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Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

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domingo, 20 de setembro de 2009

Nativista sim, separatista não!



Nesta manhã, ao retornar de uma pequena cavalgada ao topo do morro que separa o distrito de Ratones (interior da Ilha de SC) da Costa da Lagoa, paisagem que não me canso de apreciar e que já reproduzi em fotografias neste blog, liguei a TV e, pela parabólica, no 11, dei de cara com um programa intitulado "Raízes do Sul", apresentado com elegância e sobriedade invejáveis pelo competente Gabriel Moraes, portador de sólida cultura. Estava no momento em que um historiador discorria brilhantemente sobre eventos e personagens daquele movimento nativista intitulado Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, que alguns atacam com a tese de que teria sido comandado por estancieiros, em defesa dos próprios interesses, voltados para a produção e comercialização do charque, que vinha sendo prejudicado pela política imperial, que fomentava a concorrência do charque nacional com o vindo do estangeiro.

Para quem como eu, gosta muito de história e nutre simpatias e respeito pela participação decisiva da Maçonaria nos momentos mais significativos do nosso e de outros povos de todo o mundo, foi muito gratificante ver a confirmação de que o brioso povo do Rio Grande do sul não permitirá que sejam esquecidos os atos de heroísmo de figuras como os líderes Bento Gonçalves, General Netto, Onofre Pires, Lucas de Oliveira, Vicente da Fontoura, Pedro Boticário, Davi Canabarro, Vicente Ferrer de Almeida, José Mariano de Mattos, além de perpetuar sua gratidão aos que emprestaram inspiração ideológica ao movimento, notadamente os italianos carbonários refugiados, como o cientista Tito Lívio Zambeccari e o jornalista Luigi Rossetti, além de Giuseppe Garibaldi (e sua inseparável Aninha do Bentão, catarinense que ficou mais conhecida como "Anita Garibaldi" - heroína de dois mundos, porquanto participou, com relevo, daí independência da Itália), que embora não pertencesse a carbonária, esteve envolvido em movimentos republicanos na Itália.



Após as lições de história transmitidas pelo historiador inicialmente referido (perdoe-me ele não ter anotado seu nome), apresentaram-se dois músicos da melhor qualidade (Wilson Paim, tocador exímio de violão e cantor afinado) e um acoreonista sensacional tratado singelamente como "Betinho da Gaita", que esgrimia seu instrumento de forma suave e competente, sem "rasgar o fole", mas demonstrando extrema maestria, na medida em que produzia acordes suaves e muito bem elaborados, sem procurar abafar o som e a voz produzidos pelo parceiro, erro tão comum na música moderna (pelo menos assim o dizem os meus ouvidos), onde muitas vezes, até os rústicos tambores são tentados a querer superar outros melodiosos e agradáveis instrumentos.
Pois, dentre as canções interpretadas com aquele sentimento e competência típicos dos que nasceram para a nobre arte da música, ouvi e me deliciei com "Um pito", "Conselhos" e "Quando sopra o minuano", tendo os circunstantes arrematado o programa com o belíssimo hino do RS, de autoria de Francisco Pinto da Fontoura e Joaquim José de Medanha.

Hino do Estado do Rio Grande do Sul



(Peço perdão por não estar identificando o cantante e acompanhantes - Se alguém souber quem são, por favor, comente neste blog)

Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra



Ainda bem que, à medida em que presenciava o aludido programa do Gabriel, a quem cumprimento pela excelência do roteiro e qualidade das matérias e músicas apresentadas, fui anotando os detalhes e, assim, tenho o prazer de recomendar aos meus leitores que visitem os sítios http://www.programa raízesdosul.blogspot.com e http://www.wilson paim.com.br e, no mais, ouçam as músicas mencionadas acima, que achei no fabuloso YouTube:





Antes que eu me esqueça, quero agradecer, com algum atraso, reconheço, àquela que me deu os primeiros empurrões para o conhecimento da cultura gauchesca (Iara Niederauer, de Santa Maria), quando me doou um livro de poesias do fabuloso "pajador" Jayme Caetano Braum intitulado "Potreiro de Guachos", que ainda guardo com muito carinho e releio, periodicamente.
Ele propiciou o meu ingresso no mundo fascinante da linguagem da campanha riograndense. Após sorvê-lo com imensa curiosidade (grande parte dos termos me eram estranhos), passei a ser um ávido consumidor da literatura gaúcha (não só da riograndense, vejam bem) e, assim, a Iara foi a responsável pelo muito que adquiri de conhecimento sobre o seu Estado e países vizinhos, de tradição gaúcha.

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Quando sopra o minuano

José Claudio Machado


Minuano tá soprando, assobiando nesta noite
Troperiando seus fantasmas, troperiando
E as almas vão passando cavalgando redomões
Fantasmas do passado no tropel das tradições

Levanta gaúcho, todos precisam andar
Minuano está chamando e o Rio Grande precisa escutar

Venham comigo voar com o minuano
Na cavalgada destas almas pêlo duro
Neste tropel em que se unem gerações
Onde as velhas tradições dão os rumos do futuro

E o minuano vai correndo doidamente
Que o próprio frio aquece o coração da gente
E o coração todo se abre e se expande
Pra que entre em nosso sangue
O próprio sangue do Rio Grande

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Malandragem escancarada/Banqueiros absolvidos

O art. 37, da Constituição Federal, refere princípios a serem rigorosamente observados pela administração pública, entre eles o da eficiência, da impessoalidade e o da moralidade.
Pois bem: a autoridade que montou o processo (não esquecer que o Judiciário e seus auxiliares também integram a administração pública) contra os banqueiros abaixo referidos, fê-lo de forma (ainda nego-me a crer que proposital) escandalosamente primária e deficiente, dando ensejo à decisão do egrégio STF, que segue comentada.
A denúncia (ofertada pelo Ministério Público) foi considerada inepta, mal feita, obra de fancaria, imprestável serviço de um Procurador, vejam só.
Ao que me parece, não cabe culpa aos julgadores da mais alta corte de Justiça pelo absurdo ora comentado. Mas os banqueiros, com a anulação agora decretada, certamente serão beneficiados, um pouquinho mais à frente, pela prescrição intercorrente.

Aposto que o Procurador incompetente não será processado pela sua incúria e tudo continuará como dantes, no quartel do Abrantes: o Brasil, seguirá sendo uma "colônia de banqueiros", como já nos rotulou um célebre escritor.


Notícias STF
Terça-feira, 25 de Agosto de 2009
2ª Turma do STF anula processo contra acusados de crime contra sistema financeiro nacional

Por unanimidade, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) anulou nesta terça-feira (25) processo criminal aberto contra cinco denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por crime contra o sistema financeiro nacional. A decisão anula o processo desde o oferecimento da denúncia, que foi considerada inepta pelos ministros.

A questão foi analisada por meio de Habeas Corpus (HC 84580) impetrado em favor dos acusados. O entendimento desta tarde confirma decisão liminar do ministro Nelson Jobim, já aposentado. Em setembro de 2004, ele suspendeu o curso da ação penal contra os denunciados por falta de descrição mínima dos supostos atos delituosos que teriam sido cometidos.

Na ocasião, Jobim afirmou que “nos crimes de autoria coletiva, como no caso dos autos, a denúncia deve ao menos indicar qual a relação entre os delitos praticados e as responsabilidades administrativas de cada indiciado”.

Hoje, o ministro Celso de Mello, relator do habeas, disse que em nenhum momento a denúncia faz qualquer distinção entre as atividades de cada um dos acusados. “Limita-se tão-somente a descrevê-los como diretores de instituição financeira e, por isso mesmo, imputa-lhes de forma conjunta a realização das operações descritas na denúncia”, advertiu.

Segundo Mello, “o simples fato de serem diretores do banco não lhes confere poder de mando em todas as áreas da instituição. Os fatos narrados na denúncia foram descritos de modo realmente genérico”, concluiu.

Denúncia

Milto Bardini, Rubens Nunes Tavares, Yves Louis Jacques Lejeune, Oswaldo Daude e Giovanni Lenti foram acusados de, na qualidade de diretores do banco Sudameris, conceder empréstimos ilegais à Sudameris Arrendamento Mercantil S.A. Para tanto, eles teriam se utilizado de interposição fraudulenta de outros bancos – o Fibrabanco e o Banco Bandeirantes S.A. As ilegalidades teriam ocorrido em 1989.

O magistrado federal de primeira instância chegou a rejeitar a denúncia por inépcia, mas o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), sediado em São Paulo, acolheu recurso do Ministério Público e reconsiderou a decisão de primeira instância.

RR/LF

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Sabem desde quando o habeas Corpus agora julgado aguardava julgamento no STF?
Desde julho de 2004

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Invenção do Fusca

Deu no Estadão:

13.09.09

por Luís Felipe Figueiredo, Seção: comentário 12:00:24.

O jornalista e escritor holandês Paul Schilperoord defende, em seu novo livro Ware Verhaal van de Kever (A Verdadeira História do Fusca), uma teoria bastante polêmica: o verdadeiro inventor do Fusca não foi Ferdinand Porsche (pai de Ferry, o criador da Porsche), mas um judeu húngaro chamado Josef Ganz.

DIVULGAÇÃO
Ardie-Ganz chassis
Chassi do protótipo 30 (Ardie-Ganz)

Ganz, que era engenheiro e jornalista, chamava seu invento de "Meu Besouro", segundo o livro. E teve até um protótipo do carrinho fabricado por uma empresa alemã - na foto acima o chassi, produzido pela fábrica alemã de motocicletas Ardie. Mas não conseguiu financiamento para o projeto. Acabou sendo preso pela Gestapo, a polícia secreta nazista. Solto, foi para Suíça, mas se deu mal novamente: teve o projeto roubado.

Após o episódio suíço, as ideias de Ganz teriam ido parar nas mãos de Adolf Hitler, que gostou do que viu. Entusiasmado, Hitler contratou Ferdinand Porsche para, a partir das ideias de Ganz, elaborar o "carro do povo": o volkswagen. E assim nasceu o Fusca. Ganz faleceu em 1967, sem conseguir provar a fraude.

DIVULGAÇÃO
Protótipo W30 do Volkswagen
Ferdinand Porsche e o protótipo W30 do Volkswagen

Um pedaço da história de como Hitler confiscou a ideia do carro popular pode ser lido em www.ganz-volkswagen.org

O livro de Schilperoord será apresentado - com vários outros projetos de Ganz - no circuito de Zandvoort, na Holanda, dia 27. Segundo as informações, estará presente o protótipo original criado por Ganz.

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Comentários:

Comentário de: jose maria vazquez [Visitante]
13.09.09 @ 14:11
A informaçao esta bastante distorcida.

O carro montado pela Ardie e mais um entre centenas de prototipos montados naquela epoca, na europa e no resto do mundo.

Na realidade, o goberno alemao fez uma concorrencia para comprar de um fornecedor um carro popular, com uma especificaçoes bem definidas, carregar uma familia, atingir uma velocidade etc.

Varis fabricantes apresentaram prototipos, NSU, Mercedes e principalmente Zundapp.
A zundapp contratou Ferdinad Porsche em 1931 e na carta de contrato, que se conserva, datada de 1931, ja coloca o nome Volkswagen, carro popupar , como nome generico do proieto.
Os prototipos se fabricaram alias usando as rodass do carro mercades, e um motor de cinco cilindros em estrrele refrigeradoa agua.
este prototipo se conserva e ja e um fusca no mais estrito sentido da palabra...
O preço das ofetas na o agraDOU AO GOBERNO, QUE MONTOU UMA CIDADE VOLKSBURG PARA FABRICAR O CARRO...
dEPOIS O GOVERNO CONTRATOU pORSCHE, QUE USOU O MTOR ZUNDAPP 4 CILINDROS DA k800 ja reformulado pela zundapp para valvulas na cabeça,
alem de que a influencia dos miliotares fez que o carro ficase refrigerado a ar...condenaNDO MILHES DE PESSOAS A GASTAR 30% MAIS DE GASOLINA...pero assim o carro poderia funcionar no deserto e na siberia...fotos do zundapp podem encontrarse no google...
alias zundapp no ano 1984 foi comprada pelo governo chines que trasladou a fabrica completa a Tiang Jang...usando ela durante 10 anos como escola de ingenheiros, operarios e demais...vendendo depois para a Honda.
Por acaso a primeira moto Honda foi copiada da Zundapp DB200 de 1936....fechando o circulo da historia...
Comentário de: PLR [Visitante]
13.09.09 @ 16:23
Hoje é um fato bem documentado que Ferdinand Porsche utilizou sem a devida permissão muitas idéias da tchecoslova Tatra (não confundir com a Tata indiana), que em 1934 lançou o T77, com motor traseiro refrigerado a ar e desenho frontal parecidíssimo ao que foi depois usado pela VW.

Não me surpreenderia nada se essa história aí fosse mesmo verdade, embora tenha um certo "cheiro" de sensacionalismo pra vender livros.
Comentário de: rique [Visitante]
13.09.09 @ 16:26
Estava demorando muito....
Comentário de: Rafael [Visitante]
13.09.09 @ 18:25
A foto que aparece do chassi do tal carro não tem absolutamente nada a ver com o do fusca, essa estória cheira a balela.
Comentário de: PAULo [Visitante]
13.09.09 @ 18:27
Impressionante como os judeus se fazem de vítimas e muitos com pena acabam acreditando nestas histórias sionistas. A mídia sendo judaica sempre dirá coisas boas dos judeus e que eles foram roubados e bla, bla, bla. Os que tem o poderio economico sao os que fabricam as verdades.
Comentário de: Mamede [Visitante] · http://blog.estadao.com.br/blog/jc/?title=o_verdadeiro_inventor_do_fusca&more=1&c=1&tb=1&pb=1
13.09.09 @ 18:53
O verdadeiro inventor do Fusca
Comentário de: Wilson Pereira [Visitante]
13.09.09 @ 21:17
Concordo com a opinião acima do sr. Paulo em numero, genero e grau. A verdade um dia tem que aparecer.
Comentário de: Marcelo [Visitante]
13.09.09 @ 21:48
Ferdinand Porsche foi um engenheiro genial, tornou viável a construção de um mito, que foi o fusca.

Essa balela sensacionalista é um monte de besteira que não deve ser levada a sério. Hoje temos o grupo VW e Porsche produzindo excelentes veículos , que nada tem em comum com o projeto do saudoso Fusca. A engenharia mecânica Alemã é de inquestionável qualidade e superioridade.

Comentário de: Paolo Vitelli [Visitante]
13.09.09 @ 22:18
Todos os carros europeus de epoca tinham motor refrigerado a ar. Por um simples motivo: As casas não tinham garagem e quem podia ter um deixava-o todoo inverno dolado de fora, portanto com algum liquido no motor era certamente congelaria. Na imagem do chassi (de mais um judeu vitima... que saco isso.) não aparece nenhum motor traseiro e as caracteristicas são totalmente diferentes. Se a Kia e hiundai desmontaram e espionaram os europeus nas ultimas decadas para enxertar tecnologia nos seus muito melhores veiculos de hoje e contrataram designers europeus para desenvolver o estilo dos mesmos, só um leigo não acreditaria que a usurpagem de boas infos e ideias tecnicas na epoca não eram usadas por terceiros. esse livro, pode ter certeza, eu não compro. Balela barata.
Comentário de: Antonio [Visitante]
13.09.09 @ 22:49
Os alemães não são mais inteligentes e criativos do que os outros povos, apenas trabalham com mais perpicacia e vontade suas idéias, o mundo já compreendeu isto.

Teatro asqueroso

Há algum tempo temos visto Hugo Chaves (Venezuela), Lula (Brasil), Evo Morales (Bolívia), Rafael (Equador), Álvaro (Colômbia) e outros Presidentes fazendo o asqueroso papel de mandaletes dos capitalistas internacionais, simulando a existência de tensões entre países latino americanos, com os EUA (ao marcar presença na Colômbia, em nome do combate aos traficantes e às FARC) também fazendo de conta que tencionam tomar territórios que não lhes pertencem.
Puro jogo de cena.
A aquisição de armas pelo Brasil e pela Venezuela são um resultado vantajoso, para os ditos capitalistas, decorrente dessa nova Guerra Fria que por aqui se pratica, com a presença, já habitual, dos russos.
As tensões são criadas, para vender armas, também a nível interno, com o estímulo aos chamados movimentos sociais (os sem terra, sem teto, sem governo e sem consciência).
Claro que os fabricantes utilizam-se dos Sarkozy da vida (que parece acreditar numa nova França Antártica) como seus intermediários.
Enquanto o povo preocupa-se em discutir sobre a crise econômica mundial, o golpe de Honduras, o governo de Barack Obama, futebol, a corrupção, o desmatamento da Amazônia, Pré-sal, PAC, Concordata do estado brasileiro com a ICAR, apropriação de valores de fiéis pelo Edir Macedo e sua IURD, violência nas escolas, tufões e outros eventos do tempo, a súcia de vagabundos encastelada no poder político dos países sulamericanos trama descaradamente com os fabricantes de armas e equipamentos militares, contrariando os interesses dos seus próprios povos, comprando armas, desnecessariamente, no afã de encher as burras dos capitalistas e as próprias, pois que, certamente, não deixarão de ser premiados com a devida comissão.
Para comprar armas, é necessário arrancar dinheiro do povo, e dê-lhe aumento de carga tributária, sem que melhore o atendimento da população nos setores essenciais como a saúde, a educação, a habitação, a segurança interna e a própria Justiça.
Enganam esses safados da política somente a quem não enxerga um palmo à frente do próprio nariz. Particularmente, tenho engulhos cada vez que vejo os tiranetes da América latindo um para o outro, como se fossem cães de biga, açulados, mas contidos.
Corja de falsos, imundos, exploradores da inocência das massas, traidores dos interesses das nações, a que se agregou o Presidente do Paraguai, um padreco malandro, que, mesmo sob o compromisso do celibato (uma excrecência, convenhamos) sempre se rodeou de mulheres, como revelam os filhos cuja paternidade lhe atribuem.
Vivemos num mundo de pantomimas, a começar pelas religiões, que propagandeiam ser o elo de ligação entre os seus fiéis e coisa alguma (o delírio Deus), convivendo com a política (cujos integrantes dizem representar o povo mas, no fundo, representam apenas seus próprios interesses e os de grupelhos), de tal forma que estamos em frequente simulação de liberdade religiosa e de democracia.
Só posso sentir um asco permanente diante de tais realidades.

Terá sido mera coincidência o anúncio da descoberta de petróleo do "pré-sal" um pouquinho antes do anúncio de 50 helicópteros, submarinos, aviões, etc...?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ensino religioso

A arrogância das lideranças da Igreja Católica parece mesmo sem limite. Vejam a matéria que segue, extraída do Estadão:

quinta-feira, 10 de setembro de 2009, 15:26 | Online

Ensino religioso não pode ser substituído, diz Vaticano

Ensino 'não pode estar limitado a exposição das distintas religiões, em modo comparativo ou neutro', defende

Efe

CIDADE DO VATICANO - O ensino da religião católica "não poderá ser substituída por matérias como história das religiões, de ética ou de cultura religiosa" porque isso significaria dano e marginalização dos estudantes que pedem para estudá-la.

O governador regional da Congregação Vaticana para a Educação Católica, Zenon Grocholewski, faz esta afirmação em carta enviada aos presidentes das conferências episcopais datada do passado 5 de maio e que nesta quinta-feira, 10, publica o diário La Repubblica.

O ensino da religião "não pode estar limitado a uma exposição das distintas religiões, em modo comparativo ou neutro", mas deve concentrasse no ensino da religião católica, acrescenta.

"O poder civil deve reconhecer a vida religiosa dos cidadãos e favorecê-la", mas sairia de seus limites se tentasse dirigir ou impedir os atos religiosos, "pois concerne à Igreja estabelecer os conteúdos autênticos do ensino da religião católica na escola garantindo assim aos pais e aos alunos o que vem ensinando no catolicismo".

"O ensino da religião na escola - continua - se transformou em objeto de debate em alguns casos de novas regulamentações civis em determinados países, que tendem em substituí-lo com um ensino religioso multiconfessional ou de ética ou de cultura religiosa".

"Se o ensino religioso fosse limitado a uma exposição das diversas religiões em modo comparativo ou neutro, se poderia criar confusão ou gerar relativismo ou indiferença religiosa", explica.

Assim segue a ordem dada aos bispos de se oporem a qualquer tentativa de "ensino multirreligioso ou ética", assinala o diário.


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Comentários

Vá a Igreja, templo ou sei lá o que.

Sex, 11/09/09 03:25 , eu_comento@estadao.com.br

Quem quizer aprender sobre religião que vá a igreja, templo ou sei lá o que mais. A escolas públicas devem focar o seu conteúdo educacional em matérias de relevante valor a sociedade. Hoje em uma sala de aula temos católicos, evangélicos, budistas, espiritas de mesa branca, espiritas de candomblé, entre outras centenas de modalidades de religião. O evangélico e o espirita não são obrigados a aprender o catolicismo, assim como o católico e o espirita não são obrigados a aprender nada sobre o budismo. Cada qual com sua religião. O que a escola pode sim fazer e ensinar aos alunos o direito de cada um seguir sua religião sem preconceito.

Ao 'major' Martin

Qui, 10/09/09 20:44 , eugenio.msantos@estadao.com.br

Seus argumentos são tão débeis quanto a doutrina que você tenta defender. Em vez de pensar que fora da religião só existem os maus (e neste seu preconceito vejo que você coloca homossexuais no mesmo nível de bandidos) pense de outra forma. Pense que fora da religião existem pessoas BOAS, pessoas que compreendem que fazer o bem é necessário para uma boa convivência em comunidade, e não por temor a um deus fictício. A religião oblitera o senso crítico e a busca pelo conhecimento. Ela nunca foi sinônimo de pessoas melhores. Bem se vê, pelos seus comentários rudes e limitados, que ter fé não torna ninguém melhor.





quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A ICAR EMBARAÇADA

América Latina: Igreja Católica mexicana em situação embaraçosa com narcodólares

Nesta semana, vários bispos mexicanos negaram com veemência que a IgrejaCatólica aceita donativos de traficantes, afastando-se furiosamente de comentários do presidente da conferência dos bispos mexicanos, quem disse que os traficantes haviam sido “muito generosos” com a Igreja.

O bispo Carlos Aguiar Retes de Texcoco, presidente da conferência dos bispos mexicanos, virou notícia no fim de semana passado quando reconheceu que cartéis do narcotráfico responsáveis por assassinatos e desordem pelo país afora proporcionaram dinheiro a igrejas e demais obras públicas em alguns dos vilarejos mais pobres do México.

“Os traficantes trataram de cair nas graças de suas famílias e conterrâneos convertendo-se em ‘generosos’ colaboradores, financiando obras de serviço público em regiões empobrecidas ou tentando expiar suas culpas com obras ‘piedosas’”, disse monsenhor Aguiar depois da reunião da conferência dos bispos de 1º a 04 de abril. “Nas comunidades em que trabalham... instalam eletricidade, estabelecem redes de comunicação, rodovias (e) estradas”, disse em comentários que receberam atenção midiática nacional. Aguiar disse que não estava justificando o tráfico, apenas “dizia como são as coisas”.

Os traficantes se aproximam dos funcionários da Igreja em busca de consolo espiritual, disse Aguiar. “Houve uma aproximação a eles, já que se sabe que a discrição vai ser mantida”, disse monsenhor Aguiar. “O que querem é encontrar paz em suas consciências. O que vão receber de nós é uma resposta severa: Mude de vida”.

Nesta semana, bispos mexicanos se organizaram para negar que aceitaram dinheiro das drogas. O cardeal Norberto Rivera Carrera da Cidade do México disse que a Igreja condena o tráfico como mal social e que nunca aceita o dinheiro das drogas. “O dinheiro produto do tráfico é dinheiro malganho e, assim, não se lava em obras de caridade”, disse em uma declaração lançada pela arquidiocese no domingo.

O bispo auxiliar da Arquidiocese do México, Marcelino Hernández Rodríguez, e o Arcebispo José Martín Rábago de Leon, ex-diretor da conferência dos bispos mexicanos, também somou sua voz. Hernández disse que os narcodonativos à Igreja eram inaceitáveis, enquanto Martín disse que embora a Igreja pregue a salvação, não consente com o tráfico e não ia aceitar “dinheiro sujo”.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Alianças espúrias

Quando, em ações populares que propus, falei em constantes e repugnantes alianças espúrias que fazem o Estado brasileiro e a Igreja Católica, só faltaram mandar-me para as chamas de uma fogueira real (não imaginária, como a do inferno), como no velhos tempos da Inquisição. Aos olhos dos contestantes (representados por impetuosos defensores), parecia que eu estava a fazer uma acusação que soava como blasfêmia, heresia ou coisa equivalente.

Pois bem: recém faleceu e foi homenageado o ex-Ministro do STF Carlos Alberto Menezes Direito, nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal e de destacada atuação em processos polêmicos (onde a ciência e a falsa moral das religiões cristãs travavam duelos paralelos), como foi o caso das células-tronco.

Apesar do Brasil ser um "Estado laico" (leigo, separado dos cultos) há quem sustente que a ingerência do Vaticano em nosso País chega ao cúmulo de interferir nas escolhas e nomeações de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Vejam a matéria que segue transcrita, sobre a nomeação do falecido ministro:

Escolha de Menezes Direito teve apoio do representante do Vaticano no País

Flávio Pinheiro e Felipe Recondo

Depois do ministro-relator, Ayres Britto, as atenções no julgamento sobre as células-tronco embrionárias devem se concentrar no mais novo integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), o paraense Carlos Alberto Menezes Direito, 65 anos, que assumiu em setembro do ano passado. Ele foi indicado pelo Planalto e aprovado pelo Congresso, mas contou com um cabo eleitoral de peso: ninguém menos do que o núncio apostólico (o representante diplomático do Vaticano no Brasil), d. Lorenzo Baldisseri.

Católico praticante, Direito também teve o apoio explícito do ex-presidente do STF - atual ministro da Defesa - Nelson Jobim, além de outros ministros do tribunal, como Marco Aurélio Mello, Celso de Mello, Eros Grau e Sepúlveda Pertence. Foi na vaga de Pertence, aposentado em 15 de agosto, que Direito ingressou.

Por ele ser católico praticante e haver uma série de assuntos polêmicos de interesse direto da Igreja na pauta do debate político-jurídico, o Vaticano mobilizou o núncio em seu apoio.

Foi por intermédio do advogado-geral da União, José Antonio Toffoli, que tem um irmão na hierarquia da Igreja, que d. Baldisseri conseguiu falar com Jobim e com o ministro da Justiça, Tarso Genro. O advogado trabalhista Roberto Caldas era o preferido de Genro para substituir Pertence no STF, mas o ministro teve de ouvir, e levar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os apelos do Vaticano.

Baldisseri via na composição do STF um excesso de ministros liberais indicados pelo presidente. Desde a posse, em 2003, Lula já indicou 7 dos 11 ministros que compõem o Supremo (Direito, Grau, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski). Direito diz que é católico praticante, mas não deixará sua fé interferir nas decisões jurídicas.

O núncio pregou, nas conversas de bastidor, em Brasília, um equilíbrio de forças para a Igreja contrabalançar os debates em curso sobre descriminação do aborto, interrupção de gravidez de feto anencéfalo e pesquisas com células-tronco embrionárias. No Congresso, ao ser sabatinado, Direito disse que, como juiz, "jamais deixará de cumprir o que o Parlamento editar".

O Vaticano encarou o novo ministro como um bom substituto para a voz do ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles, católico fervoroso, substituído pelo discreto Antonio Fernando de Souza. O procurador-geral não vota, mas tem assento no plenário do STF, onde defende os pareceres do Ministério Público Federal.

Embora tenha falado com o núncio, Jobim levou, nas conversas com o Planalto, a defesa da indicação de Direito para outro campo: teria dado provas, no período em que esteve no Superior Tribunal de Justiça (STJ), de que é um dos juristas mais preparados do País e "o Supremo precisa desse capital". O ministro Marco Aurélio Mello defendia a escolha pelo mesmo motivo.

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Como se vê, são profundas e preocupantes as ingerências da ICAR/Vaticano na administração pública brasileira, permeando até os atos de nomeação de ministros da mais alta corte de Justiça do País e de ocupantes de cargos de semelhante relevo.
Obviamente, quem é nomeado por influência da CNBB ou por intervenção direta do Núncio Apostólico, tende a ser eternamente grato aos seus apoiadores e, no desempenho da função, a adotar posições/decisões simpáticas às hierarquias da ICAR.



segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Saramagadas

Vaticanadas
By José Saramago

Ou vaticanices. Não suporto ver os senhores cardeais e os senhores bispos trajados com um luxo que escandalizaria o pobre Jesus de Nazaré, mal tapado com a sua túnica de péssimo pano, por muito inconsútil que tivesse sido e certamente não era, sem recordar o delirante desfile de moda eclesiástica que Fellini, genialmente, meteu em Oito e Meio para seu e nosso gozo. Estes senhores supõem-se investidos de um poder que só a nossa paciência tem feito durar. Dizem-se representantes de Deus na terra (nunca o viram e não têm a menor prova da sua existência) e passeiam-se pelo mundo suando hipocrisia por todos os poros. Talvez não mintam sempre, mas cada palavra que dizem ou escrevem tem por trás outra palavra que a nega ou limita, que a disfarça ou perverte. A tudo isto muitos de nós nos havíamos mais ou menos habituado antes de passarmos à indiferença, quando não ao desprezo. Diz-se que a assistência aos actos religiosos vem diminuindo rapidamente, mas eu permito-me sugerir que também serão em menor número até aquelas pessoas que, embora não sendo crentes, entravam numa igreja para disfrutar da beleza arquitectónica, das pinturas e esculturas, enfim de um cenário que a falsidade da doutrina que o sustenta afinal não merece.

Os senhores cardeais e os senhores bispos, incluindo obviamente o papa que os governa, não andam nada tranquilos. Apesar de viverem como parasitas da sociedade civil, as contas não lhes saem. Perante o lento mas implacável afundamento desse Titanic que foi a igreja católica, o papa e os seus acólitos, saudosos do tempo em que imperavam, em criminosa cumplicidade, o trono e o altar, recorrem agora a todos os meios, incluindo o da chantagem moral, para imiscuir-se na governação dos países, em particular aqueles que, por razões históricas e sociais ainda não ousaram cortar as sujeições que persistem em atá-los à instituição vaticana. Entristece-me esse temor (religioso?) que parece paralisar o governo espanhol sempre que tem de enfrentar-se não só a enviados papais, mas também aos seus “papas” domésticos. E digo ainda mais: como pessoa, como intelectual, como cidadão, ofende-me a displicência com que o papa e a sua gente tratam o governo de Rodriguez Zapatero, esse que o povo espanhol elegeu com inteira consciência. Pelos vistos, parece que alguém terá de atirar um sapato a um desses cardeais.

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Pão

By José Saramago

Terá o digníssimo fiscal de Badalona lido Os Miseráveis de Victor Hugo, ou pertence àquela parte da humanidade que crê que a vida se aprende nos códigos? A pergunta é obviamente retórica e, se a faço, é só para facilitar-me a entrada na matéria. Assim, o leitor ilustrado já ficou a saber que o dito fiscal poderia ser, com inteira justiça, uma das figuras que Victor Hugo plantou no seu livro, a de acusador público. O protagonista da história, Jean Valjean (soa-lhe este nome, senhor fiscal?), foi acusado de ter roubado (e roubou mesmo) um pão, crime que lhe custou quase uma vida de reclusão por via de sucessivas condenações motivadas por repetidas tentativas de fuga, mais logradas umas que outras. Jean Valjean sofria de uma enfermidade que ataca muito a população dos cárceres, a ânsia de liberdade. O livro é enorme, daqueles de que hoje se diz terem páginas a mais, e certamente não interessará ao senhor fiscal que provavelmente já não está em idade de o ler: Os Miseráveis são para ler na juventude, depois disso vem o cinismo e já são poucos os adultos que tenham paciência para interessar-se pela miséria e pelas desventuras de Jean Valjean. Com tudo isto, também pode suceder que eu esteja equivocado: talvez o senhor fiscal tenha lido mesmo Os Miseráveis… Se assim é, permita-me uma pergunta: como foi que ousou (se o verbo lhe parecer demasiado forte use qualquer dos equivalentes) pedir um ano e meio de prisão para o mendigo que em Badalona tentou roubar uma “baguette”, e digo tentou porque só conseguiu levar metade? Como foi?

Será porque, em vez de um cérebro, tem no seu crânio, como único mobiliário, um código?

Aclare-me, por favor, para que eu comece já a preparar a minha defesa se alguma vez vier a ter pela frente um exemplar da sua espécie.

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Israel e os seus derivados

By José Saramago

O processo de extorsão violenta dos direitos básicos do povo palestino e do seu território por parte de Israel tem prosseguido imparável perante a cumplicidade ou a indiferença da mal chamada comunidade internacional. O escritor israelita David Grossmann, cujas críticas, em todo o caso sempre cautelosas, ao governo do seu país têm vindo a subir de tom, escreveu num artigo publicado há algum tempo que Israel não conhece a compaixão. Já o sabíamos. Com a Tora como pano de fundo, ganha pleno significado aquela terrível e inesquecível imagem de um militar judeu partindo à martelada os ossos da mão a um jovem palestino capturado na primeira intifada por atirar pedras aos tanques israelitas. Menos mal que não a cortou. Nada nem ninguém, nem sequer organizações internacionais que teriam essa obrigação, como é o caso da ONU, conseguiram, até hoje, travar as acções mais do que repressivas, criminosas, dos sucessivos governos de Israel e das suas forças armadas contra o povo palestino. Visto o que se passou em Gaza, não parece que a situação tenda a melhorar. Pelo contrário. Enfrentados à heróica resistência palestina, os governos israelitas modificaram certas estratégias iniciais suas, passando a considerar que todos os meios podem e devem ser utilizados, mesmo os mais cruéis, mesmo os mais arbitrários, desde os assassinatos selectivos aos bombardeamentos indiscriminados, para dobrar e humilhar a já lendária coragem do povo palestino, que todos os dias vai juntando parcelas à interminável soma dos seus mortos e todos os dias os ressuscita na pronta resposta dos que continuam vivos.

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Lapidações e outros horrores

By José Saramago

A notícia queima. O mufti da Arábia Saudita, máxima autoridade religiosa do país, acaba de emitir uma fatua que permite (permitir é um eufemismo, a palavra exacta deveria ser impor) o casamento de meninas na idade de 10 anos. O dito mufti (hei-de lembrar-me dele nas minhas orações) explica porquê: porque a decisão é “justa” para as mulheres, ao contrário da fatua anteriormente vigente, que havia fixado em 15 anos a idade mínima para o casamento, o que Abdelaziz Al Sheji (esse é o nome) considerava “injusto”. Sobre as razões deste “justo” e deste “injusto”, nem uma palavra, não se nos diz sequer se as meninas de 10 anos foram consultadas. É certo que a democracia brilha pela inexistência na Arábia Saudita, mas, num caso de tanto melindre, poderia ter-se aberto uma excepção. Enfim, os pedófilos devem estar contentes: a pederastia é legal na Arábia Saudita. Outras notícias que queimam. No Irão foram lapidados dois homens por adultério, no Paquistão cinco mulheres foram enterradas vivas por quererem casar-se pelo civil com homens da sua escolha… Fico por aqui. Não aguento mais.

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Deus e Ratzinger

By José Saramago

Que pensará Deus de Ratzinger? Que pensará Deus da igreja católica apostólica romana de que este Ratzinger é soberano papa? Que eu saiba (e escusado será dizer que sei bastante pouco), até hoje ninguém se atreveu a formular estas heréticas perguntas, talvez por saber-se, de antemão, que não há nem haverá nunca resposta para elas. Como escrevi em horas de vã interrogação metafísica, há uns bons quinze anos,

Deus é o silêncio do universo e o homem o grito que dá sentido a esse silêncio.

Está nos Cadernos de Lanzarote e tem sido frequentemente citado por teólogos do país vizinho que tiveram a bondade de me ler. Claro que para que Deus pense alguma coisa de Ratzinger ou da igreja que o papa anda a querer salvar de uma morte mais do que previsível, seja por inanição, seja por não encontrar ouvidos que a escutem nem fé que lhe reforce os alicerces, será necessário demonstrar a existência do dito Deus, tarefa entre todas impossível, não obstante as supostas provas arquitectadas por Santo Anselmo, ou aquele exemplo de Santo Agostinho, de esvaziar os oceanos com um balde furado ou mesmo sem furo nenhum. Do que Deus, caso exista, deve estar agradecido a Ratzinger é pela preocupação que este tem manifestado nos últimos tempos sobre o delicado estado da fé católica. A gente não vai à missa, deixou de acreditar nos dogmas e cumprir preceitos que para os seus antepassados, na maior parte dos casos, constituíram a base da própria vida espiritual, senão também da vida material, como sucedeu, por exemplo, com muitos dos banqueiros dos primórdios do capitalismo, severos calvinistas, e, tanto quanto é possível supor, de uma honestidade pessoal e profissional à prova de qualquer tentação demoníaca em forma de subprime. O leitor estará talvez a pensar que esta súbita inflexão no transcendente assunto que me havia proposto abordar, o sínodo episcopal reunido em Roma, se destinaria, afinal, a introduzir, com mais ou menos jeito dialéctico, uma crítica ao comportamento irregular (é o mínimo que se pode dizer) dos banqueiros nossos contemporâneos. Não foi essa a minha intenção nem essa é a minha competência, se alguma tenho.

Voltemos então a

Ratzinger. A este homem, decerto inteligente e informado, com uma vida activíssima nos âmbitos vaticanais e adjacentes (baste dizer que foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, continuadora, por outros métodos, do ominoso Tribunal do Santo Ofício, mais conhecido por Inquisição),


ocorreu-lhe algo que não se esperaria de alguém com a sua responsabilidade, cuja fé devemos respeitar, mas não a expressão do seu pensamento medieval. Escandalizado com os laicismos, frustrado pelo abandono dos fiéis, abriu a boca na missa com que iniciou o sínodo para soltar enormidades como estas: “Se olhamos a História, vemo-nos obrigados a admitir que não são únicos este distanciamento e esta rebelião dos cristãos incoerentes. Em consequência disso, Deus, embora não faltando nunca à sua promessa de salvação, teve de recorrer amiúde ao castigo”. Na minha aldeia dizia-se que Deus castiga sem pau nem pedra, por isso é de temer que venha por aí outro dilúvio que afogue de uma vez os ateus, os agnósticos, os laicos em geral e outros fautores de desordem espiritual. A não ser, sendo os desígnios de Deus infinitos e ignotos, que o actual presidente dos Estados Unidos já tenha sido parte do castigo que nos está reservado. Tudo é possível se o quer Deus. Com a imprescindível condição de que exista, claro está. Se não existe (pelo menos nunca falou com Ratzinger), então tudo isto são histórias que já não assustam ninguém. Que Deus é eterno, dizem, e tem tempo para tudo. Eterno será, admitamo-lo para não contrariar o papa, mas a sua eternidade é só a de um eterno não-se

Ateus (mais uma do Saramago)

Ateus

By José Saramago

Enfrentemos os factos. Há anos (muitos já), o famoso teólogo suíço Hans Küng escreveu esta verdade: “As religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros”. Jamais se disse nada tão verdadeiro. Aqui não se nega (seria absurdo pensá-lo) o direito a adoptar cada um a religião que mais lhe apeteça, desde as mais conhecidas às menos frequentadas, a seguir os seus preceitos ou dogmas (quando os haja), nem sequer se questiona o recurso à fé enquanto justificação suprema e, por definição (como por demais sabemos), cerrada ao raciocínio mais elementar. É mesmo possível que a fé remova montanhas, não há informação de que tal tenha acontecido alguma vez, mas isso nada prova, dado que Deus nunca se dispôs a experimentar os seus poderes nesse tipo de operação geológica. O que, sim, sabemos é que as religiões, não só não aproximam os seres humanos, como vivem, elas, em estado de permanente inimizade mútua, apesar de todas as arengas pseudo-ecuménicas que as conveniências de uns e outros considerem proveitosas por ocasionais e passageiras razões de ordem táctica. As coisas são assim desde que o mundo é mundo e não se vê nenhum caminho por onde possam vir a mudar. Salvo a óbvia ideia de que o planeta seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus. Claro que, sendo a natureza humana isto que é, não nos faltariam outros motivos para todos os desacordos possíveis e imagináveis, mas ficaríamos livres dessa ideia infantil e ridícula de crer que o nosso deus é o melhor de quantos deuses andam por aí e de que o paraíso que nos espera é um hotel de cinco estrelas. E mais, creio que reinventaríamos a filosofia.

Mahimud Darwish

Carteira de Identidade (Mahmud Darwish)

Registra-me
sou árabe
o número de minha identidade é cinqüenta mil
tenho oito filhos
e o nono… virá logo depois do verão
vais te irritar por acaso?

Registra-me
sou árabe
trabalho com meus companheiros de luta
em uma pedreira
tenho oito filhos
arranco pedras
o pão, as roupas, os cadernos
e não venho mendigar em tua porta
e não me dobro
diante das lajes de teu umbral
vais te irritar por acaso?

registra-me
sou árabe
meu nome é muito comum
e sou paciente
em um país que ferve de cólera
minhas raízes…
fixadas antes do nascimento dos tempos
antes da eclosão dos séculos
antes dos ciprestes e oliveiras
antes do crescimento vegetal
meu pai… da família do arado
e não dos senhores do Nujub
e meu avô era camponês
sem árvore genealógica
minha casa
uma cabana de guarda
de canas e ramagens
satisfeito com minha condição
meu nome é muito comum
registra-me
sou árabe
sou árabe
cabelos… negros
olhos… castanhos
sinais particulares
um kuffiah e uma faixa na cabeça
as palmas ásperas como rochas
arranharam as mãos que estreitam
e amo acima de tudo
o azeite de oliva e o tomilho
meu endereço
sou de um povoado perdido… esquecido
de ruas sem nome
e todos os seus homens… no campo e na pedreira
amam o comunismo
vais te irritar por acaso?

registra-me
sou árabe
tu me despojaste dos vinhedos de meus antepassados
e da terra que cultivava
com meus filhos
e não os deixaste
nem a nossos descendentes
mais que estes seixos
que nosso governo tomará também
como se diz
vamos!
escreve
bem no alto da primeira página
que não odeio os homens
que eu não agrido ninguém
mas… se me esfomeiam
como a carne de quem me despoja
e cuidado…cuida-te
de minha fome
e minha cólera.