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domingo, 21 de setembro de 2014

Sobre a morte de Eduardo Campos - Cia teria derrubado o avião


Bíblia da conspiração: jornalista de renome nos EUA diz que CIA derrubou avião de Eduardo Campos
Por Claudio Tognolli | Claudio Tognolli – sáb, 20 de set de 2014


Vela a pena ler a lista de presidentes que, segundo a teoria da conspiração planetária de plantão 24 horas por dia, foram assassinados pela CIA, a toda-poderosa agência de inteligência dos EUA.

A bíblia desse pessoal costuma ser a obra Confissões de um Assassino Econômico, do ex-agente da CIA John Perkins.

Perkins diz que Omar Torrijos, presidente do Panamá, foi assassinado num acidente aéreo forjado em 1981. Perkins estabelece que a CIA usou o “acidente aéreo” para matar também o ex-presidente do Equador, Jaime Roldós Aguilera, também em 1981.

Até nosso João Goulart, morto em dezembro de 1976, entrou na lista dos mortos da CIA.

A mais recente papagaiada vem de Wayne Madsen, jornalista norte-americano, que se vende como repórter investigativo, mas gosta mesmo é de emitir opiniões.

Wayne Madsen publicou esta semana em sua coluna no jornal online Strategic Culture Foundation, o texto em que denuncia que a morte do candidato a presidente Eduardo Campos (PSB), em acidente de avião no dia 13 de agosto, teria resultado de uma trama da CIA.

O artigo é intitulado “All Factors Point to CIA Aerially Assassinating Brazilian Presidential Candidate” (“Todos os Fatores indicam que a CIA assassinou por via aérea candidato brasileiro à Presidência”). Madsen estabelece que uma derrota de Dilma Rousseff representaria uma vitória para os planos de Barack Obama de eliminar “presidentes progressistas” da América Latina.

Madsen sustenta que “é preciso considerar que o acidente de Eduardo Campos foi o primeiro com vítimas fatais em cerca de 20 anos da existência do avião Cessna 560XLS, modelo considerado “perfeitamente seguro”.

Madsen lança sombras até sobre equipe norte-americana que veio ao Brasil investigar a queda do avião. Diz que a National Transportation Safety Board é famosa na “excelência em acobertar ações criminosas”.

Madsen é taxativo: Marina seria ligada a uma corrente chamada Terceira Via, da qual fazem parte Bill Clinton, Tony Blair e Fernando Henrique Cardoso, todos financiados por George Soros para assumir partidos ligados aos trabalhadores. Eduardo Campos também pertenceria ao grupo, mas não venceria a eleição.

"Desde a sua introdução em 1996, o modelo Cessna Citation 560XLS tem desfrutado de um histórico de segurança perfeito. A morte repentina de Campos inverteu a campanha presidencial brasileira de uma forma que pode beneficiar os Estados Unidos e a agenda de longo prazo da Agência Central de Inteligência para a América Latina". 

"Marina Silva está sendo apontada como «Terceira Via»do Brasil. Terceira Via é um movimento internacional que tem sido usado por políticos corporativos, muitos deles financiados por Soros, para se infiltrar e assumir historicamente pró-laborem, socialista, e partidos progressistas. Políticos mais notáveis ​​ “terceiras vias” incluem Bill Clinton, Tony Blair, da Alemanha, Gerhard Schroeder, do Canadá Justin Trudeau, François Hollande, e o francês Manuel Valls, o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi e ex-primeiro-ministro Romeo Prodi, também italiano, de Portugal José Sócrates,de Israel Ehud Barak, e funcionários do Partido Socialista Brasileiro, verdes e social-democratas , incluindo Silva, Neves, o falecido Eduardo Campos, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso".

"Os assassinatos aéreos do Secretário-Geral das Nações Unidas Dag Hammarskjöld, presidente de Ruanda, Juvenal Habyarimana, presidente do Burundi Cyprien Ntaryamira, Português primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro, presidente do Paquistão, Muhammad Zia Ul-Haq, prospectivo primeiro-ministro indiano Sanjay Gandhi, União presidente americano United Auto Workers ‘Walter Reuther, o ex-senador pelo Texas John Tower, e o senador Minnesota Paul Wellstone tudo trazia as marcas do envolvimento de uma ou mais agências de inteligência dos EUA em pôr fim à carreira política que ameaçava os fundamentos da América imperial".

Fonte: YAHOO

Rádio ATEIA - A maravilhosa intérprete portuguesa Mariza

 





terça-feira, 16 de setembro de 2014

Homenagem a LUPICÍNIO RODRIGUES

PIOR FEZ O TJ/SC, que ergueu, com dinheiro público, uma Capela "ecumênica" junto à sua sede, em Florianópolis





Espaço "ecumênico" da UFPR é católico

A UFPR (Universidade Federal do Paraná) passou por cima do Estado laico ao restaurar a Capela Nossa Senhora do Carmo, anexa ao prédio da reitoria. Por ser federal, a universidade é sustentada por recursos de impostos pagos por brasileiros de todas as religiões, além dos descrentes. 
Pela Constituição, nenhuma instância de governo pode financiar obras de instituições religiosas. A universidade cujo campus fica em Curitiba não divulgou quanto gastou no restauro, feito em 2013 durante oito meses. 

A capela deveria ter sido transformada em um espaço ecumênico para o uso de estudantes de todas as religiões, já que o local tem de ser preservado por ser um patrimônio histórico do Paraná. A capela existe desde 1958. 

Na reinauguração da capela, no dia 8 de agosto, o reitor Zaki Akel Sobrinho disse ter expectativa de que a capela “acolha cada vez mais pessoas como um espaço ecumênico de reflexão e disseminação de fraternidade e da compreensão humana”. 

Mas o que houve mesmo, naquele momento, com a celebração de uma missa, foi a disseminação da crença católica e a falta de compreensão para com a Constituição brasileira. Nenhum representante de outras religiões foi convidado para a inauguração do espaço "ecumênico" da universidade.



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Arabia Saudita condena ateu à prisão e a mil chibatadas



Raif Badawi foi condenado 
por insultar o Islã na internet


O Tribunal de Recursos de Jeddah, da Arábia Saudita, confirmou a sentença proferida em 7 de maio ao jovem ateu blogueiro Raif Badawi (foto). Ele foi condenado a 10 anos de prisão e a mil chicadas (cinquenta por sessão) por ter “insultado o Islã” na internet. 

A primeira sessão de chibatadas poderá ocorrer nos próximos dias, em uma sexta-feira defronte a uma mesquita em Jeddah (ou Jidá), após as orações. 

A Justiça também o proibiu de sair do país por 10 anos, de usar meios de comunicação e determinou que pagasse multa correspondente a US$ 266.600 (cerca de R$ 624 mil).

Arábia Saudita tem cerca de 29 milhões de habitantes, dos quais 92% são islâmicos, 5% cristãos e o restante divido entre outras religiões e entre agnósticos e ateus. 

Inicialmente, Badawi foi acusado de “apostasia” e, por isso, poderia ser condenado à morte. Ele está preso desde 17 de junho de 2012.

Em julho de 2014, Waleed Abu al-Khair, advogado de Badawi e ativista dos direitos humanos, foi condenado a 15 anos de prisão sob a acusação de estar “perturbando o regime”.

Entidades humanistas internacionais pressionam a Justiça saudita para que as sentenças sejam canceladas.



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A Alemanha protesta contra o antissemitismo em Berlim


A chanceler Angela Merkel participa da manifestação junto ao presidente alemão Joachim Gauck



Merkel, em sua intervenção no protesto contra o antissemitismo. / THOMAS PETER (REUTERS)
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A tranquilidade dominical de Berlim e a visita de centenas de turistas no lugar mais emblemático da cidade, o Portão de Brandemburgo, foram interrompidas esta tarde quando o mundo político, religioso, cultural e intelectual do país se reuniu no local para denunciar uma doença que parecia ter desaparecido do país: o antissemitismo. Sob o lema “Levante-se. Ódio aos Judeus Nunca Mais”, o Conselho Central Judaico decidiu organizar uma grande manifestação, que contou com o interessado apoio da chanceler Angela Merkel.

Entre as personalidades que aceitaram estar presentes no palco, estavam o presidente da Alemanha, Joachim Gauck; o presidente do Conselho da Igreja Evangélica, Nikolaus Schneider; o presidente da Conferência Episcopal, o cardeal Reinhardt Marx; e o presidente do Conselho Judaico Mundial, Ronald S. Lauder, que também se dirigiu ao país para pedir à população uma clara mostra de solidariedade e apoio à comunidade judaica que vive na Alemanha.

A manifestação que começou às 15h no horário local representa um novo marco no país, cujo verão foi de temperaturas elevadas devido às centenas de palestinos que saíram às ruas para gritar slogans contra os judeus, e protestar pelo que classificaram como um “genocídio” conduzido pelo exército israelense na Faixa de Gaza, gritando frases que lembraram os dias sombrios vividos pela Alemanha durante o Terceiro Reich.

“Morte aos judeus!”, “Judeu, judeu, porco covarde, saia e lute sozinho!”, “Judeus, às câmaras de gás!” foram alguns dos gritos que os manifestantes, em sua maioria de origem palestina, lançaram durante as manifestações realizadas na elegante e central rua Kursfürstendamm, e diante do olhar destemido de pedestres alemães.

O fim das hostilidades na Faixa de Gaza conseguiu o milagre em Berlim e em outras capitais europeias de acabar com os protestos, mas as manifestações nas ruas deixaram uma marca profunda na comunidade judaica, sobretudo a que vive em Berlim, e também nos círculos oficiais do país devido a outro fenômeno: a população alemã, além de mostrar indiferença diante dos ataques verbais recebidos pelos judeus, nunca mostrou-se solidária.

“Todos os alemães e todas as pessoas que vivem na Alemanha têm que levantar a voz quando o antissemitismo se manifesta na rua”, disse o presidente do país, Joachim Gauck. O apelo da primeira autoridade da Alemanha foi seguido por Merkel, alertando que os eventos que abalaram a capital eram um ataque “à liberdade e à tolerância” e uma tentativa de desestabilizar a ordem democrática.

“Existe uma grande insegurança na comunidade judaica e as pessoas já não se atrevem a caminhar com um kipá por alguns bairros em Berlim, como Kreuzberg ou Neuekölln, onde existe uma grande maioria de habitantes de origem árabe ou turca e tampouco em Marzahn, onde há uma forte presença neonazista”, disse Sergey Lagodinski, um destacado cientista político judeu e membro do diretório da comunidade judaica. “Os protestos deixaram em evidência o nível de intolerância que existe em Berlim e em outras cidades alemãs”, acrescentou.

A falta de solidariedade e intolerância convenceram o Conselho Central Judaico a organizar uma manifestação, mas a convocatória, apesar de apoiada pelas personalidades mais destacadas do país, termina com um enigma que preocupa. Ninguém sabe quantas pessoas foram à manifestação em solidariedade à comunidade judaica.

Fonte; E L PAIS

Com a velha arrogância implícita na teoria do "destino manifesto", EUA lançam seu primeiro ataque aéreo contra o EI perto de Bagdá



A operação marca uma nova fase na ofensiva de Washington no Iraque



O secretário de Estado John Kerry e o presidente de Iraque Faud Masum. / AFP


Os Estados Unidos deram o prometido passo em direção à ofensiva contra os extremistas do Estado Islâmico (EI) no Iraque. Na noite de segunda-feira, o Comando Central (Centcom, na sigla em inglês) confirmou que aviões norte-americanos bombardearam posições do grupo islâmico perto de Bagdá, nas últimas horas.

A operação corresponde ao anúncio feito há menos de uma semana pelo presidente Barack Obama de que iria suspender a restrição aos ataques aéreos realizados contra o EI. Desde o começo de agosto, as ofensivas tinham se limitado à defesa de pessoal e de interesses norte-americanos no Iraque ou em apoio a missões humanitárias. Os ataques foram anunciados no mesmo dia em que os EUA e cerca de 30 outros países concordaram com o uso de “todos os meios, inclusive militares” contra o grupo terrorista, durante uma cúpula em Paris.

“O ataque aéreo a sudoeste de Bagdá foi o primeiro realizado como parte de nossos esforços ampliados para oferecer mais do que proteger nosso próprio pessoal e apoiar as missões humanitárias, e, sim, atacar alvos do EI enquanto as forças iraquianas passam à ofensiva, tal como o presidente expôs na última quarta-feira”, disse o Centcom em um comunicado.

O primeiro ataque nesta nova fase teve como objetivo “uma posição de combate do EI a sudoeste de Bagdá que estava disparando contra membros das Forças de Segurança Iraquianas”, segundo a declaração oficial.


MAIS INFORMAÇÕES

Em 10 de setembro, em seu discurso à nação para definir a “estratégia” dos EUA para “enfraquecer e, finalmente, destruir o EI”, Obama anunciou que tinha autorizado o início de uma “campanha sistemática de ataques aéreos contra os terroristas” e que, no caso do Iraque, serviriam para ir “mais além do que proteger nosso pessoal e missões humanitárias, mas sim para atacar alvos do EI enquanto as forças iraquianas passam à ofensiva”. Em outra importante mudança de posição, o presidente afirmou ainda que a luta contra o EI não se limitará ao Iraque e poderá também se estender à Síria.

Além desse novo tipo de ataque perto da capital iraquiana, a Força Aérea norte-americana bombardeou, na segunda-feira, posições do EI nos arredores da localidade curda de Sinjar, levando a mais de 160 o número de missões realizadas no Iraque desde o começo de agosto.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Campanha da Atea pede que voto seja da razão, e não da fé



Associação está preocupada com
a deterioração do Estado laico
A Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) fará campanha para que o eleitor não se deixe influenciar pelas pregações de religiosos no dia das eleições. “Não vote com fé. Use a razão”, diz mensagem que a associação vai divulgar em outdoors em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre e Florianópolis. A informação é do Estado de S.Paulo.

A menos de 30 dias das eleições, os principais candidatos — Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) — defendem a laicidade, mas na prática têm se dedicado em agradar líderes religiosos (principalmente evangélicos) com promessas de medidas que afetam a separação entre Estado e religião.

Esse apoio dos candidatos não é de graça, disse Daniel Sottomaior, presidente da Atea. “Eles [os líderes religiosos] estão apoiando candidatos na expectativa de haver um retorno, com doações ou financiamento de eventos religiosos”, além da adesão do futuro governo à pauta conservadora de pastores, como o veto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Sottomaior afirmou que os candidatos estão “beijando a mão dos cardeais”, como era previsível, mas, segundo ele, Marina tem se destacado por causa de suas declarações dúbias. “É difícil saber qual é a linha dela.”

Os outdoors da Atea não farão campanha contra nenhum candidato, focalizando-se na defesa do Estado laico, que “está se deteriorando”, disse Sottomaior.

A campanha vai evidenciar a contradição de um país que se diz laico ter prédios públicos que ostentam símbolos religiosos. Um dos outdoors diz: “Sua religião não é nossa lei.”

Em 2011, a Atea fez campanha ressaltando que “religião não define caráter”.

É uma associação sem fins lucrativos. Com cerca de 13 mil filiados, tem se pautado principalmente em combater o preconceito contra descrentes e defender a laicidade de Estado estabelecida pela Constituição de 1988.

Com informação do Estado de S.Paulo.


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Pastor pede a Deus que livre o Brasil de políticos evangélicos


Título original: Deus nos livre de políticos evangélicos

por Ricardo Gondim
pastor da Igreja Betesda


"Histórico expõe a fragilidade
ética de líderes pentecostais"

Uma importante eleição acontecerá em breve. Há algum tempo, preocupado com o ideario político do movimento evangélico, escrevi Deus nos livre de um Brasil evangélico . O texto, obviamente, suscitou opiniões diversas. Igrejas, envolvidas com o poder e tomadas por ambições messiânicas, chiaram. Crentes, fascinados com propostas messiânicas de transformar o Brasil em uma república cristã, reagiram com raiva. Nem menciono americanófilos – eles acreditam que Deus elegeu os Estados Unidos como farol sobre a colina para revelar ao mundo um modelo de nação justa e igualitária.

A revista eletrônica Huffington Post publicou um texto de Geoffrey R. Stone, professor de direito da Universidade de Chicago (aqui) . Stone se deparou com uma lista dos dez Estados com maior índice de pessoas que se consideram religiosas na América. Com excessão de Utah, mormóm, todos os outros fazem o cinturão bíblico, o chamado Bible belt. Portanto, Estados com predominância evangélica. Por ordem, são: Mississippi, Utah, Alabama, Louisiana, Arkansas, Carolina do Sul, Tennessee, Carolina do Norte, Georgia e Oklahoma. 


Stone pesquisou o que essa maciça presença evangélica significa nesses Estados do sul. Sua descoberta estarrece:

- Nove dos dez Estados mantiveram escolas racialmente segregadas até a decisão da Suprema Corte de aboli-las em 1954.

- Cinco dos dez estados continuam como os piores na insistência de manter segregação racial nas escolas públicas.

- Oito dos dez estados constam nas lista dos onze com maior população carcerária.
- Todos os dez estados têm pena de morte.

- Sete dos dez estão entre os dez com mais alta percentagem de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza.

- Sete dos dez Estados constam como os nove piores com obesos e obesas.

- Nove dos dez Estados fazem parte dos vinte com maiores índices de fumantes.

- Sete dos dez Estados foram ranqueados entre os dez com a pior condição de saúde.

- Nove dos dez Estados constam entre os treze piores na expectativa de vida.

- Sete dos dez Estados têm os piores níveis nacionais na qualidade de serviço médico.

- Cinco dos dez Estados são os únicos estados americanos sem leis de salário mínimo.

- Todos os dez participam das listas dos piores salários mínimos americanos.

- Nove desses dez Estados estão na lista dos dezoito piores com gastos em educação pública.

- Nove dos estados foram inseridos na lista dos vinte piores no quesito qualidade da escola pública.

- Nove desses dez estados constam dos vinte piores nos índices de morte provocada por arma de fogo.

- Cinco dos Estados constam entre os dez em que mais cidadãos veem pornografia na internet.

No Brasil seria diferente? Acredito que o melhor dos mundos que políticos evangélicos moralistas prometem pode não acontecer. Pelo contrário, com o histórico já bem documentado da fragilidade ética dos líderes e com a falta de senso crítico dos seguidores, caso o avanço do neopentecostalismo continue e mais grandes empresas da fé comprem horário na televisão, o pior ainda está por vir. Infelizmente.





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Discurso de Kennedy sobre Estado laico serve para Brasil




"Acredito em separação absoluta
entre Igreja e Estado na América"

Quem acompanha o blog há mais tempo já deve estar com o saco cheio de me ver fazer copy-paste do discurso de John F. Kennedy sobre a separação entre igreja e Estado, mas dada a temperatura e a direção do debate eleitoral, eu me vejo obrigado a repeti-lo.

O contexto do discurso: em 1960, Kennedy era um católico com chances reais de se tornar presidente dos Estados Unidos, algo que alarmava os líderes de igrejas protestantes, e parte da população. 

Havia um certo folclore, na mente anglo-saxã, de que um governante católico seria um títere do Vaticano, um interventor governando em nome do papa, uma violação, portanto, da soberania nacional (esse medo atávico se reflete na lei britânica que proíbe um católico de assumir o trono do Reino Unido; e, por mais que o temor nos pareça infundado hoje em dia, lembremo-nos de que o Brasil precisou esperar surgir um presidente — um ditador, na verdade — luterano antes de ver aprovada a lei do divórcio).

Kennedy tinha motivos mais do que óbvios para tentar dissipar essa preocupação, e foi com esse intuito que se dirigiu à Associação de Ministros Religiosos da Grande Houston, em 12 de setembro de 1960. O trecho crucial aparece nos dois parágrafos abaixo:

Eu acredito em uma América onde a separação entre Igreja e Estado é absoluta, onde nenhum prelado católico dirá ao presidente (se este for católico) como agir, e nenhum ministro protestante dirá a seus fiéis como votar; onde nenhuma igreja ou escola religiosa receberá verbas públicas ou favores políticos; e onde nenhum homem será rejeitado para um cargo público apenas porque sua religião difere da do presidente que poderia nomeá-lo, ou da do povo que poderia elegê-lo.


Eu acredito em uma América que não é, oficialmente, nem católica, nem protestante, nem judaica; onde nenhuma autoridade pública pede ou acata instruções sobre políticas públicas do papa, do Conselho Nacional de Igrejas ou de qualquer outra fonte eclesiástica; onde nenhum corpo religioso busca impor sua vontade, direta ou indiretamente, à população ou aos atos das autoridades públicas; e onde a liberdade religiosa é tão indivisível que um ato contra uma igreja será tratado como um ato contra todas.


O que Kennedy estava dizendo, em suma, cabe em cinco proposições:


1. A religião do agente público deve ser irrelevante frente a sua capacidade para a função;


2. A religião do agente público deve ser irrelevante para o exercício de sua função;


3. Nenhuma religião deve receber favores do Estado;


4. Nenhuma religião deve tentar influenciar o Estado;


5. Perseguição religiosa é inaceitável.

É importante notar que essas proposições funcionam como uma espécie de salvo-conduto religioso para o candidato: se adotadas, não importa se o político é satanista, fundamentalista, criacionista, panteísta ou o raio que o parta: os princípios de irrelevância, não-favorecimento e veto à perseguição garantem que a filiação religiosa do mandatário não vai contaminar as políticas públicas, nem terá o aparelho do Estado como instrumento.

No Brasil, o que os candidatos buscam fazer — e a dose de má-fé implícita nesse movimento eu deixo para o leitor julgar — é dar a impressão aos eleitores de que a religião deles será a privilegiada. Sejam eles quem forem. O fato de Marina Silva ser identificada claramente com a Assembleia de Deus só faz com que a pose de "privilégios para todos" tenha menos credibilidade, só isso.

Melhor seria se os brasileiros de todos os credos aceitassem o fato de que é impossível privilegiar a todos, e que o que vem acontecendo de fato — um rodízio de privilégios, com um acordo internacional que agrada a X, um alvará de construção que agracia Y, um beija-mão que mexe com a vaidade de Z — só faz criar uma espiral descendente que ameaça tanto a forma quanto o espírito da democracia.

O discurso de Kennedy não foi feito para uma plateia de ateus, mas de ministros protestantes. Tornar a religião irrelevante para o Estado não é desprestigiá-la: é garantir sua liberdade. Seria bom se o povo brasileiro percebesse isso.