Perfil

Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

Mensagem aos leitores

Benvindo ao universo dos leitores do Izidoro.
Você está convidado a tecer comentários sobre as matérias postadas, os quais serão publicados automaticamente e mantidos neste blog, mesmo que contenham opinião contrária à emitida pelo mantenedor, salvo opiniões extremamente ofensivas, que serão expurgadas, ao critério exclusivo do blogueiro.
Não serão aceitas mensagens destinadas a propaganda comercial ou de serviços, sem que previamente consultado o responsável pelo blog.



quinta-feira, 4 de junho de 2026

TURISTIFICAÇÃO te agrada, nativo da ilha de SC?

A turistificação é o processo pelo qual um espaço ou bairro é transformado para atender quase exclusivamente ao consumo turístico. O fenômeno altera a economia, a cultura e a paisagem local, substituindo a dinâmica dos moradores originais pelas necessidades e hábitos dos visitantes. 

O processo ocorre através de uma série de impactos socioespaciais: [1, 2]
  • Especulação imobiliária: Imóveis são convertidos em acomodações de curta temporada (como via Airbnb), reduzindo a oferta de moradia e elevando os custos de aluguel e compra. [1, 2]
  • Descaracterização do comércio: O comércio tradicional e os serviços essenciais aos moradores locais são substituídos por lojas de souvenires, restaurantes gourmet e espaços padronizados para turistas. [1, 2]
  • Exclusão social: A população original é, muitas vezes, forçada a se mudar para áreas periféricas devido à impossibilidade de arcar com o encarecimento do custo de vida local. [1]
  • Sobreturismo (Overtourism): superlotação de espaços públicos e infraestruturas, o que gera desgaste na qualidade de vida dos habitantes, um sentimento de perda de identidade do local e protestos recorrentes em vários destinos globais. [1, 2]
Revista Jusbrasil

-=-=-=-

Turistificação: uma face da gentrificação e a Lei de Turismo





19 de abril de 2025, 8h00


Nos últimos anos, cada vez mais têm surgido manifestações sociais questionando o turismo de massa e os seus impactos negativos sobre as cidades. Em Amsterdam, Barcelona, Paris ou Roma, por exemplo, a presença turística tem sido identificada negativamente em razão do aumento no custo de vida em geral, com especial destaque para alimentação e moradia.

A comunidade local passa a perceber os turistas como um risco, uma espécie de ameaça de natureza econômico-social, e não mais como uma forma de gerar desenvolvimento e oportunidades. Se mostra a sua face de exclusão e/ou de maquiagem social nos países e economias centrais, é evidente que o turismo não deixaria de apresentar tais efeitos também nos países periféricos, como é o caso do Brasil e dos demais países da América Latina, não obstante as características próprias.


A turistificação é comumente definida como processo de desenvolvimento ou implementação de atividade turística em área do território, com promoção de fatores atrativos para a atividade turística. Entretanto, como já se destacou, isso não significa apenas benesses, uma vez que impactos negativos também ocorrem. Nos países periféricos, e mesmo nos países centrais, as atividades turísticas podem resultar em um processo progressivo de ilhamento socioeconômico, com fomento de estruturas e padrões de exclusão social, gerando uma verdadeira modalidade de “gentrificação turística”.

A recente alteração na Política Nacional de Turismo (Lei 11.771/2008), por meio da Lei 14.978/2024, traz avanços ao reconhecer o turismo como um fenômeno social, cultural e econômico. Entretanto, a implementação prática dessas diretrizes depende de ações concretas que considerem a inclusão das comunidades locais no planejamento e na gestão. É necessário, por exemplo, fortalecer a aplicação da função social da propriedade e da cidade, a primeira prevista nos arts. 5º, XXIII e 170, III e a segundo no artigo 182, caput da Constituição Federal de 1988, de modo a tentar assegurando assim que o turismo não se transforme em uma força excludente.


A gentrificação [1] é vinculada à análise crítica de gestão do território, na qual a alteração implementada na estrutura local, com benfeitorias públicas e privadas, acarreta valorização econômica e elevação do custo de vida e/ou dos meios de exercício da vida cotidiana no local, desencadeando afastamento ou deslocamento de coletividades com menor potencial aquisitivo. A turistificação ligada à gentrificação se processa de forma similar, e acaba potencializando ainda mais esse processo.

A fixação de redutos turísticos em gentrificação representa em seu fator crítico a criação de ilhas de segurança, regularidade, bem-estar e alta rotatividade econômica. Em favor do exercício turístico, forja-se um perímetro imaginário (e com implementação de atuação estatal impositiva) no qual fatores como saúde, educação, segurança pública e organização do território se mostram específicos e, por vezes, antagônicos a outros locais existentes no município, região ou estado.

O cenário não é novo no Brasil, antes pelo contrário. Locais turísticos contam geralmente com policiamento próprio e circunscrito, planejamentos reativos em relação a demandas por saúde, gestão diferenciada em relação à educação, estabelecimentos comerciais e mesmo em relação à aplicação das normas urbanísticas pertinentes tanto ao código municipal de posturas urbanas quanto à regulação do direito de construir e às condições do patrimônio público. Apesar de não ser nova, a questão ganha articulação a partir dos conflitos sobre turismo ocorridos principalmente nos países europeus.

Turistificação apresenta desafios específicos no Brasil

Em locais como Fernando de Noronha ou Jericoacoara, que abrangem Unidades de Conservação [2], o turismo em larga escala ameaça a integridade ambiental e cultural, transformando territórios em “ilhas de privilégio” voltadas exclusivamente ao visitante mais rico, com custos elevados para as comunidades locais. Essa segregação socioespacial eleva os custos de alimentação e de moradia, dificultando o acesso de moradores originais a recursos básicos, podendo chegar até a “expulsá-los” do lugar. A ironia é que muitas vezes foi exatamente essas pessoas mais humildes, que a depender do caso podem se enquadrar como população tradicional, que contribuíram para a manutenção dos atributos naturais que hoje geram o adensamento e a pressão turística.



Spacca



De fato, no Brasil houve uma naturalização do fenômeno da turistificação ligada à gentrificação, não somente em relação aos mecanismos de exclusão, mas sim em relação aos mecanismos de geração de territórios diversos no espaço de vida que se sujeitam a diferentes regras de atendimento e atenção tanto em esfera pública quanto em esfera privada. É como se houvesse uma cidadania de classe especial quando fatos ou ocorrências se passem em espaços turísticos privilegiados.

Se a crise do turismo na Europa passa pela resistência ou recusa dos moradores locais em ter em seu território o turismo excessivo, e por vezes predatório, que afeta seu modus vivendi, no Brasil a crise que se desenha e se infla de forma oculta todos os dias diz respeito às ilhas turísticas em território nacional. Nesses locais, há uma órbita de serviços públicos e privados que constroem verdadeira fração de cidadania especial no espaço urbano. Os níveis de gentrificação ganham novos patamares de revolta potencial.


Isso não significa, evidentemente, privar a estrutura turística de serviços públicos e privados que lhe tornem atrativa para os visitantes. Ao inverso, não se desconhece o valor da movimentação econômica e socioeconômica ligada ao turismo. O ponto é justamente a necessidade de uma gestão de política pública eficaz e planejada para que o ilhamento já existente não venha a desaguar em crises que prejudiquem a sociedade de foram geral, e até o próprio turismo. Alinham-se o meio ambiente cultural e as normas urbanísticas, considerando a função social da propriedade, como destaca Norma Sueli Padilha [3].

Se a Europa não foi capaz de antever e gerir a crise de fatores ligados ao turismo, não pode o Brasil percorrer o mesmo caminho de negação de crise futura, e já até presente em alguns casos, sob o risco de comprometimento da própria Política Nacional de Turismo. Antever e gerir fatores de crise é o melhor caminho para evitar que eles ocorram, ou ao menos reduzir sua gravosidade. No caso brasileiro, a gestão demanda atuação de forma a reduzir as disparidades de serviços públicos e atividades privadas nas áreas turísticas em relação às áreas externas ao perímetro territorial marcado como espaço protegido da atividade turística. Sem uma efetiva gestão ambiental e territorial [4], não apenas se inviabiliza a sustentabilidade, mas se alicerçam fatores de injustiça ambiental e crises de legitimidade das estruturas econômico-sociais.


O Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001) exige que o uso do solo urbano respeite a inclusão social e ambiental, e obviamente turismo deve trabalhar em prol disso – e não o contrário. Não se pode esquecer que o artigo 2º, IX dessa lei dispõe que a política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade mediante a “justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do processo de urbanização”. A cidade e a cidadania não podem ser seletivas, criando circuitos segregados ou grandes assimetrias no acesso a direitos e a serviços públicos. O artigo 180 da Constituição, ao dispor que “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios promoverão e incentivarão o turismo como fator de desenvolvimento social e econômico”, não pode deixar de levar em conta as políticas ambiental e urbana, nem se esquecer de que a redução das desigualdades regionais e sociais é um princípio da ordem econômica também previsto em seu artigo 170, VI, sendo ainda um dos objetivos fundamentais da República previsto no artigo 1º, III.


A inclusão de princípios ESG no setor turístico é fundamental. Empreendimentos turísticos podem adotar práticas de governança que evitem e/ou mitiguem impactos ambientais negativos e promovam a equidade social. Exemplos como o de Bonito, que controla o fluxo turístico para proteger seus recursos naturais, demonstram que é possível alinhar turismo e sustentabilidade. Como ensina a fábula, não se pode “matar a galinha dos ovos de ouro”, pois a turistificação com o passar dos anos poderá diminuir o próprio interesse turístico pelo lugar [5]. O próprio Plano Nacional de Turismo 2024-2027 já prevê diretrizes de sustentabilidade e inclusão comunitária.

Além disso, a justiça ambiental deve orientar as políticas públicas voltadas ao turismo. Isso significa assegurar que comunidades locais tenham acesso equitativo aos benefícios gerados pela atividade, incluindo melhorias em infraestrutura e educação. Sem essas medidas, o turismo no Brasil corre o risco de replicar as crises observadas em destinos como Barcelona ou Veneza, onde o turismo descontrolado resultou em resistência e protestos por parte da população local. Deve ocorrer a efetiva inserção tanto do capital quanto do mercado de trabalho nas comunidades adjacentes. Essa previsão constou de forma expressa na recente Lei 14.978/2024, que conferiu nova redação ao artigo 5º, incisos VI e IX.


O envolvimento e a participação das comunidades beneficiadas pela atividade econômica do turismo demandam uma efetiva aplicação de recursos que possibilite a percepção (realística) de que a atividade está a contribuir para sua melhoria de qualidade de vida e valorização de sua identidade cultural. A percepção de estigmatização ou de ilhamento de benesses turísticas na gentrificação é uma latente causa de conflito. Relegar a segundo plano essa dimensão de risco de colapso estrutural das ilhas turísticas, ignorando a turistificação em gentrificação, poderá levar a crises similares, embora diversas, das hoje vivenciadas na Europa.

Como o turismo no Brasil é uma indústria mais nova e menor, não se pode e não se deve repetir a trilha europeia da omissão. Como o turismo está se tornando uma força de fragmentação urbana em alguns lugares, é preciso que as políticas públicas tratem do assunto com seriedade e de forma interdisciplinar, pois o desafio não é apenas regular, mas garantir justiça espacial. Esse tema também deverá estar à mesa das instituições integrantes do Sistema Jurídico, especialmente por meio de uma atuação preventiva do Ministério Público e da Defensoria Pública, uma vez que a turistificação não pode ficar invisível ao Direito.

-==-=-

[1] Neil Smith aponta o seguinte como como diagnóstico do processo de desenvolvimento urbano que contribui para a gentrificação e as suas implicações econômicas: i) a suburbanização e o aparecimento de um diferencial em termos de renda, ii) a desindustrialização das economias capitalistas avançadas e o crescimento do emprego no setor de serviços, iii) a centralização espacial e simultânea descentralização do capital – a queda na taxa de lucro e os movimentos cíclicos do capital e iv) as mudanças demográficas e nos padrões de consumo (SMITH, Neil. Gentrificação, fronteira e a reestruturação do espaço urbano. GEOUSP – Espaço e tempo, São Paulo, n. 22, p. 15- 31, 2007, p. 21-22).

[2] De acordo com o art. 2º, I do Sistema Nacional da Unidades de Conservação da Natureza (Lei 9.985/2022), unidade de conservação é o “espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção”.


[3] Padilha, Norma Sueli. Fundamentos constitucionais do Direito Ambiental Brasileiro. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010, p. 414.

[4] Seiffert, Mari Elizabete Bernardini. Gestão ambiental: instrumentos, esferas de ação e educação ambiental. São Paulo: Atlas, 2014.

[5] A respeito do assunto, Álvaro Ferreira pontua o seguinte: “O caminho da turistificação é ele mesmo paradoxal; esclareço: ao tornar-se objeto do turismo de massa, a cidade tornou-se ela mesma uma mercadoria. Já deixamos claro anteriormente, em outras publicações, o conceito de mercadificação do espaço, é a partir desse sentido que afirmamos que as cidades são mercadificadas. Seguindo essa racionalidade, os empreendedores procuram “vender” as cidades, e para isso acabam copiando aquilo que “deu certo” em outros lugares. Com isso, vivenciamos uma homogeneização das paisagens turísticas das cidades, o que se mostra um paradoxo, visto que isso acaba por destruir as especificidades dos lugares; ou seja, aquilo que era o motivo da atração dos turistas – o diferente – acaba sendo transformado e homogeneizado. De alguma forma, trata-se daquilo que denominei banalização do espaço9, ou em outras palavras, na produção de uma espécie de urbanização banalizada” (A gentrificação não é um efeito colateral: complexificando o conceito para revelar objetivos escusos. Ateliê Geográfico – Goiânia/GO, v. 15, n. 1, abr/2021, p. 91-92).
  • é pós-doutor em Direito pela Universidade de Santiago de Compostela e doutor e mestre em Direito pela PUC-Rio, procurador federal e coordenador nacional de Assuntos Estratégicos e Responsabilidade Civil — PFE-Ibama e professor de Direito Ambiental da Faculdade Dom Helder Câmara e da Escola da AGU.

  • é pós-doutor e doutor em Direito da Cidade pela Uerj com doutorado sanduíche junto à Universidade de Paris 1 — Pantheón-Sorbonne, advogado e professor de Direito Ambiental da UFPB e da UFPE, membro do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e vice-presidente da União Brasileira da Advocacia Ambiental (UBAA).


  • https://www.conjur.com.br/2025-abr-19/turistificacao-uma-face-da-gentrificacao-e-a-lei-de-turismo/

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O VELHO TAROCO e seu complexo de deus


Com suas leituras bíblicas, Trump está reforçando seu complexo de Deus. De alguma forma, os cristãos evangélicos estão acreditando nisso.

O presidente dos EUA está fazendo um apelo desesperado ao único grupo que aparentemente ainda não o abandonou – até agora.
Qui 23 Abr 2026 09:00 BST


Ele perdeu o apoio dos católicos , dos isolacionistas em política externa e dos milhões de pessoas afetadas pelas operações de imigração do ICE. Mas Donald Trump ainda conta com a boa vontade de um poderoso grupo de eleitores americanos, a quem apelou esta semana lendo uma passagem da Bíblia que exorta as pessoas a se arrependerem de seus "maus caminhos". Muitas reflexões vêm à mente a respeito disso, mas a principal pergunta é: os cristãos evangélicos dos EUA, que apoiam Trump em sua grande maioria, têm um limite intransponível e, se sim, conseguem apoiá-lo incondicionalmente?

Estou dizendo o óbvio, mas vale a pena repetir, nem que seja para nos deixar perplexos com a desfaçatez de uma comunidade religiosa que se aliou a Trump: como é que os evangélicos chegam a essa conclusão? 

Vamos relembrar os fatos: o presidente que nos brindou com um trecho do Antigo Testamento como parte de uma semana inteira de leitura pública e contínua da Bíblia, de Gênesis a Apocalipse – alguém se lembra da separação entre Igreja e Estado? – é o mesmo presidente que, em diversas ocasiões, foi considerado culpado pelos tribunais por falsificar documentos comerciais , como parte de um esquema de suborno à atriz pornô Stormy Daniels, e por abusar sexualmente e difamar E. Jean Carroll. Como o presidente declarou diante das câmeras no Salão Oval na terça-feira: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”

Essa passagem específica é de 2 Crônicas 7:14 e, segundo relatos, foi escolhida para Trump – cuja familiaridade com o texto, devemos presumir, é superficial – pelos organizadores, que reconheceram sua popularidade entre os cristãos como um chamado à ação tanto política quanto espiritual. Podemos também presumir que o presidente aprovou a seleção dentre uma lista restrita de opções, e o que eu adoro nessa escolha é que ela vem logo após seu outro envolvimento recente com o cristianismo, de uma forma que me parece muito com uma reafirmação de sua fé. É bem a cara dele, não é? Dez dias depois de compartilhar uma imagem gerada por inteligência artificial na qual Trump aparecia como uma figura semelhante a Jesus curando os enfermos , aqui está ele lendo uma passagem bíblica que envolve assumir a narração da palavra de Deus em primeira pessoa. (Em contraste, outros participantes, por exemplo, a atriz Candace Cameron Bure , leram passagens do tipo "então o Senhor diz" de Gênesis.)

Obviamente, ficar em segundo plano em relação a outra autoridade não é o estilo de Trump, e aguardamos ansiosamente para ver se seus coparticipantes na manobra, incluindo o senador Ted Cruz, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o governador do Texas, Greg Abbott, receberam permissão semelhante para usar a palavra de Deus em primeira pessoa ou se serão relegados ao papel de meros mensageiros.

O que me interessa mais é como essa performance de Trump será recebida pelo público-alvo. Já sabemos que, entre os cristãos americanos, os católicos estão demonstrando certa hesitação em relação a Trump, o que deveria preocupá-lo. Os católicos são eleitores indecisos que, por uma pequena margem, apoiaram Biden em vez de Trump em 2020 e, em uma pesquisa recente, parecem estar se afastando dele, com o apoio caindo para menos de 50%.

Os evangélicos, por outro lado, não têm um líder moral com a autoridade do papa para guiá-los. Eles são muito mais solidamente e implacavelmente pró-Trump, principalmente porque ele impôs sua agenda de restringir o direito ao aborto, garantindo uma maioria de direita na Suprema Corte . Eles também parecem ser mais organizados politicamente nos EUA. A organizadora do evento "America Reads the Bible" é uma pessoa chamada Bunni Pounds, e você pode tirar disso o pouco prazer passageiro que conseguir. Pounds foi rotulada de "visionária" pela Fox News e, além de dirigir a organização Christians Engaged, que organizou o evento, dirige também a Family Policy Alliance, um grupo de lobby que promove exatamente o tipo de política que você imagina.

Segundo a organização de Pounds, o objetivo do projeto "America Reads the Bible" é incentivar um "retorno ao fundamento espiritual que moldou nosso país". Uma missão que, você pode imaginar, seria melhor alcançada se o país não iniciasse uma guerra desnecessária, deportasse cidadãos americanos ou cancelasse a ajuda externa, causando a morte de cerca de 600 mil pessoas em todo o mundo. Por outro lado, se um criminoso condenado lendo uma passagem da Bíblia faz você se sentir mais próximo de Deus, então só posso desejar-lhe boa sorte.

Fonte: THE GUARDIAN

‘Requintes de tortura’: por negligência do Estado, um preso morre a cada 19 horas em São Paulo









Em celas superlotadas, presos acumulam lixo, pertences pessoais e itens de higiene | Crédito: Condepe


Em um período de oito anos, entre janeiro de 2015 e março de 2023, 4.189 pessoas morreram dentro do sistema carcerário do estado de São Paulo, uma média de 523 mortes por ano. Isso significa que um preso vai a óbito a cada 19 horas dentro das penitenciárias paulistas.





Em 2017 e 2021, durante as gestões dos ex-governadores Geraldo Alckmin e Rodrigo Garcia, 532 pessoas morreram dentro do sistema carcerário. São os anos com o maior número de registros de óbitos.

Os dados foram apresentados na manhã desta quarta-feira (22) pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Núcleo Especializado de Situação Carcerária (NEC) da Defensoria Pública e o Conselho da Comunidade Comarca de São Paulo.
Presidente do Condepe, Adilson Santiago entrevista população carcerária em São Paulo | Crédito: Foto: Condepe

Para o presidente do Condepe, Adilson Santiago, “o sistema prisional em São Paulo leva as pessoas ao adoecimento”. “Dentro das penitenciárias, vimos problemas como sarna, percevejo, escorpião, tuberculose, doença que já não existe fora das prisões.”



“Sem medo de dizer, vimos requintes de tortura. Vimos celas de isolamento, com pessoas doentes dentro, em situação de morte. Então, a situação hoje é de um sistema colapsado. Isso acontece por ausência de gestão e vontade, porque recurso tem, mas não é empenhado porque não há interesse em se discutir. O sistema penitenciário é o patinho feio dos direitos humanos”, afirmou Santiago.



“O estado de São Paulo não responde, mas quando responde, parece uma nota pronta. O que vemos é que São Paulo investe R$ 1,08 por preso, na área da Saúde. Não tem médico, não tem receita para suplementos simples, que garantam remédio para dor de cabeça do preso que está na unidade”, finalizou o presidente do Condepe.

O relatório apresentado pelas entidades revela que, entre 2015 e 2023, 22.814 atendimentos de saúde não foram realizados por falta de escolta policial para a locomoção dos presos às unidades de saúde.

Ainda de acordo com o documento, entre as necessidades não atendidas estão: consultas especializadas, cirurgias, atendimentos de urgência e exames de diagnóstico.
Outro lado

Via nota, a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo (SAP) respondeu ao Brasil de Fato.


A Secretaria da Administração Penitenciária informa que mantém as condições de higiene e segurança nas unidades prisionais e que todas passam por procedimentos de dedetização e desratização periodicamente. Além disso, 162 estabelecimentos penais foram premiados pela Divisão de Tuberculose do Estado de São Paulo por atingir as metas estabelecidas na Campanha de Intensificação da Busca Ativa de Tuberculose, realizada em 2025.

Os presídios paulistas contam com equipes de saúde, próprias da secretaria ou que atendem por meio de pactuação com o município, além de atendimento médico online disponíveis a todos os privados de liberdade. Em casos de emergência ou tratamento com especialistas, os reeducandos são encaminhados para hospitais de referência no Sistema único de Saúde (SUS).


segunda-feira, 20 de abril de 2026

Decepcionante...

 ...a postura do governo brasileiro, ao permitir que os ianques abocanhassem a única mina de terras raras do Brasil. 

Desconfio que daquele encontro entre Lula e Trump, quando este asseverou que os dois "tiveram uma ótima conversa", a negociata envolvendo as terras raras esteve em pauta. 

terça-feira, 14 de abril de 2026

A origem da quizila é antiquíssima

A bronca entre os judeus e os Persas (iranianos, hoje), segundo o "livro sagrado" dos cristãos, remonta aos tempos de Ester, que casou com um rei persa, escondendo, por sugestão de Mordecai, sua ascendência hebreia.

Consta que um influente persa, ligado ao rei de então, tinha ogeriza aos hebreus, porque o orgulhoso Mordecai (ou Mardoqueu) rebelou-se e resistiu à ordem de ajoelhar-se  perante o imperador. Tal admnistrador persa teria sido Hamã, que determinou a eliminação dos "cães raivosos" (essa é de Lutero, já no século XVI) judeus.

Tendo os judeus descoberto o plano de eliminá-los, adiantaram-se e mataram 75 mil inimigos e Ester conseguiu que Hamã caísse em desgraça, tendo sido enforcado, junto com seus filhos, na forca que ele próprio mandara construir.

Até hoje os judeus celebram a derrota infligida aos adversários, com um dia festivo conhecido como Purim.

Purim (פּוּרִים, plural de פּוּר pûr, "sorteio" em hebraico, do acadiano pūru)[1] é uma festa judaica que comemora a salvação dos judeus persas do plano de Hamã, para exterminá-los, no antigo Império Aquemênida tal como está escrito no Livro de Ester, um dos livros do Tanach.[2] Os judeus estavam exilados na Babilônia, desde a destruição do Templo de Salomão pelos babilônios e da dispersão do Reino de Judá. A Babilônia, por sua vez, foi conquistada pela Pérsia. A festa de Purim é caracterizada pela recitação pública do Livro de Ester por duas vezes, distribuição de comida e dinheiro aos pobres, presentes e consumo de vinho durante refeição de celebração (Ester 9:22); outros costumes incluem o uso de máscaras e fantasias e comemoração pública.

Wikipedia

quinta-feira, 9 de abril de 2026

SC: PM executa jovens e adolescentes rendidos em operações coordenadas em Florianópolis

Segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina (SSP/SC), pelo menos 32 pessoas já foram mortas pela PM durante as operações, considerando apenas dados de janeiro e fevereiro.

Policiais escondem o rosto com balaclava em frente à casa em que adolescente foi morto com tiros de fuzil. Foto: Reprodução

No dia 28 de março, sábado, o jovem Gustavo, morador da comunidade do Siri, localizado no bairro Ingleses (norte de Florianópolis), foi executado pela polícia. Segundo uma moradora, o jovem já havia se rendido quando a polícia resolveu executá-lo. Gustavo participava de uma festa de aniversário quando a viatura da PM chegou na comunidade, o que causou dispersão e correria durante a comemoração. O jovem carregava apenas seu celular, mas a PM afirma ter apreendido uma pistola durante a ação. 

Os moradores denunciaram a selvageria perpetrada pela PM que, segundo imagens que circulam nas redes digitais, disparou tiros em locais com crianças, invadiram casas e impediram a mãe do jovem de reconhecer o corpo enquanto o mesmo agonizava. Moradores denunciaram também que o pronto socorro demorou mais de 1h para chegar ao local, o que contribuiu para a morte de Gustavo.

Segundo a imprensa Ponte Jornalismo, uma pessoa próxima à família do jovem afirmou que ele havia sido ameaçado de morte pela PM dias antes.

No dia seguinte, dia 29, Adonai Quevedo Toledo também foi executado pela PM no município de Palhoça, próximo à Florianópolis. A PM e a imprensa reacionária alegam ter havido confronto, mas os familiares provaram através do laudo de perícia que a arma plantada pela PM não pertencia ao jovem. Adonai era natural de Porto Alegre e se mudou para a Palhoça com o objetivo de alavancar sua carreira no funk. Ele deixou uma filha de quatro anos, mãe, pai e irmãos que ele pretendia levar para sua cidade assim que estivesse estável na música. Os familiares denunciam a PM e a imprensa lixo clamando por justiça.

Já no dia 31, terça-feira, o jovem Walysson Emanuel Costa Alves de apenas 16 anos foi assassinado no bairro Serrinha, em Florianópolis, durante abordagem violenta da PM. A PM alegou haver confronto, mas a comunidade desmente a versão afirmando que o jovem estava desarmado.

PM assassina sete pessoas em apenas cinco dias

O assassinato do jovem Gustavo, Adonai e Walysson fez parte de um conjunto de operações coordenadas realizadas pela PM de Santa Catarina em diferentes municípios entre o dia 27 e 31 de março sob a justificativa de combate ao tráfico. As operações resultaram na execução de pelo menos sete pessoas em apenas cinco dias.

Duas semanas antes, no dia 12 de março, outro homem foi executado pela PM na comunidade Chico Mendes, localizada na área continental de Florianópolis.

Abordagens violentas realizadas pela PM em comunidades de Florianópolis nos últimos dois meses. Fotos: Reprodução


Na comunidade do Morro do Mocotó, onde foi assassinado o jovem Hudson,  os moradores no dia 27 de março e denunciaram recorrentes rondas de intimidação, espancamentos e invasão de residências por parte da PM que vem buscando estabelecer um verdadeiro estado de terror contra os moradores.

PM disparando tiros de fuzil em frente ao Morro do Mocotó no dia 27 de março. Fotos: Reprodução/redes sociais.

Segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina (SSP/SC), pelo menos 32 pessoas já foram mortas pela PM durante as operações, considerando apenas dados de janeiro e fevereiro. Com as mortes das últimas operações, o número deve subir para pelo menos 40 execuções.

A chamada “guerra às drogas” ou ao “crime organizado” é, desde sempre e como tem insistentemente afirmado esta imprensa, um álibi utilizado pelo Velho Estado e suas forças terroristas de repressão para assassinar as massas populares e os jovens pobres, verdadeiros riscos para a ordem dominante.

Conforme matéria veiculada no portal de AND no dia 20 de março e em fatos amplamente veiculados no próprio monopólio de imprensa, a mesma Polícia Militar que assassina jovens pobres nas comunidades, responde por inúmeros casos, em diferentes partes do País, por ter acordos com facções criminosas e participar de esquemas e negócios de comércio de armas de fogo e drogas.

PR: 13 policiais acusados pelo roubo de mais de 700 quilos de cocaína e crack – A Nova Democracia
Os três roubos totalizaram mais de 700 quilos de crack e cocaína. Entre os policiais, estão três do Batalhão de Rondas Ostensivas de Natureza Especial (RONE) e um delegado.

https://anovademocracia.com.br/sc-pm-executa-jovens-e-adolescentes-rendidos-em-operacoes-coordenadas-em-florianopolis/

CASO DO BANCO MASTER EVIDENCIA O EXAGERO DOS GANHOS DO SETOR FINANCEIRO

As notícias que estão aflorando sobre a atuação de Vorcaro e seu banco estão a demonstrar, à saciedade, o exagero dos lucros auferidos, a ponto do rentista distribuir dinheiro e benefícios os mais variados, a rodo, para lobistas, juristas e outros corruptos. 

Não é por incapacidade política que se deixa de dar combate a juros de cartões de crédito (por exemplo) que ultrapassam 400% ao ano.

Estamos sob o tacão dos financistas há muito tempo e a ganância deles só aumenta, contando com a tolerância do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

No jargão popular, "um bando de vendidos". O rol dos trambiqueiros que se submetem aos caprichos e interesses desses vampiros rentistas é inesgotável. De presidentes da República, Ministros do STF, presidentes das casas legislativas pra baixo, muitos rendem-se à força do dinheiro sujo da camarilha endinheirada .

Para quem lucra exorbitantemente, fica fácil comprar esses imundos que povoam a nossa política e a magistratura. Inevitável cogitar: se Vorcaro comprava gente das mais altas esferas do Executivo, Legislativo e Judiciário, que se pode pensar do que deve ter ocorrido nas instâncias inferiores?

Já estou vendo gente cogitar - com boa dose de razão, aliás - de pena de morte para conter a corrupção. 

Dentro em breve, afirmar-se-á: "até prova em contrário, todas as autoridades são corruptas", invertendo-se o princípio da "presunção de inocência". 



sexta-feira, 6 de março de 2026

BUCHA DE CANHÃO - Os curdos e o jogo sujo sionista

Enganados pelos EUA no passado, curdos podem ser usados novamente para fragmentar e enfraquecer Irã, dizem analistas

Maior nação sem Estado do mundo tem histórico de ser traída por promessas de terem seu próprio país

6.mar.2026 - 13:21
São Paulo (SP)
Rodrigo Durão Coelho


Curdos cruzam a fronteira Irã e Iraque | Crédito: Safin HAMID / AFP)

Tanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como lideranças curdas admitem estarem em contato para uma possível entrada do grupo nos ataques contra o governo central do Irã. Analistas ouvidos pela reportagem do Brasil de Fato apontam que a estratégia visa, além da derrubada do regime de Teerã, estimular divisões internas e, consequentemente, enfraquecer o país.

Os curdos correspondem a cerca de 10% da população de 90 milhões de pessoas no Irã e se localizam na montanhosa região fronteiriça com o Iraque. De etnia própria — são sunitas ao contrário dos xiitas persas que dominam o Irã —, são considerados a maior nação sem Estado do mundo, espalhados também por partes de Turquia, Síria e Iraque.

Os curdos têm tradição de conflitos com os governos desses países, em busca de autonomia e um histórico de serem manipulados e posteriormente abandonados pelos EUA e o Ocidente.

“Não digo que esses grupos são capazes de fazer frente ao Exército iraniano mas podem impor dificuldades e, quem sabe, criar uma zona tampão que pode ser porta de entrada aos americanos e israelenses”, disse Mohammed Nadir ao Bdf.

O analista do Observatório da Política Externa Brasileira (Opeb) afirma que as promessas ocidentais de um país para si — ou ao menos um grau razoável de autonomia — costuma seduzir os curdos.

“Eles são infiltrados por serviços de inteligência ocidentais que vão incutindo nele a ideia de separação para desestabilizar países do oriente médio. São usados mas continuam acreditando nos planos do ocidente que sabemos tem pouca empatia não apenas aos curdos mas a toda população do Oriente Médio”, afirma Nadir.

Sempre o mesmo truque

A história das relações entre os EUA e os curdos ao longo do último século tem sido marcada por repetidas e significativas traições. Foram registrados pelo menos sete ou oito casos importantes em que os EUA incentivaram a resistência curda apenas para depois retirar o apoio, deixando-a vulnerável a ataques de potências regionais.
Esses eventos geralmente ocorrem quando os interesses estratégicos dos EUA mudam, levando à priorização de alianças com a Turquia, o Iraque ou o Irã em detrimento das aspirações curdas por autonomia.
Alguns dos principais exemplos de “traição” ou abandono dos EUA incluem:Após a Primeira Guerra Mundial, o Tratado de Sèvres de 1920 prometeu um estado curdo, mas em 1923, os EUA e potências aliadas apoiaram o Tratado de Lausanne que redesenhou as fronteiras para favorecer a nova República Turca, ignorando as promessas aos curdos.Entre 1970 e 75, os EUA armaram rebeldes curdos no Iraque para enfraquecer Saddam Hussein. No entanto, após o Irã e o Iraque assinarem o Acordo de Argel em 1975, os EUA cortaram imediatamente a ajuda, deixando os curdos à própria sorte, sendo esmagados pelo governo iraquiano.Na Guerra do Golfo de 1991, o presidente dos EUA George H.W. Bush incentivou os iraquianos, incluindo os curdos, a se rebelarem contra Saddam Hussein. Quando isso aconteceu, os EUA permaneceram inertes enquanto as forças iraquianas esmagavam a revolta, resultando em um grande número de vítimas.

Referendo do Curdistão Iraquiano de 2017: Depois que os curdos atuaram como um parceiro fundamental contra o ISIS, os EUA se opuseram ao referendo de independência curda de 2017 e apoiaram a subsequente repressão do governo iraquiano, que forçou os curdos a saírem de territórios disputados, ricos em petróleo, como Kirkuk.

Ofensiva de Afrin em 2018: Os EUA permitiram que a Turquia lançasse uma operação militar para tomar o enclave de Afrin, controlado pelos curdos, na Síria, deixando de proteger seus aliados curdos sírios.

Retirada do norte da Síria em 2019: A decisão de Trump de retirar tropas da fronteira turca possibilitou uma invasão turca contra as Forças Democráticas da Síria (SDF), que os EUA haviam acabado de armar fortemente e nas quais confiavam para derrotar o califado do Estado Islâmico.
Conflito atual

Desde que Estados Unidos e Israel mataram, no último sábado, o líder supremo da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei, Teerã tem lançado projéteis contra grupos armados curdos iranianos em uma região montanhosa do norte do Iraque, perto da fronteira com o Irã, onde se refugiam facções contrárias à estrutura teocrática imposta em 1979, após a revolução que depôs o xá Mohammad Reza Pahlavi.

“Dada a direção que as operações estão tomando no Irã, Estados Unidos e Israel vão precisar de presença armada no terreno, partindo da base de que não têm a intenção de enviar tropas próprias”, afirma Mohammed Salih, pesquisador do Foreign Policy Research Institute, nos Estados Unidos à AFP.
Analistas apontam que os combatentes curdos podem desempenhar, em maior ou menor medida, o papel de apoio que a Aliança do Norte teve em 2001 contra os talibãs no Afeganistão para criar uma zona segura de onde operem as forças especiais estadunidenses.

“O interessante na lógica de reflexão do governo (Trump) é usar os curdos como uma oposição armada a fim de questionar suficientemente o poder estabelecido para criar um efeito cascata que leve as pessoas a voltar às ruas e se manifestar”, afirmou Stefano Ritondale, encarregado da Artorias, empresa especializada em análises de inteligência.

Dias antes do início dos ataques militares de Estados Unidos e Israel, cinco grupos curdos anunciaram a formação de uma coalizão destinada a derrubar a estrutura da república islâmica, mas também a alcançar a “autodeterminação curda”.
Vai ter país?

O professor de Relações Internacionais da PUC SP Rodrigo Amaral disse ao Brasil de Fato considerar pequenas as chances de criação de um Curdistão reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU).

“Acho difícil porque não existe um projeto hegemônico e homogêneo curdo. Isso é, de certa forma, uma visão até racista que nós temos aqui do Ocidente”, analisa ele, que esta semana havia participado também em O Estrangeiro, videocast de política internacional do BdF.

“Suas próprias sociedades foram se moldando, se adaptando aos seus contextos, estabelecendo suas próprias lutas. Não havendo unidade, a chance de criação de um projeto unificado curdo é muito distante. Talvez até muito mais um uma utopia ocidental do que propriamente um desejo curdo”, pontua.

Dos cerca de 40 milhões de curdos espalhados pela região, a porção no Irã é a menor e não conta com a abundância de petróleo encontrada em áreas curdas de outros países.

Mohamed Nadir ressalta que “ainda é cedo para se pronunciar sobre o futuro de um Curdistão iraniano, tudo depende do desenrolar da guerra”.

“Se o Irã consegue resistir perante os ataques mortíferos dos EUA e Israel, a chance seria nula. Mas caso vier o regime a cair, o Curdistão do Irã pode vir a ganhar uma espécie de autonomia como o Curdistão do Iraque, em um formato federal.”

“Vamos ter uma visão mais clara dentro de quatro ou cinco semanas. Atualmente, Trump tem carta branca para continuar a guerra que sabemos vai ser custeada pelos países do golfo como sempre foi.”

quinta-feira, 5 de março de 2026

LOUCURA MODERNA, MAS NEM TANTO

Presentemente não é raro encontrarmos pessoas que adoram animais. Isto remete a Sócrates, o famoso filósofo grego que considerava loucos aqueles que adoram pedras, bocados de madeira que encontram e animais, cfe XENOFONTE  -  As memoráveis.

Pior do que adorar animais, todavia, parece-me adorar ídolos ou mitos humanos, como está (ou esteve) em moda no Brasil, bem recentemente. A ausência de sensatez, em quem idolatra políticos, sabidamente cheios de repugnantes defeitos, é mais do que óbvia. Chega a ser gritante, escandalosa, verdadeira insanidade.