Perfil

Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

Mensagem aos leitores

Benvindo ao universo dos leitores do Izidoro.
Você está convidado a tecer comentários sobre as matérias postadas, os quais serão publicados automaticamente e mantidos neste blog, mesmo que contenham opinião contrária à emitida pelo mantenedor, salvo opiniões extremamente ofensivas, que serão expurgadas, ao critério exclusivo do blogueiro.
Não serão aceitas mensagens destinadas a propaganda comercial ou de serviços, sem que previamente consultado o responsável pelo blog.



sexta-feira, 1 de maio de 2015

Após 150 anos historiadores reescrevem a Guerra do Paraguai

Conflito entre o Paraguai e a Tríplice Aliança foi o maior da América do Sul. Durante mais de um século a historiografia foi marcada por mitos e pelo nacionalismo, hoje revistos pelos pesquisadores.
Paraguaios mortos na guerra

Há 150 anos, Brasil, Argentina e Uruguai se uniam para lutar contra o Paraguai na pior guerra da América do Sul. No dia 1° de maio de 1865 os três países assinaram em Buenos Aires o Tratado da Tríplice Aliança, que traçou a direção do conflito, transformando-o em uma guerra longa e sangrenta.

Até o final dos anos 1980 e início dos 1990, a historiografia sobre esse acontecimento partia de uma perspectiva nacionalista ou era baseada em uma visão que considerava o conflito fruto do imperialismo britânico e de seu modelo capitalista.

Hoje, graças ao acesso a documentos da época, os historiadores desfazem mitos que se perpetuaram no continente sul-americano desde o fim do conflito. Esse material só se tornou disponível após o fim da Guerra Fria, a queda de ditaduras latino-americanas e abertura de arquivos.

Assim, historiadores paraguaios, argentinos, brasileiros, uruguaios, europeus e americanos começaram a reescrever a história da guerra a partir da análise empírica dos fatos históricos, deixando de lado a idealização do conflito.

"Esses historiadores ainda são influenciados por ideias e conceitos existentes em seus países, claro, mas, ao mesmo tempo, têm uma formação acadêmica que permite evitar deturpações na análise do passado", afirma o historiador Francisco Doratioto, da Universidade de Brasília (UnB).

Análise histórica

Recentemente os pesquisadores esclareceram questões controversas sobre a Guerra do Paraguai, como os motivos que levaram Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai a travarem uma luta sangrenta até 1870.

"A Guerra do Paraguai pode ser interpretada como o ápice de um processo histórico que vem desde 1820, que é a formação dos Estados nacionais na região", afirma Doratioto, acrescentando que há diferentes interpretações sobre esse aspecto. "Algumas dão mais ênfase à geopolítica, outras abordam processos econômicos, mas não há dúvidas, por parte de historiadores que trabalham sobre o tema, de que a guerra teve causas regionais", reforça.

Já a suposta manipulação britânica foi desmistificada. "Não há prova arquivista da participação do Reino Unido. O que havia eram belas ideias, mas sem fundamento histórico", afirma o historiador Thomas Whigham, da Universidade da Georgia.

Conflitos na região do Rio da Prata eram comuns no século 19. A Guerra do Paraguai começou com uma intervenção de pequena escala, como tantas outras. Em outubro de 1864, o Brasil invadiu o Uruguai para defender cidadãos brasileiros residentes no país, que enfrentava uma guerra civil.
Igreja de Humaitá no Paraguai destruída na guerra

Em retaliação, o Paraguai apreendeu, em novembro, o vapor brasileiro Marquês de Olinda. Em dezembro, o ditador paraguaio Francisco Solano López declarou guerra ao Brasil e invadiu a região do Mato Grosso do Sul.

Guerra declarada

Em março de 1865, o Paraguai invadiu a província de Corrientes, na Argentina. Essa invasão foi o estopim para a assinatura do Tratado da Tríplice Aliança, que tornou o conflito ainda incerto em uma guerra, com o envolvimento de todos na região.

A assinatura do tratado ocorreu no dia 1° de maio de 1865. Por insistência brasileira, o documento estipulava a destituição de Solano López do governo paraguaio, o que limitava as possibilidades de uma solução diplomática para o conflito.

"Esse foi o primeiro grande tratado de cooperação entre Brasil e Argentina. Ele representou uma carta de intenção de que as armas não seriam depostas até que o governo de Solano López fosse derrotado", afirma o historiador Vitor Izecksohn, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

E, de fato, a guerra só iria terminar em 1870 com a morte de Solano López. O conflito impactou, em diferentes graus e maneiras, todos os países envolvidos. Em âmbito mais abrangente, ele definiu as fronteiras na região.

Tragédia paraguaia

O Paraguai foi arruinado na guerra. Grande parte da população morreu em consequência da guerra, não somente em combates, mas também de doenças e de fome. Estima-se que o país tenha perdido 90% da população masculina.

"Isso faz desse conflito uma guerra moderna com um número grande de civis mortos. Ela foi realmente devastadora para o Paraguai", afirma o historiador Hendrik Kraay, da Universidade de Calgary. Além do custo humano, ela prejudicou a economia do país, acabando com o modelo desenvolvimentista que havia sido adotado pelo governo paraguaio.

Para o Brasil, a guerra foi fundamental para a queda do Império, pois o Exército saiu fortalecido e com um orgulho institucional que não existia anteriormente. Ela também endividou o país, o que arranhou ainda mais a imagem da monarquia.

O conflito foi importante também para a unificação da Argentina, além de impulsionar sua modernização e seu desenvolvimento econômico.

"O caso mais irônico é o do Uruguai, que supostamente foi o estopim da guerra, mas saiu dela mais ou menos como estava antes", afirma Whigham.

A memória da Guerra do Paraguai continua bastante presente, principalmente, no Paraguai, mas também na Argentina e no Uruguai. "Os partidos políticos que estão no poder ou na oposição nesses países hoje são os mesmos daquela época. Então no Rio da Prata, a história continua presente na política atual", conta Dorioto.

Fonte: www.dw.de

Homicídio involuntário?


Seis policiais são acusados de morte de jovem negro nos EUA

A procuradora de Baltimore, Marilyn Mosby, anunciou hoje (1º) que a morte de Freddie Gray, falecido uma semana depois de detido, é um "homicídio" e que seis políciais estão acusados pelo crime; ela apresentou à imprensa as conclusões de um inquérito sobre a morte do homem de 25 anos, ocorrida em 19 de abril, e que provocou violentos distúrbios; Mosby adiantou que seis policiais, que tinham sido suspensos na semana passada, serão acusados por homicídio involuntário.

Fonte: http://www.brasil247.com/

De repente, Noblat começa a bater no PSDB - O que está havendo?



Colunista Ricardo Noblat compara o massacre de Beto Richa contra os professores com a violência ocorrida em 1988, quando o estado era governado pelo atual senador Alvaro Dias (PSDB-PR); "Álvaro já havia avisado que não conversaria com grevistas. Ainda assim, os professores marcharam em direção ao palácio do governo. Foram recebidos pela tropa de choque, pisoteados pela cavalaria da PM, atingidos por balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo", diz ele; "O PSDB parece não saber lidar com manifestações populares. Ou vai ver que ao seu modo sabe, sim".

Registro da Câmara reforça suspeita contra Eduardo Cunha

Deputado pode ter apresentado requerimentos na Câmara para investigar uma fornecedora da estatal que teria interrompido o pagamento de propinas, a Mitsui.

por Michael Caceres

As suspeitas de envolvimento do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, no esquema de corrupção da Petrobras foram reforçadas com a divulgação de um registro eletrônico da Câmara onde ele aparece como “autor” dos arquivos em que foram redigidos dois requerimentos que vão contra seu depoimento à CPI que investiga o caso.

Um dos delatores do esquema de pagamentos de propina na estatal, o doleiro Alberto Youssef, disse em delação premiada que, como forma de pressão, Cunha apresentou requerimentos na Câmara para investigar uma fornecedora da estatal que teria interrompido o pagamento de propinas, a Mitsui.

As suspeitas são de que Cunha teria usado a ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ) para apresentar o requerimento. Mas o parlamentar nega que tenha qualquer relação com os requerimentos.

“Eu não fiz qualquer requerimento pra quem quer que seja. (…) Cada um é responsável por seu mandato, como é que eu tenho conhecimento do que alguém faz ou deixa de fazer? Cada um responde por seus atos”, disse o parlamentar à CPI.

O presidente da Câmara está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e é acusado de ter se beneficiado dos pagamentos de propina. A investigação se baseia no depoimento de Yousseff e os dois requerimentos vinham sendo comentados por parlamentares que fazem oposição a Cunha.

Os requerimentos apresentados pela ex-deputada, hoje prefeita de Rio Bonito (RJ), pediam informações ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério de Minas e Energia sobre contratos da Mitsui com a Petrobras. Apesar de Youssef afirmar que o objetivo era intimidar a empresa e forçá-la a retomar o pagamento das propinas, Solange isentou Cunha ao depor à Polícia Federal.

Ao ser confrontado pela Folha de São Paulo sobre o fato de seu nome estar vinculado aos requerimentos, Cunha disse que provavelmente um dos computadores de seu gabinete foram usados pela então deputada ou por algum assessor que lhe pediu ajuda.

“Pode ser um funcionário dela que pode ter ido lá pedir à [minha] assessoria pra fazer, acontecia com vários deputados, até porque ela era suplente”, disse.

No sistema Cunha aparece como “autor” dos dois arquivos em que foram produzidos os requerimentos assinados por Solange. Além disso, Solange assumiu o mandato quatro meses antes da apresentação dos requerimentos.

Fonte: http://noticias.gospelprime.com.br/

Malafaia critica indicado de Dilma Rousseff ao STF



Fachin é diretor de um órgão que defende projetos questionáveis

por Leiliane Roberta Lopes


O pastor Silas Malafaia resolveu gravar um vídeo para denunciar a indicação de Luiz Edson Fachin para a vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo para não aceitá-lo no STF seriam as propostas defendidas pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), do qual era diretor.

Se você não conhece o IBDFAM está por trás de alguns projetos como o direito a pensão para amantes; a esterilização do esposo ou da esposa sem o consentimento do seu cônjuge; a desapropriação de terras produtivas e outros.

No vídeo Malafaia chega a citar a resolução que permite que crianças transgêneros usem o banheiro do sexo oposto mesmo sem a autorização de seus pais, seguindo apenas a sua orientação sexual.

“Nós estamos vivendo uma situação terrível na nossa nação”, alerta o religioso. Malafaia pede aos internautas entrem em contato com os senadores para barrarem a indicação de Fachin ao STF.

“Se você é a favor da família, é a favor dos bons costumes, se você é contra o sistema comunista diga não a Fachin!”, diz Silas Malafaia.

O pastor assembleiano também pediu para que os internautas acessem o blog de Reinaldo Azevedo, da Veja, para que leiam sobre Fachin e sobre o IBDFAM. “É um absurdo aprovar um cara desse para o Supremo Tribunal Federal”, diz.

Fonte: GOSPEL PRIME

FERREZ | ESCRITOR BRASILEIRO: “Até hoje eu não sei o que é pior: a igreja ou a droga”


Para autor da periferia, a elite e a imprensa conseguem fazer com que o povo fique contra o povo. "O culpado é a vítima. Sempre"




Ferrez. / FERNANDO CAVALCANTI

"Vocês não vão fechar a minha loja, né? Aqui é o meu ganha pão", perguntou Ferrez, ao ver o cenário que o fotógrafo montava para fazer a foto ao lado, ocupando quase todo o espaço. O escritor acabava de chegar, pontualmente no horário combinado para essa entrevista, à sua loja, a 1DASUL, no Capão Redondo. O bairro, que fica a mais de uma hora de distância do centro de São Paulo, abriga a loja de roupas e acessórios que o escritor paulistano de 39 anos criou há 16 anos. "Livro não dá dinheiro, só dá Ibope", diz ele, que está publicando seu 11º livro, Os ricos também morrem, pela Editora Planeta. A pergunta, que assustou, foi seguida de piada.

Autor da chamada 'literatura marginal' ou 'literatura combativa' - ou os dois—, Ferrez começou a escrever aos sete anos, copiando trechos da Bíblia porque "era o único livro que eu tinha na mão". Aos 12, escrevia poesia. Em 1997, lançou o primeiro livro de poemas. Seu pai, que foi motorista a vida toda, levou carne para a família comer pela primeira vez quando Ferrez tinha 15 anos. A realidade na periferia vivida pelo escritor é o que alimenta as linhas agressivas dos seus textos. Crítico e ácido, Ferrez é também irônico e engraçado, características muito expostas nos contos do novo livro.

Nasceu em Valo Velho, um bairro pertencente ao Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. Foi para o Capão aos três anos de idade, onde vive até hoje com a mulher e uma filha. Não pensa em sair de lá, ainda que seja um dos bairros mais perigosos de São Paulo. Pouco após o término desta entrevista, houve um assassinato em uma rua próxima de onde estávamos, segundo informava a rádio. Ferrez não cogita ir embora do bairro por duas razões: A primeira é que "aqui eu sou importante. Em outro lugar, eu não sou nada". E a segunda tem a ver com a sua própria literatura e sua própria voz: "Daqui eu tiro o tom das minhas histórias".

Eu acho fantástico o poder da mídia e da classe alta. Eles conseguem fazer com que o povo fique contra o povo

Pergunta. Seu novo livro é feito apenas de contos inéditos?

Resposta. Não, já publiquei alguns. Mas eu fiz esse livro para ser falado na rua, para ser uma piada. Eu queria sentir o que eu senti quando escrevi Capão Pecado (seu primeiro romance, publicado em 2000) e o Manual Prático do Ódio (2003), que é ver as pessoas comentarem sobre os personagens nas ruas...

P. Isso acontecia?

R. Muito. As pessoas me paravam na rua e diziam “meu, e aquela mina é mó pilantra, traiu o cara...” Eu ia nas escolas e os alunos me paravam para perguntar sobre um capítulo do livro. Me ligavam da cadeia pra perguntar do Manual Prático do Ódio. Me diziam “mano, não to entendendo, fala aí, o que que quer dizer isso?”. E eu dizia: mano, cê tá falando de onde? De [presídio] Presidente Bernardes? Para, to fora”.

P. E você queria que isso acontecesse de novo?

R. Sim, porque deu saudade de ver as pessoas comentando. O que eu tinha era isso, eu não tenho mais nada além de ver as pessoas lendo as minhas histórias e comentando comigo. Eu cheguei a escrever um livro com contos mais formais e tinha uns oito contos prontos.

P. Formais, você quer dizer com uma linguagem menos coloquial que essa sua?

Não tem como você escrever uma coisa, sair na esquina, ver um cara morto e não sentir nada

R. Isso. E aí eu estava numa festa e queria fazer as pessoas rirem, e aí eu começava a dizer: “você viu a história do Bolonha?”, aí eu contava a história do Bolonha, as pessoas começavam a rir... E aí eu ia ler meus contos novos, esses mais formais, e ninguém prestava atenção. E eu falava: O que foi? E as pessoas: Conta a história do Bolonha, mano. Mas aquilo era uma brincadeira, eu dizia. Não, mas aquilo é mais da hora que isso aí. Aí eu escrevi esses contos e passei a ler eles nas escolas. A história do pintinho é a mesma coisa (um dos contos do novo livro). A história do ovo também é boa, onde eu vou as pessoas pedem. Na Alemanha já me pediram “conta a história do ovo”.

P. Mas são ficções então? Não são histórias reais.

R. Não, mas eu pego o tom das pessoas.

P. É por isso que você precisa viver aqui no Capão Redondo...

R. Isso. Eu não pego a história, eu pego o tom das pessoas. Se uma mulher passa aqui [na padaria onde estávamos] e diz “para de beijar o menino, tira essa boca de chupar rola do menino”, isso é muito foda! (risos) Eu tenho que escrever um conto com isso. Se você falar isso na escola, você ganha todo mundo. Eu fico convivendo com essa mulher dentro de mim e incorporo nos contos.

P. Mas você tem um tipo de literatura combativa...

A direita teve que engolir o PT há muito tempo, teve que engolir uma mudança no rumo social do país

R. Eu não fujo disso. Todo lugar que eu estou no mundo, quando estou falando de literatura combativa, tem autor que diz que não tem esse compromisso, que não é prisioneiro disso ou daquilo. Eu acho lindo isso, mas não tem como você escrever uma coisa, sair na esquina, ver um cara morto e não sentir nada. Se você consegue fazer isso, boa sorte. Mas eu não consigo.

P. Sim, mas é um eterno debate entre os escritores que não querem compromisso e os que querem mudar as coisas através da literatura, que é uma ideia velha... Na Europa, por exemplo, muita gente diz que ser combativo na literatura é uma ideia velha, ultrapassada...

R. Mas agora que a Europa está entrando em crise, talvez voltem a ser mais combativos. É que eles viveram da América Latina por muito tempo, sugaram tudo o que a gente tinha em termos de ouro, de madeira, levaram as nossas pedras pra lá pra fazer o chão onde hoje eles pisam, passaram séculos sem trabalhar. Agora, talvez eles voltem a ser combativos.

A igreja evangélica fez o que a gente prometeu fazer, que era mudar a periferia

P. Você acha que os livros podem mudar a vida das pessoas daqui do Capão Redondo?


R. Eu tenho prova [de que isso é possível] todas os dias. Tem gente aqui que já está na segunda faculdade e o primeiro livro que leu foi o meu. Eu não sou salvador de ninguém. Mas não sou o contraexemplo também. O cara não vai me ver fumando maconha na rua, batendo na minha mulher. Eu lido com criança também. Eu faço livro pra criança e tenho um projeto pra criança. Se eu entrar para falar com a criança e estiver bêbado, que exemplo eu vou estar dando? Todo mundo bebe na favela. Não precisam de mais um. Todo escritor tem essa coisa de pagar de louco, beber, fumar. Mas aqui é outra realidade. O moleque apanha do pai que bebe. Então não dá pra ser assim. De vez em quando eu tomo uma cachaça com um amigo ou outro. Mas os caras aqui ostentam. Porque tudo pra pobre é excesso. Ele tem que beber e encher essa mesa de cerveja, pro vizinho dele ver e falar “porra, o cara tá abonado, bebendo 200 cervejas”.

P. Você disse no ano passado, em uma entrevista, que “o rolezinhoera só o começo”. No que mais deu esse movimento da periferia?

R. Eu acho que não é um movimento. É a aceitação de um novo país. É as pessoas estarem preparadas para entender que tem gente que ascendeu financeiramente e que tem que participar das coisas boas que aquela faixa de consumo pode alcançar. Ter acesso ao shopping faz parte, comprar tênis de marca faz parte, andar de avião faz parte. Tem um monte de coisa que faz parte, só que a gente [a periferia] tem um jeito diferente de fazer as coisas e essa elite vai ter que entender isso.

P. Todo mundo está falando da chegada de uma crise econômica nesse momento. Como você, que além de escritor também é empresário, sente isso? A crise chegou na favela?

80% das pessoas querem a redução da maioridade penal. Claro. O cara assiste a quatro horas de Datena por dia. Eu também iria querer.

R. Pra gente nunca foi fácil. Enquanto está todo mundo falando que está bem, pra gente sempre foi pior. Mas de dezembro do ano passado pra cá piorou muito. Hoje mesmo eu estava dando uma entrevista aqui e a menina que trabalha aqui [na padaria] disse “fala aí na entrevista, que com esse salário que eu recebo, eu não to conseguindo nem comer”. E é verdade. Tá foda.

P. Tem muita gente sendo demitida?

R. Muita gente. Eu mesmo demiti, tive que enxugar. Toda conversa que você tem aqui é de gente desesperada dizendo “porra, não estava assim”. De cinco, seis meses pra cá, o negócio deu uma piorada.

P. É dessa situação que vem esse ataque de ódio que o Governo vem sofrendo?

R. A direita teve que engolir o PT há muito tempo, teve que engolir uma mudança no rumo social do país. Eles [a direita] estão putos com isso até hoje. Você vê isso quando está num shopping. Eles olham pra mim e olham pro meu povo de um jeito diferente. Se eu for com quatro moleques pretos no shopping, isso causa. Fica todo mundo olhando. O cara não tá mais acostumado a dividir o espaço dele.

P. Certa vez você disse que a periferia ficou órfã do PT. Alguma coisa preenche esse espaço que o PT vem deixando?

Quando o cara diz que tem que fazer e acontecer, daqui a dois meses morre um moleque assassinado na periferia

R. Estamos vivendo um hiato muito grande e um momento histórico que pode ser muito traumático daqui pra frente. A gente tá sendo massacrado pela polícia, não temos apoio da sociedade e ao mesmo tempo tem muito de nós desistindo. E nós somos os comunicadores. Depois de nós vem o funk, os moleques loucos de 16 anos que não têm mentalidade nenhuma e pregam a ostentação. Eu to com muito medo só de a gente parar e esses moleques pegarem essa mediação com a sociedade.

P. As igrejas evangélicas não fazem um pouco esse papel de mediação?

R. A igreja evangélica fez o que a gente prometeu fazer, que era mudar a periferia. Eles pegaram todos os moleques e falaram “vão lá entregar jornal de graça pra gente”.



R. É má. Até hoje eu não sei o que é pior: A igreja ou a droga. O cara não pensa por ele. Quando o Silas Malafaia fala as besteiras que ele fala, por exemplo, ele não sabe o que é ser homossexual na periferia. Ele não sabe como o cara apanha, é mutilado, é tratado como lixo. Ele não tem noção de como é criminosa a fala dele. Esses caras têm o dom da palavra. E quando você tem o dom da palavra, você convence quem você quiser.


P. Mas esse espaço, preenchido seja pelo funk ou seja pela igreja, sem vai existir....

R. Sempre. Mas é preciso haver uma mediação. Quem vai mediar? É o dono de uma ONG xarope, que só quer ganhar dinheiro? Por exemplo, eu pego um táxi. A maioria dos taxistas é de ultradireita. Aí eles começam a falar da Dilma, reclamar, dizer que os moleques novos têm que morrer... Eu já digo: para. Aí eles perguntam se eu sou do PT e eu digo: não sou de nada. Só que eu não vou ficar engolindo as suas lorotas. Tô cansado. Ou você dirige e fica na moral, ou você me ouve também, ou você para o carro que eu vou descer. O moleque da periferia começa a morrer num diálogo desses.

P. Por quê?

R. Quando o cara diz que tem que fazer e acontecer, daqui a dois meses morre um moleque assassinado na periferia, porque essa conversa vai chegar em alguém que vai tomar uma atitude. O dono do comércio pressiona, o político pressiona, o policial vai lá e executa. Todo mundo pressiona, porque as palavras têm poder. Os julgamentos são da boca pra fora, porque as pessoas são guiadas pela mídia.Você vê em pesquisa: 80% das pessoas querem a redução da maioridade penal. Claro. O cara assiste a quatro horas de Datena [José Luiz Datena, apresentador do programa sensacionalista Brasil Urgente, na Band] por dia. Eu também iria querer. Por exemplo, o cara vem do Nordeste pra cá sofrendo, apanhando do pai com vara. Chega aqui, trabalha, sofre pra caramba pra ter alguma coisa, quando alguém rouba ele, ele acha que esse cara tem que morrer mesmo. Esse foi o tratamento que ele recebeu a vida toda. Aí quando vem um cara que defende isso é candidato, ele vai votar nesse cara mesmo. Porque não tem orientação política.

P. Por isso tem muito pobre que é contra o Bolsa Família?

R. É aí que eu acho fantástico o poder da mídia e da classe alta. Eles conseguem fazer com que o povo fique contra o povo. O culpado é a vítima. Sempre.

P. Não dá um desânimo?

R. Dá, pra caralho. Mas é o que eu tenho (risos).

Alemanha ajudou os Estados Unidos a espionarem países europeus


Escândalo da colaboração entre o BND e a NSA deixa sob pressão o Governo de Merkel




Angela Merkel, em um ato em Berlim em 29 de abril. / JOHN MACDOUGALL (AFP)

O escândalo da colaboração entre os serviços secretos alemães com a Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA) ganhou força até transformar-se em uma séria ameaça ao Governo de Angela Merkel. A revelação de que os norte-americanos utilizaram as instalações do BND – os serviços secretos da Alemanha para o exterior – para espionar locais tão emblemáticos como o Palácio do Eliseu (sede da presidência da França), o ministério dos Assuntos Exteriores francês, ou a Comissão Europeia mira o coração das relações da Alemanha com seus vizinhos europeus.

A informação publicada nesta quinta-feira pelo jornal Süddeutsche Zeitung e as redes de televisão NDR e WDR sacudiu os alicerces da política berlinense. Já não se trata somente de espiões alemães dando informação aos seus colegas norte-americanos sobre empresas, ou a suspeita cada vez mais fundada de que o ministro do Interior, o democrata-cristão Thomas de Maizière, mentiu ao Parlamento.


“Espionar os amigos é inaceitável”, disse categoricamente Merkel ao presidente Barack Obama em outubro de 2013, no auge do escândalo pelas escutas norte-americanas, que não respeitaram nem mesmo o celular da chanceler. Mas essas palavras podem agora voltar-se contra a líder alemã. Porque, segundo o Süddeutsche Zeitung, a espionagem a empresas foi feita somente em caráter excepcional. “O objetivo primordial era a espionagem política a nossos vizinhos europeus e às instituições da União Europeia”, diz o jornal, que cita fontes da chancelaria e do BND.

A rodada de revelações que começou em meados de abril deixa Merkel e seu partido democrata-cristão em uma situação muito delicada. As críticas da oposição vão desde os esquerdistas do Die Linke, que acusam o Executivo de “traição à Pátria” até os liberais, que exigem que Merkel peças desculpas aos líderes europeus. Dentro do Governo de grande coalizão também se começa a ouvir o mal-estar. Seu número dois e líder dos social-democratas, Sigmar Gabriel, pediu explicações por fatos que tachou de “escandalosos”.

Mas Merkel e seus porta-vozes permanecem calados por enquanto. Desde que na penúltima semana de abril admitiram que o BND padecia “de déficit técnico e organizacional” que precisava “ser sanado”, negaram-se a explicar quais consequências políticas esse escândalo trará. A oposição pede a demissão do presidente dos serviços secretos, Gerhard Schindel. Mas mesmo que Merkel ofereça sua cabeça, é pouco provável que se conformem com isso.

Fonte: http://brasil.elpais.com/

VENENO SEM CONTROLE - O “alarmante” uso de agrotóxicos no Brasil atinge 70% dos alimentos

Em Santo Amaro da Imperatriz, não vejo um técnico ensinando o manejo de venenos, menos ainda controlando aplicações.
É preciso instituir uma licença a ser requerida por quem deseje aplicar agrotóxicos. Trata-se de preservação da saúde coletiva e tolerar a aplicação de "remédios"sem o menor controle é uma tremenda irresponsabilidade.
Onde anda o Ministério Público, que não age em defesa do interesse coletivo?

-=-=-=-

Mais da metade das substâncias usadas aqui é proibida em países da UE e nos EUA



Produtor, em meio a uma plantação. / AFP

Imagine tomar um galão de cinco litros de veneno a cada ano. É o que os brasileiros consomem de agrotóxico anualmente, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). "Os dados sobre o consumo dessas substâncias no Brasil são alarmantes", disse Karen Friedrich, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Desde 2008, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos. Enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial desse setor cresceu 93%, no Brasil, esse crescimento foi de 190%, de acordo com dados divulgados pela Anvisa. Segundo o Dossiê Abrasco - um alerta sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde, publicado nesta terça-feira no Rio de Janeiro, 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos. Desses, segundo a Anvisa, 28% contêm substâncias não autorizadas. "Isso sem contar os alimentos processados, que são feitos a partir de grãos geneticamente modificados e cheios dessas substâncias químicas", diz Friederich. De acordo com ela, mais da metade dos agrotóxicos usados no Brasil hoje são banidos em países da União Europeia e nos Estados Unidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre os países em desenvolvimento, os agrotóxicos causam, anualmente, 70.000 intoxicações agudas e crônicas.

O uso dessas substâncias está altamente associado à incidência de doenças como o câncer e outras genéticas. Por causa da gravidade do problema, na semana passada, o Ministério Público Federal enviou um documento à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendando que seja concluída com urgência a reavaliação toxicológica de uma substância chamada glifosato e que a agência determine o banimento desse herbicida no mercado nacional. Essa mesma substância acaba de ser associada ao surgimento de câncer, segundo um estudo publicado em março deste ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS) juntamente com o Inca e a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). Ao mesmo tempo, o glifosato foi o ingrediente mais vendido em 2013 segundo os dados mais recentes do Ibama.

Em resposta ao pedido do Ministério Público, a Anvisa diz que em 2008 já havia determinado a reavaliação do uso do glifosato e outras substâncias, impulsionada pelas pesquisas que as associam à incidência de doenças na população. Em nota, a Agência diz que naquele ano firmou um contrato com a Fiocruz para elaborar as notas técnicas para cada um dos ingredientes - 14, no total. A partir dessas notas, foi estabelecida uma ordem de análise dos ingredientes "de acordo com os indícios de toxicidade apontados pela Fiocruz e conforme a capacidade técnica da Agência".

Enquanto isso, essas substâncias são vendidas e usadas livremente no Brasil. O 24D, por exemplo, é um dos ingredientes do chamado 'agente laranja', que foi pulverizado pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, e que deixou sequelas em uma geração de crianças que, ainda hoje, nascem deformadas, sem braços e pernas. Essa substância tem seu uso permitido no Brasil e está sendo reavaliada pela Anvisa desde 2006. Ou seja, faz quase dez anos que ela está em análise inconclusa.

O que a Justiça pede é que os ingredientes que estejam sendo revistos tenham o seu uso e comércio suspensos até que os estudos sejam concluídos. Mas, embora comprovadamente perigosos, existe uma barreira forte que protege a suspensão do uso dessas substâncias no Brasil. "O apelo econômico no Brasil é muito grande", diz Friedrich. "Há uma pressão muito forte da bancada ruralista e da indústria do agrotóxico também". Fontes no Ministério Público disseram ao EL PAÍS que, ainda que a Justiça determine a suspensão desses ingredientes, eles só saem de circulação depois que os fabricantes esgotam os estoques.

O consumo de alimentos orgânicos, que não levam nenhum tipo de agrotóxico em seu cultivo, é uma alternativa para se proteger dos agrotóxicos. Porém, ela ainda é pouco acessível à maioria da população. Em média 30% mais caros, esses alimentos não estão disponíveis em todos os lugares. O produtor Rodrigo Valdetaro Bittencourt explica que o maior obstáculo para o cultivo desses alimentos livres de agrotóxicos é encontrar mão de obra. "Não é preciso nenhum maquinário ou acessórios caros, mas é preciso ter gente para mexer na terra", diz. Ele cultiva verduras e legumes em seu sítio em Juquitiba, na Grande São Paulo, com o irmão e a mãe. Segundo ele, vale a pena gastar um pouco mais para comprar esses alimentos, principalmente pelos ganhos em saúde. "O que você gasta a mais com os orgânicos, você vai economizar na farmácia em remédios", diz. Para ele, porém, a popularização desses alimentos e a acessibilidade ainda levarão uns 20 anos de briga para se equiparar aos produtos produzidos hoje com agrotóxico. 

Bittencourt vende seus alimentos ao lado de outras três barracas no Largo da Batata, zona oeste da cidade, às quartas-feiras. Para participar desse tipo de feira, é preciso se inscrever junto à Prefeitura e apresentar todas as documentações necessárias que comprovem a origem do produto. Segundo Bittencourt, há uma fiscalização, que esporadicamente aparece nas feiras para se certificar que os produtos de fato são orgânicos.

No mês passado, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT)sancionou uma lei que obriga o uso de produtos orgânicos ou de base agroecológica nas merendas das escolas municipais. A nova norma, porém, não tem prazo para ser implementada e nem determina o percentual que esses alimentos devem obedecer.

Segundo um levantamento da Anvisa, o pimentão é a hortaliça mais contaminada por agrotóxicos (segundo a Agência, 92% pimentões estudados estavam contaminados), seguido do morango (63%), pepino (57%), alface (54%), cenoura (49%), abacaxi (32%), beterraba (32%) e mamão (30%). Há diversos estudos que apontam que alguma substâncias estão presentes, inclusive, no leite materno.

No ano passado, a pesquisadora norte-americana Stephanie Seneff, do MIT, apresentou um estudo anunciando mais um dado alarmante: "Até 2025, uma a cada duas crianças nascerá autista", disse ela, que fez uma correlação entre o Roundup, o herbicida da Monsanto feito a base do glifosato, e o estímulo do surgimento de casos de autismo. O glifosato, além de ser usado como herbicida no Brasil, também é uma das substâncias oficialmente usadas pelo governo norte-americano no Plano Colômbia, que há 15 anos destina-se a combater as plantações de coca e maconha na Colômbia.

Em nota, a Anvisa afirmou que aguarda a publicação oficial do estudo realizado pela OMS, Inca e IARC para "determinar a ordem prioritária de análise dos agrotóxicos que demandarem a reavaliação".


Os alimentos mais contaminados pelos agrotóxicos

Em 2010, o mercado brasileiro de agrotóxicos movimentou 7,3 bilhões de dólares e representou 19% do mercado global. Soja, milho, algodão e cana-de-açúcar representam 80% do total de vendas nesse setor. 

Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), essa é a lista da agricultura que mais consome agrotóxicos:
Soja (40%)
Milho (15%)
Cana-de-açúcar e algodão (10% cada)
Cítricos (7%)
Café, trigo e arroz (3 cada%)
Feijão (2%)
Batata (1%)
Tomate (1%)
Maçã (0,5%)
Banana (0,2%)

As demais culturas consumiram 3,3% do total de 852,8 milhões de litros de agrotóxicos pulverizados nas lavouras brasileiras em 2011.

Fonte: http://brasil.elpais.com/

TRABALHISMO - Terceirizados: muito exigidos, mas pouco reconhecidos

Trabalhadores apontam distorções geradas em regime de contratação terceirizada




Operário em fábrica no Rio Grande do Sul. / PEDRO REVILLION/ PALÁCIO PIRATINI (26/07/2013)

Enviar
Imprimir
Salvar


Definitivamente este primeiro de maio terá um gosto amargo para Edgard Aparecido Pescara, de 42 anos. Ele integra o grupo dos mais de 13 milhões de trabalhadores brasileiros terceirizados e acompanhou com grande frustração o desenrolar da lei que amplia esse tipo de mão de obra para todas as atividades de uma empresa. "É um retrocesso. Estamos bem apreensivos, torcendo para que esse projeto não passe no Senado e precarize ainda mais o mercado de trabalho brasileiro. A verdade é que o sonho de qualquer terceirizado é ser funcionário", explica.

Ele trabalha há 8 anos como terceirizado na área de logística de uma das principais montadoras do país e vê, dia a dia, as diferenças entre ele e os funcionários contratados pela empresa. "Para começar, o meu salário é de 1.800 reais enquanto um contratado da montadora, que exerce a mesma função, ganha 4.500 reais. A PLR (Participação de Lucros e Resultado) deles chega a 16.000 reais e o meu não passa de 2.500", ressalta Pescara.

Um levantamento realizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), há cinco anos, mostrou que os terceirizados recebiam em média 27% a menos que os contratados diretos.

No entanto, as diferenças não param por aí em alguns casos. Outros benefícios, como o seguro de saúde, possuem uma disparidade grande. "O do terceirizado é o básico e o do funcionário completo. Sem citar outro problemas que enfrento com a terceirizada que está atrasada com o nosso FGTS. Na montadora não vejo isso acontecer", explica Pescara. "Não seria mais fácil migrar os milhões de terceirizados para o efetivo do que aumentar ainda mais as pessoas nessa situação?", argumenta.

Para o terceirizado de logística, um dos grandes prejuízos nesse tipo de contratação é que não há garantia da filiação dos terceirizados no sindicato da atividade da empresa. "O meu sindicato, por exemplo, não é mais o dos metalúrgicos. É um sindicato de gaveta, apenas para constar, totalmente sem força", diz. 

Desde que o projeto entrou na pauta do Congresso foi dada a largada para um cabo de guerra entre os partidos e principalmente entre os empresários e os trabalhadores. Se, por um lado, trabalhadores representados pelos sindicatos argumentam que seria o fim dos direitos trabalhistas e o início de demissões e achatamento dos salários, do outro, os empresários dizem que as novas regras trarão competitividade e criarão novas vagas.

Na opinião de especialistas que apoiam a proposta, só o fato de regulamentar algo que hoje não é definido por lei já gera uma segurança jurídica. Hoje, a terceirização é regulada pela súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho e permite somente que as empresas terceirizem suas atividades-meio, como segurança e limpeza.

"Você é exigido tanto quanto um funcionário, mas não é reconhecido da mesma forma"

Terceirizada de uma farmacêutica

Porém, em um ambiente já complicado de crise econômica e crescimento do desemprego, o mais alto desde maio de 2011, o que os profissionais terceirizados ouvidos pela reportagem avaliam é que a medida dará aval para que empresários economizem as despesas das empresas às custas do salário mais baixo dos trabalhadores.

Ex-terceirizada de uma empresa da área de produção de aço, Letícia (nome fictício) afirma que a prática era comum na área de comunicação da companhia. "Eles tinham jornalistas contratados, mais muitos terceirizados também. É uma forma da empresa ter profissionais a um preço mais barato e de poder contratá-los em tempos de redução de mão de obra", explica.

Há dois anos trabalhando como terceirizada na área de pesquisa de vacinas de uma empresa farmacêutica, Cristina, de 31 anos, não pensa em repetir a experiência em uma próxima oportunidade de emprego. "Você é exigido tanto quanto um funcionário, mas não é reconhecido da mesma forma", explica. Cristina lamenta não possuir alguns benefícios exclusivos dos funcionários da farmacêutica: participação nos lucros, acesso ao ambulatório, estacionamento, convênio com farmácias.

"A diferença é gritante. E acabo recebendo ordem direta das duas empresas. No meu caso, tenho limitação até para acessar parte do sistema da empresa que é só permitido para contratados diretos. Não vejo como essa lei pode ajudar um trabalhador", lamenta.


Dilma se diz contra 'coração' do projeto, que tramita no Senado

O projeto da Lei da Terceirização ainda será levado ao plenário do Senado Federal, onde, em princípio, deverá sofrer restrições. O presidente da casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), já disse que encaminhará a proposta para uma comissão estudá-la com afinco e vem cobrando da presidenta Dilma Rousseff uma posição clara do que pensa sobre o projeto. 

Nesta quinta-feira, a presidenta, que desistiu de fazer um discurso televisionado neste dia dos trabalhadores por temer uma onda de panelaços,se reuniu com o representantes do principais representantes sindicais e defendeu que a regulamentação da lei da Terceirização é urgente, mas que não pode afetar a arrecadação de impostos nem diminuir o direito dos trabalhadores.

“A regulamentação do trabalho terceirizado precisa manter, do nosso ponto de vista, a diferenciação entre atividade-fim e atividade-meio”, afirmou, dando sinais claros que está contra o o ponto principal do projeto e cada vez mais pressionada a vetar a medida.

Fonte: http://brasil.elpais.com/

Rádio ATEIA - Homenagem aos sofridos trabalhadores da construção civil