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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Um caminho-picada muuuuuuito antigo



PEABIRÚ (Ver CAMINHO DE SÃO TOMÉ, CAMINHOS DE ÍNDIOS, CAMINHO DO MAR, ESTRADAS, MARAPÉ, PICADAS, ROTAS SERTANISTAS, SENDEROS, TRILHAS, VEREDAS)

Falando-se do Peabiru, impossível deixar-se de lado a figura de ALEIXO GARCIA, do qual seguem algumas notícias:

- Na centúria quinhentista a área propriamente vicentina foi pouco explorada, muito embora por ela começasse a penetração da hinterlândia brasileira. Do seu território partiram as entradas famosas dos protobandeirantes, a do obscuro Aleixo Garcia, em 1526, a que se seguiram a catastrófica jornada de Pêro Lobo, em 1531, e a de Cabeza de Vaca, em 1541.

- p. 17.

- BASILIO DE MAGALHÃES - Expansão Geographica do Brasil Colonial - Cia. Edit. Nacional/SP/1935, cita-o nas ps. 26, 76, 113 e 126 é figura bastante conhecida.


- VARNHAGEN - História Geral do Brasil, p. 99: Aleixo Garcia, que segundo a tradição, aprisionado jovem, veio a prestar importantes serviços na colonização do Paraguai. 

- SEVERIANO DA FONSECA - Viagem ao redor do Brasil (...) - 1.880, p. 40 41: Já o primeiro sertanista de quem rezam as tradições, Aleixo Garcia, transpuzera o Paraguay, as suas serranias e os pampas inundados do Galambra ou Gran-Chaco, em rota às terras do Peru, a buscar riquezas, que os guaicurus diziam haver a rodo, nas terras do pente. (...)

- Interessante a notícia trazida por LÉON POMER (História da América Hispano-Indígena - p. 89): Pascoal de Andagóia é o precursor. Parte do Panamá em 1522 e chega a um lugar que os índios chamam Biru (pelo menos, isto é, o que Pascoal consegue captar na fala dos índios). Daí pode-se inferir que o vocábulo PEA-BIRU é resultado de uma composição, cujo final é a palavra (Perú)

- A Igreja Católica, com sua pertinaz ação “evangelizadora” (de “redução” dos povos autóctones de todo o mundo à fé cristã, usando missionários de todas as tendências, inclusive os ousados jesuítas, ou inacianos, como preferem outros), chegou a tentar uma nova denominação para o dito caminho, como se pode inferir dos escritos de diversos historiadores, dentre eles ROSANA BOND, que escreveu um livro especificamente sobre o assunto. Por tal caminho, subiram aventureiros como ALEIXO GARCÍA e cerca de 2.000 índios, ávidos de ouro, prata e pedras preciosas, os quais, partindo do Maciambu (Palhoça/SC) e indo até o Peru, massacraram povos locais, apropriaram-se de riquezas e voltaram, mas foram atacados (no Chaco Paraguaio, segundo contam) e dizimados, sobrando apenas alguns poucos para contar a história. 

- TARCÍSIO DELLA JUSTINA – Serranos (...) – Editora Insular – Fpolis-SC/2002, p. 16 e 17, falando sobre a conquista do solo catarinense:  que nos mostram os primeiros desbravadores, em suas viagens pioneiras, a partir de José de Anchieta, frei da Companhia de Jesus que, com o intuito de catequizar os índios descobriu o Peabiru. O Peabiru era uma estrada para caminheiros e ligava os Pampas do sul com o Peru e o centro da cultura incaica. O Peabiru, caminho-picada com mais de 10.000km de extensão, atraiu os paulistas escravagistas e aventureiros que, vindos pela terra firme (...).

- AFONSO ARINOS - Pelo sertão - Tecnoprint Gráfica S. A./RJ/MCMLXVII, p. 119: (...) ao vingar a grande vértebra do Espinhaço e seguir por ela afora, numa estrada que lembra aquela outra de quatrocentas léguas feita no Perú, sob os Incas.

- SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA - Caminhos e fronteiras - Edit. Schwarcz s. a./SP-SP/2017, p. 31, reportou-se ao (...) famoso Piabiru ou Caminho de São Tomé, no Guairá, que com oito palmos de largo, não era, nisto, inferior a algumas ruas principais da Lisboa quinhentista, tais veredas dificilmente permitiriam em toda a sua largura mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

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- Caminho de Peabiru: a fascinante rota indígena que conecta o Atlântico ao Pacífico

Catherine Balston
BBC Travel

26 junho 2022



CRÉDITO, PARANÁ PROJETOS

Legenda da foto, 
Caminho de Peabiru cortava o sul e o sudeste do Brasil e hoje atrai a atenção dos turistas



Goiabas e carambolas maduras no chão ficam presas às solas das minhas botas, formando uma massa doce em fermentação enquanto passeio pela pacata cidade de Peabiru, com seus 13 mil habitantes, a 500 km de Curitiba.

Eu havia viajado até o Estado do Paraná, não muito longe da fronteira com o Paraguai, em busca dos restos do Caminho de Peabiru — uma rede de trilhas com 4 mil quilômetros de extensão, que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico, construída ao longo de milênios pelos povos indígenas sul-americanos.

O Caminho de Peabiru era uma rota espiritual para o povo guarani em busca de um paraíso mitológico. E também se tornou o caminho em direção aos tesouros do continente quando chegaram os colonizadores europeus em busca de acessos ao interior da América do Sul.

Mas a maior parte do caminho original desapareceu, consumido pela natureza ou transformado em rodovias ao longo dos séculos. Somente nos últimos anos, essa fascinante rota começou a revelar seus mistérios para o público, graças ao desenvolvimento de novos passeios turísticos.

É fácil compreender por que essa trilha transcontinental cativa a imaginação das pessoas com tanta facilidade — uma fascinação que vem desde o primeiro europeu conhecido por caminhar por toda a sua extensão: o navegador português Aleixo Garcia.

Garcia naufragou no litoral de Santa Catarina no ano de 1516, depois do fracasso de uma missão espanhola que pretendia navegar pelo Rio da Prata. Ele e meia dúzia de outros navegadores foram acolhidos pelos receptivos indígenas guaranis.

Oito anos mais tarde, depois de ouvir as histórias sobre um caminho que levava até um império nas montanhas, rico em ouro e prata, Garcia viajou com 2 mil guerreiros guaranis até os Andes, a cerca de 3 mil quilômetros de distância.

A pesquisadora brasileira Rosana Bond, no livro A Saga de Aleixo Garcia: o Descobridor do Império Inca, afirma que Garcia foi o primeiro europeu conhecido a visitar o império inca em 1524 — cerca de uma década antes da chegada do conquistador espanhol Francisco Pizarro, amplamente conhecido como "descobridor" do povo originário dos Andes peruanos.

As trilhas que vinham do Brasil conectavam-se à rede de estradas incas e pré-incas através dos Andes, que hoje recebem muitos visitantes, mas o Caminho de Peabiru propriamente dito deixou poucos vestígios.

Essa falta de evidências físicas não só levou a teorias divergentes nos círculos acadêmicos sobre quem o criou e quando, mas também gerou amplas especulações sobre sua possível criação pelos vikings ou pelos sumérios — ou mesmo pelo apóstolo Tomé, supostamente vindo de uma missão evangelizadora na Índia.


CRÉDITO, FLÁVIO BENEDITO CONCEIÇÃO/GETTY IMAGES

Legenda da foto, O nome do caminho e sua lenda vivem na pequena cidade de Peabiru, no interior do Paraná

Algumas teorias afirmam que a trilha data de cerca de 400 ou 500 d.C., enquanto outras sugerem que ela remonta até 10 mil anos atrás, aos caçadores-coletores paleoindígenas.

"O Caminho de Peabiru foi a estrada transcontinental mais importante da América pré-colombiana, que ligava os povos, os territórios e os oceanos", afirma a arqueóloga Cláudia Inês Parellada, que publicou diversos estudos sobre o assunto e coordena o Departamento de Arqueologia do Museu Paranaense, em Curitiba, onde estão abrigados muitos dos achados das escavações arqueológicas da trilha.

As teorias divergem não apenas sobre a época da sua criação, mas também o local exato por onde a rota passava. "Sempre teremos várias hipóteses", explica Parellada. "É difícil ter certeza sobre o caminho completo porque ele mudou ao longo do tempo."

Mas o nome e a lenda, pelo menos, seguem vivos na cidade de Peabiru, construída na década de 1940, onde o governo local e grupos de voluntários criaram e demarcaram recentemente trilhas de caminhada inspiradas pelo Caminho de Peabiru.

Elas são parte de um plano turístico ambicioso do Paraná lançado em 2022, de mapear um provável trecho do Caminho com até 1.550 quilômetros para ciclismo e caminhada, atravessando o Estado desde o litoral e passando por 86 municípios, até a fronteira com o Paraguai.

Eu viajei até Peabiru para conhecer pelo menos um desses caminhos: uma trilha entre a floresta que inclui sete cachoeiras ao longo do curso de um dos rios da região. As margens do rio quase certamente fizeram parte do Caminho, segundo informou meu guia Arléto Rocha enquanto caminhávamos, passando sobre e abaixo de árvores caídas e depois com as águas frias do rio até os joelhos, tirando as frutas estragadas da sola das minhas botas.

Não contente em ter molhado apenas as botas, Rocha mergulhou com roupas em uma das cachoeiras. Depois, ele indicou locais onde havia encontrado pontas de flechas, argamassa, gravações em pedras e outras joias arqueológicas na última década, que agora estão em exibição no recém-inaugurado Museu Municipal "Caminhos de Peabiru".


CRÉDITO, GESSIANE PEREIRA/CAMINHOS DE PEABIRU

Legenda da foto,Trilhas entre as florestas levam para rios e cachoeiras por onde se acredita ter passado a trilha transcontinental dos povos nativos sul-americanos

A maior parte da caminhada na floresta, como o restante do caminho ao longo do Paraná, é simbólica — a melhor estimativa possível de onde poderá ter ficado a trilha original, apesar da certeza em alguns trechos, especialmente onde existem mapas históricos e sítios arqueológicos.

Esta região do sul do Brasil é um local de escavações arqueológicas desde os anos 1970, em busca de restos do Caminho de Peabiru. Da mesma forma, ali também havia densa população indígena (estima-se um pico de cerca de 2 milhões de pessoas, principalmente guaranis, no século 16).

Como muitos outros com quem falei, Rocha é fascinado pelo mistério da trilha e chegou a elaborar sua dissertação de mestrado sobre o assunto. Historiadores, astrônomos e arqueólogos também vêm se ocupando desse quebra-cabeça há décadas, reunindo mapas antigos, registros coloniais e histórias orais para tentar entender as origens e o propósito do caminho.

O consenso é que o caminho principal da rede conectava o litoral leste e oeste da América do Sul. Dos seus pontos de partida no litoral brasileiro (onde hoje ficam os Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina), as trilhas se reuniam no Paraná, prosseguindo através do território que hoje forma o Paraguai até a região de Potosí, na Bolívia, que era rica em prata.

Ao chegar ao lago Titicaca (hoje, fronteira entre a Bolívia e o Peru), o caminho seguia até Cusco — a capital do império inca — e, de lá, descia até o litoral peruano e o norte do Chile.


CRÉDITO, DENIS FERREIRA NETTO/SEC. DES. SUSTENTÁVEL E TURIS

Legenda da foto, Do litoral de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, o Caminho de Peabiru subia a Serra do Mar em seu trajeto até Cusco, no Peru


"Grosso modo, pode-se dizer que o roteiro 'comprido' do Peabiru era aquele que acompanhava o movimento aparente do Sol, nascente-poente", segundo Bond, na série literária História do Caminho de Peabiru, publicada em 2021.

Nessa série, a autora analisa diversas hipóteses plausíveis sobre as origens da trilha e conclui que a rede de caminhos provavelmente foi criada e usada por diversos grupos indígenas ao longo dos séculos, mas sua característica principal era o desejo de conectar o Atlântico ao Pacífico.

"Ou seja, não importa quantos e quais povos construíram os trechos, pois o relevante seria que a estrada, num certo momento, passou a ser vista como um caminho homogêneo e específico, que representava na terra o 'andar' do Sol no céu", segundo ela.

Entre os povos a que Bond se refere, encontram-se os guaranis, uma das maiores populações nativas remanescentes na América do Sul. Eles vivem em parte do Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia.

O Caminho de Peabiru é uma rota física e espiritual na cultura guarani, que leva a um paraíso mitológico chamado por eles de Yvy MarãEy, que fica além da água (o Oceano Atlântico), onde nasce o Sol.

Esse paraíso ("a terra sem mal", em tradução livre) é mencionado na tradição oral dos guaranis, nos seus rituais, música, dança, simbologia e em nomes de lugares. As lendas guaranis chegam a dizer que a rede de caminhos é um reflexo da Via Láctea na Terra.

Também se acredita que o nome da trilha venha da palavra guarani peabeyú, que significa "caminho de grama pisada", entre outras traduções.

Mas, para os colonizadores europeus (como o navegador português Aleixo Garcia), o caminho espiritual dos guaranis para o paraíso tornou-se uma via rápida até as riquezas dos incas nas expedições pelo Novo Mundo, que acabaram por causar a morte em massa das populações indígenas da América do Sul pela guerra, pela fome e, principalmente, pelas doenças.

As lendas sobre o Eldorado e a Serra da Prata trouxeram frotas de navios espanhóis e portugueses através do Atlântico e alguns grupos indígenas os ajudaram a penetrar no interior do continente, através do Caminho de Peabiru, segundo Parellada.

"Conhecer as rotas e trilhas principais através das populações nativas tornou-se uma vantagem estratégica, que amplificou o saque, a destruição e a cobiça de novos territórios e riquezas minerais", explica ela.

Ao longo dos séculos seguintes, sucessivas ondas de exploradores, catequizadores jesuítas, bandeirantes, comerciantes e colonizadores também fizeram uso do Caminho de Peabiru para ter acesso ao interior do continente — pavimentando, ampliando e, às vezes, alterando o curso do caminho.

"Os primeiros registros escritos sobre a trilha datam dos séculos 16 e 17", segundo Parellada. "Eles incluem o relato de Ruy Díaz de Guzmán em 1612, sobre a morte de Garcia nas mãos do grupo étnico Payaguás durante seu retorno do Peru para o litoral [brasileiro]."


CRÉDITO, GESSIANE PEREIRA/CAMINHOS DE PEABIRU

Legenda da foto, Pesquisadores usam vestígios, sítios arqueológicos e mapas antigos para tentar definir ao máximo possível o local por onde passava o antigo Caminho de Peabiru

Para continuar minha pesquisa sobre os vestígios da trilha, viajei para o litoral de Santa Catarina, até a Enseada do Brito, no município de Palhoça - uma baía tranquila onde os historiadores acreditam que Garcia teria morado e dali partido em sua missão até o império inca. 
Este é o ponto de partida de outra caminhada inspirada pelo Caminho de Peabiru — um trajeto de 25 quilômetros que passa por praias, dunas de areia no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e uma visita a duas aldeias guaranis.

Durante o aquecimento para a caminhada, tento imaginar Garcia e seu grupo de náufragos barbudos, a milhares de quilômetros de casa, e suas novas acomodações com os guaranis depois de perderem seu navio.

Como na caminhada anterior, a trilha é apenas uma estimativa do local onde poderá ter passado o Caminho de Peabiru. Ele foi definido com a pesquisa do empresário local Flávio Santos, que desenvolveu esse projeto de turismo depois de estudar a história da trilha e os sítios arqueológicos locais.

Como muitos outros, ele vê o potencial de atrair turistas o ano inteiro, beneficiando a comunidade local, incluindo as aldeias guaranis próximas, se tudo for feito corretamente.

"Temos esta trilha antiga, então, por que não conectar a história e os povos indígenas locais?", questiona Santos. "É importante que os moradores locais conheçam essa história e saibam como os povos indígenas viviam e como foram dizimados."

Parellada concorda: "Um passeio pelo Caminho de Peabiru, aliado a atividades educativas, poderá ser uma ponte para a compreensão total do passado colonial da América do Sul, sua biodiversidade e o conhecimento dos povos indígenas".

Texto publicado originalmente em http://bbc.co.uk/portuguese/vert-tra-61808692

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- Composição de ALMIR SATER - Peabiru

Quem souber podia me dizer

Onde é que nosso ouro foi

Pau-Brasil, faz tempo que sumiu

Dessa terra tão abençoada

Que entrou em outra jogada

E hoje é tudo soja, milho e boi

Quem souber podia me dizer

Como é que eu faço pra pegar

A velha estrada do Peabiru

Que vem lá de Santa Catarina

Paraná, Paraguai acima

E atravessa a América do Sul

Na promessa de um Eldorado

Vinham almas aventureiras

Sempre a procurar horizontes

Venceram até cordilheiras

E o Pacífico era azul

Quem souber podia me dizer

Onde é que a gente se meteu

Nessa imensa faixa de fronteira

Cujo o nome é terra de ninguém

Onde reina e manda qualquer um

Onde o rei pode ser um fora da lei

Quem souber podia me dizer

Donde é que veio esse som

Tá com jeito meio do Altiplano

Onde o povo segue celebrando

O sol, a lua e tudo que é profano

No tango, charango, viola e chamamé

Na promessa de um Eldorado

Vinham almas aventureiras

Sempre a procurar horizontes

Venceram até cordilheiras

E o Pacífico era azul


Fonte: Musixmatch

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"GUAXEBA DE FARDA" - Comandante-geral da PM de Rondônia é acusado de violência doméstica e dirigir embriagado


Ao longo do ano de 2025, Regis Braguin, à frente da PM, protagonizou uma série de ações violentas e injustas contra o movimento camponês em geral, e contra a LCP, em particular.

por Redação de AND
30 de dezembro de 2025·

Comandante Geral da PM/RO Régis Braguin, inimigo declarado dos camponeses. Foto: PM/RO

O coronel e comandante-geral da Polícia Militar (PM) de Rondônia, Regis Braguin, foi acusado de dirigir embriagado com um veículo oficial e, não bastasse, de violência doméstica. 

Tais acusações vieram à tona no dia 29 de dezembro, na Assembleia Legislativa do estado, em sessão extraordinária. A acusação de violência doméstica, inclusive, foi apresentada por outro policial, Fernando Silva, dias antes, durante uma audiência pública em que se debatia as punições administrativas aplicadas contra praças da corporação por litígios salariais.

“Essa Casa recebeu uma denúncia e acho que é necessária uma manifestação quando o vereador Fernando Silva apresentou um Boletim de Ocorrência do coronel Braguin de violência contra mulher”, introduziu a questão o deputado Ismael Crispin, na sessão plenária. “O que as mulheres do nosso Estado de Rondônia estão pensando agora? Porque quem tem a obrigação de proteger tem em seu comando alguém com registro de tal natureza”. 

A denúncia expressa a pugna reacionária no interior da corporação e na segurança pública do estado. Vários deputados tomaram a palavra para exigir do governador bolsonarista Marcos Rocha uma medida administrativa contra Braguin, que jacta-se por ter como inimigo número um a Liga dos Camponeses Pobres (LCP); já um deputado, aliado de Braguin, o defendeu da acusação de agressão doméstica, mas com péssimos argumentos: “Foi no calor da emoção”.

Ao longo do ano de 2025, Regis Braguin, à frente da PM, protagonizou uma série de ações violentas e injustas contra o movimento camponês em geral, e contra a LCP, em particular. No dia 12 de novembro, na Operação “Godos”, tropas especiais da BOPE, sob a responsabilidade de Braguin, incursionou na área Tiago Campin dos Santos, em Nova Mutum Paraná, e executou o camponês identificado como Elias, residente da localidade e ativista da luta pela terra; sua esposa também ficou ferida. Em outra operação, em 8 de agosto, as mesmas tropas de Braguin invadiram a área Valdiro Chagas e executaram o camponês Raimundo Nonato, ativista recém-iniciado da LCP, e promoveram destruição de barracos das massas camponesas.

O conflito na área é ocasião constante para as bravatas do ainda comandante-geral da PM-RO, que costuma gravar pequenos vídeos para sua autopromoção e pretendendo carreira política eleitoral. Nesses vídeos, Braguin qualifica o movimento camponês de “terrorista”, “criminoso”, “organização criminosa” e compara a LCP ao Comando Vermelho e ao PCC. 

Enquanto isso, as tropas da PM de Braguin são reconhecidas, tanto pelos camponeses como por investigações das instituições do velho Estado, como frequentemente vinculadas à pistolagem e grupos de matadores a soldo de latifundiários e outros criminosos, como foi publicizado pela Operação “Amicus Regem”, do Ministério Público Federal. O próprio sobrinho do latifundiário “Galo Velho”, João Martins, admitiu em entrevista ao AND que contratara policiais militares como “seguranças”, e que, se houvesse ilegalidades, as quais admitiu possíveis, seria problema da “Corregedoria”.

Para além dos ataques à luta pela terra que se desenvolve no estado, dados do Observatório Estadual de Segurança Pública apontam que, entre janeiro e novembro de 2025, 35 pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais em Rondônia, contra 7 no mesmo período de 2024. A violência da PM-RO, sob comando do ora eticamente questionado Regis Braguin, cresceu de 400%.

A LCP, em pronunciamento sobre uma das operações policiais realizada sob comando de Braguin, afirmou que “o próprio comandante da PM”, referindo-se a Braguin, “é expressão maior do que há anos denunciamos”; e que “Braguin é um guaxeba de farda perseguidor dos camponeses”. Procurado pela reportagem de AND, Régis Braguin não se pronunciou até o momento.

https://anovademocracia.com.br/comandante-pm-rondonia-violencia-domestica/

Que outras doenças alegará o sentenciado Bolsonaro?

Para ficar longe da cela e do "ar condicionado barulhento" da Papuda, o que mais Bolsonaro, com a ajuda de médicos suspeitos, irá alegar em 2026? Que está sendo vítima de tortura?

Primeiro foi hérnia, depois soluços, agora apineia do sono, refluxo gastroesofágico, etc..., etc...

Acho que está sentindo falta de tomar um "caldicana" com pastel na rua, de exibir-se em jetski e motociatas, dentre outras palhaçadas do gênero, para as quais não lhe faltavam parceiros, como o asqueroso prefeito de Chapecó/SC.

Golpista, traidor e entreguista, vagabundo, canalha da pior espécie!!!

Existirá tratamento médico para falta de vergonha na cara? 


A quem interessa alegar que Lula está velho para se recandidatar e Flávio Bolsonaro é ineficaz?

Aparentemente a TARCISIO DE FREITAS, elogiado como "proeminente". 

Cabe a indagação: por que o jornal britânico não diz o mesmo de Trump, cuja idade assemelha-se à de Lula? 

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The Economist afirma que Lula não deveria disputar reeleição por ser 'tão idoso' e chama Flávio de 'impopular e ineficaz'

Veículo internacional defende que o Brasil 'merece escolhas melhores', apesar de o país ter demonstrado a resiliência das instituições democráticas em 2025
Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro

30/12/2025 22h02 Atualizado há 7 horas


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

A revista britânica The Economist publicou um editorial nesta terça-feira no qual afirma que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve concorrer à reeleição no ano que vem. O veículo internacional defende que o Brasil “merece escolhas melhores”, apesar de o país ter demonstrado a resiliência das instituições democráticas em 2025.

O principal argumento apontado pela revista como motivo pelo qual Lula deveria desistir de ser candidato é a idade. O petista, que completou 80 anos em outubro, já anunciou que irá disputar o pleito em 2026.

“Apesar de todo o seu talento político, é simplesmente arriscado demais para o Brasil ter alguém tão idoso no poder por mais quatro anos. Carisma não é escudo contra o declínio cognitivo”, diz a publicação.
Editorial da revista britânica The Economist — Foto: Reprodução

A revista compara o brasileiro ao ex-presidente americano Joe Biden, que desistiu da disputa pela Casa Branca meses antes da eleição.

"O presidente faria um favor ao seu país e consolidaria seu legado — algo que Biden não fez — anunciando que cumprirá sua promessa e se afastará da disputa", completa.

O editorial condena as políticas econômicas petistas, mas destaca que Lula "não tem adversários sérios no centro ou na esquerda" que poderiam substituí-lo na corrida pelo Planalto.

"Embora a economia brasileira tenha crescido surpreendentemente rápido nos últimos anos, as políticas econômicas de Lula são medíocres. Elas se concentram principalmente em auxílios aos pobres, com medidas de arrecadação de receita cada vez menos favoráveis às empresas, embora ele também tenha agradado os empregadores com uma reforma tributária simplificada."

Críticas ao bolsonarismo

A revista também criticou a escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro de apoiar o senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato do PL à Presidência da República.

"Flávio é impopular, ineficaz e quase certamente perderia uma disputa contra Lula. Outros possíveis candidatos estão sendo cogitados, incluindo alguns governadores competentes. O mais proeminente deles é Tarcísio de Freitas, o governador conservador de São Paulo", afirma a The Economist.

Segundo o editorial, Tarcísio "deveria ter a coragem de se lançar na disputa". "Ao contrário dos Bolsonaros, ele é ponderado e democrata", diz o texto.

"Infelizmente, parece improvável que Lula desista. Talvez, então, os partidos de direita consigam se unir? Se forem sábios, abandonarão Flávio e se unirão em torno de um candidato capaz de superar a polarização dos anos Lula-Bolsonaro", enfatiza o veículo.

A The Economist defende o apoio a "uma figura de centro-direita que reduza a burocracia, mas não as florestas tropicais, que seja rigorosa com o crime, mas não desrespeite as liberdades civis, e que respeite o Estado de Direito, poderia vencer e governar bem".

"O Brasil tem tudo em jogo em 2026 — e o resultado é preocupantemente incerto", conclui a revista.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Tentaram matar Putin? - Analista fala em 'tentativa clara de magnicídio'

 14:57 29.12.2025 

Presidente russo Vladimir Putin responde às perguntas durante a grande coletiva de imprensa em 19 de desembro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 29.12.2025
Nos siga no
Para analista internacional, ataque com mais de 90 drones de longo alcance contra a presidência do presidente russo, Vladimir Putin, é clara tentativa de magnicídio.
Um ataque usando 91 drones de longo alcance, na última madrugada, teve como alvo direto a residência pessoal do presidente Putin, na província de Novgorod. Segundo o analista internacional Tadeo Casteglione, trata-se de uma clara tentativa de magnicídio, com potencial para escalar o conflito russo-ucraniano a níveis ainda mais perigosos.
Casteglione afirma que o episódio mostra que há setores empenhados em sabotar qualquer chance de negociação entre as partes. chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, já sinalizou que o país vai reavaliar as medidas adotadas durante a abertura do diálogo, após o ataque que ocorreu justamente quando o clima indicava uma possível distensão.
Entrevista da Sputnik com Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, em 19 de abril de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 29.12.2025
Operação militar especial russa
Ataque de Kiev com 91 drones à residência de Putin é totalmente neutralizado, diz Lavrov
De acordo com o analista, a Ucrânia não teria capacidade de realizar esse tipo de ofensiva sem apoio de inteligência ocidental. Ele aponta diretamente para o Reino Unido como principal fonte de informações militares para Kiev, papel que Moscou já denunciou diversas vezes.

'Regime de Kiev será responsabilizado por esses crimes', diz Zakharova

representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova comentou reportagens da mídia que afirmam que Zelensky está tentando se esquivar da responsabilidade pela tentativa das Forças Armadas da Ucrânia de atacar a residência do presidente russo, Vladimir Putin.
"As declarações de Zelensky sobre Bucha são mentiras. As alegações de Zelensky sobre as crianças supostamente 'roubadas pela Rússia' são mentiras. As declarações de Zelensky sobre a falta de vontade da Rússia em negociar são mentiras. E as palavras de Lavrov são a verdade, e por esses crimes, o regime de Kiev será responsabilizado", escreveu ela no Telegram.

EUA miram a Venezuela para atingir economia e diplomacia da China na América Latina

 

20:18 29.12.2025 

O presidente chinês, Xi Jinping, com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante a visita do último à China - Sputnik Brasil, 1920, 29.12.2025
Nos siga no
Especiais
Em entrevista à Sputnik Brasil, analistas afirmam que o objetivo dos EUA ao coagir militarmente a Venezuela é excluir a China da América Latina e recolonizar a região.
Os Estados Unidos intensificaram a pressão militar contra a Venezuela. No último fim de semana, o presidente estadunidense, Donald Trump, afirmou que militares norte-americanos destruíram "uma grande instalação" na Venezuela.
Sem dar mais detalhes da instalação ou local do ataque, a fala sinalizava ligação com a ofensiva militar dos EUA na Venezuela sob a alegação de combate ao narcotráfico, empreitada classificada pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, como tentativa de exercer "domínio colonial" sobre o país e o petróleo venezuelano. Trump, de fato, vem convidando petroleiras norte-americanas a retornar à Venezuela, embora não tenha anunciado o petróleo do país como um de seus objetivos.
A ofensiva dos EUA na Venezuela gerou apreensão no mercado global de petróleo, com o temor de que o cenário volátil faça saltar os preços da commodity, uma vez que a Venezuela detém a maior reserva de petróleo do mundo.
Há ainda a suspeita de que o verdadeiro objetivo da ofensiva dos EUA seja a China, principal compradora do petróleo venezuelano, que nos últimos anos ampliou sua presença e influência na América Latina.
O petroleiro Evana atracado no porto El Palito em Puerto Cabello, Venezuela, 21 de dezembro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 27.12.2025
Panorama internacional
Analista: caçada dos EUA a petroleiros perto da Venezuela é passo calculado, não prelúdio para guerra
À Sputnik BrasilCarolina Pedroso, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que há risco de escalada nos preços do petróleo, e diz que "os efeitos já estão sendo sentidos com o aumento do preço do barril".
"Por ser um produto com demanda inelástica, cuja procura se mantém a despeito da quantidade ofertada no mercado, qualquer dificuldade de acesso repercute nos valores. Uma ressalva é que a Venezuela, embora contenha a maior reserva petrolífera do mundo, não tem níveis de produtividade tão elevados, mas ainda assim a interrupção do fornecimento causa preocupação em quem precisa adquirir esse produto e gera apreensões no mercado", destaca Pedroso.
Pedroso também diz não haver dúvidas de que a China é um dos alvos dos EUA, e lembra que o país asiático, desde 2013, é o principal parceiro comercial da Venezuela e um dos sócios confiáveis de Caracas para manter a economia funcionando, "não só no comércio, como forma de substituir a enorme dependência da relação bilateral com os EUA, mas como fonte de financiamento".

"Além da dimensão geopolítica, produzir esse bloqueio naval contra o petróleo venezuelano atinge diretamente o fornecimento do mercado chinês e pode ser interpretado como um gesto que compõe a guerra comercial dos EUA contra qualquer ator que eles considerem seus competidores."

A opinião de Pedroso é compartilhada por Williams Gonçalves, professor de relações internacionais aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU).
Ele afirma que a China não depende exclusivamente do petróleo venezuelano, mas ainda assim 80% das importações da commodity do país vêm da Venezuela.
"Por enquanto isso não aconteceu, mas uma intervenção militar, como anunciada pelo presidente Trump, embora não seja provável, a invasão tem sido usada como um instrumento de pressão, certamente irá alterar o comportamento do mercado do petróleo", explica.
Ele acrescenta que os EUA já compreenderam e aceitaram a dinâmica da multipolaridade do sistema e da estrutura internacional, mas não admitem perder a corrida econômica e tecnológica para a China tampouco perder a América Latina como sua área de influência para Pequim.

"Os EUA não podem se apresentar, não podem funcionar como um polo de poder, sem o controle sobre a América Latina."

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Gonçalves afirma que, na avaliação de Washington, todas as riquezas, as matérias-primas existentes na América Latina, devem estar disponíveis para os EUA, o que não acontece atualmente.
"Elas não estão disponíveis para a potência norte-americana, porque há uma intensa participação da China na economia dos países latino-americanos. Então, retomar o controle da América Latina não é apenas uma questão política. [...] Significa privar a China dos recursos que estão na América Latina", afirma.
Para reverter esse cenário, avalia o analista, ter o controle sobre a Venezuela é fundamental para os EUA, pela posição geoestratégica do país no Caribe e por ser uma fornecera de matéria-prima e petróleo.
"Então, no projeto norte-americano de Trump, de fazer a América grande novamente, é indispensável ter o controle sobre o petróleo da Venezuela. [...] A questão ali é, pura e simplesmente, remover Nicolás Maduro do poder, entregar o poder à oposição, que, por sua vez, entregará toda a economia para os EUA. Isso seria uma vitória muito importante para os EUA e uma derrota para a China."
Ele afirma que a pressão que os EUA fazem hoje sobre a Venezuela é a mesma sobre todos os outros países da América Latina, excluindo apenas o componente militar.

"Todos estão sendo assediados para voltar para os braços dos EUA, se alinhar com os EUA. Alguns não há necessidade de pressão, esses correram para os braços dos EUA, como é o caso da Argentina, de [Javier] Milei, da Bolívia, do Chile e outros países do continente."

Para o analista internacional, professor de história e pesquisador do Núcleo de Estudos das Américas (Nucleas) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador do projeto "Geoestratégia Estudos", João Claúdio Pitillo, as ações dos EUA na Venezuela são "irresponsáveis" e colocam em risco não apenas a sociedade venezuelana, mas também o comércio mundial.
"Se os EUA continuarem com essas ações corsárias de impedir a Venezuela de vender o seu petróleo livremente, isso sim pode provocar uma crise no fornecimento do petróleo a nível mundial, uma elevação do preço do produto, isso pode desencadear também uma disparada dólar e fomentar crises em vários países ao mesmo tempo no mundo", analisa.
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Ele afirma que a Venezuela, além de ser um país postulante ao BRICS, é um parceiro importantíssimo para a China no fornecimento de petróleo. Segundo o historiador, ao atacar a Venezuela, o governo norte-americano mira Pequim e o desenvolvimento industrial chinês, que estão intimamente ligados.

"Todos sabem que a Venezuela não tem a menor capacidade de ameaçar a segurança dos EUA e nem é interesse do governo Nicolás Maduro criar qualquer tipo de problema para os EUA. E essa ação contra Maduro visa atingir a China, não só a Venezuela, mas o alvo prioritário é combalir o fornecimento de petróleo à China."

Pitillo afirma que os EUA têm como objetivo excluir três países da América Latina: China, Rússia e o Irã.
"Quer excluir não só suas relações comerciais, mas também a sua diplomacia. E dentre esses três países, o prioritário é a China. A força que a economia chinesa desembarcou na América Latina na última década vem assustando os EUA, porque a China é capaz de competir com os interesses estadunidenses na América Latina formulando parcerias de ganha-ganha, parcerias justas, parcerias onde a América Latina ganha, como nunca ganhou nas relações com os EUA."
Segundo ele, a exclusão completa da China da América Latina abre margem para os EUA recolonizarem a região.
"O interesse dos EUA é a parte da dominação, da subordinação da América Latina, e na qual eles privilegiam elites que vão consagrar o alinhamento automático. A China não trabalha assim. A China, a partir da sua engenharia social, ela oferece para a América Latina parcerias vigorosas e lucrativas. Isso é uma ameaça para os EUA", explica.

China pode apoiar militarmente a Venezuela?

Para Pedroso, as recentes declarações da China em apoio à Venezuela e condenando os ataques dos EUA são importantes porque demonstram o descontentamento de Pequim com as ações unilaterais dos EUA, mas "há limites para o quanto elas podem ser decisivas para mudar o rumo das coisas".
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"Por isso tem sido bastante pertinente a postura venezuelana de levar essa pauta nas esferas multilaterais, especialmente no Conselho de Segurança da ONU, no qual essas posições de China e Rússia, por exemplo, ganham um peso maior por serem atores com poder de veto", afirma.

Ele avalia que a empreitada de Trump na Venezuela visa testar os limites da influência da China na América Latina.
"Não só os limites, mas a própria inserção pacífica da China que está consolidada em suas diretrizes de política externa, em que até mesmo em seu entorno estratégico mais imediato o uso da força direta é evitado ao máximo. Na América Latina seria ainda mais improvável uma ação direta da China nesse sentido."
Gonçalves afirma que a China baseia toda a sua estratégia de expansão de poder e formação de aliança na defesa da soberania e desenvolvimento do Sul Global, mas não acena nem nunca acenou com a possibilidade de apoio militar.
"O apoio chinês é econômico, é político, é moral, mas não é militar. E no caso da América Latina, trata-se de um cenário geográfico muito distante da China, do outro lado do mundo, de modo que é muito difícil imaginar a China sendo arrastada para uma guerra contra os EUA, tendo como motivo a ação dos EUA na América Latina."
Pitillo afirma que a China tem duas maneiras contundentes de defender a Venezuela: fornecer armamentos ou usar seu poder de persuasão diplomático.

"A diplomacia chinesa tem uma ascendência muito forte entre as lideranças estadunidenses e ela precisa intensificar essas ações diplomáticas. E a China é um dos países que tem poder a nível diplomático de dissuadir os EUA a continuarem com as suas ações visando desestabilizar a Venezuela", aponta o especialista.


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