacionais. O petróleo produzido aqui – com ou sem incentivos do governos – é vendido por um valor definido num mercado global. A gasolina e o diesel, cujo preço depende do petróleo, não tendem a ficar mais baratos porque o governo ajudou as petroleiras.

Mahatma dos Santos, um dos diretores técnicos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), também não vê benefícios no Repetro pós-2017. Segundo ele, o programa surgiu como uma solução emergencial para trazer equipamentos ao Brasil enquanto a indústria nacional se desenvolvia.

A partir de 2017, o incentivo governamental a esse desenvolvimento parou. Para ele, assim, o Repetro serviu para beneficiar estrangeiros. "Isenções que beneficiaram sobretudo essa cadeia transnacional, reduziram a capacidade de concorrência dessa indústria nascente no Brasil e privilegiaram a indústria estrangeira, que de certa maneira, indireta e indiretamente, foi apoiadora do golpe de 2016 [contra Dilma]."
Revisão geral

Cardoso, do Inesc, espera que o governo revise as revisões do Repetro considerando as ponderações sobre o programa, mas sobretudo o cenário de mudanças climáticas.

"Esse é um passo necessário que se espera de um governo que busca exercer liderança na agenda climática global", afirmou. "A relação do Brasil com a indústria do petróleo é marcada por uma profunda assimetria de informações e, também, pela falsa promessa de que os recursos oriundos do petróleo financiarão a transição energética. Sustentar essa expectativa é perder um tempo precioso no combate às emergências climáticas."

domingo, 22 de setembro de 2024

Os fascistas Milei e Bulrich e a repressão aos aposentados

 


https://www.pagina12.com.ar/edicion-impresa/22-09-2024