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Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

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sexta-feira, 24 de novembro de 2023

PAÍSES QUE NÃO RECONHECEM OFICIALMENTE ISRAEL

Afeganistão, Iraque, Omã, Argélia, Kuwait, Paquistão, Bangladesh, Líbano, Catar, Brunei, Líbia, Arábia Saudita, Comores, Malásia, Mauritânia, Somália, Maldivas, Síria, Djibuti, Mali, Tunísia, Guiné, Níger, Venezuela, Indonésia, Coreia do Norte, Iêmen e Irã.

DÁ PARA ENTENDER O MOTIVO DE MUITOS DA RELAÇÃO ACIMA TEREM SIDO ATACADOS PELOS NORTE-AMERICANOS E OUTROS PAÍSES OCIDENTAIS, TENDO SEUS GOVERNANTES ROTULADOS COMO DITADORES E ALGUNS ATÉ ELIMINADOS? 


quinta-feira, 23 de novembro de 2023

BRAVATEIRO COMO BOLSONARO, MILEI COMEÇOU A "ARREGAR" - 'Se Lula vier, será bem-vindo', disse sobre possível ida do presidente do Brasil para sua posse na Argentina

Como já era previsto, uma coisa é bravatear e prometer, outra é implementar. 
Ofender de longe, sem pensar nas consequências e apenas como medida eleitoreira (chamar de corrupto e de comunista, principalmente) e ter que retroceder, em razão das necessidades reais, só serve para descrédito imediato de qualquer bravateiro. Essa é exatamente a sitruação de Milei. Arregou para Lula e irá arregar mais ainda para os chineses, pois a China é - salvo enganomeu - o segundo maior parceiro comercial da Argentina e o empresariado do país vizinho não tolerará que o boquirroto eleito faça as besteiras que anunciou na campanha, prejudicando os interesses bilaterais.
As bravatas de Milei, à medida que impactarem os interesses dos financistas, multinacionais e empresários argentinos, serão inviabilizadas uma a uma. 
Aos poucos estará domesticado e civilizado pelo exemplo dos outros estadistas, os quais, mesmo de maneira dura e grosseiramente criticados por ele, estão a mostrar-lhe o caminho da diplomacia e da urbanidade.

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E, na noite desta quarta-feira (22), em uma entrevista a um canal de TV local, o próprio Milei disse "se Lula vier, será muito bem-vindo".

Por Jornal da Globo

23/11/2023 00h17 Atualizado há 6 horas




Presidente Lula deve ser convidado para posse do argentino Javier Milei

Na Argentina, o governo eleito deixou de lado o discurso de campanha contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e indicou hoje que ele será bem-vindo à posse de Javier Milei em 10 de dezembro.

A futura chanceler de Javier Milei, Diana Mondino, que é uma de suas pessoas de maior confiança, declarou que gostaria que o Presidente Lula viesse para a cerimônia. E, na sequência, confirmou o aceno: “Vamos convidar Lula para vir à posse”. Ela destacou que “o Brasil e a Argentina sempre estiveram juntos e sempre trabalharão juntos”.

E, na noite desta quarta-feira (22), em uma entrevista a um canal de TV local, o próprio Milei disse "se Lula vier, será muito bem-vindo". Durante a campanha, Milei fez ataques a Lula, entre outras coisas chamando-o de “corrupto” e “comunista”, além das promessas de retirar a Argentina do Mercosul.


Em uma entrevista a um canal de tv local, Milei disse "se Lula vier, será muito bem-vindo". — Foto: Reprodução/TV Globo

Propostas Milei

Enquanto isso, Milei, que durante a campanha agitava freneticamente uma moto-serra como símbolo dos cortes de gastos que pretendia fazer, declarou que fará um drástico ajuste fiscal para pagar a dívida pública. Ele indicou que o país terá meses duros e que os dois primeiros anos de seu governo serão de inflação alta até conseguir reduzi-la.

Milei durante a campanha agitava uma moto-serra como símbolo dos cortes de gastos que pretendia fazer — Foto: Reprodução/TV Globo

O Presidente eleito também indicou que não existe dinheiro para as obras públicas que já foram licitadas e os prefeitos e governadores deverão buscar formas de financiá-las. Milei também sugeriu que os funcionários públicos poderiam ficar sem o décimo-terceiro salário, já que os organismos só gastarão o dinheiro que tiverem à disposição. Enquanto isso, os governadores das províncias, prevendo tempos de vacas magérrimas, foram às pressas para Buenos Aires pedir fundos antes que Milei tome posse.

E nesta quarta, a vice-presidente Cristina Kirchner, que também é presidente do Senado, recebeu a vice-presidente eleita Victoria Villarruel. Elas tiveram uma hora de reunião para definir o formato da cerimônia da posse, já que é uma função do Senado.

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Anatália de Souza Melo Alves deixou legado de luta pela vida das mulheres



21 de novembro de 2023




Assassinada pela ditadura militar de 64, Anatália deixou um legado de luta contra o regime fascista e burguês que explora, tortura e mata as mulheres do nosso país.

Amanda Louise* | Natal (RN)

MULHERES – Anatália de Souza Melo Alves, costureira, nascida em Frutuoso Gomes (RN), morou grande parte da sua vida em Mossoró (RN) e precisou mudar-se para Recife (PE), juntamente ao seu marido, após o decreto do Ato Institucional nº5 (AI-5) em 1968 e o aumento da repressão. Atuou prestando atendimento de enfermagem aos trabalhadores e militantes, além de alfabetizar trabalhadores rurais no método Paulo Freire.

Em 17 de dezembro de 1972, Anatália foi sequestrada por agentes do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), em Recife. No entanto, sua prisão só foi registrada após 26 dias de seu sequestro, em 13 de janeiro de 1973. Durante o tempo em que ficou presa, ela sofreu diversos tipos de torturas, espancamentos e violência sexual, e teve como uma das suas testemunhas, Isolda Maria Carneiro de Melo, com quem dividia cela e que, assim como Anatália, passou por todo tipo de tortura.

Durante a ditadura, a polícia violentou mulheres das formas mais brutais possíveis. Em uma sessão pública da Comissão Estadual da Memória e Verdade de Pernambuco, o marido de Anatália, Luís Alves Neto, relatou algumas das torturas que ela sofreu quando foi presa pelo DOI-CODI:

“(…) submetem ela a uma tortura violentíssima e três ou quatro agentes da polícia torturando ela, eu numa grade, mas ouvia os gemidos dela, ela sendo torturada, clamando por mim, eu numa grade preso só fazia protestar, “Bandidos, canalhas”. Então quando chega num momento que ela gritando muito e me chamando, vem um companheiro depois, disse que ela estava sendo estuprada por cinco homens, cinco policiais. Miranda e mais outros.”

As torturas seguiram covardemente por mais de 30 dias, até a sua morte, em 22 de janeiro de 1973, quando o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), forjando o laudo de sua morte, comunicou que Anatália teria se suicidado nas dependências do DOPS, enforcando-se com a alça de sua bolsa. No entanto, segundo o laudo do Instituto de Polícia Técnica (IPT) de Pernambuco, Anatália foi encontrada deitada numa cama de campanha, contrariando a versão de que teria morrido no banheiro. A análise pericial constatou que sua morte teria sido causada por asfixia por enforcamento, porém durante a análise das fotos, foi notado que seus órgão genitais foram queimados, o que indicou a violência presente no caso.

Essa versão falaciosa da sua morte, cheia de falhas e lacunas, perdurou por mais de 42 anos, gerando indignação de familiares, companheiros e testemunhas das suas torturas na prisão. Depois de muitas mobilizações, a retificação do laudo de sua morte foi conquistada e a real história de seu assassinato divulgada. A jovem Anatália foi brutalmente assassinada aos 27 anos, sepultada sem que a família tomasse conhecimento e sem que lhes fosse entregue a certidão de óbito.

Na história, existiram muitas mulheres como Anatália, que foram submetidas a violências e que lutaram até o fim das suas vidas pela libertação. Ainda hoje, essas histórias infelizmente seguem se repetindo, pois somos nós as principais vítimas de opressão nesse sistema que massacra mulheres. O Brasil é o 5º país que mais mata mulheres e, só no ano de 2022, foram mais de 18 milhões sofrendo violência, os quais a maioria são mães.

São as mulheres negras e periféricas que estão tendo seus filhos assassinados e torturados pela polícia. São as mulheres trans que estão sofrendo exploração sexual. São as mulheres indígenas que estão sendo sequestradas enquanto crianças e escravizadas por garimpeiros. São muitas de nós, portanto só nos resta a luta.

Anatália deixa para as mulheres de todo o Rio Grande do Norte um legado de muita luta pelo fim da violência e pela libertação das mulheres do sistema capitalista. Não somos apenas as principais vítimas, mas somos também semente de todas que já se foram. Somos nós que estamos na linha de frente das lutas, liderando greves, mobilizações, atos, enfrentando a repressão policial, lutando por comida no prato, por moradia, por emancipação e por uma vida digna.

Viva a luta organizada das mulheres! Anatália de Souza presente!

*Coordenação Estadual do Movimento de Mulheres Olga Benario

terça-feira, 21 de novembro de 2023

ARGENTINA - PERIGO À VISTA

Se Milei - eleito para a presidência da Argentina, com um discurso extravagante e que não possuirá suntentação no legislativo - insistir em implementar as medidas que prometeu, o país vizinho estará num dilema muito sério, precisando escolher entre continuar com democracia ou optar por um regime golpista, como tentaram Trump e Bolsonaro, os quais, aliás, são tão loucos e irresponsáveis quanto o argentino.

Trump e Bolsonaro foram aparentemente controlados e Milei certamente também será embuçalado (submetido com buçal, tal qual um potro selvagem e insubmisso) e submeter-se-á ao sistema financeiro internacional, a quem interessam, sobretudo,  privatizações, principalmente da YPF, a petroleira do país, na qual os estrangeiros estão de olho há muito tempo.

O perigo reside, naturalmente, em - vendo-se afrontado pela resistência deos derrotados e sem base para garantir governabilidade - num gesto de desequilíbrio (o que lhe é peculiar), acenar e aliar-se às casernas em um golpe militar, bem ao gosto dos países da América Latina, jogando seu discurso libertário na lata do lixo. 

Não lhe faltará, certamente, apoio ianque, como sempre.

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

OPÇÃO POR UM EXCÊNTRICO, PARA DIZER O MÍNIMO

A Argentina - maior colônia judaica da América Latina - optou por ser governada por um presidente aparentemente ("as aparências enganam" não se pode esquecer) tresloucado quase "nazista'.

De tanto ver o peronismo fazer sacanagens, o povo, cansado, resolveu experimentar outro lado da moeda (para usar uma figura tão querida dos financistas) e agora, se Milei cumprir a promessa de só valorizar Israel e os EUA, desprezando, inclusive, as relações com o Brasil, o país vizinho passará por sérias transformações.

Se Milei conseguir (ajudado pelos ligados ao macrismo) governabilidade, obviamente, porque os vencidos, certamente, opor-se-ão a projetos anunciados pelo vencedor, que parecem totalmente "fora da casinha" para os que se consideram sensatos. 

O jornal Clarin assevera que Milei terá contra seus projetos a governabilidade mais frágil da história.

Na verdade, os sionistas, ao que tudo indica, aprofundarão ainda mais o seu histórico domínio nos países da América Latina. 

Veremos: quem dizia que dolarizará a economia, agora já fala que não antes de 18 ou 24 meses. Depois, provavelmente, dirá que não implementou a medida por culpa da oposição?

Muita expectativa no ar - quando um excêntrico (tipo Jânio Quadros) assume um cargo relevante - é o quadro do momento. 

O jornal eletrônico La Nación, por sua vez, noticiou:

En los mapas muy antiguos suele haber áreas denominadas “terra incognita”. Tierra desconocida. Es el modo en que los cartógrafos se referían a zonas a las que todavía no había llegado explorador alguno. 

La Argentina ingresó ayer en una geografía de ese tipo. Con el contundente triunfo de Javier Milei sobre Sergio Massa, el país comenzó a caminar por una vía que jamás se transitó. Se corroboró lo que se venía vislumbrando desde, por lo menos, las elecciones de 2021: comenzó otra época.

La victoria de Milei desbordó las previsiones de todas las encuestas. Es el éxito de un candidato sin estructura, que se constituyó en figura pública hace no mucho más de cinco años defendiendo ideas ultraliberales y que, desde entonces, recorrió el país restaurando la consigna “que se vayan todos”. 

El logro de Milei va mucho más allá de la derrota de Massa. Al cabo de cuatro décadas de experiencia democrática, el resultado de anoche interpela, o debería interpelar, a toda la clase política. 

Porque antes de vencer al peronismo, La Libertad Avanza se había impuesto sobre Juntos por el Cambio. Las razones pueden ser numerosas. Entre ellas está, sin duda, un estancamiento económico que se expresa en crisis recurrentes y que ha deteriorado sin cesar el perfil sociolaboral de los votantes. 

Más allá de los diagnósticos, hay un signo de este tiempo: lo que explica la marcha de más de la mitad del electorado hacia lo desconocido, es el repudio a lo conocido.

Milei consiguió, en este contexto deprimente, encender la chispa de la representación en una amplia franja de la ciudadanía. No se dedicó a explicar a esos votantes qué él sabía lo mal que se sentían. Prefirió hablar, gritar, insultar, gesticular, como alguien que se siente como ellos. Supo conectar con un clima de época y, en una operación típica del impulso populista, capturó el desasosiego del público para redireccionarlo hacia la dirigencia. 

Hacia lo que él llamó, repitiendo una palabra que expresó tanto al fascismo de Benito Mussolini como a Podemos, de Pablo Iglesias, casta.

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Deu na Página 12, portal de esquerda Argentino:

El embajador de los Estados Unidos, Marc Stanley, fue uno de los primeros en salir a felicitar a Javier Milei por su triunfo electoral y "al pueblo argentino". 

Apeló al siguiente texto: 

Esperamos trabajar juntos en las prioridades compartidas que benefician a la gente de nuestros dos países, incluyendo la protección de los derechos humanos y la democracia, la lucha contra el cambio climático, la mejora del clima de inversiones y la inversión en la clase media" 

Propuestas que hasta suenan progresistas de acuerdo a las promesas de campaña del presidente electo.

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O jornal de extrema direita Diário El Mercurio, do Chile, diz que a vitória de Milei representa a irrupção do desconhecido.

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Da BBC, colhe-se as seguintes considerações:

-  (...) a despeito do que tenha dito sobre Lula ou a respeito das relações com o Brasil, Milei vai assumir uma Argentina com uma economia extremamente conectada à brasileira.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) do Brasil mostram que a Argentina é, há anos, o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China (1º) e os Estados Unidos (2º).

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É aí que a porca torce o rabo! Não há como Milei repudiar, como prometeu, o entendimento com o governo brasileiro, nem desconsiderar a influência chinesa. Entrarão em cena os interesses dos empresários de vários países e o aloprado  argentino verá que o buraco é mais embaixo.

Diz-se que economista é um engenheiro que não deu certo. Será o novo presidente da Argentina a prova de tal afirmação? 
Projetos arrojados não lhe faltam. Abraçar abertamente o dólar americano e extinguir o Banco Central, por exemplo.
Mas a realidade - que sempre tem a primazia - ditará caminhos diferentes dos que concebeu o economista vencedor do pleito para presidente da Argentina.
Assim como as árvores se alimentam não só do solo, mas também da camada de matéria orgânica que chamam serapilheira (folhas e galhos mortos, por exemplo), Milei terá que conviver com o peronismo, aparentemente derrotado e extinto, mas na realidade com profundas raízes. Nenhuma força que dominou tanto tempo, pode ser subestimada por um governo que se auto-proclama novidade na política. 


Estado de Oregon, nos EUA, aprova alternativa para exame de ordem




19 de novembro de 2023, 12h48

A partir de maio de 2024, os bacharéis em Direito de Oregon, nos EUA, terão uma alternativa ao exame de ordem para obter a inscrição de advogado na seccional da American Bar Association (ABA) do estado.


FreepikNovos advogados poderão substituir prova por estágio remunerado

O Tribunal Superior de Oregon aprovou a implementação do programa “Supervised Practice Portfolio Examination”, que dá aos bacharéis que frequentaram uma faculdade credenciada pela ABA a opção de substituir o exame de ordem por um estágio remunerado de 675 horas, sob a supervisão de um advogado experiente.

O bacharel deverá, ainda, criar um portfólio dos trabalhos jurídicos que executou durante o estágio, que será avaliado pelo “Oregon State Board of Bar Examiners”, como condição para receber a licença definitiva para atuar no estado.

Se optar pelo novo programa, o estagiário “contratado” receberá uma licença provisória, salário e benefícios equivalentes aos de advogados novos. Deverá se dedicar a trabalho jurídico por pelo menos 20 horas por semana (ou 4 horas por dia, em cinco dias). Com essa carga mínima, o estágio pode ser cumprido em cerca de 33 semanas.

O empregador pode ser um escritório de advocacia, um advogado autônomo, uma empresa com departamento jurídico, uma organização sem fins lucrativos ou um órgão de governo — desde que tal entidade pratique advocacia de forma regular em Oregon e empregue um advogado qualificado para ser supervisor.

O supervisor deve ser um membro ativo da seccional da ABA no estado por pelo menos dois anos, ter atuado em pelo menos uma jurisdição do estado, ser sócio ou empregado da mesma entidade empregadora, não ter qualquer registro de disciplina pública e não ser membro imediato da família do estagiário, entre outras exigências.

Juízes federais podem exercer as funções de advogado supervisor de estagiário, sem algumas das exigências impostas às demais entidades empregadoras. Um registro de disciplina pública pode ser relevado, obedecidas algumas condições.

Oregon é o primeiro estado do país a oferecer esse tipo de alternativa “ao temido e frequentemente criticado exame de ordem”, segundo o presidente do Oregon Board of Bar Examiners, Adrian Smith.

“O novo programa oferece uma oportunidade para os bacharéis que, por alguma razão, não conseguem demonstrar sua competência através de testes padronizados”, diz Smith, refletindo a posição da ABA, que apoia esse “novo caminho para os aspirantes a advogados entrarem na profissão”.

Críticos do exame de ordem vem dizendo, há tempos, que o teste de múltipla escolha de dois dias, administrado em cada estado para bacharéis em Direito, não é um reflexo realista de como é exercer a advocacia e que sua pretensão de medir a competência mínima para o trabalho é duvidosa.

No entanto, as opiniões não são unânimes. E a nova via de acesso à advocacia não acaba — nem tem a pretensão de acabar — com o exame de ordem. Apenas dá aos bacharéis a oportunidade de escolher entre uma coisa e outra.

Mas a ideia está atraindo outros estados, como Califórnia, Utah e Washington, que já consideram a implementação de programas semelhantes em suas jurisdições, criando-se a impressão de que essa pode ser uma tendência nacional. Winsconsin e New Hampshire experimentam alternativas diferentes. Ingressar na ABA através do exame de ordem ainda tem suas vantagens. Por exemplo, o advogado que obtém inscrição através do exame de ordem pode exercer a advocacia em alguns outros estados. Os que ingressarem pelo programa de estágio só poderão atuar no estado de Oregon.

domingo, 19 de novembro de 2023

Anemia falciforme: terapia genética é esperança contra doença 'invisível' que afeta dezenas de milhares de brasileiros




CRÉDITO,SCIENCE PHOTO LIBRARYArticle informationAuthor,Fergus Walsh
Role,Editor de Medicina, BBC News
16 novembro 2023


A agência regulatória do Reino Unido se tornou a primeira no mundo a aprovar uma terapia genética que promete curar duas doenças que afetam as células sanguíneas.


O novo tratamento contra a doença falciforme e a beta talassemia é pioneira no uso de uma ferramenta de edição genética conhecida como Crispr.


As responsáveis pela técnica — as cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna — ganharam o Prêmio Nobel em 2020.


Este avanço é considerado revolucionário para as duas doenças hereditárias que acometem o sangue, ambas desencadeadas por erros no gene da hemoglobina (proteína responsável pelo transporte de oxigênio nas hemácias).



Pessoas com doença falciforme produzem glóbulos vermelhos de formato incomum — parecidos a uma foice.

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Isso pode gerar uma série de problemas, uma vez que essas células têm um tempo de vida reduzido e podem bloquear os vasos sanguíneos, o que causa dor e infecções potencialmente fatais.


Já pacientes com beta talassemia não produzem hemoglobina suficiente. Com isso, eles geralmente precisam de transfusões de sangue periódicas, com poucas semanas de intervalo entre as sessões.Sequenciadores genéticos: o que Brasil vai fazer com equipamentos milionários comprados na pandemia13 novembro 2023

Como a terapia gênica funciona



Podcast traz áudios com reportagens selecionadas.

Episódios

Fim do Podcast


O DNA é o livro da vida — e os genes trazem as instruções sobre como cada célula do nosso corpo deve funcionar.


A edição de genes permite a manipulação precisa do DNA. O novo tratamento recém-aprovado no Reino Unido envolve a retirada de células-tronco da medula óssea do próprio paciente.


Em laboratório, a ferramenta de edição genética Crispr utiliza espécies de tesouras moleculares para fazer cortes precisos no DNA dessas células. Isso permite desativar os genes defeituosos que estão por trás dos problemas de saúde.


As células modificadas são, então, infundidas de volta no organismo. Com isso, o corpo começa a produzir hemoglobina dentro dos padrões esperados.


Nos ensaios clínicos que serviram de base para a aprovação, 28 dos 29 pacientes com anemia falciforme deixaram de apresentar dores intensas e 39 dos 42 pacientes com beta talassemia não precisam mais das transfusões de sangue há pelo menos um ano. Espera-se que a terapia gênica possa ser uma solução permanente para eles.


Os testes com a nova terapia continuam a acontecer no Reino Unido, nos EUA, na França, na Alemanha e na Itália.


Cerca de 15 mil pessoas no Reino Unido têm doença falciforme, a maioria com antecedentes familiares africanos ou caribenhos. Quase 300 bebês nascem no Reino Unido com doença falciforme todos os anos.


No Brasil, onde ainda não há previsão para a chegada da nova terapia, o Ministério da Saúde estima entre 60 a 100 mil indivíduos com anemia falciforme. Cerca de 3 mil novos casos são diagnosticados todos os anos.


"Dados do Sistema de Informações de Mortalidade do SUS apontam que, entre 2014 e 2019, a maior parte dos pacientes com doença falciforme no Brasil faleceu na segunda década de vida (20 aos 29 anos). O Brasil registra mais de um óbito de por dia em decorrência da doença e mantém uma média de um óbito por semana em crianças de 0 a 5 anos", aponta o ministério.


Mais de mil pessoas no Reino Unido são afetadas pela beta talassemia. Elas geralmente têm origens familiares relacionadas a regiões como o Mediterrâneo, o Sudeste Asiático e o Oriente Médio.


O Ministério da Saúde calcula que cerca de mil brasileiros apresentam as formas mais graves de talassemia.


"Tanto a doença falciforme quanto a beta talassemia são condições dolorosas que duram a vida toda e, em alguns casos, podem ser fatais", pontua Julian Beach, diretor executivo interino de Qualidade e Acesso aos Cuidados de Saúde da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido.


"Até o momento, um transplante de medula óssea — que deve vir de um doador estreitamente compatível e apresenta um risco de rejeição — era a única opção de tratamento permanente."


A partir de agora, segundo Beach, o arsenal terapêutico contra as duas enfermidades se ampliou com a aprovação da primeira terapia genética, cujo nome comercial é Casgevy.


Nos ensaios clínicos, foi "descoberto que ela restaura a produção saudável de hemoglobina na maioria dos participantes com doença falciforme e beta talassemia que dependem de transfusões, o que alivia os sintomas", disse ele.

'Sinto que renasci'

CRÉDITO,JIMI OLAGHERELegenda da foto,

Jimi Olaghere se livrou da anemia falciforme após décadas convivendo com a condição


Jimi Olaghere pensou que precisaria esperar décadas para se livrar da doença falciforme.


Ele deu um depoimento à BBC News em 2022, depois de se tornar um dos primeiros sete pacientes a se beneficiar do novo tratamento de edição genética nos Estados Unidos.


"É como nascer de novo", declarou Olaghere no ano passado.


Ele disse sobre como sentiu que o tratamento havia mudado sua vida. "Quando olho para trás, penso: 'Não acredito que vivi com isso'."


Olaghere vivia com anemia falciforme desde a infância. "Você sempre tem que estar com uma mentalidade de guerra, sabendo que seus dias serão repletos de desafios."


"A doença falciforme é uma condição incrivelmente debilitante, causa dor significativa às pessoas e leva à mortalidade precoce", destacou John James, presidente da Sickle Cell Society, uma associação que realiza ações sobre a anemia falciforme no Reino Unido.
"Atualmente, existem poucos medicamentos disponíveis para os pacientes. Por isso, saúdo a notícia de que um novo tratamento foi considerado seguro e eficaz, com o potencial de melhorar significativamente a qualidade de vida de tantas pessoas."

O preço do Casgevy ainda não foi definido, mas especula-se que a terapia possa custar 1 milhão de libras (R$ 6 milhões) ou mais — o que pode ser considerado um preço muito alto para os serviços públicos de saúde.

Em abril, o Instituto de Revisão Clínica e Econômica dos Estados Unidos calculou que o tratamento só seria rentável caso seu preço ultrapassasse a casa de 1,5 milhão de libras (R$ 9 milhões).

O Casgevy é um tratamento personalizado e único, feito a partir de ajustes nas células do próprio paciente — o que torna o processo caro e demorado. Além disso, os responsáveis também acrescentam na conta os custos com a pesquisa e o desenvolvimento.

A Vertex, empresa farmacêutica americana responsável pela terapia gênica, deseja que o produto seja utilizado de forma ampla. Para isso, precisará estabelecer um preço que os serviços públicos de saúde estejam preparados para pagar.

O mentiroso de sempre

Desmascarando a farsa: Nikolas e o discurso fantasma na ONU
Manipulação, mentiras e o vazio da busca por notoriedade

POR FÁBIO SANTOS
Escrito em Opinião18/11/2023 · 13:14


Nikolas Ferreira em discurso nas dependências da ONU. Foto: Reprodução


O cenário político brasileiro, marcado por intensas polarizações, tem visto surgir figuras públicas que, ao invés de contribuírem para a construção de um debate saudável, optam por estratégias enganosas para ganhar visibilidade. Um exemplo notório é o deputado federal de extrema direita, Nikolas Ferreira (PL-MG), que recentemente protagonizou mais um episódio de manipulação da opinião pública. Em uma tentativa sórdida de enganar seus seguidores, o parlamentar recorreu a falsas informações sobre a Organização das Nações Unidas (ONU).

Não é novidade a postura crítica de Nikolas Ferreira em relação à ONU. Em uma declaração datada de 24 de fevereiro de 2022, o deputado questionou publicamente: "A ONU serve para que mesmo?". Contudo, contraditoriamente, o político anunciou em suas redes sociais, em tom de vitória, que fez um discurso na ONU, ontem, 17 de novembro de 2023.

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O discurso, com pouco mais de 7 minutos, foi marcado por um inglês sofrível e conteúdo patético. Entre as razões para tamanho fracasso, destacam-se a citação de uma frase do astrólogo Olavo de Carvalho e os reiterados ataques ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ao Supremo Tribunal Federal, a personalidades como Leonardo DiCaprio e Greta Thunberg. Fica claro que tais ataques são uma tentativa desesperada de chamar a atenção, escapar da insignificância e ser notado.

O vexame atinge proporções ainda maiores quando se descobre que tudo não passou de mais uma fake news de Nikolas Ferreira. O deputado recorre à mentira como estratégia recorrente em suas redes sociais, visando manipular um público que, infelizmente, demonstra ter pouca capacidade intelectual, senso crítico deficiente e nenhum interesse pela verdade.


A verdade sobre o ocorrido é que Nikolas não foi convidado pela ONU para discursar. O convite partiu do governo da Guatemala, em um evento nas dependências da ONU, denominado "Cúpula Transatlântica". Importante ressaltar que o evento era exclusivo para representantes da extrema direita, o que explica a baixa qualidade do discurso proferido.

É crucial destacar, mais uma vez, que Nikolas Ferreira não estava em nenhum evento na ONU como representante do Brasil, mas sim reunido com políticos de extrema direita a convite da Guatemala. A condução das redes sociais do parlamentar, que constantemente apresenta mentiras para enganar um público ávido por ilusões, suscita a reflexão sobre a ética e responsabilidade na comunicação política. A busca por notoriedade a qualquer custo não pode justificar a disseminação de informações falsas, comprometendo a credibilidade e a integridade do processo democrático.

https://revistaforum.com.br/politica/2023/11/17/video-com-ingls-tosco-nikolas-ferreira-ofende-lula-stf-em-evento-nos-eua-147941.html

sábado, 18 de novembro de 2023

Juiz dos EUA vai decidir se jornalistas podem ser punidos por não revelar fontes




18 de novembro de 2023, 8h21

O juiz federal Christopher Cooper, em Washington, vai decidir se jornalistas que se recusam a identificar sua(s) fonte(s) podem ser punidos por desacato ao juízo, em um caso que confronta os direitos da imprensa com violações da privacidade do cidadão – e que podem resultar em pedidos de indenização por danos.


Freepik

Nos EUA, o direito do jornalista ao sigilo da fonte, definido em “shield laws”, não é fava contada — depende de alguns fatores: 1) não existe uma lei federal que garante essa proteção; 2) 30 estados e o Distrito de Colúmbia (D.C.) aprovaram suas próprias leis específicas para o sigilo da fonte; 3) 20 estados não criaram lei alguma.

Em 1972, Suprema Corte decidiu por 5 a 4 votos, em Branzburg v. Hayes, que tal privilégio pode ser estabelecido somente através de legislação. Desde então, o Congresso fez algumas tentativas de aprovar uma lei federal, mas isso nunca aconteceu. No entanto, a maioria dos estados agiu.

Curiosamente, alguns estados seguiram a orientação de um dos votos dissidentes, escrito pelo ministro Potter Stewart — não as do vencedor. O ministro escreveu que só é legalmente possível buscar informações confidenciais de jornalistas se: 1) as informações forem altamente relevantes para a investigação; 2) o governo tiver um interesse imperioso e primordial em obter as informações; 3) as informações não puderem ser obtidas por outros meios.

Alguns estados foram mais liberais e deram mais peso ao direito (e obrigação) do jornalista de proteger suas fontes. Em outros estados, proteções equivalentes foram adotadas por jurisprudência (case law). Ou seja, a legislação que define o sigilo da fonte nos EUA é uma salada completa, o que cria o fator 4: o juiz decide de acordo com seu entendimento.

Existem outros fatores importantes a serem considerados, de acordo com o site Britannica.com. Primeiro, as fontes só se dispõem a prestar informações confidenciais e sensíveis a jornalistas com a promessa de que a anonimidade é garantida. Assim, o sigilo da fonte é essencial para a prática do jornalismo investigativo e, portanto, à liberdade da imprensa, que é garantida pela Primeira Emenda da Constituição.

Segundo, a obrigação de responder à intimação para testemunhar e a entregar documentos confidenciais interfere com o processo editorial da publicação. Pode, de alguma maneira, infringir a liberdade de expressão dos jornalistas, que também é protegida pela Constituição.

Perante a corte

O juiz federal vai decidir se pune a jornalista da CBS Catherine Herridge por desacato ao juízo, porque ela se recusa a identificar a(s) fonte(s) de uma reportagem investigativa sobre a cientista chinesa-americana Yanping Chen, que foi investigada pelo FBI sob a suspeita de haver mentido à imigração.

Entre outras coisas, o FBI investigou suspeitas de que a cientista teria omitido que trabalhava para um programa de astronautas chinês, que tinha ligações com os militares chineses e teria fundado uma escola profissional em Virgínia para obter informações sobre militares americanos.

As informações para a reportagem teriam sido obtidas de vazamentos da investigação, incluindo trechos de um documento do FBI que trazia um sumário das entrevistas realizadas, fotos pessoais e informações retiradas de seus formulários de imigração e naturalização, bem como de uma apresentação interna do FBI.

Yanping Chen processou o governo – não a jornalista que, à época, trabalhava para a Fox News. A jornalista foi intimidada para testemunhar. Os advogados da cientista alegaram que a divulgação da reportagem causou danos à reputação de sua cliente, que sequer foi formalmente acusada por qualquer delito. E querem saber quem foi a fonte ou fontes das informações.

Ao aprovar o pedido dos advogados para entrevistar a jornalista, o juiz reconheceu o que está em jogo ao forçá-la a depor, escrevendo: “Esta corte reconhece a importância vital de uma imprensa livre e o papel crítico que as fontes confidenciais exercem o trabalho dos jornalistas investigativos, tais como Catherine Herridge”.

Interrogada sob juramento pelos advogados da cientista (no processo de discovery), a jornalista se recusou a revelar suas fontes, repetindo várias vezes que, “com base em decisões judiciais, ela deveria, respeitosamente, invocar os direitos que lhe são garantidos pela Primeira Emenda”.

Os advogados da cientista pediram, então, ao juiz para puni-la por desrespeito ao juízo. Se condenada, a jornalista pode ter de pagar multas muito altas, até que cumpra a ordem, e pode ser mandada para a cadeia.

O advogado de Catherine Herridge, Floyd Abrams, é o mesmo da jornalista Judith Miller, do New York Times, que foi sentenciada a 85 dias de cadeia, depois de ser condenada por desacato ao juízo, por se recusar a revelar as fontes de uma reportagem que revelou a identidade da agente secreta da CIA Valerie Plame.

“Permitir que fontes confidenciais sejam reveladas, por força de ordem judicial, significa que haverá menos informação. Quanto mais significativa for a notícia, maior será a perda do público, que não irá saber o que está acontecendo”, disse Adams, que é especializado na Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

Com informações da PBS, Daily Herald, ABC News, CBS, AP News e Britannica.com.

https://www.conjur.com.br/2023-nov-18/juiz-dos-eua-vai-decidir-se-jornalistas-sao-obrigados-a-revelar-fontes/

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Os prós e contras de alargar as praias de Santa Catarina


Maurício Frighetto


Prefeituras que aderem à prática falam em proteção da costa, assim como de residências e comércio. Mas especialista diz que somente alargar faixa de areia é "rivalizar com o mar".


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Alargamento da faixa se areia em Balneário Camboriú, finalizada em dezembro de 2021, custou R$ 90 milhões
Foto: Prefeitura de Balneário Camboriú/Divulgação


Se todos os projetos saírem do papel, Santa Catarina terá pelo menos nove praias alargadas nos próximos anos, num investimento que ultrapassa R$ 200 milhões. Essas obras têm sido uma das principais apostas para enfrentar a erosão e a falta de areia em balneários movimentados, aumentando o espaço para o lazer e turismo. 

Mas vale a pena esse investimento, num cenário de aquecimento global, elevação do nível do mar e aumento dos eventos climáticos extremos?

Alargamento ou engordamento de praia é o nome popular para a alimentação artificial de praia – a areia é dragada, geralmente, do fundo do mar. Copacabana, no Rio de Janeiro, foi uma das primeiras a passar por este tipo de intervenção no Brasil, ainda na década de 1970. Nos últimos anos, no entanto, obras semelhantes se tornaram mais comuns, e estão sendo planejadas e executadas em diversos locais do litoral brasileiro.

Santa Catarina ganhou destaque nacional pela megaobra de Balneário Camboriú, finalizada em dezembro de 2021, num investimento de R$ 90 milhões. A faixa de areia aumentou, em média, de 25 metros para 70 metros. Mas, em junho deste ano, a cidade voltou a chamar a atenção – o mar tomou novamente parte da areia em um trecho da praia.

Além da Praia Central de Balneário Camboriú, já foram alargadas as praias de Canasvieiras e Ingleses, em Florianópolis, e a Praia Central, de Balneário Piçarras. 

Há projetos para intervenções em outras seis, incluindo Jurerê, na capital catarinense, e uma nova obra em Balneário Piçarras, a quarta daquele município.

Um estudo do Programa Ecoando Sustentabilidade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) analisou o cenário catarinense e fez diversos questionamentos. "Como as praias de interesse para alargamento são todas ocupadas, a ação humana afeta sobremaneira a largura da praia. Assim, o foco no alargamento da praia é uma medida simplista que tenta resolver um problema socioambiental complexo com uma única ação, ou seja, a adição de sedimentos", escreveram os pesquisadores em nota técnica.

Adaptação e mitigação

O litoral brasileiro vem perdendo área. Estudo do MapBiomas mostrou que entre 1985 e 2022 o espaço de praias, dunas e areais diminuiu 15%. De acordo com os pesquisadores, a perda está relacionada ao avanço de infraestruturas urbanas, silvicultura, pastagens, agricultura e pecuária. 

Em Santa Catarina, a diminuição foi ainda maior: cerca de 21,5%.

A proteção da costa é um dos principais argumentos usados para os alargamentos. Cenas de ruas, casas, bares e restaurantes destruídos à beira-mar têm se repetido. Em 2010, por exemplo, na Praia da Armação, em Florianópolis, cerca de 15 residências foram demolidas com a força da ressaca. Em 2021, no Morro das Pedras, próximo à Armação, sacos de contenção e paliçadas não aplacaram a fúria do mar, que danificou diversas moradias. Não há projetos para alargamento de nenhuma das duas.
A prefeitura de Balneário Camboriú considera o alargamento da praia um sucessoFoto: Prefeitura de Balneário Camboriú/Divulgação

As praias são formadas por uma espécie de ciclo autorregenerativo, que depende de fatores globais (nível do mar), regionais (sedimentos que chegam dos rios) e locais (como ocupação da orla). 
Com o nível da água subindo devido ao aquecimento global, a falta de sedimentos que chegam dos rios represados e a ocupação das áreas de preservação permanente, ocorre um déficit de areia.

O grupo da UFSC defende a recomposição dos sistemas ecológicos e a remoção das estruturas urbanas que estão em áreas de preservação permanente para a mitigação e adaptação ao cenário atual. "Porque se você remover as estruturas construídas e recompor os sistemas ecológicos, você estará protegido. Mas se mantiver as estruturas, estará brigando com o mar. Terá que estar o tempo todo fazendo manutenções para proteger a linha da costa", avaliou o pesquisador Paulo Roberto Pagliosa Alves, professor dos cursos de Oceanografia e Geografia da UFSC e um dos autores da pesquisa.

O estudo da UFSC analisou três obras executadas e as licenças emitidas, incluindo as de Jurerê, em Florianópolis, e Praia Central, em Balneário Piçarras. De acordo com a nota técnica, em todas as praias alimentadas artificialmente têm ocorrido processos erosivos mais intensos, como mostram os degraus formados na orla e o sumiço de parte da areia de Balneário Camboriú.

Os autores também detectaram problemas em praias próximas às alargadas. Canajurê, que fica entre Canasvieiras e Jurerê, recebeu tanta areia que tem causado transtornos no embarque e desembarque de uma marina. A prefeitura de Florianópolis não respondeu se planeja alguma ação no local.

Os pesquisadores alertaram ainda sobre o perigo para os banhistas. "Outro aspecto que chama bastante atenção é que na primeira obra executada [Praia de Canasvieiras] [...] houve um expressivo aumento de afogamentos, sendo três com mortes, numa praia cujo último registro de morte por afogamento havia ocorrido há mais de 20 anos."

Valorização imobiliária e duração das obras

A prefeitura de Balneário Camboriú considera o alargamento da praia um sucesso. Argumenta que, no início de novembro, quando a maré invadiu a orla do Rio de Janeiro, nada ocorreu no município catarinense. "Antes do alargamento, a Avenida Atlântica já foi tomada pelo mar algumas vezes, porém isso não aconteceu mais depois da obra", avaliou por e-mail, frisando que houve uma valorização imobiliária no município, cujos índices estão entre os mais altos do país.

De acordo com a prefeitura, a erosão de junho afetou 200 metros de um trecho de mais de cinco mil metros da praia. Para sanar o problema, foi elaborado um projeto para usar areia ensacada e manta geotêxtil para manter a praia confinada, a um custo de R$ 3,5 milhões – a obra aguarda licenciamento. Mesmo com esta perda parcial de sedimentos, o município afirmou que o alargamento foi projetado levando em conta um período de 100 anos.

Já em Itapoá, que receberá a areia de uma dragagem do Porto de São Francisco, o município informou que podem ocorrer alterações em bem menos tempo. "Estimativas embasadas nos projetos e nas modelagens computacionais dão conta de que a durabilidade poderá oscilar. Entretanto, possibilidades de diminuição do alargamento poderão ser sentidas na primeira década – mais ou menos em três anos. Porém, trata-se de força da natureza que não se controla", afirmou o secretário municipal de Meio Ambiente, o geógrafo Rafael Brito.

O histórico de intervenções em Balneário Piçarras mostra a dificuldade em lidar com a força do mar e como são necessárias manutenções constantes. Para prevenir alagamentos, árvores arrancadas e calçadas e deques destruídos, foram realizadas três obras na Praia Central: em 1999, 2008 e 2012. Agora, há um novo projeto sendo licitado.

O estudo que embasou o projeto sugere dragar 360 mil metros de areia para a praia, prolongar dois espigões e instalar quebra-mares, estruturas que ajudam a conter a força das ondas. O objetivo é "fornecer uma possível solução para os problemas de erosão". A prefeitura não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Mais estudos e participação popular

Devido ao tamanho das obras, apenas a de Balneário Camboriú precisou de Estudo de Impacto Ambiental (EIA). As outras exigem Estudo Ambiental Simplificado (EAS), porque movimentaram menos de 500 mil metros quadrados de sedimentos.

"Pela natureza do documento, o EIA tem que ser mais detalhado e ter uma abrangência maior que o estudo simplificado. Inclusive vai discutir por que uma obra está planejada para determinado local. Será que não teriam outras alternativas técnicas?", questionou Pagliosa. "A audiência pública é algo que dá visibilidade, traz a população para discutir o empreendimento. Acaba promovendo a discussão social".

Os pesquisadores propuseram uma atualização da Resolução do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) de 2017, que define o porte desses empreendimentos.

Com estudos aprofundados e mais participação popular, como sugerem os pesquisadores da UFSC, a questão se vale a pena alargar as praias provavelmente teria uma resposta mais convincente.