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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Manning - o soldadinho de aço



Ana Echevenguá

“... E nessa destruição geral de nossas instituições, a maior de todas as ruínas, Senhores, é a ruína da justiça, colaborada pela ação dos homens públicos, pelo interesse dos nossos partidos, pela influência constante dos nossos Governos..." - Rui Barbosa - Discursos Parlamentares - Obras Completas - Vol. XLI - 1914 - Tomo III - pág. 86/87. 
- 1914 - TOMO III - pág. 86/87
Quem luta por Justiça está de olhos e ouvidos abertos para o julgamento do soldado Bradley Manning, que começou em 03 de junho de 2013; e que poderá durar meses, até a decisão final.

Um acontecimento que interessa a todo o mundo civilizado. Um “julgamento espetáculo”, como afirma Julian Assange:  "Este é um exercício de relações públicas destinado a fornecer ao governo (dos Estados Unidos) um álibi para a posteridade. Este é um show de vingança inútil, um alerta teatral às pessoas com consciência"*.

Para muitos, Manning é o grande herói americano da hora. Um jovem soldado, atualmente com 25 anos de idade (com rostinho angelical nas imagens encontradas na WWW), que está preso, desde 2010, acusado de 22 crimes pelos EUA.

Na verdade, o que ele fez? Entregou à Wikileaks documentos confidenciais sobre crimes ocorridos nas guerras no Iraque e Afeganistão. Ou seja, corajosamente, mostrou ao mundo as “verdades inconvenientes” das guerras americanas atuais; inclusive o vídeo “Collateral Murder”, no qual militares norte-americanos assassinaram 12 civis desarmados, entre estes 2 jornalistas da Agência Reuters, e feriram duas crianças***.


Com tal atitude, supostamente, teria ajudado o inimigo. E, segundo o Código de Justiça Militar, “ajudar o inimigo” é crime punível com a morte.

Desde sua prisão, em 2010, Manning está na mídia, dividindo opiniões, fazendo o mundo pensar... Preso há mais de 3 anos,  atrelado a um processo judicial que apresenta vários erros crassos.  Cumprindo pena antes de sua efetiva condenação.

 

Uma vergonha para o país da “Estátua da Liberdade”.

 

E a situação é mais vergonhosa porque  o tratamento dispensado a Manning conta com o aval do presidente Barak Obama. 

 

Ainda em 2010, o porta-voz de Hillary Clinton - P. J. .Crowley – falou à mídia que “O que o Departamento da Defesa está fazendo a Bradley Manning é ridículo, contraproducente e estúpido”*****. Após, renunciou – ou foi obrigado a renunciar - ao cargo que ocupava.

 

A História não deixa dúvidas: quem mexe com “valores” estabelecidos, e tenta romper paradigmas, desde sempre,  é chamado de criminoso, de louco, de visionário...

Várias celebridades juntaram-se na defesa do soldado. Dentre eles, o famoso cineasta Oliver Stone. Lançaram a Campanha ‘Eu sou Bradley Manning’.  “No vídeo, os participantes perguntam ao espectador o que eles fariam no lugar de Manning e se teriam coragem de revelar ações ilegais, crimes de guerra ou "atos terríveis" de seu próprio país. E, por essa razão, eles afirmam que "qualquer um de nós poderia ser Bradley Manning"***. Sugerem ainda que  Manning seja indicado para o Prêmio Nobel da Paz, com um abaixo-assinado que já possui mais de 70 mil assinaturas.

(Importante salientar que, em 2011, WikiLeaks também foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, por se tratar de "uma das contribuições mais importantes para a liberdade de expressão e transparência" no século XXI e por "divulgar informações sobre corrupção, violações dos direitos humanos e crimes de guerra”, segundo o indicador, o parlamentar norueguês Snorre Valen****).

Será que estamos vivenciando mais um caso de ruína da Justiça, como alardeou Rui Barbosa?

Tudo isso me fez lembrar Joana d’Arc que, incompreendida e injustiçada, foi condenada à morte em 1431. Lembrei também que o tempo ajuda a rever decisões. E que, em 1922, ela foi declarada padroeira da França.

Eu sou Manning. Eu sou Joana d’Arc. E você?



Ana Echevenguá - advogada - OAB/SC 17.413
Florianópolis - SC - Brasil
(48) 96459621
(48) 91343713

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