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quarta-feira, 19 de agosto de 2020

CRENÇA PRÉ-HISTÓRICA - Instituto do Templo afirma ter novilha vermelha pronta para sacrifícios

Animal é visto como um “sinal do fim dos tempos” para “restaurar pureza da Torá”.

em 11 de agosto de 2020


Por Michael Caceres
Novilha vermelha do Temple Institute (Reprodução)


A entidade judaica Temple Institute, responsável pelos preparativos para o retorno dos cultos no Templo em Jerusalém, vem realizando inspeções na novilha vermelha, afirmando que já estão prontos para iniciar as ofertas de sacrifícios com o animal.

O instituto já possui duas novilhas totalmente vermelhas, cujo nascimento foi anunciado há dois anos, após início do projeto “Raise a Red Heifer in Israel” (Uma novilha vermelha para Israel). Segundo a crença judaica, o nascimento da espécie após 2 mil anos representa um “sinal do fim dos tempos” e uma amostra de que a “pureza da Torá será restaurada no mundo”.


“Desde seu nascimento, os especialistas rabínicos do Temple Institute têm observado atentamente essas novilhas, em busca de qualquer cabelo não ruivo que possa brotar em uma delas ou qualquer ferimento leve que a novilha sofra, o que a desqualificará de ser uma novilha vermelha kosher (perfeita segundo a lei mosaica)”, informou o instituto.

Ao anunciar a inspeção das duas novilhas, os responsáveis afirmam que os especialistas acreditam que as duas estão perfeitas, mas que uma nova inspeção será feita de forma mais detalhada e se uma ou ambas as novilhas vermelhas permanecerem qualificadas, logo estarão prontos para avançar ao estágio de sacrifícios.


Este tipo de sacrifício está descrito em Números 19.2, que diz: “Este é o estatuto da lei, que o Senhor ordenou, dizendo: Dize aos filhos de Israel que te tragam uma novilha ruiva, que não tenha defeito, e sobre a qual não tenha sido posto jugo”.

“É maravilhoso imaginar que essas duas criaturas inocentes e desavisadas pudessem, em um futuro muito próximo, fazer Israel e o mundo avançarem para o próximo estágio da redenção e da construção do Templo Sagrado”, diz o site do instituto.

Espécie de mamífero considerada extinta há 50 anos é encontrada na África

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Acreditava-se que o animal estava extinto desde os anos 1970, porém milagrosamente "ressuscitou" perante membros de uma expedição no Djibuti.

O pequeno mamífero africano tem um focinho longo em forma de tromba e olhos pretos penetrantes. Até agora, são conhecidos aproximadamente 39 exemplares do animal, preservados em museus, já que a espécie foi considerada extinta desde 1970.

Entretanto, surpreendentemente o animal "ressuscitou" perante membros de uma expedição no Djibuti, que já encontrou oito exemplares no país africano, sendo três fêmeas e cinco machos, segundo estudo publicado na revista Peerj.

Testes de DNA e uma análise anatômica dos musaranhos capturados confirmaram não apenas que a espécie, considerada extinta há anos, possui exemplares vivos, como também havia sido erroneamente classificada pelos cientistas, provavelmente devido à escassez de dados.

Para resolver esta questão, os autores do estudo propuseram nomear o animal de Galegeeska revoilii, ao invés de Elephantulus revoilii, que resultou ser "incompatível com a filogenia do musaranho".

Os pesquisadores haviam instalado 1.259 armadilhas em 12 locais. Com alguns modelos de distribuição da espécie e potenciais habitats, concluíram que o musaranho é mais comum do que se acreditava e habita zonas quentes, secas e rochosas da Somália, do Djibuti e até da Etiópia.

Fonte: https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2020081915965866-especie-de-mamifero-considerada-extinta-ha-50-anos-e-encontrada-na-africa-video/

AGRONEGÓCIO - Hong Kong envia comunicado sobre suspensão da Aurora

Estadão Conteúdo19/08/20 - 08h45 - Atualizado em 19/08/20 - 10h35

São Paulo, 19 – O Ministério da Agricultura confirmou nesta quarta-feira que foi “comunicado oficialmente por Hong Kong” sobre a suspensão temporária da importação de carne de frango de unidade da Aurora Alimentos em Xaxim (SC). A pasta disse, ainda, que vai “responder aos questionamentos das autoridades de Hong Kong”.

O governo de Hong Kong suspendeu a importação de carne de frango da Aurora Alimentos de Xaxim, conforme comunicado divulgado no site do Centro de Segurança Alimentar (CFS, na sigla em inglês) da província autônoma da China. A medida, segundo o órgão, ocorreu por causa da presença de traços de novo coronavírus em lote de asa de frango congelada pertencente ao frigorífico brasileiro e detectada na semana passada pelo município de Shenzhen, na China.

“Por uma questão de prudência, o CFS também suspendeu temporariamente o pedido de licença de importação de carne de frango para Hong Kong da fábrica em questão (número de registro: SIF601), enquanto espera por mais investigação do caso e detalhes de teste das autoridades competentes”, diz o comunicado.

Além da planta de Xaxim – que agora foi temporariamente suspensa -, a Aurora Alimentos tem outras no Sul do Brasil habilitadas a exportar carne de frango para Hong Kong: as unidades de Itajaí, Guatambu, Quilombo, Abelardo Luz e Maravilha (todas em Santa Catarina), a de Erechim (RS) e a de Mandaguari (PR), conforme o cadastro do Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura.

SE ACONTECER, IRÁ FEDER - Acareação entre Flávio e Paulo Marinho é marcada para dia 21 de setembro




Estadão Conteúdo19/08/20 - 11h35 - Atualizado em 19/08/20 - 11h49


O Ministério Público Federal (MPF) agendou para o dia 21 de setembro uma acareação entre o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o empresário Paulo Marinho. Ela deve ser conduzida pelo procurador da República Eduardo Benones. A acareação (reunião para confrontar versões) faz parte da investigação sobre o suposto vazamento da Operação Furna da Onça, realizada no final de 2018. Marinho, que era aliado e é suplente de Flávio Bolsonaro, afirma que um delegado da Polícia Federal antecipou ao então deputado estadual do Rio de Janeiro que a operação seria realizada. Flávio Bolsonaro nega.

Durante essa operação foi detectada movimentação suspeita de dinheiro por Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, e começou a investigação sobre a suposta “rachadinha” – devolução do dinheiro de salários no gabinete de Flávio. Queiroz cumpre prisão domiciliar por conta dessa investigação.

Em nota divulgada na noite desta terça-feira, 18, a defesa de Flávio Bolsonaro informou que até então não havia sido intimada sobre o agendamento da acareação. A defesa também ressaltou que os parlamentares federais, como o senador, têm a prerrogativa legal de ajustar dia e hora da realização de depoimentos, conforme sua conveniência.

Horror em família: homem é preso por estuprar sobrinha e filho dela de 8 anos e pode ser pai do menino

 Mãe da nova vítima disse que era abusada na adolescência e por isso engravidou; ele já era investigado por estupro de uma enteada






Um homem de 46 anos foi preso em Jundiaí nesta terça-feira (28) acusado de estuprar a sobrinha e o filho dela, de 8 anos. Como se a história não fosse trágica, há um elemento a mais: a moça disse à polícia que o criminoso é o pai da criança em quem praticou a violência sexual.

A mãe da nova vítima do abusador disse à polícia que era abusada pelo tio na adolescência. Devido a esses abusos, ela contou que teria engravidado. A criança, um menino, nasceu e morava na casa, com o acusado. Mesmo sabendo que ele era no mínimo seu sobrinho-neto, o homem teria cometido mais um crime sexual.

E esse não é o único inquérito policial de abuso em que ele figura. Há uma outra investigação em andamento que apura se ele estuprou uma enteada. Agora, outras mulheres da família também denunciaram abusos sofridos quando eram menores de idade.

A polícia vai pedir a coleta de material genético do homem e da criança para confirmar se ele é pai da vítima. A criança foi retirada da casa, onde morava com o agressor e a bisavó, e levada para um abrigo.

Evangélicos de esquerda criam bancada de oposição a Bolsonaro e conservadores

 19 DE 

AGOSTO DE 2020, 10H45


O grupo de cristãos se reuniu para fomentar pautas progressistas, contrárias as da atual Bancada Evangélica Conservadora
Pastor Ariovaldo Ramos visita Lula nas dependências da Superintendência da PF, nesta segunda-feira (25), em Curitiba e, em seguida, relata o encontro na Vigília Lula Livre, com presença da ex-ministra Miriam Belchior. | Foto: Ricardo Stuckert Curitiba (PR), 25/06/2018



A Bancada Evangélica Popular, divulgada no início de julho deste ano (2020) e presidida pelo Pastor Ariovaldo Ramos – aliado do ex-presidente Lula e defensor ferrenho do Estado laico –, apresenta uma nova alternativa para os adeptos da fé cristã que não se identificam com as pautas conservadoras da atual Frente Parlamentar Evangélica do Congresso.

O projeto por uma bancada cristã mais popular tentou sair do papel durante as eleições presidenciais de 2018, mas se viu encurralado pelo curto espaço de tempo que o restava para propor candidaturas durante a corrida eleitoral.

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“Quando a gente acordou, a direita já estava com o navio em pleno mar aberto. ”, lamentou o Pastor Ariovaldo.

Defendendo uma bandeira mais progressista, a Bancada Evangélica Popular promete deixar a religião de fora das pautas políticas do partido, uma vez que entre as prioridades da nova organização, se encontra a garantia fundamental do Estado Democrático de Direito.

“Não tem nada a ver com essa ênfase da bancada evangélica de representar a igreja, mas sim de marcar posição, para que todo o Brasil saiba que a igreja evangélica não é esse grupo hegemônico e que nós estamos nessa mesma batalha do povo brasileiro pela democracia e justiça social”, explicou o coordenador da Bancada.

Segundo às considerações feitas pelo partido, são mais que bem-vindos todos os adeptos à fé cristã evangélica que estiverem de acordo com os princípios propostos pelo manifesto partidário e também sejam contrários à presidência de Jair Bolsonaro (sem partido), a quem Ariovaldo identifica como neonazista, ou pelo menos algo semelhante a isso.


A primeira mulher transexual a ocupar um cargo de chefia religiosa em toda América Latina, Alexya Salvador, 39, da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), está entre os nomes dos novos adeptos à Bancada Evangélica Popular e também estará entre as candidaturas para vereadores nas próximas eleições paulistas.

Levando uma série de abordagens complexas em sua trajetória, Alexya conhece como ninguém as complicações em ser uma mulher transexual no Brasil e, sendo também a primeira da sigla a adotar uma criança no País, ela pretende levar essas experiências para a Câmara quando for eleita, promovendo políticas públicas mais dignas para a vida dos transexuais.

“Eu quero que as minhas filhas cheguem aos 39 anos, porque a média de uma mulher trans no Brasil hoje é de 35 anos e vou fazer 40 neste ano. ”, declara Alexya.

A Bancada Evangélica Popular se fortaleceu, efetivamente, no início deste ano e já possui o apoio de diferentes cidades, Estados e partidos da esquerda brasileira.

ESTRANHÍSSIMO - O mistério de R$ 2,5 bilhões de Deltan Dallagnol. Por Moisés Mendes



Publicado por Moisés Mendes
- 19 de agosto de 2020




Todas as questões ditas disciplinares ou administrativas envolvendo Deltan Dallagnol são graves. São delitos com a aparência de que configuram apenas problemas funcionais ou deslizes de um servidor dedicado.

Mas quase tudo o que Dallagnol fazia de errado, como subchefe da força-tarefa da Lava-Jato (o chefe mesmo era Sergio Moro), era desmando com outras consequências além das funcionais.

São tantos os desmandos que nem vale a pena listar aqui de novo, ao lado de um dos mais famosos, o powerpoint em que acusava Lula de ser chefe de uma quadrilha.


Talvez o desmando mais importante, porque não é apenas deslize, seja o que inspirou o pedido da senadora Katia Abreu para que o procurador seja afastado da Lava-Jato.

É o gesto de empreendedorismo relacionado com a criação da fundação anticorrupção com dinheiro da Petrobras.

Katia Abreu pediu que, em decorrência do envolvimento na criação da fundação, e em nome do interesse público, Dallagnol se afaste do que vem fazendo.

Como o julgamento de Deltan no Conselho Nacional do Ministério Público deveria acontecer nessa terça-feira, mas foi suspenso, tudo continua na mesma.

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Mas o afastamento de Dallagnol, mesmo que acontecesse, não resolveria a questão de fundo da fundação como mistério.

A corregedoria do MP já disse que estava tudo bem, que Dallagnol não cometeu nenhuma irregularidade funcional quando tentou montar a fundação.

Mas como não cometeu, se a criação da fundação foi suspensa em março de 2019 por ordem do Supremo, a partir de iniciativa de Raquel Dodge, então procuradora-geral da República?

A fundação continua como mistério encoberto pelo corporativismo do MP, pelo abandono da imprensa e pelo cansaço das esquerdas em levar o assunto adiante.

Se nesta terça o Conselho decidisse afastar Dallagnol da força-tarefa, considerando várias acusações contra o procurador, entre as quais a queixa de Katia Abreu, quais seriam os próximos passos?

Dallagnol perderia o cargo, por causa da fundação, mas nada mais aconteceria? A fundação de Dallagnol continua como um mistério de R$ 2,5 bilhões.

E Dallagnol é hoje a grande figura impune da Lava-Jato.

TSE rejeita figura do abuso do poder religioso como causa de inelegibilidade

 

Por 


Não é possível ampliar a concepção do termo "autoridade", constante do artigo 22 da Lei Complementar 64/1990, para incluir especificamente o caso do líder religioso. Com isso, sem previsão legal, não existe a figura autônoma do abuso do poder religioso que possa ser examinada em sede de ações de investigação judicial eleitoral.Eventual abuso pode ser enquadrado como uso irregular do poder econômico por líder eclesiástico, segundo Plenário do TSE 
Reprodução

Com esse entendimento, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral rejeitou tese proposta pelo ministro Luiz Edson Fachin, que defendia a possibilidade de a Justiça Eleitoral enquadrar o caso de líderes eclesiásticos como "abuso de autoridade", punível conforme disposto na LC 64/90, a Lei das Inelegibilidades.

O julgamento do caso foi iniciado em 24 de junho, quando já divergiu o ministro Alexandre de Moraes, o segundo voto. Todos os demais integrantes do TSE seguiram a divergência, segundo a qual a jurisprudência e a legislação têm meios de combater o abuso de poder no âmbito das relações religiosas por meio do poder econômico ou da propaganda irregular.

A tese proposta por Fachin não tinha relação com o caso concreto julgado, de uma vereadora de Luziânia (GO) que foi cassada pela prática do abuso de poder de autoridade e considerada inelegível. Ela teria usado de sua posição na Igreja Assembleia de Deus para promover sua candidatura e afetar a liberdade de votos dos fiéis.

A decisão de primeiro grau foi mantida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, mas acabou revertida por unanimidade pelo Plenário do TSE, que não enxergou abuso na reunião feita pela então candidata à reeleição com fieis, dentro do templo. Foi então que, em tese, o ministro Fachin propôs a possibilidade de tipificar esse ilícito de forma autônoma.

A impossibilidade de se reconhecer abuso do poder religioso como ilícito autônomo não implica em passe livre, disse Salomão 

STJ

Jurisprudência

Após a primeira sessão de julgamento, o caso foi retomado na última quinta-feira (3/8), quando Fachin fez esclarecimentos: disse que o voto não inaugura o abuso de poder religioso como modalidade de ilícito e afirmou que, em princípio, esse entendimento seria aplicável a outros casos de abuso, de forma a preservar a higidez das eleições conforme manda a Constituição. Nesta terça, os quatro votos proferidos não seguiram o relator. 

"A impossibilidade de se reconhecer abuso do poder religioso como ilícito autônomo não implica em passe livre para toda e qualquer espécie de conduta, visto que não existe direito absoluto no nosso ordenamento jurídico. Essa corte admite ilicitude quanto se extrapola a prerrogativa da religião por meio de ações que se associem a abuso do poder econômico", explicou o ministro Luiz Felipe Salomão.

"Do ponto de vista pragmático, o maior rigor na apuração do conteúdo econômico nas ações de entidades religiosas pode alcançar o mesmo efeito da proposta feita pelo relator", concordou o ministro Sérgio Banhos.

Já segundo o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, o legislador já tratou expressamente do abuso do poder religioso na Lei 9.504/2007, a Lei das Eleições. Ela veda receber doações diretas ou indiretas de entidades religiosas, inclusive via propaganda, além de vedar a veiculação de publicidade eleitoral em templos religiosos.
Se adotasse a tese, TSE teria que estender aplicação para demais segmentos sociais, conforme destacou o ministro Sérgio Banhos

TSE

Consequências
As consequências da fixação de uma tese sobre o tema poderiam ser drásticas para a segurança jurídica e até mesmo estabelecer uma concepção discriminatória logo a priori em relação aos líderes religiosos, pois eles — e, por enquanto, somente eles — teriam essa nova tipificação de abuso de autoridade, cuja análise já seria possível para as eleições de 2020.

"Se formos adotar essa compreensão, é imperioso que a Justiça Eleitoral passe a cogitar, ainda que o caso concreto não seja o que esteja em debate, de sancionar abuso de poder oriundo dos demais segmentos sociais, exigindo uma carga argumentativa altamente consistente", destacou Banhos.

Não é o que a jurisprudência da corte tem feito. "Revisitar a jurisprudência em tão pouco tempo, em tema sensível e que admite respeitáveis compreensões em sentido oposto, dissociada da aplicação concreta e imediata pode colocar em cheque a segurança jurídica e o princípio do colegiado", apontou o ministro Og Fernandes,

"Tese não pode nem deve ser formulada em abstrato", disse o ministro Barroso. "Ela depende da realidade fática subjacente, e esse quadro analisado não tem substrato que me faça avançar para o caso de abuso de autoridade religiosa. De qualquer forma, acho que o legislador já previu expressamente essa hipótese tanto pela doação como pela propaganda", concluiu.

REspe 8285

Danilo Vital é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 18 de agosto de 2020, 22h10

terça-feira, 18 de agosto de 2020

O BRASIL JÁ ERA TIDO COMO UMA "REPUBLIQUETA DAS BANANAS", AGORA PODEMOS ACRESCENTAR O ADJETIVO FUNDAMENTALISTA

Os acontecimentos envolvendo a pobre menina estuprada por um tio,  desde os 6 anos de idade, que acabou engravidando, está servindo para mostrar, sem a menor dúvida o quanto estamos seguindo o velho e temeroso estilo judaico, islâmico e católico de pernicioso fundamentalismo. As manifestações de Damares e do presidente da CNBB, por exemplo, em defesa da vida do feto felizmente abortado, com autorização judicial e por razões de ordem médica, mostram à saciedade, que as fraudes denominadas religiões vivem da desgraça, do desespero, das diferenças sociais gritantes, do atraso, enfim. 

Os que defendem, hipocritamente, a não realização de interrupção de gravidez resultante de violência sexual, são os mesmo que não se importam, minimamente, com as mortes de verdadeiras multidões, mundo afora, por obra da fome, da falta de assistência médico-hospitalar, pela carência de moradias dignas, pelos vergonhosos salários pagos aos trabalhadores, vítimas do capitalismo selvagem e impiedoso do qual as igrejas fazem parte.

Multidões esclarecidas não se submetem a esses estelionatários de sotaina ou paletó e gravata, bravateiros que não conseguem controlar os pedófilos das suas igrejas, mas querem impor uma moralidade baseada em "livros sagrados" que se constituem em verdadeiros instrumentos de escravidão, por exploração da ingenuidade dos crentes.            

Um desastre, desde tempos imemoriais e nestes tempos de modernidade  incontrolável. 

Não é possível conciliar o mundo da informática, ágil, científico e ávido por coisas concretas com essas práticas antiquadas, religiosas e ideológicas conservadoras, rançosas,  perpetuadoras das diferenças escandalosas,  que só agravam os problemas sociais, representativos do atraso e da miséria de grandes massas de seres humanos.

Urge romper com essas estruturas concentradoras de riqueza, como a Igreja Católica -  a maior latifundiária do mundo  -, os bancos e instituições do gênero, a eles coligadas e que lhes dão suporte, se quisermos ver mitigadas a ignorância, a desigualdade, a fome, as revoltas, o caos, em uma palavra.

GENTE INCONVENIENTE ESSA DA DIREITA RANÇOSA EVANGÉLICA E CATÓLICA

Menina estuprada sofreu acosso de ultraconservadores até dentro de hospital
Rede de apoio de mulheres se montou para proteger criança violentada pelo tio. Aos 10 anos, ela fez aborto após ter seus dados expostos por extremistas da direita e enfrentar a pressão de ministra Damares, de pastores e até de médicos
Os brinquedos de pelúcia que acompanharam a menina de dez anos na viagem até o Recife para a realização do aborto.




Um sapo e uma girafa de pelúcia. Ao lado da avó e de uma assistente social, essas foram as companhias da garota de dez anos, estuprada desde os seis por um tio, no voo que a levou de Vitória até o Recife no último domingo. De vestido estampado com flores e formas geométricas azuis, chinelo cor-de-rosa e bolsa a tiracolo da mesma cor, a criança, grávida em decorrência de mais um estupro cometido pelo tio, segundo ela, chegou ao aeroporto da capital pernambucana por volta das 15h. Ali, uma força-tarefa de apoio, formada majoritariamente por mulheres, havia sido montada e já estava de prontidão para auxiliar na peregrinação da menina para garantir a realização do aborto, que, no caso dela, está assegurado pela legislação.

A peregrinação da criança em busca de atendimento médico não se limitou a uma distância física entre Estados. A garota sofreu pressões de grupos e médicos ultraconservadores até mesmo depois de o procedimento já ter sido feito. Já na cama do hospital do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no Recife, referência no atendimento de vítimas de abuso sexual, a garota foi assediada por um obstetra e uma pediatra. Eles entraram no hospital, se valendo da identidade profissional, para assediá-la. Mas tanto a garota, quanto sua responsável, a avó, estavam seguras da decisão de interromper aquela gravidez.

Em 2018, data dos dados mais recentes do Ministério da Saúde, 21.172 crianças com idade entre 10 e 14 anos deram à luz. Desse total, 15.851 eram meninas negras, assim como a garota. A menina violentada já estava decidida a não fazer parte desta estatística. A Justiça já havia autorizado, na sexta-feira, a realização do procedimento, atendendo ao pedido do Ministério Público do Espírito Santo e entendendo que a vontade da menina é soberana e que a lei permite a interrupção da gravidez em casos de estupro. Ainda assim, a menina teve de enfrentar um calvário, porque nenhum hospital do Espírito Santo quis realizar o procedimento, citando questões “técnicas”.

A recusa em realizar a interrupção da gravidez, aliada à grita dos grupos radicais iniciada nas redes sociais, levou a uma corrida contra o relógio. Rapidamente uma rede de mulheres formou um esquema para garantir que a criança chegasse com segurança no Recife. Na chegada ao aeroporto, um carro já esperava por ela, para levá-la diretamente ao Cisam, onde o procedimento seria realizado. O trajeto de cerca de meia hora foi feito com uma espécie de escolta por um segundo carro, devido ao temor de que grupos radicais também estivessem no aeroporto. Não foi o caso. Conseguiram chegar ao hospital, onde entraram pelos fundos. O medo de que houvesse alguém no aeroporto se concretizou na chegada ao Cisam, cuja porta da frente reunia algumas dúzias de militantes contrários ao aborto e incendiados pela ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

Os militantes e grupos religiosos chegaram até lá depois que a extremista de direita Sara Giromini havia divulgado não só o endereço do local para onde a garota seria levada, como também sua identidade, ferindo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O caso corre em sigilo judicial e nesta segunda a Justiça determinou que redes sociais apaguem publicações com os dados da garota.

Mas a menina conseguiu passar despercebida e foi recebida pela equipe médica do Cisam já no estacionamento. Foi levada para uma sala de espera onde uma TV transmitia a partida entre Vasco e São Paulo pelo Campeonato Brasileiro. A garota é apaixonada por futebol. Flamenguista, dividiu os comentários do jogo com a avó vascaína e a assistente social são-paulina. Do lado de fora, ativistas radicais contrários ao aborto gritavam “assassino” para o médico Olímpio Moraes Filho, diretor do Cisam. A instituição, mantida pela Universidade Estadual de Pernambuco (UEP), é referência estadual nesse tipo de procedimento e de acolhimento às vítimas de violência sexual.

A viagem não deve ter durado menos que seis horas, já que não há voo direto de Vitória para o Recife. A garota teve que sair do seu Estado depois de passar 36 horas no Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), na capital capixaba, até que a instituição enfim anunciasse a recusa em realizar o procedimento. Rita Elizabeth Checon de Freitas Silva, superintendente do Hucam, disse nesta segunda-feira em entrevista coletiva que “foi uma decisão absolutamente técnica” e que “não teve viés ideológico, religioso e nenhuma interferência externa”.

De acordo com Silva, a instituição não estava “capacitada” para realizar o aborto, já que a gestação levava cinco meses, ou seja, tinha passado de 22 semanas, o feto tinha mais de 500g —ambos fatores-limite para a realização do aborto legal de acordo com o Ministério da Saúde— e a garota tinha diabetes gestacional. Porém, no caso de estupro, ao contrário do que alardearam os ultraconservadores, o aborto é autorizado, desde que o procedimento tenha consentimento da gestante: não há uma data-limite para ser realizado. E foi esse o entendimento da Justiça na sexta-feira. Como ainda assim o Hucam se negou a realizar o procedimento alegando falta de “condições técnicas”, a Secretaria Estadual da Saúde estabeleceu então contato com o Hospital das Clínicas de Uberlândia (MG), que negou o atendimento porque não havia vagas, e o Cisam, no Recife, que acolheu a garota.
Massinha e livros

A peregrinação desta criança, que gosta de ler e brincar de massinha segundo pessoas próximas, começou muito antes dessas 36 horas no Hucam. No dia 8 de agosto, ela foi levada por uma tia ao hospital da cidade onde vive, São Mateus, a 183 quilômetros de Vitória, se queixando de dores abdominais. A uma assistente social, a menina afirmou que havia sido estuprada pelo tio depois que um exame de gravidez comprovou a gestação. E disse que sofria abusos por ele desde os seis anos de idade. O caso está sendo investigado pela polícia local. O tio, de 33 anos, foi indiciado por estupro de vulnerável e ameaça e estava foragido, foi preso nesta terça-feira de madrugada. Desde aquele o momento, a criança manifestava claramente seu desejo de interromper a gravidez.

Enquanto a Justiça decidia se a criança podia ou não abortar, a garota ainda recebeu visitas de pastores evangélicos em sua casa que tentaram convencê-la a não realizar o procedimento. O Ministério Público estadual prometeu investigar grupos que tentaram pressionar a avó da menina, responsável por ela, para que o procedimento não fosse autorizado. O arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, também fez questão de mostrar o alinhamento da alta hierarquia católica com os ultraconservadores: “Se grave foi a violência do tio que vinha abusando de uma criança indefesa (...), gravíssimo foi o aborto realizado em Recife”.

Mas ao mesmo tempo em que a grita aumentava do lado de fora —e de dentro— do hospital, a rede de resistência também crescia. Nesta segunda-feira, depois que a Secretaria da Saúde de Pernambuco emitiu uma nota informando que o procedimento havia sido realizado e que a garota passava bem, o grupo de mulheres seguia mobilizado. Estavam preparando o quarto do hospital, com livros e brinquedos, incluindo massinha, para quando a criança voltasse. No domingo, uma caixa de massinha já havia sido dada para ela, que não desgrudou do presente, além do sapo e da girafa.