Perfil

Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

Mensagem aos leitores

Benvindo ao universo dos leitores do Izidoro.
Você está convidado a tecer comentários sobre as matérias postadas, os quais serão publicados automaticamente e mantidos neste blog, mesmo que contenham opinião contrária à emitida pelo mantenedor, salvo opiniões extremamente ofensivas, que serão expurgadas, ao critério exclusivo do blogueiro.
Não serão aceitas mensagens destinadas a propaganda comercial ou de serviços, sem que previamente consultado o responsável pelo blog.



sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Bombinhas/sc - Taxa de pedágio ambiental cobrada não é revertida em proteção



Paulo Rolemberg
paulo.rolemberg@ndmais.com.br

Desde 2014, a taxa já rendeu cerca de R$ 160 milhões aos cofres municipais de Bombinhas.14/01/2026 às 17h34

Por que pedágio ambiental em Bombinhas pode custar até R$ 191Foto: Prefeitura de Bombinhas/Divulgação/ND Mais

A cena registrada na praia de Quatro Ilhas – esgoto sendo despejado diretamente na faixa de areia em plena alta temporada – vai além do constrangimento ambiental. Expõe, de forma crua, uma contradição que há anos ronda o município de Bombinhas: a distância entre o discurso da preservação e a prática da gestão da chamada TPA (Taxa de Preservação Ambiental).

Criada sob o argumento de proteger um dos litorais mais bonitos do país, a TPA transformou-se num dos mecanismos de arrecadação mais robustos entre municípios turísticos brasileiros.

Desde 2014, a taxa já rendeu cerca de R$ 160 milhões aos cofres municipais de Bombinhas. O problema é que, passados mais de dez anos, o saneamento básico – fundamento mínimo de qualquer política ambiental séria – continua falhando de forma visível. Quando o esgoto corre a céu aberto, não há marketing verde que resista.

O episódio reacendeu cobranças políticas previsíveis, mas não irrelevantes. No caso registrado por moradores faz-se um pedido de fiscalização rigorosa do Ministério Público e do TCE (Tribunal de Contas do Estado) sobre a arrecadação e o destino dos recursos da taxa. Não se trata apenas de ideologia contra tributos, mas de uma pergunta objetiva: onde está o retorno ambiental prometido ao contribuinte?

Auditorias do TCE já indicaram que menos de 1% do montante arrecadado foi aplicado diretamente em gestão ambiental. A maior fatia se perdeu em custos administrativos do próprio sistema de cobrança e em serviços de limpeza urbana – importantes, sem dúvida, mas insuficientes para justificar um tributo com pretensão ambiental estruturante. É uma inversão de lógica: cobra-se para preservar, mas gasta-se para remediar.

A prefeitura afirma que o despejo ocorreu por conta de chuvas intensas e que a fiscalização é contínua. Pode até ser. Mas o episódio revela algo maior: a TPA virou um símbolo de arrecadação sofisticada sem entrega proporcional. Se o futuro da taxa passa por sua sobrevivência política e jurídica, ele depende menos de discursos e mais de obras. Caso contrário, seguirá sendo vista não como instrumento de preservação, mas como um pedágio ambiental sem estrada.

Nenhum comentário: