Por todos os lados, vê-se o Poder Judiciário a proclamar a adoção do processo eletrônico e de outras medidas modernizadoras das suas rotinas, tendo-se a sensação de que aquela esfera da administração pública está mesmo empenhada em bem servir ao público, valorizando o princípio da eficiência, contido no art. 37 da CF.
De outro lado, basta uma ida ás salas de sessões dos Tribunais de segunda e demais instâncias superiores para se esbarrar numa tradição ridícula, que suponho remontar ao Império Romano, qual seja, a de se obrigar os partícipes dos julgamentos (magistrados, membros do Ministério Público, advogados) e até oficiais de justiça que ali estão para apenas assessorar os juízes a portarem togas e becas pretas.
Na última sessão da Segunda Turma do TRT/SC um acontecimento provocou risos: um jovem advogado, um tanto nervoso na hora de assumir a tribuna para fazer sua sustentação oral, enroscou-se todo com aquela ridícula capa preta, ensejando risos e até um certo constrangimento.
O paradoxo reside exatamente na dicotomia informática (o supra-sumo da modernidade)/uso de togas e becas (traje vetusto, superado, teatral, ridículo). `
À frente do aludido advogado, como que a olhá-lo estarrecido, um notebook cheio de luzes coloridas, equipamento que, se pensasse, deveria estar a rir da pobre beca preta.
Na Justiça, tradições bizarras e hipócritas é que não faltam, dentre elas avultando aquela mercê da qual se cobra o tratamento de excelência/excelentíssimo para os seus circunstantes. Basta se atentar para o volume de decisões habitualmente reformadas para se chegar à conclusão de que apenas alguns poucos excelem no conhecimento e no bom-senso que se exige de Advogados, membros do MP e Magistrados.
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ATUALIZAÇÃO:
10/08/12 - 08:51
POR FREDERICO VASCONCELOS
O jornal “Globo” revela, nesta sexta-feira (10/8), que o advogado de Roberto Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, foi abordado pela segurança do STF porque estava usando calça jeans escura:
“Estava sentado assistindo a uma sustentação oral e uma moça pediu para eu sentar em outra cadeira. Ela disse que eu estava de jeans e que era proibido. Eu perguntei qual era o modelito e ela não soube responder, porque não existe este modelito. Recomenda-se vir de terno, mas eu não vou fazer intervenção. Não há problema. Não estou de bermuda”, narrou o advogado ao jornal.
Barbosa permaneceu onde estava.
Fonte: Blog do Frederico Vasconcelos (FSP)
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