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domingo, 25 de agosto de 2019

Sapiosexuais: quando você só se excita com a inteligência


Estima-se que 8% dos adultos são sapiosexuais, ou seja, o fator que mais os excita sexualmente são os neurônios


22 ago 2019 - 09:42 BRT

Quem prefere e escolhe pessoas inteligentes para um relacionamento amoroso não deveria ser encarado como novidade nem tema para artigos. Que assim seja, além de provocar certa inquietação, pode ser indicativo de que a inteligência é um bem cada vez mais escasso, menos abundante do que a beleza, o carisma ou a personalidade e, precisamente por isso, é mais valioso.
No entanto, diante da pergunta, "com quem você preferiria dormir uma noite: com alguém de alto QI ou com alguém com corpo e físico invejáveis?" Não temos muita certeza de que a maioria escolheria os neurônios. É provável que muitos ficassem com os hormônios ou feromônios. Na melhor das hipóteses, haverá tempo no dia seguinte para ler Byung-Chul Han.

Os sapiosexuais, porém, não só admiram a inteligência, mas essa qualidade é a que mais os excita sexualmente em um potencial parceiro, acima das já tradicionais e clássicas questões estéticas, monetárias, sociais de status social ou poder.

Essa atração sempre aconteceu, mas que não havia sido batizada com nome tão pomposo. Quando muito, recebia o rótulo de que era excêntrico ou gostava dos bizarros, e em um segundo a questão estava solucionada. Hoje, no entanto, há vários tipos de teorias para explicar esse fenômeno "raro". Há testes do Buzzfeed para detectar se você é sapiosexual e até um portal de encontros, o Sapio, para que os inteligentes, ou os que erotizam essa qualidade, encontrem a sua cara metade.

O psicólogo e sexólogo neozelandês John Money (1921-2006) procurou explicar por que algumas pessoas se sentem atraídas por um certo tipo de qualidade e não por outras, com sua teoria sobre o "mapa do amor". Este condiciona nossa atração sexual e não se trata de um mapa comum, mas um que se desenha em nossa mente e que constitui uma representação complexa de nosso amante idealizado, do que consideramos como erótico e das práticas mais estimulantes para nós. Algo como a personalidade erótica. Este mapa é projetado no imaginário mental e se expressa em sonhos, fantasias e atos, e cada mapa é único, embora compartilhe características comuns com o de outros indivíduos.

Segundo Money, os mapas do amor começam a se formar desde que nascemos, com todas as informações, experiências e estímulos que recebemos. As experiências da infância deixam uma marca no nosso mapa do amor e as negativas têm a capacidade de imprimir uma mancha que pode impedir no futuro a formação de vínculos afetivos e eróticos harmoniosos.

A história nos deixou famosos sapiosexuais, como Marilyn Monroe (talvez o papel em que Hollywood a colocou, o de loira burra, tenha feito com que ela fugisse do padrão de beleza para se refugiar na massa cinzenta). A atriz uma vez reconheceu que Albert Einstein era o homem mais sedutor que já havia sido apresentado a ela e que não hesitou em lhe propor: "Deveríamos ter um filho juntos para que tivesse meu físico e a sua inteligência". John Waters aconselhava: "Se você for à casa de alguém e não houver um único livro, não durma com ele"; e o personagem de Eusebio Poncela, Dante, no filme Martín (Hache) (1997), defendia que “é preciso foder as mentes”.

A inteligência, a segunda qualidade mais erótica

Na verdade, somos todos um pouco sapiosexuais. Foi o que revelou um estudo realizado por Gilles E. Gignac, professor titular da Universidade da Austrália Ocidental. Foram entrevistados 383 adultos para se conhecer as características que mais valorizavam em seus parceiros e os resultados mostraram que a inteligência foi a segunda mais citada —depois da gentileza e compreensão—, desde que não fosse muito elevada. Assim, descobriram que a relação entre o quociente intelectual e a atratividade é curvilínea. Ou seja, atinge o seu pico quando alcança um QI de 120, mas diminui se já é de 135.

Alguns também apontam que os sapiosexuais podem relacionar de modo inconsciente a intelectualidade do outro a uma relação mais segura e estável. De alguma forma, associam a inteligência a uma boa tomada de decisões e a uma espécie de "seguro" para o relacionamento.

Como explica Lora Adair, professora de psicologia evolucionista da Universidade de Lyon, na revista Vice, “homens e mulheres sempre desejaram a inteligência em seus companheiros, quer se identifiquem como sapiosexuais ou não. Isso acontece em todas as espécies, embora em animais não humanos a inteligência ou a capacidade cognitiva seja medida morfologicamente”.

Lyon dá como exemplo o macho do pássaro-cetim, que constrói ninhos intrincados adornando-os com objetos brilhantes que encontra em seu entorno para atrair as fêmeas mais seletivas. "A capacidade de encontrar esses objetos excepcionais e de protegê-los de roubo ou sabotagem de outros machos pode servir como um indicador de capacidade cognitiva e de adequação genética."

Se a inteligência ajudou nossos ancestrais a resolver problemas e a evoluir, não é estranho que continuemos a considerá-la uma qualidade que pode nos trazer uma vida mais tranquila, uma situação econômica melhor e até mesmo um parceiro mais saudável. Além disso, há outro estudo, realizado pelo psicólogo evolucionista Geoffrey Miller, da Universidade do Novo México, que relaciona um alto QI com uma boa qualidade de sêmen, feito entre 400 veteranos da Guerra do Vietnã que foram submetidos a esses dois testes.

“Tradicionalmente, a ideia é que a atração sexual tem muito a ver com o físico, com o corporal, com o mental. Mas a atração é algo mais heterogêneo e que integra muitas coisas: senso de humor, capacidade de compreensão ou a maneira de expressar o sentimento, e todas essas qualidades têm muito a ver com inteligência”, diz a psicóloga e sexóloga Gloria Arancibia Clavel.

Por isso, os sapiosexuais não costumam ser pessoas de amor à primeira vista nem de flechadas, já que descobrir se alguém é inteligente ou não leva tempo e, geralmente, seus relacionamentos começam como uma amizade para desembocar na atração sexual, à medida que o cérebro se despe. Para este grupo, a sedução entra mais pela palavra e o ouvido, por meio de conversas ou pontos de vista interessantes, do que pela visão. Por isso se costuma dizer que as mulheres são mais sapiosexuais que os homens. "Na verdade, esta é uma afirmação que se conecta com as questões de gênero e os clichês que ainda definem homens e mulheres, as dificuldades de alguns homens em reconhecer uma mulher mais inteligente que eles ou a ideia, de algumas mulheres, de que para seduzir têm que se fazer um pouco de bobas ou, pelo menos, não parecer inteligentes demais”, diz Aranciba.

Mas, o que é inteligência?

Claro que hoje muitos tendem a confundir a inteligência com o acúmulo de dados (como a capacidade de um disco rígido), a habilidade para se vender (e, assim, os tímidos passam por tolos) e até a arrogância. Por muitos anos essa qualidade foi relacionada com a capacidade numérica, mais do que com outras, o que me fez tocar o limite entre uma pessoa normal e uma borderline por tirar uma nota baixa em um teste que fizeram na escola para determinar o meu coeficiente intelectual.

Felizmente, não lhe dei muita importância, ao contrário de outros que se deixaram influenciar quando os resultados os rotularam de superdotados, para sua desgraça. Hoje em dia, esses testes não são mais feitos, pois se sabe que existem muitos tipos de inteligência: a emocional, a social e até a erótica; embora todas compartilhem características comuns: o senso de humor, a empatia e, acima de tudo, a capacidade de resolver problemas em novas situações.

A atração pela inteligência também pode acarretar certos perigos, observa Gloria Arancibia. “Muita coisa acontece na observação. Passa-se da admiração à idealização da pessoa, e daí à dependência. E isso reforça ainda mais a falta de autoestima em pessoas pouco seguras de si mesmas e pode resultar no domínio daquele que se supõe mais inteligente sobre o outro.”

A erotização do neurônio desemboca também em todo um imaginário de protótipos para os sapiosexuais, em que se destacam o professor/a, os escritores, os cientistas e, sobretudo, as bibliotecárias, segundo Bix Warden em seu livro The Sexy Librarian’s Big Book of Erótica. O bom de se sentir seduzido eroticamente pela inteligência é que esse tipo de atração não é afetado pela passagem do tempo, nem pelas rugas ou a flacidez. Pelo contrário, ganha ao longo dos anos. Platão já dizia que "o amor é como uma escola de graduação que começa com a beleza do corpo e depois passa para as ideias e para as pessoas que mostram uma inteligência privilegiada".
 
Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/22/estilo/1566428713_448693.html

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Corregedoria vai investigar ‘erros grosseiros’ de juíza da Lava Jato em São Paulo


Publicado em 23 agosto, 2019 8:00 am

 
CNJ

Do UOL:

O corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, determinou que a corregedoria da Justiça Federal da 3ª Região investigue supostos “erros grosseiros” cometidos pela juíza Maria Izabel do Prado em suas sentenças. A magistrada trabalha hoje na 5ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo. É, portanto, a responsável pelo julgamento de casos da operação Lava Jato no estado.

A abertura da investigação atende a um pedido do advogado José Augusto Marcondes de Moura Júnior. Ele reuniu em uma representação encaminhada ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) quatro casos que em considera que decisões da juíza “demonstraram sua total falta de capacidade com o exercício da magistratura”. Os processos foram registrados entre 2005 e 2017 e são de casos fora da Lava Jato.

A reclamação de Moura Júnior foi feita em junho. Na segunda-feira (19), o corregedor determinou que os fatos citados pelo advogado sejam apurados em 60 dias. Martins informou em decisão que a investigação vai verificar “a eventual violação dos deveres funcionais praticados pela magistrada reclamada.”(…)



Em sua representação contra a juíza, Moura Júnior cita quatro processos. No primeiro, reclama que ela aumentou a pena de um réu porque este teria engolido 17 quilos de cocaína para traficá-la, colocando sua vida em risco. “Ora, é impossível um ser humano transportar em seu organismo uma quantidade tão grande de entorpecentes”, diz o advogado. “Gera perplexidade a sentença.” No segundo caso, o advogado reclama que a juíza incluiu numa sentença contra um réu fatos que faziam parte de um outro processo. Citou em sua decisão, inclusive, o réu deste segundo processo, o qual não teria qualquer relação com a ação penal julgada. “A barbárie cometida foi de tal monta que ao julgar a apelação o Tribunal Regional Federal anulou a sentença por falta de correlação lógica entre o pedido e a condenação”, acrescentou Marcondes.
 
Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/corregedoria-vai-investigar-erros-grosseiros-de-juiza-da-lava-jato-em-sao-paulo/

Vaza Jato prova que Deltan fez da perseguição a Lula meio de vida e embolsou R$ 580 mil


O novo capítulo da Vaza Jato demonstra que o procurador Deltan Dallagnol ficou rico ao perseguir o ex-presidente Lula e forjar sua condenação sem provas. Nos últimos anos, ele colocou no bolso pelo menos R$ 580 mil em palestras para empresas do sistema de financeiro, como a XP, para planos de saúde, como a Unimed, e entidades empresariais, que se beneficiaram com o golpe de 2016. Desmoralizado, Deltan hoje dorme à base de remédios
23 de agosto de 2019, 04:36 h


(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)



247 – O novo capítulo da Vaza Jato, revelado hoje em parceria pela Folha de S. Paulo e pelo Intercept, demonstra como Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, ficou rico ao monetizar a Lava Jato e explorar financeiramente a sua perseguição ao ex-presidente Lula – que hoje seria presidente pela terceira vez se não tivesse sido perseguido pela força-tarefa.

"Ele começou a focar o meio empresarial e arrecadou ao menos R$ 580 mil a partir de 2017, apontam diálogos e documentos obtidos pelo The Intercept Brasil e analisados em conjunto com a Folha", aponta reportagem de Flávio Ferreira, Amanda Audi, Leandro Demori e Alexandre de Santi.



"Deltan sempre se recusou a divulgar a relação de empresas e entidades que pagaram por suas palestras, bem como as remunerações recebidas por esse trabalho. A lista de contratantes do procurador traz unidades da operadora de planos de saúde Unimed, firmas do mercado financeiro e associações industriais e comerciais. O valor de cada palestra variou entre R$ 10 mil e R$ 35 mil. O total arrecadado com elas a partir do início da Lava Jato passou de R$ 1 milhão caso sejam somadas as quantias que Deltan também destinou para instituições filantrópicas", informam ainda os jornalistas.

"Deltan pagas ou programadas entre fevereiro de 2017 e fevereiro de 2019, conforme diálogos, planilhas, recibos e contratos que circularam em grupos de conversas do procurador. A maioria delas teve como tema corrupção e ética nos negócios. Em valores atualizados pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a soma das remunerações dos eventos desde 2017 encontrados na documentação é de cerca de R$ 580 mil. Um quarto das palestras verificadas pela reportagem foi para unidades do plano de saúde Unimed", aponta a reportagem.

Deltan também vendeu palestras do sistema financeiro, como a XP, e para entidades empresariais, que se beneficiaram com o golpe de 2016 e com a prisão sem provas do ex-presidente Lula, que ontem concedeu entrevista exclusiva à TV 247.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Guedes confirma intenção de criar imposto federal nos moldes da extinta CPMF





Estadão Conteúdo 21/08/19 - 14h08 - Atualizado em 21/08/19 - 14h23


Enquanto Câmara e Senado discutem propostas de reforma tributária com a criação de impostos únicos sobre o consumo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou nesta quarta-feira, 21, a intenção do governo em também criar um imposto federal sobre transações financeiras – nos moldes da extinta CPMF -, como forma de compensar a desoneração da folha de pagamentos.

“O próprio imposto sobre transações foi usado e apoiado por todos os economistas brasileiros no governo FHC. Ele tem uma capacidade de tributação muito rápida e muito intensa. Ele põe dinheiro no caixa rápido, e se ele for baixinho ele não distorce tanto”, defendeu Guedes, após reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Podemos propor uma desoneração forte da folha de pagamentos a troco da entrada desse imposto. Se a classe política achar que as distorções causadas pelo imposto são piores que os 30 milhões de desempregados sem carteira que tem aí, eles decidem”, completou.

Para o ministro, a proposta elaborada pelo governo é “bastante conciliatória”, sinalizando a possibilidade de ser encaixada nas reformas já analisadas pelo parlamento. “Achamos que governo federal tem que enviar a reforma tributária dele”, afirmou. “Vamos tentar fazer a estrutura mais razoável possível, simplificando a estrutura e ampliando a base para que todos possam pagar um pouco menos”, acrescentou.

Maia afirmou que assim que o governo enviar a sua proposta, o texto deverá ser apensado na proposta que já tramita na Câmara dos Deputados, apresentada pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP) com base no trabalho do economista Bernard Appy. “Vamos reabrir o prazo para emendas e vamos reiniciar o debate sobre reforma tributária quando governo enviar proposta”, garantiu o presidente da Câmara.


Reunião

Maia disse ainda que fará uma reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e com os relatores das propostas que tramitam nas duas Casas para tentar chegar a um consenso sobre os textos. “Os governadores e o Senado estão dispostos a trabalhar pela reforma tributária, que precisa ser votada e aprovada nas duas casas do Congresso. O governo federal só pode tratar dos impostos federais, cabe ao Congresso organizar isso”, concluiu.

Pauta

Maia defendeu uma melhor organização da pauta de projetos que chegam ao Congresso. “Não há agenda para aprovar tudo, precisamos ter prioridades. Queremos ter um planejamento sobre os projetos, não adianta mandar tudo de uma vez para o plenário”, afirmou.

Entre os temas que estarão na agenda legislativa citada por Maia está a reforma tributária e a reforma administrativa. “Vamos trabalhar no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a gente possa derrubar regime jurídico único, e discutir em que condições o servidor pode ter estabilidade, além de um novo marco salarial”, afirmou.

Para Maia, também não há motivo para aumento do teto salário do funcionalismo federal impacte os salários em Estados e municípios. “O sistema hoje concentra recursos públicos em atividades meio, e não em investimentos. O gasto público hoje olha para o passado, e não para o futuro”, completou.
 
Fonte: https://istoe.com.br/guedes-confirma-intencao-de-criar-imposto-federal-nos-moldes-da-extinta-cpmf/

OS ANIMAIS E O HOMEM


MONTEIRO LOBATO - A onda verde - Editora Brasiliense Ltda/SP/1957, p. 62: 
 
Vossa vida, animais, é perfeita de ritmo e de beleza. Se nela há perturbações; se vos estraçoam as aves a tiros; se vos deixam os ninhos órfãos para que morram de fome os implumes inocentes; se vos pescam nas águas com armadilhas traiçoeiras; se todas as vossas passagens andam tomadas de arapucas, de mundéus, de ratoeiras; se vos roubam os ovos no ninho ou o mel nas colmeias; se vos aprisionam em gaiolas os cantores e nas jaulas os que sabem defender-se; se vos jungem às carroças, a carros pesadíssimos, à canga dos arados; se vos furam o focinho para meter argolas dolorosas; se vos enfreiam a boca com ferros cruéis; se vos caçam no mar a arpão de aço e na terra a balas explosivas; se penduram nos açougues a carne dos vossos cadáveres; se vos invadem todos os domínios, e vos incendeiam os campos, e vos inundam as matas, e vos secam as águas e vos drenam os pântanos - é ele que o faz. Ele, o macaco glabro, o rei por maquiavelice da má inteligência. Ele, o cultor consciente da arte da dor.

Em toda parte está o Homo como o próprio mal encarnado, matando, esfolando, torturando, saqueando, desnaturando, perturbando a harmonia das coisas.

Pensando em carga tributária excessiva, lucros exorbitantes de banqueiros e o Estado


As ideias de Monteiro Lobato (em a Onda Verde), a respeito do Estado, puseram-me a pensar muito seriamente.

Escreveu ele:

(...) o Estado não vive hoje como órgão necessário à vida do povo, qual era sua missão primitiva. Mas como dono, como senhor absoluto desse povo. Ele é o principal. O povo o acessório, a massa carnosa de que o Estado se alimenta. 
E pensar que a Constituição Federal fala em soberania popular !!!

Se você não entendeu onde entra o Sistema Financeiro nesta história, lembre-se da manipulação inescrupulosa da suposta dívida pública pelos banqueiros e seus sabujos entronizados em cargos relevantes da administração pública (gênero), incluindo em cargos do mais alto escalão do Poder Judiciário (MPF, STJ e STF), os quais tudo manipulam, ao sabor dos interesses dos rentistas.

VISÃO ECOLÓGICA DAS COISAS


MONTEIRO LOBATO - A onda verde - Editora Brasiliense Ltda/SP/1957, p. 46, referindo-se ao catarinense CRISPIM MIRA e sua obra Terra Catarinense: (...) observador seguro de si, com sério equilíbrio de faculdades e capaz da visão ecológica das coisas. E escrita, além disso, em bom estilo, sóbrio sem secura, singelo sem vulgaridade, e pitoresco sem galharada excessiva de regionalismos. (...) Nele se estuda sob todos os aspectos o Estado barriga verde, entreverando-se paisagens com estatísticas, anedotas com visões de sociologia, e história com cenas de costumes.

GRILEIRO



Verbete de um Glossário Ambiental que estou organizando, cheio de citações de escritores/historiadores ilustres.






-=-=-=-





GRILEIRO (Ver COLONIZAÇÃO, FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE, GRILAGEM, GRILO, MOVIMENTO DOS SEM TERRA, REFORMA AGRÁRIA, SERTÃO e TERRAS DEVOLUTAS)




- MONTEIRO LOBATO - A onda verde - Editora Brasiliense Ltda/SP/1957, p. 7, descreveu, minuciosamente, a figura em destaque: 
Mas surge o grileiro e tudo se transforma. Terras paradas, terras inexpugnáveis à cultura, que velhos barbaças detêm aos milheiros de alqueires para delas tirar um prato de feijão e uns porquinhos de ceva, e que vêm vindo assim de avós a netos, e que permaneceriam assim toda a vida; terras devolutas, que a inércia do Estado conserva a monte, sem saber por que nem para que; terras legitimamente “aproprietariadas” - nada disso é obstáculo à solércia do grileiro. Ao partir para o sertão ele deixou em casa, na gaveta, os escrúpulos da consciência. Vem firme, vem “feito” como um gavião. Opera as maiores falcatruas; falsifica firmas, papéis, selos; falsifica rios e montanhas; falsifica árvores e marcos; falsifica juízes e cartórios; falsifica o fiel da balança de Têmis; falsifica o céu, a terra e as águas; falsifica Deus e o Diabo. Mas vence. E por arte dessa obra-prima de malabarismo, espoliando posseiros ou donos, sempre firmados na gazua da lei, os grileiros expelem terras, num estupendo parigato, todos os “barba ralas” - silvícolas - que ali vivem parasitariamente, tentando resistir ao arranque da civilização.

Divididas as glebas em lotes, vendem-nas os grileiros à legião de colonos que os seguem como urubus - pelo cheiro da carniça. E o grilo, se foi bem feito, é inexpugnável e provoca admiração; se foi mal feito fracassa e é apupado pelos embaídos.

Num sertão modorrento, quando a presença de um advogado ou agrimensor esperta os velhos moradores, a uma voz eles murmuram: - Nosso tempo acabou …

E acaba de feito. Acaba o marasmo da terra porque o grileiro é o precursor da Onda Verde. O seu cri-cri anuncia a aproximação do tanque. Cinco, dez anos depois, a flor do café branqueia a zona e a incorpora ao patrimônio nacional.

O peregrino espírito de Assis Chateaubriand já explanou em traços gerais, mas incisivos, esta função social e civilizadora do grilo. Definiu-o a arte de tirar o direito do nada. É isso,. É a vitória da gazua do mais forte. (...)


Insistente nas palestras como certas moscas em dia de calor, é, nas regiões do Noroeste, a palavra “grilo”. “Grilo” e seus derivados, “grileiro”, “engrilar”, em acepção muito diversa da que devem ter entre os nipônicos, onde grileiros engrilam os grilos de verdade em gaiolinhas, como fazemos com o sabiá, o canário, o pintassilgo e mais passarinhos tolos que morrem pela garganta.

Em certas zonas chega a ser uma obsessão. Todo mundo fala em terras griladas e comenta feitos de grileiros famosos.

E agora que o grilo penetrou na arte, e vai perpetuar-se em mármore no monumento da Independência, vem a talho de foice um apanhado geral sobre a conspícua instituição - viveiro onde se fermenta a aristocracia dinheirosa de amanhã.

As velhas fidalguias da Europa entroncam no banditismo dos cruzados. Ter na linguagem um facínora encoscorado em ferro, que saqueou, queimou, violou, matou à larga no Oriente, é o maior padrão de glória de um marquês de França. Ter entre os avós um grileiro de hoje vai ser o orgulho supremo dos nossos milionários futuros. Matarás, roubarás, são os mandamentos de alto bordo do decálogo humano, eternos e irredutíveis, que a imagem da lei de Moisés inventou inverter, antepondo-lhes um inócuo “não”. (...)

(...) há grilos geniais, obra de verdadeiros Cagliostros encarnados nos bacharéis do “venerando mosteiro”; e os há ineptos, mancos, fabricados aí por meros “curiosos”da trampolinagem, sem dedo para a coisa. Aqueles gozam de toda a consideração social devida aos mestres de vistas largas, ao passo que estes o povo os cobre de irrisão. (...)

O grileiro é um alquimista. Envelhece papéis, ressuscita selos do Império, inventa guias de impostos, promove genealogias, dá como sabendo escrever vvelhos urumbebas que morreram analfabetos, embaça juízes, suborna escriv~es - e, novo Jeová, tira terra do nada. (...)

Envelhecer um título falso, “enverdadeirá-lo”, é toda uma ciência. Mas conseguem-no. Dão-lhe a cor, o tom, o cheiro da velhice, fazem-no muitas vezes mais autêntico que os reais. Expõem-no ao fumeiro, a tal distância da fumaça conforme o grau de ancianidade requerido, e conseguem a gama dos amarelidos, segredo até aqui do Tempo.

Enquanto o papel se desfuma, fazem-lhe aspersões sábias que lhe dêm a rugosidade peculiar às celuloses d’antanho.

Finalmente, para impregná-lo do cheirinho, do bouquet dos decênios, passeiam-no a cavalo, metido entre o baixeiro e a carona.

Na página seguinte (12) da mesma obra, o autor revela um grilo mal feito. 
(...)
 
E segue:

Ao trabalhismo de laboratório aliam-se ao ar livre os atos anexos e complementares - violências, suborno, incêndio em cartórios, sumiço de autos, etc.

Porque o grilo é proteiforme e para completar-se sobre até à ótica, subornando até os teodolitos dos engenheiros.

Que prodígios não opera neste campo! O primeiro é substituir a corrente, o podômetro, o teodolito,a trigonometria e o mais por um instrumento só, de alta engenhosidade: o olhômetro.

Só o olhômetro merece fé dos grileiros, esse aparelho maravilhoso, de criação nossa, e já muito usado pelos governos em estudos estatísticos.

Por intermédio do olhômetro, os cursos dos rios, passa-se um afluente da margem esquerda para a direita, criam-se cachoeiras em sítios onde o nível é manso, e operam-se quantas mais revoluções geográficas se fazem mister à patota.

Um grileiro está na posse do nome de um rio que a natureza esqueceu de criar; se ele consegue localizar esse rio no mapa, o grilo sairá de primeiríssima. E lá vai ele, com o rio às costas, em procura de colocação…

O outro fazia grande conta uma cachoeira em certo ponto da divisa. O homem não pestaneja: constrói a cachoeira. os contrários protestam.

Há intervenção judiciária. na vistoria chamam para perito o morador mais antigo das redondezas. O caboclo chega, defronta-se com a cachoeira fantástica e abre a boca. Há cincoenta anos que vive ali, conhece a zona como a palma da mão - como é que nunca viu aquele “poder d’água”, barulhento e atravancador? Mas desconfia - e entrando na água desfaz com dois pontapés a cachoeira de mentira, que lá rola, rio abaixo, transformada em tranqueira de galhaça e cipós… Era uma cachoeira grilo…

O grilo come nas terras apossadas pelos caboclos mal apetrechados contra os percevejos da lei, tanto quanto as terras devolutas, as quais, engriladas a Norte, Sul, Leste e Oeste, estão se derretendo como torrão de açúcar n’água.

Calcula uma autoridade no assunto em três milhões de alqueires área de terras griladas no Noroeste. E esses milhões caminham para quatro, visto que agora a indústria do grilo passou a interessar aos altos paredros da política, verdadeiras piranhas em matéria de voracidade. (...)

Continua o autor a discorrer sobre a “instituição” ou “indústria” do grilo, de maneira irônica e deliciosa, cronista atento e competente que é. Vale a pena ler o que segue, diretamente na obra copiada.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

VINHO CLARIFICADO COM BARRO

Você está tomando um delicioso vinho, para combater esse friozinho que aí está? 

Então, apesar de não ser  entendido na matéria,  vou lhe repassar uma informação que me parece bem interessante, colhida da famosa obra do Frei VICENTE DO SALVADOR, denominada História do Brasil, escrita por volta de 1627 e publicada pela Cia. Melhoramentos de SP, no ano de 1954: 

"Lipmann (...) põe em dúvida que no Brasil fosse descoberto primeiro a conveniência do emprego de barro para alvejar o açúcar, pois já Dioscórides, Galeno e os árabes conheciam o barro como clarificador de vinho, suco de frutas, água de rosas e outros líquidos (...)".  

domingo, 18 de agosto de 2019

MP apura suspeita de enriquecimento ilícito de ministro do Meio Ambiente


Em 2012, Ricardo Salles declarou possuir R$ 1,4 milhão em bens. Em 2018, foram R$ 8,8 milhões - alta de 335%, corrigindo o valor pela inflação 
 
Por Estadão Conteúdo



Ricardo Salles participa de audiência pública na Câmara (10/04/2019) (José Cruz/Agência Brasil)

O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para apurar suspeita de enriquecimento ilícito do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, entre 2012 e 2017, período em que ele alternou a atividade de advogado com cargos no governo paulista. A Promotoria já pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal de Salles, mas a medida foi negada duas vezes pela Justiça estadual neste mês.

A investigação teve início em julho a partir de representação feita por uma empresa chamada Sppatrim Administração e Participações, que levantou suspeita sobre a evolução patrimonial de Salles com base nas declarações de bens que ele mesmo prestou à Justiça Eleitoral.

Em 2012, quando foi candidato a vereador pelo PSDB, Salles declarou possuir 1,4 milhão de reais em bens, a maior parte em aplicações financeiras, 10% de um apartamento, um carro e uma moto. Em 2018, quando saiu a deputado federal pelo Novo, foram 8,8 milhões de reais, sendo dois apartamentos de 3 milhões de reais cada, 2,3 milhões em aplicações e um barco de 500.000 – alta de 335%, corrigindo o valor pela inflação.

Em nota, a assessoria do Ministério do Meio Ambiente afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que o “patrimônio e os rendimentos do ministro foram sempre declarados adequadamente à Receita Federal” e que “a própria representação não traz nada diferente do que nelas constam”.

Durante quase metade do período sob investigação, Salles ocupou cargos no governo do Estado. Foi secretário particular do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) entre março de 2013 e novembro de 2014, função pela qual recebia 12.400 reais líquidos, e secretário do Meio Ambiente na mesma gestão, entre julho de 2016 e agosto de 2017, com remuneração média de 18.400 reais.

No pedido de quebra de sigilo do ministro, ao qual o Estadão teve acesso, o promotor Ricardo Manuel Castro destaca que, em 2014, Salles alegou queda de seus rendimentos por causa do cargo público em um pedido à Justiça para reduzir a pensão paga aos seus dois filhos. Conseguiu decisão para diminuir o valor de 8.500 para 5.000 reais.

O promotor afirma que Salles atuou em dez casos como advogado no período e que “não foram encontrados” nos autos “valores de causa suficientes a ponto de justificar o recebimento de honorários em volume tal que pudesse amparar tal aumento patrimonial”.

O promotor menciona no pedido o fato da evolução patrimonial de Salles ter ocorrido no período em que ele foi acusado de fraudar o plano de manejo de uma área de proteção ambiental quando foi secretário em São Paulo para beneficiar empresas de mineração. O MP moveu ação que resultou na condenação dele por improbidade administrativa em dezembro de 2018. Ele nega responsabilidade e recorreu da decisão.

Além da quebra de sigilo, Castro solicitou a elaboração de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontando que o órgão de controle já havia informado sobre a “existência de movimentações comunicadas compulsoriamente” relacionadas ao CPF de Salles, mas não enviou o relatório.

O pedido, contudo, foi negado nas duas instâncias da Justiça paulista. Em sua decisão, o juiz Marcos de Lima Porta, da 5.ª Vara da Fazenda Pública, afirma que o fato de o próprio ministro ter feito a declaração de seu patrimônio “já indica sua boa-fé” e que a evolução patrimonial ocorreu passado “razoável período”.

Autor de pedido de ação trava disputa com Salles

Autora do pedido de investigação sobre Ricardo Salles, a empresa Sppatrim Administração e Participações pertence à família de Luiz Eduardo Bottura, um engenheiro e empresário que há cerca de quatro anos trava disputas judiciais com o atual ministro do Meio Ambiente.

O litígio começou em 2015 e envolve uma disputa judicial de 200 milhões de reais entre a empresa de Bottura e a construtora Bueno Netto, para a qual Salles advogou no período entre suas duas passagens pelo governo.

O empresário, que figura em 151 processos no Tribunal de Justiça de São Paulo – a maioria como autor -, acusa o atual ministro de usar uma suposta influência com autoridades paulistas para tentar reverter uma decisão favorável à Sppatrim na câmara de arbitragem.

A partir de uma representação feita pela empresa da família Bottura, o Ministério Público estadual abriu, em 2016, uma investigação para apurar a suposta prática de improbidade administrativa de Salles no caso. Salles nega ter cometido qualquer irregularidade na atuação como advogado. A investigação ainda está em curso.

Em fevereiro deste ano, Salles disse em entrevista à rádio Jovem Pan que seu patrimônio cresceu com a compra de um duplex que foi desmembrado em dois imóveis no período em que era advogado e que a tese do enriquecimento ilícito é uma “grande mentira” disseminada por Bottura.

Um grupo registrou formalmente em São Paulo uma “Associação de Vítimas de Eduardo Bottura” com pessoas que se dizem atingidas pela “litigância abusiva” do engenheiro.

Bottura nega a prática. Diz que aciona a Justiça para se defender de falsas acusações e que no caso de Salles apenas “entregou as provas objetivas dos fatos sobre as atividades que ele (Salles) praticou nos processos que envolvem a empresa da família que, segundo ele mesmo, o deixaram rico”.

Procurado, o promotor Ricardo Manuel Castro disse que não se manifestaria porque o caso está sob sigilo. 
 
Fonte: https://veja.abril.com.br/politica/mp-apura-suspeita-de-enriquecimento-ilicito-de-ministro-do-meio-ambiente/