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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

CUSPIR NO CHÃO

Homem recebe multa de R$ 1.845 por cuspir no chão folha que voou dentro da boca

Homem é multado em R$ 1.845 por jogar lixo na rua — após cuspir uma folha que entrou em sua boca

30/12/2025 às 11h06

Foto do perfil do autor - Carolina Sott

Carolina Sott

Florianópolis


Homem multado por engolir folha

Homem de 86 anos é multado em R$ 1.845 após cuspir uma folha que entrou em sua boca em cidade turística na Inglaterra

Foto: New York Post/Reprodução/ND Mais

O que deveria ser apenas uma pausa para descanso terminou em um prejuízo salgado para Roy Marsh, um inglês de 86 anos. O idoso foi multado em £ 250 (cerca de R$ 1.845 na conversão atual) por “jogar lixo na rua” após um incidente inusitado: ele cuspiu uma folha que voou para dentro de sua boca.

O caso ocorreu em um estacionamento na cidade turística de Skegness, na costa leste da Inglaterra. Segundo relatou à BBC, Marsh caminhava pelo local quando o vento soprou um “grande junco” em sua direção.

“Eu cuspi, e assim que me levantei para ir embora, dois [agentes da lei] vieram até mim”, contou o aposentado.

Abordagem e indignação: homem multado por cuspir folha no chão

A princípio, Marsh não acreditou na gravidade da situação. Ao ser acusado pelos agentes de “cuspir no chão”, ele chegou a chamar um dos oficiais de “garoto bobo”, acreditando se tratar de um equívoco simples. No entanto, a punição veio de forma severa, e ele logo percebeu que a multa era real.

Roy Marsh, de 86 anos, foi multado em £250 por jogar lixo na rua depois de cuspir uma folha que voou para sua boca.Foto: Facebook/Jane Marsh Fitzpatrick

Roy Marsh, de 86 anos, foi multado em £250 por jogar lixo na rua depois de cuspir uma folha que voou para sua boca.

Foto: Facebook/Jane Marsh Fitzpatrick

“Tudo foi desnecessário e desproporcional”, desabafou Marsh. Ele ainda tentou recorrer para reduzir o valor para £ 150 (cerca de R$ 1.100), mas acabou sendo obrigado a pagar o montante total de £ 250.


Críticas ao rigor excessivo

A rigidez da punição gerou revolta entre as autoridades locais. O vereador Adrian Findley criticou a postura dos agentes, classificando-a como “mão pesada”, especialmente em uma cidade que vive do turismo. Para ele, falta bom senso nas fiscalizações:


“Eles estão indo longe demais”, afirmou Findley.


“Se eu viesse aqui de férias e recebesse uma multa de 250 libras, não gostaria de arriscar voltar.”

“É preciso haver discrição. Não podemos esperar que os idosos corram atrás de pacotes de batatas fritas na rua se estiver ventando.”

Marsh disse que a multa deveria ser reduzida para £150 (US$200) após um recurso, mas que ele ainda era obrigado a pagar o valor total.Foto: Facebook / Jane Marsh Fitzpatrick

Marsh disse que a multa deveria ser reduzida para £150 (US$200) após um recurso, mas que ele ainda era obrigado a pagar o valor total.

Foto: Facebook / Jane Marsh Fitzpatrick

Findley defende que os oficiais deveriam ter a sensibilidade de identificar o que é um “acidente genuíno” e permitir que o cidadão se desculpe ou corrija o erro antes de aplicar uma multa tão elevada.

O que diz o conselho local

Apesar das críticas, o Conselho Distrital de East Lindsey manteve sua posição. Em resposta à BBC, o órgão afirmou que os agentes abordam apenas quem é flagrado cometendo “crimes ambientais” e garantiu que as patrulhas seguem critérios rigorosos.

De acordo com o conselho, as fiscalizações “não são direcionadas a nenhum grupo demográfico específico” e “não são discriminatórias”. O episódio de Roy Marsh, embora pareça extremo, reflete uma tendência de fiscalização rigorosa no Reino Unido, onde casos semelhantes têm se tornado cada vez mais comuns.

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Mas o ato de cuspir  já foi reprimido inclusive no Brasil, senão vejamos:

Fonte: PAULO CAVALCANTI    -  Eça de Queiroz, agitador do Brasil. 

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O mais curioso está contido no trecho abaixo, que se transcreve (sic): 

- E chamam ás Sentenças, Cuspir; dizendo; = "O fidalgo de tal parte tem cuspido que tem tal pessoa razão"; é como dizer: "al Senhor ou Juiz tem dado Sentença por Foam”. - ANDRÉ ALVARES D’ALMADA - Tratado breve dos rios de Guiné do Cabo-Verde. (1534)

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Finalmente, já houve quem se orgulhasse, até mesmo, de "cuspir sangue":

- Quando completei quinze, tornei-me ferroviário e saí de casa para morar em um vagão de trem junto a algumas dezenas de peões de trecho, como são chamados os trabalhadores braçais que deixam suas casas e cidades em busca de trabalho, compondo uma enorme população flutuante em cidade, de obra em obra. 
Passei então a trabalhar na Estrada de Ferro Noroeste Brasil. 
Nome bonito, não acham? 
Soava imponente, e eu me sentia importante. Vivia e trabalhava com a peonada, construindo e fazendo manutenção de ferrovias. Como era um trabalho ao ar livre, eu gostava. Dava uma sensação de liberdade.
O esforço era tanto que às vezes cuspia sangue, mas eu era feliz. Achava que, participando da construção da ferrovia era também um desbravador. - ANTÔNIO ALVES DA SILVA - Cartas às filhas - Florianópolis/2022, p. 26.


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