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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Justiça alemã decide que arte antissemita pode permanecer em igreja



Tribunal da Saxônia-Anhalt determina que igreja em que Martinho Lutero pregava na Alemanha pode manter em sua fachada a escultura medieval conhecida como "Judensau". Termo considerado ofensivo significa "porca judia".



A obra de arte antissemita está na fachada exterior da Igreja de Santa Maria, em Wittenberg

Um tribunal alemão decidiu nesta terça-feira (04/02) que uma obra de arte medieval antissemita conhecida como "Judensau" pode permanecer na fachada da Igreja de Santa Maria, em Wittenberg, no leste do país. O caso tinha sido levado à Justiça por um membro da comunidade judaica local.

"Judensau" significa "porca judia" – um termo altamente ofensivo – e era comum nas igrejas medievais na Alemanha e em outros países europeus.

O tribunal do estado da Saxônia-Anhalt, localizado em Naumburg, argumentou que a escultura faz parte do edifício antigo, que também é um Patrimônio Mundial da Unesco e, portanto, não deve ser tocada.

O "Judensau" em Wittenberg está na fachada da Igreja de Santa Maria desde 1305. A escultura retrata pessoas identificadas como judias sugando as tetas de uma porca, enquanto um rabino levanta o rabo do animal. Uma inscrição apresenta uma versão sem sentido do hebraico.

Michael Düllmann, que havia entrado com a ação na Justiça, argumentou que a escultura representa "uma difamação e um insulto ao povo judeu", com "terrível efeito até hoje". Ele havia sugerido retirar a obra da igreja e colocá-la no vizinho Museu Martinho Lutero.

Sobre a decisão da Justiça, Düllmann disse estar decepcionado, mas feliz por provocar o debate dentro da Igreja Protestante alemã. Ele afirmou que vai recorrer da decisão junto ao Tribunal Constitucional Federal da Alemanha e que está preparando o caso para levá-lo, se necessário, ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH), localizado em Estrasburgo, na França.


Escultura retrata pessoas sugando as tetas de uma porca enquanto um rabino levanta o rabo do animal

Igreja de Martinho Lutero

Martinho Lutero, o ex-monge católico que foi uma das figuras centrais da Reforma Protestante, viveu em Wittenberg e pregava naquela igreja. Ela se tornou o local da primeira celebração de missas em alemão em vez de latim, razão pela qual a Unesco concedeu ao prédio o status de Patrimônio Mundial.

Lutero menciona a obra de arte ofensiva em Wittenberg especificamente em seu livro de 1543 intitulado Vom Schem Hamphoras und vom Geschlecht Christi (Do inefável nome e das gerações de Cristo, em português).

O tom antissemita compara o povo judeu ao diabo. O livro, juntamente com outros escritos antissemitas de Lutero, foi mais tarde usado pelo partido nazista para promover o antissemitismo.

A obra de arte em Wittenberg tem sido motivo de controvérsias e, em 1988, no 50º aniversário da Noite dos Cristais, um memorial aos 6 milhões de judeus mortos durante o Holocausto também foi construído no subsolo da igreja em resposta a um protesto contra a escultura altamente ofensiva.

O pastor local, Johannes Block, disse que a Igreja também considera a escultura inaceitavelmente ofensiva. Mas ele argumentou que ela "não fala mais por si só como uma peça solitária, mas está embutida em uma cultura da memória" graças ao memorial construído em 1988.

"Nós não queremos esconder ou abolir a história, mas seguir o caminho da reconciliação com e através da história", frisou Block.

Além disso, uma placa fornece informações sobre a escultura em alemão e inglês. A maioria das igrejas com obras semelhantes a "Judensau" na Alemanha se livrou delas no passado.

FC/dw/ap

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