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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Associação perversa - Empresários, banqueiros e políticos

É preciso atentar para o que acontece, mundo afora, na esfera pública, contra os interesses populares.
A legislação é feita de forma a propiciar lucros estratosféricos a empresários, notadamente dos que atuam no setor financeiro, os quais, aos seu turno, distribuem parte de tais lucros aos políticos e todos contam com a tolerância do Judiciário, poder que, sempre que pode, opta pela impunidade dos poderosos, prolatando decisões que fundamentam com a legislação feita de encomenda para  tanto.
Observa-se, assim, uma associação perversa, onde a vítima é sempre o povo, que paga os tributos enfiados goela abaixo e cujas necessidades básicas não são atendidas. 
E nem me venham com a cantilena de que empresário - incluindo banqueiro - também paga tributo, porque tais segmentos repassam os tributos (que consideram custo operacional) para o preço dos produtos e serviços e o povo, destinatário final, os suporta, obviamente.

Vejam o caso abaixo. 

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'Roubo do século' ameaça quebrar economia de um país inteiro


Dinheiro desapareceu dos bancos poucos dias antes das eleições de novembro passado

Os cidadãos da Moldávia foram alertados pelos jornais recentemente de que 12% do Produto Interno Bruto do país simplesmente desapareceram - e que a pequena nação, espremida entre a Romênia e a Ucrânia, estava sob o risco de quebrar.

Informações vazadas pelo Banco Central e por uma consultoria revelaram um buraco de US$ 1 bilhão (R$ 3 bilhões) em três das maiores instituições financeiras do país, o que muitos no país chamaram de "o roubo do século".


O desaparecimento do dinheiro foi notado poucos dias antes das eleições para o Legislativo, em 30 de novembro de 2014, quando três bancos declararam dívidas que, somadas, resultam neste montante.

As dívidas resultam de misteriosos empréstimos concedidos a obscuros destinatários, e ninguém sabe ao certo onde o dinheiro foi parar.


Para evitar a fuga de capitais ou a quebra das instituições envolvidas - Banca de Economii, Unibank e Banca Sociala -, o Estado se viu obrigado a regatá-las, injetando nelas US$ 870 milhões.

Mas como puderam ser concedidos estes supostos empréstimos?

A tramaBanco tiveram de ser resgatados para que economia do país não quebrasse

Aqui entra a figura de um dos grandes empresários do país, Ilan Shor, de apenas 28 anos, que está sob prisão domiciliar, segundo a imprensa da Moldávia.

A consultoria Kroll diz que o grupo empresarial de Shor seria "um dos beneficiados, se não o único" da movimentação bancária ocorrida nos dias cruciais do escândalo.

A Kroll relatou que, entre 2012 e 2014, o empresário e outros acusados adquiriram o controle sobre as três entidades financeiras.


Logo em seguida, começaram os empréstimos ao grupo Shor. Em outras palavras, segundo a Kroll, o empresário começou a emprestar dinheiro a si mesmo e a seus negócios.

Os empréstimos recebidos pelas empresas aumentaram 150% em seis meses só no caso do Unibank, por exemplo.

Em novembro de 2014, foram feitos os empréstimos de US$ 1 bilhão que acabaram em destinos desconhecidos, provavelmente em paraísos fiscais.

A investigaçãoEmpresário Ilan Schor está em prisão domiciliar após suspeita de ter montado esquema

No entanto, não será fácil localizar o dinheiro, porque os registros de muitas transações foram eliminados dos sistemas de computador e de arquivos físicos de documentos dos bancos de forma "suspeita", diz o relatório da Kroll.

Agora, a economia do país está abalada. Sua dívida após o resgate do governo aumentou para US$ 1,7 bilhão; sua moeda se desvalorizou 42% desde novembro.

Além disso, a Rússia tinha imposto um embargo a produtos agroalimentares do país, o que, junto com o buraco deixado pelo sumiço do dinheiro, fará seu PIB cair 1% em 2015, depois de ter crescido mais de 4% em 2014.

E não há expectativa de que o dinheiro será recuperado. "Certamente não 100%", disse o presidente da associação de banqueiros da Moldávia, Dumitru Ursu, à agência AFP. "O que faltar constará como dívida pública."

Há uma semana, 40 mil pessoas realizaram um protesto na capital, Chisinau, pedindo novas eleições e que os protagonistas do golpe bancário sejam presos.

A dimensão do escândalo em um país de 4 milhões de habitantes foi bem resumida pelo representante da União Europeia na Moldávia, Pirkka Tapiol:

"É inexplicável! Como podem roubar uma soma tão grande de um país tão pequeno?"

Fonte: http://www.bbc.co.uk/

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