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Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

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segunda-feira, 13 de março de 2023

Obras de dragagem do canal artificial do Rio Tavares podem continuar, com condições


10/03/2023 - 18h36
Atualizada em 10/03/2023 - 18h36

As obras de dragagem do canal artificial do bairro Rio Tavares, que tinham sido embargadas pelo ICMBio, poderão ser retomadas imediatamente, com condições. A suspensão do embargo foi autorizada em audiência realizada hoje (10/3) à tarde pela 6ª Vara da Justiça Federal em Florianópolis (Ambiental), presidida pela juíza Marjôrie Cristina Freiberger. 

A solução, que não extingue o processo judicial, é resultado de um consenso entre as partes, cujos termos foram discutidos durante a reunião.

O termo de audiência estabelece que as ações de retirada dos resíduos e sedimentos, assim como a redução dos demais impactos ambientais da obra, deverão ser objeto de estudos elaborados em conjunto por técnicos da Prefeitura da Capital, da Defesa Civil e do ICMBio. O eventual alargamento do canal deve observar o necessário à passagem da balsa, para diminuir o impacto direto ao manguezal e à unidade de conservação.

A juíza suspendeu a exigência da multa de R$ 7 mil imposta pelo auto de infração e liberou a apreensão realizada. Marjôrie Freiberger consignou, no termo, que as partes chegaram um “consenso de que se trata de intervenção em área de preservação permanente e, ratificado pela Defesa Civil, que é uma obra emergencial.

A ação foi proposta pelo município contra o ICMBio nessa quinta-feira (9). Além das partes, a audiência teve a participação de representantes da Floram, Defesa Civil e Ministério Público Federal (MPF), entre outros presentes. 

Ficou estabelecido o prazo de 17 de abril para realização da primeira reunião de trabalho técnico.

Audiência aconteceu na 6ª Vara Federal de Florianópolis (Ambiental).

AFRONTA AO ESTADO LAICO - Ministro de Lula reza em cerimônia oficial. Como na época de Bolsonaro



Mudou o governo, mas continua a afronta ao Estado laico


PAULO LOPES
jornalista

Um usuário do Twitter ficou irritado com o que ele chamou de "momento bolsonarista" no governo do PT: o ministro do Desenvolvimento Social e ex-governador do Piauí, Wellington Dias, rezou o pai-nosso no lançamento do programa contra a fome.

"Votei no Lula e NÃO foi para isso. Vergonhoso o momento bolsonarista do PT em meio a um ato de governo. Mas não dá nem para dizer que chega a ser surpresa ou decepção porque o PT sempre teve um pezinho aí mesmo."

Uma moça escreveu: "Isso não está certo. O Estado é laico e como tal deve ser respeitado. É preciso haver uma regulamentação, estabelecendo o uso de funções ou espaços do Estado para práticas religiosas como desvio de conduta, passível de penalidades administrativas".

Outro twiteiro: "Achei que ao menos essa grosseira e ofensiva utilização da religião iria parar no governo Lula".

Mais um: "Agora voltou a ser ok fazer proselitismo religioso?"

Lula e Janja estavam na cerimônia. Ela demonstrou constrangimento e o presidente Lula — não se sabe do quê.

De fato, é lamentável: mudou o Governo e continua o afronta ao Estado laico. Parece que o bolsonarismo se mantém firme em alguns endereços oficiais de Brasília.

Fonte: PAULOPES

GREGÓRIO BEZERRA, UM LIDER IMPORTANTE

 


Relembre a trajetória de Gregório Bezerra, líder comunista e sindicalista pernambucano, nascido num dia como hoje em 1900

Bezerra foi preso várias vezes ao longo de sua vida por suas atividades políticas e sindicais
13 de março de 2023, 08:33 h Atualizado em 13 de março de 2023, 09:05

Gregório Bezerra (Foto: EBC)


247 - Gregório Bezerra foi um importante líder comunista e sindicalista brasileiro. Nascido em 13 de março de 1900 em Recife, Pernambuco, ele participou da fundação do Partido Comunista do Brasil (PCB) em 1922 e se tornou um de seus principais líderes.

Bezerra foi preso várias vezes ao longo de sua vida por suas atividades políticas e sindicais, incluindo a participação na Intentona Comunista de 1935, uma tentativa fracassada de golpe liderada pelo PCB. Ele passou um total de 18 anos na prisão durante sua vida.

Após sua libertação em 1964, Bezerra se tornou um dos líderes da resistência contra a ditadura militar que havia se instalado no Brasil naquele ano. 

Ele morreu em 1983, aos 82 anos de idade, sendo lembrado até hoje como um dos mais importantes líderes comunistas e sindicais do Brasil.

(Artigo escrtio com apoio de inteligência artificial)

Notícia falsa - Pretendo incomodar ainda durante algum tempo

 

Há pouco tempo, espalharam notícia de que o amigo    JÚLIO POLIDORO havia morrido. Hoje foi a minha vez de me matarem.

Pro bem, ou pro mal, alguém lembrou-se de mim e de me mandar pros quintos.

Mas, nem eu, nem o amigo Júlio passamos dessa pra outra.

De qualquer forma, fez-me o episódio lembrar certas impotências que nos acometem na velhice, que representam a morte lenta e inexorável.


O escritor francês as sintetizou com maestria:

- Pois é, devo morrer, só me resta morrer. Sim, já não sirvo para nada, não sou mais pai! Não.

Ela me pede, ela precisa! E eu, miserável, não tenho nada. - HONORÉ DE BALZAC - O pai Goriot.

sexta-feira, 10 de março de 2023

Novo juiz da Lava Jato determina que Eduardo Cunha entregue 6 carros confiscados na operação


Veículos estavam sobre posse da família do ex-deputado e ex-presidente da Câmara Federal; decisão foi publicada na tarde de quinta-feira (9).


Por g1 PR

10/03/2023 11h05 Atualizado há 15 minutos



Novo juiz da Lava Jato determina que Eduardo Cunha entregue 6 carros confiscados na operação — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters


O novo juiz da Lava Jato em Curitiba, Eduardo Appio, determinou que o ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha entregue seis carros dele confiscados durante a operação. A medida, assinada na tarde de quinta-feira (9), dá o prazo de cinco dias úteis após a intimação da parte.


A lista dos veículos inclui:


dois Porsche Cayenne;
um Ford Fusion;
um Ford Edge;
um Hyundai Tucson;
um Volkswagen Passat.


Os veículos não podiam ser vendidos ou transferidos, mas permaneceram em posse do ex-deputado e da família de Cunha.


O g1 tenta contato com a defesa do ex-deputado.

Eles estavam bloqueados desde 2016 na mesma decisão do então juiz e atual senador pelo Paraná Sérgio Moro que determinou a prisão do ex-deputado.


"Revogo, por conseguinte, o respeitável despacho judicial deste Juízo Federal (nos autos de pedido de prisão preventiva de EDUARDO CUNHA [...] o qual havia autorizado que o acusado EDUARDO CUNHA (e seus familiares) ficassem na posse dos veículos de luxo abaixo mencionados", cita trecho.

A suástica num disco de ouro dinamarquês de cerca de 1.500 anos.

 


Pingente encontrado na Dinamarca é referência mais antiga ao deus Odin

  • Os símbolos gravados no medalhão, do século 5º, são um sinal de que as divindades nórdicas eram reverenciadas mais cedo do que se pensava.

Em um disco de ouro dinamarquês está uma antiga inscrição identificada por cientistas como a mais antiga referência a Odin. Ela representa a primeira evidência substancial de que o deus nórdico já era adorado há mais de 1,5 mil anos.

Descoberto em 2020, o disco fazia parte de um montante de 1 kg de ouro, com grandes medalhões do tamanho de pires e moedas romanas transformadas em joias. O tesouro foi enterrado no século 5º, provavelmente para escondê-lo de inimigos ou como uma oferenda aos deuses. 

No meio das riquezas, havia uma bracteata de ouro – um tipo de medalha ornamental com um dos lados gravados – que dizia: “Ele é o homem de Odin”.

Odin era uma das principais figuras da mitologia nórdica. Considerado pelos vikings o criador do Universo, ele era o chefe do clã dos deuses guerreiros e também um vidente. Seus adoradores o enchiam de pedidos, pois acreditavam que ele fosse capaz não só de enxergar o passado e prever o futuro, como de alterar o destino dos homens.

“É uma das inscrições rúnicas mais bem executadas que já vi”, afirma Lisbeth Imer, runologista do Museu Nacional de Copenhague. 

As runas nada mais são do que símbolos usados na comunicação das primeiras tribos do norte da Europa – a sua descoberta também é atribuída a Odin.

Krister Vasshus, especialista em línguas antigas, afirma que toda inscrição rúnica é vital para entendermos o passado, especialmente desse tipo, considerado extremamente raro. “Quando uma inscrição assim aparece, em si já é incrível”, disse Vasshus. “Isso nos dá algumas informações bastante interessantes sobre a religião antiga, e também nos diz algo sobre a sociedade no passado.”

Os nórdicos eram politeístas, ou seja, adoravam muitos deuses. Cada um deles tinha suas características, atributos, fraquezas e deveres próprios. Com base em sagas e pedras rúnicas, a história desses deuses foi sendo desvendada, sugerindo que eles possuíam muitos traços humanos.


STF julga improcedente ação de Deltan contra sanção disciplinar do CNMP

 

Deltan adotou conduta incompatível com o cargo que ocupava, segundo Dias Toffoli
Fernando Frazão/Agência Brasil

 

De acordo com a decisão do CNMP, o então procurador no Paraná ultrapassou o limite do seu direito de liberdade de manifestação ao dizer na entrevista que certas decisões de ministros da 2ª Turma do STF mandavam "uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção".

Na petição, Dallagnol argumentou que, na época em que foi proferida a decisão do CNMP, já estava extinta a pretensão punitiva do Estado de aplicar a penalidade, devido ao decurso do prazo prescricional. Ele acrescentou que o ato punido consubstancia o exercício regular do seu direito de manifestação de pensamento, protegido pela Constituição.

Ao decidir, o ministro Dias Toffoli afirmou que não há nenhum vício na fundamentação do ato do CNMP que determinou a aplicação da pena de advertência, que é a mais branda possível.

Segundo ele, a decisão demonstra "com toda a clareza e de forma exaustiva" que o então procurador da República adotou conduta incompatível com as atribuições do cargo que ocupava.

Toffoli acrescentou que o CNMP se manteve dentro de sua competência constitucional e que o STF tem entendimento firmado no sentido de que não lhe cabe substituir os conselhos correcionais na análise valorativa de elementos que ensejem a aplicação de sanções administrativas. 

Com informações da assessoria de imprensa do STF.

PET 8.614


De onde vem a riqueza de tão poucos

 


Em obra político-didática essencial, Michael Hudson descreve as engrenagens do rentismo capitalista pós-moderno. Livro alerta: ao parasitar o trabalho produtivo, Ocidente autocondena-se a estagnação econômica, regressão social e fascismo


por Ladislau DowborPublicado 09/03/2023 às 17:07 - Atualizado 09/03/2023 às 17:26


Por Ladislau Dowbor | Imagem: Rick Mosher

Resenha de:

Destiny of Civilization: Finance capitalism, industrial capitalism or socialism

De Michael Hudson, Islet Editorial, 2022


Michael Hudson escreveu o que me parece ser a melhor e mais clara explanação sobre como a economia financeirizada transforma a sociedade moderna. Não estou exagerando nos qualificativos, trata-se de um trabalho realmente excepcional, e que permite que qualquer pessoa com um nível razoável de cultura possa entender os principais dilemas de como nos organizamos como sociedade. O livro resulta de um curso para a universidade chinesa Global University for Sustainability, transcrito pelos chineses, revisado pelo autor, e transformado numa prosa onde a oralidade e os exemplos asseguram a compreensão das principais dinâmicas do capitalismo atual. O livro explica, não complica.

Um ponto chave é a confiabilidade. Michael Hudson tem décadas de contribuições na área financeira, trabalhou com governos e instituições internacionais, e se tornou um dos principais decodificadores dos mecanismos e das narrativas que geraram a desigualdade explosiva que vivemos. Ter trabalhado nas instituições financeiras é essencial para poder sistematizar os impactos da financeirização. O fato do curso ter sido realizado para chineses é particularmente interessante, pois a China, como o próprio livro apresenta, se caracteriza por um sistema misto que envolve economia de mercado, regulação estatal e contratos negociados com empresas transnacionais que se instalam no país, gerando uma articulação inovadora. Em particular, a China manteve a atividade bancária como instrumento público de fomento das atividades produtivas.

No prefácio, Wen Tiejun, economista e professor da universidade Renmin, resume: “Essas palestras explicam porque os EUA e outras economias ocidentais perderam a sua dinâmica anterior: uma classe rentista estreita ganhou o controle e se tornou o novo planejador central, usando o seu poder para drenar renda da indústria e de trabalhadores de alto custo cada vez mais endividados. A doença americana de desindustrialização resultou do fato dos custos da produção industrial terem sido inflados pelas rentas econômicas extraídas por essa classe, no quadro do sistema de capitalismo monopolístico financeiro que atualmente prevalece no Ocidente.” (iv) Esse espelho em que nos vemos pelos olhos de um pesquisador chinês é particularmente interessante.

O deslocamento essencial, muito bem explicitado e comprovado por Thomas Piketty, é que no capitalismo de hoje rende mais fazer aplicações financeiras do que investir na produção. Segundo Hudson, ”os retornos para o capital financeiro são mais elevados do que as taxas de lucro industriais. Fortunas se fazem mais rapidamente ao endividar a indústria, os bens imobiliários, os assalariados e os governos, drenando (siphoning off) o excedente econômico por meio de juros, outras tarifas financeiras e bônus, e ao “financeirizar” a gestão de empresas industriais para inflar os preços das suas ações e títulos.”(93) Assim, “o volume da dívida numa economia cresce exponencialmente pela magia do juro composto, mas não a economia real. Isso significa que o volume da dívida deve necessariamente crescer até exceder a capacidade real da economia pagá-la.”(102). Assim, o endividamento tornou-se um dos principais mecanismos de apropriação do excedente produzido pela sociedade.

A questão da privatização aparece com força: “A questão básica é se o dinheiro e o crédito, terra, recursos naturais e monopólios serão privatizados e concentrados nas mãos de uma oligarquia rentista, ou usados para promover a prosperidade geral e crescimento. Isso é basicamente um conflito entre capitalismo financeiro verso socialismo como sistemas econômicos. Quando os estrategistas comerciais americanos justapõem a ‘democracia’ do mundo livre e a autocracia chinesa, o conflito maior na realidade se refere ao controle governamental do dinheiro e do crédito. A China evitou a dependência externa ao não transformar os seus investimentos em infraestrutura em pedágios que extraem rentas (rent-extracting tollbooths) sobre estradas, telefonia e outros monopólios naturais como é característico das economias rentistas ocidentais. Manteve os serviços de infraestruturas básicas com preços baixos por meio de empresas públicas.”(218)

Em termos de teoria econômica, Hudson se volta muito aos clássicos, como Adam Smith, Ricardo e outros, para quem liberalismo significava se livrar do conjunto de controles, taxas e impostos que as aristocracias utilizavam para drenar as atividades industriais e comerciais. Eram oligarquias improdutivas que oneravam qualquer atividade produtiva, para sustentar as suas guerras e luxuosos palácios. Versalhes não era de graça. No final do século 19, Bismarck introduziu um conjunto de políticas sociais, entendendo que o financiamento público barateava a mão de obra para a própria indústria: o Estado se tornava produtivo. Era do interesse do capitalismo industrial.


Mas as teorias não são tanto sobre o que funciona na economia, e sim para quem a economia deve funcionar. A teoria que hoje defende privatizações e estado mínimo tem endereço óbvio. O neoliberalismo busca justificar as vantagens dos rentistas, em nome do interesse geral. Terminamos tendo oligarquias financeiras improdutivas lucrando ao endividar ou ao impor dividendos sobre as atividades produtivas, a indústria, o comércio e o próprio Estado. Olhamos para a bolsa para saber se a economia vai bem, como se os dividendos pagos sobre o petróleo – extraídos de cada botijão de gás que a população paga – fossem resultado de produção.

Nada como ouvir um banqueiro brasileiro afirmar com orgulho que a situação dos bancos no Brasil “é sólida”. Os bancos constituem uma atividade meio, um custo para a sociedade, não um “produto”. Nos termos de Hudson, um “overhead”. Falamos muito de quanto nos custa o setor público, mas não quanto nos custam os intermediários financeiros. Ao impor limites (Teto de Gastos) sobre políticas sociais como educação e saúde, que são atividades fins, que contribuem diretamente para o bem-estar da população, de maneira a pagar mais aos banqueiros e acionistas, que representam um custo de intermediação, estamos simplesmente financiando um setor que drena a economia. De certa forma, voltamos aos tempos aristocráticos, desta vez com oligarquia financeira.

Em 1993 os banqueiros conseguiram modificar o cálculo do PIB, de forma a incluir os lucros dos banqueiros como contribuição ao crescimento, em vez de custo de intermediação, um ônus. “As estatísticas de PIB mostram uma proporção crescente do PIB como sendo rentismo para bancos e donos de títulos, donos de imóveis e de monopólios. Os juros que cobram, penalizações de devedores, e rentas sobre imóveis e monopólios, são apresentados como refletindo um produto na forma de “serviços financeiros” ou serviços de senhorio e extração financeira semelhantes.”(238) Para dar um exemplo, se eu, professor Ladislau, contrato um gestor financeiro para cuidar da minha poupança, e ele me custa mais do que acrescenta, o meu “pib” individual diminui. Acrescentar os custos do gestor como “produto” é absurdo. Mariana Mazzucato, no seu O Valor de Tudo, detalha também essa deformação do cálculo do PIB: “As contas nacionais atualmente declaram que estamos melhor quando uma parte maior da nossa renda flui para as mãos de pessoas que ‘administram’ nosso dinheiro, ou que especulam com a seu.” (The Value of Everything, p. 109). Assim, a atividade financeira especulativa aumenta artificialmente o nosso PIB.

O resultado é que “a ideologia econômica de hoje é basicamente a economia do Um Porcento, apagando a distinção clássica entre renda e crédito produtivos e improdutivos. Ganhos de rentismo são atualmente apresentados como se acrescentassem ao produto nacional (como medido pelo PIB), não como um custo (overhead) extraindo renta do resto da sociedade como ‘pagamentos de transferência’. O resultado não é democrático; é oligárquico.”(277) Trata-se de privilégio obtido pela força política, não por racionalidade econômica: são leis que ampliam privilégios privados (privilégio vem do latim privada-lei). Na Constituição de 1988 o artigo 192 qualificava agiotagem como crime, mas os bancos conseguiram tirar a lei, como conseguiram que os seus lucros fossem isentos de imposto (lucros e dividendos distribuídos, 1995). Não é a “ciência econômica” que leva a essa deformação, e sim interesses financeiros. Estamos sustentando parasitas. “O controle do setor financeiro sobre o poder do governo de regular, legislar e aplicar a lei, bem como sobre a política do Banco Central torna os juros cobrados quase puro rentismo econômico.”(87)

Os mecanismos de extração de renta improdutiva hoje atingem diversos setores. “Todas as formas de rentismo – sobre terra, monopólios e juros – derivam de privilégios legais assegurados pelo estado, generosamente chamados de ”direitos”, indo dos direitos sobre recursos minerais do solo e do subsolo até “direitos de propriedade intelectual” e outros monopólios, encabeçados por privilégios bancários e de criação de moeda. Tais privilégios são obtidos dos governos, e assim as rentas que deles resultam são custos de produção políticos em vez de tecnologicamente necessários.” (86)

Hudson também explicita o funcionamento muito particular da economia americana, único país a ter o privilégio de emitir uma moeda mundial, permitindo-lhe financiar as guerras e suas 750 bases militares pelo mundo afora com simples emissão: dinheiro que irá circular no exterior ou como reservas de divisas de bancos centrais, sem gerar inflação nos EUA. “O que sustenta o poder militar é o controle do sistema financeiro internacional, permitindo-lhe gastar mais de $1 trilhão anualmente para financiar operações militares que quebrariam a taxa de câmbio de qualquer outro país, e que na realidade levou o dólar de ser tirado da base de ouro em 1971.” (186)

Como enfrentar essa oligarquia financeira internacional? Na página 225 o autor apresenta 11 linhas de ação, medidas que permitam resgatar o bom senso e a utilidade social na economia. Resumindo, a visão geral apresentada por Michael Hudson é de uma economia mista. “Existem essencialmente dois tipos de sociedade: economias mistas com pesos e contrapesos públicos, e oligarquias que desmantelam e privatizam o Estado, tomando o controle do seu sistema monetário e de crédito, o solo e infraestrutura básica para enriquecer, mas travando a economia, não ajudando no seu crescimento. A lição da história é que oligarquias privatizadas polarizam e se tornam estados falidos. Economias mistas com governos suficientemente fortes para proteger a sua sociedade e as pessoas da exploração predatória rentista são resilientes e têm sucesso.”(275)

Pelo estilo direto, que apresenta os desafios práticos e reais da economia moderna, com numerosos exemplos e ilustrações, considero este livro como aquele comando no computador que permite “atualizar” o nosso software, neste caso atualizar a compreensão do capitalismo tal como hoje funciona. O capitalismo realmente existente vive de sucessos emprestados de outra era. Em termos econômicos, perdeu a sua legitimidade.

https://outraspalavras.net/crise-civilizatoria/de-onde-vem-a-riqueza-de-tao-poucos/

quinta-feira, 9 de março de 2023

Cézar Fonini, ex-prefeito de Xaxim, pega 49 anos de prisão por mandar matar advogado


Crime que aconteceu em 2019, em Guaraciaba, no Extremo-Oeste Catarinense, foi julgado nesta semana em São Miguel do Oeste
WILLIAN RICARDO , CHAPECÓ09/03/2023 ÀS 14H08 - 


Cézar Gastão Fonini, ex-prefeito de Xaxim/SC, foi condenado a 49 anos e 6 meses de reclusão, em regime fechado, por encomendar a morte do advogado Joacir Montagna, há cerca de cinco anos, em Guaraciaba, no Extremo-Oeste de Santa Catarina.
Cezar Gastão Fonini foi condenado a quase 50 anos de prisão – Foto: Marcos Lewe/Rádio 103 FM/ND

O ex-político ainda deverá pagar R$ 500 mil em indenização à família do profissional por danos morais. Fonini, que também era médico, foi condenado por homicídio qualificado por motivos torpe e fútil, além de uso de recurso que dificultou a defesa do advogado. O homem estava preso desde agosto de 2019.

Márcio Luiz Cristofoli, juiz titular da Vara Criminal de São Miguel do Oeste, persistiu o juri popular, que iniciou na última segunda-feira (6) e se encerrou às 11h36 desta quinta (9). A sessão ocorreu na Câmara de Vereadores em razão da complexidade do caso, que contou com reforço na segurança do local.

O ND+ não conseguiu contato com a defesa do ex-prefeito de Xaxim. O espaço segue aberto para manifestação.

A esposa do político e ex-vereadora de Xaxim, Maria de Lourdes Fonini, também era réu por homicídio, mas foi absolvida. Adelino José Dala Riva, que teria contratado dois irmãos para matar o advogado e dado a arma do crime com parte do pagamento, era réu por associação criminosa e também foi inocentado.

Montagna foi morto com um tiro na cabeça no dia 13 de agosto de 2018, enquanto trabalhava em seu escritório. O caso gerou grande comoção na região, em razão do advogado ser bastante conhecido.

Com o andamento do caso, o processo foi dividido. No primeiro julgamento, em 2019, cinco homens foram condenados pela execução da morte, cujas penas somaram 138 anos de prisão.

No primeiro júri, Adelino José foi condenado a 34 anos de reclusão por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo.

O crime

Conforme a denúncia do Ministério Público, no dia 13 de agosto de 2018, dois acusados saíram de carro de Chapecó para Guaraciaba. Um terceiro foi de motocicleta com placa clonada e número do motor adulterado. Nas proximidades do trevo de Guaraciaba, o executor do homicídio embarcou na moto em direção ao escritório da vítima. Sem retirar o capacete, ele teria anunciado um “assalto” às funcionárias do escritório e pedido para ser levado ao “doutor”. Quando todos deitavam no chão, o acusado teria atirado na cabeça de Joacir Montagna, que faleceu no local.

Os acusados teriam fugido de motocicleta, a qual foi abandonada no interior do município de Guaraciaba. Depois, eles teriam voltado de carro para Chapecó. O contratante teria pago pelo crime R$ 7.500 em dinheiro, além de uma arma de fogo. Ainda de acordo com a denúncia, o tio daqueles acusados realizou a venda de uma arma de fogo e a transportou para outro estado no interior de um ônibus (Autos n. 0003785-90.2018.8.24.0067).

Segundo a denúncia, um casal contratou um homem para providenciar a morte do advogado. Esse contratado acionou o atirador, que por sua vez chamou dois irmãos e um tio para participar do crime. Segundo a investigação, a intenção era facilitar as tratativas de um possível acordo em uma ação de cumprimento de sentença, em que a vítima atuava como advogado da parte contrária e não atendia aos desejos e propostas da família processada para o desfecho da ação judicial.

Aluguel garantido pelo Estado

 

Marina Gonçalves, la joven ministra que ha revolucionado la política de vivienda en Portugal

La socialista propone poner en el mercado de alquiler, con la garantía del Estado, las más de 700.000 viviendas vacías que hay en el país