A ilha de SC era cheia de pequenos cursos d'água, que desciam livremente das encostas para as baias. Do morro do Mato Grosso (o nome revela a abundância de árvores de grande porte que protegiam as nascentes), que se estende das proximidades do Hospital de Caridade até as proximidades do Shopping Beira-mar, recolhia-se, inclusive, as águas que abasteciam a cidade.
Das encostas do Saco Grande, no distrito de Santo Antonio de Lisboa, em cujo sopé passa a SC-401, desciam incontáveis regatos.
Faz-nos lembrar o quadro descrito pelo escritor abaixo:
Os inúmeros montes e vales, centenas de filetes d’água a cascatear morro abaixo, o eterno verde escuro das laranjeiras e limoeiros, das árvores sussurrantes da floresta e das densas enrediças (...) - JOÃO SEVERIANO DA FONSECA - Viagem ao redor do Brasil.
Eles - os filetes de água - foram sendo afrontados pela ocupação humana, mas, de vez em quando, vingam-se dos ataques sofridos.
Estão aí os episódios de inundação, consequência inarredável da ocupação desordenada dos morros, que implicou em desmatamento e remoção do húmus que funcionava como esponja.
As águas, sem nada a segurá-las, passaram a descer com inaudita velocidade, os leitos naturais não mais as comportam e, consequentemente extravasam. O solo que fica entre as encostas e o mangue, cimentado e/ou asfaltado, não se presta mais à percolação.
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