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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Os judeus que desaprovam a política de Israel para Gaza


Julio García
Da BBC Mundo



Integrantes do grupo Combatentes pela Paz, formado por israelenses e palestinos, pedem o "fim da guerra"

A ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, que em pouco mais de duas semanas tirou a vida de cerca de 700 palestinos e ao menos 30 soldados israelenses, é condenada por muitos na comunidade internacional. Mas também há dentro do país quem se oponha à operação.

Estas pessoas formam uma parte minoritária e bastante diversificada da sociedade israelense, segundo especialistas.

Um sinal do descontentamento de um segmento da comunidade judia com a postura de seu governo é um vídeo que se popularizou na internet nos últimos dias. Nele, um jovem judeu americano que protesta em defesa dos palestinos e critica o papel dos Estados Unidos no conflito é preso pela polícia.

O vídeo foi feito há alguns anos, mas a mensagem ainda se mantém válida e reflete o sentimento de judeus que repudiam as ações israelenses contra os palestinos.

Ainda que não necessariamente apoiem o Hamas, o grupo palestino engajado em combates com Israel, estes ativistas argumentam que não há provas de que o movimento seja culpado pela morte dos três adolescentes israelenses que serviu de estopim para o recente conflito.
'Ocupação'

Uma das organizações críticas a Israel é a Rompendo o Silêncio, formada por soldados israelenses decepcionados com sua experiência. Seu porta-voz, Eran Efrati, um ex-soldado de 29 anos que vive em Jerusalém, considera um "massacre" a campanha de seu país em Gaza.

Para ele, "há um cerco de mais de dez anos a Gaza e uma ocupação de mais de 65 anos". "Estamos oprimindo seres humanos e, claro, devemos esperar resistência", afirmou.


Manifestantes dizem que não há provas de culpa do Hamas na morte de três israelenses

Criado em 2009, o grupo Shministim é formado por estudantes do último ano do ensino médio que se opõem não apenas às ações israelenses contra Gaza, mas também ao serviço militar obrigatório, que deve ser cumprido quando se completa 18 anos.

Com a atual crise em Gaza, o governo israelense convocou 75 mil reservistas. Os membros do grupo não querem fazer parte do que definem como um "Exército de ocupação".

"O Hamas é um movimento de resistência. Como qualquer povo ocupado, os palestinos resistem, às vezes com violência, a uma ocupação muito violenta", disse à BBC Maya Wind, que pertenceu a esse grupo e esteve presa em 2010 por se negar a prestar o serviço militar.

Wind ressalta que não concorda com o Hamas. "Não gosto deles por várias razões, mas reconheço que haverá resistência enquanto houver ocupação."

Por outro lado, pondera que o Hamas não foi a causa da ocupação, e sim a sua consequência. "Quando a ocupação terminar, o Hamas acabará."

Hai Ashkenazi, membro do grupo Combatentes pela paz - integrado por israelenses e palestinos que se reúnem uma vez por mês - disse à BBC que o "Hamas é um movimento muçulmano extremista, mas há movimentos ainda mais extremistas".

"Muitos em Israel pensam que é preciso aniquilar o Hamas, mas pode surgir algo pior, como a al Qaeda", afirmou.

"Acredito que devemos dialogar com o Hamas. Acho que eles aceitariam o cessar-fogo e, ainda que não aceitem Israel como país, teríamos uma trégua de dez ou 20 anos, o que seria muito bom."
Pouca influência

Para o coordenador do Instituto Nacional de Estudos de Segurança, em Tel Aviv, Yehuda Ben Meir, os grupos que se opõem à ação em Gaza "são muito pequenos".

"Duvido que representem sequer 5% da população, se tanto", disse ele à BBC.

Ben Meir, coautor de um artigo sobre a opinião pública israelense no tema dos palestinos, afirma que "segundo todos os estudos feitos e as pesquisas mais recentes, mais de 90% da população judia de Israel apoiam a estratégia militar do governo e mais de 80% apoiam a invasão por terra".

Artistas em Tel Aviv, um dos principais alvos dos foguetes do Hamas, também protestaram contra invasão

Ainda assim, destacou Ben Meir, sendo Israel uma sociedade democrática e plural, os grupos tidos como de "extrema esquerda" são livres para se manifestar.

Mas nem todos que se opõem à estratégia de Israel estão à esquerda. Também há um grupo de judeus ultraortodoxos, chamado Neturei Karta (Guardiões da Cidade).

São antissionistas, por assim dizer, que se opõem à existência do Estado israelense por razões religiosas: eles acreditam que, até a vinda do Messias, estão proibidos de ter seu próprio Estado.

Assim como outros grupos de oposição, eles rechaçam o serviço militar obrigatório.

Segundo Ben Meir, "representam uma porcentagem insignificante, de menos de 1% da população".

"Há duas pequenas comunidades em Nova York, nos Estados Unidos, e em Toronto, no Canadá, e talvez 2 mil ou 3 mil pessoas em Israel."
Diferentes visões

Se os grupos que se opões às ações israelenses em Gaza são pouco numerosos, eles apresentam uma variedade de soluções que acreditam ser adequadas para resolver o conflito.

"Temos que abrir a fronteiras, permitir que as pessoas trabalhem, consigam alimentos e outras mercadorias", diz o ex-soldado Eran Efrati. "(Precisamos) dar a eles o controle de seu mar, de entrar e sair à vontade, e então poderíamos esperar algum tipo de processo de paz."

Sydney Levy, da organização americana Voz Judía pela Paz, avalia que "o mais importante obviamente é um cessar-fogo".

"Mas isso não é suficiente. Precisamos acabar com a ocupação israelense em Gaza, libertar os presos políticos e criar condições básicas para a igualdade e para os direitos humanos."

Levy está de acordo com o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quanto ao direito de Israel de defender seus cidadãos, mas acrescenta que "os palestinos também" estão no mesmo direito.


Nem todos os israelenses apoiam a ação de seu país, mas eles são minoria

Glyn Secker, diretor do grupo britânico Judeus pela Justiça para os Palestinos disse à BBC que a possibilidade de existirem dois Estados, um israelense e outro palestino, é aceita por 67% da população de Israel.

"Claro que existem discussões difíceis sobre os limites destes dois Estados, mas há uma base para um acordo negociado", afirmou.

Já Maya Wind acredita que a solução de dois estados não é viável.

"A Cisjordânia já tem um milhão de colonos judeus e ninguém os tirará de lá. Enquanto isso, cerca de 20% da população israelense são palestinos com cidadania: é impossível separá-los", argumenta.

"O que buscamos é uma democracia de verdade, na qual palestinos e israelenses tenham os mesmos direitos e cidadania em um Estado unificado."

Grupos judaicos protestam contra Prêmio Adorno para filósofa crítica de Israel


Detratores atacam escolha de filósofa e ativista política Judith Butler para importante prêmio cultural alemão. Condenação da filósofa de origem judaica à política do Estado de Israel é equiparada a antissemitismo.

Filósofa norte-americana Judith Butler


O anúncio da cidade de Frankfurt, em maio último, de que Judith Butler receberia o Prêmio Theodor W. Adorno por sua contribuição extraordinária ao pensamento filosófico, desencadeou uma guerra de palavras especialmente violenta entre a pensadora e seus críticos.

Professora de Retórica e Literatura Comparada na Universidade de Berkeley, Califórnia, Butler é conhecida sobretudo por suas obras sobre teorias queer e dos gêneros, entre as quais Gender trouble: Feminism and the subversion of identity (1990) e Undoing gender (2004).

Mais recentemente, ela ganhou destaque como ativista política e crítica da política de Israel no Oriente Médio. Butler é adepta veemente do movimento Boycott, Divestment and Sanctions (BDS – Boicote, Desinvestimento e Sanções), que defende medidas não punitivas contra o Estado israelense.

"Judia de álibi"

Concedida a cada três anos, a distinção que traz o nome do filósofo e teórico alemão Theodor W. Adorno premia desempenhos extraordinários nos campos da música, literatura, filosofia e cinema.

Bandeira israelense em Jerusalém. Ao fundo, cúpula da Mesquita da Rocha

Em seguida à escolha de Judith Butler em 31 de maio último, membros da comunidade judaica, acadêmicos e articulistas reagiram com um longo e corrosivo ataque publicado no jornalJerusalem Post, condenando em especial o apoio da autora ao BDS.

Gerald Steinberg, docente de Ciência Política na Universidade Bar-Ilan, em Ramat Gan, definiu a campanha do BDS como "a acepção moderna do antissemitismo". "Butler é uma de um ínfimo número de 'judeus de álibi', usados para legitimar a guerra continuada contra Israel, seguindo uma obscura prática empregada durante séculos na diáspora", afirmou.

Stephan Kramer, secretário-geral do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, deplorou a decisão de dar o prêmio a alguém que "notoriamente odeia Israel". Conceder a distinção – que leva o nome de um filósofo forçado a fugir do regime nazista devido a sua própria herança judaica – não pode ser considerado "um mero equívoco", condenou Kramer.

"Tática de silenciamento"

Judith Butler, judia norte-americana de ascendência russa e húngara, respondeu a seus detratores num longo artigo publicado pelo website de notícias judaicas Mondoweiss. Obviamente magoada pelas críticas direcionadas contra ela, denunciou os ataques como "tática de silenciamento".

"É falso, absurdo e doloroso alguém argumentar que quem formula críticas ao Estado de Israel seja antissemita ou, se judeu, autodesprezador. Tais ataques visam demonizar a pessoa que está articulando um ponto de vista crítico, assim desqualificando de antemão seu ponto de vista." Além disso, seus adversários estariam tentando monopolizar o direito de falar em nome dos judeus, apontou a filósofa.

Um pomo da discórdia específico têm sido os comentários feitos por Butler sobre grupos políticos palestinos e libaneses, durante um fórum antibélico em 2011: "Entender o Hamas e o Hizbollah como movimentos sociais que são progressivos, de esquerda, que são parte da esquerda global, é extremamente importante".

Em sua inflamada réplica, a norte-americana alega que o sentido de seus comentários foi arrancado do contexto e seriamente distorcido. Partidária da resistência não violenta, ela afirma não endossar nem o Hamas nem o Hizbollah. "Na minha opinião, dada a minha história, é importantíssimo, como judia, pronunciar-me contra a injustiça e lutar contra todas as formas de racismo."

Prêmio será entregue na Igreja de S. Paulo de Frankfurt

Contexto teuto-israelense delicado

A autora austríaca Marlene Streeruwitz, integrante da banca do Prêmio Adorno, defendeu a decisão de laurear Judith Butler. Ela declarou-se atônita diante da celeuma resultante, que classificou uma verdadeira "denunciação", e louvou a "complexa e diferenciada atitude em relação ao mundo" representada por Butler.

O democrata-cristão Felix Semmelroth, encarregado para assuntos de cultura em Frankfurt, também manifestou apoio à decisão do júri, denominando Butler "uma das pensadoras-chaves de nosso tempo". Quanto à crítica à premiação, ela seria "compreensível, mas injustificada", observou o político conservador alemão.

A autora estadunidense não é a única voz crítica a Israel a enfrentar oposição ferrenha. Em março de 2012, o autor alemão Günter Grass, Prêmio Nobel de Literatura, também desencadeou polêmica com seu poema O que deve ser dito, no qual tacha Israel de ameaça à paz mundial. Em meio à celeuma, Grass expressou frustração por toda crítica a Israel ser equiparada a antissemitismo.

Filósofo Theodor W. Adorno nasceu em 11 de setembro de 1903

A decisão de conceder o Prêmio Adorno à pensadora estadunidense coincide com um momento atipicamente sensível nas relações teuto-israelenses do pós-guerra. Em junho, um tribunal da cidade de Colônia classificou a circuncisão de bebês como "lesão corporal criminosa", provocando protestos das comunidades judaica e muçulmana da Alemanha e do resto do mundo. No início de setembro, entretanto, o estado de Berlim considerou a circuncisão legal por motivos religiosos.

Opositor de nacionalismos e racismos

Nascido na cidade de Frankfurt em 1903, Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno tinha uma relação complexa com sua própria identidade judaica. Integrante central da Escola de Frankfurt de Teoria Crítica, mantendo laços estreitos com pensadores como Max Horkheimer, Ernst Bloch e Walter Benjamin, Adorno foi um dos principais filósofos da estética, música e cultura de massa de sua geração.

Crítico determinado do fascismo, Adorno exilou-se da Alemanha em 1934. Em Cultura crítica e sociedade, de 1951, ele cunhou a famosa frase "Escrever poesia depois de Auschwitz é barbárie", mas que depois rejeitaria. Durante toda sua vida, permaneceu extremamente cético no tocante a todas as formas de nacionalismo.

Retornando à Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, atuou como professor na Universidade de Frankfurt de 1949 até sua morte, em 1969. Em sua honra e no dia de seu aniversário, 11 de setembro, desde 1977 a cidade natal concede a cada três anos o prêmio que leva seu nome, dotado com 50 mil euros. Entre os laureados estiveram Jürgen Habermas (1980), Jean-Luc Godard (1995), Jacques Derrida (2001) e Alexander Kluge (2009).

Judith Butler recebe o Prêmio Theodor W. Adorno neste 11 de setembro, na Igreja de São Paulo de Frankfurt.

Autor: Helen Whittle (av)
Revisão: Carlos Albuquerque

Fonte: DW

Prisões de ativistas são criticadas por juristas e entidades


Especialistas veem ameaça à democracia e criticam fato de processo caminhar em segredo e o que seria um uso abusivo da prisão preventiva. Justiça do Rio afirma que há tentativa de "politizar uma questão de rotina".


As prisões de ativistas envolvidos nas manifestações anti-Copa do Mundo em várias cidades do Brasil geraram críticas de entidades civis, acadêmicos e organizações, gerando um debate jurídico no país.

Se de um lado seus defensores argumentam que as prisões são necessárias porque a violência gerou uma onda de crimes e prejudicou as próprias manifestações, os detratores dizem que elas não passaram de uma estratégia para, em plena Copa, enfraquecer os protestos e reduzir riscos à imagem do país.

As críticas se centram, sobretudo, no fato de o processo caminhar em segredo de Justiça e no que seria um uso abusivo do recurso de prisão preventiva.

“Temos a Constituição Federal que estabelece direitos fundamentais e parâmetros da atuação da Justiça. O que estamos assistindo de uma maneira estarrecedora é como isto vem sendo ignorado pelo poder público, nesse caso especifico, sobretudo pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público estadual”, argumenta a jurista Vanessa Batista, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Vanessa Batista conversou com a DW logo após participar de um ato público, promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil, no Rio de janeiro. Após o ato, entidades civis, professores e advogados divulgaram um manifesto repudiando a maneira como o caso está sendo conduzido.

“O Estado de Direito está sendo violado, e a democracia brasileira sofre grave ameaça, risco que se radicaliza com a criminalização dos movimentos sociais e com a caça ao direito de manifestação”, diz o documento.

A denúncia que originou as prisões foi oferecida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Na última sexta-feira, foram expedidos pela Justiça mais 21 mandados de prisão, reforçando alguns que já haviam sido pedidos no dia 12 de julho, véspera da final da Copa do Mundo no Maracanã.

A investigação

O Ministério Público considerou o período que se iniciou com as manifestações de junho de 2013 para agrupar as provas que iriam compor o processo hoje em curso. Segundo o MPRJ, o grupo de 21 acusados que tiveram prisão decretada na sexta-feira teria se associado com o objetivo de praticar, durante as manifestações, crimes como posse de explosivos, corrupção de menores, resistência, lesão corporal e dano ao patrimônio.

A ativista Elisa Quadros Pinto Sanzi, conhecida como Sininho

O objetivo da investigação, segundo o MP, é apurar os responsáveis por atos de vandalismo e agressões contra policiais, crimes que teriam sido praticados durante a realização de atos legais e legítimos – no caso, as manifestações.

O MP aponta a Frente Independente Popular (FIP) como responsável pela articulação das ações. Oito dos acusados fariam, segundo o MP, parte da diretoria do grupo, entre eles Elisa Quadros Pinto Sanzi, conhecida como Sininho, que segue presa.

Segundo a Polícia, 18 acusados ainda estão foragidos. Um deles é a advogada Eloísa Samy que, na última segunda-feira, chegou a pedir asilo no consulado do Uruguai no Rio, mas teve o pedido negado. Em vídeo divulgado no Youtube nesta segunda-feira, ela diz que está na condição de perseguida política.

“Jamais cometi qualquer ato que infringisse a lei, mas estou sendo vítima das forças coercivas do Estado exatamente por defender pessoas que se ergueram e foram às ruas para protestar contra as ilegalidades cometidas por ele próprio”, disse.

Críticas ao processo

Para a jurista Vanessa Batista, há vários elementos do processo que chamam a atenção e merecem ser questionados, entre eles a determinação de que o processo tramite em segredo de Justiça.

“O Poder Judiciário determina que o processo deve correr em segredo de Justiça quando ele envolve menores ou quando envolve algo que signifique risco para sociedade. Qual é esse risco que nós estamos correndo? O risco quem está correndo somos nós, a sociedade democrática”, questionou a professora da UFRJ.

Para Cristiano Paixão, professor de direito da Universidade de Brasília, há indícios de abusos nas prisões. “É claro que entre as funções do MP e do Poder Judiciário existe a ideia de repressão de crimes para que a vida em sociedade seja harmoniosa, mas existem limites e o que esses casos nos mostram é o excesso no uso da prisão preventiva”, ponderou. “Isso é perigoso para a democracia, pois pode significar certo desestímulo ao exercício do direito de protestar.”

Ele argumentou, ainda, que é preciso que sejam investigados os atos criminosos praticados durante os protestos, mas que deve haver prudência. “É claro que pessoas com intenções criminosas estão entre aquelas que querem protestar. Mas é dever do Estado ter um bom sistema de inteligência para separar as situações”, disse. “Criminalizar o protesto em geral é algo muito perigoso.”

Outras entidades também já manifestaram preocupação. A Anistia Internacional, por exemplo, divulgou nota logo após as primeiras prisões, classificando de “preocupante” o caso, “por parecer repetir um padrão de intimidação" que já havia sido identificado pela organização antes do início do Mundial.

“Intimidação da Justiça”

Já a ONG Justiça Global chegou a enviar ofícios aos órgãos de direitos humanos do Executivo e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), questionando a legalidade das prisões.

“O que apontamos, portanto, é que este inquérito visa tão só a desmobilização, deslegitimação, intimidação e criminalização de defensores de direitos humanos, representando grave violação por parte do estado do Rio de Janeiro, principalmente ao tratá-los enquanto associação criminosa”, diz o texto base dos ofícios.

Um grupo de parlamentares ligados ao PSOL e ao PCdoB apoiou a representação feita pela Justiça Global no CNJ. Em nota, o PT também repudiou as prisões, alegando que elas constituem "uma grave violação de direitos e das liberdades democráticas".

Em resposta, a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJERJ) e a Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages) classificaram a representação feita ao CNJ como intimidação da Justiça.

“Infelizmente, o Conselho Nacional de Justiça vem sendo usado como instrumento de intimidação da magistratura”, diz a nota da Anamages. “O insatisfeito com a decisão judicial, ao invés de interpor o recurso processual cabível, opta por pedir abertura de procedimento disciplinar, mesmo sabendo que tal caminho não modificará a decisão, se prestando, tão só, para tentar acovardar a magistratura."

Já o TJERJ e a Amaerj defendem que “houve uma tentativa de politizar uma questão de rotina de trabalho de qualquer juiz criminal”.

SANTANDER MANDA CARTA PARA CLIENTES RICOS ALERTANDO SOBRE SUCESSO DE DILMA


Por Raquel Praconi Pinzon  


Um comunicado enviado pelo Banco Santander neste mês aos clientes com renda mensal maior do que R$ 10 mil reais alerta sobre os riscos caso Dilma Rousseff melhore nas pesquisas de intenção de voto. De acordo com o texto, o sucesso da presidente causaria desvalorização do câmbio, alta dos juros e queda do índice da Bovespa. Diante disso, o banco recomenda que os clientes procurem o gerente de suas contas para repensar seus investimentos.

Fonte: Reprodução/UOL

Por meio de nota, o Santander declarou que “adota critérios exclusivamente técnicos”, excluindo “qualquer viés político ou partidário”, e se desculpou com os clientes. O banco comunicou que está tomando providências para que “nenhum comunicado dê margem a interpretações diversas”. Leia a nota na íntegra:

O Santander esclarece que adota critérios exclusivamente técnicos em todas as análises econômicas, que ficam restritas à discussão de variáveis que possam afetar os investimentos dos correntistas, sem qualquer viés político ou partidário. O texto veiculado na coluna ‘Você e Seu Dinheiro’, no extrato mensal enviado aos clientes do segmento Select, pode permitir interpretações que não são aderentes a essa diretriz. A instituição pede desculpas aos seus clientes e acrescenta que estão sendo tomadas as providências para assegurar que nenhum comunicado dê margem a interpretações diversas dessa orientação.


Fonte: http://www.emresumo.com.br/

Avisos do TJSC dão conta da frequente falta de energia elétrica nas Comarcas do interior do Estado

24/07/2014
Comarca de Jaguaruna encontra-se sem energia elétrica e sem contato telefônico. Contatos urgentes pelo telefone do plantão (48) 8414-1483.
22/07/2014
Rompimento de fibra ótica do link de internet provoca lentidão na rede. O problema já foi identificado e está sendo reparado, com previsão de retorno à normalidade a partir das 14h.
21/07/2014
Comarca de Guaramirim sem comunicação telefônica. Contatos urgentes por meio do número (47) 8414-1406.
Comarca de Cunha Porã sem energia elétrica. Contatos urgentes por meio do número (49) 9116-7990.
08/07/2014
Comarca de Presidente Getúlio sem energia elétrica e comunicação telefônica. Contatos urgentes por meio do número (47) 9171-5028.

Governador de SC, entre outros, é réu em ação popular recente

Processo:
0323418-88.2014.8.24.0023
Classe:
Ação Popular    
Área: Cível
Assunto:
Atos Administrativos
Outros assuntos:
Violação aos Princípios Administrativos
Distribuição:
21/07/2014 às 16:06 - Direcionamento
3ª Vara da Fazenda Pública - Capital
Controle:
2014/001365
Juiz:
Hélio do Valle Pereira
Exibindo todas as partes.   >>Exibir somente as partes principais.
Partes do Processo
Autor: Adauto Felipe Colombo
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Ana Carolina Dihl Cavalin
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: ANDRE LUIZ DE SOUZA ARAUJO
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Anne Teive Auras
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: ANTONIO CARLOS SCHEFFER CEZAR
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: CARLA GERHARDT
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Caroline Kohler Teixeira
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Conceiçao Raquel Melo Sabat
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Dayana Luz
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Djoni Luiz Gilgen Benedete
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: ELINTON CASSIANO NOLLI
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Everton Torres
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Fabio de Castro Thomazini
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Felipe Schmitz da Silva
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Fernanda Mambrini Rudolfo
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: FERNANDO ANDRÉ PINTO DE OLIVEIRA FILHO
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Francielle Neves Thives
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: FRANCISCO GUERRERA NETO
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Gabriela Souza Cotrim
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: George Lucas Flôres Sodré
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Glenda Rose Gonçalves Chaves
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: GUSTAVO HENRIQUE GOMES BAPTISTA
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: JOÃO JOFFILY COUTINHO
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: JORGE CALIL NETO
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Jose Eduardo da Silva Santos
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Juliane Schlichting
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: JULIANO GONÇALVES DA SILVA
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Leonardo Bertoncini Filomeno
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Lorena de Sá Ribeiro
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Lucas de Oliveira Mussi
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: LUCIANE KRICHENKI GEWEHR
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Ludmila Gradici Carvalho Drumond
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: LUISA ROTONDO GARCIA
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Marcel M. Laurindo
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: MARCELO SCHERER DA SILVA
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: MELINA CÂMARA BRIGAGÃO
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: MICHELE DO CARMO LAMAISON
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Milton Müller Júnior
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Mônica Bernardi Rebelato
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Otavia Garcez Marroni
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: PEDRO RIOS CARNEIRO
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: RAQUEL PAIOLI
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Rene Beckmann Johann Junior
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: RICARDO OLIVEIRA FREAZA GARCIA
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Ronaldo Francisco
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Samara Beatriz Fortunato Bellan
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: Tayana Cecilia de Souza Pintarelli
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autora: THIAGO BURLANI NEVES
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: TIAGO DE OLIVEIRA RUMMLER
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: TIAGO QUEIROZ DA COSTA
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Valentim Hodecker Junior
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: VINICIUS MANUEL IGNÁCIO GARCIA
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Daniel Deggau Bastos
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Autor: Thiago Yukio Guenka Campos
Advogado: Rodrigo Dall'Agnol 
Réu: ESTADO DE SANTA CATARINA
Réu: ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Réu: JOAO RAIMUNDO COLOMBO
Réu: IVAN CESAR RANZOLIN
Réu: SADI LIMA
Réu: GEORGE DIAS ZACCARAO
Movimentações
DataMovimento
24/07/2014Encaminhado edital/relação para publicação
Relação: 1251/2014 Teor do ato: 1) Como as cópias do título de eleitor de Carla Gerhardt, Fernando André Pinto de Oliveira Filho, George Lucas Florês Sodré, Francielle Neves Thives, José Eduardo da Silva Santos, Vinicius Manuel Ignácio Garcia e Thiago Yakio Guenka Campos acham-se ilegíveis e por se tratarem de documentos necessários, imprescindíveis nesta fase processual, fixo o prazo de dez dias à parte autora para reapresentar os indigitados documentos, deste vez com aspecto legível, sob pena de indeferimento da exordial. 2) Sobrevindo a documentação, voltem os autos conclusos. Intime-se. Advogados(s): Rodrigo Dall'Agnol (OAB 066.478/RS)

Chanceler de Israel esquece papel do Brasil na criação do país


Em nova demonstração de sintonia com o governo dos EUA, Dilma mudou o tom sobre as ações militares de Israel no espaço de uma semana


RIO — O chanceler de Israel, Avigdor Lieberman, nascido Ivet durante o verão de 1958, na antiga Moldávia comunista, é daqueles personagens que parecem não ter futuro na política. Passa a impressão de que já o gastou todo.

Ele é a figura central, mas não a única, na crise diplomática aberta com o Brasil por causa da nova ofensiva sobre Gaza.

Em nova demonstração de sintonia com o governo dos EUA na política externa, o governo Dilma Rousseff mudou o tom sobre as ações militares de Israel no espaço de uma semana. Quinta-feira passada, em nota, criticou “igualmente” os bombardeios dos dois lados da fronteira. Ontem, condenou “o uso desproporcional da força, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças”, situando o caos na Palestina na categoria de crise humanitária.

O chanceler Lieberman, que controla uma dissidência do partido governista (Likud) com uma dúzia de cadeiras no Parlamento, viu na manifestação brasileira uma oportunidade para marcar posição de líder da direita em pleno esforço para derrubar o governo do premier Benjamin Netanyahu — com quem rompeu publicamente uma semana antes.

Autorizou e seu porta-voz, Yigal Palmor, não economizou fôlego, ontem, ao desqualificar o Brasil:

— Essa é uma infeliz demonstração de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, se mantém um anão diplomático — disse Palmor a jornalistas, acrescentando: — O relativismo moral por trás desta medida transforma o Brasil num parceiro diplomático irrelevante, que cria problemas em vez de contribuir para soluções.

O ataque, obviamente, merece resposta brasileira, calibrada para ajudar a ampliar o isolamento externo de Lieberman e seu partido, o Yisrael Beitenu, cujos votos têm origem na aliá (imigração) russa pós-Guerra Fria.

O chanceler israelense voltou, dessa forma, a confirmar a “lei” de Laurence J. Peter, escritor canadense, segundo a qual todo incompetente com nada para fazer pode mesmo assim produzir um estrago.

Alguém no Itamaraty poderia aproveitar a oportunidade para enviar a Lieberman um exemplar da ata da II Assembleia Geral da ONU, de 1947. Ela contém o registro da votação do Plano para a Partição da Palestina, que resultou na criação do Estado de Israel.

Em 1978, quando Lieberman deixou a Moldávia e chegou a Tel Aviv, havia três décadas que judeus e sionistas celebravam, agradecidos, a decisão brasileira de confrontar os interesses dos governos árabes em defesa da “Eretz Yisrael” (terra de Israel). Oswaldo Aranha foi quem presidiu essa decisiva assembleia da ONU. Sem o Brasil, Lieberman provavelmente jamais teria tido a chance de mudar o nome de Ivet para Avigdor.



Órgão antimáfia acusa padre de ter defendido chefão da Calábria


por Giuseppe Baldessarro
para La Repubblica


Nuccio Cannizzaro teria mentido
à Justiça para proteger mafioso

Acolheram a notícia tocando os sinos em festa e com fogos de artifício. Depois, alguns começaram a circular de carro buzinando. A absolvição do seu pároco movimentou os paroquianos e o bairro. Todos solidários com o padre Nuccio Cannizzaro (foto) e todos felizes porque, dizem, a justiça foi feita.

Embora não se trate de uma prescrição nem precisamente de uma absolvição plena, o bairro de Condera não se poupou para manifestar abertamente o seu entusiasmo. Por outro lado, a paróquia sempre defendeu ao máximo o padre sob processo, por ser acusado pela Direção Distrital Antimáfia (DDA) de ter mentido para beneficiar Santo Crucitti, suposto chefe da máfia da periferia norte de Reggio Calabria.

O pároco, ex-cerimoniário do bispo e capelão da polícia municipal havia sido acusado no processo de Raccordo-Sistemajunto com Crucitti e um grupo de homens considerados pela Procuradoria como próximos ou cúmplices de um clã da 'Ndrangheta.

Uma tese que, no entanto, não se sustentou diante dos juízes, que, na terça-feira à noite, consideraram como não provado o crime de associação criminosa de marca mafiosa. Circunstância que derrubou todos os agravantes, reduzindo o falso a um crime já prescrito.

Mesmo assim, uma vitória judicial para o padre Nuccio, mas também para Crucitti, condenado apenas por crimes "menores" a quatro anos de prisão, mas imediatamente liberado, tendo em vista a absolvição pelo crime de associação.

Uma decisão que pôs fim a uma longa fase de debate, durante a qual a acusação descrevera o pároco como o eixo de um complexo sistema de poder feito de relações nem sempre cristalinas. O padre Nuccio tinha acabado dentro do caldeirão porque, durante um processo anterior contra Crucitti, ele tinha feito declarações em defesa do principal acusado, declarações que, depois, interceptado, ele admitira que tinha feito em favor de Crucitti.

A DDA, além de contestar o fato em si, tinha levado o padre ao tribunal, acusando-o de ter agido para favorecer explicitamente o suposto 'ndranghetista, aplicando-lhes os agravantes do caso.

No entanto, o processo não demonstrou a associação mafiosa e, tendo caído a principal acusação, desapareceram também os agravantes, com a consequente prescrição do falso.

Dentre outras coisas, o pároco e alguns dos outros réus haviam sido acusados no tribunal por Tiberio Bentivoglio, um comerciante testemunha da Justiça que descreveu uma série de episódios de danos e ameaças que o tinham como protagonista do processo.

Assunto espinhoso, seja por causa da sentença, seja pela sequência das festividades. Tanto que a associação Libera não hesitou em recordar que a associação do padre Ciotti tinha denunciado "bem antes que tais fatos entrassem no tribunal o entrelaçamento opaco e perverso que condicionou por muito tempo a vida do bairro Condera, de Reggio Condera".

Acrescentando que "as responsabilidades daqueles que detêm papéis públicos (a referência é ao pároco) não podem se esgotar nas salas da Justiça e, acima de tudo, nunca caem em prescrição".

Sobre o caso das comemorações no bairro, o procurador Federico Cafiero de Raho, amargurado, disse que "as coisas vão mudar com o tempo". E assim também acrescentou Nicola Gratteri, embora, para o magistrado, "o caminho ainda é longo".

David Mattiello, componente da Comissão Parlamentar Antimáfia, no entanto, não usou meios termos, comparando a vergonha dos fogos de artifício para o padre Cannizzaro e Crucitti "à reverência de Nossa Senhora em Oppido Mamertino".

A procissão de Oppido foi um episódio que deixou a sua marca, tendo também consequências. Tanto que, no dia 16, em Vibo Valentia, o Comitê para a Ordem e a Segurança Pública decidiu cancelar a procissão de Nossa Senhora do Carmo que deveria se realizar à noite.

Uma decisão tomada com base em algumas informações por parte das forças de ordem que identificaram entre os carregadores da estátua personagens próximos do clã da 'Ndrangheta dos Lo Bianco. Na prática, com o risco muito forte de que, entre os carregadores da estátua, houvesse expoentes de um clã, o prefeito propusera às autoridades religiosas que transportassem Nossa Senhora em um caminhão dirigido por um representante da Proteção Civil.

Mas, diante da proposta do prefeito, as autoridades religiosas cancelaram a procissão.




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Empresário conta em livro ter sido vítima de pedofilia de padre



Sacerdote se defendeu dizendo que 
está na 'moda' denunciar abusos 


O empresário Marcelo Ribeiro, 48, escreveu um livro que começa assim:

“Fui abusado na infância. Só quando consegui pronunciar essa frase para minha mulher, aos 42 anos, é que pude começar a viagem em busca de meu passado. Ele estava enterrado pelo sofrimento, pela vergonha e pelo medo de falar. O silêncio é o melhor amigo da pedofilia. 

Não sofri um abuso apenas sexual — o que já seria muito. Também fui abusado moral e psicologicamente. Sofri violência física. Minha família foi induzida à mentira e aos subterfúgios que me afastaram de meus pais e meus irmãos. Quase perdi minha mulher, que é tudo para mim.”

O livro se chama “Sem medo de falar — relato de uma vítima de pedofilia” (Ed. Paralela).

Ribeiro não revelou, no livro, o nome do estuprador, mas em uma entrevista à Folha de S.Paulo ele disse de quem se trata: o maestro de coral de crianças João Marcos Porto Maciel, padre católico na época dos abusos. Atualmente tem 74 anos.

O então menino Ribeiro fazia parte de um coral. “Com 12 anos, acordei com ele na minha cama e com minha calça abaixada”, afirmou. “Durante dois anos, fui abusado diariamente.”

Em 2009, Maciel deixou a Igreja Católica e hoje está ligado a um templo independente, de uma religião que ele chama de “veterodoxa”. Mora em Caçapava do Sul (RS).

O sacerdote nega as acusações de abuso e minimiza o livro com a afirmação de que hoje em dia “está na moda” fazer denúncias de pedofilia.

Ribeiro disse que resolveu revelar o nome do sacerdote porque, após a publicação do seu livro, mais três pessoas afirmaram que foram vítimas do sacerdote.



Uma delas afirmou ter sofrido abuso na paróquia de Hamburgo Velho quando tinha 11 anos. “Um dia ele [Maciel] me chamou para levar roupa à lavanderia no subsolo. Fechou a porta, baixou minhas calças, me deixou nu de costas e me penetrou”, disse ao jornal.

No livro, Ribeiro afirmou ser difícil escrever como vítima de pedofilia. “[Mas] o mais difícil foi ter vivido e, principalmente, sobrevivido. Levei três décadas — com muitas reviravoltas — para entender que é necessário expor minhas memórias, meus sentimentos e minhas reflexões. Já estou há mais de cinco anos nesse processo. Escrever este livro é parte da minha cura.”

Com informação da Folha de S.Paulo e da Editora Schwarcz.


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Primitivismo - Ritual da sucção de circuncisão contamina mais dois bebês


Prefeitura de Nova Iorque informou que
herpes foi transmitida em ritual judaico

Relatório de julho de 2014 do Departamento de Saúde e Higiene Mental de Nova Iorque (EUA) registrou mais dois casos de bebês contaminados pelo vírus de herpes por intermédio de ritual de circuncisão.

De acordo com a tradição seguida por judeus ultraortodoxos, os mohels (rabinos que celebram esse ritual) sugam o sangue do pênis do bebê no momento da circuncisão. O ritual significa a confirmação da aliança dos judeus com Deus, o que tem de ser celebrado no oitavo dia de vida da criança.

Só em 2014, houve 16 casos de contaminação, incluindo os reportados em julho. Desde 2000, Nova Iorque registrou o total de 16 casos, com dois óbitos. Dois bebês sofreram danos mentais.

O ateu e crítico de religiões Christopher Hitchens (1948-2011) escreveu no livro “Deus não é Grande” que há forte conotação sexual nesse ritual.

Em 2012, a prefeitura de Nova Iorque proibiu o ritual da sucção do sangue do pênis de bebê, mas teve de recuar por causa de forte pressão da comunidade judaica ortodoxa, que argumentou estar sob ameaça a sua liberdade religiosa. Ainda assim, a prefeitura determinou em 2013 que o ritual só poderia ser celebrado com a autorização por escrito dos pais do bebê.

Humanistas de países europeus estão questionando a prática da circuncisão (principalmente em hospitais públicos) por considerá-la uma violação dos direitos da criança.



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