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quinta-feira, 23 de abril de 2020

Cercos imperialistas

- YUVAL NOAH HARARI - Sapiens (Uma breve história da humanidade) - L&PM Editores/P. Alegre-RS/2019, p. 255, referiu o cerco do Império Romano à pequena e insignificante cidade montanhosa chamada Numância, habitada por celtas nativos da península, que ousou resistir à dominação romana. E aduziu o historiador: Os numantinos não tinham nada ao seu lado além de um amor brutal pela liberdade e por suas terras inóspitas. Ainda assim, obrigaram diversas legiões a se renderem ou recuarem humilhadas.
Finalmente, em 134 a.C., a paciência de Roma se esgotou. O senado decidiu enviar Cipião Emiliano, principal general de Roma e homem que havia derrubado Cartago, para dar um jeito nos numantinos. Ele recebeu um exército gigantesco de 30 mil soldados. Cipião, que respeitava o espírito de luta e as habilidades marciais dos numantinos, preferiu não desgastar seus soldados em combate desnecessário. Em vez disso, cercou a Numância com uma linha de fortificações, bloqueando o contato da cidade com o mundo exterior. A fome fez o trabalho por ele. Depois de mais de um ano, a provisão de alimentos se esgotou. Quando os numantinos se deram conta de que não havia esperança, incendiaram a própria cidade; segundo relatos romanos, a maioria se matou para não se tornar escrava de Roma. Mais tarde, a Numância se tornou um símbolo da independência e coragem espanholas.

Nos dias atuais, a tática de derrotar outros povos, cercando-os e privando-os de fazerem negócios com outros povos, é amplamente aplicada pelos norte-americanos, que há mais de 60 anos criaram o famoso e famigerado bloqueio a Cuba e, mais recentemente, à Venezuela, no afã de derrubar os governos Hugo Chaves e de Nicolau Maduro.
Mas as manobras são outras: valem-se os ianques do sistema financeiro internacional para abocanhar reservas da Venezuela, do incentivo a rebeliões internas e até de um golpe civil (com Juan Guaidó), além, é claro, de já terem tentado, como fizeram incontáveis vezes com Fidel Castro, matar Nicolás Maduro Moros, sem êxito, por enquanto.
E qual o motivo dos norte-americanos não terem, ainda, invadido a Venezuela? Além da resistência dos governos e do povo venezuelano, o declarado apoio e a presença da Rússia e da China, cujos investimentos no país não são nada desprezíveis.
Se invadirem a Venezuela, os ianques terão que enfrentar a união do país invadido com os dois parceiros citados e, de quebra, o Irã, que já se declarou também aliado da Venezuela na eventualidade dos ianques se atreverem a uma invasão territorial.
Se tal ato fosse praticado, os venezuelanos não estariam sozinhos como os numancianos e os ianques estariam abraçando outro Vietnam, com a coincidência de que a Venezuela também é um país de características tropicais, onde os exércitos norte-americanos teriam imensas dificuldades de operar, apesar das modernas tecnologias atuais, não disponíveis nos anos 60.
Os ianques, ao seu turno, contariam com seu aliado Colômbia (histórica inimiga da Venezuela) e do Brasil, se no governo da nossa nação permanecer o belicista e capacho Bolsonaro e seus asseclas, é claro.
Se seria melhor a Venezuela render-se aos ianques, ou deixar-se dominar por russos e chineses - todos capitalistas, embora os dois últimos capitalistas de estado - eu não saberia dizer. Penso que melhor seria a Venezuela afirmar-se como nação, insistindo na própria soberania, o que não significa fechar as portas para relações com nações efetivamente amigas.

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