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Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

PROPOSTA MAROTA

Já se ouvem vozes no STF apregoando a remessa do caso do Banco Master para a primeira instância.

Advinhem se veremos incidência de prescrição na esfera criminal, para proteger os banqueiros e outros co-autores das sacanagens. 

"Bandido bom é bandido morto", salvo se for rico, poderoso e tiver em suas mãos o rabo de certas pessoas. 

Sobre a primeira caça de baleia no Brasil e sambaquis

Lejos del hemisferio norte: la primera caza de ballenas habría sido en las costas de Brasil y hace 5.000 años

Un estudio apunta a que antiguas comunidades del litoral usaron armas para aprovechar a los cetáceos. El evento habria ocurrido hasta 1.500 de lo registrado en otras partes del mundo
Ilustración de los cazadores de Ballenas.PATRICIA DEL AMO MARTÍN (UAB)

MARÍA MÓNICA MONSALVE S.
Bogotá - 22 ENE 2026 - 01:30 BRT


El brasileño André Colonese, investigador de la Universidad Autónoma de Barcelona, casi lo puede ver en su mente. Hombres que llegaban triunfantes tras cazar una enorme ballena en invierno, admirados y desatando una celebración. La comunidad reunida: habían logrado garantizar carne, aceite y enormes huesos para rituales religiosos, herramientas y más armas por largo tiempo. La imagen, sin embargo, no habría sucedido en aguas perennemente frías, ni en Europa o el hemisferio norte, sino a lo largo de las costas del sur de Brasil hace unos 5.000 años. Tras reunir una serie de evidencia histórica y molecular, el equipo de Colonese publicó un estudio en la revista Nature Communications en el que sugiere que la caza de ballena más antigua que se ha registrado se dio por parte de comunidades pre coloniales que habitaban las tierras bajas de América del Sur.

“Hemos revivido un debate que estaba un poco adormecido”, señala el arqueólogo, apuntando a que, hasta ahora, se creía que los primeros eventos de caza activa de ballena habían ocurrido hace unos 3.500 o 2.500 años a lo largo de la Costa del Pacífico Norte, el Atlántico Norte y el Ártico. “Estaban ahí los rusos, los americanos, los japoneses, los canadienses y llegamos nosotros a insertarnos”, comenta con diversión.
Ilustracion de los harpones usados por los cazadores de ballenas.CEDIDAS UAB

La hipótesis viene de lo que encontraron al estudiar los sambaquis, unos montículos arqueológicos creados a partir de la acumulación de conchas y sepultamientos humanos que eran comunes entre las culturas que habitaban el sur del continente, pero que abundaban especialmente a lo largo del litoral de Brasil. 
“Se sabía que eran comunidades pescadoras y que recolectaban moluscos”, asegura. Incluso, debido a que entre los objetos que se han recolectado en los sambaquis hay huesos de ballena, también se conocía que las explotaban, pero de manera oportunista: las que encallaban o estaban moribundas. Lo que proponen ahora es que existía la intención de cazarlas, lo que arroja luces sobre la importancia que tenían los cetáceos para estas antiguas culturas.
Arpones de ballenas

Colonese ha admirado los sambiques desde que era niño. Nació en Florianópolis, capital del estado de Santa Catarina, donde queda también la bahía de Babitonga, lugar en el que se han documentado más de 200 sambiques, algunos pocos aún en pie. 
Con su equipo, y como parte de su proyecto de investigación alrededor de la pesca precolonial en esa bahía, querían conocer cuáles especies de ballena albergaban las estructuras de los sambiques. “Trabajamos con piezas del Museo Arqueológico del Sambaqui de Joinville que es pequeño, pero fantástico”, comenta. Allí, de hecho, está hospedada la colección que fue acumulando Guilherme Tiburtius, un alemán que recolectó con juicio y orden los artefactos y huesos de ballena entre 1940 y 1960, cuando los sitios se estaban desmantelando para la producción comercial de cal.Vestigios del Museo Arqueológico del Sambaqui de Joinville.CEDIDAS UAB

“Nos ofrecieron ver unos bastones y cuando nos trajeron la caja, eran unos 10 artefactos en perfecto estado, eran arpones. También había caparazones de arpón. Nos hemos mirado y dicho: ‘aquí hay algo’”. Tomaron muestras de dos de ellos para confirmar que, efectivamente, databan de hace 5.000 años. Sumando las piezas que encontraron —las armas para cazar, los huesos de ballena, su abundancia—, supieron que tenían evidencia suficiente para sumarse al debate sobre dónde y cuándo se registraron las primeras cazas de ballena.

En un artículo de la revista Science el profesor de arqueología de la Universidad de Manitoba (Canadá), Gregory Monks, que no hizo parte de la investigación, asegura que son pruebas sólidas. Pero como mucho de lo que tiene que ver con ciencia, sobre todo la que intenta descifrar qué pasó hace miles de años, el debate sigue sin estar cerrado. Nada está escrito en piedra.

Colonose lo reconoce. El campo en el que trabaja siempre implica dosis de incertidumbre. Él, además, ve otras consecuencias sobre lo que encontraron. Que para que se cazaran ballenas no hacía falta estar en aguas frías, que los sambiques eran culturas aún más complejas y ceremoniales, que la diversidad de ballenas que ha migrado por esa zona es enorme. Pero, sobre todo, que en Sudamérica también hay pistas para entender lo que fue un antiguo mundo.

Fonte: EL PAIS

Se a ONU sair mais desprestigiada do que já está...

 ...ante a iniciativa de Trump sobre o tal Conselho de Paz da Palestina, é porque não adotou os mesmos critérios para lidar com os poderosos, praticados com os países dito subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento. 

Aliás, a excrescência do chamado Conselho de Segurança da ONU, formado por países supostamente maiorais, os quais possuem privilégios estatutários na hora de serem tomadas decisões, parece-me a raiz do problema. 

Urge se adote a igualdade jurídica dos países-membros, independentemente da contribuição financeira que possam dar à Organização.

História nebulosa...

 ...envolvendo Vorcado (do Banco Master), po deputado Nicolas Ferreira, vulgo "chupetinha" e a Igreja da Lagoinha está em vídeo no Youtube. 

O "combativo" e debochado guri, assim comos filhos do Bozo,  tem seu telhadinho de vidro de 3 mm!!!

Falhas em cirurgias motivaram mais de 4 mil processos na Justiça catarinense em 2025

O que não se cogita na reportagem é de que as falhas atribuídas aos para-médicos podem ser consequência do desgaste mental decorrente de salários incondizentes com as necessidades dos servidores.

A pressa é outra inimiga da atenção. 

Mas, convenhamos, a pressa/ou a pressão salarial não justificam os incidentes abaixo apontados. Lembro do caso contado por um amigo médico (ortopedista) que estava pronto para iniciar uma cirurgia em um paciente branco (amputação de uma perna), quando notou que estava na mesa um paciente afrodescendente. São descuidos indesculpáveis. 

Quando atuei como Assessor Jurídico do Hospital (público) Homero de Miranda Gomes - mais conhecido como Hospital Regional da Grande Florianópolis, agi com o necessário rigor e intolerância contra esse tipo de mazela profissional. Era chamado pelos profissionais da saúde de "puliça". Mas, depois que abdiquei do cargo, fui procurado por médicos para fazer defesas em processos de erros médicos. Obviamente, cada caso tem suas peculiaridades e nem todos que aparentam ser erros profissionais efetivamente o são. A Medicina é uma atividade dita filosofal, mormente no que diz respeito ao diagnóstico, circunstância que aumentam as dificuldades e riscos dos cirurgiões. Por isso a indústria de seguros, no Brasil, como no estrangeiro, fatura tanto em cima dos temores dos profissionais da saúde.

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Até 30 de novembro de 2025, 91.391 processos relacionados à cirurgias por danos morais e/ou materiais foram abertos em todo o Brasil22/01/2026 às 06h15

Vivian LealFlorianópolis


Até 30 de novembro de 2025, foram 91.391 processos relacionados à cirurgias por danos morais e/ou materiais foram abertos no BrasilFoto: Breno Esaki/SES-DF/ND Mais

Recorrer a uma cirurgia é, muitas vezes, a única forma de tratar doenças e reduzir o risco de mortes associadas a enfermidades comuns. Falhas nas operações, ou em processos de segurança da assistência cirúrgica, no entanto, continuam representando uma ameaça significativa à saúde dos pacientes.

Dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) mostram que, ao longo de 2025, 1.048 processos foram abertos em Santa Catarina, foram motivados por erros nesse tipo de procedimento. O número, no entanto, é 12,08% menor do que o registrado no ano anterior.

Até 30 de novembro de 2025, foram registrados 66.097 novos processos relacionados à cirurgias gerais, de urgência e eletivas em todo o país. Em 2024, esse número foi maior, 68.203 casos que foram levados à Justiça.

Entre os principais incidentes, estão: permanência não planejada de um objeto estranho dentro do paciente após a cirurgia; operações realizadas no lado, ou local errado do corpo; cirurgias realizadas no paciente errado.

Santa Catarina atingiu a marca de 1 milhão de cirurgias realizadas em dois anos e meio na rede públicaFoto: Cristiano Andujar/Secom-SC/ND Mais

Já o número de processos por danos materiais e/ou morais, relacionados à prestação de serviços de saúde no Brasil, cresceu em 2025. Ao todo, foram 91.391 casos judicializados, sendo 70.276 relacionados à saúde privada e 21.115 à saúde pública. Em 2024, foram 76.467 casos, sendo 58.601 referentes à saúde privada e 17.866 à rede pública — número total 19,51% maior entre um ano e outro.

Processos relacionados à cirurgias em Santa Catarina

Em todo o Estado, o número de judicializações relacionadas a cirurgias gerais, de urgência e eletivas diminuiu em 2025. Até 30 de novembro de 2025, foram 1.048 ações, enquanto 2024 teve 12% a mais, 1.192 processos relacionados à cirurgias.

Quanto aos novos processos por danos materiais e/ou morais, decorrentes da prestação de serviços de saúde, o Estado contabilizou 3.266 processos. Desses 2.284 abertos contra saúde privada e 982 contra a saúde pública.
Estratégias podem reduzir erros em cirurgias

Desde 2013, o Protocolo para Cirurgia Segura (PR.NSP 005), elaborado pelo Ministério da Saúde, estabelece diretrizes para reduzir incidentes, eventos adversos e a mortalidade em procedimentos cirúrgicos. O documento recomenda a utilização de um checklist, chamado Lista de Verificação de Cirurgia Segura, desenvolvido pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

“A segurança cirúrgica depende de equipes capacitadas, ambientes adequados e do fortalecimento da Qualidade do Cuidado e da Segurança do Paciente como política pública de saúde”, explica o anestesiologista e membro da Sobrasp (Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente), Luís Antônio Diego.
Checklist claro e equipes multidisciplinares podem ajudar a reduzir erros e, consequentemente, processos relacionados à cirurgias, afirma SobraspFoto: Thiago Kaue/SECOM/ND Mais

A atuação em times multidisciplinares, envolvendo cirurgiões, anestesistas, enfermeiros, técnicos e outros colaboradores, também pode ser considerado um fator importante para evitar a imprevisibilidade dos resultados.

Contrapontos

Ao ND Mais, a Secretaria de Estado da Saúde explicou que desenvolve ações estratégicas e de vigilância em saúde, de forma sistemática e contínua, junto às áreas internas e aos serviços de saúde públicos, privados e filantrópicos de todo o Estado.

Para reduzir os eventos adversos, que acabam gerando processos relacionados à cirurgias, a SES realiza “avaliações das práticas de segurança do paciente e avaliações da cultura de segurança dos serviços de saúde, onde são identificadas as conformidades de cada instituição participante”, segundo afirmou em nota.

As avaliações, conforme a pasta, são realizadas por meio de “auditorias documentais e amostragem por avaliação in loco”. A SES informou ainda que promove e incentiva a implantação de núcleos de segurança do paciente nos municípios, com “objetivo de fortalecer toda a rede de atenção à saúde”.

Os municípios, por sua vez, ficam responsáveis por “desencadear ações locais, dentro dos seus respectivos serviços, considerando a realidade local e vocação assistencial”, explicou. Para reduzir os danos evitáveis nos cuidados em saúde, a SES realizou, em 2024, o Mapeamento Estadual em Segurança do Paciente, com base no PGSP (Plano de Ação Global para a Segurança do Paciente) 2021–2030 da OMS (Organização Mundial de Saúde).
Permanência não planejada de um objeto estranho dentro do paciente está entre as principais motivações de processos relacionados à cirurgias no BrasilFoto: Freepik/ND

A iniciativa, segundo a SES, resultou na implantação do Negesp (Núcleo de Gestão Estratégica de Segurança do Paciente), que visa “promover a segurança do paciente em nível estadual, para reduzir danos evitáveis em serviços de saúde em ações de qualidade e segurança do paciente articuladas com a Rede de Atenção à Saúde”.

A secretaria de Saúde declarou também que se destaca por “ser um estado que trabalha com transparência na saúde e que realiza a notificação dos eventos adversos e segue trabalhando para diminuir as intercorrências”.

O CRM-SC (Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina) esclareceu ao portal que os dados do Conselho Nacional de Justiça se referem a processos relacionados a cirurgias na esfera judicial, que tramitam em um âmbito diferente ao de atuação dos Conselhos de Medicina no país.

“Conforme a Lei Federal 3.268/1957, cabe aos CRMs a apuração de possíveis infrações éticas no exercício da Medicina, no âmbito administrativo, não judicial”, afirmou por meio de nota. O CRM-SC afirmou, ainda, que realiza fiscalizações in loco nos estabelecimentos de saúde quando denúncias formais são registradas, ou quando o órgão é acionado pelo Ministério Público, ou Poder Judiciário.

Nesses casos, o foco do CRM é a “verificação das condições de funcionamento dos serviços, no cumprimento das normas éticas e na segurança da assistência prestada à população”.

Fonte: https://ndmais.com.br/

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O GURU DOS BOLSONARISTAS (BANON), A PEDOFILIA, COM A OPUS DEI DE PERMEIO e outros babados


“O Movimento”: Bento XVI, Opus Dei, político de Trump, judeus e neonazis


Escrito por
Elvira Souto

Stephen Bannon, o intermitente político de Donald Trump, apoia a criação de uma aliança neonazi e fascista chamada “O Movimento”. A situação tem o seu quê de irónico, uma vez que Bannon, que afirma estar à frente de uma causa populista contra o globalismo, usa táticas globalistas para coordenar o seu objectivo de levar ao poder e sustentar governos de extrema-direita na Europa, nas Américas, na orla do Pacífico, na Ásia e no Médio Oriente. Bannon recorre, sem dúvida, à experiência que adquiriu como executivo de uma empresa extremamente globalista de Wall Street, o Goldman Sachs, para impulsionar em todo o mundo a sua agenda política de extrema-direita.

Stephen Bannon em Itália (Marco Bonomo/AP/Shutterstock)

Stephen Bannon fundou um secretariado de O Movimento em Bruxelas e uma academia para preparação de um exército de activistas políticos de extrema-direita na Abadia de Trisulti, um mosteiro da Ordem de Cister com 800 anos na região central de Itália. Bannon pretende criar uma versão ainda mais à direita da Open Society Foundation, de George Soros, um instrumento do neoliberalismo e do grande poder corporativo em todo o mundo.

Armas apontadas ao Papa

A partir da sua recém-adquirida sede em Trisulti, Bannon, que se diz católico, declarou que o liberalismo do Papa Francisco está a destruir a Igreja Católica e culpa o pontífice pela praga de pedofilia que se abateu sobre as instituições católicas. No entanto, consta que o próprio Bannon está associado a actividades pedófilas, incluindo o uso de uma casa que alugou no bairro Coconut Grove, em Miami, e que terá sido local de produção de metanfetaminas e de filmes pornográficos.

A publicação Shareblue Media revelou que o célebre director de fotografia subaquática Lawrence Curtis, que alugou a casa a seguir ao casal Bannon, disse que a habitação era usada para filmar pornografia, além de ser um lugar frequentado por um fluxo constante de homens, mulheres e até crianças onde o uso de drogas era flagrante a todas as horas do dia e da noite.

Na sua carreira, Stephen Bannon foi vice-presidente da International Gaming Entertainment (IGE), empresa de jogos de vídeo com sede em Hong-Kong com ligações a uma rede de pedofilia de Hollywood que juntava directores da IGE e de outra empresa, a Digital Entertainment Network.

Recorrendo às táticas típicas do governo de Trump, escudando-se em acusações alheias para fazer circular as suas mensagens, Bannon parece ter-se servido do ex-Papa Bento XVI, que permaneceu em silêncio após ter abandonado a cadeira pontifícia em pleno escândalo de pedofilia na Igreja Católica, para ele próprio atacar o Papa Francisco.

Numa carta recente, a primeira declaração pública desde que deixou de ser Papa, em 2013, Bento emitiu do seu apartamento isolado na área do Vaticano uma série de ataques conservadores contra o “liberalismo” na Igreja. Os pontos aflorados por Bento XVI são muito parecidos, de forma suspeita, com os invocados por Bannon, que por acaso estava em Roma quando Bento escreveu a missiva.

Bento XVI culpou as tendências liberais na Igreja Católica pelos problemas de pedofilia, escondendo o silêncio utilizado por ele e os seus arcebispos, que transferiam os padres católicos de diocese para diocese para evitar processos criminais. A acusação de Bento XVI segundo a qual os problemas da Igreja se devem essencialmente ao Concílio Vaticano Segundo e à revolução sexual nos anos sessenta é puro “bannonismo”, o tipo de argumento de extrema-direita que normalmente se encontra nas ruminações de sites de ódio na internet, como o Breibart News, por exemplo.

Onde também entra o Opus Dei

Foi o período pré-papal de Bento XVI como poderoso chefe da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício) do Vaticano que permitiu a figuras importantes da Igreja como o cardeal australiano George Pell, agora preso na Austrália depois de condenado por pedofilia, escaparem e protegerem padres pedófilos de processos criminais. Autoridades da Igreja nos Estados Unidos, Chile, Irlanda e outros países estiveram com Bento XVI na que foi talvez uma das maiores conspirações criminosas da história.

O Papa Francisco assumiu uma posição muito mais firme contra a pedofilia que grassa entre os sacerdotes. Por exemplo, Francisco retirou ao ex-arcebispo de Washington DC, Theodore McCarrick, politicamente influente, tanto o estatuto de cardeal como o de sacerdote. McCarrick tem amigos poderosos nos círculos de direita, incluindo a prelatura pró-fascista Opus Dei, que tem o fundador da empresa de mercenários Blackwater (agora Academi), Erik Prince, como um dos seus apoiantes na área de Washington. A irmã de Prince, Betsy DeVos, é a titular da Educação no governo de Donald Trump.

O Movimento é fascista e racista

O Movimento de Bannon, com o seu Secretariado em Bruxelas, funciona sob a égide de Mischael Modrikamen, dirigente do Partido do Povo Belga, organização de direita da Valónia aliada de outros partidos de direita na Flandres, Itália, Hungria, França, Holanda, Áustria, Reino Unido, Suécia, Finlândia e Espanha. À primeira vista, sendo Modrikamen judeu, não deveria ter a ver com alianças entre neonazis. No entanto, já desde a década de trinta que são conhecidos os casos de entendimento entre sionistas e nazis, incluindo, por exemplo, o “Acordo de Transferência”, que permitiu à Alemanha de Hitler conceder vistos de saída a judeus alemães que emigrassem para a Palestina, em troca de transferências de dinheiro para os cofres nazis.

Também em Hollywood houve cooperação, porque magnatas do cinema, que eram judeus, concordaram em não fazer filmes antinazis, considerados ofensivos para o Terceiro Reich, durante um período na década de trinta.

Modrikamen apresentou Bannon a dirigentes fascistas e afins em toda a Europa; e a criação da academia de formação de quados nazi-fascistas é um marco importante da sua cruzada mundial de direita.

Segundo o programa de formação, os futuros líderes fascistas aprenderão uma história do mundo que se baseia na supremacia branca “judaico-cristã” europeia sobre outras religiões e povos do mundo, em especial o islamismo e os muçulmanos. Esta visão fracturada da história imposta por Bannon tem vindo a estar na origem de mortíferos atentados terroristas como os de Oslo em 2011, Charleston em 2015, Quebec e Charlottesville em 2017, Annapolis em 2018 e Christchurch, na Nova Zelândia, em 2019.

Stephen Bannon pode ter ultrapassado limites legais nos seus ataques ao Papa Francisco a partir do Vaticano e de solo italiano. A Santa Sé é reconhecida como Estado-nação pelo “país dos gringos” e Francisco é um chefe de Estado internacionalmente aceite.

A embaixadora norte-americana no Vaticano é Callista Gingrich, esposa de Newt Gingrich. O envolvimento de Bannon, enquanto cidadão privado, numa flagrante tentativa para criar uma divisão política na hierarquia do Vaticano e o derrube do chefe de Estado da Santa Sé é uma violação da Lei Logan de 1799, que proíbe aos norte-americanos privados fazerem política externa, sem autorização, em nome do governo dos Estados Unidos. A Lei Logan é muito clara:

Qualquer cidadão dos Estados Unidos, onde quer que se encontre, que, sem autorização do seu país, directa ou indirectamente, inicie ou exerça qualquer correspondência ou relacionamento com qualquer governo estrangeiro, qualquer representante oficial ou agente do mesmo, com a intenção de influenciar as medidas ou conduta de qualquer governo estrangeiro, qualquer representante oficial ou seu agente em relação a quaisquer disputas ou controvérsias com os Estados Unidos, ou para derrotar medidas dos Estados Unidos, será multado ou preso por não mais de três anos, ou ambos.

Bannon também viola claramente a Lei da Neutralidade, que proíbe os cidadãos de participarem em actos hostis contra nações com as quais os Estados Unidos estão em paz. Se Soros, inimigo de Bannon, é acusado de violar as Leis Logan e da Neutralidade, também Bannon deve ser. No entanto, Stephen Bannon parece estar confortável no seu novo ambiente do mosteiro de Trisulti quando, com base em flagrantes violações das leis dos Estados Unidos, deveria antes estar confinado a uma célula da instituição prisional do seu país.

Wayne Madsen


OPUS DEI, SINÔNIMO DE FASCISMO E OS GOVERNOS LULA E TRUMP

Opus Dei: o que está por trás da queda de braço entre grupo conservador e o Vaticano


Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,Empossado em 2017, o chefe do Opus Dei Fernando Ocáriz Braña não foi nomeado bispo pelo papa Francisco, como mandava a tradiçãoArticle InformationAuthor,Edison Veiga

Role,De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
20 janeiro 2026


Nos intrincados escaninhos da máquina política que comanda a Igreja Católica, uma pasta especial repousa há anos em busca de solução.


É o caso Opus Dei, que trata da situação da quase centenária organização que há mais de 40 anos recebeu um privilégio inédito e único na hierarquia do Vaticano.


Tal poder concedido está, no entanto, está com dias contados após reformas impostas pelo papa Francisco (1936-2025).


Em 1982, o papa João Paulo 2º (1920-2005), simpatizante da instituição, mudou o status da organização de "instituto secular" (que, tipificado em 1947, reconhece organizações cujos membros seguem a fé católica, mas não renunciam a práticas comuns de seu meio social e nem se fecham em ordens religiosas) para "prelazia pessoal".


Apesar de muitos interpretarem o termo "pessoal" como se fosse o reconhecimento de uma proximidade na relação com o papa, não se trata disso.


Tradicionalmente, as instituições religiosas estão ligadas às suas dioceses — baseadas na territorialidade, elas são comandadas por um bispo. As dioceses, por sua vez, respondem à Santa Sé.


Já a prelazia pessoal não se baseia na localidade, e sim na pessoa dos membros — por isso o termo "pessoal".


Por esta classificação, uma prelazia pessoal não responde ao bispo da diocese onde está baseada, mas ao seu prelado, o líder superior da organização.

Ainda mais importante, o Opus Dei foi a única organização já classificada dessa forma até hoje. Mas, mudanças determinadas por Francisco retiraram recentemente seu status de prelazia pessoal.


Na teoria, a mudança concedida por João Paulo 2º serviria para conciliar o carisma da organização, que sempre defendeu o exercício da santidade por leigos, com a necessidade de estruturá-la administrativamente dentro da Igreja.


Na prática, deu ao Opus Dei uma autonomia singular na história do catolicismo, deixando, por exemplo, de ter que prestar satisfação aos bispos.


Era como se a organização fosse considerada, ela própria, uma diocese. Não à toa, virou costume também que o papa nomeasse o prelado do Opus Dei como bispo.


Nos anos 1980, no contexto da Guerra Fria, as benesses concedidas ao Opus Dei foram interpretadas como um passo mais à direita do catolicismo.


Fazia sentido: João Paulo 2º era publicamente contrário aos regimes socialistas e aos discursos comunistas. Quando ele morreu, veio Bento 16 (1927-2022), que não mexeu as peças do tabuleiro, deixando o Opus Dei com o mesmo espaço.


Após a renúncia de Bento, o pontificado de Francisco (1936-2025) incluiu o caso Opus Dei na lista do que precisava ser revisto. Segundo vaticanistas, o papa argentino se incomodava com a autonomia do grupo, considerada excessiva por ele.


Ao mesmo tempo, ele entendia que nenhuma instituição dentro do catolicismo poderia gozar de um regime de exceção.


Em sua reforma na máquina administrativa do Vaticano, Francisco viu a oportunidade de enquadrar a instituição.


Para completar o clima de tensão, o sacerdote espanhol Fernando Ocáriz Braña, chefe do Opus Dei desde 2017, não foi nomeado bispo por Francisco, como esperado segundo a tradição. Foi o primeiro prelado do Opus a não receber o título.


Para analistas, isso foi um recado: Francisco queria mostrar que o tempo de privilégios havia terminado para a organização.


"Francisco foi o papa que enfrentou o Opus Dei, que até então era praticamente intocável pela influência política e financeira que teve no Vaticano", diz à BBC News Brasil o jornalista português Rui Pedro Antunes, autor do livro Opus Dei: Eles Estão no Meio de Nós (Matéria Prima, 2016).


O teólogo e historiador Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que Francisco era um "herdeiro" da tradição do Concílio do Vaticano 2º, ocorrido entre 1962 e 1965.


Aquele concílio trouxe para a Igreja questões sociais e temas da atualidade, além da discussão sobre o poder compartilhado com as dioceses e bispos — ponto que ficou bastante evidente durante o pontificado de Francisco, que se colocava como "mais um bispo" e se mostrava aberto à maior participação das dioceses.


"Ele buscou abrir a Igreja para temas importantes e atuais. 

O Opus Dei é uma força retrógrada, e sua estrutura jurídica permitia que ela navegasse na direção contrária [do esforço do Papa em trazer a Igreja para esses temas e de ampliar a participação das dioceses]", explica Moraes.

As mudanças impostas pelo papa Francisco

Crédito,ReutersLegenda da foto,Francisco ordenou que o Opus Dei publique um novo estatuto


Francisco publicou três documentos em 2022 e 2023 que impuseram a necessidade de mudanças no Opus Dei.


Em primeiro lugar, a organização passou a ter de se reportar ao Dicastério para o Clero, e não mais ao Dicastério para os Bispos. Dicastérios são órgãos administrativos e temáticos comandados por prefeitos, nomeados pelo papa.


Como antes o Opus Dei tinha um status semelhante ao de uma diocese sem território, respondia ao Dicastério para os Bispos. Mas, depois, passou a se reportar ao Dicastério para o Clero, abaixo na cadeia de comando, voltado a assuntos relacionados aos padres e diáconos.


Assim, a mudança de dicastério foi vista como um rebaixamento e uma perda de poder.


Francisco também determinou que o Opus Dei passasse a apresentar relatórios anuais de suas atividades — e não quinquenais, como ocorria antes. E oficializou que o prelado da instituição não seria automaticamente nomeado bispo.


Mas a mudança mais nevrálgica foi no papel dos leigos, ou seja, os integrantes da organização que não são religiosos consagrados, como padres e freiras.


No entendimento de João Paulo 2º, em comum acordo com o fundador do Opus Dei, os leigos eram entendidos membros da prelazia.


Em 2023, o então papa mudou o status do Opus Dei de prelazia pessoal para associação clerical pública — que pressupõe uma submissão à hierarquia da Igreja e na qual há uma primazia do clero, embora os leigos também possam participar.


"Ao tornar o Opus Dei uma associação clerical pública, retirou-lhe margem de manobra e, por consequência, poder", explica Antunes.


Na reforma de Francisco, os católicos leigos também passaram a precisar estar ligados à diocese de seus territórios. Com as novas regras, o religioso que foi consagrado ganha importância.


"Os leigos podem dedicar-se às obras apostólicas de uma prelazia pessoal mediante convenções estipuladas com a própria prelazia; o método desta cooperação orgânica e os principais deveres e direitos relacionados a ela são determinados com precisão nos estatutos", diz o texto promulgado.


Dados oficiais do Opus Dei contabilizam atualmente 90 mil membros na instituição, a grande maioria leigos. Apenas 2015 membros são sacerdotes.


As regras impostas por Francisco também obrigam o Opus Dei a atualizar seu estatuto. Isto vem sendo feito, mas alguns críticos entendem que de forma mais lenta do que o Vaticano gostaria.


Embora não exista um prazo determinado para a publicação do novo estatuto, espera-se que tudo seja resolvido até 2028, para que o centenário da instituição seja celebrado em um contexto mais pacificado.


O estatuto terá de definir que o Opus Dei será uma associação clerical pública, como determinou Francisco.


"Esse rebaixamento de status implica que será uma associação de membros do clero secular [que responde diretamente às dioceses e bispos, diferente do clero que responde a ordens como a franciscana e dominicana], de padres e diáconos, e serão regidos por estatutos aprovados pela Igreja que concedem personalidade jurídica e definem sua missão", explica o cientista político Aldo Fornazieri, professor na Escola de Sociologia e Política de São Paulo.


"Desta forma, o Opus Dei perderá sua autonomia e privilégios e deixará de ser uma 'igreja dentro da Igreja'", prossegue o professor.


"O líder da organização deixará de ter ascendência exclusiva sobre os integrantes e todos estarão submetidos à cadeia de comando que emana do Vaticano e do papa."


De acordo com nota assinada pelo jornalista Jack Valero, chefe de comunicação do Opus Dei na Grã-Bretanha, "o que está sendo estudado é como o carisma e a dimensão jurídica do Opus Dei podem coexistir".


Leão 14 pode reverter o que foi iniciado por Francisco?

Crédito,EPALegenda da foto,Não há sinais de que o papa Leão 14 vai voltar atrás do que foi determinado por Francisco


Nas últimas semanas, a BBC News Brasil conversou com membros do Opus Dei em quatro países diferentes. Todos solicitaram que seus nomes não fossem citados na reportagem, afirmando que as informações oficiais devem ser dadas pelos escritórios de comunicação mantidos pelo Opus.


Os entrevistados indicaram não se importar com a questão de o prelado não ser mais nomeado bispo.


"Não é uma guerra pelo poder", disse um deles.


"Não estamos preocupados com política interna, nem com hierarquia", comentou outro.


Outro ponto debatido pelos membros da organização é qual pode ser a postura do papa Leão 14, entronado em maio após a morte de Francisco.


Quando o atual papa era simplesmente o bispo Robert Prevost, ele comandou a diocese peruana de Chiclayo, entre 2014 e 2023. É uma região onde há diversos sacerdotes ligados ao Opus Dei.


Isso, na visão de alguns membros, poderia ajudar com que a conduta relacionada ao Opus Dei fosse mais amistosa do que nos tempos de Francisco.


Leão 14 já teve conversas privadas com o prelado do Opus Dei, mas nada indica que retrocederá no que foi determinado por Francisco. Mesmo assim, internamente ainda se espera "pelo menos alguns ajustes", afirmam os membros.


Fornazieri acha que uma mudança de rumos sob o novo papado é "improvável", porque o Opus Dei "vem causando desconforto em vários segmentos católicos".


"Não há uma data publicamente conhecida para que o processo de adaptação ser consumado, mas existem informações de que o papa teria dado um ultimato", comenta o professor.


"Acredita-se que o novo estatuto já esteja em fase final e conclusiva."


Um texto publicado no site do Opus Dei em junho classificou como "falsa" a informação de que o papa Leão 14 teria dado um ultimato cobrando celeridade na elaboração do novo estatuto.


A reportagem questionou o departamento de comunicação do Opus Dei, mas a instituição se limitou a enviar uma sucinta nota à reportagem, assinada pelo jornalista Roberto Zanin, do escritório brasileiro.


No texto, ele enfatizou que a ordem "tem trabalhado, em sintonia com as orientações da Santa Sé, para adequar seu estatuto".


Roberto Zanin afirmou que "o resultado desse trabalho" foi entregue ao Vaticano em junho e que o Opus aguarda a aprovação do papa para, só então, conceder entrevistas sobre o assunto.

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Pois bem: O atual vice-presidente do Brasil, Geral Alckmin é integrante da Opus Dei. O "picolé de chuchu" tem uma ligação histórica com a instituição, sendo frequentemente citado como frequentador de atividades ligadas à obra.

Quanto aos integrantes do governo Trump, vejamos:

Estará o Opus Dei por trás da “conversão” católica a Trump nos Estados Unidos?Foto: RawPixel | Outras Palavras

31 Agosto 2024


Para essa ‘conversão’ de uma parte do catolicismo, o ex-presidente contou com um ‘São Paulo’, Kevin Rogers, que fez dele uma ‘bíblia’ de mais de 900 páginas, um roteiro dessa virada nacionalista cristã.

Roberts começou a ganhar notoriedade após o Projeto 2025, “um plano popular apoiado por mais de 100 grupos conservadores que busca mudar radicalmente uma ampla gama de políticas se Trump for eleito novamente”.

Roberts tem laços estreitos e recebe orientação espiritual regular de um centro dirigido pelo Opus Dei”, organização descrita como “radical” e “grupo católico secreto”.

A linguagem militante de Robert, Leo e Vance pode ter sido inspirada em Escrivá, fundador do Opus Dei espanhol.

A reportagem é de José Lorenzo, publicado por Religón Digital em 30-08-2024.

O novo populismo tem um dos seus profetas em Donald Trump e, em sua deriva personalista, tem conseguido cobrir-se com o manto do nacionalismo cristão e das reminiscências dos primeiros colonos, algo que até agora as igrejas evangélicas e, nos últimos tempos, também o catolicismo, a ponto de, segundo dados do Pew Research Center de abril passado, entre os católicos brancos, 60% se identificarem agora com o Partido Republicano.

Para essa ‘conversão’ de uma parte do catolicismo, o ex-presidente contou com um ‘São Paulo’, Kevin Rogers, que fez dele uma ‘bíblia’ de mais de 900 páginas – o polêmico Projeto 2025 – que é como um mapa dessa virada nacionalista cristã que também tem entre os seus defensores JD Vance, o católico convertido designado por Trump como seu vice-presidente, se vencer as eleições presidenciais para a Casa Branca em novembro próximo.

Além de ser um apologista do que chama de ‘Segunda Revolução Americana’, Kevin Roberts é presidente da Heritage Foundation, um think tank de extrema-direita cujo objetivo é “formular e promover políticas públicas baseadas nos princípios da livre iniciativa, governo limitado, liberdade individual, valores tradicionais americanos e uma forte defesa nacional”.

Além disso, segundo o jornal The Guardian, Roberts "tem laços estreitos e recebe orientação espiritual regular de um centro dirigido pelo Opus Dei em Washington, DC. O Opus Deis é uma organização que o referido jornal britânico, um dos mais influentes do Reino Unido, descreve como um ‘grupo católico radical e secreto’”.

“Roberts reconheceu em um discurso em setembro passado que, durante anos, visitou semanalmente o Centro de Informação Católica (CIC), instituição dirigida por um sacerdote do Opus Dei e registrada pela Arquidiocese de Washington, para assistir à missa e receber ‘formação’ ou assistência religiosa. O Opus Dei também organiza retiros mensais no CIC”, segundo informações do The Guardian.

Roberts, que segundo o New York Times afirmou que poderia ser “sem derramamento de sangue se a esquerda permitir”, começou a ganhar notoriedade como resultado do Projeto 2025 – duramente criticado por Kamala Harris na recente convenção do Partido Democrata – “um plano de base apoiado por mais de 100 grupos conservadores que procuram mudar radicalmente uma ampla gama de políticas se Trump for eleito novamente, desde limitar o acesso ao aborto e aos direitos LGBTQ+ até acabar com programas de diversidade e aumentar o apoio governamental à 'consciência sobre a fertilidade', como rastrear a ovulação e praticar abstinência periódica, em vez de contracepção mais confiável”.

Os mandamentos da 'restauração cristã'

Considerado o ‘cérebro católico’ de Trump e possível chefe de gabinete na Casa Branca caso o magnata derrote Harris em novembro próximo, Roberts apresentou naquela reunião de setembro passado, no CIC, os ‘mandamentos’ para a restauração cristã dos Estados Unidos, em plena comunhão com 'Make America Great Again' (MAGA), o mantra do Trumpismo.

O CIC, como observa o portal Katholisch, "é o lobby do Opus Dei, que tenta influenciar a política americana a partir daqui" e "é a casa de figuras católicas de direita como Roberts, o presidente da Sociedade Federalista, Leonard Leo e JD Vance, o candidato à vice-presidência.

“[Leonard] Leo é um ativista conservador que liderou a missão republicana para instalar uma maioria de direita na Suprema Corte e financia muitos dos grupos signatários do Projeto 2025. Assim como Roberts, Leo também tem ligações com a CIC, ligada ao Opus Dei”, afirma o The Guardian em suas informações.

“Em um discurso de 2022 aceitando a mais alta honraria da CIC, o Prêmio João Paulo II de Nova Evangelização, Leo elogiou o centro e referiu-se aos seus oponentes políticos como 'bárbaros vis e amorais, secularistas e intolerantes dos dias modernos', que estavam sob a influência do diabo”, afirma o jornal.

Linguagem inspirada em Escrivá?

“A linguagem militante de Robert, Leo e Vance pode ter sido inspirada em Escrivá, fundador do Opus Dei espanhol”, diz Katholisch, “cujo movimento se via, entre outras coisas, como uma ponta de lança contra a teologia da libertação na América Latina. Daí surge também a rejeição da ideia de separação entre Igreja e Estado, pois na realidade faz parte da autoimagem que os Estados Unidos têm”.

“Tal como o Projeto 2025, o Opus Dei é na sua essência uma postura reacionária contra a tendência progressista da sociedade”, segundo Gareth Gore, autor de um livro sobre a Obra, e não propriamente muito elogioso. “Durante décadas, a organização dedicou seus recursos à penetração na elite política e jurídica de Washington e, finalmente, parece ter tido sucesso graças à sua estreita associação com homens como Kevin Roberts e Leonard Leo”, afirma em declarações ao The Guardian.

EUA, o último bastião do cristianismo

Também o teólogo Massimo Faggioli, da Universidade Villanova – citado por Katholisch – “constrói uma ponte direta” para o Projeto 2025: “O Opus Dei é uma das forças conservadoras e tradicionalistas do catolicismo que vê os Estados Unidos como o último bastião do cristianismo”.

No entanto, Roberts, que depois de estudar na Universidade do Texas fundou a Academia João Paulo, o Grande, em Lafayette, uma “escola que escolheu o fundador do Opus Dei como seu patrono”, ficou em segundo plano nas últimas semanas, aparentemente devido ao excesso de ardor nos seus postulados restauracionistas e Trump distanciou-se um pouco.

“O fato de o seu nome aparecer várias centenas de vezes no documento [o Projeto 2025] e de [o seu candidato a vice-presidente] JD Vance estar em contato próximo com o arquiteto intelectual do projeto forçou Roberts a retirar-se taticamente”, diz Katholisch.

Mas não foi apenas Roberts que se retirou taticamente. A apresentação do seu livro sobre o Projeto 2025, intitulado The First Light of Dawn [A primeira luz do amanhecer], com publicação prevista para 24 de setembro, também foi adiada para depois das eleições presidenciais.

Vance e “os mosquetões” da batalha cultural

O prólogo dessa obra traz a assinatura de JD Vance e nele ele reivindica o direito de “'montar as carruagens e carregar os mosquetes” para entrar em batalha com as ideias de Robert como 'armas essenciais'”, segundo Katholisch.

Munições, em suma, para a batalha cultural que também querem fazer eco na Espanha, copiando, literalmente – apelo às raízes cristãs, rejeição da 'grande substituição' por migrantes muçulmanos, procura de apoio nos líderes católicos, agradecimento pela argumentação e formação de líderes –, os passos dados anteriormente para fazer de Trump o profeta de um nacionalismo cristão onde é difícil encontrar ecos do Evangelho.

https://ihu.unisinos.br/categorias/643034-estara-o-opus-dei-por-tras-da-conversao-catolica-a-trump-nos-estados-unidos

BLOQUEIOS E DIFICULDADES

 

Um relator da ONU verificou in situ, em novembro passado, que as medidas coercitivas dos EUA causaram prejuízos de milhões de dólares e impediram o funcionamento normal da economia cubana, marcada pela escassez de produtos essenciais, inflação e apagões prolongados.
O mesmo tipo de bloqueio e apropriação de ativos, foi praticado por países da Eutopa e, obviamente, pelos EUA, contra a Venezuela, tudo no afã de submeter os povos daqueles países aos caprichos e à ganância dos tradicionais colonialistas, mas, sobretudo, ao Sistema Financeiro Internacional.
Aproveitando-se dos efeitos deletérios do bloqueio sistemático e duradouro, a direita apregoa que os países passam por dificuldades porque os governos comunistas ou de esquerda são inoperantes e ineficientes.
Ora: se os governos de esquerda são imprestáveis, como alegam seus detratores, por que implementar bloqueios e se aprpriar de ativos? 
Bastaria deixar  que a suposta incapacidade de governar, dos mandatários de viés esquerdista, por si só, desgastasse a imagem do sociaqlismo e do comunismo e que os povos dos países assim governados resolvessem, pela via democrática, a remoção dos governantes esquerdistas do poder. 
Mas a verdade, sabemos, é bem outra, contrária ao que propagandeiam os fascistas e seusw simpatizantes. 
Não foi por acaso que os sionistas colocaram Gorbachev na presidêncdia da Rússia e promoveram o desmonte da URSS e fomentaram nacionalismos em vários países do leste europeu. a velha tática de "dividir para dominar" ainda funciona. No Brasil, tentaram, por enquanto sem êxito, instigar o regionalismo gaúcho e separar o sul do restante do país, ao argumento de que o sul e sudeste sustentam o restante. 

SEM BRAVATAS E ATOS TRESLOUCADOS - CHINA POTÊNCIA RESPONSÁVEL

Ao contrário do que ocorre com os EUA, que ataca as outras nações de forma indiscriminada e atrabiliária, a potência asiática "come o mingau pelas beiradas", sem fazer alarde.

Nunca se viu a China falando em "destino manifesto" de dominar o mundo, a exemplo dos EUA, um país arrogante e que despreza até mesmo seus tradicionais parceiros, como os países mais industrilizados da Europa Ocidental.

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Aplausos à China em Davos refletem apoio ao multilateralismo, diz editorial do Global Times
O editorial enfatiza que a China procura se posicionar como uma “grande potência responsável”
21 de janeiro de 2026, 04:58 h

Fórum Econômico Mundial, em Davos (Foto: VCG)

Conteúdo postado por:
Redação Brasil 247


247 – O Fórum Econômico Mundial (WEF) 2026 foi aberto em 19 de janeiro, em Davos, na Suíça, sob um clima descrito como particularmente desafiador, com tensões geopolíticas e sinais de fragmentação no sistema internacional. O encontro segue até 23 de janeiro e, ainda assim, registra o maior número de líderes e altas autoridades governamentais já reunido na história do evento, indicando que, quanto mais fortes os ventos do unilateralismo e do protecionismo, maior é a demanda global por multilateralismo e preservação de regras comuns.

A avaliação é de um editorial do jornal chinês Global Times, que interpreta como “sinceros e entusiasmados” os aplausos recebidos por representantes da China em Davos, especialmente após a fala do vice-primeiro-ministro He Lifeng, integrante do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China, no dia 20 de janeiro (horário local). O texto vincula essa recepção ao papel que Pequim busca desempenhar como defensora do livre comércio, da cooperação e de uma globalização “mais inclusiva”.

Davos 2026 e o diagnóstico de um mundo em fricção

O editorial aponta que o próprio WEF reconheceu a gravidade do contexto. Uma nota oficial do fórum mencionou "o pano de fundo geopolítico mais complexo em décadas" e a "crescente fragmentação". Já o Global Risks Report 2026, publicado antes da abertura, destacou que "o confronto geoeconômico emergiu como o risco mais severo" para 2026. A combinação desses alertas, na leitura do Global Times, reforça uma contradição: ao mesmo tempo em que cresce a sensação de instabilidade, aumenta também o apelo internacional por coordenação e regras compartilhadas.

O jornal sustenta que essa busca por coordenação aparece em diferentes frentes — das negociações climáticas ao debate sobre governança de inteligência artificial, além das demandas dos países em desenvolvimento por condições mais justas de crescimento. O argumento central é que, diante de problemas transnacionais, a lógica de “cada um por si” perde potência, enquanto “unidade e cooperação” se tornam a única resposta capaz de produzir resultados.

O discurso de He Lifeng e a mensagem de Xi Jinping no WEF

Em Davos, He Lifeng resgatou o discurso feito por Xi Jinping no WEF em janeiro de 2017 e afirmou que a China vem implementando seriamente aquela orientação, apresentando isso como demonstração de apoio ao multilateralismo e ao livre comércio. O editorial também associa essa linha a quatro iniciativas globais apresentadas por Xi nos últimos anos, descritas como “soluções chinesas” para desafios comuns.

No pronunciamento, segundo o Global Times, He Lifeng organizou sua mensagem em quatro pontos: apoio firme ao livre comércio, defesa inabalável do multilateralismo, compromisso com cooperação de ganha-ganha e promoção de respeito mútuo com consulta em condições de igualdade. O texto do jornal afirma que essa postura foi recebida com aplausos “sinceros e entusiasmados”, interpretados como um termômetro da disposição internacional de resistir à escalada de barreiras e blocos exclusivos.
Abertura, mercado e “fazer o difícil, mas certo”

O editorial enfatiza que a China procura se posicionar como uma “grande potência responsável” e que, em um cenário de incerteza, teria escolhido “fazer o que é difícil, mas certo”: manter a abertura econômica e priorizar cooperação. Nessa narrativa, a segunda maior economia do mundo seguiria ampliando iniciativas de abertura de alto padrão e promovendo uma globalização “mais universalmente benéfica e inclusiva”.

Como exemplos, o texto cita a expansão de zonas-piloto de livre comércio, o desenvolvimento do Porto de Livre Comércio de Hainan, além de feiras e plataformas voltadas a negócios e serviços. A ideia, segundo o jornal, é a de que a “porta da abertura” continuaria se abrindo, com oportunidades de mercado para empresas globais.


Nesse contexto, o editorial recorre também a uma avaliação do presidente do WEF, Borge Brende, destacando investimentos chineses em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Brende observou que "as tecnologias podem representar enormes oportunidades para ganhos de produtividade e também crescimento nos próximos anos. E a China é uma grande contribuinte para isso." Para o Global Times, a menção reforça o papel chinês na disputa por inovação e na tentativa de ancorar uma agenda de crescimento em meio a turbulências.
Economia chinesa, governança global e a aposta na paz

O texto lembra que, antes do fórum, a China divulgou seus dados econômicos de 2025 e afirma que a “resiliência” do desempenho chinês e seu papel em temas de governança econômica global receberam elogios. O argumento apresentado é que, mesmo com um ambiente internacional descrito como “complexo e severo” e com tarefas domésticas de reforma, desenvolvimento e estabilidade, a economia chinesa seguiria sinalizando “progresso constante”, tornando-se força relevante para um desenvolvimento global considerado saudável.

O editorial também sustenta que a China participa ativamente da “reforma e construção” do sistema de governança global e insiste em um caminho de desenvolvimento pacífico. Em termos políticos, o texto defende que a experiência chinesa demonstraria que países podem lidar com relações internacionais de Estado para Estado e alcançar revitalização por meios pacíficos, além de sugerir que nações com diferentes sistemas sociais e trajetórias de desenvolvimento podem se respeitar e cooperar em moldes de ganha-ganha.
“Espírito do diálogo” e a crítica à lógica da confrontação

Um dos símbolos citados pelo editorial é a decisão do WEF, na cerimônia de abertura, de substituir discursos de convidados — comuns em anos anteriores — por um concerto. A justificativa oficial do fórum, segundo o texto, foi que isso expressaria o "espírito do diálogo" porque "a música não conhece fronteiras, não fala uma única língua." Para o Global Times, a mensagem é direta: confrontação produz “destruição e regressão”, enquanto diálogo e cooperação podem gerar “prosperidade e progresso”.

O editorial associa essa visão ao pós-guerra e ao surgimento de uma ordem internacional baseada na valorização da paz, que teria aberto oportunidades inéditas de desenvolvimento. Diante do que descreve como ameaças severas a essa ordem, a defesa é por retornar ao “propósito original”: resolver diferenças por meio de diálogo, tratar conflitos por negociação, e rejeitar a política da pressão como instrumento central de gestão internacional.
China como “lastro” em tempos de incerteza

Na conclusão, o Global Times afirma que, em uma era de incerteza, a China se apresenta como um “lastro” — uma força estabilizadora. O texto sustenta que Pequim não se engaja em “panelinhas” exclusivas e diz oferecer abertura de um mercado de mais de 1,4 bilhão de pessoas, compartilhamento de dividendos de tecnologia e inovação e adesão ao que chama de “justiça e equidade” internacionais.

A tese final é que as transformações profundas em curso no sistema global voltariam a demonstrar que o multilateralismo é o caminho correto para a humanidade. Ao destacar os aplausos em Davos como “sinceros”, o editorial procura sinalizar que, apesar do ambiente descrito como o mais tenso em décadas, existe uma demanda concreta por pontes — e que a disputa central de 2026 será entre fragmentação e cooperação, entre blocos e regras comuns, entre confronto e diálogo.

Rombo do Master

Análise: quem vai pagar a conta do rombo de R$ 41 bilhões do Banco Master
O caso expõe o velho modelo brasileiro: privatização dos lucros, socialização dos prejuízos, mas põe o STF e o Congresso em rota de colisão e forte desgaste na opinião pública.
Outra pergunta inevitável: quem falhou na fiscalização e será responsabilizado, administrativa penalmente pelo absurdo? 
Ou ninguém falhou?
Ou a fiscalização é uma falácia, quando se trata do Sistema Financeiro?



JONES MANOEL, UM AUTÊNTICO



Pré-candidato a deputado, Jones Manoel avisa: ‘Se eles estão tendo problemas com o Glauber, comigo a coisa vai ser bem pior’

O militante do PCBR se filiou ao Psol enquanto seu partido ainda não cumpriu os requisitos para formalização junto ao TSE
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Jones Manoel pretende concorrer a deputado federal, mas não descarta nem mesmo candidatura à presidência| Crédito: Arquivo pessoal

Após ter enfrentado um processo que quase o levou à cassação do mandato, em ação que teve como protagonistas deputados do Centrão e da extrema direita, Glauber Braga (Psol-RJ) ainda pode ser visto por seus colegas na Câmara como um parlamentar moderado? Se depender de Jones Manoel, sim. O militante do PCBR se filiou ao próprio Psol para concorrer a deputado federal por Pernambuco em 2026, já que seu partido ainda não cumpriu as exigências do Tribunal Superior Eleitoral para ser lançado, e está otimista para que o Congresso volte a ter um parlamentar declaradamente comunista.

“Se a gente tiver um comunista no Congresso Nacional, a primeira coisa que vai acontecer é a direita e a extrema direita que odeia o Glauber Braga, achar o Glauber moderado, achar o Glauber calminho”, disse, bem humorado, ao BdF Entrevista, podcast do Brasil de Fato. “Se eles estão tendo problemas com o Glauber, comigo a coisa vai ser bem pior”, provoca.

Jones explicou ao programa o que é a filiação democrática, o acordo que permite que ele inscreva sua candidatura pelo Psol enquanto trabalha junto aos companheiros para viabilizar a futura inscrição do PCBR. O expediente, aliás, já foi adotado em outros momentos históricos da política brasileira, especialmente por partidos de esquerda.

Na conversa, ele deixou claro que há setores internos do PSOL que não concordam com a parceria, especialmente por ele se declarar abertamente como não lulista. Apesar disso, acredita que tem boas chances de a candidatura prosperar sem percalços e ele estar no Congresso a partir do ano que vem defendendo alternativas de esquerda para o país.

“Se tem uma coisa que o Brasil precisa é de um campo de esquerda radical. No Brasil não existe polarização. Você tem uma extrema direita reacionária que é radical no seu fascismo, e a gente não formou um polo de esquerda radical. Isso é indispensável, inclusive se a gente quiser reduzir, combater a influência da extrema direita na juventude brasileira, que cresce em ritmos acelerados. Só é possível fazê-lo com um campo de esquerda radical”, resumiu.

Confira a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato: Como funciona essa ferramenta da filiação democrática, uma questão que tem dado certa confusão na cabeça das pessoas. Você vai ou não vai para o Psol? Como funciona isso?

Jones Manoel: A filiação democrática é um instrumento histórico da esquerda brasileira usado há mais de 70 anos. Basicamente o seguinte: um partido ainda não tem registro eleitoral, por qualquer motivo que seja, e esse partido faz um acordo com outro partido que tem registro eleitoral para lançar as suas candidaturas.

O PCB, quando foi cassado no âmbito da Guerra Fria no governo do Eurico Gaspar Dutra, fazia filiações democráticas e lançava seus candidatos por outros partidos, dentre eles, mas não só, o PTB, do Jango e do Brizola.

Se a gente avança um pouco no tempo, nos anos 1980, a dissidência que saiu do PCB em torno do Luiz Carlos Prestes e foi ser abrigado no PDT, não eram trabalhistas: eram comunistas que faziam filiação democrática para lançar seus candidatos pelo PDT.

Ainda nos anos 1980, os verdes no Brasil, que apareceram seguindo muito a tendência que estava colocada no cenário europeu, faziam filiação democrática e lançavam candidaturas pelo PT. O PT nos anos 1990 foi um espaço para filiações democráticas, para várias correntes e organizações políticas que não tinham registro eleitoral.

Avançando ainda mais no tempo, depois que o Psol se constituiu, o Psol também foi um espaço para afiliação democrática de candidaturas de organizações que não têm registro eleitoral.

Então, o PCR, que depois criou a UP, antes de ter a UP, lançou candidatura via filiação democrática pelo Psol, pelo PDT, pelo PRTB.

O pessoal do MRT lançou candidatura via filiação democrática pelo Psol; o polo comunista Luiz Carlos Prestes, lançou candidatura via filiação democrática ao Psol.

Então, basicamente: o PCBR ainda não tem o seu registro eleitoral, mas gostaria de participar das eleições. Busca-se um acordo político com o Psol para lançar a nossa candidatura a deputado federal por Pernambuco pelo Psol.

Eu serei candidato do Psol, mas não militante do Psol. Eu não estou entrando no Psol para disputar o Psol, para participar dos congressos, das disputas de correntes. Eu continuo militante do PCBR e estaria no Psol para ser candidato, para ter a oportunidade de disputar as eleições de 2026. Em síntese, é isso.

E como estão as negociações com o Psol?

O Psol é um partido-corrente, ou tendências, como a gente fala na linguagem clássica da esquerda. A maioria das correntes e tendências manifestam uma posição positiva por um acordo que, diferente do acordo Mercosul e União Europeia – que é péssimo para uma das partes, no caso o Brasil – esse é um acordo ganha-ganha. O PCBR tem o ganho político de conseguir lançar a sua candidatura e, caso sendo positivo, ter um militante no parlamento burguês, que vai fazer uma agitação do programa do partido, que vai ter um tribuno do povo, usando outros termos clássicos de Lenin, para fazer as denúncias, para organizar a classe trabalhadora, para fazer inclusive a própria denúncia do caráter burguês, do Estado burguês, no âmbito do Estado Burguês; para potencializar o crescimento do movimento comunista no Brasil, etc.

O Psol também tende a ganhar porque o Psol tem o desafio de superar a cláusula de barreira, e a gente acredita que nossa candidatura vai ajudar nisso. O Psol nunca elegeu um deputado federal por nenhum estado do Nordeste brasileiro, então teria fortes possibilidades da gente ser o primeiro. E o Psol, aqui em Pernambuco, tem um desafio muito interessante e importante, que é fugir da polarização entre João Campos e Raquel Lyra e tentar criar um terceiro campo, um campo mais de esquerda.

O Psol já colocou a pré-candidatura ao governo do estado do Ivan Moraes, e seria bom para a chapa do Psol Pernambuco como toda a nossa candidatura, dada a repercussão, dada a capacidade de mobilização, de penetração em vários setores da sociedade. Então, o Psol ganharia a nível nacional, ganharia a nível local e o PCBR também.

Evidentemente, há alguns setores que são contra, e até agora as coisas não foram colocadas, infelizmente, de maneira explícita e aberta. O que a gente escuta a falar dos bastidores é que existem aqueles que são contra a filiação democrática porque o PCBR não é um partido lulista. O que é curioso, porque o apoio de várias alas do PSOL ao presidente Lula e a opção, por exemplo, por votar no Lula no primeiro turno, segundo o discurso oficial de justificativa é uma opção tática da conjuntura, não estratégica. Mais uma vez, sem querer entrar em linguajar de comunista ou de militante, só explicando, na cultura política das esquerdas, a ‘estratégia’ seria o que é essencial, o que define o centro do seu programa político. Já a tática seria as medidas, as ações que você tem que tomar em cada conjuntura. O que é essencial é a estratégia.

A tática, ela é secundária, é um meio para você ir concretizando a estratégia. Como o PSOL é um partido que no seu programa se apresenta como um partido socialista, e o PT não é socialista, o lulismo não é uma corrente, é, por assim dizer, político-eleitoral socialista, o apoio ao Lula seria um apoio tático. E aí tudo bem, a gente discorda na tática, isso é normal. Inclusive a filiação democrática, ela tem como pressuposto um acordo político entre organizações que diferem em vários aspectos. Agora, é difícil entender esse argumento porque ele entra em contradição com algumas coisas. ‘Ah, teria um problema com a filiação democrática porque o PCBR não é lulista’; e eu não sou lulista também, enquanto militante do PCBR, além da leitura que eu tenho do que é o lulismo no Brasil e do terceiro governo Lula.

Isso entra em contradição com dois argumentos. Primeiro argumento: é dito na esquerda brasileira que a grande batalha já ser travada é pelo Congresso Nacional, que é preciso renovar o Congresso. Todo mundo que entende de eleição tem uma perspectiva positiva da nossa candidatura aqui em Pernambuco, e aqui não estou fazendo discurso de ‘já ganhou’, porque isso não existe em eleição. Eleição é decidida quando abrem-se as urnas e começam a contar os votos, mas a perspectiva é positiva de ser eleito. Então tenho dificuldades de entender: se o argumento é que tem que mudar radicalmente e emergencialmente o Congresso Nacional, porque vai se abrir mão de uma candidatura que tem potencial de ganho?

Segundo, eu tenho dificuldade de entender o argumento, ainda mais quando, por exemplo, amplos setores do PSOL ofereceram uma filiação democrática para a Marina Silva. A Marina Silva é liberal. É progressista, democrática? Beleza. Mas a Marina Silva é liberal, inclusive na campanha a presidente dela em 2014 e 2018, a Marina Silva defendeu um programa econômico abertamente liberal, inclusive defendendo a autonomia do Banco Central. Então, se dá para fazer uma afiliação democrática de uma candidatura liberal, qual é o argumento de não fazer uma afiliação democrática de uma candidatura comunista? Só porque eu não sou lulista? Então, é mais grave não ser lulista que ser liberal e defender, dentre outras coisas, a autonomia do Banco Central? Acho que são argumentos que, se a gente for fazer uma análise fria, eles não se sustentam.

Porém, a gente tem uma avaliação de que o resultado final vai ser positivo. Eu acho que para a sociedade brasileira, vai ter uma pressão… pressão é uma palavra ruim, não é? Vai ter uma demanda para que esse acordo político se concretize, a filiação democrática aconteça, a candidatura saia e com a graça de Marx e todos os santos seja vitoriosa a gente volte a ter um comunista no Congresso Nacional.

Se a gente tiver um comunista no Congresso Nacional, como vai ser a atuação dele?

Se a gente tiver um comunista no Congresso Nacional, a primeira coisa que vai acontecer é a direita e a extrema direita que odeia o Glauber Braga, achar o Glauber moderado (risos). Achar o Glauber calminho. Se eles estão tendo problemas com o Glauber, comigo a coisa vai ser bem pior.

Uma das coisas que falta no grosso da esquerda brasileira nos últimos anos é falar sem medo do socialismo, da revolução brasileira, de enfrentar os interesses estratégicos da classe dominante. É não ter medo de fazer a crítica direta ao agronegócio e defender a reforma agrária; de falar abertamente da necessidade de reestatizar os setores estratégicos da economia e reverter as privatizações; de acabar com a privatização do Banco Central, chamada de “autonomia do Banco Central” e baixar essa taxa de juros, que é uma taxa de juros de acima das de agiotas, de 15% ao ano; de colocar em perspectiva real a transformação de serviços públicos para que o Brasil deixe de ter coisas como, por exemplo, analfabetismo, coisas como as insuficiências crônicas do SUS; enfrentar na prática o programa neoliberal com, por exemplo, sua ideologia de austeridade fiscal e fazendo um debate real sobre passe livre no Brasil, mas não é passe livre com o governo dando subsídio para as empresas de transporte: é estatizar os transportes coletivos nas regiões metropolitanas do Brasil, estabelecer um sistema realmente público com controle popular, com passe livre e com boas condições de trabalho para os rodoviários e rodoviárias.

Ou seja, alguém que consegue falar o que é essencial para dar resposta para os problemas da classe trabalhadora, apresentar de fato as soluções sem ter medo de melindrar os setores poderosos da sociedade capitalista brasileira, sem ter compromisso, rabo preso, rabo de palha com a elite econômica e a elite política, colocando sempre uma perspectiva de enfrentamento aos interesses do capital.

Aliado a isso, fazer ainda mais do mandato – e eu digo ainda mais porque tem vários deputados e deputadas no Congresso Nacional que já fazem isso, a exemplo do próprio Glauber Braga, a Fernanda Melchionna, a Sâmia Bonfim, o Tarcísio Motta. Fazer ainda mais do mandato um instrumento de luta da classe trabalhadora.

Neste momento, por exemplo, a gente está numa campanha junto aos trabalhadores e trabalhadoras demitidos da Eletrobras pela reversão do veto presidencial ao projeto de lei 1791, que foi aprovado no Congresso Nacional e que garante que os 20 mil trabalhadores e trabalhadoras demitidos da Eletrobras sejam reaproveitados em outras empresas públicas. O presidente Lula foi lá e vetou. A maioria dos deputados federais ditos progressistas, salvo exceções, como Fernanda Melchionna, Heloísa Helena, Sâmia Bonfim, ficou calado sobre esse veto. A gente, como deputado, os trabalhadores e trabalhadoras da Eletrobras, não precisariam nem pedir. A gente, de cara, se colocaria contra esse veto e faria não só a defesa da aprovação desse projeto de lei, como estaria em permanente campanha pela reestatização da Eletrobras.

Se tem uma coisa que o Brasil precisa é de um campo de esquerda radical. No Brasil não existe polarização. Você tem uma extrema direita reacionária que é radical no seu fascismo, e a gente não formou um polo de esquerda radical. Isso é indispensável, inclusive se a gente quiser reduzir, combater a influência da extrema direita na juventude brasileira, que cresce em ritmos acelerados. Só é possível fazê-lo com um campo de esquerda radical.

O PCBR é um partido que surgiu a partir da expulsão de uma série de militantes do PCB, inclusive você. E eu queria perguntar por que nasceu a ideia de criar mais um partido, e não se filiar à UP ou até se filiar a uma corrente mais radical dentro do Psol?

O racha no PCB foi motivado por uma perseguição administrativa feita por um setor do partido que controlava os postos estratégicos: secretaria-geral, Secretaria de Organização. Não foi escolha nossa. A gente não queria sair do PCB, ser expulso do PCB. A gente foi expulso a partir do controle da máquina administrativa.

E aí, por que criar uma organização nova? Porque a gente tem discordâncias com a UP, por exemplo. A gente não tem o mesmo programa político, a gente não tem a mesma compreensão do Brasil, a mesma compreensão do cenário internacional ou de conjuntura, e isso se expressa, inclusive, neste momento.

Só para dar um exemplo: o PCBR fez um chamado para as organizações de esquerda radical no Brasil construírem uma mesa de unidade em torno de uma candidatura de esquerda radical no primeiro turno em 2026. A UP é uma das organizações que se mostra mais resistente a construir essa unidade. A UP tem uma lógica política, em vários momentos, de autossuficiência, de verdadeiro sectarismo, que dificulta vários processos de unidade de luta. Então, não dava. Além do que a UP não permite, no seu estatuto, a entrada de grupos políticos. A UP filia indivíduos, não grupos. Então, é proibido pelo estatuto da UP, por exemplo, que um grupo político constituído se incorpore ao partido, teria que fazer um debate político sobre fusão.

Sobre entrar em alguma corrente mais radical do Psol, nós temos uma leitura muito particular. O PCBR é uma organização marxista-leninista. O Psol tem correntes marxistas, como é o caso do MES, o movimento de esquerda socialista, o Fortalecer, mas são correntes que têm uma perspectiva teórica ligadas ao trotskismo, fazem referência a Leon Trotsky, que foi um dos líderes da Revolução Russa e criador e chefe militar do Exército Vermelho por alguns anos. Nenhum problema em fazer aliança política, em construir unidade de ação com trotskista, pelo contrário, quem é menos sectário é a gente. Mas é uma leitura diferente. São tradições diferentes dentro do marxismo.

Isso não impede que a gente construa a unidade de ação, a gente tem o mesmo objetivo final comum, que é a construção do socialismo no Brasil, mas temos compreensões de mediação prática diferentes. Então, não era possível, naquele momento, fazer uma fusão ou fazer uma entrada em alguma organização já existente. Por isso, a opção de constituir um partido político próprio e tentar ser um instrumento para potencializar a reorganização do movimento comunista e da classe trabalhadora no Brasil.

O horizonte da esquerda radical é a revolução, e, para uma revolução acontecer, é preciso um movimento de massa. Como a gente chega nesse movimento de massa com uma esquerda radical tão rachada em diversos partidos e correntes, e que não consegue uma unidade?

Eu acho que todas as revoluções, antes do decolar do processo revolucionário, a esquerda não estava unificada. Vamos pegar um exemplo clichê, a Revolução Russa. Quando começa o protesto das tecelãs, no começo de 1917, o movimento operário russo estava numa série de contradições, porque a maioria da Segunda Internacional tinha aderido à guerra imperialista, então cada sessão nacional da Segunda Internacional estava apoiando a sua burguesia na guerra. Existe uma profunda divisão no movimento operário russo, diversas correntes: socialistas revolucionários, bolcheviques, mencheviques, anarquistas, populistas, etc. O movimento não estava unificado. Ele se unificou sob a direção dos bolcheviques no contexto de ascenso das lutas operárias, camponesas e também de soldados no contexto da guerra. Numa situação revolucionária, os bolcheviques conseguiram ser a liderança.

A mesma coisa a gente pode falar da Revolução Cubana, só para ficar um outro exemplo bem clichê, bem mais próximo da gente. A Expressão Popular recentemente lançou o livro da Vânia Bambirra, Revolução Cubana: Uma Reinterpretação.

Nesse livro, que é talvez o livro mais brilhante já escrito por uma brasileira sobre a Revolução Cubana, a Vânia mostra como existia uma diversidade gigantesca de organizações políticas que se propuseram a derrubar a ditadura e o domínio neocolonial dos Estados Unidos sobre Cuba, e que elas não se unificavam: elas só se unificaram sob a liderança da guerrilha comandada por Fidel Castro depois de um longo processo de maturação, lutas e derrotas.

Então, a gente vê com muita tranquilidade a diversidade de organizações de esquerda. Isso não é uma novidade histórica. Qual é o “x” da questão? É que a gente não faça da diversidade um impedimento para a unidade de ação. A gente não pode dizer: “Ah, você é trotskista, eu sou estalinista”, e por causa disso a gente não construir uma ação conjunta pelo fim da escala 6×1. Isso é inaceitável.

O problema da esquerda brasileira não é ser fragmentada do ponto de vista organizacional, é ter pouca capacidade de unidade de ação, de construção de diálogo, de mesa de debate, de unidade de ação, de frente de ação para as lutas concretas da classe trabalhadora. Divisão, sempre vai ter. Diversidade de organizações, sempre vai ter. E isso até positivo. Se há uma grande organização hegemônica que manda em tudo de norte a sul do país, quando essa organização hegemônica tende para uma degeneração social-liberal ou liberal, ela pode arrastar a classe trabalhadora inteira, que é o que aconteceu com o PT, diga-se de passagem. Então, ter uma certa diversidade de organizações é até bom, do ponto de vista de que se uma organização tiver um desvio à direita, isso não significa necessariamente que isso vai ser uma realidade para toda a classe trabalhadora do Brasil. A questão é a unificação na ação política e na capacidade de construir pontes e programas comuns.

O PCBR é um partido de vanguarda? Explica para a gente esse conceito, por favor.

De maneira bem didática, na ideia de Lenin, o que é um partido de vanguarda? A classe trabalhadora, nas suas lutas imediatas, ela se defronta com luta por melhores condições de trabalho, salário, por políticas públicas, por um posto de saúde, por uma creche, para melhorar a coleta de lixo, por aí vai.

A classe trabalhadora está na luta econômica. Essa luta econômica não necessariamente toma a dimensão política, da luta pelo poder do Estado, da luta pela ditadura do proletariado ou o poder popular, da luta pelo socialismo. É papel de um partido de vanguarda, inserido organicamente nessas lutas, potencializar a luta e a organização da classe trabalhadora no sentido de passar de uma consciência de lutas meramente econômicas para uma luta política no sentido de conquistar o poder do Estado.

Nesse sentido, como se referencia na tradição marxista-leninista, o PCBR busca ser um partido de vanguarda para potencializar, contribuir, aprender e avançar na organização da classe trabalhadora, desenvolvendo uma consciência revolucionária. Isso é o que está no programa do partido.

Particularmente, eu não gosto do título “partido de vanguarda”, porque ele virou um rótulo autoelogioso. O partido de vanguarda é uma realidade fática frente ao processo histórico. O que eu quero dizer com isso? Você pode se autoproclamar um partido de vanguarda, mas você só o é verdadeiramente quando você é vanguarda de um processo revolucionário. Então, todas as organizações de vanguarda são enquanto potencial: se proclamam, querem ser, gostariam de ser. A gente vai ver, no caso histórico, se é realmente uma organização de vanguarda no sentido leninista, depois que a revolução for feita, depois que a tomada do poder acontecer.

Então, de maneira objetiva, o Partido Comunista Chinês, que liderou uma revolução e tomou o poder político, ele pode se colocar como uma organização de vanguarda, porque ele foi foi objetivamente na história, no processo histórico chinês, uma organização de vanguarda. No Brasil, nenhum partido comunista liderou uma revolução, então nenhum partido comunista no Brasil é uma organização de vanguarda, no sentido mais preciso da palavra. Vai sê-lo no processo revolucionário, quando a tomada do poder acontecer.

Como está o processo de conseguir as assinaturas para fundação do partido?

O TSE fez mudanças recentes que tornaram uma coisa muito draconiana. Você tem só dois anos para recolher todas as assinaturas. Se você não recolhê-las dois anos, vence o pedido de registro e você começa tudo de novo. É um prazo muito, muito diminuto.

A gente está num processo de estruturação de um plano nacional de legalização. A gente não lançou ainda a coleta de assinaturas, porque a gente acha que, quando a gente lançar essa coleta, a gente precisa ter condições objetivas de concluir essa coleta em dois anos, e hoje existe o risco de a gente não conseguir as mais de 500 mil assinaturas em dois anos. A ideia é, passado a eleição de 2026, tendo um resultado positivo, inclusive, elegendo o comunista Jonas Manoel em Pernambuco, o partido vai ter melhores condições, inclusive de estrutura, para colocar a campanha na rua e garantir que em dois anos a gente vai conseguir atras mais de 500 mil assinaturas para legalizar o partido.

Então, a gente está estruturando um plano nacional de legalização do partido, mas a gente ainda não colocou a campanha na rua, porque para colocá-la precisamos ter garantia, fazer uma análise fina, muito científica das nossas forças de que a partir do momento que a gente lançou na rua, a campanha de coleta de assinaturas, a gente tem condições de bancar em dois anos. Isso está quase lá, mas não chegou ainda.

A ideia inicial era você ser candidato à presidência, mas sem o registro no TSE do PCBR, isso acabou inviabilizado. Você acredita que ainda tem chance de nascer uma candidatura unificada de esquerda radical para a presidência nessas eleições ou isso já está descartado?

Eu acho que é uma necessidade, ter uma candidatura de esquerda radical no primeiro turno. Dentre outras coisas, porque, só com muita simpatia, mas com muita simpatia mesmo, alguém pode chamar a candidatura do Lula de ‘esquerda’. O Lula não vai falar, por exemplo, da reestatização das refinarias privatizadas da Petrobras. Se falar, vai ser uma vez ou outra. Inclusive foi promessa de campanha no passado que ele não cumpriu. Lula não vai falar da reestatização da Eletrobras, que inclusive o governo dele desistiu da demanda. O Lula parou de falar de reforma agrária. Inclusive, eu vi, no Brasil de Fato, uma matéria há uns dois meses, comparando o nível de vezes que o Lula citava a reforma agrária no primeiro e no segundo mandato e agora [Jones faz alusão à reportagem publicada em julho de 2025 em que o MST cobrou que a agenda da reforma agrária fosse prioridade para o governo federal]. Lula parou de falar de reforma agrária. Recentemente, o João Pedro Stédile deu uma entrevista em que ele falava que o governo não estava fazendo nada pela reforma agrária.

O Lula acabou de assinar um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que é uma tragédia para a soberania nacional brasileira, para qualquer perspectiva de reindustrialização do Brasil. Todos esses temas não vão ser debatidos no processo eleitoral se a única candidatura progressista, de esquerda, com muita simpatia, for do Lula. A gente precisa de uma candidatura de esquerda radical.

O PCBR vem trabalhando para isso, o PCBR vem tentando construir uma mesa de diálogo nacional com diversas organizações, com e sem registro eleitoral, para fazer esse debate com uma candidatura unificada. É difícil? É muito difícil, porque é muito sectarismo. Porque há briga pelo pequeno poder, quem vai ser cabeça de chapa, quem vai formalmente dirigir o processo sendo cabeça de chapa.

O mais importante, me parece, seria estruturar uma campanha que tenha realmente repercussão. É claro que, onde o Lula é candidato, o espaço para uma outra alternativa identificada com a esquerda fica menor. Isso é óbvio. Mas é possível fazer uma campanha com repercussão na casa de vários milhares e alguns milhões, quem sabe, dialogando diretamente com o setor da juventude e da classe trabalhadora, desde que se faça uma boa campanha. Uma campanha que esteja no século XXI, que tenha aprendido o básico da comunicação digital, que seja uma campanha arejada, com debates e propostas que toquem na realidade no cotidiano da classe trabalhadora. A gente não está na União Soviética, nem no Brasil dos anos 60 ou 70. Aquelas campanhas eleitorais do Partido Comunista, que o candidato está sentado numa biblioteca de uma sala, de uma casa muito chique, aí tem uma sala gigantesca, uma biblioteca no fundo, um hino da União Soviética tocando, ele falando ‘tem que estatizar tudo’… Esse tipo de campanha não toca ninguém, objetivamente. Os resultados eleitorais do passado estão aí para mostrar.

Eu acho que é uma necessidade da história da luta de classes no Brasil. A gente vem trabalhando para essa construção de unidade, mas é difícil sair. Eu espero um resultado positivo. De toda forma, se essa candidatura da esquerda radical não sair, aí fim do ano a gente vai ter um debate muito interessante, muito gostoso, muito polêmico para fazer, porque as responsabilidades vão ter que ser cobradas.

A gente vive um momento de ascensão do fascismo. Bolsonaro agora está fora, está preso, mas tem os filhos do Bolsonaro, tem outras pessoas que disputam o legado bolsonarista, como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado, Ratinho Junior, uma série de atores. Não é arriscado dividir o progressismo nesse momento histórico?

Eu acho uma boa reflexão, mas vamos pensar por outro prisma. A gente está enfrentando a extrema direita na eleição. Cada voto que não for para a extrema direita, eles se enfraquecem. É matemática básica: a extrema direita quer ganhar a eleição. Cada voto que você tirar deles, significa que eles estão mais fracos eleitoralmente. Mesmo que o voto não vá, por exemplo, para o Lula.

Então, se tem uma candidatura da esquerda radical que, por exemplo, tira votos da juventude, que ia votar na extrema direita, mas passa a votar na esquerda de esquerda radical, isso enfraquece a extrema direita. Isso é objetivo, não é opinião.

Vamos dialogar três insuficiências do governo Lula: a popularidade do Lula na juventude é baixíssima. As pesquisas eleitorais vêm captando uma percepção de conservadorismo na juventude. A juventude tem uma inclinação a apoiar candidaturas da extrema-direita que têm aparência disruptiva, antissistêmica. O Sidônio pode fazer a mágica que for, a candidatura do Lula não vai conseguir nos próximos seis meses reencantar essa juventude. Se a gente não tiver uma candidatura da esquerda radical, isso pode consolidar essa juventude como braço eleitoral ideológico da extrema direita.

Por outro lado, há setores das camadas médias e trabalhadores de melhor salário, em todo o Brasil, mas particularmente no Sul e no Sudeste, que não querem votar no Lula. Isso não vai mudar. Por causa de questão de acúmulo, desgaste, denúncia de corrupção, por causa de propaganda ideológica da mídia burguesa, mas também, porque a desindustrialização brasileira caminhou em ritmo acelerado durante os cinco governos petistas e isso teve um impacto muito grande na geração de emprego, de renda, de qualidade de vida em várias cidades e regiões do Sul e do Sudeste brasileiro.

Ter uma candidatura de esquerda radical que fizesse um debate, por exemplo, sobre a desindustrialização brasileira; sobre a destruição da complexidade produtiva; de empregos qualificados; sobre o rentismo; sobre a taxa de juros no Brasil; sobre o domínio dos bancos e o cartel bancário, cinco bancos concentram 80% do mercado bancário brasileiro e por aí vai; poderia pegar esses votos que estão indo para a extrema-direita e não vão para o Lula.

Então eu acho que esse argumento é meio simplista, porque ele desconsidera que qualquer voto tirado da extrema-direita enfraquece a extrema-direita. Mesmo que esse voto não vá para o Lula no primeiro turno, mas enfraquece a extrema-direita, porque é um voto a menos. Eu acho que esse elemento que precisa ser considerado.

Você acredita que é possível tirar o voto da extrema direita e passar para esquerda radical?

Cem por cento! Totalmente! Uma das provas disso é que todos os dias quando eu estou em atividades de rua, não tem um santo dia que eu não encontre jovens, mas não só jovens, que dizem que eram do MBL, eram simpáticos à extrema-direita, eram ‘incels’, e deixaram de ser acompanhando o meu conteúdo.

Uma anedota, mas uma anedota, para mim, significativa. Ontem o padre Fábio Marinho, de Minas Gerais, me ligou. Eu não estava disponível para atender no momento, aí depois a gente se falou. O padre estava na delegacia resolvendo uma questão, e me ligou porque estava conversando com policiais que acompanham o meu canal, leem meus livros, acompanham o debate que a gente faz, concordam, defendem, são, entre aspas, ‘fãs’, e aí comentaram com o padre: ‘Padre, o senhor conhece o Jonas Manoel, eu já vi que vocês conversaram no Três Irmãos Podcast, a gente gosta muito dele’, e o padre me ligou para eu falar com os policiais. É um ambiente que gera a expectativa de ser de direita, bolsonarizado, e tem muita gente ouvindo, curtindo, gostando de um debate comunista. Se você perguntar para esses policiais, é provável que a maioria deles estavam inclinados à direita e deixaram de estar.

Quando a gente faz disputa ideológica, isso dá resultado. Eu acho que o próprio crescimento que a gente teve nos últimos tempos enquanto figura pública, é prova que a disputa político-ideológica dá resultado. As pessoas que passaram a me acompanhar, referenciar, comprar os livros, ir para as atividades, se organizar no PCBR, não era só gente que era progressista e virou de esquerda radical. Tem muita gente que era liberal ou era de direita e fez um processo de transformação ideológica.

Parece que a esquerda sempre precisa moderar seu discurso para chegar ao poder, enquanto a extrema direita, quanto mais eleva o tom, parece que mais cresce. E aí, talvez, a solução seja não moderar o discurso, e, sim, ir para um discurso mais radical.

Tem um elemento de tática eleitoral, é que o Brasil vive um clima estranho, a gente perdeu o básico. Por exemplo, quando o Psol tinha candidatura a presidente, isso ajudava o PT, objetivamente. O Psol fazia um discurso mais à esquerda, dava um certo nível de politização à esquerda e isso criava um ambiente cliente melhor, inclusive, para o PT fazer sua tática eleitoral.

A gente teve eleição no Chile, e foi muito curioso. O candidato vitorioso, o [José Antônio] Kast, ele é um cara de histórico nazista. Ele foi para as eleições como um cara da extrema direita, o “Bolsonaro chileno”, inclusive, como foi apelidado. Só que na eleição do Chile, tinha um cara ainda mais à direita que ele, o [Johannes] Kaiser. Ele era tão de extrema direita, que isso beneficiou o Kast, ele pareceu moderado. Ele pareceu até uma direita mais racional, civilizada, e por aí vai. Isso fortaleceu bastante ele nas eleições do Chile.

A gente viu isso em São Paulo. O Ricardo Nunes foi uma benção na vida dele o Pablo Marçal. A candidatura do Pablo Marçal deu a Ricardo Nunes um ar de moderação, um ar de racionalidade que ele tentou construir e não conseguiu. Foi simplesmente o Pablo Marçal brotar nos debates que você olhava para o Ricardo Nunes e pensava: “Esse aí é ladrão, é privatista, mas pelo menos ele come de garfo e faca”.

Trazer um elemento de um campo mais radical que puxe o debate à esquerda, inclusive de maneira até involuntária, ajuda o campo progressista ou a centro-esquerda, como quiser chamar, do ponto de vista eleitoral. Isso é óbvio, porque a direita e a extrema-direita bota 300 candidatos. Alguém acha que o Renan Santos está entrando na eleição para ganhar? Que o Aldo Rebelo está entrando na eleição para ganhar? Que o Romeu Zema está entrando na eleição para ganhar? Esses caras, se forem candidatos, eles não estarão ali para ganhar. Estarão ali para fortalecer a disputa político-ideológica à direita e à extrema direita e para azeitar o campo para a tática política daquele que vai ser o jogador principal desse campo, que vai ser o Flávio Bolsonaro, o Tarcísio ou qualquer outro.

Há dez anos, isso era meio óbvio. Só que o Brasil vive um fenômeno engraçado, que coisas que eram óbvias deixaram de ser óbvias.

Se não tiver uma candidatura da Esquerda Radical, o PCBR vai apoiar o Lula no primeiro turno?

Não sei. Muita coisa pode acontecer daqui para lá. Pode ser que eu seja candidato, seja eleito. Imagina que coisa, você ir a posse de um comunista em 2027. Tem muita coisa em aberto. O cenário começou agora, a gente está em janeiro de 2026. Acho que não é para especular ou debater sobre “se”, até porque se for para especular sobre “se”, tem vários “ses”. Um “se” muito mais divertido é um comunista ser eleito e aí finalmente a gente vai ter um presidente que cumpre promessa de campanha e que não apoia teto de gastos, austeridade e privatizações. Vamos ver o cenário se configurar primeiro, para depois a gente tomar a deliberação política.