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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Queimadas na Amazônia levam Timberland, Vans, Kipling e mais 15 marcas a suspender compra de couro do Brasil


'Este cancelamento foi justificado em função de notícias relacionando queimadas na região amazônica ao agronegócio do país', diz Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil



Redação Opera Mundi

São Paulo (Brasil)
28 de ago de 2019 às 10:30



Marcas internacionais como Timberland, Vans e Kipling, em uma lista que ainda contém mais 15 empresas, suspenderam a compra de couro brasileiro por conta das queimadas na Amazônia. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi informado da decisão nesta terça (28/08) pela CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil), de acordo com a Folha de S.Paulo.

"Recentemente, recebemos com muita preocupação o comunicado de suspensão de compras de couros a partir do Brasil de alguns dos principais importadores mundiais. Este cancelamento foi justificado em função de notícias relacionando queimadas na região amazônica ao agronegócio do país", disse o presidente da CICB, José Fernando Bello, em comunicado enviado ao governo.

Além de Timberland, Vans e Kipling, estão JanSport, The North Face, Eastpack, Icebreaker , Dickies, Eagle Creek, Horace Small , Kodiak, Walls, Workrite, Napapijri, Bulwark, Altra, Smartwoll e Terra.

No entanto, a CICB fala que há uma “interpretação errônea” do que acontece no Brasil. "Entendemos com muita clareza o panorama que se dispõe nesta situação, com uma interpretação errônea do comércio e da política internacionais acerca do que realmente ocorre no Brasil e o trabalho do governo e da iniciativa privada com as melhores práticas em manejo, gestão e sustentabilidade".

(*) Com Brasil 247

Steve Schwarzman, apoiador de Donald Trump, impulsiona o desmatamento na Amazônia







Ryan Grim
28 de Agosto de 2019, 20h33
 
Caminhões dirigem ao lado de campos queimados na rodovia BR-163, no estado do Mato Grosso, em 23 de agosto de 2019. Foto: Leo Correa/AP



Duas empresas brasileiras têm uma parcela significativa de responsabilidade sobre a destruição em curso na floresta amazônica, que se desdobrou em queimadas que chamaram a atenção mundial. Ambas são controladas por um dos principais doadores da campanha de Donald Trump e do líder da maioria no Senado americano, Mitch McConnell.

Essas empresas tomaram posse das terras, promoveram o desmatamento e ajudaram a construir uma controversa estrada até o seu novo terminal portuário, localizado numa área que antes era de mata, com o único objetivo de facilitar o cultivo e a exportação de grãos e de soja. O porto de Mirituba, localizado em meio à floresta amazônica no Pará, permite aos produtores escoar a soja em barcas, que a levam então até portos maiores, de onde é enviada para o resto do mundo.

O terminal amazônico é operado pela Hidrovias do Brasil, uma empresa da qual a Blackstone, um dos maiores grupos de investimento dos EUA, é relevante acionista. Outra empresa da Blackstone, chamada Pátria Investimentos, detém mais de 50% da Hidrovias, e a própria Blackstone possui diretamente mais 10% de participação. O co-fundador e CEO da Blackstone, Stephen Schwarzman, é um aliado bastante próximo de Trump, e doou milhões de dólares para McConnell recentemente.

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“A Blackstone está comprometida com o gerenciamento ambiental responsável”, declarou a empresa em um comunicado. “Nosso foco e nossa dedicação estão embutidos em cada uma das decisões de investimento que tomamos e guiam nosso modo de agir como operadores. Neste caso, embora não tenhamos controle operacional, sabemos que a empresa promoveu uma importante redução no total das emissões de carbono por meio da redução dos congestionamentos, e permitiu aos agricultores brasileiros um fluxo mais eficiente de produtos agrícolas.”

O porto e a estrada geraram muita controvérsia no Brasil, e foram alvo de uma investigação pelo The Intercept Brasil em 2016. A Hidrovias anunciou no começo de 2016 que em pouco tempo começaria a exportar soja do Mato Grosso por transporte rodoviário pela BR-163. A estrada, à época, quase não estava pavimentada, mas a empresa disse que pretendia continuar a aprimorá-la e desenvolvê-la. Em meados de 2019, o governo de Jair Bolsonaro, eleito no final de 2018, anunciou uma parceria com a Hidrovias para privatizar e desenvolver centenas de quilômetros da BR-163. A expansão da rodovia, por si só, já causa desmatamento, mas principalmente possibilita uma transformação mais ampla da floresta amazônica em área de cultivo.

A BR-163 teve um efeito perceptível sobre o desmatamento. Depois da devastação que se iniciou na ditadura militar e se intensificou ao longo das décadas de 1970 e 1980, o índice de desmatamento se reduziu à medida que uma aliança entre comunidades indígenas e outros defensores da preservação da floresta começou a lutar contra a ocupação. Esse progresso começou a ser revertido em 2014, quando as tendências políticas convergiram à direita e os preços mundiais das commodities se elevaram. E o desmatamento passou a avançar de verdade depois do golpe branco que removeu do poder a Presidenta Dilma Rousseff, do PT, em 2016. O governo de direita que tomou o poder, liderado por Michel Temer, nomeou Blairo Maggi, magnata da soja e ex-governador do Mato Grosso, como ministro da Agricultura.

No entanto, mesmo durante o período de redução no desmatamento, antes do golpe, a área do entorno da rodovia estava sendo destruída. “Ao longo de todos os anos entre 2004 e 2013, exceto 2005, enquanto o desmatamento total na Amazônia se reduzia, o da região no entorno da BR-163 aumentava”, noticiou o jornal Financial Times em setembro de 2017. Isso desencadeou uma reação dos defensores indígenas da Amazônia. Em março, a Hidrovias admitiu que seus negócios estavam sofrendo com o aumento dos bloqueios na BR-163, em que pessoas colocavam seus corpos no caminho da destruição. Apesar disso, a empresa está avançando. Recentemente, declarou que, graças a um alto investimento, planejava dobrar sua capacidade de movimentação de grãos para 13 milhões de toneladas.


Mapa: Soohee Cho/Intercept


A Amazônia, que vem ardendo em um número recorde de queimadas, é a maior floresta tropical do mundo. Ela absorve um volume significativo de dióxido de carbono, um dos principais causadores da crise climática. A Amazônia tem uma vegetação tão densa que produz em torno de um quinto do suprimento mundial de oxigênio. A umidade que evapora da floresta amazônica é importante para a agricultura não apenas da América do Sul, mas também do Meio Oeste americano, onde chega como chuva. A proteção da Amazônia, cujo território está 60% localizado no Brasil, é essencial para a continuidade da existência da civilização como a conhecemos.

A tentativa de transformar a floresta amazônica em fonte de lucro para o agronegócio é o cerne do conflito, e está diretamente ligada às queimadas que hoje fogem do controle. A linha de frente da invasão da floresta é capitaneada pelos grileiros, que atuam ilegalmente com motosserras. Eles então vendem a terra recém-desmatada para os interessados do agronegócio, cuja colheita é levada pela rodovia até o terminal portuário antes de ser exportada. Bolsonaro há muito propõe que a Amazônia seja entregue ao agronegócio, e foi rápido em desmobilizar as agências responsáveis pela proteção da floresta e empoderar os líderes do agronegócio que pretendiam devastá-la. Os grileiros se sentiram encorajados.

“Com Bolsonaro, as invasões pioraram e vão piorar ainda mais”, disse Francisco Umanari, 42, um cacique apurinã, a Alexander Zaitchik, em uma matéria recente do The Intercept. “O projeto dele para a Amazônia é o agronegócio. Se ninguém fizer nada, ele vai atropelar os nossos direitos e permitir uma invasão enorme da floresta. A grilagem não é nenhuma novidade, mas agora virou uma questão de vida ou morte.”

As queimadas na Amazônia, muitas delas provocadas por fazendeiros e outras pessoas que pretendem liberar a terra para cultivo ou pastagem, estão produzindo uma devastação considerada sem precedentes. Bolsonaro inicialmente minimizou as queimadas como algo que não era digno de atenção. Há algumas semanas, o presidente demitiu Ricardo Galvão, um dos principais cientistas do governo, alegando que os números de um relatório do INPE sobre o intenso aumento do desmatamento durante seu mandato teriam sido falsificados.

Desde a ditadura militar, quando o agronegócio se tornou integralmente fortalecido, até meados dos anos 2000, aproximadamente 20% da floresta já havia sido destruído. Se a Amazônia perder mais um quinto de sua massa, existe o risco de que se atinja um ponto sem volta, um ciclo vicioso chamado dieback, em que a floresta se torna tão seca que acaba, como descreve Zaitchick, “além do alcance de qualquer intervenção ou arrependimento humano”.




O CEO do Grupo Blackstone, Steve Schwarman, em entrevista à Fox Business Network em 27 de abril de 2018.

Foto: Richard Drew/AP


Schwarzman, um dos fundadores da Blackstone, detém aproximadamente um quinto da empresa, o que o torna um dos homens mais ricos do mundo. Em 2018, ele recebeu aproximadamente 568 milhões de dólares, o que foi, na verdade, uma redução em relação aos 786 milhões que recebera no ano anterior. Ele tem usado essa riqueza para apoiar generosamente McConnell e Trump. Em 2016, fez uma doação de 2,5 milhões de dólares para o Fundo de Liderança do Senado, nome do fundo de campanha de McConnell, e colocou Jim Breyer, o cunhado bilionário de McConnell, no conselho da Blackstone. Dois anos depois, Schwarzman entregou mais 8 milhões de dólares para o fundo de McConnell.

Os funcionários da Blackstone já doaram mais de 10 milhões de dólares para McConnell e seu fundo de campanha ao longo dos anos, o que os tornou a principal fonte de financiamento direto da carreira do senador. A campanha de McConnell ao Senado se recusou a comentar.

Schwarzman é amigo próximo de Trump e seu consultor, e foi membro do conselho do Fórum Estratégico e de Políticas até sua desintegração, na esteira da manifestação neonazista em Charlottesville – o conhecido episódio em que Trump afirmou existirem “ótimas pessoas de ambos os lados”. Em dezembro de 2017, enquanto estavam sendo negociados os últimos detalhes da redução de impostos promovida pelo Partido Republicano, Schwarzman ofereceu um jantar em benefício de Trump, com entradas ao custo de 100 mil dólares por cabeça. Alguns dos companheiros de jantar do presidente reclamaram do projeto de lei tributária, e dias depois Trump cortou a alíquota máxima do pacote final, de 39,6% para 37%.

Nos últimos meses, a família Sackler, cujos membros fundaram a indústria farmacêutica Purdue Pharma e continuam a ser seus proprietários, tornou-se proscrita por seu papel de facilitadora na crise dos opiáceos e na morte de dezenas de milhares de pessoas. As contribuições de Schwarzman para a destruição da Amazônia, uma das últimas fronteiras entre a humanidade e um planeta inabitável, podem ao fim torná-lo um pária tão ostracizado quanto os Sacklers, dada a escala das consequências da destruição da floresta tropical.

Em defesa do projeto, um representante da Blackstone observou que ele havia sido aprovado pela Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês), uma afiliada do Banco Mundial, que determinou que o projeto iria, na verdade, reduzir as emissões de carbono. A Blackstone encaminhou ainda um comunicado creditado à Hidrovias, que também enfatizava o apoio da IFC:


A Hidrovias sempre atuou dentro dos mais estritos padrões Ambientais, Sociais e de Governança (“ASG”), continuamente avaliados em auditorias de agências multilaterais internacionais, tais como a IFC (Corporação Financeira Internacional) do Banco Mundial. Além disso, a Hidrovias mantém todas as licenças ambientais exigidas pelas autoridades competentes.

A IFC financiou alguns dos projetos mais ecologicamente destrutivos do mundo, por isso sua aprovação não é especialmente convincente. Mas, mesmo nesse contexto, o estudo do projeto da Blackstone feito pela IFC questiona sua sustentabilidade. De fato, como a IFC observou corretamente em seu relatório, transportar soja e grãos por meios hidroviários é um método de transporte com menos uso de carbono. Ainda segundo o relatório, porém, essa avaliação não leva em conta a realidade de que “a construção do porto de Mirituba, próximo a áreas ainda intactas da floresta amazônica, tende a reduzir os custos de transporte dos produtores, e, dessa forma, a acelerar a conversão de habitats naturais em áreas agrícolas, especialmente voltadas para a produção de soja”.

O banco defendeu que o projeto está aceitável porque é possível confiar que a Hidrovias e seus clientes serão responsáveis, e que “o porto de Mirituba está sendo construído com o propósito de escoar a soja negociada apenas por produtores responsáveis e sensíveis à preservação dos habitats naturais”. O banco assegurou que “100% da capacidade de escoamento do Sistema Norte está contratada por grandes produtores, que atendem a altos níveis de governança e respeitam a Moratória da Soja na região amazônica. A Moratória, que proíbe a compra de soja produzida em terras desmatadas de forma ilegal, foi originalmente negociada em 2006 entre os grandes produtores, a organização Greenpeace e as autoridades brasileiras. Ela vem sendo renovada anualmente desde então.”

A força dessa moratória, porém, depende da capacidade do governo de monitorar seu cumprimento. É extremamente difícil comprovar que a soja foi cultivada em áreas de desmatamento ilegal, uma vez que os grileiros são rápidos em derrubar a floresta e vender a área recém-desmatada para fazendeiros e operadores do agronegócio. Estes logo iniciam o cultivo nas terras, e alegam depois que não tinham como saber que havia sido desmatada ilegalmente. O esquema também presume que o governo esteja interessado em regular o agronegócio; o governo Bolsonaro, porém, tem deixado bastante claro que não está interessado em fazê-lo, ao colocar importantes representantes do agronegócio em posições de autoridade e minguar o financiamento das agências regulatórias.

Ainda que fosse verdade, em alguma medida, que toda a soja transportada pelo porto da Hidrovias cumpre integralmente os requisitos da moratória, os mercados de commodities são fluidos. Um novo porto para os grandes produtores reduz os congestionamentos e os custos de transporte dos pequenos produtores em outros locais, o que encoraja mais desenvolvimento e mais cultivo. (A IFC destacou que a Hidrovias se comprometeu a observar de perto seus clientes de soja: “A HDB irá criar e manter procedimentos internos para revisar o cumprimento pelos clientes de todas as disposições da Moratória da Soja na Amazônia e de quaisquer outros requisitos legais relevantes destinados a prevenir a comercialização de soja produzida em áreas ilegalmente desmatadas. Caso o objetivo do porto ou a carteira de clientes da HDB mude, a IFC será notificada pela empresa dessas mudanças, e poderá requerer que sejam tomadas outras medidas de auditoria e controle para assegurar que disso não decorram impactos indiretos indesejáveis.”)

A justificativa final dada pela IFC para o projeto se resume na ideia de incrementalismo. Outros tipos de desenvolvimento também estão acontecendo, reportou o banco, e por isso esse único porto não tem como causar tanto dano. Eles concluem dizendo que “a contribuição incremental do porto para a redução total dos custos de transporte é considerada marginal, dada a miríade de outros fatores (pavimentação da BR-163, instalação de outros portos no distrito de Mirituba, etc.) que estão contribuindo para o desenvolvimento da região”. Bolsonaro tem planos de pavimentar diversas outras estradas na Amazônia, que atualmente permanecem inutilizáveis boa parte do ano, um projeto viabilizado pelo financiamento internacional.

Obviamente, a Hidrovias também está envolvida na pavimentação da BR-163 e nos demais projetos de desenvolvimento da região. Esses projetos, como o asfaltamento da rodovia, têm outras consequências indiretas – embora completamente previsíveis – à medida que estimulam a abertura de estradas vicinais que permitem que a mineração, a exploração madeireira e ainda mais desmatamento atinjam áreas da floresta que permaneciam até então de difícil acesso.

Um representante da Blackstone destacou que o fundo detém apenas 9,3% da Hidrovias. Esse número ignora, porém, que 55,8% da Hidrovias é de propriedade da Pátria Investimentos. No site da Hidrovias, a Pátria é descrita como “parceira da Blackstone”, e é conhecida no setor financeiro como uma empresa do grupo Blackstone. Um artigo de novembro de 2018 na revista Private Equity News sobre a eleição de Bolsonaro trazia a seguinte manchete: “A democracia brasileira não corre perigo, diz a Pátria, da Blackstone.”

A matéria cita o principal economista da empresa, assegurando ao público que “a descida ao autoritarismo é extremamente improvável”. Essa previsão não se mostrou muito confiável, mas a Blackstone aparentemente permanece firme no apoio a Bolsonaro. O presidente brasileiro viajou a Nova York em maio para ser homenageado em um jantar de gala, patrocinado pela Refinitiv – uma empresa de que a Blackstone é acionista majoritária.
Ryan Grim é autor do livro “We’ve Got People: From Jesse Jackson to Alexandria Ocasio-Cortez, the End of Big Money and the Rise of a Movement” (“Nós temos o povo: de Jesse Jackson a Alexandria Ocasio-Cortez, o fim do grande capital e a ascensão de um movimento”, ainda sem tradução no Brasil).
Tradução: Deborah Leão

"Nem tudo são flores" ou a "melhor idade"

VICTOR HUGO - Os trabalhadores do mar - Edit. Nova Cultural/SP/2002, p. 49: (...) alcançou a um tempo o reumatismo e a abastança. Estes dois produtos do trabalho acompanhavam-no voluntariamente. Quem chega a ser rico, fica inutilizado. É a coroa da vida.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

DESASTRE NA CERTA

Uma receita  para o desastre  em qualquer sociedade  é a elite conseguir isolar-se.

JARED DIAMOND, citado por McKENZIE FUNK - Caiu do céu/O promissor negócio do aquecimento global - Edit. Três Estrelas/SP/2016, p. 216.

Exclusivo: Justiça descobre contas não declaradas do PSDB; partido alega que não sabe quanto dinheiro tem




João Doria em convenção do PSDB



A Justiça Eleitoral e a Receita Federal descobriram três contas bancárias do PSDB de São Paulo que não foram declaradas pelo diretório estadual do partido nas eleições de 2016, em que o tucano João Doria foi eleito prefeito.

As três contas são do Banco Santander. De acordo com requerimento a que o DCM teve acesso, a Justiça Eleitoral informou ao PSDB, já no dia 27 de fevereiro de 2019, já em segunda instância de julgamento das contas eleitorais do partido, que estava ciente de que o diretório estadual da sigla deixara de declarar as contas de números 422000000001, 423000000001 e 448000000001. Assim, como se vê abaixo, a Justiça oficiou o partido para que fossem apresentados:


Trechos de ofício de processo correndo em segunda instância sobre as contas eleitorais do PSDB-SP referentes às eleições de 2016, publicado em fevereiro deste ano

Ocorre que o PSDB, desde então e até hoje, não informou à Justiça quanto dinheiro tem nas referidas contas que mantinha sem declarar e que ainda mantém no banco Santander. Foi só em junho deste ano, quando se esgotaram as medidas protelatórias possíveis no âmbito do processo eleitoral, que o PSDB resolveu esboçar alguma tentativa de explicação sobre as tais contas.


E o que o partido alegou? Que ficou surpreendido quando a Justiça Eleitoral lhe informou sobre a existência dessas contas bancárias. Disse não apenas que não sabia que era titular das contas, mas que também não sabia quanto dinheiro tinha ali, e que também o banco Santander insiste em não lhe fornecer nenhuma dessas informações.

Parece mentira, mas é não é. É o que consta no processo 1058358-68.2019.8.26.0100, que tramita na 29ª Vara Cível da Justiça de São Paulo desde 19 de junho deste ano e que tem o próprio PSDB como autor da causa.

Nos autos da referida ação judicial – aos quais a reportagem também teve acesso – o advogado que representa a legenda diz com todas as letras que o partido não sabia que tinha essas contas, não sabia nem nunca soube quanto dinheiro tem nelas e que o banco está escondendo essas informações.

Sim, o advogado do PSDB-SP, no dia 18 de junho deste ano, admitiu em juízo que o partido efetivamente possui três contas no banco Santander que não constaram em sua prestação patrimonial à Justiça Eleitoral, contrariamente ao que manda a lei.
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Afirmou que o partido omitiu esta informação porque era desconhecedor do fato de possuir tais contas, que apenas tomou conhecimento de tais contas quando a própria Justiça lhe informou.

Sustentou ainda que estava disposto a esclarecer todos os fatos perante à Justiça, mas que só não o fazia porque o banco Santander, a despeito dos esforços do partido, se recusava em prestar quaisquer informações sobre as tais contas, mesmo sendo elas de sua (do PSDB) titularidade. Conforme se vê abaixo: Trecho de ação judicial movida pelo PSDB-SP contra o Santander, em que o partido afirma que o banco se recusa a lhe prestar informações a respeito de contas de sua titularidade

Assim, a Justiça, prenhe em saber a respeito dos detalhes das tais contas, cujo próprio dono (PSDB) alega estar sendo impedido de conhecer, passou a exigir, por meio de citação posta em vigor no dia 19 deste mês, que o banco Santander apresente sem demora as informações requeridas, posto que a eleição de 2016 já foi sucedida por outra, em 2018, e que o próprio prefeito eleito em 2016 já foi às urnas uma vez mais, tendo sido eleito governador do Estado de São Paulo e abandonado o posto anterior, e que até hoje não foram aprovadas as suas contas da eleição primeira, já que o partido alega estar impedido de prestar informações sobre algumas de suas contas bancárias por estarem essas mantidas às sombras pelo banco Santander. Conforme pode se ver abaixo:

Trechos de citação da Justiça para que o Santander apresente ao PSDB, à Justiça e ao Brasil as informações a respeito de três contas que o partido mantém no banco à distância dos olhos da Justiça

O prazo atual que o Santander tem para cumprir o mando judicial se encerra no dia 29 de agosto. O setor jurídico do banco espanhol, querendo, saberá como protelar a exigência. Que esta reportagem, porém, o desencoraje a fazê-lo.
Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/exclusivo-justica-descobre-contas-nao-declaradas-do-psdb-partido-alega-que-nao-sabe-quanto-dinheiro-tem/

EXTREMOS - para refletir sobre o que está acontecendo em vários lugares do mundo, inclusive na Amazônia



McKENZIE FUNK - Caiu do céu/O promissor negócio do aquecimento global - Edit. Três Estrelas/SP/2016, p. 118:


O úmido vai ficar mais úmido. O seco vai ficar mais seco. O que queima vai queimar mais vezes. Os cientistas da Califórnia não conseguiam dizer de maneira definitiva se a seca da Califórnia naquele momento estava especificamente ligada com a mudança climática, mas o Estado, assim como boa parte do Ocidente, estava a caminho de tornar-se aquilo que os modelos computacionais previam: uma bacia de poeira, muito frequentemente em chamas.

Asfalto é bom ou ruim?


Pensando na Operação Asfaltaço, do Prefeito Gean Loureiro, lembrei-me do trecho que segue reproduzido, que faz parte de um vocabulário geológico e ambiental que estou a organizar, para meus estudos de Direito Ambiental:


- McKENZIE FUNK - Caiu do céu/O promissor negócio do aquecimento global - Edit. Três Estrelas/SP/2016, p. 111: Em Israel, os semeadores de nuvens tradicionais ainda eram uma legião, e um grupo de pesquisadores também tinha proposto cobrir uma extensão de 2 mil acres do Neguev com material negro, que absorveria o calor, a fim de criar uma ilha artificial de calor, induzindo chuvas ao sabor dos ventos. (...) 
 
 

domingo, 25 de agosto de 2019

História da Shell mostra que lobby e corrupção estão no DNA da empresa


Empresa responde a acusações por desvio de recursos públicos e pagamento de propinas durante compra de campo de petróleo
Redação


Rede Brasil Atual, 24 de Novembro de 2017 às 11:19
"Servir bom para servir sempre, esse é meu lema", diz a imagem / Reprodução

Beneficiada pelo lobby britânico que resultou em uma série de vantagens fiscais e concessões feitas pelo governo Temer, a Shell já é velha conhecida na indústria de petróleo por modi operandi que passam ao largo da lei. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou nota nesta quarta-feira (22) sobre o histórico de atuação da empresa. A anglo-holandesa responde a acusações criminais na Suprema Corte da Nigéria por desvio de recursos públicos e pagamento de propinas durante a compra de um dos maiores campos de petróleo do país, vendido por US$ 1,3 bilhão, dos quais apenas US$ 210 milhões chegaram aos cofres do governo.

Junto com a petrolífera italiana Eni, a Shell é acusada de desviar US$ 801 milhões para as contas de ex-ministros nigerianos, além de um empresário local, que teriam intermediado a venda e a licença de exploração do campo, com reservas estimadas em nove bilhões de barris de petróleo. O caso ocorreu em 2011, mas veio à tona no início de 2017, por meio de reportagem da rede de TV britânica BBC, que teve acesso a e-mails de representantes da Shell durante o processo de negociação.

O fato gerou investigações nos Estados Unidos, França, Suíça, Holanda e na Itália, onde promotores pediram que executivos da Shell e da Eni sejam julgados por corrupção. Em janeiro, a Comissão de Crimes Econômicos e Financeiros da Nigéria garantiu na Justiça a determinação para que o controle do bloco petrolífero fosse devolvido ao governo local.

Essa não é a primeira acusação de corrupção que a Shell responde no país africano. Em 2010, a empresa já havia sido multada em US$ 30 milhões por subornos e lavagem de dinheiro envolvendo funcionários do governo e a Companhia Nigeriana de Gás Natural Liquefeito, em um esquema que teria movimentado US$ 180 milhões.

O recente lobby que a Shell e o governo britânico articularam no Brasil para flexibilizar e desmontar as regras de exploração e produção do Pré-Sal segue a mesma lógica predatória aplicada na Nigéria. Um escândalo que está na contramão dos esforços que o país vem fazendo para combater a corrupção. É de se estranhar, portanto, o silêncio da mídia e das autoridades locais com fatos que escancaram a subserviência do governo brasileiro aos interesses estrangeiros, em detrimento da soberania e do desenvolvimento nacional.

No dia 18 de outubro, durante os trabalhos da Comissão Mista Parlamentar que analisou a Medida Provisória 795 (feita sob encomenda por Temer para atender as demandas das multis), um representante da Shell teve acesso livre ao relator, deputado Júlio Lopes (PP-RJ), passando-lhe informações ao pé do ouvido, num lobby explícito em plena sessão do Senado. Horas depois, o relatório foi aprovado, isentando de impostos as petrolíferas estrangeiras, que poderão importar livremente plataformas, navios, equipamentos, peças e demais produtos da cadeia do setor, sem qualquer taxação. Ou seja, os empregos e rendas que o petróleo criava no país por meio da política de conteúdo local agora beneficiarão as nações estrangeiras, desmobilizando completamente o setor naval e a indústria nacional.

É bom lembrar que no Brasil o lobby não é regulamentado, o que o torna uma porta aberta para a corrupção. Além de crime de lesa-pátria, a interferência direta da Shell, BP e de tantas outras multinacionais em questões que são estratégicas para o nosso país é a confirmação de que o discurso inflamado de combate à corrupção só serviu para tentar justificar o golpe e deixar o caminho livre para a entrega da Petrobras e do pré-sal.
Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2017/11/24/historia-da-shell-mostra-que-lobby-e-corrupcao-estao-no-dna-da-empresa/
Edição: RBA

A hidra financeira que ameaça o Brasil

Enquanto bancos têm lucros bilionários, famílias brasileiras seguem endividadas para pagar essas instituições
Juberlei Bacelo*


Sul 21, 24 de Agosto de 2019 às 14:05
Os quatro maiores bancos do país registraram alta de 22% em seus lucros no primeiro trimestre de 2019 / Foto: Arquivo EBC

Durante a pior recessão da história do País, o lucro dos bancos não para de crescer. Após terem chegado a inacreditáveis R$ 98,5 bilhões em 2018, o primeiro trimestre de 2019 voltou a sorrir para os banqueiros. Apenas os quatro maiores bancos registraram uma alta de 22% no primeiro trimestre, chegando R$ 20 bilhões de lucro consolidado nos três primeiros meses do ano.

Como é possível que resultados tão espetaculares sejam obtidos em um momento em que 15 milhões de brasileiros estão desempregados e a economia não dá nenhuma mostra de reação?

Este é o paradoxo que terá de ser resolvido, se quisermos pensar no futuro da economia brasileira, seu povo e até sua democracia. Os bancos usualmente escondem suas tarifas atrás de cálculos mensais, omitindo o efeito de juros compostos.

A tarifa média praticada neste ano, para pessoas físicas, foi de 118%. Ou seja, um trabalhador que comprou uma geladeira a crédito pagará duas ao final de doze meses. Para se ter uma ideia, a mesma taxa, na França, é de 3,5% ao ano. Se tomarmos o crédito rotativo (cheque especial e cartão de crédito) esta taxa chega facilmente a 300%, um juro de agiota, sem dúvida nenhuma. Este não é um problema pequeno.

Neste momento, 64 milhões de famílias são devedoras e têm sua renda drenada do consumo para o pagamento a bancos. Não é de estranhar que a economia não ande.

Para as empresas, não é muito diferente. As taxas de juros anuais alcançam 52%. Basta perguntar qual investimento, hoje, rende acima deste percentual, para entender porque a taxa de investimento é a menor em décadas.

Por fim, também o governo tem seus recursos drenados para o sistema financeiro. Em 2018, foram nada menos de R$ 310 bilhões (10 vezes o Bolsa família) ou 6,5% do PIB. Somados com os 16% do PIB pagos pelas empresas e famílias, significa dizer que quase um quarto de tudo o que o País produz em produtos e serviços, no período de um ano, é esterilizado na renda do sistema financeiro.

Mas para onde vai este dinheiro? Parte relevante vai para aplicações em títulos do governo, investimento sem risco, que drena o dinheiro dos impostos, parte vai para a agiotagem descrita e uma parte relevantíssima é destinada aos chamados paraísos fiscais. Estudos internacionais recentes revelam que R$ 2 trilhões de origem brasileira estão em paraísos fiscais, cerca de 30% do nosso PIB, ou seja, não são investidos e nem tributados.

Mesmo na distribuição de lucro a máquina de desigualdade não para. Os clãs Setúbal, Villela e Moreira Sales, controladores do Itaú, receberam 9,1 bilhões de reais em dividendos. Sabe quanto pagaram de impostos sobre esta bolada? Nada. Nenhum centavo, pois o Brasil é um dos poucos países do mundo a não cobrar nenhum imposto sobre os lucros. Não é possível que um modelo em que o bancário paga mais imposto que o banqueiro funcione.

Ok, você pode achar que tudo isto é muito injusto, mas que não seria a função de um dirigente sindical bancário denunciar o lucro dos bancos, porque se o setor cresce, o bancário também ganha, certo? Errado. Quanto mais poder e dinheiro acumulam os banco pior fica a situação laboral dos bancários.

Os bancos têm reduzido, sistematicamente, o número de bancários, prejudicando o atendimento à população, aumentado o número de terceirizados (com salários menores e empregos vulneráveis), tornando insuportável a pressão por metas, que exigem a venda de produtos que os clientes não querem e não precisam. Tudo isto resulta em um trabalhador pior remunerado, fragilizado em suas garantias e adoecidos pelas condições opressivas de trabalho.

Se não queremos, como temos hoje, seis famílias com riqueza maior que a metade da população brasileira, uma estagnação da economia que dizima os empregos e salários e um estado que já não provê os serviços mais básicos, muita coisa deve ser feita, mas a primeira e mais importante é colocar o sistema financeiro a serviço da sociedade e não o contrário.

(*) Juberlei Bacelo é diretor da Fetrafi-RS

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2019/08/24/artigo-or-a-hidra-financeira-que-ameaca-o-brasil/

QUEIMADA É BOM OU RUIM? - Incêndio nas Ilhas Canárias avança sem controle e obriga à remoção de 9.000 pessoas


"Terra virgem, não queimada, nada produz".

Calma!!! Estou apenas reproduzindo um pensamento vigente nos idos de 1.781, quando viveu o notável JOSÉ DA SILVA LISBOA, citado pelo historiador SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA (direção) - História Geral da Civilização Brasileira/I. A época colonial - 2. Administração, economia, sociedade - Difel/SP/1985, p. 209. À época, assevera o historiador  aqui, como nas Antilhas, tinha-se como certo que o fogo regulava a capacidade fertilizadora dos solos.

Quem lê este blog costumeiramente está "careca de saber" que não tenho a menor simpatia pelo Coiso, muito menos pelos imperialistas ianques e/ou europeus.

Mas, no espisódios dos incêndios florestais no Brasil, que está a gerar uma movimentação quase universal de lideranças políticas e de ativistas, algumas ponderações podem e devem ser feitas: 
1) Bolsonaro é doido varrido, pois sair acusando ongs, de modo genérico, como supostas interessadas nas queimadas e até como responsáveis por elas, sem apontar nomes e provas concretas, não leva a outra conclusão;

2) Todavia, os líderes europeus,  em cujos países as economias estão em baixa - diz-se até que a recessão chegou à poderosa Alemanha - também estão a aproveitar-se da doideira do Bolsonaro para desviar o foco dos problemas internos e crucificar o Capetão;

3) No Brasil, as queimadas são históricas no mês de agosto e aqui mesmo, em SC, os pecuaristas costumam, na região Serrana, promover a "queima de campo", aguardando que a rebrota do capim, livre de pragas destruídas pelas queimadas, favoreça a criação de gado; a Amazônia - fico apenas imaginando os conflitos de interesses patrocinados por grileiros, agrimensores, engenheiros, cartórios, polícias, advogados, membros do Ministérios Público, políticos, magistrados, latifundiários, pecuaristas, madeireiros, índios, caboclos, seringueiros, ambientalistas, igrejas, sindicalistas, etc..., etc... - é um cadinho efervescente e os olhos grandes dos povos egoístas de sempre, os mesmos que se digladiaram durante o período de conquista do nosso território, estão espichados para o nosso lado; vários países estão sim, de olho na Amazônia e assanhados para botar as mãos nas riquezas da região, sob pretexto de preservar o meio-ambiente; Bolsonaro critica os europeus, mas estimula os ianques a colocaram suas botas sujas de sangue em partes do nosso território, como é o caso da Base de Alcântara, de sorte que reclamar dos europeus é pura cena, já que de nacionalista ele nada tem, não passando de um sujo entreguista das riquezas nacionais;

4) De outro lado, há indisfarçável interesse de multinacionais (que vendem produtos químicos para controlar pragas agrícolas), como a Bayer/Monsanto em desestimular o uso do fogo e incrementar a venda dos seus produtos, obviamente, não só na Amazônia, mas em todo o país.

Em suma: queimar a Amazônia é péssimo para todo mundo, segundo os cientistas e até o chefe da Hidra Papista já está tirando a sua casquinha, mestre que é em manipular as mídias e os povos, fazendo pose de bonzinho, de preocupado com a humanidade, com esta e próximas gerações.  


Esse Bolsonaro faz coisa!!! Ou seria esse Coiso faz uma m.... atrás de outra?
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O fogo queimou mais de 6.000 hectares e algumas chamas ultrapassam 50 metros de altura

Chamas e fumaça do incêndio vistos de Moya (Gran Canária).Borja Suárez (REUTERS)
 
M.M|P.M
Las Palmas de Gran Canaria - 20 ago 2019 - 10:13 BRT

Cerca de 9.000 pessoas foram removidas de localidades da Cumbre (parte montanhosa) e do norte da ilha de Gran Canária, como resultado do incêndio florestal declarado no sábado em uma ravina no município de Valleseco, território espanhol. Com a primeira luz da manhã teve início um deslocamento sem precedentes na região, com a participação de mais de 700 efetivos em terra e o apoio de 16 aeronaves: quatro hidroaviões, um avião de floresta e 11 helicópteros, nove deles dedicados a combater o fogo e dois para tarefas de coordenação. Segundo explicou o chefe do Governo das Canárias, Ángel Víctor Torres, há 549 pessoas que não poderão retornar a suas casas nesta segunda-feira, mas já estão alojadas em alguns dos mais de 500 abrigos temporários.

A intervenção dos meios aéreos é fundamental para permitir traçar o perímetro dos flancos leste e oeste da área afetada, onde muitas casas correm o risco de serem queimadas. A frente principal está devastando a reserva natural de Tamadaba e, como relatou na madrugada o chefe de Emergências da Prefeitura, Federico Grillo, o fogo está fora de controle e de “qualquer capacidade de extinção", com chamas que ultrapassaram 50 metros de altura. O incêndio é o segundo de grandes dimensões que afeta a ilha neste verão, após o de Artenara no início do mês, que arrasou 1.500 hectares.

Durante a noite, o avanço do fogo obrigou as autoridades a removerem a população de novas áreas, entre as quais o centro urbano completo de Valleseco (prefeitura com 3.784 habitantes), o bairro de El Carrizal de Tejeda, na Cumbre; e os bairros de El Valle e El Risco, em Agaete, perto do foco do fogo, no noroeste da ilha. As últimas populações removidas foram as de Saucillo, em Gáldar, e Piletas e Troya, em Agaete.

O incêndio já causou enormes danos ambientais, com várias áreas naturais afetadas, incluindo uma das grandes joias verdes da ilha, o parque natural de Tamadaba. Não há registro de vítimas e prejuízos pessoais, apesar de em algumas áreas ter avançado por espaços que os técnicos chamam de "interface", porque mesclam vegetação e moradias.

O ministro da Agricultura, Luis Planas, viaja para a Gran Canária nesta segunda-feira para se reunir com as autoridades locais e acompanhar a evolução do incêndio no Centro de Coordenação de Emergências e Segurança de Las Palmas de Gran Canária. O presidente do Governo (primeiro-ministro) das Ilhas Canárias, Ángel Víctor Torres, informou que na tarde deste domingo recebeu um telefonema do rei Felipe VI, preocupado com a evolução do incêndio.

A cifra de 8.000 desalojados foi calculada a partir do censo oficial dos diferentes bairros afetados pelas remoções. Destes, apenas 400 pessoas passaram a noite nos seis abrigos provisórios habilitados em San Mateo, Teror, Gáldar, Moya, Agaete e Tunte, no último caso, no sul.
Os serviços de socorro também mantiveram contato com as 40 pessoas que à noite receberam a ordem de permanecerem confinadas, para sua segurança, no centro cultural de Artenara, e que serão retiradas dali assim que a situação do incêndio permitir. A orientação para que ficassem nesse local levou em conta que proporciona um refúgio seguro, porque na noite de domingo teria sido arriscado sair da localidade nas condições de propagação do fogo.Coluna de fumaça do incêndio, em uma imagem do satélite Terra.EFE/EPA/NAS