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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Washington também renega celebração para Cristóvão Colombo


Capital se soma nesta segunda-feira a mais de 130 cidades e oito Estados dos EUA que substituíram o Dia de Colombo, argumentando que o conquistador “escravizou e massacrou" milhares de povos indígenas


Yolanda Monge
Washington - 14 Oct 2019 - 19:37 BRTEstátua de Colón em Washington, em frente à estação ferroviária Union Station. (GETTY)

Washington, a capital dos Estados Unidos, soma-se este ano à lista de 130 cidades e oito Estados do país que há uma década vêm suprimindo a celebração da festa conhecida como Columbus Day, o Dia de Colombo, e a substituem pelo Dia dos Povos Indígenas. Na semana passada, o Distrito de Columbia (nome, aliás, derivado de Colombo), onde fica Washington, votou por suprimir o feriado neste ano. Colombo, determinaram os legisladores locais, “escravizou, colonizou, mutilou e massacrou milhares de povos indígenas nas Américas”. A figura do explorador, associada nos EUA mais à sua italianidade (era genovês) que à história da Espanha (país ao qual servia), tornou-se um símbolo polêmico nos últimos anos.

O vereador David Grosso, o autor da proposta, que também é contrário ao nome da time de futebol americano da cidade, o Redskins (“peles vermelhas”), por considerá-lo ofensivo, declarou que era “importante reconhecer as pessoas que viviam aqui antes de chegarmos da Europa”. “Muito frequentemente fizemos um mau trabalho ao não reconhecer os nativos americanos e dar muito crédito a Colombo”, acrescentou. A legislação, votada em caráter de urgência, estabelece que os valores do Distrito de Columbia, como a igualdade, a diversidade e a inclusão, não são representados por uma figura como Colombo, que é divisora e só serve para perpetuar o ódio e a opressão, segundo a lei.


Dos 11 vereadores do Distrito de Columbia, nove apoiaram a moção e dois se abstiveram. Um deles, Jack Evans, declarou que apoiava a existência de um dia dos Povos Indígenas, mas não às custas do fim do Columbus Day. Evans contou que muitos de seus eleitores de origem italiana haviam escrito ou telefonado para dizer que não consideravam a decisão justa. A festa foi criada pelos italianos.

Para os que discordam da data, a celebração da data desta maneira é um erro histórico. O Dia do Colombo foi declarado feriado federal nos EUA em 1937, apesar de Colombo não ter descoberto a América do Norte, onde milhões de pessoas já viviam antes que ele chegasse. Além do mais, Colombo —que desembarcou em 12 de outubro de 1492 numa ilha do Caribe— jamais colocou os pés no litoral dos atuais Estados Unidos.

Os defensores do Dia dos Povos Indígenas alegam que considerar Colombo um benfeitor é um mito que precisa ser desmontado e substituído pelo papel crucial e cada vez mais reconhecido dos povos indígenas na proteção planeta.

As vozes contrárias da celebração buscam deixar claro que o movimento para suprimir a festividade não é, absolutamente, contrário à comunidade ítalo-americana, e insistem em que se trata de uma denúncia do genocídio e de uma homenagem aos povos indígenas e ao seu papel relevante na história e futuro da América.

Os Estados Unidos vivem um movimento de revisionismo histórico que afetou a herança espanhola neste país, com os ataques às estátuas de religiosos como o santo espanhol que explorou a Califórnia, Junípero Serra, e cuja figura representa esse Estado no Capitólio de Washington. Várias estátuas de Colombo também foram vandalizadas em anos anteriores e cobertas de tinta vermelha, simbolizando o sangue que, conforme dizem, mancha suas mãos.
 
Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/10/12/internacional/1570844891_300972.html

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