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quinta-feira, 28 de março de 2024

 

“O PT aderiu à direita”, diz Requião ao justificar sua saída do partido

 Atualizado em 27 de 
março de 2024 às 23:08
Roberto Requião sério, de perfil, com camisa jeans e adesivo escrito 13
Roberto Requião teceu críticas ao PT – Reprodução

Na manhã desta quarta-feira (27), o ex-governador do Paraná, Roberto Requião, surpreendeu o cenário político nacional ao conceder uma entrevista exclusiva ao Blog do Esmael. Durante a conversa, Requião anunciou sua desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT), levantando questionamentos sobre os rumos da esquerda brasileira.

Requião explicou os motivos por trás de sua decisão de deixar o PT, partido ao qual ingressou com o propósito de combater o liberalismo e apoiar a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, expressou sua desilusão ao perceber, segundo ele, que o PT havia perdido sua função transformadora na política brasileira. O partido teria aderido à direita, abandonando os princípios que o levaram a se filiar inicialmente.



O ex-governador não poupou críticas ao PT e ao governo Lula, apontando alianças questionáveis e políticas prejudiciais ao país. Ele destacou o apoio do PT ao pedágio no Paraná, uma questão que combateu veementemente, além da venda de empresas estatais como a Copel e a Sanepar. Requião também criticou a postura do governo federal em relação à Petrobras e às políticas econômicas adotadas, que considera prejudiciais.

Quando questionado sobre seu futuro político, Requião afirmou que ainda não definiu seu próximo partido, mas deixou claro que buscará uma sigla alinhada com seus princípios e ideais. Descartou qualquer possibilidade de aderir à direita, reafirmando seu compromisso com a esquerda e com a defesa dos direitos dos trabalhadores e da soberania nacional.

Confira trechos da entrevista e a íntegra em vídeo:

Blog do Esmael: Que história é essa, Requião, é para valer mesmo?

Roberto Requião: Claro que é para valer. Eu faço política segundo os meus princípios e tenho uma fidelidade absoluta ao povo do Paraná e ao povo brasileiro. Eu entrei no PT para ajudar a liquidar o liberalismo, do Guedes e do Bolsonaro, que era uma coisa estúpida. E para eleger o Lula. Eu tenho uma admiração pessoal pelo Lula, com a trajetória, o seu crescimento cultural e político. E era continuado. Mas de repente, o que eu vejo é que o PT perde a sua função transformadora no Brasil. Ele aderiu à direita. Tal Aliança da Esperança se transformou numa política claramente de centro-direita. Não digo a você que essa etapa do petismo não foi interessante e positiva para o Brasil, mas eu quero mais, por exemplo, aqui no Paraná. O PT fez o pedágio do Lula e do Bolsonaro. Um pedágio que o Ratinho e o Bolsonaro não tinham feito porque iam perder a eleição. Era uma coisa criminosa, reconhecida como um absurdo, como crime pelo tribunal de contas da união, do estado, do Ministério público estadual, federal, pelas oposições. E de repente, o Lula assume faz e o ministro do Lula, da área [do Transporte] filho do Renan Calheiros [Renan Filho] disse que é um exemplo para o Brasil, ora, estamos vendo que exemplo é. Tarifas absurdas, mais 15 praças. É uma roubalheira monumental. O governo federal, no Paraná, apoia a venda da Copel. O BNDES podia ter impedido, podia ter se manifestado, mas apoiou a venda da Copel. Estão vendendo a Sanepar através do BNDES, com a tal parceria público privada, PPP e investimento, e estão vendendo o Porto de Paranaguá, que é uma concessão Federal. O silêncio absoluto do estado. Então, o que eu vejo é que isso tudo se deve a um pragmatismo político. Eles querem apoio da direita, eles estão entregando os nossos princípios, entregando a soberania do país e a nível federal eu vejo que estão fazendo com a Petrobras. A Petrobras está sendo liquidada. Eles agora inventaram um corte de metade nos dividendos, mas é uma reserva de contingência que não é para investir, não é para fazer a empresa desenvolver, é para pagar dividendos na sequência. Mas além disso, não investe em nada. A Petrobras está sendo liquidada. O tripé continua o mesmo. Meta de inflação, dólar flutuante e superávit primário, que é tão absurdo. E a crítica que se fazia retoricamente, o banco central acabou. Eles são parceiros. Agora, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recebe prêmios em parceria com o Roberto Campos Neto. Então, eu estou vendo que a importância que o PT teve pela qual eu entrei era válida nas mesmas circunstâncias eu faria isso de novo, mas não é mais um partido transformador. Eles estão com o governo na mão, distribui cargos aqui, ali ,e aqui em Curitiba resolveram fazer uma aliança para a prefeitura com um sujeito [Luciano Ducci, do PSB] que já foi prefeito por 2 anos era vice do Beto Richa. A agora na próxima eleição para o governo do estado só falta lançarem um Beto [Richa] com o apoio do PT está à frente da Esperança. Bom, eu não poderia de forma alguma, na idade que eu estou, com a história da minha vida, aderi, eu quero um Brasil transformado, eu quero evolução no sentido da soberania brasileira, da elevação cultural das pessoas, da elevação econômica dos filhos da nova geração. Eu não posso me conformar com esta regressão da frente da desesperança. Então eu saí, ligou procurar uma outra estrutura partidária que eu ainda não defini qual seja.

Blog do Esmael: Requião, então a sua saída do PT é um alerta para o governo Lula, para o Lula e de que o caminho está errado?

Roberto Requião: Que no PT está acabando, está deixando o terreiro partir para Santo. Essa posição você retorna ao PT? 

Não, eu faço a minha posição. É a posição a favor da  população brasileira, da soberania, da evolução do país. Partido é um instrumento, não é? Eu não vejo como ele possa remeter lá amarrado. A má política no Congresso Nacional está na mão da direita, nós temos um governo de centro-direita, é um governo do Bolsonaro sem o Bolsonaro. E se você quiser que eu radicalize um pouco, são as mesmas as medidas que eles criticam que o Javier Milei faz na Argentina.

Blog do Esmael: Então é, você vai procurar outro caminho? Provavelmente no campo da esquerda.

Roberto Requião: claro, minha história não me permite fazer um avanço pela direita.

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