Estamos virando o pinico do Brasil. Tudo que é imundície parecida vem parar aqui. Mas não é só a música eletrônica que nos infelicita. Esse tal de "sertanejo universitário", outra nojeira, também aportou forte na Ilha, com uma casa noturna que se chama Fields.
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Conferência regional do Rio Music Conference discutiu a música eletrônica em Florianópolis
Com grandes casas noturnas e público cativo, cena da música eletrônica no Estado ainda precisa abrir espaço para os DJs locais
@carolinafm_ND
FLORIANÓPOLIS
Marco Santiago/ND

Painel discutiu a organização de núcleos intereativos, como a rádio Dance Paradise, de Eduardo Petrelli (E)
Subindo as escadas para a área de eventos do hotel Il Campanario, em Jurerê Internacional, já se ouviam as batidas da música vindo do grande terraço — onde o som não parou durante a tarde inteira. O local recebeu na última sexta-feira a conferência regional do RMC (Rio Music Conference) em Florianópolis, etapa do principal evento de música eletrônica do país, que acontece no Rio de Janeiro durante o Carnaval. O estilo musical — que hoje define mais uma forma de produção do que um gênero específico — movimentou R$ 1,95 bilhão no ano passado. O foco do evento é qualificar esse mercado, ainda recente e em rápida expansão.
O RMC promove mesas de discussão e oficinas capacitam o profissional da área tanto na técnica — como no workshop com um equipamento da Pioneer ainda não lançado no Brasil — quanto em orientação de negócio. “Esse é um mercado de empreendedores, desde os empresários até os artistas”, diz Guilherme Borges, da organização do evento. Para ele, Santa Catarina tem uma representatividade inegável no cenário eletrônico nacional por conta das grandes casas, com destaque para Balneário Camboriú, mas ainda está em desenvolvimento.
“Do ponto de vista empresarial, Santa Catarina cresceu muito rápido. Cresceu em uma velocidade muito maior do que a produção artística”, considera Borges. No painel de discussão sobre o cenário de Florianópolis e região, um dos assuntos abordados foi como as casas do Estado ainda estão muito voltadas para atrações de fora. Mas, para o organizador, é uma questão de tempo para que a produção local acompanhe esse ritmo — dois a três anos na sua previsão. “Essa é uma revolução silenciosa, porque ela acontece nos quartos desses jovens”, diz ele. Enquanto quem formava uma banda de rock era ouvido pelo prédio inteiro, os futuros DJs trabalham silenciosamente, na privacidade de seus fones de ouvido.
Espaço alternativo nos núcleos coletivos
O painel de perguntas e respostas com núcleos interativos foi um momento para mostrar a produção alternativa da região. Dentre os cinco grupos que participaram da discussão, quatro são virtuais — o que já reflete a vocação dessa “geração eletrônica” para a tecnologia, não só para criar música mas também para compartilhá-la. Um exemplo de popularização da música eletrônica de maneira multi-plataforma é a rádio Dance Paradise, projeto em grupo representado no evento por Eduardo Petrelli. Outros membros estão na Holanda, para participar de uma mesa sobre rádios no Amsterdam Dance Event, um dos maiores eventos de música eletrônica. A rádio online 24h também tem programas regionais na Jovem Pan — inclusive em Florianópolis—, e já promoveu festas e coberturas de eventos. “Essa ideia de núcleos permite que um ajude o outro, e se fortaleça para que a cena cresça”, diz Petrelli.
A única iniciativa do painel classificada como “urbana” é o Sounds in da City, uma empreitada de um homem só. Allen Rosa, que idealizou o projeto em 2010, o coordena sozinho, porém abre espaço para os DJs de Florianópolis que não encontrariam lugar nas casas noturnas da cidade e região. O Sounds in da City é um evento gratuito e aberto ao público que acontece semanalmente no trapiche da Beira-Mar Norte, no fim de tarde de domingo, e que pretende ocupar o espaço da cidade. “Isso surgiu com a carência de espaço para ideias alternativas”, diz ele. Com quase dois anos de existência, o projeto já inspira outras iniciativas, inclusive fora do Estado. O grupo paranaense recém-formado WAN, que também participou do painel, espera conseguir reproduzir o modelo em Curitiba.
Publicado em 15/10-09:46 por: Carolina Moura.
Atualizado em 15/10-16:38
Atualizado em 15/10-16:38
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