quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O luxo do Fabinho

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Padre Fabio de Melo usará batinas da Armani

O padre Fábio José de Melo Silva, sacerdote católico, artista, escritor, professor universitário, galã e bonitão estará ainda mais bem vestido em 2010. Segundo sua assessoria de imprensa, o padre ganhará do vaticano batinas exclusivas fabricadas pela grife italiana Armani.

O estilista Giorgio Armani, católico fervoroso, confirmou a parceria nesta terça-feira, em Milão. “Minha relação com o Brasil ficou mais próxima depois que conheci o Kaká. Sei da religiosidade do povo brasileiro e soube que a trajetória do padre Fábio é magnífica. Confeccionarei as batinas com nossos materiais mais nobres, pois estaremos vestindo homens de Deus” disse Armani, em nota divulgada pela grife.

As novas batinas, mais modernas e seguindo as tendências de moda, é uma das estratégias da Igreja Católica para agradar os jovens que não tem mais interesse na fé. A Igreja vem perdendo muitos fiéis nos últimos anos devido à ascensão das Igrejas Evangélicas e do Ateísmo.

Em entrevista, o padre Fabio de Melo comentou sobre a nova campanha de marketing “É um privilégio poder usar batinas ainda mais bonitas que as atuais, ainda mais sendo Armani”. O padre ainda informou que a parceria da Igreja com a grife foi estudada pelos cardeais de cada condado e aprovada pelo Papa Bento XVI, que já usa sapatos da grife Prada.

Entretanto, as batinas da grife não são novidade. O sacerdote Maximiliano Vieri, de Nápoles, foi presenteado recentemente com uma batina da marca. Feita em veludo belga, a vestimenta tem a bainha assíncrona com franjas em linho dourado. Vieri disse que os fiéis aprovaram as novas indumentárias “No começo senti uma rejeição, mas depois que os fiéis me viram com a nova batina, só recebi elogios. Todo mundo aprecia pessoas bem vestidas” complementou o sacerdote.

Além da elegância, um dos pontos que chama a atenção na batina de Vieri é a gola. Feita em algodão cru, foi toda bordada à mão com motivos escolhidos pelo sacerdote “Escolhi a imagem de San Paolo, padroeiro de Nápoles, para ser bordada na gola. Os fiéis aprovaram, pois foi feito um trabalho lindo” finalizou.

A grife ainda informou que a parceria com a Igreja não é somente com as vestimentas “Toda a parte de menswear e perfumes está inclusa no pacote. Também fabricaremos exclusivos incensos com perfumes Emporio Armani” explicou o gerente de marketing Gianluca Porpetone.

Em nota oficial, o Vaticano confirmou a parceria fashion “É uma forma de dizer que a religião é para todos. As pessoas por trás da empresa são cordeiros seguidores de Cristo e viram uma oportunidade de ajudar esta Igreja, doando seu trabalho em prol de nossos homens de Deus. Não se trata de luxo, nem ostentação, trata-se de pessoas iluminadas pela luz divina e oferecendo sua gratidão à Casa do Senhor”

As primeiras vestimentas devem chegar ao Brasil em 2010.

E aquele lance de "Bem aventurado os pobres...", aquele lance de "humildade" de "apego à simplicidade"?

É a igreja católica fortalecendo os argumentos ateístas.

Tá $sobrando na ICAR

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

"Padre torrou R$ 14 milhões da igreja"

Rio - Auditoria nas contas da Arquidiocese do Rio de Janeiro mostrou que, nos 16 meses em que controlou as finanças e os bens da Igreja no município, o padre Edvino Alexandre Steckel torrou R$ 14 milhões em despesas desnecessárias ou não justificadas. A devassa nos gastos foi determinada, em maio, pelo arcebispo Dom Orani João Tempesta, logo depois do ‘Informe do DIA’ revelar a compra de um apartamento de luxo para servir como residência, no Rio, do antigo arcebispo, Dom Eusébio Scheid.

Foi na gestão de Dom Eusébio, que deixou a Arquidiocese em abril, que padre Edvino assumiu o comando do dinheiro da Igreja. Ele acabou demitido do cargo de ecônomo da Arquidiocese e de diretor da Rádio Catedral no dia seguinte à publicação da notícia sobre a compra do apartamento. Localizado na Avenida Ruy Barbosa, de frente para a Praia do Flamengo, um dos endereços mais nobres da cidade, o imóvel custou R$ 2,2 milhões e foi adquirido em dezembro do ano passado.
Além de comprar o apartamento, padre Edvino determinou reformas em andares do Edifício João Paulo II, sede da Arquidiocese, que consumiram muito dinheiro.

Como O DIA noticiou em maio, o então ecônomo também adquiriu móveis de luxo para decorar sua sala e dois carros importados do modelo Jetta, cada um deles avaliados, na época, em R$ 85.600. Um dos carros era usado por ele; o outro, por Dom Eusébio. O padre teve que devolver seu carro, que foi vendido. Mas o arcebispo aposentado ficou com o veículo. Um dos sofás de sua sala custou R$ 21.200

CORTE NAS PASTORAIS


A investigação concluiu que, para bancar as despesas, padre Edvino usou todos os recursos disponíveis, inclusive o dinheiro reservado para reformas emergenciais em igrejas da cidade. A gastança impediu a reforma do edifício comercial na Rua São José, no Centro, que representa uma das maiores fontes de receita da Igreja. Responsável pela demissão de 67 funcionários da Arquidiocese, padre Edvino também cortou recursos das pastorais — instituições que atuam na área social — e determinou que todas deixassem o Edifício João Paulo II. A revelação dos gastos fez com que houvesse uma queda nas doações de fiéis para a Igreja.O apartamento da Ruy Barbosa está fechado. Logo após a compra, padre Edvino começou uma grande reforma no imóvel: pisos e até janelas chegaram a ser retirados, paredes acabaram demolidas. Quando a negociação foi revelada, a Arquidiocese — já sob o comando de Dom Orani — determinou a paralisação das obras. As janelas foram cobertas com madeira e, segundo os porteiros, ninguém tem ido ao apartamento, que será vendido. Só com o pagamento do condomínio, a Igreja gasta cerca de R$ 2 mil mensais. O IPTU do imóvel é de R$ 8.090,07. Em maio, O DIA mostrou que a Arquidiocese pagou pelo apartamento um valor superior ao de mercado.

Distância das festas depois da demissão


Demitido, padre Edvino voltou a rezar missas na Igreja Nossa Senhora do Parto, no Centro. A igreja fica no térreo do prédio da Rua São José que deixou de ser reformado por falta de recursos. Ele também mudou seus hábitos e deixou de ser uma presença constante em ambientes requintados da cidade.Padre Edvino, de 42 anos, frequentava bons restaurantes e era conhecido por gostar de roupas caras: suas camisas eram feitas pelo mesmo alfaiate responsável pela confecção dos fardões da Academia Brasileira de Letras.Doutor em História da Igreja, o padre tinha bom trânsito entre políticos. Em 2005, chegou a ciceronear um grupo de vereadores numa viagem a Roma. Em 2004, recebeu o título de Cidadão Benemérito do Município do Rio, proposto pela vereadora Rosa Fernandes (DEM). Em março de 2008, foi agraciado com a Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa — a indicação foi do deputado Rodrigo Dantas (DEM).

Em agosto de 2008, três bispos do Estado do Rio foram ao núncio apostólico — representante do Vaticano no Brasil — para se queixar dos problemas que ocorriam na Arquidiocese carioca.

Arcebispo centraliza investigação

O futuro de padre Edvino está nas mãos de Dom Orani João Tempesta, que centralizou todas as informações sobre o caso. Para evitar vazamentos, o arcebispo dividiu as investigações — um grupo não sabe o que o outro apurou. Apenas ele, que recebeu os relatórios um mês depois da revelação do caso do apartamento, detém todas as informações. Dom Orani tem se recusado a falar sobre o assunto. Abordado pela reportagem de O DIA, disse que só tratará do assunto depois que considerar o episódio encerrado.O caminho mais provável é fazer com que padre Edvino responda a um processo no Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese. O processo seria baseado na parte penal do Código Canônico, que rege o funcionamento da Igreja Católica. Uma eventual punição pode retirar de padre Edvino o direito de exercer suas funções sacerdotais. O processo depende de Dom Orani.O silêncio do arcebispo tem explicação: os problemas respingam em Dom Eusébio Scheid, que, mesmo aposentado, ocupa um lugar superior ao de Dom Orani na hierarquia católica. O ex-arcebispo é cardeal, um “príncipe” da Igreja, cargo só inferior ao do Papa. Como cardeal, tem o direito de votar, até completar 80 anos, numa eventual escolha de Papa.

Dom Eusébio nomeou padre Edvino para seus cargos na Arquidiocese.

Ambos são sócios da Associação de Solidariedade Justiça e Paz, que fundaram em junho de 2006. De acordo com o estatuto da ASJP, Dom Eusébio é presidente da entidade; padre Edvino, diretor geral: os cargos são vitalícios. A ASPJ é responsável pelo cartão de crédito Solidariedade Católica, lançado pelo cardeal, em dezembro de 2006, na Feira da Providência.O cartão chegou a ser anunciado como resultado de um convênio da Arquidiocese e o Bradesco: parte do valor das anuidades iria para obras sociais da Igreja no Rio. Mas, como o ‘Informe do DIA’ revelou em setembro de 2008, o cartão é ligado à ASPJ. No estatuto da Associação não há qualquer obrigação de repasse de recursos para obras da Arquidiocese do Rio. Após a demissão de padre Edvino, o site da ASPJ saiu do ar e a entidade foi impedida de continuar a funcionar no Edifício João Paulo II. Mas, segundo a Receita Federal, a Associação ainda tem como sede o prédio da Arquidiocese, que fica na Glória.

Fonte: O Dia ONLINE

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Será que o dinheiro "torrado" era da Igreja ou dos trouxas, digo, dos fiéis, ou pior ainda, dos contribuintes?

Dom Eusébio é aquele Arcebispo de fala mansa, que foi titular da Arquidiocese de Florianópolis.


sábado, 5 de dezembro de 2009

Música: "La Sole" Pastorutti - Maravilhosa!







terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Mensalão do DEM

Leio, reiteradamente, em jornais e blogs, que o Arruda conseguiu prazo pra defesa porque teria ameaçado seu Partido.

Mas, curiosamente, não vejo ninguém indagar que tipo de ameaça poderá o Governador do Distrito Federal ter brandido contra os demoníacos, quero dizer, democratas.

Certamente o Arruda não ameaçou revelar boas ações dos seus correligionários e aliados ao público, mas, provavelmente, engatilhou e disparou: "Vocês sabem que, se eu abrir a boca, vai muita gente pro saco comigo!"

Ou alguém tem a ilusão de que os que não foram filmados não estão também envolvidos em maracutaias?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Criação de Igreja/Facilidades e vantagens

Jornalistas criam nova igreja. É rápido e barato.

Abrir uma empresa, no Brasil, leva muito tempo e custa caro. Em compensação, você pode criar uma nova igreja em dois dias, a um custo mínimo. E tem a vantagem que nenhuma empresa tem: isenção do IR e outros impostos. O articulista Hélio Schwartsman e dois repórteres da Folha criaram a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio e relatam sua experiência, que surrupio na íntegra:
Bastaram dois dias úteis e R$ 218,42 em despesas de cartório para a reportagem da Folha criar uma igreja. Com mais três dias e R$ 200, a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio já tinha CNPJ, o que permitiu aos seus três fundadores abrir uma conta bancária e realizar aplicações financeiras livres de IR (Imposto de Renda) e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Seria um crime perfeito, se a prática não estivesse totalmente dentro da lei. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para a constituição de uma igreja. Tampouco se exige um número mínimo de fiéis.
Basta o registro de sua assembleia de fundação e estatuto social num cartório. Melhor ainda, o Estado está legalmente impedido de negar-lhes fé. Como reza o parágrafo 1º do artigo 44 do Código Civil: "São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento". A autonomia de cada instituição religiosa é quase total. Desde que seus estatutos não afrontem nenhuma lei do país e sigam uma estrutura jurídica assemelhada à das associações civis, os templos podem tudo.
A Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio, por exemplo, pode sem muito exagero ser descrita como uma monarquia absolutista e hereditária. Nesse quesito, ela segue os passos da Igreja da Inglaterra (anglicana), que tem como "supremo governador" o monarca britânico.
Livrar-se de tributos é a principal vantagem material da abertura de uma igreja. Nos termos do artigo 150, VI, b da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com suas finalidades essenciais.
Isso significa que, além de IR e IOF, igrejas estão dispensadas de IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos), ISS (serviços), para citar só alguns dos vários "Is" que assombram a vida dos contribuintes brasileiros. A única condição é que todos os bens estejam em nome do templo e que se relacionem a suas finalidades essenciais -as quais são definidas pela própria igreja.
O caso do ICMS é um pouco mais polêmico. A doutrina e a jurisprudência não são uniformes. Em alguns Estados, como São Paulo, o imposto é cobrado, mas em outros, como o Rio de Janeiro e Paraná, por força de legislação estadual, igrejas não recolhem o ICMS nem sobre as contas de água, luz, gás e telefone que pagam.
Certos autores entendem que associações religiosas, por analogia com o disposto para outras associações civis, estão legalmente proibidas de distribuir patrimônio ou renda a seus controladores. Mas nada impede -aliás é quase uma praxe- que seus diretores sejam também sacerdotes, hipótese em que podem perfeitamente receber proventos.
A questão fiscal não é o único benefício da empreitada. Cada culto determina livremente quem são seus ministros religiosos e, uma vez escolhidos, eles gozam de privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (CF, art. 143) e o direito a prisão especial (Código de Processo Penal, art. 295).
Na dúvida, os filhos varões dos sócios-fundadores da Igreja Heliocêntrica foram sagrados minissacerdotes. Neste caso, o modelo inspirador foi o budismo tibetano, cujos Dalai Lamas (a reencarnação do lama anterior) são escolhidos ainda na infância.
Voltando ao Brasil, há até o caso de cultos religiosos que obtiveram licença especial do poder público para consumir ritualisticamente drogas alucinógenas.
Desde os anos 80, integrantes de igrejas como Santo Daime, União do Vegetal, A Barquinha estão autorizados pelo Ministério da Justiça a cultivar, transportar e ingerir os vegetais utilizados na preparação do chá ayahuasca -proibido para quem não é membro de uma dessas igrejas.
Se a Lei Geral das Religiões, já aprovada pela Câmara e aguardando votação no Senado, se materializar, mais vantagens serão incorporadas. Templos de qualquer culto poderão, por exemplo, reivindicar apoio do Estado na preservação de seus bens, que gozarão de proteção especial contra desapropriação e penhora.
O diploma também reforça disposições relativas ao ensino religioso. Em princípio, a Igreja Heliocêntrica poderá exigir igualdade de representação, ou seja, que o Estado contrate professores de heliocentrismo.
Colaboraram os bispos CLAUDIO ANGELO, editor de Ciência, e RAFAEL GARCIA, da Reportagem Local

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Copiado do blog do Orlando Tambosi às 20:54

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O que talvez os jornalistas da Folha e o Tambosi desconheçam é que, além das facilidades para criar Igrejas, lavar dinheiro imundo, formar patrimônios fabulosos, em nome de "Deus", os clérigos (de todos os cultos) ainda usufruem de outras benesses como: terrenos doados, verbas para manter templos, contas de energia pagos pelo Poder Público, tudo com dinheiro dos contribuintes.

Provavelmente esses corruptos não se envergonham, porque acreditam (ou apenas apregoam?) que tudo é decidido pelo Supremo Arquiteto do Universo.

Também, contando com o apoio de gente dos tres poderes, que entende que religião é "cultura", tudo fica fácil.
Eu até concordo. Religião é mesmo cultura: do genocídio praticado contra diversos povos autóctones (memória que precisa ser preservada, não é mesmo?, do delírio chamado Deus, do fanatismo que leva à clitorectomia e à circuncisão, da impiedade com os animais, do embuste, do estelionato, da intolerância, da corrupção, da censura à liberdade de expressão (quem não se lembra do famigerado INDEX LIBROUM PROHIBITORUM?) etc..., etc...

É a treva!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Clerocracia no "Brazil"



Nunca se viu tanta religião e tanta influência "espiritual" em nosso País como agora.

Os clérigos, de todos os credos (padres, pastores e quejandos) nunca tiveram tamanha capacidade de manipular esses "cagões" que dominam a política, mas se "borram" de medo das ilusões chamadas Deus, Diabo, Inferno, etc...

O que estamos vivenciando, num país que se diz republicano, não passa de uma descarada e malévola CLEROCRACIA, mistura de teocracia com corrupção, em níveis extremamente perniciosos para os interesses difusos (metaindividuais), ou coletivos.

Já é hora de se por limites à chamada "liberdade religiosa".

Nenhuma liberdade, aliás, é absoluta e o que ultrapassa o razoável, o judicioso, segundo o senso-comum, vira abuso de direito, no caso, de religião.

Fundamentalistas de todos os cultos (católicos, evangélicos, umbandistas, judeus - e os muçulmanos, que estão chegando com força preocupante para os que não toleram conviver com eles!) estão enquistados na administração pública, agindo folgadamente, sem respeitar os princípios insculpidos nos artigos 19 e 37, da Constituição Federal e o País virou um autêntica farra de boçais, que se dizem religiosos e tementes a Deus, Alá, Javé, o escambau, com isto conseguindo manipular a descerebrada "opinião pública", que dá crédito aos seus fantasiosos engodos e se submete, por "temor a Deus".

Nosso Brasil é mesmo uma "República de Bananas", como já nos rotularam, com fartura de razão, os argentinos. Não conseguimos, mesmo com o advento da República, sair da condição humilhante de "Ilha de Vera Cruz" e de "Terra de Santa Cruz".

A cruz, esse símbolo abjeto de uma dominação cultural exclusivista e intolerante, continua dominando espaços públicos, como se a religião oficial ainda fosse a católica.

Como lamento ter que admitir tal realidade!

Tudo é decorrência da falta de consciência política e do medo de nossa pobre e desinformada gente de contrariar os delírios da religião.

Abomino esses mal intencionados que se prevalecem dos temores dos ingênuos para mantê-los sob irritante cabresto psicológico.

Mas abomino, mais ainda, os que tiveram oportunidade, estudaram, ocupam funções de relevo e têm respaldo legal para mudar tal situação, mas quedam-se inertes, submissos, beijando mãos de bispos, polindo castiçais, comportando-se como "ratos de sacristia". Covardes que, remunerados com dinheiro público, acomodam-se sob o pálio, não honrando as becas e togas que envergam com tanto orgulho e vaidade, os membros do Ministério Público e da magistratura nacionais. "Podres poderes"!

Não passam de letrados borrabotas, imbecilizados por uma criação e escolaridade viciadas pelo domínio dos embusteiros de todos os cultos. E o pior é que, até na mais alta Corte de Justiça eles estão metidos, como é o caso do Tofolli (sabidamente homem da ICAR), há pouco alçado a ministro do STF.

Pobre Brasil: um país sem esperanças de mudanças efetivas, para tornar-se uma verdadeira república e democracia. Até uma Concordata com o Vaticano nosso nanico "estadista" assinou.

A clerocracia, pelo visto, está fadada a dominar as nossas massas burras e até algumas que se julgam "letradas", ainda por muito tempo.

Tinha razão José Marti quando escreveu:

Povos mestiços de uma América Mestiça, uma massa escura humilhada e supersticiosa, sem nome, que nascera para abaixar-se, com enorme sentimento de inferioridade, deprimida pela pobreza e pela ausência de perspectiva, com um dia-a-dia medíocre, sem quereres de melhoras, conformada, ignorante e súplice (...)

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Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais
Queria querer gritar setecentas mil vezes
Como são lindos, como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais
Será que nunca faremos se não confirmar
A incompetência da América Católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será será que será que será que será
Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir
Por mais zil anos?
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Índios e padres e bichas, negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval
Queria querer cantar afinado com eles
Silenciar em respeito ao seu transe, num êxtase
Ser indecente mas tudo é muito mau
Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades, caatingas
E nos gerais?
Será que apenas os hermetismos pascoais
Os tons os mil tons, seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão dessas trevas
E nada mais?
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo mais fundo
Tins e bens e tais

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ahmadinejad no Brasil e os judeus

O visitante que veio da Pérsia

24/11/2009 - 23:43
Por Mauro Santayana (Jornal do Brasil)


A movimentação diplomática do Brasil, tendo à frente a personalidade peculiar de seu atual chefe de Estado, vem sendo criticada pela oposição e meios de comunicação, e de forma ainda mais contundente, quando se dispôs a receber o presidente do Irã. Houve passeatas, muito bem organizadas, com dísticos e faixas caras, contra o visitante. Não houve os mesmos protestos quando o presidente recebeu, há poucos dias, o presidente de Israel.

O presidente do Irã é alvo da ira geral do Ocidente porque, em seu confronto com Israel – única potência nuclear do Oriente Médio – nega o Holocausto. Ele se inclui entre os revisionistas, alguns alemães, outros ingleses, outros ainda da hierarquia da Igreja, que também negam a existência dos campos de extermínio, ou tentam diminuir o número de mortos, judeus e não judeus, nos campos de concentração. Os judeus, os comunistas, os ciganos e os eslavos foram as vítimas preferenciais dos nazistas, dizimados pelo trabalho forçado, pela fome e pelo gás.

Há farta documentação do que ocorreu entre 20 de janeiro de 1942, quando os nazistas decidiram, no encontro de Wannsee, programar a “solução final” para o problema judaico, e 17 de janeiro de 1945, quando os soviéticos ocuparam o campo de Auschwitz. Nos três anos, milhões de seres humanos foram chacinados pelos nazistas. O presidente Ahmadinejad sabe disso, mas, em sua luta contra Israel, nega-se a aceitar a História. Se foram 6 milhões, 600 mil, ou 60 mil, o crime é o mesmo. Não é o número de vítimas que nos deve espantar, e sim a presunção de superioridade racial de que se arrogavam os alemães para a prática do genocídio.

O mesmo sentimento de horror que nos leva ao confrangimento da alma, diante do que fizeram os alemães, nos atinge, quando assistimos ao que se passa na Palestina. Não há, diante das tragédias de nosso tempo, bons culpados e vítimas más. Há culpados e há vítimas. A maior oposição que se faz ao Estado de Israel, e com razões históricas, é o fato de que os palestinos tenham sido privados de sua terra, privados de água, submetidos ao bloqueio de comida e de remédios, além de cercados pelo muro e bombardeados. Os palestinos nunca fizeram progroms, como os eslavos, jamais mandaram queimar judeus – como os cristãos, em Basileia, e em outros lugares. Não os submeteram aos autos de fé, como os ibéricos, durante a Inquisição. Não os eliminaram nos campos poloneses. Não lhes cabe purgar os crimes do antissemitismo, quando eles também são semitas, tanto quanto os que lhes ocupam o solo.

Estabeleceu-se, pela força do convencimento dos meios mundiais de comunicação, que os palestinos são terroristas, e os israelenses, democratas. Não nos incluímos entre os que admiram o presidente do Irã. Algumas de suas declarações espantam pela falta de senso. Mas não lhe falta bom senso quando defende o direito de o Irã desenvolver pesquisas nucleares. Se os iranianos são ameaça a Israel, com seu projeto, os senhores da guerra de Israel, que já dispõem de artefatos nucleares, como orgulhosamente proclamam, e anunciam que irão, são ameaça ainda maior. Nada os faz com mais ou com menos direitos no mundo. Nem a fé religiosa, nem os hábitos cotidianos. A língua persa não é menos importante do que a hebraica, com sua rica literatura. Nem o presidente Ahmadinejad é menos chefe de Estado pelo fato de dispensar o uso da gravata.

O segredo do presidente Lula é a sua percepção de homem comum. Ele acha, e com razão, que uma boa conversa pode resolver os problemas, desde que haja boa-fé entre todos os interlocutores. Disso se deu conta Obama que pediu, pessoalmente, a Lula, durante o encontro do G-8, em Áquila, na Itália, no dia 9 de julho deste ano, que tentasse demover Ahmadinejad de desenvolver armas nucleares – conforme disse, no mesmo dia, à imprensa, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs. Ao que parece, o New York Times não cobriu o encontro de Áquila.

Os opositores domésticos de Lula se esquecem disso. Os Estados Unidos que admiram não é o de Obama, mas o de Bush e Chenney. É difícil que o presidente consiga, no Oriente Médio, uma paz negada há mais de 60 anos. Mas, se ele conseguir negociações entre as partes envolvidas, mesmo com progressos limitados, será bom para o mundo. Não são todos os judeus de Israel que querem eliminar os palestinos e bombardear Teerã, e nem todos os muçulmanos desejam o fim de Israel. É contando com eles que Lula busca a paz.

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A lucidez, o equilíbrio e a impacialidade do Santayana é impar.

Eu acrescentaria, ainda, aos comentários dele, que nem todos os judeus são contrários a Ahmadinejad, havendo até um movimento expressivo, dentro de Israel, que é contra o sionismo, que não se confunde com o judaísmo, senão vejamos:

- A Organização socialista judaica Bund, (...) fundada em Vilna, em 1897, com forte ênfase na cultura ídiche e não menos forte antagonismo tanto à religião quanto ao sionismo. Os bundistas recusavam-se a praticar a circuncisão e até mesmo a permitir que se mencionasse o nome de Deus em seus domínios. Acreditavam que os judeus poderiam melhor sobreviver na diáspora como uma entidade cultural distinta do que como um grupo religioso.(...) - ALAN UNTERMAN - Dicionário judaico de lendas e tradições - Jorge Zahar Editor/RJ/1992, p. 51.

Judeus contra Israel e o Sionismo

Por Judeu Errante 10/04/2002 às 14:33

Não confundam judaísmo com sionismo. O Sionismo é uma aberração que desvirtua os princípios do judaísmo e que se aproxima do nazismo. Por uma palestina livre e independente.

Judeus contra Israel e o Sionismo

Aqui estão algumas fotos e links de manifestacões judaicas recentes contra o Sionismo e o Estado de Israel. Só para lembrar que nem todo judeu é sionista e que para muito judeus hassídicos (ortodoxos) a existência de um estado judaico, ainda mais construido em cima da opressão dos povos palestinos, é uma aberracão que tem que acabar.

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Nota: o blogueiro não conseguiu trasladar as fotos para esta matéria.

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Agora a discussão que surpreende:

Segunda-feira, Outubro 5
Um Ahmadinejad judeu ???

Explode pelo mundo com estrondo maior que uma bomba atômica uma informação que pode ser uma mera asneira ou pode colocar por areia abaixo algumas das pretenções de Ahmadinejad. Sua trajetória em termos de antijudaísmo é tão semelhantemente violenta a de Hitler que o expoente do islamofacismo agora é taxado de judeu. Hitler também foi. Dizia-se que teria um antepassado judeu, parentes seus teriam trabalhado para judeus e por isso vinha seu ódio.

Na visão racista antijudaica, só judeus seriam capazes de cometer tamanhas atrocidades contra judeus...

Nas matérias que circulam sobre Ahmadinejad a história é basicamente a mesma: seu ódio à Israel e sua implicância doentia em relação ao Holocausto seria para encobrir que é judeu de nascimento! Odiar os judeus sabemos ser um dos princípios mais comuns dos conversos para fora do judaísmo e temos aí Karl Marx como um ícone deste ódio. Odiar os judeus seria uma proteção contra acusações de deslealdade ao islã pelos aiatolás que controlam o Irã.

Já escreveram igualzinho do Hitler, e sobre Herman Goering, o verdadeiro braço político do paratido nazista, cuja mãe foi amante de um rico comerciante judeu quando empregada em seu castelo, com a complascência de seu pai. Goering passou parte da infância e a adolescência neste castelo e por isso teria ódio dos judeus... Mesma conversa mole.

O jornal inglês Daily Telegraph examinou o documento de identidade que Mahmoud usou na eleição de 2008 (foto - não é a de 2009) que saiu numa das fotos. Lá, encontraram o nome familiar original de seus pais - Sabourjians - considerado um nome judaico persa tradicional e a data da conversão da família ao islã, posterior a do nascimento do pequeno Mahmoundinho.

É um objetivo do islã a conversão de infiéis, portanto, ao contrário do que mais de 200 matérias repetidas afirmam por aí, a família e ele são muçulmanos e disso não há dúvida. Apesar de muitos judeus também não aceitarem, não existe algo como "judeu convertido" ou "muçulmano convertido." Ao efetivar-se a conversão torna-se judeu e muçulmano com todas as obrigações e direitos religiosos, no caso do islã, direitos sociais e políticos nos países teocráticos.

Por outro lado, há um preceito judaico que nascido judeu, não importa a conversão posterior: se é judeu para sempre, para alguns grupos religiosos ou se pode retornar ao judaísmo, sem conversão, fazendo a "teshuvá" até o momento de sua morte. Então, para estes grupos e apenas estes Ahmadinejad pode ser um judeu de fato.

Não há como apurar daqui do Brasil se o sobrenome Sabourjians é judeu, é exclusivamente judaico, ou é um sobrenome compartilhado entre judeus e muçulmanos persas. É preciso de um especialista para isso. A semelhança com Hitler via um pouco mais além pois Adolf Hitler, não nasceu com este sobrenome, que é de um tio, mas com o sobrenome Schikelgruber. Em relação ao sobrenome Hitler, tenha a certeza de que "Hittler" com dois "t" é um sobrenome judaico, tradicional alemão: eu vi! Eu conheci uma família e ela pertencia a comunidade judaica carioca. Agora vive em Israel.

O curioso é que até o momento de fechar esta matéria havia mais de 950 ocorrências do sobrenome Sabourjians neste caso de Ahmadinejad, no Google, e NENHUMA ocorrência sem ele. Simplesmente é algo que não pode ser pesquisado na Internet e se é ou foi um sobrenome judaico relevante na Pérsia e no Irã moderno, ninguém se deu ao trabalho sequer de se referir a ele até hoje.

por José Roitberg - jornalista
Postado por José Roitberg - jornalista às 15:44

http://64.233.163.132/search?q=cache:5AHWX8boLWoJ:holocaustobr.blogspot

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Para arrematar:

Os "americanos" mataram o Sadan sob argumentos falaciosos. Eu não duvido que, em breve, impulsionados pelo desejo de tomar conta do petróleo também do Irã, tentem a mesma manobra inescrupulosa em relação à antiga Pérsia, que outro Presidente "americano" tentou invadir no passado, mas o vexame dos helicópteros, caindo sozinhos no deserto, foi tão grande, que a operação malogrou.

Esses gringos pensam que todo mundo é burro.

Basta que algum País se oponha à sua incontida ganância para que comecem a rotular o dirigente de ditador, carniceiro, fanático, etc...

Vejamo o que escreveu o sempre brilhante e bem informado Mauro Santayana:

Novas provas de um crime

25/11/2009 - 23:30 | Enviado por: Mauro Santayana
Por Mauro Santayana


Começa-se a provar, agora, o que muitos sabiam, e alguns de nós denunciamos: antes dos atentados de 11 de Setembro de há oito anos, os Estados Unidos já planejavam invadir o Iraque e eliminar Saddam Hussein. Entre os mais irados defensores dessa decisão de extermínio se encontrava a senhora Condoleeza Rice. É provável que, daqui a pouco, saibamos muito mais sobre o atentado contra o World Trade Center, e é bom preparar o espírito para o horror que nos podem trazer as revelações.

Não é segredo para as pessoas bem informadas que a eleição do segundo Bush foi precedida de uma conspiração chefiada por Paul Wolfowitz, Richard Perle, Donald Rumsfeld e Dick Chenney, com o famoso Projeto para o Novo Século Americano, elaborado ainda em 1997. O documento é claro em seu objetivo de estabelecer um duradouro império dos Estados Unidos sobre o mundo, ao aproveitar-se da queda do sistema socialista. Mas previne que, para seu êxito, faltaria um fato extraordinário e dramático que empolgasse e unisse toda a sociedade americana. Esse fato ocorreu, menos de nove meses depois da posse de Bush, com os atentados de 11 de Setembro. Como as coincidências têm raízes – conforme o estudo de Koestler – é preciso cavar no solo da História para ver as que ligam os falcões de 1997 à destruição das torres de Manhattan quatro anos depois.

Agora surgem novas provas (porque as evidências já haviam sido identificadas) de que Saddam Hussein já desmantelara todas as suas armas de destruição em massa, desde 1991. O inquérito britânico sobre o envolvimento do país na guerra contra o Iraque, chefiado por John Chilcot, membro ativo do Conselho Privado da rainha, mostra que, muito antes de setembro de 2001, membros dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e da Inglaterra discutiram como eliminar Saddam, mas seus superiores os dissuadiram, porque isso estava contra a lei. Meses antes dos ataques de setembro, o encarregado pela ONU de inspecionar o desarmamento do Iraque, Hans Blix, comunicara ao governo britânico que nada havia a temer, e que Saddam acabara com as instalações suspeitas. Ainda assim, criou-se a fantástica versão de que ele dispunha de meios para, em 45 minutos, destruir qualquer um dos países vizinhos, insinuando-se que o alvo seria Israel.

“O sistema de inteligência falhou no Iraque” – disse ontem, a John Chilcot, Tim Dowse, um dos altos
responsáveis pela estratégia política do Foreign Office durante o governo Blair. Os Estados Unidos foram à guerra contra Hussein, com o primeiro Bush; continuaram a agressão com Clinton; invadiram o Iraque com o segundo Bush por causa do petróleo, e não em razão da alegada crueldade do dirigente muçulmano. Quando se discute a natureza não democrática dos governos islamitas, como o do Iraque, do Afeganistão e do Irã, todos se calam sobre a Arábia Saudita, cujo regime sempre foi o mais obscurantista de todos. A razão é simples: os sauditas são aliados incondicionais dos anglo-saxões – desde a Primeira Guerra Mundial – contra os seus vizinhos, menos despóticos no exercício do poder autocrático. Nesse aspecto, o Iraque era o mais liberal dos regimes islamitas, na tolerância com os costumes e com as outras crenças religiosas. Todos se lembram de que seu vice-presidente e encarregado das relações internacionais era Tarik Aziz, um cristão católico, que se encontra preso em Bagdá.

Não obstante essas evidências, o governo norte-americano, sob Obama, não parece disposto a reconhecer a responsabilidade de seus predecessores pelos atos criminosos. É provável que, na próxima terça-feira, anuncie o envio de mais tropas para o Afeganistão, segundo o New York Times. Seja pela pressão dos círculos mais poderosos de seu país, seja pelo temor de cumprir o que prometera em sua campanha, desvia-se para a direita, e se submete ao complexo industrial-militar que dita a política bélica dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial.

Esse retorno ao belicismo não se limita ao Oriente Médio e à bacia do Cáspio. Além das bases da Colômbia (que os Estados Unidos consideram vitais para “controlar a América do Sul” desde que, a partir delas, podem atingir qualquer ponto do continente) o Pentágono pretende instalar bases no Peru, o que nos diz respeito. É preciso pensar no Iraque e em Saddam, quando se intensifica a campanha contra o Irã, com a repetição dos mesmos movimentos.

A única forma de promover a paz e evitar o sacrifício de gerações inteiras é respeitar o direito de autodeterminação e desenvolvimento de todos os povos.

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Detesto ter que concordar com o Zeca Diabo, mas vá lá:

Irã e Israel: dois pesos e duas medidas

Sob o título “Visita indesejável”, o governador paulista José Serra (PSDB) publicou artigo na edição de segunda-feira (23/12) da Folha de S.Paulo para condenar a visita ao Brasil do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

José Serra enumera fatos e acontecimentos que justificam sua posição. Mas, se acompanharmos seu raciocínio, facilmente concluiremos que também não deveríamos ter convidado o presidente de Israel, Shimon Peres.

Digo isso uma vez que é possível alinhavarmos tantos erros e crimes, políticas não democráticas, agressões e violações aos direitos humanos por parte do governo de Israel e de seus sucessivos primeiros ministros, posicionados cada vez mais à direita e defendendo políticas expansionistas.

São defensores de uma tendência gravíssima do sionismo e responsáveis por vários massacres, verdadeiro genocídio contra os palestinos. Para não falar na política de ocupação territorial por meio de colônias. Veja o nome, que nos lembra a política imperialista do fascismo.

Tanto Israel como o Irã padecem do mal da teocracia e do controle do Estado por partidos religiosos. Os dois países têm mandamentos legais religiosos no mínimo inaceitáveis para nós.

Porém, devemos respeitar sua autodeterminação e procurar entender os processos. E não transformar tais questões em impeditivos para nossas relações de amizade.

Israel tem mais: tem bomba atômica. E, ao tentar esconder esse fato da opinião pública, Serra perde a autoridade para falar em política externa nuclear, campo em que a posição do Brasil é irrepreensível.

Somos signatários do TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear) e estamos cumprindo todas as suas determinações.

Todas mesmo. Do tratado e da AIEA (Agência Nacional de Energia Atômica). Só não podemos deixar de defender para toda e qualquer nação aquilo que defendemos e queremos para nós: desenvolvimento e controle sobre o ciclo completo nuclear, por razões tecnológicas e energéticas.

Receber Shimon Peres e Ahmadinejad no Brasil não significa apoiá-los ou às suas políticas nucleares. Nem concordar com elas. Simplesmente estamos mantendo relações diplomáticas e políticas com os Estados e nações que tais líderes representam, a partir dos nossos interesses nacionais.

O governador argumenta que não devemos receber o presidente do Irã porque este não cumpre as resoluções da ONU (Organizações das Nações Unidas) e de seu Conselho de Segurança.

Mas Israel é campeão em não cumprir as resoluções da ONU sobre a Palestina e nem por isso o Brasil deixou de receber seus primeiros ministros e presidentes.

É de conhecimento público, inclusive, que o Brasil, o governo do presidente Lula e o PT sempre defenderam a soberania e segurança de Israel, bem como a criação do Estado palestino.

Serra sabe de tudo isso. Então por que escreveu o artigo, visto que, pelo seu raciocínio, o Brasil não deveria manter relações com Israel nem com o Irã?

Acredito que Serra só escreveu o artigo para ter o apoio da comunidade judaica brasileira, visto que nenhum país que se respeite e que tenha alguma influência no mundo de hoje conduz sua política externa por semelhantes argumentos.

Além de parciais, significam, na prática, seguir a política norte-americana, que sustenta e apóia regimes como o da Arábia Saudita e tantos outros, aliados de Washington, mas condena o regime dos aiatolás. Ou seja, faz política externa segundo seus interesses nacionais.

Para nós, o Brasil deve fazer sua política externa segundo os próprios interesses e não, como sempre se pautou o governo de Fernando Henrique Cardoso e José Serra, segundo os interesses dos EUA.

Parece que José Serra quer voltar no tempo, quando o que era bom para os Estados Unidos era bom para o Brasil, frase de um ex-chanceler da ditadura que expressou bem um passado que não queremos esquecer para não corrermos o risco de virmos a repetir.

José Dirceu, 63, é advogado e foi ministro-chefe da Casa Civil entre 2003 e 2005, durante o primeiro governo do presidente Lula


http://oglobo.globo.com/pais/noblat/


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Liberdade religiosa (shabat judaico)

Notícias STF
Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Suspensa decisão que alterava data do Enem para estudantes judeus

Estudantes judeus terão de fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) nos próximos dias 5 e 6 de dezembro, conforme previsto na inscrição. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, suspendeu decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que obrigava a União a marcar data alternativa para a realização das provas a fim de que não coincidisse com o Shabat, período sagrado judaico.

A análise da questão ocorreu no pedido de Suspensão de Tutela Antecipada (STA) nº 389 formulado pela União perante o STF, com base em argumentos de lesão à ordem jurídica.

Conforme a ação, o Centro de Educação Religiosa Judaica e 22 alunos secundaristas ajuizaram ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, contra a União e o Instituto Nacional de Estudos Anísio Teixeira (INEP), para que fosse designada data alternativa para a realização das provas do Enem. A modificação tinha o objetivo de que o exame não coincidisse com o Shabat (do pôr-do-sol de sexta-feira até o pôr-do-sol de sábado) ou qualquer outro feriado religioso judaico.

Para os candidatos judeus, a participação no ENEM deveria ocorrer em dia compatível com exercício da fé por eles professada, “a ser fixado pelas autoridades responsáveis pela realização das provas, observando-se o mesmo grau de dificuldade das provas realizadas por todos os demais estudantes”.

Ao examinar a ação ordinária, a 16ª Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo negou o pedido de tutela antecipada, sob o fundamento de que a designação de dias e horários alternativos para a realização de provas representaria estabelecimento de regras especiais para um determinado grupo de candidatos em detrimento dos demais. No entanto, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região reformou essa decisão ao entender que a designação da data alternativa para a realização das provas do ENEM constituiria meio de efetivação do direito fundamental à liberdade de crença, conforme estabelece a Constituição Federal.

Conforme Gilmar Mendes, o Ministério da Educação informou que na inscrição para o ENEM foi oferecida a opção de “atendimento a necessidades especiais”, com a finalidade de garantir a possibilidade de participação de pessoas com limitações por motivo de convicção religiosa ou que se encontram reclusas em hospitais e penitenciárias. De acordo com esse documento, todos que realizaram suas inscrições no ENEM e solicitaram atendimento especial por razões religiosas terão suas solicitações atendidas. No caso dos adventistas do Sétimo Dia, a prova do sábado, dia 3 de outubro próximo será realizada após o pôr-do-sol.

“Tal providência (inicio da prova após o pôr-do-sol) revela-se aplicável não apenas aos adventistas do sétimo dia, mas também àqueles que professam a fé judaica e respeitam a tradição do Shabat. Em uma análise preliminar, parece-me medida razoável, apta a propiciar uma melhor “acomodação” dos interesses em conflito”, finalizou o ministro Gilmar Mendes.

O presidente do STF, em sua decisão, ressaltou a existência de outras confissões religiosas, “as quais possuem ‘dias de guarda’ diversos do dos autores”. “A fixação da data alternativa apenas para um determinado grupo religioso configuraria, em mero juízo de delibação, violação ao princípio da isonomia e ao dever de neutralidade do Estado diante do fenômeno religioso”, afirmou o ministro.

Mendes salientou que tal fato atesta, ainda, o efeito multiplicador da decisão questionada, uma vez que, “se os demais grupos religiosos existentes em nosso país também fizessem valer as suas pretensões, tornar-se-ia inviável a realização de qualquer concurso, prova ou avaliação de âmbito nacional, ante a variedade de pretensões, que conduziriam à formulação de um sem-número de tipos de prova”.

EC/LF

Processos relacionados
STA 389


Por detrás do Código Ambiental de SC?

23/11/2009 - 03h27
Indústria poluidora banca campanhas eleitorais
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da Folha Online

Hoje na Folha Reportagem de Fernando Rodrigues e Marcelo Soares para a Folha desta segunda-feira aponta que 38 empresas emissoras de grande quantidade de gases-estufa contribuíram com um total de R$ 60,8 milhões para campanhas políticas nas eleições de 2006 no Brasil. A íntegra da reportagem está disponível para assinantes do UOL e do jornal.

Mundo está a caminho de ficar 6º C mais quente, diz pesquisa
UE elogia compromisso do Brasil em favor do clima
Países vulneráveis prometem esverdear suas economias

De acordo com a reportagem, não há como estimar se essas contribuições de campanha estão ligadas à legislação sobre a mudança climática, mas elas são capazes de influenciá-la. O inventimento das indústrias intensivas em carbono ajudou a eleger metade da comissão da Câmara dos Deputados que está considerando mudanças no Código Florestal.

Dos 719 candidatos que receberam dinheiro dessas empresas, mais da metade (51,3%) é composta por políticos dos Estados. Parlamentares federais correspondem a 48% da soma. O presidente Lula também está entre os que receberam doações.

Do total das contribuições, 37% vem da indústria do aço, encabeçada pela Gerdau, com quase R$ 11 milhões. Doações da indústria de papel e celulose, em especial da Aracruz, correspondem a 26% do total arrecadado nas campanhas.

Emissão de CO2

Cada brasileiro é responsável pela emissão de 10 toneladas de gás carbônico (CO2) por ano, em média. O número é duas vezes maior do que a média mundial, segundo a Rede-Clima, ligada ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

A meta é de que a média mundial de emissão de CO2 seja de 1,2 tonelada por ano até 2050, para que a temperatura global não aumente 2ºC. No Brasil, a meta de redução dos gases é de 36,1% a 38,9%, até 2020.

Leia a reportagem completa na Folha desta segunda-feira, que já está nas bancas.

http://www1.folha.uol.com.br

Cultura argentina/Por Ariel Palacios

Obs.: Os vídeos não integravam a matéria do Estadão/Ariel, tendo sido acrescentados por este blogueiro.






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22.11.09
por Ariel Palacios, Seção: Lunfardo, a gíria portenha, Buenos Aires, Cultura 21:00:08.

piazzolla
A.Piazzolla e H.Ferrer, uma dupla de arromba que revolucionou o tango em música e verso (foto de 1970)

maozinhatres Na semana passada a “Balada para um loco” (Balada para um louco), a obra mais emblemática – talvez junto com “Adiós Nonino” – de Astor Piazzolla, completou 40 anos.
Esse tango piazzolliano – com versos do uruguaio Horacio Ferrer - foi imortalizado no dia 15 de novembro de 1969 no Luna Park, em pleno centro portenho, onde transcorria o encerramento do Festival Ibero-americano de Dança e Canção.

Piazzolla havia iniciado a parceria com Ferrer pouco trempo antes, quando o poeta havia renunciado a um posto que tinha na Universidade da República, em Montevidéu, Uruguai.
Pizzolla, ao ler seus poemas, lhe disse: “isso que você faz na poesia, eu faço com a música. Larga tudo e vem trabalhar comigo”.

A nova dupla começou a preparar a ópera-tango “María de Buenos Aires”. Mas, entre uma pausa e outra, foram assistir no cinema “Rei por inconveniência” (cujo título no original era o Le Roi de Coeur, o Rei de Corações), de 1966, do diretor Phillippe de Broca, que trata de um soldado britânico (interpretado pelo genial Alan Bates) que chega a um vilarejo francês após o final da Primeira Guerra Mundial. Ali só estão os loucos (que ficaram soltos quando o manicômio local foi destruído).

Ferrer, ao ver o filme, ficou fascinado: “o soldado viu que aqueles loucos tinham um enfoque da vida melhor do que o enfoque daqueles que viviam fora do manicômio”. Isso o inspirou para a figura do louco, protagonista da Balada.

Os dois amigos atarefaram-se na composição da obra, concluída no apartamento que Piazzolla tinha na avenida Libertador 1088, andar 14, apartamento C.

No dia “D” Ferrer levou a letra de Balada para un loco. Piazzolla, fascinado, tocou uma melodia. Parecia que estava em transe.
Mas Ferrer não gostou. “Não tinha o lado romântico e boêmio que a letra requeria”, explicou anos depois.

Piazzolla tentou uma segunda melodia.

Mas, desta vez, foi o próprio Piazzolla que não gostou daquilo que ele próprio havia composto. “Não, não...Puxa! Parece um tango plagiado de Mariano Mores (um tangueiro de fama nos an0os 40 e 50, na ativa até hoje em dia)".

Depois, na terceira tentativa, começou colocando alguns acordes de “Adiós Nonino”, e finalmente, com essa base, construiu “Balada para un loco”.
Ferrer começou a recitar seu poema.
Emocionado, quando Ferrer terminou de ler o poema e a melodia foi encerrada, Piazzolla disse com os olhos marejados: “Horácio, temos um míssil em nossas mãos!”.

Na noite do festival, Amelita Baltar, uma jovem cantora, preparava-se para entoar a canção. Mas, o público estava impaciente. “Vai lavar pratos!”, gritavam alguns espectadores, enquanto Amelita Baltar tremia nervosa, segundo confessou anos depois.

O impaciente público sequer ficou em silêncio quando a jovem cantora – que se tornaria em uma das várias esposas de Piozzolla – começou a pronunciar os primeiros versos do recitativo.
“Las tardecitas de Buenos Aires tienen esse que sé yo, viste? Salgo de casa por Arenales, lo de siempre en la calle y en mí, cuando de repente…”.

Quando terminou, foi ovacionada longamente. Mas, os fãs dos grupos musicais rivais jogaram moedas sobre o palco.

Naquela noite, Amelita estava tão nervosa enquanto cantava, com tal dificuldade para respirar, que, em um momento, respirou fundo (muito fundo)...e o vestido rasgou por trás.
Quando terminou, enquanto era aplaudida, teve que caminhar para trás, até sair do palco.

O festival premiaria naquele dia três categorias; música internacional, música tradicional e tango.

O júri composto por eminências internacionais da música da época. Vinícius de Moraes, a poetisa e cantora peruana Chabuca Granda e o argentino e tangueiro Armando Garrido eram alguns integrantes do tribunal que votou a favor de Piazzolla-Baltar-Ferrer.

Mas, o júri popular convocado pelos organizadores do festival optou pelo tango tradicional “Até o último trem”, de Julio Ahumada e Julio Camillioni.
A obra era interpretada pelo tangueiro com um impressionante registro de barítono, Jorge Sobral.

Aqui segue um link de um a gravação de 1971 com Sobral cantando “Hasta el último tren”:
http://www.todotango.com/spanish/las_obras/letra.aspx?idletra=1496

Este tango, no velho estilo dos tangos dos anos 40, foi o preferido do público, que colocou em segundo posto o vanguardista “Balada para un loco”, que continha uma letra surrealista.

O “Balada para un loco” não venceu o festival. Mas, na seguinte semana o disco com a canção foi lançado e vendeu 200 mil cópias. Imediatamente o cantor Roberto Goyeneche, encantado com a obra, também a gravou. E a partir dali, ficou famosa em todo o mundo.

O compacto de vinil que fez sucesso na semana seguinte ao festival. Do outro lado está o tango “Chiquilín de Bachín!”.
O link do Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=evvsXgEeRjA&feature=related

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Décadas depois, Amelita Baltar, de novo, no Luna Park (sem a torcida rival gritando).
O link do Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=sLWbwNFZEas

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Piazzolla morreu em 1992.

Horacio Ferrer mora no hotel Alvear e é presidente da Academia Nacional do Tango

Amelita Baltar apresenta-se com frequência na livraria Clásica y Moderna, na avenida Callao.

Os dois, juntos, no próximo domingo, dia 29 de novembro, se não ocorrerem mudanças de agenda, se apresentarão no Parque Centenário, em Buenos Aires, para celebrar as quatro décadas da “Balada para un loco”.

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Letra de Balada para un Loco

(Recitativo)
Las tardecitas de Buenos Aires tienen ese qué sé yo, ¿viste? Salís de tu casa, por Arenales. Lo de siempre: en la calle y en vos. . . Cuando, de repente, de atrás de un árbol, me aparezco yo. Mezcla rara de penúltimo linyera y de primer polizonte en el viaje a Venus: medio melón en la cabeza, las rayas de la camisa pintadas en la piel, dos medias suelas clavadas en los pies, y una banderita de taxi libre levantada en cada mano. ¡Te reís!... Pero sólo vos me ves: porque los maniquíes me guiñan; los semáforos me dan tres luces celestes, y las naranjas del frutero de la esquina me tiran azahares. ¡Vení!, que así, medio bailando y medio volando, me saco el melón para saludarte, te regalo una banderita, y te digo...

(Cantado)

Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao... No ves que va la luna rodando por Callao; que un corso de astronautas y niños, con un vals, me baila alrededor... ¡Bailá! ¡Vení! ¡Volá!

Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...Yo miro a Buenos Aires del nido de un gorrión; y a vos te vi tan triste... ¡Vení! ¡Volá! ¡Sentí!...el loco berretín que tengo para vos:

¡Loco! ¡Loco! ¡Loco! Cuando anochezca en tu porteña soledad, por la ribera de tu sábana vendré con un poema y un trombón a desvelarte el corazón.

¡Loco! ¡Loco! ¡Loco! Como un acróbata demente saltaré, sobre el abismo de tu escote hasta sentir que enloquecí tu corazón de libertad...
¡Ya vas a ver!

(Recitativo)

Salgamos a volar, querida mía; subite a mi ilusión super-sport, y vamos a correr por las cornisas ¡con una golondrina en el motor!

De Vieytes nos aplauden: "¡Viva! ¡Viva!", los locos que inventaron el Amor; y un ángel y un soldado y una niña nos dan un valsecito bailador.

Nos sale a saludar la gente linda...
Y loco, pero tuyo, ¡qué sé yo!: provoco campanarios con la risa, y al fin, te miro, y canto a media voz:

(Cantado)

Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Trepate a esta ternura de locos que hay en mí, ponete esta peluca de alondras, ¡y volá!
¡Volá conmigo ya! ¡Vení, volá, vení!

Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Abrite los amores que vamos a intentar la mágica locura total de revivir...
¡Vení, volá, vení! ¡Trai-lai-la-larará!

(Gritado)

¡Viva! ¡Viva! ¡Viva!
Loca ella y loco yo...
¡Locos! ¡Locos! ¡Locos!
¡Loca ella y loco yo

ferrer
Ferrer, poeta, especialista em lunfardo



http://blog.estadao.com.br/blog/arielpalacios/

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sábado, 21 de novembro de 2009

Solidariedade aos censurados do MT

Ser contra restrições à liberdade de expressão é posicionamento a ser adotado por qualquer cidadão minimamente politizado.
A mordaça propiciada pelo Poder Judiciário só favorece aos canalhas e não aos interesses metaindividuais.
Ao aplicar multas, a intenção é intimidar e não propiciar o afloramento da verdade, pela discussão que decorreria do direito à resposta, se o acausado tivesse dele se utilizado.

Abaixo a censura!

Ou, quem sabe, o Juiz manda o Ministério Público calar-se também.

Era só o que faltava: um sujeito, com todos esses processos referidos abaixo, considerar-se inocente e pretender indenização de danos morais. Só se os membros do "parquet" estiverem loucos, para residir em juízo contra ele sem a menor plausibilidade. Aí seriam eles, os promotores, que deveriam ser multados, e não os blogueiros.
Uma sugestão aos blogueiros: levantem outras eventuais falcatruas, que ainda não tenham sido objeto das ações civis públicas e entrem com ações populares contra o cidadão.

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Política

sábado, 21 de novembro de 2009, 14:27 |

Blogueiros vão recorrer contra mordaça em MT

Adriana e Cavalcanti vão ao TJ para tentar derrubar liminar que os impede de 'emitir opiniões' sobre deputado alvo de 92 ações por desvios de verba

Daniel Bramatti e Moacir Assunção

SÃO PAULO - Dois blogueiros de Mato Grosso vão recorrer na próxima semana ao Tribunal de Justiça do Estado para tentar derrubar a censura imposta no último dia 10 por decisão do juiz Pedro Sakamoto, da 13ª Vara Cível.

Adriana Vandoni e Enock Cavalcanti, responsáveis pelos blogs Prosa e Política e Página do E, respectivamente, vão apresentar agravo de instrumento ao TJ.

No dia 10, o juiz atendeu a um pedido de liminar do deputado José Geraldo Riva (PP), presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que se disse vítima de dano moral. Os blogueiros foram proibidos de "emitir opiniões pessoais pelas quais atribuam (ao deputado) a prática de crime, sem que haja decisão judicial com trânsito em julgado que confirme a acusação". O juiz também determinou que dois textos sobre o deputado fossem retirados do blog Página do E.

José Geraldo Riva é alvo de 92 ações civis públicas propostas pelo Ministério Público, nas quais é acusado de desviar cerca de R$ 450 milhões da Assembleia, segundo a ONG Movimento Organizado pela Moralidade Pública (Moral).

Ademar Adams, diretor da Moral e autor de artigos sobre supostos atos de corrupção que envolvem o presidente da Assembleia, também foi proibido de se manifestar pelo juiz Sakamoto, assim como o jornalista Antônio Cavalcanti e o advogado Vilson Neri, integrantes do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE).

Adams disse que pretende divulgar, na próxima semana, carta aberta ao juiz Sakamoto, na qual afirma que o Estado não pode interferir na opinião de um jornalista. Segundo ele, o deputado Riva o processou para atingir a ONG da qual faz parte - o MCCE é um dos promotores da campanha Ficha Limpa, que pretende impedir políticos processados por corrupção de participar das eleições.

Adriana Vandoni disse que considera a censura "um atentado contra a democracia". Enock Cavalcanti se declarou surpreso com a censura prévia. O deputado Riva não foi localizado na Assembleia ontem, em virtude do feriado na capital mato-grossense.

REPÚDIO

No Amapá, jornalistas e blogueiros aprovaram, anteontem, durante a Conferência Estadual de Comunicação, uma moção de repúdio contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que acusam de cercear a liberdade de expressão ao mover mais de cem ações durante a campanha eleitoral de 2006. Uma das atingidas pelas ações, a jornalista Alcinéia Cavalcante já deve mais de R$ 2 milhões em multas contra o blog que mantinha, aplicadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). " Tive que tirar o blog do ar e fui abrindo outros. Claro, não tenho a menor condição de pagar este valor de multa", afirmou ela, que responde a 20 processos.

Também jornalista, Antônio Correa Neto, que mantinha um blog na época, responde a 17 ações. "Parei de contar quanto devia quando passou de R$ 1 milhão. O que mais me surpreende é que ninguém pediu direito de resposta, simplesmente a multa foi aplicada."

O assessor de imprensa de Sarney, Chico Mendonça, disse que as ações não foram patrocinadas pelo senador, mas pelo advogado da coligação que o elegeu, Fernando Aquino, que não respondeu aos telefonemas do Estado.

http://www.estadao.com.br


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Outra sugestão aos blogueiros amordaçados: abram um blog através da Holanda. Lá, país efetivamente democrático, com um povo politizado, a liberdade de expressão é levada a sério e, segundo o livro Infiel, da Ayaan Hirsi Ali, efetiva.


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Pântano do Sul no JB

Por conta da ventania e de uma onda (que alguns dizem ter atingido o tamanho de 10, outros diminuem para 5 metros) emplacamos o jornal do brasil, entre outros grandes veículos de grande circulação.

Lamentável a ocorrência natural, que vitimou bens de pescadores? Sem a menor dúvida. Os barcos avariados farão muita falta a esses verdadeiros batalhadores que são os nossos homens do mar.

Mas, há que se dizer que parte dos prejuízos poderia ser tida como "favas contadas", senão vejamos: em nossas praias, esganados moradores e donos de restaurantes instalam-se quase dentro do mar. Exageram na aproximação de suas construções, em relação à preamar média e tornam-se, naturalmente, por contas da sovinice, vítimas em potencial de eventos climáticos mais severos, como o que ocorreu ontem. Ressacas fortes, ondas de tamanho inusitado, ventos exagerados, são raros, mas perfeitamente previsíveis.

A natureza, todos sabemos, de vez em quando, mostra-se impiedosa, com aqueles que atentam contra seus domínios.

Que isto sirva de motivo para reflexões desapaixonadas de proprietários de casas e bares edificados à beira (ou melhor, dentro) do mar.

O pretexto das montadoras de automóveis

O escândalo das latas podres, vem atraindo a atenção deste blogueiro há um bom tempo.

A pretexto de que são compelidas, pelo insuperável desejo de salvar vidas (quanta debochada hipocrisia), a fabricar os automóveis com latas que se assemelham, em fragilidade, às de azeite, as montadoras produzem coisas evidentemente frágeis, incapazes de proteger seus ocupantes.

Presentemente - e isto já ocorre há vários anos alguns anos - às mais singelas batidas, os carros (notadamente os populares) se desmancham, literalmente, com a multiplicação de vítimas fatais.

As estradas viraram matadouros, mas a mídia (interessada em não perder a publicidade das grandes fábricas de carros) só sabe criticar as estradas e a negligência/imprudência dos motoristas.

Obviamente, a causa dos acidentes passa pela insanidade dos condutores e pelo estado lamentável das estradas, ao qual se dá destaque mais para permitir a privatização, ganhos a grandes empreitteiras e concessionárias e a cobrança de pedágios, não tenho a menor dúvida.

Mas, não se vê na mídia senão explicações simplórias sobre a fragilidade dos automóveis.

Já está mais do que na hora de os órgãos de defesa dos cidadãos/consumidores, mormente o Ministério Público, adotarem medidas judiciais para aferir se o que acontece com os veículos sinistrados é decorrência natural, ou não, da violência dos impactos e, sobrevindo resposta negativa, responsabilizar as montadoras pelo autêntico genocídio que ocorre, diariamente, em nossas vias de circulação.

Procedimentos judiciais, permeados por perícias técnicas, que apontem a eventual inadequação das latarias e estruturas dos veículos para suportar impactos, seriam muito benvindas e, certamente, propiciariam o manejo, com vislumbres de sucesso, de ações de indenização pelas famílias das vítimas. além de compelirem as montadoras a se mostrar mais zelosas da segurança do nosso povo, ou afastarem-se do mercado brasileiro.

Basta de endossarmos, qual cordeiros, a exploração sistemática e impiedosa das nossas economias, pelas grandes corporações industriais, sem atribuir-lhes as devidas responsabilidades.

As economias do povo são feitas à base de muito sacrifício e quando as pessoas acreditam na qualidade dos produtos de tais montadoras, fazem-no ingenua e confiantemente, mas a realidade está a mostar que o consumidor brasileiro vem sendo iludido de forma descarada, pelos fabricantes de automóveis.

Nem mesmo a aparente concorrência terá o condão de remover do mercado brasileiro essas inescrupulosas indústrias da morte anunciada, pois sabemos que a disputa é apenas aparente, eis que boa parte das montadoras pertencem a poucos grupos econômicos que as concentram, sob marcas diferentes, apenas. Então, só o Ministério Público, atentando para a sua responsabilidade, poderá adotar medidas protetivas dos nossos concidadãos contra esses gigantes da economia mundial, cuja ética e responsabilidade sociais são inversamente proporcionais aos seus vultosos ganhos e que, até do governo, recebem incentivos e apoio financeiro de monta.

Manifesto ateísta

Desarme seu espírito e leia, fazendo um bem a si próprio. E, depois de tirar, serenamente, suas conclusões, difunda-as aos parentes e amigos.

Alguém já disse que
pensar é o contrário de crer.


Um Manifesto Ateísta

Autor: Joseph Lewis
Tradução: André Díspore Cancian

Com uma linguagem simples, mas audaz e vigorosa, o autor enuncia os princípios básicos da filosofia do ateísmo. Este novo livro é um desafio ao pensamento universal, e lança no campo de batalha não apenas os religiosos, mas também nossos educadores e líderes políticos.

Muitos perguntam que diferença faz se um homem acredita em um Deus ou não.

Faz uma grande diferença.

Faz toda a diferença do mundo.

É a diferença entre estar certo e estar errado; é a diferença entre verdade e imaginação – fatos ou ilusão.

É a diferença entre a terra ser plana e a terra ser redonda.

É a diferença entre a Terra ser o centro do Universo ou uma minúscula partícula em um vasto e inexplorado oceano com multidões de sóis e galáxias.

É a diferença entre o conceito apropriado de vida ou conclusões baseadas em ilusões.

É a diferença entre o conhecimento comprovado e a fé da religião.

É uma questão de Progresso ou de Idade das Trevas.

A história humana comprova que a religião perverte o conceito do homem a respeito da vida e do Universo; que o transforma em um covarde submisso ante as forças cegas da natureza.

Se você acredita que há um Deus; que o homem foi “criado”; que foi proibido de comer o fruto da “árvore do conhecimento”; que foi desobediente; que é um “anjo caído”; que está pagando a punição por seus “pecados” – então você devota seu tempo rezando para satisfazer um Deus iracundo e ciumento.

Se, em contrapartida, você acredita que o Universo é um grande mistério; que o homem é produto da evolução; que nasce sem qualquer conhecimento; que a inteligência é fruto da experiência – então você devota seu tempo e energia para melhorar sua condição, na esperança de garantir uma pequena felicidade para si e para seus semelhantes.

Essa é a diferença.

Se o homem foi “criado”, então alguém cometeu um grave engano.

É inconcebível que qualquer forma de inteligência desperdiçaria tanto tempo e esforço para produzir um fragmento de vida tão inferior – com todas as “enfermidades herdadas pela carne” e com toda a miséria e sofrimento que são parte tão essencial da vida.

Se o homem é um “anjo caído” por ter cometido um “pecado”, então a enfermidade e o arrependimento são parte do imperscrutável plano de Deus como punição imposta ao homem por sua “desobediência”, e toda a vida do homem é devotada à expiação desse pecado a fim de suavizar tal acusação ante o “Trono de Deus”.

A expiação do homem consiste em fazer-se o mais miserável possível através da oração, do jejum, do masoquismo, da flagelação e de outras formas de tortura.

Esta ilusão sádica faz com que ele insista – sob medo de punição – para que os outros também sejam tão miseráveis quanto a si próprio, pois teme que, se os outros falharem em ser como ele, isso provocará a ira do seu Deus tirano, que castigará com mais severidade.

O resultado inevitável é que o homem não devota sua vida aos princípios essenciais do viver e do bem-estar, mas à construção de templos e igrejas onde pode “elevar sua voz a Deus” em um frenesi de fanatismo, eventualmente tornando-se uma vitima da histeria.

Seu tempo e sua energia são desperdiçados para purificar sua “alma” – a qual ele não possui – e para salvar a si mesmo de uma punição futura no inferno – que existe somente em sua imaginação.

As alucinações religiosas tomam variadas formas.

Alguns não lavam a si próprios; alguns lavam apenas seus dedos; alguns pensam que, quanto mais sujos, mais “sagrados” são; alguns cortam seu cabelo, enquanto outros deixam-no crescer; alguns recusam-se a ficar em pé, outros recusam-se a se sentar; alguns amputam seus genitais, outros, seus seios; alguns arrancam seus dentes, outros mortificam seus membros; alguns jejuam, outros se empanturram; alguns cobrem suas cabeças com areia, outros, com farrapos e cinzas; alguns falam continuamente, outros guardam silêncio; alguns são celibatários, outros são libidinosos; alguns ficam de ponta-cabeça; alguns fazem marcas em si mesmos, enquanto outros perfuram o nariz, os olhos e as orelhas.

Freiras cortam o cabelo para se tornarem tão feias quanto possível – para se tornarem repulsivas ao sexo oposto; há monges que fizeram voto de nunca olhar à face de uma mulher; franciscanos ainda vestem cordas ao redor de seus corpos como um símbolo da flagelação.

Dificilmente se encontra uma forma insanidade ou ilusão que não tenha sido induzida por alguma espécie de crença religiosa.

Rir no “Sabá”, por apenas uma vez, era considerado o pecado dos pecados.

Quão certo estava Robert G. Ingersoll quando disse que “O cristianismo produziu mais lunáticos do que manicômios para interná-los”.

Por outro lado, não acreditamos que o homem é um ser depravado. Não acreditamos que há um Deus tirano e nem que há um inferno em que o homem irá sofrer as dores e punições do tormento eterno. Não acreditamos que devemos tornar-nos tão miseráveis quanto possível aqui na esperança de assegurar alguma felicidade no “além”.

Não acreditamos que a enfermidade é uma punição pelo pecado.

Acreditamos que a enfermidade é uma conseqüência natural dos processos da vida, e que as “enfermidades da carne” são conseqüência inevitável do fato de as formas de vida viverem umas às custas das outras – “No banquete da vida, todos os convidados comem os pratos e são os pratos”.

Apenas através da compreensão da natureza da enfermidade o homem tem sido capaz, mesmo que em pequeno grau, de proteger-se contra sua própria destruição.

O uso da oração para curar doenças foi responsável por epidemias que, em muitas ocasiões, quase exterminaram a raça humana. A oração não tem mais efeito sobre a doença do que tem sobre a saúde. Ela simplesmente permite que a doença siga seu curso e aumente o sofrimento da vítima.

Se os padres – de todas as seitas – fossem isentos de doenças e imunes à morte, então poderia haver algum fundamento para as alegações dos religiosos. Mas esses “homens de Deus” são vítimas dos cursos naturais da vida, “assim como você e eu”. Não desfrutam de privilégios. Eles sofrem das mesmas doenças; sentem as mesmas sensações; estão sujeitos às mesmas paixões do corpo, às mesmas fragilidades mentais; são vítimas das circunstâncias e do infortúnio; e se encontram com a inevitável morte, assim como qualquer outra pessoa. Eles cometem os mesmos tipos de crime que os outros mortais, e, especialmente, devido à sua “vocação”, muitos estão notoriamente envolvidos no desvio de fundos de igrejas. Sua vocação também não os protege das “paixões da carne”. A escandalosa conduta de muitos “homens de batina”, no campo da torpeza moral, não raro termina em assassinato. Por isso há tantos “homens de Deus” em nossas prisões, e por isso tantos pagaram a penalidade suprema na cadeira elétrica.

Eles não escapam a qualquer lei da vida; tudo que os outros precisam enfrentar, eles igualmente precisam. Não podem proteger-se das forças da natureza e das leis da vida mais do que qualquer um. Tudo que eles podem fazer, todos podem, também. Suas alegações de que são “iluminados” ou “porta-vozes de Deus” na Terra são falsas e hipócritas.

Se eles não podem cumprir suas promessas enquanto você está vivo, como poderão cumpri-las quando você estiver morto?

Se aqui, onde poderiam demonstrar seus poderes, eles são impotentes, quão ridículas são suas afirmações de que suas promessas serão cumpridas no “além” – a morada mitológica que existe apenas nas imaginações desonestas ou iludidas.

As ilusões da vida são muitas e variadas.

As coisas nem sempre são o que parecem ser, e sabe-se muito bem que as “aparências enganam”.

Por isso é tão difícil, para algumas pessoas, compreender a natureza da enfermidade, e por isso levou tanto tempo para que o homem compreendesse as verdadeiras condições da vida.

Este engano predomina em questões de grande importância, e também em questões pouco relevantes.

Não há uma “voz da natureza” para dizer ao homem o que é verdadeiro e o que é falso, nem para alertá-lo sobre os perigos da vida. O homem deve encontrar a verdade ele próprio, e isso apenas após amargas experiências.

Um dos primeiros equívocos do homem, após seu assim chamado “despertar intelectual”, adveio da sua incapacidade de conceber qualquer esquema de vida senão o seu próprio conceito primitivo, de inteligência limitada.

Ele não conseguia conceber a Terra e o Universo senão como tendo sido “criados” e, com seu sentimento de vingança, não conseguia conceber o sofrimento da vida senão como punição por alguma “desobediência”. Apesar de primitivo, ele não infligia sofrimento e punição sobre inocentes. Este esquema diabólico poderia apenas vir de um Deus “misericordioso”.

Como ilustração deste conceito do homem primitivo neste sentido está a ilusão que ele acalenta quando acredita que o Sol “nasce e põe-se”, quando, na realidade, o Sol é “estacionário”, pelo menos em relação ao nosso sistema planetário, e é a Terra que se “move”, como Galileu tão corajosamente defendeu – o que custou sua liberdade.

Há uma ilusão de que o Sol brilha e a água cai das nuvens para fazer as flores desabrocharem.

Para o religioso isso é uma indicação da “beleza” da natureza.

Não é nada disso.

Plantas venenosas e ervas daninhas são igualmente nutridas pelo calor do Sol e pela umidade da água.

Isso, então, é uma indicação da “feiúra” da natureza?

Certamente não.

Ambos são conseqüências inevitáveis do meio-ambiente em que vivem. Não poderia ser de outro modo.

Será que o hipopótamo é uma das obras-primas da natureza?

Será que sua face e sua forma exprimem a perfeição da beleza e da graça?

Você consideraria esse animal uma obra de arte viva se fosse o responsável por ele?

Ainda assim, se esse animal pudesse falar, provavelmente diria que este meio-ambiente foi feito em seu benefício e que suas maravilhosas características, particularmente sua boca, foram especialmente “projetadas” para seu desfrute, e que seu corpo todo foi feito “à imagem e semelhança de Deus”.

O fato de que o hipopótamo sobreviveu todos esses milhões de anos do processo evolucionário, e continua subsistindo hoje, é uma prova de que ele é tão favorecido pela natureza quanto o homem.

Para a natureza, as flores desabrochadas e as ervas daninhas são equivalentes, e a fragrância de uma e o fedor da outra são igualmente importantes; se pudessem falar, ambas tentariam seduzir a preferência da natureza para si.

Mas, na verdade, ambas estariam erradas.

O Sol não brilha pra dar-nos a luz e o calor necessários sem, também, iluminar alguns novos problemas para que nossos tumultuados corações tenham de suportar; tudo no Universo compartilha as mesmas inevitáveis conseqüências.

Enquanto é verdade que “maus ventos nunca trazem o bem”, também é verdade que “o alimento de um homem é o veneno de outro”.

Para a natureza, questões de “grande importância” e questões de “pouca relevância” estão no mesmo nível. Uma não é “favorecida” em detrimento da outra. É a sobrevivência do mais apto, não do mais desejável.

Quando as condições são favoráveis aos animais “selvagens”, eles prosperam matando outras formas de vida, com as quais sobrevivem, e, quando as condições são favoráveis ao homem, ele mata e sobrevive graças às formas de vida que julga existirem somente para seu prazer e benefício.

Para a natureza, os germes patogênicos, enquanto formas de vida, são tão importantes quanto as outras formas de vida que “respiram e têm espírito”.

Quando as condições estão favoráveis para o vírus influenza ou da gripe, temos o que se denomina epidemia, e, quando temos condições favoráveis para o crescimento da peste negra, temos o que poderíamos chamar de “Férias Romanas”, com a destruição de um terço de nossa população.

Germes patogênicos são apenas pequenos animais invisíveis.

São formas de vida que prosperam sobre o solo do corpo humano.

Contra eles, a reza surte tanto efeito quanto rezar para um tigre faminto pronto para devorá-lo.

O projétil de uma arma de fogo seria muito mais eficiente contra o tigre, e o conhecimento da natureza dos germes patogênicos e a descoberta dos métodos para destruí-los são comparáveis à invenção da arma de fogo em sua utilidade contra bestas ferozes.

O conhecimento evita a nossa destruição protegendo-nos contra inimigos invisíveis, enquanto a invenção das armas de fogo evita a nossa destruição protegendo-nos contra as bestas ferozes.

Os germes patogênicos e o tigre faminto têm o mesmo objetivo determinado – sua destruição; um lhe comendo “aos poucos” e o outro lhe destroçando “aos bocados”.

Os resultados são idênticos.

Não é necessário tentar “moralizar” alguma diferença.

Em nosso presente esquema de vida, como Ingersoll tão eloqüentemente afirma, sabemos que: “As mãos que auxiliam são muito melhores que os lábios que rezam”.

Nossos corpos são “carne” para os germes patogênicos que nos devoram assim como, para nós, os animais são carne para saciar nosso apetite.

Ou, como diria Shakespeare:

...no broto mais doce
Mora o cancro famélico.

Num conceito mais amplo e compreensível de doença, Shakespeare diz que ela é como:

Um Deus onipotente
Reunindo em suas nuvens...
Exércitos de pestilência; e irão atacar
Seus filhos antes de nascerem...

Quem somos nós para dizer qual é o favorito neste esquema da vida, qual dos dois é o preferido pela natureza – os germes patogênicos ou o homem? Qual dos dois poderia ser o mais importante se os objetivos visados são os mesmos?

O germe patogênico veio à existência pelo mesmo processo que o homem.

Ele é parte da natureza tanto quanto um bebê recém-nascido.

Não podemos viver sem luz do Sol e água, e tampouco o podem os germes patogênicos.

E talvez não sejamos mais do que “germes patogênicos” no meio-ambiente em que vivemos. Os germes patogênicos, em sua constituição fundamental, compartilham conosco os mesmos padrões básicos que compõem a vida.

Para a natureza, a noite é tão importante quanto o dia, e a vida do germe que denominamos patogênico é tão importante quanto a vida do corpo do qual ele se alimenta.

Ambos seguem as mesmas leis da vida; nascem, reproduzem-se e morrem.

Há formas de vida que vivem à noite, e que são tão favorecidas pela natureza quanto aquelas que vivem de dia.

Na natureza existe extravagância em todos os graus – desde o completamente ridículo até o monstruosamente assustador. Esta é a prova da ausência de “design” na natureza, pelo menos no que concerne o homem.

Quando o homem perceber que não é o “favorito” de Deus, que não foi especialmente criado, que o Universo não foi feito em seu benefício e que ele está sujeito às mesmas leis naturais às quais estão todas as outras formas de vida, então, e apenas então, ele compreenderá que deve colocar em si mesmo, e apenas em si, toda a responsabilidade por quaisquer tipos de benefícios que pretende conquistar; e devotar seu tempo e sua energia para ajudar a si e aos seus semelhantes a satisfazer as exigências da vida e esforçar-se para resolver os difíceis e intrincados problemas de estar vivo.

O reconhecimento de um problema é o primeiro passo para sua solução.

Não somos anjos “caídos” e tampouco fomos “criados” perfeitos.

Pelo contrário, somos o produto de milhões de anos de evolução cega.

Somos os descendentes e os herdeiros de todos os defeitos de nossos ancestrais primitivos – a evolução da miríade de formas de vida, do infinitesimal ao mamute, do verme ao dinossauro.

O passo mais importante no desenvolvimento de um homem é o reconhecimento do fato de que nascemos sem conhecimento, e que a aquisição deste é um processo lento e doloroso.

Se tudo que o homem precisa sobre a Terra fosse “a sabedoria de Deus”, então por que seria necessário o estabelecimento de instituições educacionais?

A não ser que a criança seja ensinada a falar, ela nunca será capaz a exprimir-se no idioma de sua terra natal. Sem ensinar à criança os fundamentos da linguagem, ela seria incapaz de comunicar seus pensamentos aos outros. Sem treinamento apropriado, seus “grunhidos” de expressão não teriam qualquer significado, e o único modo através do qual poderia expressar-se seria usando seus instintos primitivos de apontar e de fazer sinais.

O cérebro necessita do mesmo tipo de treinamento que qualquer outra parte do corpo que requeira exercício para desenvolver-se. A nutrição da mente é tão necessária quanto a nutrição do corpo.

Assim como há algumas comidas que foram adulteradas e refinadas de tal modo que, quando ingeridas, não proporcionam qualquer nutrição ao corpo, também há verdades que foram adulteradas pela religião e pela superstição de tal modo que se tornaram completamente inúteis no sentido de nutrir a mente com inteligência.

A educação tornou-se o objetivo primário da civilização.

Como disse Thomas Paine: “A sabedoria não se compra num só dia”.

A Igreja sabe que um homem educado é um homem descrente.

Por isso há um esforço contínuo da parte do clero no sentido de adulterar a educação com superstição. Para preservar sua insustentável posição, devem manter o povo agrilhoado por uma forma de escravidão mental.

Medo e superstição – ambos são formas de uma doença contagiosa.

A ignorância do homem produziu medos naturais dos elementos da natureza. O que não podia compreender, atribuía a espíritos malevolentes cujo objetivo primário era puni-lo e prejudicá-lo. Nesta ótica, parece realmente incrível que ele tenha sido capaz de avançar de seu estado de ignorância primitiva.

Seus medos produziram monstros tão fantásticos que primeiro foi necessário despir sua mente atormentada destes aterrorizantes mitos de fantasmas e deuses antes de ser capaz de adquirir mesmo os mais simples rudimentos do conhecimento.

Os medos e a ignorância do homem fizeram dele uma presa fácil para os padres.

Sua credulidade era tamanha que acreditava em tudo que lhe fosse dito.

E rapidamente tornou-se um escravo desses mentirosos e hipócritas.

O que esses padres lhe disseram?

Disseram-lhe que Deus havia feito uma revelação especial em um livro chamado Bíblia, e que era necessário acreditar em cada palavra deste livro a fim de que sua alma pudesse ser salva. Disseram-lhe que, se desobedecessem a seus comandos, iriam sofrer uma punição eterna no inferno, onde “o fogo nunca apaga e o verme nunca morre”.

Disseram-lhe também que ler aquele livro era um pecado, e que o padre havia sido especialmente ordenado por Deus para interpretar o significado de cada palavra.

E qual foi a interpretação que os padres fizeram do texto desse livro?

Foi a de que o homem era um ser corrompido e pecaminoso, e que, para ser salvo da punição post-mortem, tinha de dar uma parte substancial dos frutos de seu trabalho para o padre rezar por ele e interceder em seu favor a Deus, de modo a mitigar a punição à qual ele já estava destinado.

Um diabólico esquema fraudulento para se viver às custas do suor e do trabalho dos outros.

Um esquema tão lucrativo que os padres começaram usar a força para manter seu poder.

Como resultado, vieram à existência as duas tiranias gêmeas: a igreja e o estado.

Parece inacreditável que tamanha tolice tenha realmente sido imposta sobre a sofrida humanidade – e tudo isso não passaria de tolice, se não fosse tão trágico.

O homem tornou-se tão temente que pensou que não seria capaz de viver sem a “proteção” dos padres, e, como disse Ingersoll, “enquanto as pessoas quiserem papas, sempre haverá hipócritas que alegremente estarão dispostos a tomar seu lugar...”.

Ingersoll também declarou: “Os padres fingiam estar entre a ira dos deuses e a impotência dos homens. O padre era o advogado do homem na corte do céu. Levava ao mundo invisível uma bandeira de paz, um protesto e um pedido; retornava com um comando, com autoridade e com poder. O homem caiu aos seus joelhos, e o padre, tirando vantagem da reverência inspirada pela sua suposta influência com os deuses, transformou seus semelhantes em aduladores hipócritas e escravos”.

Enquanto houver alguma pessoa sofrendo uma injustiça; enquanto houver alguma pessoa forçada a suportar uma culpa desnecessária; enquanto houver alguma pessoa sujeita a uma dor imerecida – a adoração de Deus será uma humilhação desmoralizante.

Enquanto houver um erro no Universo; enquanto for permitido que exista qualquer coisa errada; enquanto houver ódio e antagonismo entre a humanidade – a existência de um Deus será uma impossibilidade moral.

Ingersoll disse: “A injustiça sobre a Terra torna a justiça dos céus impossível”.

A inumanidade do homem para com o homem continuará enquanto o homem amar a Deus mais do que ama a seus semelhantes.

Amar a Deus significa desperdiçar amor.

“Por Deus e pela nação” significa uma sujeição dividida – 50% patriota.

“Deus” é a palavra mais abusada na linguagem do homem.

A razão para isso é que ela é capaz de perpetrar muito abuso.

Não há outra palavra na linguagem humana que seja tão vazia de significado e tão inexplicável quanto a palavra “Deus”.

É o começo e o fim do nada.

É o Alfa e o Omega da ignorância.

Para essa palavra, existem tantos significados quando existem mentes. E, como cada pessoa tem uma opinião própria sobre o que a palavra Deus supostamente significa, então vê-se que é uma palavra sem premissa, sem fundamento e sem substância.

Ela não tem validade.

Ela é todas as coisas para todas as pessoas; é tão inexpressiva quanto indefinível.

É a mais perigosa das palavras nas mãos dos inescrupulosos; é um coringa que funcionas como ás.

É a palavra peçonhenta que paralisou o cérebro do homem.

“Ser temente ao Senhor” não é o início da sabedoria; pelo contrário, fez do homem um escravo rastejante; transformou em lunáticos desvairados aqueles que tentaram interpretar o que Deus “é” e o que supostamente seria nosso “dever” para com ele.

Fez o homem prostituir as coisas mais preciosas da vida – o fez sacrificar sua esposa, seus filhos e seu lar.

“Em nome de Deus” significa em nome do nada – isso fez o homem desperdiçar o precioso elixir da vida, pois não existe Deus algum.

Ingersoll não conseguia entender a mente daqueles que, tendo sido informados a respeito da verdade, preferiam permanecer na ignorância e sob o encantamento da superstição. Não conseguia entender por que as pessoas não aceitavam as “novas verdades com alegria”.

Entretanto, ele também sabia que, uma vez a mente da pessoa tivesse sido envenenada pela superstição religiosa, tornava-se quase impossível libertá-la do paralisante medo que destruía sua capacidade de pensar.

Atualmente já foi estabelecido por evidências verificáveis que a religião embrutece o cérebro e que é um grande obstáculo no caminho do progresso intelectual.

Quanto mais religiosa é uma pessoa, mais está atolada na ignorância e na superstição, e menor é seu senso de responsabilidade moral. Quanto mais inteligente é uma pessoa, menos é religiosa. Eis um velho ditado: “Onde há três cientistas, há dois ateístas”.

Os países cujos governos são dominados pela religião e pelas instituições religiosas são os mais atrasados. Em contrapartida, os países cujo povo é mais esclarecido e cujos governos baseiam-se em princípios de secularismo – separação da Igreja e do Estado – são os mais progressivos.

E permitam-me dizer: quando um homem é intelectualmente livre, o progresso que ele fará é incalculável.

O que poderia ser mais ilustrativo que isto: houve mais progresso desde a Declaração de Independência e a Revolução Americana do que houve nos últimos cinco mil anos!

Sim, mais progresso intelectual e material foi feito pelo homem desde o estabelecimento da República Americana do que durante todos os anos dos faraós egípcios, e incluindo também todo o tempo “da grandiosidade que foi a Grécia e da glória que foi Roma”.

E há razões boas e válidas para isso.

Foi porque “em 1776 nossos patriarcas retiraram os deuses da política”. O princípio básico da República Americana é a liberdade do homem na sociedade.

A Declaração de Independência foi o produto da emancipação intelectual, e é por isso que a data de nossa existência não deveria ser contada a partir do mítico nascimento de Jesus Cristo, mas a partir do dia de nossa independência!

Este deveria ser o ano cento e setenta e oito em nosso calendário!

Apesar dos sinais de desencorajamento aqui e acolá, as sementes da liberdade plantadas pela Revolução Americana irão enraizar-se e, em todo o mundo, se o homem aprender a proteger zelosamente sua liberdade, a paz e o progresso virão para todos.

Como poderia haver uma ilustração mais significante do que esta: praticamente no período de nossas vidas – e certamente desde a Declaração de Independência – o homem alcançou as mais magníficas realizações no campo da ciência e do progresso jamais vistas em toda a história humana.

Não em sua ordem nem de acordo com sua significância, lembro-me das seguintes coisas:

A anestesia foi descoberta.

Alguém compreende o que significa aliviar a dor e o sofrimento de um homem? A anestesia é a mais humana de todas as conquistas, e quão compassiva foi esta conquista.

Por essa grande descoberta devemos agradecer ao Dr. W. T. G. Morton.

Os religiosos opuseram-se ao uso da anestesia dizendo que Deus enviava a dor como punição pelo pecado, e consideravam o maior dos sacrilégios utilizá-la – tentem imaginar isso, transformar em pecado o alivio da miséria humana! Que perversão monstruosa! Apenas este exemplo deveria ser suficiente para convencer qualquer um da diferença entre acreditar em Deus ou não.

Nenhum crente em Deus teria gastado suas energia para descobrir a anestesia. Ele estaria com um medo mortal da ira de Deus por interferir em seu “plano divino” de fazer o homem sofrer por ter comido o fruto da “árvore do conhecimento”.

O ponto crucial do assunto está contido neste exemplo.

O homem busca aliviar seus semelhantes do sofrimento da enfermidade e dos tormentos da agonia mental. Os crentes em Deus estão satisfeitos com o fato de o sofrimento do homem ser ordenado, e assim aceitam a vida e suas adversidades e tribulações como uma punição por estarem vivos.

O medo da ira de Deus tem sido uma enorme travanca ao progresso.

Quando o Dr. James Young Simpson tentou banestesiar uma parturiente, o clero de seu tempo, com a boca espumando, brigou com ele com vituperações e abusos por tentar violar o mandamento direto de Deus de que “entre dores deves trazer as crianças à luz” – baseados no imbecil texto da Bíblia. Mas Dr. Simpson persistiu apesar dos delírios dos religiosos lunáticos de seu tempo.

A importância da aplicação da anestesia para aliviar as dores do parto por Dr. Simpson e seu aberto desafio aos religiosos estão além da medida das palavras.

Os raios X foram descobertos em nosso tempo.

O professor Wilhelm Roentgen merece nosso eterno débito de gratidão por sua contribuição. Sua aplicação, somente no campo da medicina, faz dela uma das maiores contribuições ao bem-estar da humanidade.

A descoberta da composição do sangue – também feita em nosso tempo – pelo Dr. Karl Lansteiner foi responsável pelo salvamento de incontáveis milhares de vidas.

O sangue era temido pelos religiosos, e era colocado um tabu sobre todos aqueles que o tocassem, como tendo sido contaminados.

Até dissecção do corpo humano foi proibida pela religião.

O estudo da anatomia humana é algo de nosso tempo, e os frutíferos resultados desta exploração científica da estrutura física do homem são incalculáveis.

É desnecessário – eu imagino – explicar por que o estudo do corpo humano é algo tão recente. Até a emancipação da mente do homem da escravidão e das algemas da religião, ensinava-se e cria-se como “verdade religiosa” – defendida sob pena de punição eterna – que, se o corpo humano fosse dissecado, Deus não seria capaz de reconhecê-lo no dia de sua ressurreição!

Tal foi a paralisante ameaça da religião que prevaleceu sobre a mente do homem.

A descoberta da constituição química dos alimentos – e sua aplicação à nutrição – contribuiu mais à saúde da raça humana do que todos os Deuses, sacerdotes e padres desde a aurora da existência.

A medicina preventiva alcançou resultados maravilhosos na promoção da saúde e no prolongamento da vida das pessoas.

A higiene e sua aplicação salvaram milhões e milhões da enfermidade e da morte prematura. Ela conteve a “mão de Deus” em sua loucura disseminadora de mortes pelas doenças epidêmicas.

Charles Darwin publicou “A Origem das Espécies”, e o grande princípio da evolução foi promulgado.

A emancipada medicina moderna reduziu a taxa de mortalidade infantil em mais de 50 por cento e foi a responsável por aumentar em mais de duas vezes a expectativa de vida do homem dentro do século passado.

Apenas pensem nisso! Todas essas coisas aconteceram dentro do período de nossas próprias vidas!

Tudo isso e muito mais desde o dia da independência americana!

E ouçam as palavras do Dr. Paul D. White, fundador da American Heart Association [Associação Americana do Coração]. Ele disse:

“Aqueles médicos dentre nós que se graduaram na escola médica há trinta ou quarenta anos, ao olharem para trás, agora vêem a inacreditável ignorância sobre as doenças cardíacas que então existia. Surgiu mais conhecimento desde então do que em todos os séculos anteriores.” (itálico meu)

No passado, o homem aprendia que o coração, assim como a voz, era um “dom divino”, e que era demasiado sagrado para ser sondado pelo homem. E quais foram os resultados disso? Milhões, que poderiam ter sido salvos, morreram; milhões, que viveram como enfermos incapacitados, poderiam ter vivido uma vida normal se o homem, no passado, tivesse tido a coragem que tem hoje de buscar alívio dos terrores da doença.

Tal é o fascinante progresso que se manifesta quando o homem confia em seu próprio esforço para resolver seus problemas, sejam eles concernentes à saúde ou às questões sociais ou políticas.

Foi apenas nos últimos quarenta anos que o Dr. James B. Herrick diagnosticou apropriadamente a causa da trombose coronária, de onde se derivou o grandioso progresso que desde então tem sido alcançado no combate a esta grande assassina.

Desejo colocar sobre o Dr. Herrick minha coroa de agradecimentos pelas suas grandes conquistas na medicina.

Que maravilhas têm sido alcançadas desde a invenção da máquina a vapor, do automóvel, do rádio, da televisão, dos dispositivos eletrônicos e dos milhares de outras descobertas e invenções que são demasiado numerosas para serem mencionadas.

O benefício educacional da cinematografia ultrapassa de longe apenas seu valor recreativo, e sua utilização em praticamente todos departamentos educacionais faz dela uma das mais valiosas invenções do homem.

Pensemos sobre a descoberta de Benjamin Franklin da relação entre a eletricidade e o raio e sobre a condenação arremessada contra ele por desafiar o “Príncipe do Poder do Ar”.

E os irmãos Wright e a medonha penalidade que iriam sofrer por “Voar até a face de Deus”.

O relâmpago, outrora temido como a colérica manifestação de um Deus enfurecido, foi reproduzido em laboratório por Charles P. Steinmetz, o ímpio mago da eletricidade.

O telefone, a telegrafia sem fio, o motor a vapor, a refrigeração, as máquinas de lavar e de costurar, o tear mecânico e a miríade de aplicações para as forças elétrica e atômica farão do homem o dono de seu destino, uma vez tenha se livrado do mito de um Deus tirano.

Ingersoll expressou melhor as invenções do homem e suas utilidades quando disse que: “A ciência pegou o relâmpago dos deuses e, com o corisco – e liberdade e pensamento e inteligência e amor – agora vasculha sob todas as ondas do mar; a ciência, o livre-pensamento, pegou uma lágrima não-remunerada que escorria em um rosto e converteu-a em vapor, e então criou o gigante que gira, com braços incansáveis, as incontáveis engrenagens do trabalho”.

Retire-se do homem as descobertas e invenções do século passado e ele irá pensar que retornou ao barbarismo.

Vejam o que a invenção da luz elétrica por Thomas A. Edison fez pelo homem – prolongou sua vida, deu mais horas ao dia, aumentou seu conforto mais que qualquer outra coisa anteriormente conhecida ou imaginada; foi algo que contribuiu imensuravelmente para sua alegria de viver.

Mesmo a fictícia performance de Josué de parar o Sol e a lua reduz-se a nada quando comparada a esta sublime descoberta.

Também não devemos esquecer a invenção de Edison para reproduzir a voz humana – e permitam-me dedicar um momento de homenagem para dizer que tive a grande honra de conhecer Thomas A. Edison, o qual me honrou chamando-me de seu amigo.

Se a impressão foi aclamada com uma das grandes invenções da humanidade, que podemos dizer do fonógrafo? Enquanto a impressão preserva os pensamentos do homem no papel, o fonógrafo preserva não apenas seus pensamentos, mas também sua voz!

A música não é mais “desperdiçada no ar deserto”.

Thomas A. Edison – o maior dos benfeitores entre os homens – arrancou da natureza o seu segredo mais bem guardado – o mistério da voz humana.

Ele refutou a idéia de que, como antes de acreditava, a voz humana, assim como o coração, era um “dom divino”. Demonstrou que a voz humana era apenas um mecanismo sonoro natural, o qual funcionava com o ar dos pulmões quando passava pelas “cordas” da garganta e da laringe, da mesma forma que os sons são produzidos pelas cordas de um instrumento musical.

Como resultado da invenção de Edison, o próprio homem já produziu artificialmente todas as manifestações da voz humana!

Se a voz era parte do “plano divino”, como poderíamos justificar sua ausência na girafa? Este animal não tem laringe e, deste modo, não tem cordas vocais; conseqüentemente, não pode falar ou fazer sons com sua garganta!

A girafa é uma prova da ausência de design na natureza e da cegueira das forças evolucionárias da vida.

Para listar todas as grandes descobertas no campo da ciência e da medicina durante o último século – como a aspirina, a insulina, a penicilina e a estreptomicina – seria necessária a atenção integral de um historiador médico e uma verdadeira enciclopédia para registrar isso tudo.

Todavia, ainda há muitas doenças que afligem o homem a respeito das quais ele não tem nenhum conhecimento. Elas devoram e devastam seu corpo e sua mente com dor e tortura excruciantes, e ele está completamente indefenso contra elas. Ele não apenas ignora sua origem, mas também não sabe qual é a sua natureza nem como se proteger de seus ataques. Ele tem de sentar-se como um criminoso condenado e, em agonizante tortura, esperar pela sua morte abençoada.

Se o homem e todas as outras formas de vida sobre este planeta são apenas um subproduto de um “grande plano” de uma “inteligência suprema”, então eu denuncio tal esquema como tirânico e selvagem.

Por que deveríamos ser feitos para sofrer dores e punições lancinantes na vida sem qualquer benefício e, por fim, ter todos os nossos esforços negados pela morte, fazendo do objetivo de nossas vidas, de nossas esperanças, de nossos desejos, de nossas ambições e de nossas aspirações nada mais que uma sinistra piada?

Ó reza, teu nome é malogro!

Ó Deus, tua arte é um mito de crueldade!

Não se encontrará uma única menção dessas grandes conquistas humanitárias nesses assim chamados “Livros dos Livros”; nem uma única referência sobre a natureza e a cura da enfermidade; nem uma palavra acerca daquelas invenções que tiraram um grande fardo das costas do homem.

A há uma boa razão para isso.

Os escritores da Bíblia não só desconheciam tais coisas, mas também tinham um conceito pervertido da vida e do Universo. Seu conceito era o de que o homem era uma vítima da poluição do sangue e que sua única possível salvação era através expiação sangue.

Lembro-me de uma vez ter visto um pequeno panfleto intitulado “O que a Bíblia Ensina sobre a Moral”. Ao abri-lo, descobri que não tinha nada senão páginas em branco! Seria bom se outro panfleto fosse publicado e intitulado “O que a Bíblia Revela sobre as Doenças, a Medicina e a Saúde”, e devem ser usadas apenas páginas em branco para representar o que ela diz sobre estes assuntos vitais.

Pelo contrário, esses benefícios foram denunciados pelos defensores da Bíblia e pelos representantes da divindade da Bíblia como sendo contrários aos “Desígnios Divinos”.

A Bíblia não afirma claramente que o homem deve trabalhar pelo pão que come apenas com o suor do seu rosto?

Aqui está a citação bíblica exata: “Do suor do teu rosto comerás o teu pão...”, e por quê? Apenas porque buscou conhecimento.

E o Deus da Bíblia não coloca sobre o homem uma maldição pelo conhecimento que lhe foi um grande conforto e benefício?

Aqui está outra citação bíblica: “... maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida”.

A Bíblia é uma mentira. É uma farsa e uma fraude.

Eu denuncio este livro e seu Deus.

Detesto-o profundamente.

Todo homem e mulher que contribuíram para o alívio da dor e do sofrimento da humanidade foram infiéis ao Deus Bíblico!

Toda nova invenção, toda nova descoberta em benefício do homem viola esses editos bíblicos!

Busquem o conhecimento, desafiem esse Deus tirano – essa é a única salvação.

É a condenação bíblica da busca pelo conhecimento – que paralisou a mente humana durante as épocas passadas e atravancou o progresso – que faz da Bíblia o mais pervertido, o mais detestável, o mais pernicioso e o mais nefasto livro jamais publicado.

Ele tem sido uma maldição para a humanidade.

É um dever de todos os indivíduos bravos e honestos fazer tudo que esteja a seu alcance para destruir a influência desde livro profundamente estúpido e vicioso, com seus conceitos infantis a respeito da vida e seus absurdos sobre o Universo.

É seu dever fazer tudo que esteja a seu alcance para cessar sua desmoralizante e paralisante influência sobre a vida do homem.

Nunca alçaremos a liberdade intelectual até que a perversidade desse livro tenha sido descartada juntamente com a crença na planicidade da Terra.

Se não quisermos parar as rodas do progresso; se não quisermos voltar à Idade das Trevas; se não quisermos voltar a viver sob uma tirania – então devemos proteger nossa liberdade e não permitir que a Igreja tome o controle do nosso governo.

Se o permitirmos, perderemos o maior legado jamais deixado à raça humana – a liberdade intelectual.

Deixem-me, agora, dizer outra coisa.

Se toda a energia e saúde desperdiçadas com a religião – em todas as suas variadas formas – tivessem sido gastas para compreender a vida e seus problemas, hoje estaríamos vivendo em condições que pareceriam mais uma utopia.

A maioria de nossos problemas sociais e domésticos já teria sido resolvida e, de modo tão importante, nossa compreensão e nossas relações com os outros povos do mundo teriam, atualmente, alcançado a paz universal.

O homem teria uma melhor compreensão dos seus motivos e das suas ações, e teria aprendido a refrear seus instintos primitivos de vingança e retaliação. Hoje ele já saberia que guerras de ódio, agressão e ambição apenas produzem mais ódio e mais sofrimento humano.

O homem esclarecido e completamente emancipado dos medos de um Deus e do dogma do ódio e da vingança faria de si próprio um irmão para seus semelhantes.

Ele dedicaria suas energias às descobertas e às invenções, as quais a teologia anteriormente condenava como um desafio a Deus, mas que provaram ser benéficas a ele.

Ele não seria mais um escravo de Deus, vivendo a adulá-lo por medo!

Construir uma igreja quando uma escola é necessária é perpetrar um roubo à educação.

Construir uma igreja quando um hospital é necessário é retirar dos lábios ressecados dos enfermos o copo de alívio e do sofredor a compassiva mão que ajuda.

Quando o objetivo da conduta do homem for melhorar as condições dos seus semelhantes e não o apaziguamento de um Deus mitológico, ele será mais compreensivo e indulgente com as fragilidades, os erros e as ações dos outros e, pelo mesmo motivo, nutrirá mais gratidão pelos seus esforços.

Desenvolverá uma maior consciência preventiva para erros e injúria. A vida e o viver tomarão uma grandiosa significância, e nossos esforços e energias serão devotados à criação de tanta alegria e felicidade quanto for possível para todos os seres vivos.

A não ser que se faça da morte uma lição para a vida, então a vida é desperdiçada.

Por que deveríamos vir à existência apenas para sermos destruídos? Um morre, outro nasce – para quê? Umas poucas horas miseráveis – então esquecimento!

Com o reconhecimento de que tudo acaba com a morte, ninguém deveria conscientemente impedir atos que trariam benefícios, alegria ou felicidade aos outros. Na morte, o ato hesitante já não pode mais ser realizado – a palavra de louvor é tão impossível quanto o retorno do ontem.

Que perversidade justificou a inflição de dor, sofrimento e morte contra aqueles que nada fizeram de errado?

Se a morte põe fim a tudo, por que lutar enquanto estamos vivos? Por que encurtar a vida com dor e sofrimento desnecessários?

Quão fúteis são os pequenos problemas individuais, com seus ódios e ciúmes, quando tudo cessa com a morte!

Todas as orações do mundo não podem eliminar uma injustiça.

Todo erro é irreparável.

Os mortos não podem perdoar.

Todas as lágrimas e suspiros são inúteis.

O perdão não pode ser concedido por lábios imóveis; o elogio não pode ser escutado por ouvidos que já não podem mais ouvir; a alegria não pode mais ser sentida quando o coração deixou de bater; a felicidade de um abraço carinhoso não pode mais ser sentida quando os braços estão cruzados e os olhos estão eternamente fechados.

Você deve decidir se quer Deus ou se quer o homem.

Se quer ser livre ou se quer ser escravo.

Se quer o progresso ou se quer a estagnação.

Enquanto o homem amar um fantasma no céu mais do que ama seu próximo, nunca haverá paz sobre a Terra; enquanto o homem adorar um tirano como sua “Paternidade Divina”, nunca haverá a “Irmandade dos Homens”.

Você deve fazer a escolha, deve tomar sua decisão.

Deus ou o homem? Igrejas ou lares? Preparação para a morte ou felicidade por viver?

Se o homem precisar de um exemplo para poder pesar o benefício de um e do outro, precisa apenas ler as páginas da história para ver a prova de como a religião retardou o progresso e provocou ódio entre os homens.

Quando a teologia governava o mundo, o homem era escravo.

As pessoas viviam em cabanas e casebres.

Vestiam-se com trapos e peles; devoravam cascas e roíam ossos; os padres tinham vestimentas de seda e cetim; carregavam mitras de ouro e pedras preciosas – roubadas dos pobres – e viviam da fartura da Terra!

Aqui e acolá aparecia um homem bravo para questionar sua autoridade.

Lenta e dolorosamente, esses mártires da emancipação intelectual destruíram o encantamento da superstição, prenunciando a Era da Razão e a Aurora da Ciência.

O homem tornou-se o único deus que o homem pode conhecer.

Não mais se ajoelha de medo.

Começou a gozar dos frutos de seu próprio trabalho.

Descobriu modos de aliviar a dureza do trabalho contínuo; começou a desfrutar de alguns confortos na vida – e, pela primeira vez, encontrou sobre esta Terra alguns momentos para a felicidade.

É muito mais importante aprender como viver do que aprender como rezar.

Um novo dia e uma nova era amanheceram para ele.

Seus trabalhos produziram enormes dividendos.

Olhou para o céu pela primeira vez, e viu que era azul! Vasculhou os céus e não encontrou qualquer Deus. Já não temia mais as manifestações da natureza.

As estrelas, entretanto, não são o alfabeto no qual devemos ler o destino do homem.

Não apenas rejeitamos a idéia de que o homem é punido por seus “pecados”, mas enfaticamente afirmamos que o pecado é uma coisa que não existe.

Há erros e injustiças, mas não pecados.

O pecado – assim como o purgatório e o inferno – foi inventado pelos padres, primeiramente para assustar, e depois para roubar seu sustento.

Não tememos esses mitos e maldições, e é por isso que devotamos nosso tempo e energia para ajudar nossos semelhantes.

É por isso que construímos instituições educacionais e buscamos, através de um lento e doloroso processo, ensinar ao homem a verdadeira natureza do Universo e a noção correta acerca de seu lugar como membro na sociedade. Ao mesmo tempo, tentamos fortificar sua mente com coragem para resistir às adversidades, aos desafios e às tribulações da vida. Ninguém pode negar que se trata de uma tarefa difícil e árdua, pois não podemos corrigir todos os “erros de Deus” na simples duração de uma vida.

Como Ingersoll sucintamente afirma: “A natureza não pode perdoar”.

Lembremo-nos disto: não somos seres humanos depravados.

Não temos nenhum pecado para ser pago.

Não é necessário ter medo.

Não há fantasmas – nada de sagrado ou afim.

Pare de fazer-se um miserável por “amor a Deus”.

Expulse esse monstro despótico de sua mente e usufrua a inestimável liberdade de ser um humano emancipado.

O único dever que temos é aquele para conosco e para com nossa família.

O que você deve a si mesmo é fazer o seu melhor; o que você deve à sua família é empenhar-se para fazê-la feliz.

Emancipe-se dessas crenças estupidificantes e proteja suas crianças da contaminação pela religião.

Não fique de joelhos, levante-se e olhe o mundo inteiro cara a cara.

Extraia da vida toda a alegria e toda a felicidade que puder.

Goze dos frutos de seu trabalho sem desperdiçá-los no mito do céu; não dê apoio aos parasitas de Deus.

Não faça qualquer mal a outro ser humano conscientemente; não prejudique deliberadamente o seu próximo.

Todas formas de vida têm sentimentos, não as faça sofrer.

Como disse Shakespeare:

O pobre escaravelho, sobre o qual pisamos,
Em sofrimento corporal, encontra uma dor tão grande
Quanto a de um gigante.

A bondade é um solvente mágico.

Apesar de sabermos que às vezes a “ingratidão é mais forte que os braços do traidor”, também sabemos que a “compaixão é bênção em dobro; ela abençoa aquele que dá e aquele que recebe”, e também deve-se lembrar que, enquanto a lealdade é a mais importante das virtudes, a paciência é a mais valiosa.

Torne-se um ser humano corajoso e, neste mundo imperfeito e problemático, faça o seu melhor – sob toda e qualquer circunstância.

Seja corajoso o suficiente para viver e corajoso o suficiente para morrer, sabendo que, quando a hora derradeira chegar, você fez o melhor que pôde e que o mundo é um lugar melhor porque você viveu.

Um Deus não faria melhor.

Estarei entre você e as guardiãs do céu.

Não tenho medo.

Irei defendê-lo enquanto estiver vivo.

Assumirei toda a responsabilidade.

Meus serviços são gratuitos.

Se errar, ponham a culpa em mim.

Quebre correntes da superstição, da escravidão mental – da religião.

Irrompa como um ser humano livre e independente.

Dignifique-se como um homem, e justifique sua vida sendo um irmão de toda a humanidade e um cidadão do Universo.


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Prisão de depositário trabalhista infiel/Novidades

18/11/2009
TST concede habeas corpus a depositário infiel

Ao adotar entendimento do Supremo Tribunal Federal, que considera ilegal a prisão civil de depositário infiel, a Seção II Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho (SDI-2) modificou, na sessão de ontem (17), decisão da própria SDI-2 que contrariava a orientação do Supremo e na qual mantinha a prisão de um depositário que vendeu bem penhorado sem autorização judicial ou depósito do valor equivalente ao da avaliação. Trata-se de um juízo de retratação, em recurso ordinário em habeas corpus, no qual a SDI-2 reforma o acórdão e defere o pedido para alvará de soltura.

O relator do recurso, ministro Renato de Lacerda Paiva, esclarece que novo panorama jurídico se estabeleceu com a Emenda Constitucional 45/2004, em que foi definida a proibição da prisão civil por dívida, prevista no artigo 5º, LXVII, da Constituição Federal - proibição que se estende ao infiel depositário judicial de bens. De acordo com o relator, agora a possibilidade da prisão civil restringe-se “apenas ao responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia, na qual não se inclui o crédito trabalhista”.

Ao analisar o caso, o ministro Renato Paiva considerou que não havia motivo plausível para afastar a ordem de restrição à liberdade de locomoção do depositário. O imóvel foi alienado pela sua esposa, também uma das sócias da empresa executada na reclamação original, para custear as despesas com tratamento médico a que se submeteu o executado, que estava acometido de câncer na época.

Como sócio da empresa executada e na qualidade de fiel depositário do juízo, regularmente nomeado, o depositário alienou o imóvel, “que se encontrava sob sua guarda e responsabilidade, frustrando a execução ao não o devolver ao juízo quando solicitado”, concluiu o relator. Além disso, segundo o ministro Renato, o depositário não comprovou sua alegação de que não honrou o compromisso assumido porque permaneceu - por três anos - sem saber que sua esposa havia vendido o bem. Após essas considerações, o relator ressalvou seu entendimento pessoal, mas adotou o posicionamento do STF para conceder o habeas corpus solicitado.

Histórico da retratação

Anteriormente, no acórdão reformado, a SDI-2 deu provimento parcial ao recurso apenas para conceder o benefício da prisão domiciliar ao depositário, com a possibilidade de afastamentos para tratamento de saúde, em substituição ao cumprimento da prisão civil, imposta na fase de execução da reclamação trabalhista originária. Contra essa decisão, o depositário interpôs embargos declaratórios e, em seguida, recurso extraordinário, que ficou suspenso, pela vice-presidência do TST , até o pronunciamento final do STF em relação ao RE 562051-RG/MT.

No julgamento desse recurso extraordinário, o STF reconheceu a repercussão geral da questão constitucional do tema, considerando “ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito”, de acordo com a interpretação do artigo 5º, inciso LXVII e parágrafos 1º, 2º e 3º, da Constituição Federal, e em decorrência do artigo 7º, parágrafo 7º, da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica).
Com esse resultado, a vice-presidência do TST resolveu submeter novamente o recurso ordinário à SDI-2, para verificar a possibilidade de emissão de juízo de retratação, nos termos do artigo 543-B, parágrafo 3º, do CPC.

Após o ministro Renato Paiva acolher o posicionamento do STF, a SDI-2, por unanimidade, deu provimento ao recurso ordinário, para conceder habeas corpus ao depositário. Determinou, inclusive, que sejam cientificados, com urgência, o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª (BA) e o juiz titular da 5ª Vara do Trabalho de Salvador (BA) sobre o inteiro teor da nova decisão da Seção Especializada do TST, para cessar a restrição à liberdade do depositário. (ROHC-324/2007-000-05-00.5)

(Lourdes Tavares)

Sequestro de verbas públicas/precatórios atrasados

18/11/2009 - 08h56
DECISÃO
Atraso no pagamento de precatório possibilita o seqüestro de verbas públicas
O atraso no pagamento de valores constante de precatório possibilita o seqüestro de verbas públicas, nos termos do artigo 78, § 4º do ADCT. Com esse entendimento, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça determinou o seqüestro de recursos financeiros do Estado do Paraná para o pagamento de precatórios de mais de R$ 11 milhões devidos à Companhia Pinheiro Indústria e Comércio desde o ano 2000.

O pedido de seqüestro foi rejeitado pelo Tribunal de Justiça estadual com o fundamento de que a legislação não estabelece o início do prazo para o pagamento do precatório, mas apenas estipula que o débito deve ser pago no prazo de 10 anos. Assim, a moratória deve ser total, abrangendo todas as parcelas do precatório e não apenas uma delas.

Para o TJ do Paraná, se não ficar comprovada a omissão no orçamento, a moratória para pagamento das parcelas ou a quebra da cronologia, não há qualquer ilegalidade ou abuso do poder que autorize o seqüestro constitucional previsto no referido artigo.

A empresa recorreu ao STJ alegando que o indeferimento do pedido violou direito liquido e certo assegurado pela legislação, já que tal medida é cabível na hipótese de falta de pagamento de qualquer uma das parcelas devidas. Sustentou, ainda, que mesmo tendo sido incluído no orçamento estadual de 2000, o Estado não quitou sequer uma parcela do débito de R$ 11,7 milhões determinado por decisão judicial transitado em julgado.

Segundo a relatora, ministra Denise Arruda, a Emenda Constitucional 30/2000 estabeleceu dois regimes de pagamento de precatórios: o geral, que autoriza o sequestro de recursos exclusivamente para o caso de preterimento no direito de precedência; e o especial, em que o seqüestro de recursos públicos é autorizado nas hipóteses de preterição do direito de precedência, de vencimento de prazo ou em caso de omissão no orçamento (art. 78, § 4º do ADCT)

Citando precedente relatado pelo ministro Teori Zavascki, Denise Arruda destacou que a autorização para seqüestro prevista na legislação refere-se a cada uma das parcelas anuais da dívida, não havendo necessidade de se aguardar o decurso do prazo para pagamento da última parcela, como entendeu a Justiça paranaense.

Para a relatora, no caso em questão está claro que apesar de ter sido requisitado em 1999 e incluído no orçamento de 2000, o Estado não efetivou o pagamento de nenhuma parcela. Ou seja, na data da promulgação da Emenda Constitucional 30/2000, o referido precatório ainda se encontrava pendente de pagamento,o que enseja a aplicação da norma contida no artigo 78 do ADCT.

Assim, por unanimidade, a Turma acolheu o pedido de sequestro de recursos financeiros suficientes para o pagamento das prestações vencidas.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Macro-lide" no STJ

05/11/2009 - 12h40
RECURSO REPETITIVO
Em repetitivo, STJ confirma suspensão de processo individual dada a existência de ação coletiva
Em mais um julgamento pelo rito da Lei dos Recursos Repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou entendimento de que, no caso de existência de ação civil pública, instaurada antecipadamente, todos os processos individuais referentes ao mesmo caso devem ser suspensos. Os ministros da Segunda Seção, por maioria, seguiram o entendimento do relator, ministro Sidnei Beneti.

No caso, trata-se de recurso especial contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que, confirmando sentença, suspendeu o processo individual movido por depositante de caderneta de poupança que visava ao recebimento de correção monetária em virtude de planos econômicos, dada a existência de ação coletiva antes instaurada.

A depositante sustentou o descabimento da suspensão do processo individual em virtude da ação coletiva proposta pelo Ministério Público contra o Banco Santander Banespa S.A. Argumentou que não tem interesse individual que sua ação fique suspensa e baixada até o trânsito em julgado da ação coletiva, pois, além de aumentar o tempo de conclusão da sua ação individual, os seus pedidos sucessivos ao principal são diversos aos formulados na ação coletiva.

No seu voto, o relator destacou que, efetivamente, o sistema processual brasileiro vem buscando soluções para os processos que repetem a mesma lide, que se caracteriza, em verdade, como macro-lide, pelos efeitos processuais multitudinários que produz.

Para o ministro Beneti, a suspensão do processo individual pode perfeitamente dar-se já ao início, assim que ajuizado, porque, diante do julgamento da tese central na ação civil pública, o processo individual poderá ser julgado logo, por sentença liminar de mérito, para a extinção do processo, ou, no caso de sucesso da tese, poderá ocorrer a conversão da ação individual em cumprimento de sentença da ação coletiva.

Entretanto, o ministro ressaltou que o direito ao ajuizamento individual deve também ser assegurado, no caso de processos multitudinários repetitivos, porque, se não o fosse, o autor poderia sofrer consequências nocivas ao seu direito, decorrentes de acidentalidades que levassem à frustração circunstancial, por motivo secundário, do processo principal, mas esse ajuizamento não impede a suspensão.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"Ambiguidade moral" e Justiça

13/11/2009
Curso para magistrados discute a ética em tempos de ambiguidade moral

Ao procurar a Justiça, o injustiçado não quer apenas uma resposta tópica, uma solução processual (que muitas vezes nem entende) para seu problema. O que ele quer, sobretudo, é uma resposta para a perplexidade gerada pelos dilemas morais da era em que estamos mergulhados. A pluralidade, a ambiguidade e o relativismo moral foram tema da palestra que o desembargador Renato Nalini fez hoje (13) para ministros, desembargadores e juízes do trabalho na Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat).

O curso, intitulado “Conteúdo Ético das Sentenças Judiciais”, aconteceu na sede da Escola, que funciona no Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília, e foi transmitido para todos os 24 Tribunais Regionais do Trabalho do País, onde pôde ser acompanhado por juízes e desembargadores em dois auditórios em cada região – um na capital e outro no interior, preferencialmente.

Relativismo moral

Para Nalini, a sobrecarga de demandas que vive o Judiciário é resultado não apenas da facilidade de acesso e do despertar da cidadania: ela reflete, também, uma crise de valores. “Procura-se a Justiça porque não se respeita mais aquilo que se pactuou, porque se desconsidera o princípio da dignidade humana”, aponta. “Estamos numa era de indefinição de muitos temas morais e de certo relativismo, de uma moralidade à la carte, em que uma sociedade hedonista e individualista passa a cultivar valores próprios.”

As decisões judiciais não escapam a essa configuração – e podem ser “certas num sentido e erradas em outro”, como diz o especialista. É preciso, portanto, ter em mente as consequências. “A Justiça enfrenta o tema da ética em todas as suas manifestações. A necessidade de conciliar a cooperação pacífica e a afirmação pessoal, a conduta individual e o bem-estar coletivo impregna os conflitos, e esses temas precisam ser encarados de maneira nova” propõe. “Não existem certezas nesse campo minado em que a Justiça deve atuar – tanto para pacificar quanto para sinalizar o que é correto. Temos de aprender a viver sem garantias.”

Há, porém, parâmetros mínimos que permitem ao julgador balizar seus julgamentos – e o principal deles é o conjunto de valores definidos pela Constituição Federal de 1988, que refletem, na opinião do jurista, “o arranjo ótimo” da convivência humana, a matéria-prima da sociabilidade e da construção de uma pátria justa, fraterna e solidária. “Precisamos domesticar esses valores e extrair deles todo o conteúdo prático possível.” Diante de princípios como “a liberdade, a segurança, o bem-estar, valores como a dignidade da pessoa humana, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça”, fixados no preâmbulo da Constituição – que os juízes se comprometem a cumprir assim que iniciam sua carreira -, Nalini observa que toda decisão tem conteúdo ético. “Restringir a sentença a uma técnica asséptica e pretensamente neutra é trilhar o caminho da indiferença, da insensibilidade, da omissão e do descompromisso para com os valores fundamentais”, afirma. “O excessivo formalismo, a opção pelo procedimentalismo estéril, a procrastinação deliberada, a desatenção quanto aos aspectos extrajurídicos de cada processo não é senão desconsideração a esses comandos constitucionais”.

Perplexidade

O desembargador observou que a sociedade está “aturdida com os desmandos, perplexa com o descompromisso e a escancarada inobservância daquilo que seria o bom senso”. A atenção a este clamor é, na sua avaliação, “mais urgente do que o conhecimento jurídico e a capacidade técnica”.

O diretor da Enamat, ministro Barros Levenhagen, disse ao palestrante que a escolha do tema não é casual. “Vivemos uma época em que o sentido ético do agente público está um tanto quanto desgastado, quase banalizado”, observou. “Já não se pensa mais a atuação política – no bom sentido – com a firmeza dos preceitos éticos que impulsionam uma atuação realmente em favor da coletividade.” Diante desse quadro, a Escola tem dado grande ênfase ao sentido ético das decisões nos cursos de formação de novos juízes. “Não é possível que um magistrado prescinda da sensibilidade ética das suas decisões para voltar-se para construções técnico-jurídicas. É importante que ele se insira no meio social em que vai atuar e saiba que suas decisões têm implicações sociais que invariavelmente passam por um sentido ético da vida. Sem o sentido ético, talvez a vida não valesse a pena, e ninguém melhor para defendê-la do que o Judiciário, uma vez que os dois outros Poderes, infelizmente, não têm seguido aquilo que é mais importante para a comunidade das pessoas”, concluiu.

(Carmem Feijó/Enamat)

Fonte: http://www.tst.gov.br

Eleições OAB/Mais uma "farsa burguesa"?

Sinto-me completamente desmotivado para escolher esta ou aquela chapa, das três que concorrem às eleições da OAB/SC.

Com raras exceções, os colegas que se candidatam objetivam projeção social, fama, para engordar o faturamento dos seus escritórios, ou chance de concorrer (via quinto constitucional) a vaga de desembargador, ministro, membro do Conselho Nacional de Justiça, ou a cabide de igual importância e retorno financeiro.

Tenho certeza que a mesma falta de empolgação está ocorrendo com grande parte dos colegas que deverão desincumbir-se do "encargo", compulsoriamente. Notem que eu sequer falo em "direito" de sufragar esta ou aquela chapa, passando, ao contrário, a idéia de "obrigação".

Temo estar ficando convicto de que a "democracia", no Brasil(como, ademais, em muitos outros países), não passa de um circo, ou, como dizem os comunistas, de uma autêntica "farsa burguesa".

Mas, como não há nenhum sistema político melhor à vista, irei votar, aproveitando para, nas abordagens que padecerei, à entrada do recinto eleitoral, dizer do meu desencanto com a autarquia.

Para começar a mudar, penso que já está na hora de questionarmos o acúmulo das funções de registro/fiscalização da categoria com a sua representação. Ao meu pensar, são atribuições que não se harmonizam. Ao contrário, entrechocam-se.

Representação é tarefa para associação ou sindicato e não para autarquia (administração pública indireta).

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RESULTADO OFICIAL

Tribunal Regional Eleitoral acaba de divulgar os números oficiais sobre as eleições para o comando da OAB de Santa Catarina. O atual presidente, Paulo Roberto de Borba, venceu o pleito com 6.209 votos. O advogado Tullo Cavallazzi Filho conquistou 5.190 votos, e Marcus Silva, o Marcão, obteve 2.522 votos.

A posse do novo Conselho será no dia 1º de janeiro.


Fonte: MOACIR PEREIRA

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Ontem, ouvo vários comentários referentes à desunião da oposição ("toda oposição é burra", disse-me um colega), o que facilitaria a vitória da situação.

Não deu outra.

domingo, 15 de novembro de 2009

Música da Ilha de Santa Catarina (Florianópolis)


Sub-arq. 01 - Ao violão, WAGNER SEGURA, com sua notória competência.

O Rancho de Amor à Ilha é o hino oficial da cidade de Florianópolis, de autoria de Cláudio Alvim Barbosa (Zininho). Foi escolhido em 1965 através de um concurso promovido pela Prefeitura Municipal de Florianópolis e oficializado pelo Projeto de Lei nº 877 de 27 de Agosto de 1968, de autoria do vereador Waldemar Joaquim da Silva Filho (Caruso).


Um pedacinho de terra,
perdido no mar!...
Num pedacinho de terra,
beleza sem par...

Jamais a natureza
reuniu tanta beleza
jamais algum poeta
teve tanto para cantar

Num pedacinho de terra
belezas sem par!
Ilha da moça faceira,
da velha rendeira tradicional
Ilha da velha figueira
onde em tarde fagueira
vou ler meu jornal.

Tua lagoa formosa
ternura de rosa
poema ao luar,
cristal onde a lua vaidosa
sestrosa, dengosa
vem se espelhar...



Sub-arq. 02

Barra Da Lagoa

Todas as letras de músicas de Grupo Engenho

Compositor(es): Neco


Hoje to triste pescador
Perdi o amigo Chicão
Morreu de cansaço dos barcos
Lá na barra da lagoa
Lagoa da Conceição
Lagoa da Conceição

Hoje não tem cantoria
Nem vai ter boi de mamão
Renda em dobro pra Maria
Que é rendeira da lagoa
Lagoa da Conceição
Lagoa da Conceição



Sub-arq. 03

Engenho

Depois de 14 anos ausente dos palcos e retornando há um ano e meio com nova formação, o Engenho, o mais representativo grupo musical de Florianópolis, soube muito bem aproveitar o convite de Roston Nascimento, diretor de marketing da Embratur, para se apresentar na Feira Internacional de Turismo, na Argentina. Instalado no estande da Embratur, os visitantes da Feira tiveram a rara oportunidade de conhecer a boa música feita em Florianópolis. A "Opereta do Mané" (Gilson Duarte e Cristaldo de Souza), criação do grupo, é uma preciosidade, com letra, melodia e sotaque mané. O Ministro do Turismo e do Esporte, Carlos Melles, fez questão de cumprimentar pessoalmente o grupo, convidando-o, inclusive, para uma apresentação em sua fazenda no interior de Minas Gerais.
http://64.233.163.132/search?q=cache:aZhtfpp4VrgJ:www1.an.com.br

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As tainhas acuadas, percebendo a morte iminente, tentam escapar, pulando a rede. Dá pena das coitadinhas, não é mesmo? A compreensão da proxidimidade da morte apavora até mesmo os viventes mais curtos de idéias.
Mas os pescadores não permitem que fujam. Pé na tralha dos chumbos e mãos levantando a tralha das cortiças, conservam as bichinhas presas até chegarem
à praia, onde morrerão por sufocamento. Triste fim!

Eleição na AMORA

Realizou-se hoje, entre 13 e 17 horas, a eleição dos dirigentes e membros do Conselho Fiscal da Associação de Moradores de Ratones/AMORA.

A instituição foi criada em 1º de junho de 1995 e declarada de utilidade pública, por força da Lei Municipal nº 3.558, de 20/05/1991.

Desde a sua fundação, lutou com muita dificuldade para adquirir sede própria, sonho que acaba de se concretizar, após longa batalha judicial com pessoas que vindicavam a posse de um terreno que a instituição ganhara do Sr. KOVALSKI, ao lado da creche, na Est. Intendente Antonio Damasco.

A AMORA já foi imitida na posse do terreno, em caráter defintivo e, como sobre ele
havia uma construção não concluída, já foi cercado e as benfeitorias estão sendo recuperadas e acabadas, de sorte que o existência da AMORA, a partir do próximo ano, sofrerá fortes modificações, para melhor, obviamente.

Felizmente, Ratones conta com um número razoável de abnegados à frente da AMORA e a representação do Distrito, que, nos últimos anos, vem sendo objeto da dedicação do grupo capitaneado por Flávio De Mori, o qual certamente terá como implementar velhos sonhos, voltados para o desenvolvimento comunitário e afirmação do Distrito na opinião pública municipal.

Hoje a instituição tem cérebros à sua frente, gente que sabe dirigir e politicamente articulada, sem pender para qualquer agremiação partidária, todavia, quando agindo em nome da AMORA.

O pleito que hoje ocorreu é o primeiro (portanto, de importância histórica inequívoca) realizado na sede própria e istodeveria constituir-se em motivo de merecido regozijo da população.

Mas falta, ainda, a participação maciça da comunidade, prestigiando sua Associação, de modo que o distrito seja respeitado pelos administração municipal, ante o envolvimento dos moradores/eleitores na instituição que o representa.

Compareceram apenas 48 votantes, tendo todos sufragado a única chapa inscrita, sendo reeleito, pela última vez (o estatuto proibe nova reeleição), para a Presidência, o referido Flávio De Mori.

A sede nova constituirá motivação extraordinária para que a participação popular seja sensivelmente ampliada, não resta a menor dúvida.

É preciso vencer uma espécie de xenofobia dos nativos, em relação aos adventícios, que apesar de morarem no distrito por opção e representarem uma espécie de "elite pensante", com capacidade inequívoca de bem representar a comunidade, são vistos como invasores, dominadores e intrometidos.

O povo está "arisco", desconfiado, descrente de política, mesmo daquela que, a nível distrital, é conduzida sem o menor interesse pessoal (mandato gratuito, associação com verbas mínimas), como a praticada por Flávio De Mori.

O povo recrimina os políticos corruptos, mas, a seu turno, se puder levar alguma vantagem, passa a interessar-se e participar. Sempre os interesses pessoais acima dos coletivos, difusos.

A velha política do clientelismo, da troca do voto por cimento, de algum dinheiro, de uma camiseta, ainda prevalece. É o mau exemplo dos péssimos políticos que frutifica, perpetuando um sistema perverso e indecente.

É necessária muita lucidez para não se criar nojo dessa gente hipócrita, que só sabe criticar e não sabe dar o mínimo de si, sem visar retorno pessoal.

Coloque-se uma simples bicicleta para sortear entre os participantes e qualquer evento enche de gente. Caso contrário ...!

É muita pobreza de espírito. Não é à toa que em nosso distrito proliferam as igrejas. Elas costumam medrar no seio dos povos que possuem massaa encefálica reduzida e inoperante.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

E agora Lugo?

A notícia que segue é, no mínimo, hilária.

Paraguai reforça segurança na fronteira com Brasil

2 horas, 8 minutos atrás

ASSUNÇÃO (Reuters) - O governo paraguaio enviou nesta quinta-feira centenas de agentes especiais da polícia para uma região no norte do país que faz fronteira com o Brasil, em uma tentativa de desarticular o grupo armado que mantém refém um conhecido pecuarista.

O engenheiro Fidel Zavala foi sequestrado há pouco menos de um mês de sua fazenda por um grupo de extrema esquerda denominado Exército do Povo Paraguaio.

O crime aumentou as críticas ao governo do presidente socialista Fernando Lugo, e sua resolução pode ser vital na gestão do mandatário, que enfrenta a pressão da oposição, no controle do Congresso.

O Ministério do Interior disse que a decisão de enviar tropas de elite --unidades treinadas em resgate de reféns-- responde à necessidade de tranquilizar os povoados da região, aumentando a presença do Estado.

"Não cederemos a nenhum tipo de chantagem nem vamos tolerar que nenhum grupo de delinquentes tente criar territórios liberados em nossa República. O Paraguai não se submeterá às organizações criminosas", disse o ministro Rafael Filizzola.

Mas a família de Zavala questionou a operação por achar que ela vai colocar em risco a vida do pecuarista.

A insegurança é uma das principais queixas ao governo de Lugo, um ex-bispo que terminou com as seis décadas de governo do conservador Partido Colorado e se propôs "limpar" a polícia, manchada por denúncias de corrupção.

Membros do Exército do Povo Paraguaio, que opera em uma área de cultivo de maconha, foram vinculados a integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e apontados como responsáveis por outros sequestros e ataques a postos policiais no Paraguai.

(Reportagem de Daniela Desantis)

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Curioso é que, na biografia de Lugo na Wikipédia, consta que ele teria sido acusado de ligação justamente com o tal Exército do Povo Paraguaio:

Por seu turno, um condenado por sequestro, Carmen Villalba, e a quem o governo acusa de ligações com as Farc começaram a declarar que existe um grupo guerrilheiro próximo da Triple Fronteira para simpatizaría com Lugo. Seria EPP: Exército do Povo Paraguaio. Lugo diz que tudo é um plano para desacreditar.





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Será que o povo Paraguaio, que via no Lugo um bolchevique (mais ou menos como o povo brasileiro viu o Lula), descobriu que ele não passa, quando muito, de um "menchevique", tal qual o nosso?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Amante versus traído

11/11/2009 - 13h34


Cúmplice de adultério não tem o dever de indenizar marido traído
Para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o cúmplice de adultério, praticado durante o tempo de vigência do casamento, não deve indenizar o marido traído por dano moral. Os ministros da Quarta Turma do STJ entenderam que, em nenhum momento, nem a doutrina abalizada, nem tampouco a jurisprudência, cogitou de responsabilidade civil de terceiro.

Para o ministro Luís Felipe Salomão, relator do recurso, não há como o Judiciário impor um “não fazer” ao amante, decorrendo disso a impossibilidade de se indenizar o ato por inexistência de norma posta – legal e não moral – que assim determine. “É certo que não se obriga a amar por via legislativa ou judicial e não se paga o desamor com indenizações”, afirmou.

No caso, G.V.C ajuizou ação de indenização por danos morais contra W.J.D alegando que viveu casado com J.C.V entre 17/1/1987 e 25/3/1996 e que, possivelmente, a partir de setembro de 1990, aquele passou a manter relações sexuais com sua então esposa, resultando dessa relação o nascimento de uma menina, a qual registrou como sua. O casal divorciou-se em outubro de 1999. Sustentou, assim, que diante da infidelidade, bem como da falsa paternidade na qual acreditava, sofreu dano moral passível de indenização, pois “anda cabisbaixo, desconsolado e triste”.

O juízo de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Patos de Minas (MG) condenou o cúmplice do adultério ao pagamento de R$ 3,5 mil ao ex-marido, a título de compensação pelos danos morais por ele experimentados. Na apelação, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais afirmou que, embora reprovável a conduta do cúmplice, não houve “culpa jurídica” a ensejar sua responsabilidade solidária, quando em verdade foi a ex-esposa quem descumpriu os deveres impostos pelo matrimônio.

No STJ, o ex-marido sustentou que estão presentes os requisitos autorizadores da responsabilidade civil do cúmplice, tendo em vista que o ilícito (adultério, com o conseqüente nascimento da filha que acreditava ser sua) foi praticado por ambos (amante e ex-mulher), sendo solidariamente responsáveis pela reparação do dano.

Segundo o ministro Salomão, o cúmplice de adultério é estranho à relação jurídica existente entre o casal, relação da qual se origina o dever de fidelidade mencionado no artigo 1.566, inciso I, do Código Civil de 2002. “O casamento, se examinado tanto como uma instituição, quanto contrato sui generis, somente produz efeitos em relação aos celebrantes e seus familiares; não beneficiando nem prejudicando terceiros”, destacou.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Aleluia! Viva a República

Notícia transcrita de outro blog.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Igreja Quadrangular: Justiça ordena que igreja devolva doação de R$260 mil

Adicionado por Claudio Luiz em 31 julho 2009 às 2:05


Igreja Quadrangular: Justiça ordena que igreja devolva doação de R$260 mil
A Justiça de Santa Catarina determinou que R$ 260 mil devem voltar aos cofres públicos com juros e correção monetária. O dinheiro foi concedido como subvenção social ao Serviço de Ação Social da Igreja do Evangelho Quadrangular (Sasieq) em 1997 pelo Estado.


Foram condenados a devolver solidariamente o valor, o governador da época, Paulo Afonso Evangelista Vieira, a Igreja do Evangelho Quadrangular, seu presidente, o deputado estadual Narcizo Parisotto (PTB), e o próprio Sasieq. A ação civil pública foi proposta pelo Ministério Público e cabem recursos à decisão de primeira instância.
O problema mais relevante, na avaliação do juiz Luiz Antonio Zanini Fornerolli, foi a construção de um templo da igreja no terreno comprado com parte do valor – R$ 190 mil – da subvenção destinada à Sasieq. Não ficou demonstrado, conforme o juiz, que os demais R$ 90 mil foram aplicados em obras assistenciais.


Na decisão, o juiz afirmou que a entidade não era reconhecida, à época, como de utilidade pública, justificando a condenação de Paulo Afonso.
O juiz também ressalta que havia confusão jurídica entre a igreja e o Sasieq, inclusive com uso do mesmo Cadastro Geral de Contribuinte. Paulo Afonso afirma que, em sua gestão, atendeu a vários credos religiosos através de subvenções. O advogado de Parisotto não se manifestou.

O outro lado


O advogado de Paulo Afonso Vieira, Murilo Rezende Salgado, afirmou que deve entrar com recurso, mas preferiu não adiantar detalhes das alegações. O ex-governador afirmou que não conhece a decisão judicial, mas que em sua gestão as subvenções a entidades de cunho social de diversos credos religiosos foram constantes.
A assessoria de Narcizo Parisotto informou que o advogado André Melo Filho falaria sobre o assunto. Procurado, o advogado, que também defende a Igreja e a Sasieq, ficou de retornar a ligação ao DC. O contato não ocorreu até o fechamento da edição.


O que é subvenção social

Subvenção social é um recurso concedido pelo governo do Estado a entidades que desenvolvem trabalhos sociais. Em SC, podem ser concedidas pelo Fundo Social e por diversos órgãos do governo, como pastas da Saúde e Educação. A distribuição, no caso do fundo, passa pela secretaria da Fazenda (órgão gestor) e por um conselho deliberativo. Os critérios de preferência são: Índice de Desenvolvimento do município (IDH), indicador econômico e plano de governo. Depois, a instituição e o objeto da solicitação são analisados conforme a legislação. Quando o pedido é aprovado, a entidade requerente precisa apresentar uma série de documentos.
03/07/2009
Aguardando publicação
Relação: 0442/2009 Teor do ato: Ante o exposto, ACOLHO os pedidos formulados na presente ação civil pública, na forma do art. 459 c/c o art. 269, I, do CPC, para DECLARAR nulo o ato administrativo do Governo do Estado de Santa Catarina que concedeu subvenção ao Serviço de Ação Social da Igreja do Evangelho Quadrangular - SASIEQ e, em consequência, CONDENAR os réus, solidariamente, à devolução dos valores devidamente corrigidos, confirmando a liminar de indisponibilidade de bens deferida. Frente ao princípio da causalidade condeno os réus ao pagamento das despesas processuais, de forma solidária. Incabível a condenação em honorários advocatícios. Publique-se, registre-se e intimem-se. fls. 2076/2086. Advogados(s): Murilo Rezende Salgado (OAB 000.648-B/SC), Rodrigo Fernandes Pereira (OAB 008.328/SC), André Mello Filho (OAB 001.240/SC)

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Processo 023.06.388170-8
Classe Ação Civil Pública / Lei Especial (Área: Cível)
Distribuição Sorteio - 14/12/2006 às 19:00
Unidade da Fazenda Pública - Capital
Local Físico 21/10/2009 12:00 - Cartório - Aguardando publicação relação - relação 717/09 A
Valor da ação R$ 499.503,73


Observações vol. 1 ao 3 + apenso - esc. 42 de volumes
Partes do Processo (Todas)
Participação Partes e Representantes
Autor Ministério Público do Estado de Santa Catarina
Advogado(a) Paulo de Tarso Brandão e outro
Advogado(a) Analú Librelato Longo
Réu Narciso Luiz Parisoto
Advogado(a) Rodrigo Fernandes Pereira
Réu Igreja do Evangelho Quadrangular
Advogado(a) André Mello Filho
Réu Paulo Afono Evangelista Vieira
Advogado(a) Murilo Rezende Salgado
Réu Serviço de Ação Social da Igreja do Evangelista Quadrangular - Sasieq
Advogado(a) André Melo Filho
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21/10/2009
Aguardando publicação
Relação: 0717/2009 Teor do ato: Vistos etc. Recebo as apelações de fls. 2098 e 2111 no efeito devolutivo, conforme determina o art. 14 da Lei 7.347/85. Dê-se vista à parte contrária para, querendo, contra-arrazoar, no prazo de 15 (quinze) dias. Após, remetam-se os presentes autos ao e. Tribunal de Justiça de Santa Catarina, com as homenagens de estilo. Cumpra-se. fls. 2121. Advogados(s): Murilo Rezende Salgado (OAB 000.648-B/SC), Rodrigo Fernandes Pereira (OAB 008.328/SC), André Mello Filho (OAB 001.240/SC).


Ônus da prova

Há certas situações em que a vítima de crimes hediondos (ou nem tanto) fica de mãos atadas para produzir a prova exigida pela Justiça para o apenamento do delinquente.
Caso típico de dificuldade extrema para produzir prova é o de assédio sexual, só para exemplificar. Evidentemente, conhecendo o caráter delituoso das suas práticas reiteradas, o assediante busca fazer uso de métodos e expedientes que não o deixem vulnerável a uma punição criminal ou indenização civil.

No caso da tortura, por exemplo, o TJ/SC tem entendido que

A declaração de tortura para a obtenção de confissão é prova que recai em quem alega, militando presunção de imparcialidade da autoridade policial (Apelação Criminal n. 2004.014693-0, de Itapema. Relator: Des. Solon d'Eça Neves. Julgada em 9.11.2004).

Tal entendimento engendra um grande estímulo para quem adota os métodos violentos de investigação ou punição extra-legal-judicial.
No caso recentemente divulgado, por exemplo, se não fossem as cenas chocantes que chegaram ao conhecimento público, a Justiça, muito provavelmente, não teria a menor disposição de punir os torturadores, porque a presunção de imparcialidade da autoridade policial seria adotada como regra.

É preciso repensar esta orientação, invertendo-se, como no caso da relação de consumo, o ônus da prova, ou seja, alegada a prática de tortura, apontados os nomes dos torturadores, data, hora e local dos fatos, devem ser carreados para os acusados os ônus de provarem o contrário.

Uma lei dispondo a a respeito da inversão do ônus da prova seria de grande utilidade para a afirmação da democracia.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fosfateira derrotada mais uma vez

Segunda, 09 de Novembro de 2009

Mantida liminar que impede instalação de fosfateira em SC

O juiz federal João Pedro Gebran Neto, convocado para atuar no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), negou na última semana pedido de suspensão da liminar da Vara Federal Ambiental de Florianópolis que impede a instalação do Complexo de Fabricação de Superfosfato Simples no município de Anitápolis, a 108 quilômetros da Capital catarinense. O magistrado manteve o argumento de que deve vigorar o princípio da precaução, manifestado na decisão de primeira instância.

“Deve também ser ponderado que a viabilidade ambiental do empreendimento reconhecida pela Fatma teve por base estudo de impacto promovido unilateralmente pelos empreendedores, de forma que se afigura justificada a aplicação do princípio da precaução ao caso, até que se chegue a uma conclusão definitiva sobre os danos que podem resultar da atividade, dada a magnitude do empreendimento”, afirmou o juiz.

Segundo Gebran, é necessário aguardar a realização da perícia que “confira maior segurança quanto à observância da legislação e baixo ou adequado impacto ambiental do empreendimento”. Os recursos foram interpostos pelo Estado de Santa Catarina, pela Fundação do Meio Ambiente e pelo Município de Anitápolis.

Outro recurso do Estado com o mesmo pedido também foi protocolado perante a Presidência do TRF4. Hoje (9/11), no entanto, o desembargador federal Vilson Darós, presidente do tribunal, entendeu que o pedido não pode ser conhecido, uma vez que o caso já foi analisado pelo juiz Gebran, da 3ª Turma do tribunal.


AI 2009.04.00.038102-3/TRF
AI 2009.04.00.038632-0/TRF
AI 2009.04.00.039195-8/TRF

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Briga de galos



Conquanto pareça, a qualquer pessoa de bom senso, uma atividade abominável, a que se volta para colocar dois valentes galos frente à frente, para cortar-se com esporas de metal que lhe são colocadas nos pés, visando os proprietários e apostadores auferir ganhos financeiros, não resta a menor dúvida de que apreciar as aves em combate é algo emocionante.

A gana com que os contendores emplumados se enfrentam e a coragem para continuar lutando, apesar do cansaço, dos olhos vasados e dos corpos furados, é algo indescritível.

Que estranha mola impulsiona estes bichos para o entrevero, via de regra mortal?

Quem lhes incutiu no instinto este amor pela briga e o destemor da morte?

O que os motiva a dar demonstrações inequívocas de que a luta exige coragem e desprendimento, até da própria vida?

Visariam tais contendas fazer prevalecer os mais fortes e contribuir, assim, para o aperfeiçoamento da espécie?

Se a resposta à ultima pergunta for positiva, é preciso não esquecer de que nem sempre a força e a destreza física prevalecem, não sendo raras as ocasiões em que a agilidade mental e a astúcia sobrepujam a força.

A coragem, todavia, nunca será desprezível.

Expoentes do Tango




GABINO EZEIZA


Gabino Ezeiza (Buenos Aires, 19 de fevereiro de 1858 — Buenos Aires, 12 de outubro de 1916) foi um payador (trovador, cantador) argentino.
É uma das legendas da história artística argentina. Considerado o maior dos payadores, tem vinculação com o tango por inserir a milonga no meio dos desafios de trovas. Começou a atuar com quinze anos, circulando por diversos povoados argentinos e uruguaios, também frequentando teatros e até circos, sempre com o seu violão.
Enfrentou vários rivais de renome como Juan de Nava (pai de Arturo de Nava), Nemesio Trejo, Pablo Vázquez e Maximiliano Santillán. Teve sua aparição no disco nos primórdios da indústria fonográfica argentina. Era conhecido como El negro Ezeiza, por causa da cor de sua pele. Em 1922, a dupla Gardel-Razzano gravou Heróico Paysandú, um dos seus maiores êxitos.


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Por que a canção sobre Paysandu e a referência ao bombardeio brasileiro?
Veja abaixo:

Guerra do Uruguai
De Wikipedia


A chamada Guerra contra Aguirre, ocorrida em 1864, integra o conjunto das Questões Platinas, na História das Relações Internacionais do Brasil[1].

O conflito se inscreveu na defesa dos interesses do Império do Brasil naquela região, diante do rompimento das relações diplomáticas entre a Argentina e o Uruguai, naquele ano.

História
Antecedentes

Tendo a agitação política voltado a dominar o Uruguai, refletiu-se de forma negativa junto aos estancieiros brasileiros, na fronteira da então Província do Rio Grande do Sul, que passaram a ter as suas propriedades invadidas e o seu gado furtado durante operações de razia popularmente conhecidas como califórnias. Os cidadãos brasileiros estabelecidos naquele país, estimados em 40 mil pessoas, também passaram a ser alvo de perseguições e violência contra pessoas e propriedades, à época.

O governo imperial brasileiro tentou intervir diplomaticamente junto ao presidente uruguaio, Atanasio Cruz Aguirre, do Partido Blanco, mas não logrou sucesso.

Foi formulado um ultimato, que não foi aceito. O Uruguai pretendia anular o Tratado de Limites de 1852, posição que abandonou diante da disposição brasileira em ocupar militarmente o território entre Quaraí e Arapeí.

A intervenção militar

Embora os efetivos militares nas linhas de fronteira tudo fizessem para evitar que as disputas no Uruguai se refletissem no Rio Grande do Sul, o general uruguaio Venâncio Flores, do Partido Colorado, que disputava o poder, não conseguiu evitar que a violência atingisse o território brasileiro. Solicitou, desse modo, o apoio do Império, sob a forma de um empréstimo financeiro e a presença, em Montevidéu, de uma divisão do Exército Brasileiro.

Organizou-se, assim, uma Divisão de Observação, transformada em seguida em Divisão Auxiliadora, integrada por um efetivo de quatro mil homens, sob o comando do brigadeiro Francisco Félix Pereira Pinto. Transpondo a fronteira em Março de 1864, atingiu a localidade de Bella Unión em Junho, onde estabeleceu quartel.

Ao mesmo tempo, o Almirante Tamandaré e as forças brasileiras na fronteira receberam ordens de proceder a represálias e adotare as medidas convenientes para proteger os interesses dos brasileiros na região.

Com estas medidas, ganhou-se tempo para que se coordenasse uma operação de invasão do Uruguai, iniciada a 16 de Outubro, por um efetivo de seis mil homens sob o comando do General João Propício Menna Barreto. Este efetivo marchou sobre Melo, dividido em duas divisões de Infantaria. Alcançado esse objetivo, as tropas brasileiras avançaram sobre Paysandú, sitiada por um mês, enquanto as forças brasileiras ali se concentravam.

Enquanto isso, com o apoio da Armada Imperial, as forças uruguaias sob o comando de Venâncio Flores sitiaram a vila de Salto no rio Uruguai, que veio a capitular, sem resistência, a 28 de Novembro desse mesmo ano.

Finalmente, às 9 horas da manhã de 31 de Dezembro de 1864, as tropas brasileiras (com as do Brigadeiro Antônio de Sampaio e as de Carlos Resin justapostas), com o apoio naval da esquadra brasileira, sob o comando de Tamandaré, lançaram o ataque final a Paysandú. As tropas brasileiras atacaram frontalmente e pelo flanco direito, e as do general Flores pelo esquerdo. A resistência de Paysandú foi denodada e pertinaz, tendo durado todo o dia e entrado pela noite. Na manhã de 1 de Janeiro de 1865 a povoação capitulou, tendo o seu comandante Leandro Gomes sido aprisionado, vindo a ser morto por seus compatriotas, em contradição às normas de conduta da guerra.

Conquistada Paysandú, as tropas imperiais brasileiras receberam ordens de marchar sobre a capital, Montevidéu.

Desesperado, Aguirre queimou públicamente os tratados assinados com o Brasil, e ordenou o ataque e conquista da cidade brasileira de Jaguarão, entre 27 e 28 de janeiro. Desse modo, uma força de mil e quinhentos uruguaios dividiu-se em dois Corpos, um sob o comando do General Basílio Muñoz e outra sob o do Coronel Timoteo Aparicio (Aparecido), vindo a enfrentar o efetivo brasileiro sob o comando do Coronel Manoel Pereira Vargas, composto por cavalarianos e infantes da Guarda Nacional. O ataque foi sustado e repelido pelos brasileiros. Aguirre, numa manobra política, fez arrastar uma bandeira do Brasil pelas ruas de Montevidéu, afirmando ter sido a mesma apresada em Jaguarão; de nada lhe serviu, entretanto, esse estratagema. As tropas brasileiras, passando por Colônia do Sacramento, impuseram sítio à capital, Montevidéu, no dia 2 de fevereiro. Desse modo, a 15 desse mês, Aguirre foi deposto, constituindo-se um Governo Provisório dirigido pelo general Venâncio Flores. Este declarou nulos os atos contra o Brasil, desagravou a nossa bandeira, içando-a no Forte de São José e saudando-a com uma salva de 21 tiros, respondida, ao mesmo tempo, pela Corveta Bahiana, com a bandeira uruguaia içada no mastro grande.

Finalmente, a 20 de fevereiro de 1865, assinou-se a Convenção de Paz com a presença do Visconde do Rio Branco e do novo Presidente do Senado uruguaio, Tomás Villalba. Por ela, as propriedades confiscadas aos súditos brasileiros no Uruguai eram devolvidas.

Consequências

O governante do Paraguai, Francisco Solano López, pretendendo defender os interesses do partido Blanco do Uruguai neste conflito, terminou por precipitar a eclosão da Guerra da Tríplice Aliança.

Notas

1. ↑ Foi o terceiro de quatro conflitos armados internacionais em que o Império do Brasil lutou pela supremacia sul-americana: o primeiro foi a Guerra da Cisplatina, o segundo a Guerra do Prata, e o último a Guerra do Paraguai.

Bibliografia

* DONATO, Hernâni. Dicionário das Batalhas Brasileiras. São Paulo: Editora Ibrasa, 1987.

IANQUES, "go home"

Meu avô materno nunca gostou de norte-americanos. Eu também não nutro muita simpatia por eles, pra ser bem franco, como sempre. É do meu tempo de estudante e líder estudantil a famigerada "Aliança para o Progresso".
Vivem metendo as fuças em todos os lugares do mundo, imperialistas e arrogantes que são, a exemplo de muitos outros países (Rússia, Inglaterra, França e Brasil - ver matéria Expoentes do Tango, parte final -, por exemplo), é verdade.

Não desconheço, todavia, que os países são usados como fachada para a ação das multinacionais e que, sob a capa de presença militar em defesa da democracia, no fundo, o que ocorre, é a presença econômica e financeira, nada discreta, por sinal, dos gigantes da economia mundial.

Transcrevo os comentários de Mauro Santayana, publicados no Jornal do Brasil, como sempre muito lúcidos, a respeito do acordo EUA-COLÔMBIA:

Acordo Eua-Colômbia: sem os véus da alegoria

Por Mauro Santayana

Não há como dissimular: o acordo militar dos Estados Unidos com a Colômbia tem o claro objetivo de proteger os interesses de Washington contra os governos “antiamericanos” da região. Assim, todos os governos do continente estão condenados a ser pró-americanos, ou sujeitos à punição militar imperial. Em suma, somos vassalos, ou corremos o risco de retaliações, se repelimos sua ingerência em nossa soberania. Desde que o mundo é mundo, os povos defendem seus próprios interesses diante dos estrangeiros, mesmo quando se aliam circunstancialmente contra terceiros, como nos casos de guerra, quando a trégua só dura enquanto prevalece a conveniência, e assim ocorreu na Segunda Guerra Mundial, com o acordo dos aliados com Moscou.

Segundo o senador Gustavo Petro, candidato de oposição a Uribe, o acordo é inconstitucional, uma vez que não foi aprovado pelo Senado. Conforme a Constituição da Colômbia (artigo 173, parágrafo 4), cabe ao Senado permitir o trânsito de tropas estrangeiras pelo território da República. Há mais, além do dispositivo lembrado por Petro. O artigo 224, da mesma Carta Política, determina que “los tratados, para su validez, deberán ser aprobados por el Congreso”. Como o documento foi assinado na semana passada, pelo chanceler colombiano e pelo embaixador dos Estados Unidos, não temos notícia de sua ratificação parlamentar.

A interpretação do Itamaraty é correta. Não só a Venezuela se encontra ameaçada. Todos os países da América do Sul se encontram sob o mesmo perigo. Enfim, segundo os Estados Unidos e o governo de Uribe, a incolumidade territorial e política dos países vizinhos será preservada, pero no mucho. Há outros pontos danosos no convênio. Um deles se refere à imunidade diplomática a ser concedida aos militares ianques estacionados na Colômbia. Essa inconcebível prerrogativa está sendo contestada pelos colombianos. Eles se recordam do caso de Jessika Beltrán, menina de 12 anos, estuprada pelo sargento Michael Cohen e o empreiteiro César Ruiz, ambos norte-americanos, que trabalhavam no Plano Colômbia. Os dois viajaram tranquilamente para os Estados Unidos e não foram levados aos tribunais, ainda que não gozassem de imunidade.

Não há como esconder a gravidade desse entendimento entre Washington e Bogotá, quando o relacionamos com outros fatos. Os incidentes fronteiriços entre a Colômbia e a Venezuela repetem episódios históricos conhecidos. Nada mais fácil do que provocar assassinatos nas fronteiras a fim de excitar o patriotismo natural dos povos e justificar, junto a terceiros, medidas militares de represália. Isso sempre ocorreu, e nisso foram mestres os alemães, na fronteira com a Polônia, e nos Sudetos. O assassinato de colombianos em território venezuelano e o assassinato de funcionários venezuelanos na faixa de fronteira são maus sinais do que pode ocorrer. Quando conhecemos como age a CIA, todas as suspeitas são procedentes. Na Itália, 22 agentes seus foram condenados à prisão, esta semana, pelo sequestro de um religioso muçulmano, transferido clandestinamente, em avião da agência, para uma prisão egípcia, onde foi torturado por “interrogadores” americanos. O juiz italiano condenou-os ainda a pagar a indenização de US$ 1,5 milhão ao religioso e à sua mulher. Escaparam da justiça seus chefes, protegidos pela imunidade diplomática. Temos, os brasileiros, que manter a calma e a prudência, mas reforçar as nossas fronteiras setentrionais. Não nos cabe intervir, a não ser diplomaticamente, no conflito fronteiriço. Mas é necessário que nos movamos, no continente, a fim de estabelecer posição comum em defesa da integridade territorial.

Além disso, há insistentes rumores de preparativos de golpe contra o presidente Lugo, no Paraguai. Os que conhecem história sabem como é difícil a construção democrática republicana em nossos países, e, especialmente, no Paraguai e na Bolívia, marcados pela presença de pequenos ditadores serviçais dos estrangeiros. Entre os dois países têm ocorrido, atualmente, pequenos incidentes fronteiriços. Foram provocações menores que conduziram à Guerra do Chaco, entre 1934 e 1937, que destruiu a economia e causou a morte de milhares de soldados das duas nações. Paraguaios e bolivianos, na verdade, estavam lutando no conflito de interesses de companhias petrolíferas internacionais, que disputavam as jazidas da área. A história sempre se repete, algumas vezes com os mesmos movimentos.

Sobre o Tango


10.11.09

por Ariel Palacios, Seção: Lunfardo, a gíria portenha, Buenos Aires, Cultura 01:09:10.

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O compadrito e seu punhal multiuso para as horas de tédio

maoalienaa “Dos hombres llegan / son dos rivales / en el duelo criollo / resolverán / que el brazo diga / quién tiene más derecho / a disfrutar los besos / de la mujer fatal”.

O poema, de Martinelli Mazza, ilustra o “compadrito”: um homem disposto a matar outro homem pelo amor de uma mulher. E muitas vezes, apenas pelo prazer de matar, de ver o sangue correr, de ter uma épica pessoal para contar na hora de beber o aguardente no bar com amigos e desconhecidos.

Como no caso do “majo” espanhol, morrer, para o “compadrito”, não era um drama. Os estudiosos indicam que, para saciar o acentuado gosto pela morte, tanto fazia ser a causa do óbito ou seu objeto.

“Compadrito” é um diminutivo pejorativo de “compadre”, palavra usada na Espanha e na Argentina para designar um tipo de homem semi-urbano. Na Argentina do século XIX, as pessoas eram designadas em duas modalidades: o homem urbano e o “gaucho” (o homem do campo livre ou peão que trabalhava nas planícies do Pampa).

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Compadritos, em charge de Eduardo Linage

O “compadrito” não era nenhum dos dois. Vivia de biscates na periferia das cidades, sem ousar entrar nas mesmas, nem pensar voltar ao campo. Trabalhava ocasionalmente como vaqueiro levando o gado ao porto ou carneando as reses.

Nas horas livres – que eram muitas – o compadrito dedicava-se ao jogo, tocar o violão, além de cuspir entre os dentes com inigualável destreza. Na hora da conversa, “compadreava”. Ou seja, fanfarronava. O costume de lavar a honra com profusão de sangue alheia teve no compadrito o último representante desse modus operandi de resolver problemas em solo argentino.

O compadrito seria a temática principal dos tangos das primeiras décadas, com letras que relatavam os duelos e seu comportamento briguento e passional. Mas antes de ser assunto de letras de tangos o compadrito mudou a forma de tocar e dançar esse gênero.

Tanto o compadrito como o descendente de escravos eram párias da sociedade. Os afro-portenhos tinham seu lugar de divertimento, os “tambos”. Os compadritos, nada. Portanto, começaram a frequentar o lugar de batuque dos afro-argentinos da cidade.

Dali, levaram o ritmo dos tambores a seu bairro, o “Corrales Viejos”, onde estavam os currais do gado. Hoje, ali está o bairro de “Parque de los Patrícios”, ou simplesmente, “Parque Patrícios”.

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Os “corrales viejos”

Em seus lugares de festa, os compadritos acrescentaram o violão ao batuque. Os tambores foram eliminados rapidamente. Mas a herança negra ficou através dos trejeitos e do compasso na hora de dançar.

Antes de entrar em contato com os afro-portenhos, o compadrito dançava a milonga, a polca, a mazurca e a quadrilha. Depois, continuou dançando os mesmos gêneros. Mas a forma de dançar mudou. O compadrito as havia “africanizado”.

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Compadrito deu seu toque pessoal ao protótipo do tango

Para um dos maiores “tangólogos” da Argentina, José Gobello, o tango não seria uma nova dança (em sua origem), mas uma nova forma de dançar aquilo que já se dançava na época.

A nova forma era gozadora, irreverente, descontraída. Mas, ao contrários dos afro-portenhos, o compadrito dançava colado à sua parceira. O animado jeito africano cedeu terreno à uma elegância hispana.

O principal lugar de dança dos compadritos eram as “academias”, cafés misto de bordéis. Além destes lugares onde consumia-se mulheres e bebidas, estavam os “peringundines”, lugares exclusivos para a prática do sexo pago. Tanto nas academias como nos peringundines dançava-se o tango, dança excessivamente lasciva para os padrões da época. Mulheres “decentes” não o dançariam. As únicas que aceitavam fazê-lo eram as prostitutas.

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Prostitutas no cabaret Armenoville

O tango, dançado por elas – afirmava o escritor espanhol Rafael Salillas em 1898 – “é uma dança que não é dorsal como o flamenco. O tango é postero-pélvico...sua representação é um simulacro erótico”. Depois de explicar detalhadamente os movimentos do ventre e o “jogo de quadril”, faz um esclarecimento: “dança-se entre casais, mas sem cópula”.

O tom sexual da dança era tão acentuado que tornava-se praticamente impossível encontrar mulheres disponíveis para o tango. Mas, a vontade de dançar do compadrito era frequentemente impossível de deter. Por este motivo, sem grau algum de misoginia, para matar a vontade, dançava com um colega homem, em via pública, diante de todos.

Alguns analistas do tango consideram que isso indicaria uma raiz “gay” nesse gênero de dança. No entanto, a maioria sustenta que dançar com outro homem é coisa costumeira em diversas danças em todo o mundo.

Os compadritos, no entanto, não deram o formato final do tango. Para chegar lá, o tango passou antes pelas mãos dos imigrantes italianos, que ao chegar em massa na década de 1880, acrescentaram a flauta, o bandolim e o realejo, como instrumentos. Além disso, muitas prostitutas italianas – que vinham fazer a América - “amaciaram” a forma excessivamente lasciva de dançar o tango.

A italianização do tango começou nos cabarés da avenida Corrientes, na esquina da calle Uruguai. Mas estes “antros” tiveram vida curta, e por causa das pressões da polícia precisaram emigrar para áreas mais afastadas do centro. Nos novos estabelecimentos, o tango recebeu uma nova guinada, com a chegada dos “cajetillas”.

“Bailarín y compadrito”, um tango de 1929 que refere-se ao compadrito tardio, já do século XX.
O link:

http://www.todotango.com/spanish/las_obras/letra.aspx?idletra=633


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Notícia recente:

quarta-feira, 30 de setembro de 2009, 20:42

Unesco declara o tango patrimônio de Argentina e Uruguai

REUTERS

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MONTEVIDÉU - A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) incluiu nesta quarta-feira o tango da Argentina e do Uruguai na Lista Representativa do Patrimônio Imaterial da Humanidade.

"A tradição argentina e uruguaia do tango, hoje conhecida no mundo inteiro, nasceu no vale do Rio da Prata, entre as classes populares das cidades de Buenos Aires e Montevidéu", disse a Unesco em seu site oficial.

Na lista também figura o tradicional candombe do Uruguai, um ritmo frenético que se toca com tambores cuja origem remonta à época colonial e que ainda perdura nas mãos dos descendentes de escravos, em um país no qual 10 por cento dos 3,3 milhões de habitantes são de raça negra.

O pedido de inclusão como patrimônio para ambos ritmos foi apresentado à Unesco em setembro de 2008.

"Ambos começaram como expressões culturais menosprezadas pela sociedade que se acreditava bem-pensante e culta", explicou a ministra de Cultura do Uruguai, María Simón, em um ato realizado na Praça Carlos Gardel de Montevidéu.

"Por fim deixamos de discutir se o tango era daqui ou dali, esta iniciativa se apresenta como um patrimônio comum, rio-platense", acrescentou Simón.

A origem do tango volta e meia é tema de discussão entre os habitantes dos dois países. Em 2000, surgiu uma polêmica quando a Argentina se apresentou nos Jogos Olímpicos de Sidney ao som de "La Cumparsita", o tango mais famoso do mundo, cuja melodia foi criada em 1917 por um uruguaio e sua letra por um argentino.

Em 1998, "La Cumparsita", que se pode ouvir até no filme "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban" e na transmissão original de "A Guerra dos Mundos", foi declarada hino popular e cultural do Uruguai.

Gardel, cuja origem também é tema de polêmica entre os dois países, já que o Uruguai afirma que ele nasceu em seu território e a Argentina insiste que era francês, é um dos expoentes máximos do gênero.

"É uma homenagem a centenas de milongueiros, de cantores, de músicos que foram preservando esta tradição de voz em voz. Esta é uma contribuição que o Rio da Prata faz à cultura da humanidade", disse o ministro da Cultura argentino, Hernán Lombardi, ao diário argentino Clarín.

(Reportagem de Patricia Avila e Conrado Hornos)

http://www.estadao.com.br

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Este ritmo forte, marcante e sensual, é um dos meus preferidos.

Um pouco mais de história:

05.11.09

por Ariel Palacios

piernas
A herança afro no tango argentino fica evidente pela sensualidade dos passos desta forma de “caminhar pela vida”

Um relatório elaborado por Cynthia Quiroga, psicóloga colombiana (o cantor Carlos Gardel morreu em 1935 na colombiana Medellín), integrante da Universidade de Frankfurt (Alemanha, terra onde foi inventado o bandonenón) afirma que o tango eleva o desejo sexual.
A Universidade recomenda o tango para casais com problemas de baixa testosterona
Sexo à parte, o tango - ritmo musical do rio da Prata (pois é praticado em ambas margens, a uruguaia e a argentina) - foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, no mês passado.

maozinhassd “O tango é uma dança que não é dorsal como o flamenco. O tango é postero-pélvico...sua representação é um simulacro erótico”. (do escritor espanhol Rafael Salillas em 1898)

“...Dança-se entre um homem e uma mulher, mas sem cópula”.(Salillas, 1898)

Para o escritor Jorge Luis Borges, o tango era “uma forma de caminhar pela vida”. Para o poeta Enrique Santos Discépolo, “um pensamento triste que pode ser dançado”. No exterior, o tango é a música emblemática que representa a Argentina, embora o mesmo gênero musical também seja símbolo do vizinho do outro lado do rio da Prata, o Uruguai. Os argentinos se ufanam da definição dada pelo filósofo americano Waldo Frank, que sustentou que o tango é “a dança popular mais profunda do mundo”.

A palavra tango talvez seja a mais associada à Argentina em todo o planeta. A crise econômica de dezembro de 2001 foi chamada de “efeito tango” pela imprensa mundial. O caráter fatalista e pessimista que muitos argentinos exercem diariamente sobre a política, a economia e suas próprias vidas pessoais também é apontado como “um tango”.

Mais do que triste, o tango é introvertido e introspectivo, ao contrário de outras danças populares que são extrovertidas e eufóricas. Para o escritor Ernesto Sábato, “somente um gringo pode fazer a palhaçada de aproveitar um tango para conversar e se divertir”. Segundo o autor, “um napolitano dança a tarantela para se divertir. O portenho dança um tango para meditar sobre seu destino”.

O tango é multifacético. Suas letras falam da mãe “santa”, da turma de amigos, das ruas do bairro e da pérfida - e perdida - mulher que os abandonou. Mas além disso, o tango também fala do hedonismo e da aparência, das divisões sociais e dos picaretas. Ele também é frequentemente satírico, com letras que disparam ácidas farpas contra tudo e contra todos.

NASCIMENTO
Na Argentina (no Uruguai a História é outra), mais do que 'argentino', o tango é portenho, já que o interior da Argentina seria melhor representado por outros ritmos, como o chamamé, o malambo e a zamba.

O bairro da Boca não foi o berço do tango, ao contrário do que indicam certas lendas, especialmente de guias turísticos estrangeiros.

mondongo
Tango nasceu no 'barrio del Mondongo', atual bairro de Montserrat. O bairro está marcado em vermelho nesse mapa antigo de Buenos Aires.

O tango surgiu ao redor de 1877 no bairro de Montserrat, situado entre a Casa Rosada e o atual Congresso Nacional. Na época, ali residiam os descendentes dos escravos negros que haviam sido liberados em 1813.
Em Montserrat, também chamado de “barrio del Mondongo”, os afro-argentinos organizaram-se em associações beneficentes, que de noite – em barracos de sapé - preparavam festas para angariar fundos.

Nesses eventos, tocavam batucadas lânguidas, que para os escandalizados vizinhos brancos da área eram danças “luxurientas” e “indecentes” na coreografia.

As reuniões em Monserrat-Mondongo muitas vezes acabavam subitamente com a intervenção da polícia, que aparecia para “colocar ordem” no lugar.

Na época de carnaval as associações de afro-argentinos saíam às ruas para dançar ao som da batucada, denominada na região do rio da Prata como “candombe”.

A rivalidade dos grupos – cada um queria mostrar que era melhor na coreografia - provocava confrontos sangrentos nas ruas. Por este motivo, depois de anos de incidentes, o governo ordenou a dissolução das associações.

Sem poder sair às ruas, os afro-portenhos organizaram lugares exclusivos de dança, os “tambos”. Com esta palavra começa a polêmica sobre a origem do tango. Para alguns “tangólogos”, “tango” viria de “tambo”. Para outros, vem de “Xango”, ou “Xangô”, deus africano da guerra.

A própria palavra “tango”, com essa grafia, apareceu em 1836 no “Diccionario Provincial de Voces Cubanas”. O livro define “tango” como “a reunião de negros para dançar ao som de seus tambores ou atabaques”. Outra teoria indica que “tango” vem de “tambor”.

A polêmica e a discussão são elementos altamente cotados na mesa dos argentinos. Portanto, abundam versões sobre o assunto. Uma teoria indica que “tango” vem de “tang”, palavra pertencente a um dialeto africano que poderia ser traduzida como “aproximar-se, tocar”.

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Uma forma de caminhar pela vida com raízes africanas que posteriormente foram europeizadas

Curiosamente, outra versão sustenta que a palavra vem do latim “tangere”, que também significa “tocar”. No espanhol antigo, “tangir” equivale a tocar um instrumento.

Para complicar, no século XIX existia na Espanha um “tango andaluz”. E no México, no século XVIII, uma dança com o mesmo nome.
Nenhuma dessas teorias (há várias teorias adicionais sobre a origem da palavra) foi comprovada. Os argentinos continuam dançando este gênero sem se preocupar por sua etimologia.

Desta forma, os afro-portenhos tiveram que resignar-se a ficar dentro de seus “tambos”, dançando o embrião daquilo que em poucas décadas seria o tango tal como o conhecemos hoje em dia.

A forma de dançar era – de certa forma – vagamente similar ao samba brasileiro atual: dança solta, eventualmente segurando o/a parceiro/a, além de muito requebro.

Mas, nesse momento em que essa forma prototípica do tango está em plena ebulição nos lugares de encontros dos afro-argentinos, ocorre uma guinada que seria fundamental para o desenvolvimento do tango: o surgimento do “compadrito” nos “tambos”.

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Gabino Ezeiza, um dos expoentes afro-argentinos do tango em seus primórdios

(Veremos o surgimento do compadrito no tango nos próximos dias e também a vida de Gabino Ezeiza)

Fonte: O Estado de SP

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A matéria esqueceu-se de referir a milonga, de matriz espanhola, muito cultuada em terras argentinas e de países vizinhos e que é identificada como a origem do tango por alguns:

Tango da Morte: Ritmo do lamento

Há 91 anos, em um teatro de Buenos Aires, Carlos Gardel cantou

por Kalleo Coura

"A música começa a soar do outro lado do portão. Sim, temos uma orquestra de 16 homens, todos prisioneiros. Essa orquestra, que conta com algumas personalidades do mundo da música, sempre toca quando vamos e voltamos do trabalho ou quando os alemães recolhem um grupo que será executado. Sabemos que um dia, para muitos de nós, senão para todos, a orquestra também tocará o ‘Tango da Morte’.”

A cena, descrita pelo engenheiro polonês Leon Weliczker Wells em O Caminho de Janowska, mostra como era comum até nos campos de concentração da Segunda Guerra um gênero musical caracterizado por melodias tristes e nostálgicas. “Tango da Morte” era a forma genérica como eram conhecidos os tangos tocados principalmente durante os fuzilamentos e enforcamentos e antes de os judeus entrarem nas câmaras de gás em locais como Auschwitz, Terezin, Dachau e Buchenwald. Wells, por sorte, não chegou a ouvi-lo.

Fosse em iídiche, em russo ou em espanhol, sua língua de origem, o tango era um estrondoso sucesso na Europa e no resto do mundo nos anos 40. A música melancólica, como a conhecemos, nasceu entre o fim de março e o começo de abril de 1917. Foi nessa época que Carlos Gardel cantou “Mi Noche Triste”, de Pascual Contursi, no Teatro Esmeralda, e estreou o tango-canção – caracterizado pela presença de letra nas músicas. A história do tango, no entanto, é mais antiga e obscura do que isso. E, diz a antropóloga argentina Maria Susana Azzi, foi o instrumento de integração cultural do povo argentino.

Entre os anos de 1821 e 1914, a Argentina foi o segundo destino preferencial para a imigração em todo o mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Subsidiados pelo governo local, que precisava de mão-de-obra e pretendia “civilizar” e povoar o país, espanhóis, franceses, poloneses, muitos judeus e principalmente italianos desembarcaram no porto de Buenos Aires em busca de um trabalho. Para se ter idéia do tamanho desse fluxo imigratório, segundo o censo de 1887, dos 433375 habitantes da cidade, 228651 eram estrangeiros – mais da metade. Além disso, nos anos 1910, 80% dos trabalhadores do comércio, da indústria e da pecuária não eram nascidos no país. Por julgar que os imigrantes estavam tirando seus empregos, os criollos, filhos de espanhóis nascidos na Argentina, os desprezavam. Nos lotados cortiços argentinos, os conventillos, onde todos moravam, a miséria juntava-se à animosidade entre os grupos.

Os imigrantes que chegavam às margens do rio da Prata para trabalhar traziam consigo os costumes, cultura e ritmos de seus países. Mas mesmo os casados raramente atravessavam o oceano com uma companheira. Ainda segundo o censo de 1887, havia cerca de 53 mil homens a mais do que mulheres em Buenos Aires – ou 78 mulheres para cada 100 homens. Segundo a professora Rita Laura Segato, do departamento de Antropologia da Universidade de Brasília, a diferença entre o número de pessoas do sexo masculino e feminino motivou o tráfico de mulheres para prostituição. Em 1930, a organização criminosa Zwi Migdal – que levou para a Argentina cerca de 30 mil garotas, principalmente polacas, dos países do Leste Europeu – possuía só em Buenos Aires 192 casas de tolerância. Por volta de 1880, num fenômeno que aconteceu ao mesmo tempo em algumas dessas casas e envolto num contexto de sofrimento eternizado anos mais tarde em suas letras, o tango seria gerado.

A origem

Devido à discrepância entre o número de homens e mulheres, os imigrantes e os jovens argentinos, mesmo os mais abastados, visitavam freqüentemente os prostíbulos, principalmente nos bairros periféricos de Las Catalinas, La Boca e Las Barracas. Até nesses locais a quantidade de mulheres era bem menor que a de clientes, o que ocasionava imensas filas. Situação só contornada no dia em que alguém teve a idéia de tocar músicas dançantes para amainar a espera. O pesquisador José Gobello, presidente da Academia Portenha do Lunfardo, identifica um triplo propósito nos cabarés da época. “Eram lugares adequados para bailar, consumir bebida e eventualmente dormir com alguma das moças.” Do encontro da havaneira cubana, da polca da Europa central, do candombe – dança afro-uruguaia – e da espanhola milonga surgia, no fim do século 19, o tango. “Trata-se de uma experiência multivocal que conta a história de pessoas muito diversas. É um integrador cultural, a aceitação da diversidade e a inclusão do marginal dentro do sistema”, diz Maria Susana.

Em seus primeiros anos, o ritmo era tocado por um trio – composto por um violeiro, um flautista e um violinista, geralmente todos italianos, nacionalidade da maioria dos imigrantes – de maneira altamente dançante e sem letras. A dança era bem mais rápida que a de hoje, mas, em comum, tinha os passos sensuais. Na década de 1890, surgiram as primeiras letras do gênero, que faziam referência explícita, de maneira chula, às partes íntimas do corpo das prostitutas e ao sexo – como “Dos sin Sacar” (duas sem tirar). Já o registro mais antigo do uso do bandoneon, instrumento alemão parente do acordeão e hoje característico do gênero, é de apenas 1899.

Fora da zona do meretrício, nenhuma mulher ousava dançar aquele ritmo. Na época, uma inocente dança entre homens e mulheres abraçados já era considerada pecaminosa. Mas nem a beatitude nem a escassez de mulheres foram entraves para a realização de bailes populares. Jornais e revistas argentinas do fim do século passado, como La Prensa e Caras y Caretas, relatam que Eram os chamados bailes callejeros. “Os homens praticavam entre si para treinar. Então, quando chegassem nos prostíbulos, poderiam dançar com as melhores dançarinas”, diz Maria Susana.os rapazes se encontravam, no cair da noite, no meio das ruas, para dançar tango.

Só nos primeiros anos do século 20 as letras que acompanhavam as músicas passaram a ser mais elaboradas. A temática ainda girava em torno das cercanias portenhas e descrevia principalmente os tipos do submundo: o cafetão (ou cafischio), a polaca (lora), o machão (guapo) e o desleal (malevo). Ainda entre as décadas de 20 e 40, algumas das letras contavam histórias de garotas pobres que, ambiciosas, preferiam a prostituição à miséria.

Enquanto a alta sociedade portenha desdenhava vociferando “del fango viene el tango” (da lama vem o tango), o ritmo já chamava a atenção dos europeus. Para surpresa dos argentinos mais ricos, que tinham condições de viajar até a Europa, ele havia se tornado, por volta de 1910, a dança preferida na noite parisiense. Segundo José Gobello, o bailarino brasileiro Antonio Lopes de Amorim Diniz, mais conhecido como Duque, criou em Paris, em 1913, a primeira academia séria da dança na Europa: o Dancing Palace.

O arcebispo da cidade, Leon Adolphe, temeroso de que a origem pecaminosa do ritmo influenciasse seus fiéis, pediu ao papa Pio X que o proibisse e excomungasse os bailarinos. Nesse mesmo ano, o dançarino argentino Vasco Ain e uma mulher desconhecida apresentaram o tango ao próprio papa. “Não há registros de como eles dançaram na frente dele. Talvez tenham suavizado um pouco, mas o tango foi absolvido”, diz o jornalista e pesquisador de tango Hélio de Almeida Fernandes. Depois de perceber o quanto os franceses gostavam da música e da dança que tanto desprezava, a alta sociedade portenha mostrou-se mais disposta a aceitá-las. Mesmo assim, quando passou a figurar nos grandes salões portenhos, o ritmo já havia sofrido a influência européia. Antes rápido, ágil e repleto de cortes bruscos, o tango tornou-se mais lento e melodioso, exatamente como é hoje.

A história do mito

A música “Mi Noche Triste”, executada por Carlos Gardel em 1917, levaria o tango a um novo patamar. As letras do primeiro tango-canção ganharam mais importância e a temática deixou de abordar principalmente os tipos marginais para tornar-se mais melancólica e nostálgica. “O tango já era mais do que um ritmo apenas para ser dançado. Era a expressão do sentimento argentino”, diz José Gobello.

Impossível não se falar de Gardel quando o assunto é tango. Além de cantar, ele estreou no cinema em 1917, com Flor de Durazno. “Nesse filme mudo, a figura dele é um pouco diferente da do galã eternizado no imaginário popular. Ele pesava quase 100 quilos”, diz Américo Mezzatestta, vice-presidente da Associação Gardeliana Argentina. Segundo o estudioso, o homem que cantava músicas populares em prostíbulos, além de ter uma qualidade interpretativa incrível, ficou famoso também por ser bem apessoado, humilde, rico e pelo magnetismo fora do comum. “Ele personificou o argentino médio. O povo identificava nele aquilo que poderia ter sido”, completa Hélio Fernandes.

Paira uma aura de mistério sobre o cantor. Muito discreto quanto à vida pessoal, seu relacionamento mais duradouro foi com Isabel de La Valle, sua noiva, a quem conheceu quando tinha 34 anos e ela, 14. Até a respeito do lugar em que nasceu há controvérsias. Os uruguaios afirmam que foi em Tacuarembó, no Uruguai, enquanto a maioria dos estudiosos diz que foi em Toulouse, na França. O fato é que, naturalizado argentino, Carlos Romualdo Gardés, como se chamava, deixou um testamento assinado de próprio punho e protocolado no qual dizia ser francês. E tinha passaporte emitido pela França. Com a introdução do som no cinema, o tango e Gardel atingiram novos horizontes. Gravou outros filmes e mudou-se para os Estados Unidos, em 1933, para filmar quatro longas em nove meses, dentre eles El Día Que Me Quieras.

Além de cantar e filmar, compôs algumas de suas músicas mais famosas, como: “Mi Buenos Aires Querido” e “El Día Que Me Quieras” para o filme homônimo. Aos 44 anos, sua carreira foi interrompida por um choque entre dois aviões no aeroporto de Medellín, na Colômbia. Ao lado de Alfredo le Pera, seu maior letrista, morria, carbonizado, o homem que ajudou a popularizar o tango. O mito, contudo, continua vivo. Aliás, como gostam de dizer os argentinos, ele canta melhor a cada dia.

http://historia.abril.com.br

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Há outra versão: a de que o tango é gênero musical de origem judaica. E judeu é o que não falta na Argentina, dita a nação que agasalha a maior colônia de hebreus da América Latina, seguida pelo Brasil.

O Tango de Rashevski
(Tango des Rashevski, Le, 2003)

Por Emilio Franco Jr.
26/06/2007


O filme tem seu ponto forte nos bons diálogos e conflitos entre os personagens.

Neste ano, Sam Garbarski recebeu muitos elogios por seu novo filme, Irina Palm, que foi ovacionado no Festival de Berlim, e era considerado, por muitos, o favorito ao Urso de Ouro. Porém, quatro anos antes de fazer sucesso no festival alemão, Garbarski lançou O Tango de Rashevski, produção que ficou engavetada por algum tempo e só agora chega aos cinemas nacionais.

O filme - uma co-produção entre França, Bélgica e Luxemburgo – conta a história da família Rashevski. Tudo começa com a morte de Rosa, a avó, uma judia que odiava a religião judaica e seus rabinos. Com o falecimento da avó, os Rashevski ficam perdidos. Eles não sabem como agir, nem como enterrar Rosa, que mesmo odiando a religião, já havia comprado um jazigo em um cemitério judaico. Sem ela, os Rashevski iniciam uma nova vida, pois percebem que não conhecem direito um ao outro, já que a avó era considerada o elo da família (um personagem chega a dizer isso no começo do longa).

O Tango de Rashevski é lento, mas não cansa. O filme é um grande passeio pela religião judaica e seus costumes, mostrando-nos dos judeus ortodoxos aos liberais. Os Rashevski são uma família com integrantes que divergem em suas opiniões sobre a religião. Nina (Tania Garbarski), por exemplo, percebe com a morte da avó que, para ela, a religião deve fazer parte da vida. Ela passa a fazer questão de ter um marido judeu, mas não um judeu qualquer. Nina quer que ele seja praticante e que tenha sido criado em meio aos costumes da religião. Já, como contraponto, um outro personagem, integrante da família, chega à conclusão de que não quer seguir os costumes da religião, talvez, por ter passado a vida sem se sentir inserido na comunidade judaica, como ele mesmo afirma em um determinado ponto do filme, ao dizer que, no enterro de Rosa, sentiu-se, pela primeira vez, um judeu de verdade.

O filme coloca seus persongens em situações de conflitos, ou de dúvidas, mas que de alguma forma acabam se solucionando. Com a morte da avó, os Rashevski começam a conhecer e a entender melhor o modo de pensar e agir de seus parentes. Cada qual encara a vida de um jeito, mas todos sabem que, não importa o que pense cada um, não há uma maneira certa ou errada de se viver. No fundo todos têm sua pitada de razão. O necessário é que as pessoas consigam viver de uma maneira feliz. E se algo na vida não der certo, se a saudade apertar, não tem problema, basta dançar um belo tango, nem que para isso, a música e a parceira estejam apenas na imaginação.

O novo trabalho de Sam Garbarski se mostra um filme agradável, sem exageros. Se o filme não alça grandes vôos, também não há do que reclamar. Garbarski é diretor e roteirista – divide os créditos com Philippe Blasband – de O Tango de Rashevski, e ele não decepciona nas funções que desempenha. O roteiro escrito a quatro mãos tem como ponto forte a qualidade dos diálogos os quais proporcionam discussões interessantes entre os personagens. Há frases inesquecíveis, que a todo tempo parecem estar concluindo um ponto da trama, como forma de chegar à solução dos contratempos da família. A velocidade lenta do filme – reafirmo que não cansa – é proposital, e causada pela forma como Garbarski resolveu filmar. Ele optou por mais momentos em que a câmera está imóvel, ou se move vagarosamente, como se dessa maneira ele estivesse fazendo constantes retratos da família. O trabalho de fotografia ficou por conta de Virginie Saint-Martin, que optou por usar tons escuros de cores, deixando os ambientes sombreados.

A liberal família Rashevski, com seus diversos integrantes, acaba nos apresentando a histórias de amor, amizade e relacionamentos, por meio de um levemente humorado drama, contado com uma dose de tango, que é uma dança judaica. Se algum personagem não aceitar muito bem sua origem religiosa e preferir, pelo motivo que for, viver afastado da religião, será a dança que o fará relembrar suas origens. Uma homenagem às diferenças – sejam elas quais forem - e à crença judaica. A maneira encontrada para fazer tal homenagem é o que acaba sendo mais interessante: uma família que, apesar de não negar sua origem, vê a religião como um problema.



Por Emilio Franco Jr.
26/06/2007