Músico morreu em 1989 e descendente da família imperial faleceu em 2009, na tragédia do Voo 447, que ia do Rio para Paris. Bizarra petição solicita citação do "maluco beleza" no plano espiritual

Escrito en BRASIL el 6/9/2022 · 17:22 hs
Uma petição pra lá de incomum (e delirante) foi impetrada por um advogado do Paraná na Vara Criminal do município de Marechal Cândido Rondon. Nela, o autor pede à Justiça que condene por homicídio o cantor, músico e compositor já falecido Raul Seixas, que seria o responsável pela morte de Pedro Luís Orleans e Bragança, um descendente da família imperial brasileira que perdeu a vida na trágica queda do voo 447, da Air France, que saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris, em 1° de junho de 2009.
Se já não bastasse a atribuição de culpa ao artista genial de nossa música por uma morte causada num desastre aéreo que vitimou outras 227 pessoas, o acidente ainda por cima ocorreu 20 anos após Raulzito nos deixar, em 1989.
Se o leitor espera uma trama esquisita, mas com alguma “lógica” dentro do delírio desenvolvido na narrativa do advogado, engana-se. A argumentação contida na petição é uma mistureba de fatos desconexos e outros totalmente descabidos.
O homem que acionou a Justiça se diz descendente de um nobre alemão que veio viver no Brasil há mais de 100 anos, o que de alguma forma o ligaria à vítima do acidente aéreo, que era descendente de Dom Pedro II. Ele se diz músico e teria recebido um registro profissional da categoria, em 2002, justamente com o número 1989, que é o ano da morte de Raul Seixas.
Pouco antes de morrer, naquele ano, o autor de ‘Maluco Beleza’ se apresentou num show em Ponta Grossa, cidade natal do advogado. Ele diz que relacionou todos esses “fatos” e chegou a essa conclusão por ser conselheiro e diretor da Ordem dos Músicos do Paraná.
A cidade escolhida para entrar com o pedido judicial, Marechal Cândido Rondon, de acordo com o autor da ação, foi escolhida pelo fato de Raul ter se apresentado lá em 1976. Segundo seus argumentos, qualquer cidade onde o músico fez show poderia ser considerada jurisdição para sua solicitação de condenação do mítico artista.
Na introdução de sua petição, o advoga gaba-se de ter recebido o título informal de “dinossauro do Rock”, pelo fato de atuar nesse segmento musical por mais de 25 anos. Ele diz coisas também sobre usar o nome de bandas de rock de maneira colaborativa para ficar com os lucros provenientes da exploração de uma marca, o que faz com ele peça ao juiz que a extinta banda canadense Rush (não pergunte o que isso tem a ver com a morte do príncipe e a culpa de Raul) lhe conceda tais direitos para "cessar assim os efeitos espirituais sobre os pilotos de aviões".
Por fim, a inusitada ação solicita que Raul Seixas seja intimado a se manifestar “em seu plano espiritual correspondente”.
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