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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

JUDEUS EM DEBANDADA DESDE FRANÇA


Cresce o número de judeus que abandonam a França e partem para Israel

As comunidades hebraicas observam um aumento do antissemitismo na Europa



O líder de uma comunidade judaica examina tumbas pintadas com suásticas em um cemitério perto de Estrasburgo, em 2010. / VINCENT KESSLER (REUTERS) REUTERS

O Governo francês está preocupado. Acredita que há recaídas inaceitáveis de antissemitismo. O presidente François Hollande, o primeiro-ministro Manuel Valls e o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, lançaram alertas reiterados nas últimas semanas. Valls reagiu duramente no final de agosto contra o ataque a sinagogas e contra algo que passou décadas sem ser ouvido nas ruas de Paris: “Morte aos judeus”. A guerra de Gaza exaltou os ânimos, e o medo se instalou nas comunidades judaicas europeias.

“Minha amiga acaba de ir embora com toda a família. Agrediram o seu pai, de 80 anos, na rua, e ela disse: ‘Até aqui chegamos’”, conta ao EL PAÍS um judeu de Paris, que prefere ficar no anonimato.


MAIS INFORMAÇÕES

Joël Mergui, presidente do Consistório Israelita da França, não duvida de que haja um antissemitismo crescente e certo ataque à liberdade religiosa, gerando dúvidas sobre o futuro na França. “Muitos consideram que este já não é seu lugar”, acrescenta Roger Cukierman, presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França. Philip Carmel, conselheiro do Congresso Judaico Europeu, relativiza: “Os que vão embora são apenas 1%. Os demais 99% acreditam que o país lhes oferece um futuro, sim”.

Na França, com a maior comunidade judaica do continente (600.000 cidadãos), a migração para Israel disparou, a ponto de este se tornar o país que mais cidadãos envia neste ano. Em 2012, apenas 2.000 judeus franceses partiram para Israel. Já em 2013, a cifra subiu para 3.280. Nos oito primeiros meses deste ano, 4.566 fizeram a aliyah (migração), segundo o ministério israelense de Integração. Isso é quase o dobro das migrações oriundas da Rússia ou dos Estados Unidos.


“Muitos acreditam que este já não é o seu lugar”, diz o líder de uma associação

A última pesquisa da Agência de Direitos Fundamentais da UE, de novembro passado, mostrou que 76% dos judeus europeus acreditam que a sua situação se agravou nos últimos cinco anos. Um em cada três sofreu uma agressão física. Os insultos, a perseguição e a violência não são casos isolados. E muito menos na França.

A crise econômica é, sem dúvida, uma razão fundamental para a fuga. “O futuro é incerto e, sobretudo, os jovens procuram se desenvolver profissionalmente”, diz Zvi Tal, ministro plenipotenciário da embaixada de Israel em Paris. Em algumas reportagens televisivas feitas ultimamente pela imprensa francesa em Israel, boa parte das famílias ouvidas admite que o antissemitismo também as estimulou a partir.


O Governo de Hollande manifesta sua preocupação com o fenômeno

A internet, concordam as fontes consultadas em Paris, favoreceu a desinibição na propagação de mensagens antissemitas. O Governo francês, muito criticado recentemente por proibir dois protestos violentos nos quais houve gritos antissionistas e antissemitas, está analisando com Israel formas de controlar o fenômeno digital. Mas o maior temor tem a ver com o jihadismo e com os combatentes europeus que retornam radicalizados da Síria. Mais de 800 franceses se envolveram no conflito, e alguns já se tornaram tristemente famosos por seus atos terroristas. Mehdi Nemmouche, francês de 29 anos, supostamente matou quatro pessoas em maio no Museu Judaico de Bruxelas. Agora, sabe-se que ele foi o carcereiro de quatro jornalistas franceses que estiveram até abril como reféns do Estado Islâmico.

Nemmouche, já extraditado para a Bélgica, é, segundo seus antigos reféns, um homem muito violento e antissemita, que prometia “arrastar os judeuzinhos pelas tranças” antes de massacrá-los. Seu herói é Mohamed Merah, outro ex-combatente francês, acusado de matar sete pessoas há dois anos em Toulouse, entre eles um professor e três crianças de uma escola judaica.

A comunidade muçulmana francesa é de seis milhões de pessoas. “É uma pena que, em vez de aproveitar a convivência de comunidades tão grandes para estabelecer um diálogo na Europa, só tenha sido possível estender o conflito do Oriente Próximo para cá”, diz com pesar o rabino Rivon Krygier, de Paris.

Fonte: EL PAIS

Os atentados anarquistas causam inquietação no Governo chileno

Os serviços de inteligência não conseguem se antecipar às ações dos grupos antissistemas

Desde 2005 já foram instalados 203 artefatos explosivos




Um buquê de flores marca o lugar da explosão. / M. BERNETTI (AFP)

A explosão ocorrida na segunda-feira em um shopping center próximo a uma estação de metrô em Santiago, que deixou 14 feridos, alguns em estado grave, se tornou um assunto prioritário para o Governo de Michelle Bachelet. “O que aconteceu é horrível, abominável, mas o Chile é e continuará sendo um país seguro”, afirmou a presidenta depois do atentado, o mais grave desse tipo desde a volta da democracia, em 1990.

O atual Executivo assumiu em março passado, mas a autoridades já se encontravam em alerta havia vários meses: em 2014, os grupos antissistema instalaram 29 artefatos. Desde que começaram a atuar no Chile, em 2005, foram 203. Em 13 de julho, uma bomba explodiu pela primeira vez em uma estação de metrô, a de Los Domínicos, mas não causou vítimas. Embora tenha sido detonada à noite, quando quase não havia passageiros, foi um sinal para as autoridades, que entenderam que os autores estavam dispostos a atuar em lugares públicos de grande movimentação. Até então, os alvos mais frequentes haviam sido caixas eletrônicos, e sempre de madrugada.

O atentado da segunda-feira foi diferente. Dois jovens instalaram um extintor com pólvora negra em uma lixeira do centro comercial que fica junto à estação Escola Militar, por onde transitam entre 120.000 e 150.000 pessoas por dia. O mecanismo estava associado a um sistema de relojoaria e explodiu às 14h, em plena hora do almoço. Dois feridos estão em estado grave, uma faxineira perdeu parte da mão direita, e um técnico de informática venezuelano precisou ser operado devido a uma fratura na perna. A onda expansiva da bomba foi suficiente para provocar danos auditivos a uma dúzia de pessoas.

Os grupos antissistemas apontados como suspeitos das ações têm um perfil bastante complexo e, apesar de haver pistas, como os nomes de algumas pessoas e de 81 agrupamentos diferentes aos quais se atribuem ataques, a inteligência chilena não pôde se antecipar às suas ações.

Em maio de 2009, por exemplo, morreu Mauricio Morais: um artefato explosivo que ele iria instalar perto da Escola de Polícia foi prematuramente ativado. Esse anarquista de 27 anos era conhecido nos circuitos de casas ocupadas de Santiago e tinha uma tatuagem onde se lia: “Sem deus nem senhor”. Um novo nome apareceu em cena em 2 de junho de 2011: Luciano Pitronello, de 23 anos. Uma bomba estourou em suas mãos, e ele sofreu queimaduras em 32% do corpo, além de perder a mão direita, três dedos da esquerda e parte da visão em um olho. Foi condenado por portar um dispositivo incendiário, mas se livrou da acusação de terrorista e recebeu uma pena de seis anos, com o privilégio da liberdade condicional. Aos 17 anos, escrevera em seu blog: “Sou um anarquista de apenas 17 anos, mas tenho o critério bem formado para tomar minhas decisões (...). Um exemplo claro de não estar de acordo com as injustiças do mundo é, por exemplo, estar a favor dos boicotes contra empresas que fazem deste mundo uma grande injustiça… exemplo: a Coca-Cola (...) financiou a guerra do Iraque”. O único que cumpre uma pena efetiva é o sociólogo Hans Niemeyer, de 41 anos, que foi processado pela acusação de fabricar e instalar bombas, embora os tribunais não lhe tenham atribuído nenhum delito terrorista. A Justiça o condenou a 5 anos e 300 dias depois da explosão de uma bomba em um banco, em 30 de novembro de 2011.

A primeira administração de Bachelet (2006-2010) e a do presidente Sebastián Piñera (2010-2014) realizaram esforços para controlar os ataques, mas eles foram infrutíferos. Em agosto de 2010, pouco depois de um artefato explodir perto da casa de Piñera, o Ministério Público ordenou a detenção de pessoas acusadas de associação ilícita para o terrorismo, o que culminou com processos judiciais contra 11 pessoas no chamado Caso Bombas. Os tribunais, no entanto, absolveram em junho de 2012 os seis que chegaram a ser indiciados. A Lei Antiterrorista tem deficiências, e o Ministério Público, que não tinha em mãos uma investigação sólida, nada pôde fazer diante da falta de provas. Inclusive falou-se de uma armação envolvendo o Governo Piñera.

O reforço das medidas de segurança, as ações judiciais do Governo, a atuação dos órgãos policiais e a formação de uma comissão de especialistas para estudar a reformulação da Lei Antiterrorista não bastaram para impedir o inédito atentado da segunda-feira. Tampouco bastou a designação de um promotor exclusivo para investigar a trama: o Ministério do Interior ainda não concretizou a injeção de recursos que prometeu para formar equipes de investigação.

Fonte: EL PAIS

Morre Emilio Botín, Presidente do Santander


O Santander comunicou a morte do banqueiro ao mercado de valores na primeira hora do dia
O conselho de administração se reunirá hoje para designar seu novo presidente



A trajetória em fotos de um dos homens mais poderosos da Espanha / GORKA LEJARCEGI (ATLAS)
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Emilio Botín, presidente do Banco Santander, morreu esta noite em Madri aos 79 anos vítima de um ataque cardíaco. As comissão de nomeações e remunerações e o conselho administrativo do banco vai se reunir na tarde de hoje para nomear o novo presidente, de acordo com um comunicado enviado pelo banco à Comissão Nacional do Mercado de Valores Mobiliários da Espanha.

A nota é de Boadilla del Monte (Madri) e foi transmitida hoje às 8h45. Os restos mortais do banqueiro serão trasladados durante o dia para sua cidade natal, Santander (norte da Espanha), informaram fontes da entidade. A favorita para sucedê-lo é sua filha, Ana Patricia Botín, de 53 anos, atual diretora executiva do Santander UK. Após a confirmação da morte de Botín, as ações do grupo caíram 1,8%.


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Emilio Botín, nascido em 1934, era bisneto, neto, sobrinho, filho, irmão e pai de banqueiros, mas insistia em acrescentar que era um banqueiro universal. Entrou na entidade quando tinha 24 anos, em 1958 e nunca parou de trabalhar desde então. Em 1960, entrou para o conselho administrativo e subiu à presidência em 1986. Em 2007, mudou o estatuto do banco para não se aposentar aos 72 anos, como previa o regulamento da entidade. Foi um dos poucos gestores financeiros que, além de assumir a presidência da entidade, era seu principal executivo e maior acionista.

Sob sua direção, converteu o Santander (a entidade é acionista da Prisa, o grupo editor do EL PAÍS, com 5,38% do capital) no maior banco da zona do euro por capitalização em bolsa. “Foi capaz de criar a partir de um pequeno emprestador local o maior banco da zona do euro”, destaca a imprensa econômica internacional. Para isso, levou a cabo uma política de aquisições muito agressiva. Dentro dessa expansão, adquiriu o Banesto, absorveu o Central Hispano e, fora da Espanha, adquiriu o Sovereign Bank norte-americano, entre outras entidades de renome na América Latina, onde havia fixado o seu objetivo, especialmente no Brasil.

Botín, economista e formado em Direito pela Universidade de Deusto, pretendia comparecer nesta quarta-feira à apresentação de um quadro de Velázquez na Cidade Financeira do Santander, A Educação da Virgem,restaurado com recursos do banco. O banqueiro estava muito ligado à universidade e à comunidade científica, bem como ao esporte – seu relacionamento com a Fórmula 1 era muito conhecido.

Botín era casado com Paloma O'Shea, nomeada marquesa de O'Shea em 2008 pelo rei Juan Carlos I. Tinha seis filhos: Ana Patricia, Carmen, Emilio, Carolina, Paloma e Francisco Javier.


“Embaixador” da marca Espanha

A morte do banqueiro foi anunciada quando o Congresso espanhol iniciava a sessão semanal de perguntas ao Governo. O presidente Mariano Rajoy mostrou seu pesar: “Emilio Botín foi um grande embaixador da marca Espanha”. “O banco que ele presidia é o mais importante de nosso país, e tenho confiança de que, mesmo com seu falecimento, continue sendo assim”, informa A. Díez.

Já o líder da oposição e secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, manifestou sua “tristeza” pelo falecimento de Botín e transmitiu sua solidariedade aos familiares e amigos próximos ao banqueiro: “Um abraço para sua família e para seus entes queridos neste momento tão difícil”.

Em declaração à Europa Press, o presidente do BBVA, Francisco González, afirmou: “Quero transmitir, em nome do BBVA, nossos pêsames pelo falecimento de Emilio Botín. Lamentamos sua perda e nos unimos no luto a sua família e ao Grupo Santander”.

O Banco de España divulgou uma nota na qual lamenta a morte repentina do banqueiro, afirmando se tratar de “uma figura excepcional no sistema financeiro internacional”. O órgão lembra que, sob o comando de Botín, o Santander empreendeu uma política de expansão e diversificação dentro e fora da Espanha, o que o levou a ser, por seu volume de ativos, “o primeiro banco espanhol e uma das maiores instituições do mundo, com uma presença muito destacada no Reino Unido, no Brasil, no México, nos Estados Unidos, em Portugal e no Chile, entre outros países”.

Fonte: EL PAIS

Rádio ATEIA - O excelente LITO VITALE

terça-feira, 9 de setembro de 2014

RADIO ATEIA - RUBEN RADA














O escândalo e a situação de Pizzolatti


09 de setembro de 20140
pizzolatti
Da coluna de hoje do Moacir Pereira
O deputado federal João Pizzolatti (PP), que teve o nome apontado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa como beneficiário de propinas e envolvimento em lavagem de dinheiro, esteve reunido com seus advogados em Balneário Camboriú e Blumenau.
Viaja amanhã a Brasília para decidir com o advogado Michel Saliba sobre conteúdo da ação contra a revista Veja, autora da publicação sobre a delação premiada. Pizzolatti vem tendo seu nome citado por Veja há anos como integrante dos esquemas de corrupção do PT. Contestou sempre com veemência. Na última afirmou que processaria a revista. Desistiu, segundo esclareceu agora, porque foi aconselhado pelos advogados.
Já na época do mensalão, Roberto Jefferson disse na CPI que parte do dinheiro era distribuído aos mensaleiros no gabinete de Pizzolatti, na época, presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara. O deputado refutou toda as denúncias várias vezes.
A situação agora é mais delicada. A investigação prossegue em segredo de Justiça. Enquanto não surgirem as provas dos listados por Costa, pouco restará aos listados. No caso de Pizzolatti, contudo, há um complicador político: ele é o presidente interino do PP catarinense. Já existe movimento para sugerir seu afastamento temporário até que as coisas se esclareçam. Ele garante, entretanto, que não vê motivos para se licenciar.
– Não há provas e nem ação judicial. Sou vítima. Estou sendo caluniado – disse o deputado.

Fonte: Blog do MOACIR PEREIRA - Clic RBS

"Chávez Nosso" reacende discussão sobre fronteira entre religião e política




Oração em homenagem a Hugo Chávez rendeu críticas a partido socialista venezuelano. Mas tentativas de canonizar um regime ou seus líderes não são novidade, aponta teólogo.

Nicolás Maduro segura cartaz com foto de seu mentor político Hugo Chávez


"Chávez nosso, que estais no céu", assim se inicia a Oração do Delegado, a versão chavista do Pai Nosso apresentada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) num seminário sobre educação socialista no começo deste mês.

A resposta do arcebispo de Caracas não demorou a chegar: a deificação de um ser humano é um pecado, advertiu o cardeal Jorge Urosa. Ao mesmo tempo, o presidente venezuelano e líder partidário, Nicolás Maduro, rebateu críticas à homenagem feita a seu falecido mentor político: a Oração do Delegado seria apenas uma obra lírica, como a poesia do Nobel de Literatura chileno Pablo Neruda, disse Maduro.

Não se sabe quantas pessoas o presidente venezuelano conseguiu convencer com essa argumentação. As semelhanças com a mais conhecida e mais antiga oração cristã se arrastam por toda a Oração do Delegado: "Santificado seja o vosso nome", "A tua luz de cada dia nos dai hoje", "E não nos deixeis cair na tentação do capitalismo, mas livrai-nos dos males da oligarquia".

Superficialmente, isso pode soar como folclore político ou uma provocação dos adversários. Mas não se deve menosprezar o impacto de longo prazo, afirma Thomas Grossbölting, teólogo e historiador da Universidade de Münster, na Alemanha. "Aqui se ultrapassa deliberadamente um limite para abrir portas para a sacralização de uma determinada política ou de seus líderes", diz.

Meios ideológicos

Esta não é a primeira vez na história que se tenta santificar regimes ou políticos. O culto à personalidade em torno de Adolf Hitler na Alemanha nazista, entre 1933 e 1945, foi rodeado de elementos religiosos, exemplifica Grossbölting.

Isso inclui desde a encenação das reuniões do Partido Nazista em Nurembergue, em que o "Führer" atravessava um arco luminoso, até formas claras de messianismo, segundo o teólogo. "O próprio Hitler falava da providência divina, que proporcionou ao povo alemão a sorte de tê-lo encontrado."

Homenagem a Chávez: para cardeal venezuelano, deificar um ser humano é pecado

As lideranças da antiga Alemanha Oriental também fizeram uso dessa estratégia, porém, de uma forma bem mais tênue, afirma o historiador. Em 1958, Walter Ulbricht, o primeiro dos secretários-gerais do Partido da Unidade Socialista (SED, na sigla em alemão), anunciou os "Dez mandamentos da moral e da ética socialista".

"O regime recorre a um padrão conhecido entre a população para conferir um caráter sagrado à sua própria mensagem", diz Grossbölting sobre a aparente contradição entre o regime ateísta e alusões religiosas. Afinal de contas, para o cristianismo, os Dez Mandamentos não são regras quaisquer, mas a palavra divina, explica o teólogo.

No entanto, na ex-Alemanha Oriental, isso nunca foi bastante eficaz, mesmo que mais tarde o SED tenha criado uma série de dez mandamentos – parte delas em relação a situações bastante profanas, como "viagens e transportes". Posteriormente, a tentativa de conferir um caráter quase sagrado a decretos do governo evoluiu para o ridículo, diz Grossbölting.

Distinguir religião e política

Hoje, sobretudo na Europa Ocidental, a base religiosa está abalada demais para que a sacralização de uma pessoa ainda pudesse ter algum efeito, afirma o teólogo.

Mesmo assim, Grossbölting diz considerar correta a postura da Igreja Católica de se afastar de tais tentativas e de apontar as fronteiras entre política e religião. Isso poderia ser particularmente importante na Venezuela, onde para muitas pessoas a religião ainda exerce um papel importante, mesmo após 15 anos de governo socialista.

Depois de ter condenado duramente o "Chávez Nosso", o arcebispo Urosa se mostrou despreocupado. "Todo fiel venezuelano vai entender do que se trata", disse em entrevista ao jornal El Espectador.

Fonte: DEUTSCHE WELLE BR

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Opinião: Oração a Chávez é muito mais do que piada de mau gosto

Ao fazer uso de elementos religiosos, o chavismo assustadoramente se assemelha cada vez mais a uma seita, opina a chefe do Departamento América Latina da DW, Uta Thofern.


Uta Thofern, chefe do Departamento América Latina

À primeira vista, achei que se tratava de propaganda antibolivariana. Afinal de contas, os opositores do socialismo nem sempre são escrupulosos.

Mas o vídeo online não era uma farsa: num recente congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), um ativista realmente recitou uma versão do Pai Nosso dedicada a Hugo Chávez. E, na hora do amém, foi acompanhado por centenas de vozes que gritavam "Viva Chávez". Eu não sabia se ria ou chorava, então decidi simplesmente desconsiderar. Mas a história estava longe de terminar.

Como era de se esperar, a Igreja Católica na Venezuela reclamou e exigiu respeito à principal oração do Cristianismo – algo justo. Menos esperada, no entanto, ao menos a partir de uma perspectiva racional, foi a reação do novo presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

É claro que ele não poderia abandonar seus camaradas, mas comparar a oração à obra de Pablo Neruda, um ganhador do Prêmio Nobel, e chamar os cardeais de novos inquisidores foi ir um pouco longe demais. Até a emissora estatal defendeu o poema, chamando a "poesia" de uma "correção necessária das distorções da oposição de direita".

O que assusta nessa irracionalidade é que ninguém mais ri disso na Venezuela. Quando Maduro afirmou, durante a campanha presidencial de 2013, que o espírito de Chávez o havia inspirado na forma de "um pequeno passarinho", isso ainda poderia ser visto como uma metáfora infeliz. Mas já naquela ocasião ele se referiu a Chávez como "um líder que incorporou os valores de Cristo".

Tudo indica que Cristo não se faz mais necessário na Venezuela: o finado Chávez parece bastar em termos de exaltação religiosa. O movimento bolivariano parece estar evoluindo de confissão político-religiosa para seita, incluindo o fanatismo intrínseco a elas, a incapacidade de debater e, é claro, a tendência ao isolamento e às teorias conspiratórias. Se algo dá errado na Venezuela, a culpa é sempre das maquinações do inimigo – seja ele a oposição, seja o capitalismo estrangeiro.

Já é suficientemente assustador quando a oposição política é transformada em inimigo. Mas, quando uma ideologia vira a única doutrina verdadeira, a crítica se transforma em heresia, e a mudança de governo passa a ser o apocalipse. Isso não tem mais nada que ver com democracia.

Como alemã, o que mais me assusta é a suspeita de que uma psicose coletiva esteja sendo introduzida de forma intencional na Venezuela, de que Maduro não seja apenas um crente ingênuo que tenta desajeitadamente compensar sua falta de carisma com o enaltecimento de Hugo Chávez – mas, em vez disso, que a liderança bolivariana esteja deliberadamente explorando símbolos religiosos e emoções e, assim, abusando das necessidades espirituais do povo. Porque, na Alemanha, ações desse tipo sempre vieram acompanhadas de uma ditadura.

Fonte: DW

A PETROBRAS, O ESCÂNDALO E A PRIVATIZAÇÃO


Posso estar enganado, mas a mídia tradicional, normalmente ao serviço dos grandes conglomerados financeiros e econômicos, está a deliciar-se com a descoberta do que já foi chamado de "Mensalão II" por Aécio Neves.
Aquele bispo evangélico que é candidato à Presidência vem pregando abertamente a privatização da maior empresa do Brasil e o PT, ao meter a mão nos cofres da estatal, acaba de prestar um grande reforço aos que estão de olho naquele filão.
Todos colaboram - PT, bispo e Aécio, mais Veja e outros grandes órgãos de comunicação de massa - para atender à demanda dos gananciosos grupos econômicos que querem abocanhar a PETROBRAS.
Criminosos que estão em vias de colaborar para que a pátria seja, mais uma vez, escandalosamente lesada.
Pedir que militares, supostamente patriotas intervenham em favor dos interesses nacionais?
Só de pensar em tal apelação tenho calafrios, pois quando estiveram no poder os militares também entregaram nossas riquezas para os gringos.

Assembleia aprova fusão da Oi com Portugal Telecom


Decisão foi tomada nesta segunda-feira em Portugal



A Portugal Telecom aprovou a fusão com a Oi em assembleia geral extraordinária em Lisboa no início da tarde desta segunda-feira (8). Os novos termos da fusão das duas empresas foram aprovados com o voto favorável de 98,25% do capital presente.

A aprovação dos termos só foi possível após a diminuição da posição dos acionistas da Portugal Telecom na nova Oi. Segundo o Jornal de Negócios, durante a votação foram apresentados dados que confrontaram a administração da Portugal Telecom sobre o investimento de 897 milhões de euros na Rioforte, que resultou no calote sofrido pela Portugal Telecom à época das negociações da fusão com a Oi.



Menezes Cordeiro, presidente da mesa da AG, definiu que os brasileiros da Telemar, dona da Oi, que têm 10% da PT, não poderiam votar, devido a conflito de interesses. Para que os novos termos da parceria fossem aprovados, seriam necessários dois terços do capital representado.

O acordo, anunciado na noite de 28 de julho, prevê que a Portugal Telecom fique com 25,6% do capital da CorpCo, empresa que resultará da fusão, com a possibilidade de elevar sua participação até o que estava determinado antes do calote, 37,4%, por meio da compra de ações da Oi ao longo de seis anos. A PT SGPS não será mais extinta e deve ficar com a dívida de 897 milhões da Rioforte e com as opções de ações da nova empresa.

Os braços do Grupo Espírito Santo no Brasil

Como o Jornal do Brasil já publicou no início de julho, o Grupo Espírito Santo desenvolve atividades financeiras no Brasil, direta ou indiretamente, desde 1976, dois anos após a Revolução dos Cravos que derrubou o regime salazarista em Portugal. Na época, os acionistas viraram alvo de intensa perseguição política, o banco foi nacionalizado e os principais sócios se viram obrigados a sair de Portugal. Iniciaram, então, atividades financeiras no Brasil, na Suíça, na França e nos Estados Unidos, com destaque para a multiplicação dos negócios em terras brasileiras. Informações dão conta de que eles se associaram a grupos brasileiros, participando de operações ilícitas e causando grandes prejuízos. A família retomou o Banco Espírito Santo posteriormente.



O processo de internacionalização da Portugal Telecom, iniciado em 1997, esbarra com o mercado brasileiro de telecomunicações em 1998, com a aquisição de importantes entidades, como a Telesp Celular, Telesp Fixa e a Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). Uma das etapas de privatização no Brasil aconteceu no governo de Fernando Henrique Cardoso, tendo como marco a aprovação da Lei de Concessões, em fevereiro de 1995. O objetivo era criar regras gerais para o governo conceder a terceiros o direito de explorar a produção de serviços públicos, a exemplo do setor de geração de energia elétrica e de telecomunicações. A privatização dessas áreas exigiu um esquema complexo de regulação, para alcançar a maior competição do setor, na promessa de eliminação do monopólio público. A maioria dos compromissos de investimento feitos pela Portugal Telecom na época ainda estão no papel.

Identidade de Jack, o Estripador, é descoberta com exame de DNA


O assassino seria um barbeiro polonês, diz autor de livro

Material genético foi retirado de um xale de uma das vítimasFoto: JARI LOHELAINEN / AFP




Jack, o Estripador, um dos assassinos em série mais famosos da História, foi identificado por meio de traços de DNA encontrados em um xale, afirma Russell Edwards, que mora ao norte da capital inglesa.

Segundo Edwards, o misterioso assassino é Aaron Kosminski, um imigrante judeu da Polônia, que trabalhava como barbeiro em Londres. A verdadeira identidade de Jack, o Estripador, cujos assassinatos aterrorizaram as favelas escuras de Whitechapel, no leste de Londres, em 1888, foi um mistério por mais de 120 anos, com dezenas de suspeitos, que incluíram a realeza, os primeiros-ministros e até sapateiros. 

A prova material que confirma a hipótese veio de um exame de DNA extraído de um xale recuperado da cena de um dos assassinatos. A amostra coincidiu com o material genético de parentes da vítima e de um dos suspeitos.

Edwards, um empresário interessado na história do estripador, comprou o xale ensanguentado em um leilão em 2007. A história diz que o objeto veio da cena do assassinato da quarta vítima de Jack, Catherine Eddowes, em 30 de setembro de 1888.

Com a ajuda do Dr. Jari Louhelainen, especialista em biologia molecular, Edwards usou técnicas pioneiras para analisar o DNA do xale durante três anos e meio.

Eles foram comparados com o DNA de Karen Miller, uma descendente direta de Eddowes, confirmando que seu sangue estava no xale.

Com a ajuda de genealogistas, Edwards descobriu um descendente de Kosminski através da linha feminina, que ofereceu amostras de seu DNA.

Alguns têm dúvidas sobre as descobertas de Edwards. A pesquisa ainda não foi publicada em uma revista científica, ou seja, as alegações ou a metodologia analisada não podem ser verificadas de forma independente.

O professor Alec Jeffreys, que inventou a técnica de DNA fingerprinting há 30 anos, foi chamado para uma verificação posterior.

– Uma reivindicação interessante, mas notável que precisa ser submetida a revisão, com análise detalhada da proveniência do xale e da natureza do DNA. Nenhuma evidência real ainda foi fornecida – disse Jeffreys ao jornal The Independent.

Toda a história e os bastidores da investigação que revelaria a identidade do vilão mais famoso do mundo fazem parte do livro Identificando Jack, o Estripador, que será lançado por Edwards, nesta terça-feira, na Inglaterra.

*Zero Hora com informações da AFP