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quarta-feira, 28 de abril de 2021

França quer punir militares que defenderam intervenção no país

Generais da reserva divulgaram carta aberta alegando risco de guerra civil. Signatários receberam apoio de líder da extrema direita. Ministra da Defesa critica tentativa de politização das Forças Armadas.



Militares desfilam na cerimônia de 14 de julho em Paris. Ministra diz que "imensa maioria" dos militares são leais

A Ministra das Forças Armadas da França, Florence Parly, disse nesta terça-feira (27/04) que pretende punir um grupo de militares que assinou uma carta aberta defendendo uma "intervenção" no país.

No documento, os militares afirmam que tal ação pode ser necessária caso o governo francês não tome medidas para "erradicar os perigos" que estariam levando o país a uma "guerra civil".

Entre os "perigos" listados pelos militares estão o islamismo e as "hordas das periferias" das grandes cidades francesas - em muitos casos habitadas por imigrantes. Os signatários ainda denunciam o que chamam de ideologia "antirracista" que quer promover uma "guerra racial" e "apagar a história" da França.

"Se nada for feito, a frouxidão continuará a se espalhar inexoravelmente na sociedade, causando em última instância uma explosão e a intervenção de nossos camaradas da ativa em uma perigosa missão para proteger nossos valores civilizacionais e salvaguardar nossos compatriotas em território nacional", diz o documento.

A carta foi assinada por 1.200 militares da reserva, incluindo 24 generais. O texto foi publicado na revista de extrema direita Valleurs Actuelles no dia 21 de abril.

A data não passou despercebida, já que marcou o aniversário de 60 anos do "Putsch dos generais", uma tentativa fracassada de golpe de Estado que ocorreu na França em 21 de abril de 1961. Na ocasião, um grupo de generais tentou depor o presidente Charles de Gaulle em retaliação aos planos do chefe do Executivo de conceder independência para a Argélia (então um departamento francês). O golpe foi debelado quando De Gaulle prendeu vários participantes da conspiração em Paris e fez uma pelo via TV e rádio para que a população reinsistisse à tentativa de derrubar o governo.
Apoio da extrema direita

A carta dos generais da reserva divulgada na semana passada provocou repúdio no meio político francês. Apenas um partido manifestou apoio aos signatários: o Reagrupamento Nacional, da política de extrema direita Marine Le Pen, que costuma propagar pontos de vista similares aos expressados no documento.

"A situação no nosso país é tão grave (...) vários políticos já falaram em situação de guerra civil em certos bairros da periferia", afirmou Le Pen, que já concorreu duas vezes à Presidência da França, em entrevista à rádio France Info. Ela disse compartilhar a "aflição" manifestada pelos militares que assinaram a carta.

Uma pesquisa divulgada em 2017 apontou que até 47% dos policiais e militares franceses haviam votado em Le Pen na eleição presidencial daquele ano.

A ministra Florence Parly criticou o posicionamento de Le Pen. "A politização dos exércitos sugerida por madame Le Pen enfraqueceria nosso mecanismo militar e, portanto, a França. Os exércitos não estão lá para fazer campanha [política], mas para defender a França e proteger os franceses", escreveu Parly no Twitter.

"Dois princípios imutáveis ​​orientam a ação dos militares em relação à política: neutralidade e lealdade", completou a ministra. Ela também disse em entrevista que solicitou ao chefe do Estado-Maior das Forças Armadas que aplicasse punições contra militares que assinaram a carta que eventualmente ainda estejam na ativa.


Por outro lado, Parly também tentou minimizar o impacto do documento, afirmando que a "imensa maioria" dos militares são leais à Constituição. O analista político Jean-Yves Camus também minimizou o significado da carta em entrevista à agência AFP, afirmando que os signatários "não eram pesos pesados" no Exército. Nenhum deles, por exemplo, era general de cinco estrelas. Parly também afirmou que os generais que assinaram o documento "não têm mais nenhuma função em nossos exércitos e apenas representam a si mesmos".

Entre os generais signatários do texto figura Christian Piquemal, que chegou a ser preso em 2016 por participar de uma manifestação em Calais contra a "islamização da Europa".

jps/lf (AFP, RFI, ots)

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/fran%C3%A7a-quer-punir-militares-que-defenderam-interven%C3%A7%C3%A3o-no-pa%C3%ADs/a-57364298

JORGINHO MELO e CAROLINA DE TONI, parlamentares catarinenses, no olho do furacão

Que nenhum dos dois vale um ovo podre, sequer, nós já sabíamos. Agora, o próprio governo Bolsonaro ajuda a confirmar o lixo que sempre foram.

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Salles diz que deputados e senadores pediram para liberar madeira ilegal


Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é acusado de tenta atrapalhar investigações sobre a maior apreensão de madeira ilegal do Brasil
27 de abril de 2021, 08:23 h Atualizado em 27 de abril de 2021, 10:30
(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

247 - O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que atuou para liberar a madeira ilegal apreendida na Operação Handroanthus a pedido de quatro senadores e três deputados federais. Na ação, a Polícia Federal apreendeu mais de 226 mil metros cúbicos de madeira, carga avaliada em R$ 129 milhões.

"Nós fomos procurados primeiro pelo senador Jorginho Mello (PL-SC) e pela deputada Caroline de Toni (PSL-SC), porque são representantes do estado de Santa Catarina e parte desses empresários que se acham prejudicados são do estado de Santa Catarina, mas estão há décadas no Pará", disse o ministro em entrevista à CBN, conforme reportagem da Gazeta do Povo.

"Depois fomos procurados pelo senador Telmário Mota (Pros-RR), porque os seus eleitores lá no estado de Roraima também foram objeto de fiscalização. Fomos procurados pelo senador Zequinha Marinho (PSC-PA) e Mecias de Jesus (Republicanos-RR), ou seja, eu estou lhe falando de quatro senadores. Para além disso, três deputados federais", complementou.

O delegado Alexandre Saraiva, agora ex-chefe da PF no Amazonas, apresentou uma notícia-crime junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a investigação das condutas de Salles e do senador Telmário Mota (Pros-RR) por "atrapalharem as medidas de fiscalização".

Saraiva deixou a PF-AM, que passou a ser comandada pelo delegado Leandro Almada da Costa.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/salles-diz-que-deputados-e-senadores-pediram-para-liberar-madeira-ilegal

Defensor público justifica suspeição de Barroso por apoio à Lava Jato

"A conduta inusitada daquele julgador, de trato habitualmente lhano, parece explicar-se pela ligação pessoal estreita que mantém com os 'jovens turcos' de Curitiba", diz defensor Carlos Frederico Guazzelli sobre Luís Roberto Barroso, do STF

27 de abril de 2021, 19:18 h Atualizado em 27 de abril de 2021, 19:41
(Foto: Reprodução)
 
Por Carlos Frederico Guazzelli, no Sul21

Os julgamentos procedidos pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, confirmados depois pelo Plenário daquela Corte, ao longo deste mês de abril, relativos a duas ordens de Habeas Corpus impetradas pela defesa do ex-presidente Lula, terminaram por confirmar, definitivamente, o reconhecimento da existência de graves vícios na condução das ações penais contra ele instauradas perante a justiça federal, no foro criminal de Curitiba. Graves vícios estes sempre apontados, nos processos e fora dele, pelos denodados defensores do réu, o paciente daqueles HC’s – e, ademais, pela grande maioria dos juristas que, no Brasil ou no estrangeiro, se dedicaram a estudar o tema, sob a luz dos Direitos Constitucional, Penal e Processual Penal.

Conforme muito bem demonstrado pelo ministro Gilmar Mendes, relator de um daqueles writs – referente à alegação de suspeição do ex-juiz, e também ex-ministro da justiça, que queria ser presidente da República – não foi necessário recorrer às espantosas revelações da chamada Vaza-Jato, que vem sendo feitas ao público há quase dois anos, para demonstrar o conluio, em tudo abusivo e vergonhoso, entre um magistrado, procuradores e policiais federais, unidos no sórdido propósito de perseguir a maior liderança popular do País, a pretexto de seu envolvimento com atos de corrupção praticados por empresários, políticos e funcionários da Petrobras.

De fato, os comportamentos daquelas autoridades, característicos do que atualmente se conhece por lawfare – isto é, o processo de perseguição política usando os mecanismos e os poderes do sistema de justiça – revelam-se claramente a partir do simples exame atento dos autos dos processos judiciais e inquéritos policiais reunidos na famigerada “operação lava-jato”, versão nativa tosca de um conjunto de investigações procedidas na Itália, no começo dos anos 1980, e que, não por acaso, em virtude da mesma marca autoritária e moralista, resultou na desastrosa eleição de Berlusconi, um notório corrupto. Qualquer semelhança é mera coincidência…

Claro que as gravações obtidas por um “hacker” – examinadas por peritos federais e certificadas como autênticas – e amplamente divulgadas por um consórcio entre vários veículos de imprensa, de âmbito nacional, exibindo cruamente as inacreditáveis conversas entre o dito coordenador da “força-tarefa” do ministério público federal curitibano, e seus comparsas, criaram o ambiente favorável para a reação do mais alto tribunal do país, ainda que pareça tardia, àquela série de despropósitos, para dizer o mínimo. Os quais redundaram, não se deixe nunca de proclamar – com a necessária ênfase e indignação! – na prisão injustificada de Lula, por 580 dias, e seu alijamento da corrida presidencial!

Cabe lembrar a este respeito, que o voto adotado pela maioria da 2ª Turma do Supremo, ao apreciar a questão da suspeição do ex-juiz camicia nera, seguiu roteiro que já se anunciara aqui, neste espaço, em artigo publicado há pouco mais de dois meses, arrolando os fatos caracterizadores da perda da imparcialidade indispensável ao juízo, “…desde a condução coercitiva do líder petista, e a quebra e divulgação ilícita de seu sigilo telefônico, até sua condenação absurda, em processo nulo…passando pela insólita instalação do ‘juízo universal’ de Curitiba… e, sobretudo, pelo manifesto conluio entre juiz, procuradores e policiais federais, que agiam de forma coordenada e combinada, escolhendo investigados, forjando provas, acertando movimentos, planejando prisões para obter ‘colaborações premiadas’…” (Sul21, “A corrupção da lava-jato”, postado em 23/02/2021).

Repita-se, como destacado pelo relator daquele julgado: tudo isso se inferia, independentemente dos registros dos diálogos travados pelo inefável Deltan e sua “broderagem”, revelados pelo Intercept-Brasil, da análise cuidadosa dos resultados evidentes dos atos abusivos por eles praticados, sob a batuta do chefe agora desmascarado. Também era sabido, mesmo sem os detalhes ora mostrados ao mundo em reportagem do prestigiado diário francês Le Monde, que Moro e sua súcia foram devidamente preparados desde o exterior para o cumprimento da tarefa a que se dedicaram, com o apoio entusiasta da mídia oligopólica, ávida para remover Lula e o PT da vida política brasileira.

Com efeito, em reportagem publicada no último dia 10 de abril, os jornalistas Nicolas Bourcier e Gaspard Estrada, com base em farto material que estudaram durante meses, mostram como o Departamento de Justiça (DoJ) norte-americano – órgão equivalente à Procuradoria-Geral da Justiça brasileira, com a diferença de que seu titular é ministro de Estado e, como tal, é demissível pelo presidente da República – recrutou e treinou a malta curitibana, ainda no início da segunda década deste século.

Em suma, a tarefa consistia em desencadear a “perseguição constante e sistemática ao ‘rei’…”, para usar as palavras de Karine Moreno-Taxman, a “especialista” da embaixada ianque, que inculcou aos seus aplicados alunos o método por eles executado estritamente, como se viu nos anos seguintes: adoção de task force; doutrina jurídica das “delações premiadas”; e “compartilhamento informal” de informações com o DoJ, por fora dos canais oficiais.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/defensor-publico-justifica-suspeicao-de-barroso-por-apoio-a-lava-jato

VAGABUNDO, GOLPISTA E CORRUPTO À SOLTA - TRF-4 revoga prisão de Eduardo Cunha

A decisão foi da famosa 8a. Turma, aquela dos chamados "Três patetas", que de patetas não têm nada. A publicação do Tribunal não diz quem é o relator. 

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 Ex-presidente da Câmara estava preso desde outubro de 2016 sob prisão preventiva, sem uma decisão condenatória. Desde março de 2020, cumpria pena em prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica

28 de abril de 2021, 15:51 h Atualizado em 28 de abril de 2021, 16:48
(Foto: REUTERS/Rodolfo Buhrer)

247 - O Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4) revogou nesta quarta-feira (28) a prisão de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados. Com essa decisão, o político poderá deixar de utilizar tornozeleira eletrônica.

Houve uma revogação da ordem de prisão de Cunha, que era preventiva desde outubro de 2016, uma vez que ele não tinha ainda sido alvo de uma decisão colegiada condenatória. Para o relator do Tribunal, o tempo de prisão preventiva “ultrapassou o limite do razoável”.

Eduardo Cunha passou a cumprir a prisão domiciliar em março de 2020, quando, apesar de ter deixado a prisão, manteve algumas medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. A nova decisão permite que ele não use mais a tornozeleira. O ex-deputado continua com seu passaporte retido, estando impedido, porém, de deixar o país.

Nesta terça-feira (27), a Justiça de Brasília aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público do Distrito Federal contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados por participação em um suposto esquema de propinas para baixar impostos em combustíveis da aviação.

Junto de Cunha foram denunciados também o ex-vice-governador do DF, Tadeu Filippelli, e outras cinco pessoas. Com a denúncia aceita, todos os citados passam a ser réus em processo por corrupção e lavagem de dinheiro.

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/brasilia/trf-4-revoga-prisao-de-eduardo-cunha

O Massacre dos Candangos: uma história apagada


“Faz pena o nortista,

tão forte, tão bravo

viver como escravo

no Norte e no Sul”


Patativa do Assaré

Em 1957 começou a construção de Brasília. O então presidente Juscelino Kubitschek vendia a cidade como um “sonho”, um símbolo do “progresso” que nunca veio. Milhares de operários vinham à Brasília com a promessa de emprego e uma futura moradia na capital.

Quando chegaram em Brasília se deparavam com uma realidade cruel. Precisavam trabalhar muito e não ganhavam quase nada. As condições de vida eram péssimas, os trabalhadores eram mal alojados, mal remunerados e mal tratados. Esses operários eram chamados ‘candangos’. Não se sabe até hoje quantos operários morreram na construção de Brasília.

QUEM ERAM OS CANDANGOS?

Candango pode significar diversas coisas. A versão mais aceita é que os negros africanos chamavam de candangos os senhores portugueses, e estes, percebendo o xingo, passaram a apelida-los dessa forma também. Segundo o dicionário Oxford Languages, a palavra significaria algo como indivíduo desprezível, abjeto. Tendo esse significado ou não, assim eram tratados os construtores de Brasília: braços sem valor que deveriam apenas construir e se calar diante das injustiças.

Vindos do nordeste com esperança de um futuro melhor sem precisar se sujeitar aos regimes de servidão e semi-servidão do latifúndio, esses brasileiros encontravam-se com novas formas de exploração que, apesar de “mais avançadas”, lhes mantinham em uma miséria muitas vezes maior do que quando tinham um pequeno pedaço de terra, já que agora tinham apenas alojamentos improvisados e recursos escassos para se alimentar. Trabalhando jornadas que não raro duravam mais de 18 horas em turnos ininterruptos, cerca de 40 mil operários estavam em Brasilia meses antes da sua inauguração.

Neste contexto, em um desses alojamentos, meses antes da inauguração de Brasília em pleno carnaval de 1959, ocorre o chamado Massacre dos Candangos ou Massacre da construtora Pacheco Fernandes.

ANTECEDENTES E O DIA DO MASSACRE

Antes do massacre o clima já andava hostil nos alojamentos da Construtora Pacheco Fernandes. Os operários já estavam indignados com as péssimas condições de trabalho. Porém, o estopim para os trabalhadores foi quando a Construtora decidiu cortar a água dos alojamentos para que os operários não tomassem banho, alegando que dessa forma iriam impedir os trabalhadores ir à Cidade Livre (hoje Núcleo Bandeirante) com a desculpa de que estes ‘farriavam’ muito e não compareciam para trabalhar.

No dia do massacre, os candangos reclamaram da comida estragada servida no refeitório. Ao contrário do que alguns falam, isso estava longe de ser um fato isolado: já havia muito tempo que a comida servida aos operários era comida estragada, podre. Além das filas quilométricas para pegar o almoço. Nesse dia, a discussão em torno dessas reivindicações se transformou em um ‘quebra-quebra’ dos trabalhadores contra a construtora.

A Guarda Especial de Brasília (GEB) foi chamada rapidamente para “restaurar a ordem” mas foi cercada e teve de recuar frente aos operários. Horas mais tarde, quando grande parte dos trabalhadores já dormiam, a GEB voltou com quase 30 homens e dispararam contra os operários em um ato de covardia que só poderia partir do velho Estado reacionário.

Embora a polícia tenha dito ter havido apenas uma morte, os trabalhadores sobreviventes relatam terem visto caminhões com as caçambas lotadas de cadáveres que foram enterrados em diversos locais da cidade. Nair Bicalho, que entrevistou cerca de 30 pessoas envolvidas declarou o seguinte: "O que consta nos depoimentos que eu recolhi é que a polícia atirou nos operários enquanto eles dormiam. Obtive depoimentos sobre dezenas de operários atingidos. Um total 120 malas nunca foram buscadas no alojamento"

COMO O VELHO ESTADO ESCONDEU O MASSACRE?

Após o massacre, a mídia burguesa-latifundiária tratou de silenciar o fato de que havia existido um massacre. Faltava pouco tempo para a inauguração de Brasília e a divulgação do massacre poderia atrapalhar os planos e a imagem que Juscelino queria passar da nova capital, principalmente se viesse a tona o que de fato era a Guarda, um agrupamento de jagunços da região contratados pelo governo para oprimir os trabalhadores.

Juscelino em seus livros, onde falava do “desenvolvimento”, do “progresso” que seu governo deu para o Brasil, nunca falou sobre o massacre. Nunca nem citou esse fato. Assim como ele, todos os envolvidos politicamente na construção de Brasília calaram-se sobre o massacre. Os corpos nunca foram encontrados. Apenas em 2009, no aniversário de 50 anos do massacre foi erguido um memorial para os candangos tombados na Vila Planalto onde ficava a construtora.


Imigrantes que foram trabalhar nas obras para construção de Brasília. Foto: Reprodução


Fonte: https://anovademocracia.com.br/noticias/15624-o-massacre-dos-candangos-uma-historia-apagada

Crimes nazistas: a noite do massacre de Penzberg


Em homenagem ao 76º aniversário do episódio, presidente Steinmeier fala a estudantes sobre ato de vingança contra alemães antinazistas cometido poucos dias antes do fim da guerra.



Steinmeier: "Até o último minuto da guerra, ocorreram assassinatos em toda a Alemanha"


Sem mais derramamento de sangue – era esse o objetivo de Hans Rummer. O prefeito da pequena cidade de Penzberg, ao sul de Munique, que havia sido deposto pelos nazistas em 1933, sabia que os soldados americanos estavam a apenas alguns quilômetros de distância. Sem cerimônias, ele removeu então o nazista que ocupava o cargo na prefeitura desde 1944, além de ter impedido a explosão da mina local e libertado trabalhadores forçados. Mas o social-democrata teve que pagar com a vida por sua coragem. Na noite de 28 a 29 de abril de 1945, ele foi assassinado por soldados leais a Adolf Hitler.

Além de Rummer, foram fuzilados ou enforcados outros 15 homens e mulheres, incluindo uma gestante. O crime, executado dez dias antes da rendição incondicional da Alemanha nazista e após seis anos de guerra mundial, foi o tópico de uma discussão iniciada nesta segunda-feira (26/04) pelo presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, com estudantes de Penzberg. 

Diante da pandemia de coronavírus, contudo, o encontro aconteceu apenas no formato digital: de um lado, a partir do Palácio Bellevue, em Berlim, falavam Steinmeier, sua esposa Elke Büdenbender e a escritora Kirsten Boie; do outro, em Penzberg, participavam os jovens, conectados ao vivo e ao lado do prefeito Stefan Korpan.

Mistério do massacre de Babi Yar é desvendado 80 anos depois

O presidente alemão só foi saber da noite do assassinato em 2019, durante uma visita à cidade. Penzberg, disse ele no início da conversa, representa os crimes que os alemães cometeram nos últimos dias da guerra. "Até o último minuto, ocorreram assassinatos em toda a Alemanha." Em 1948, foi erguido um memorial em Penzberg em memória à tragédia ocorrida pouco antes do fim do regime nazista, e o museu da cidade também abriga uma exposição permanente sobre o episódio.
Noite Escura – o massacre de Penzberg na forma de livro para jovens

A primeira vez que Tabea confrontou este capítulo sombrio de sua cidade natal foi numa aula de história. Para isso, ela consultou os arquivos de Penzberg e se debruçou integralmente na noite do assassinato. Emelie, que não é natural de Penzberg, já havia aprendido algo sobre isso com sua colega de classe, Emma. Mas foi somente através do projeto na aula de história que o tema se tornou "presente" para ela. Antes, ela não poderia ter imaginado "que algo assim tivesse acontececido aqui". Com Emma, foi completamente diferente – sobretudo por causa de seu avô. "Ele tinha mais ou menos a minha idade e teve que lutar na guerra – enquanto eu posso crescer aqui em paz."

O que meus avós fizeram durante a era nazista?

Repetidamente, os jovens enfatizaram a importância de uma abordagem pessoal ou emocional da era nazista. Iris, por exemplo falou sobre suas impressões ao assistir ao filme A Lista de Schindler, de Steven Spielberg: "Achei muito louco ver algo assim". Ela disse ter tido uma experiência semelhante com livros como When Hitler Stole Pink Rabbit, de Judith Kerr. E agora chega um novo livro sobre os terríveis acontecimentos de Penzberg: Dunkelnacht ("Noite Escura", em tradução livre), escrito pela autora infantil e juvenil Kirsten Boie. Durante o encontro, alguns trechos foram lidos pela própria autora.

'O que foi que eles fizeram?'

A noite do assassinato de Penzberg é contada a partir da perspectiva dos jovens com base em fatos históricos. Uma mistura, portanto, de documentário e ficção. Veronika gostou do formato, pois ele permite que o leitor se identifique melhor com o acontecido, além de achar que assim pôde "capturar melhor a parte emocional da história". 
Ela também achou impressionante a visita ao memorial do campo de concentração de Dachau, a noroeste de Munique, "porque foi possível estar ao vivo no local onde tantas injustiças aconteceram". Tudo isso, avalia Veronika, torna a história mais emocionante.

No livro "Dunkelnacht", a autora Kirsten Boie descreve a noite do massacre a partir de uma perspectiva jovem

A autora Kirsten Boie ficou feliz com a recepção de seu livro pelos jovens. Na sua geração, ainda era difícil conversar com pais e professores sobre a era nazista. Por outro lado, tudo podia ser vivido de forma muito concreta. "Tratava-se das pessoas que viveram na época e a quem sempre perguntávamos: o que foi que eles fizeram?" Isso a acompanhou durante toda a juventude e, assim, o nazismo teve algo a ver com a sua própria vida.

Placa comemorativa no 76º aniversário do massacre

Para os jovens de hoje, tudo isso parece tão distante quanto "as guerras napoleônicas e eles encontram poucos paralelos", opina a escritora. 
Mas quando testemunhas contemporâneas falam com eles, "isso surte muito, mas muito efeito". Ou quando eles visitam locais onde algo aconteceu. "Então, de repente, tudo se torna real novamente". Bem no local onde o prefeito Rummer e sete outros homens foram fuzilados, já havia sido erguido um memorial em 1948. Agora, no  76º aniversário da noite do assassinato, uma placa de bronze será inaugurada no centro da cidade, comemorando o destino das 16 pessoas que foram assassinadas.

O memorial de Nikolaus Röslmeir fica no local onde oito pessoas foram fuziladas pouco antes do fim da guerra

Foi também em 1948 que os nazistas foram julgados, ainda sob a lei de ocupação dos Aliados. Dois foram condenados à morte, outros quatro receberam sentenças de prisão, algumas das quais vitalícias. 

No final das contas, porém, todos os réus escaparam com vida pois as sentenças foram severamente atenuadas em vários julgamentos subsequentes após a fundação da República Federal da Alemanha.
Elke Büdenbender: 'O que nós poderíamos fazer hoje?'

No final da conversa com o presidente alemão sobre a noite do assassinato de Penzberg, sua esposa Elke Büdenbender dirigiu uma pergunta aos jovens: "O que todos nós poderíamos fazer hoje para que algo assim não aconteça novamente?" 

Valentin dá a resposta – na forma de uma citação do livro Dunkelnacht de Kirsten Boie:

"Contanto que nos lembremos desses feitos, desde que não esqueçamos todas as coisas inimagináveis ​​que são possíveis, podemos ver também o que acontece hoje com uma perspectiva diferente. E neste contexto, tomamos decisões de forma diferente, com mais cautela, talvez até de forma mais humana"

Um 'testemunho contemporâneo eterno'

O estudante Valentin, por sua vez, complementa a citação com suas próprias reflexões. Ele diz que vê o livro como uma espécie de "testemunho contemporâneo eterno" e acredita assim estar falando por todos. O que os nazistas e a população alemã cometeram há quase 80 anos "não deve se repetir jamais".

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/crimes-nazistas-a-noite-do-massacre-de-penzberg/a-57355658

Cármen Lúcia aponta 'gravidade incontestável' de acusações contra Salles e pede que PGR se manifeste

Ministra do STF afirmou no despacho que não há espaço para ato arbitrário da PGR, que deverá justificar de forma fundamentada a decisão de começar a apuração ou, ao contrário, abortá-la

27 de abril de 2021, 20:54 h Atualizado em 27 de abril de 2021, 21:28
Ministra Cármen Lúcia durante sessão extraordinária. (12/03/2020) (Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)
 
247 - A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) opine sobre a abertura do inquérito para investigar a atuação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Em seu despacho, a ministra Cármen Lúcia ressaltou que as acusações são de "gravidade incontestável" e que não há espaço para ato arbitrário da PGR, que deverá justificar de forma fundamentada a decisão de começar a apuração ou, ao contrário, abortá-la.

Cármen destacou que a abertura da investigação depende de pedido da PGR, que é responsável pela acusação nos processos no STF. Mas também ressaltou que isso não quer dizer que a abertura de inquérito seja apenas um "ato arbitrário do órgão acusatório competente".

"O proceder do órgão competente do Ministério Público que não investigasse quem deveria ser, para se concluir pela continuidade ou pelo arquivamento fundamentado da notícia, ou que investigasse quem nada devesse ou contra quem não tivesse mínimo lastro fático a se vislumbrar prática antijurídica, configuraria conduta indevida", afirmou.

O ex-superintendente da Polícia Federal (PF) no Amazonas Alexandre Saraiva acusa Salles de dificultar a ação fiscalizadora do poder público no meio ambiente, exercer advocacia administrativa e integrar organização criminosa, durante a operação em que a PF fez uma apreensão recorde de aproximadamente 200 mil metros cúbicos de madeira extraídos ilegalmente.

Parlamentares da oposição afirmam que vão começar a coletar assinaturas para uma CPI para investigar Ricardo Salles (Meio Ambiente). Para esses deputados, o depoimento do delegado Alexandre Saraiva nesta segunda-feira (26) reforçou a necessidade de apuração. Salles é acusado de organização criminosa, advocacia administrativa e obstrução de fiscalização por ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas Alexandre Saraiva.

Fonte: https://www.brasil247.com/poder/carmen-lucia-aponta-gravidade-incontestavel-de-acusacoes-contra-salles-e-pede-que-pgr-se-manifeste

MINISTRECO DESCARADO - Ministros do STJ criticam Humberto Martins por agradar Bolsonaro para fazer campanha ao STF


Ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) andam incomodados com a campanha que o presidente da Corte, Humberto Martins, anda fazendo para a vaga que será aberta em julho no STF (Supremo Tribunal Federal)

28 de abril de 2021, 10:33 h Atualizado em 28 de abril de 2021, 10:33
(Foto: Agência Senado)
 

247 - Ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) andam incomodados com a campanha que o presidente da Corte, Humberto Martins, anda fazendo para a vaga que será aberta em julho no STF (Supremo Tribunal Federal). Em caráter reservado, um ministro disse que o colega "começou a rodar bolsinha e ficou ruim". Esse mesmo ministro diz que Martins está tentando agradar Jair Bolsonaro com decisões judiciais. É de Bolsonaro a tarefa de escolher quem vai substituir Marco Aurélio Mello no Supremo. A reportagem é da jornalista Carolina Brígido, no portal UOL.

"A caneta do presidente do STJ não tem visibilidade, mas faz muita coisa. Ele tem atendido o governo em questões de privatizações. Dizem no tribunal que ele está fazendo o que é necessário para poder agradar e se viabilizar", revelou o ministro, que preferiu não ser identificado.

Segundo a jornalista, de fato, decisões do STJ não costumam repercutir tanto quanto as do STF. Mas, recentemente, o Palácio do Planalto ficou satisfeito com a caneta de Martins. Em janeiro, o presidente do STJ atendeu a um pedido da União para suspender decisão do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) que havia obrigado o governo federal a divulgar direito de resposta nas redes sociais a partir de uma postagem da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República).

Fonte: https://www.brasil247.com/poder/ministros-do-stj-criticam-humberto-martins-por-agradar-bolsonaro-para-fazer-campanha-ao-stf

Justiça condena igreja de Valdemiro Santiago a indenizar fiel negro por humilhação

 

Igreja Mundial do Poder de Deus terá que pagar R$ 5 mil à vítima. Homem diz que foi abordado por seguranças de modo ostensivo enquanto orava de joelhos

Por Luisa Fragão 28 abr 2021 - 08:34


O apóstolo Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus (Foto Reprodução)
A Justiça de São Paulo condenou a Igreja Mundial do Poder de Deus, do pastor bolsonarista Valdemiro Santiago, a indenizar o cabeleireiro Jonas de Freitas, de 50 anos, por racismo. Ele diz ter sido humilhado por seguranças da unidade do templo no Brás, em São Paulo.

Em outubro de 2020, Freitas conta que foi abordado de modo grosseiro e ostensivo por três seguranças do templo enquanto orava no local de joelhos e com os braços para o alto. Segundo o cabeleireiro, os seguranças alegaram que tinham recebido uma denúncia e que ele era “suspeito”. Os homens ainda teriam tomado a mochila do fiel e despejado todo o conteúdo no chão.

“Vilipendiaram grosseiramente o meu direito mais sagrado, de ficar em paz recolhido em oração”, afirmou Freitas à Justiça. O cabeleireiro destaca que solicitou aos seguranças que a revista fosse feita em uma sala reservada, mas o pedido não foi atendido.

A Igreja Mundial negou as acusações de racismo. O juiz Guilherme Ferreira da Cruz, da 45ª Vara Cível Central de São Paulo não aceitou a argumentação e condenou a igreja por danos morais. Freitas queria R$ 80 mil de indenização, mas a punição estabelecida foi de R$ 5 mil.

Fonte: Brasil de Fato

terça-feira, 27 de abril de 2021

LIXO TOGADO - Juiz cotado por Bolsonaro para STF autoriza construção de Museu da Bíblia em Brasília


Humberto Martins, presidente do STJ, é o nome preferido do senador Flávio Bolsonaro para assumir uma vaga no Supremo
Redação
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 27 de Abril de 2021 às 11:43

O argumento para paralisação da obra era que o uso de recursos do governo do Distrito Federal fere o princípio do estado laico; Martins, que é adventista, derrubou a decisão - Romulo Serpa/Agência CNJ


O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, autorizou na última segunda-feira (26) a retomada das obras do Museu Nacional da Bíblia, em Brasília (DF). A obra estava interrompida após decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), que atendeu a pedido da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea).

O argumento para paralisação da obra era que o uso de recursos do governo do Distrito Federal fere o princípio do estado laico. Martins, que é adventista, derrubou a decisão acolhendo o argumento do governo local de que a instituição tem função cultural e educativa.

“Um museu para tratar da Bíblia, que inclusive embasa as mais variadas religiões, não significa que se está a impor uma religião. Ao contrário, deve-se estimular a existência de museus que tratem das mais diversas manifestações religiosas brasileiras”, escreveu o ministro.

Outra justificativa usada para retomada da obra é o de que a paralisação das obras causa prejuízos ao setor de construção civil, em um período de desaquecimento da economia por conta da pandemia.

Preferido do "zero um"

Martins é um dos nomes cotados por Jair Bolsonaro (sem partido) para assumir uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) em julho. A vaga será aberta no dia 5, após aposentadoria de Marco Aurélio Mello.

O presidente do STJ é o nome preferido do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o filho "zero um" do presidente da República.


Bolsonaro já prometeu indicar ao Supremo um ministro "terrivelmente evangélico". Segundo informações de bastidores, Martins disputaria a vaga com o pastor presbiteriano André Mendonça, advogado-geral da União (AGU).

 

Edição: Poliana Dallabrida